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Projeto de Resolução n.º 183/XVII
Recomenda a adoção de medidas de investigação, restauro e remoção de
alga invasora
A situação das algas invasoras em Portugal, especialmente na costa do Algarve,
é motivo de crescente preocupação.
A alga conhecida como “Rugopteryx Oxamurae ” é uma espécie invasora
originária dos mares do Japão e da Coreia. Depois de ter aparecido pela primeira
vez na Europa, em França, rapidamente se alastrou para Espanha, Marrocos e
Portugal, espalhando -se rapidamente pelo litoral do Algarve , mas também na
Arrábida e em Cascais.
Os fundos rochosos da costa algarvia foram invadidos por esta alga, com
consequências sérias para a biodiversidade marinha. A presença maciça da
espécie está a afastar da costa várias espécies, como polvos, moluscos e peixes,
afetando negativamente os recursos pesqueiros e prejudicando o ganho dos
pescadores. Além disso, este de sequilíbrio pode comprometer a cadeia
alimentar marinha e ameaçar as espécies nativas.
No entanto, o impacto mais visível e imediato sente -se no turismo, o setor
económico mais relevante da região. A grande acumulação de algas nas praias
de fundo rochoso — tanto no mar como na areia — provoca desconforto nos
veraneantes, que reclamam do incómodo e do cheiro.
Para mitigar estes impactos, os municípios algarvios têm feito esforços contínuos
na limpeza das praias, removendo as algas sempre que se acumulam e m
excesso, de forma a minimizar os efeitos negativos, nomeadamente os odores
desagradáveis que resultam da secagem destes organismos na praia.
Falamos de dezenas de toneladas de algas e milhares de euros para garantir a
sua remoção das zonas balneares. Um trabalho absolutamente necessário, mas
inglório, pois a recolha e limpeza dos areais é realizada num dia e no outro
verifica-se nova concentração de algas na zona de rebentação e no areal das
praias intervencionadas.
Atentos a esta realidade, crescent emente preocupante, os municípios
solicitaram a intervenção e o apoio científico à Universidade do Algarve no
sentido de perceber como conter a expansão desta espécie invasora e limitar os
seus efeitos negativos, tanto ao nível da biodiversidade como do se u impacto
negativo nas atividades humanas de lazer e fruição das praias.
A academia tem procurado encontrar respostas e, inclusive, em Lagos uma
empresa tem capturado algas para analisar o eventual aproveitamento comercial
e industrial.
O município de Lagoa e o seu congénere espanhol de Tarifa, na Andaluzia,
estabeleceram uma relação de cooperação e de trabalho conjunto, em parceria
também com a Universidade de Sevilha, de forma a possibilitar a troca de
informações e de estratégias para diminuir o impacto negativo desta alga.
Se, por um lado, importa apoiar a academia para o estudo científico do
comportamento desta alga, o seu controlo ou eventual aproveitamento comercial
futuro, por outro, é urgente implementar medidas imediatas e de curto prazo para
conter o impacto negativo que está a causar nos turistas que escolhem as praias
algarvias para as suas férias.
Por fim, importa referir que oturismo é o principal motor da economia do Algarve
e desempenha um papel essencial para o cresci mento económico do país. O
usufruto das praias, bem como a sua elevada excelência e qualidade, são fatores
decisivos para os excelentes resultados que o turismo algarvio tem registado nos
últimos anos.
Assim, ao abrigo das disposições regimentais e const itucionais aplicáveis, os
Deputados abaixo -assinados do Grupo Parlamentar do Partido Socialista
apresentam o seguinte projeto de resolução:
A Assembleia da República resolve, nos termos do disposto do n.º 5 do artigo
166.º da Constituição da República Portuguesa, recomendar ao Governo que:
1. Apoie a Universidade do Algarve na investigação sobre os efeitos desta
alga invasora na biodiversidade marinha, assim como eventuais meios de
conter a expansão e reprodução e utilizações com valor comercial que
possam contribuir para diminuir os custos da sua remoção;
2. Assegure meios para a necessidade do restauro do ecossistema marinho,
dos habitats e da biodiversidade nos termos do regulamento comunitário
de restauro da natureza;
3. Crie uma linha de apoio financeiro ao s municípios para a remoção
continua das algas das praias e para eventuais intervenções que sejam
consideradas necessárias tomar de forma a impedir ou limitar as algas de
chegarem ao areal, mediante a colocação de redes e barreiras,
protegendo a qualidade balnear das praias do Algarve.
Palácio de S. Bento, 11 de julho de 2025.
As Deputadas e os Deputados,
Luís Graça
Jorge Botelho
André Pinotes Batista
Filipe Neto Brandão
Hugo Costa
José Carlos Barbosa
Luís Moreira Testa
Miguel Costa Matos
Pedro Sousa
Pedro Vaz
Sofia Andrade
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