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Projeto de Resolução n.º 813/XVII/1.ª
Recomenda a revogação do estatuto de observador de Israel no
Conselho da Europa
Exposição de motivos:
A Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa (APCE) concedeu ao Parlamento do
Estado de Israel, Knesset, o Estatuto de Observador em 1957 1, tornando -o no primeiro
parlamento não europeu a beneficiar desse reconhecimento. Este estatuto confere aos
delegados do Knesset o direito de participar nas sessões da APCE, sem direito de voto, e
implica um compromisso implícito com os valores fundamenta is do Conselho da Europa: o
respeito pelo Estado de Direito, pela democracia e pelos Direitos Humanos, incluindo,
naturalmente, a abolição da pena de morte.
A 30 de março de 2026, a Knesset aprovou, com 62 votos a favor e 48 contra, uma lei que
institui a pena de morte por enforcamento como punição por definição para palestinianos
condenados, por tribunais militares israelitas, pela prática de ataques mortais classificados
como "atos de terrorismo"2. Esta lei, promovida pelo Ministro da Segurança Nacional, Itamar
Ben Gvir, da extrema-direita, contradiz diretamente os valores do Conselho da Europa e que
Israel, enquanto detentor do estatuto de observador, se comprometeu a respeitar.
Quer o Protocolo n.º 6 à Convenção Europeia dos Direitos Humanos 3, que abole a pena de
morte em tempo de paz, quer o Protocolo n.º 13, que estabelece a sua abolição em quaisquer
circunstâncias4, representam o padrão de referência do sistema europeu de proteção de
direitos fundamentais e são expressão absoluta do compromisso inderrogável do Conselho
da Europa com a abolição universal desta pena.
1 70.coe.int/1957-israeli-knesset-granted-observer-status-en.html
2 Israel passes death penalty law for Palestinians convicted of lethal attacks | Reuters
3 https://share.google/C2fXQPv2SoLMknsBk
4 Full list - Treaty Office
Neste sentido, o próprio Conselho da Europa já se pronunciou com clareza e em múltiplas
instâncias sobre esta matéria, inclusive durante o processo de apreciação legislativa da
iniciativa, tendo o Secretário -Geral do Conselho da Europa, Alain Berset, envia do cartas
formais ao Presidente do Knesset e ao Presidente de Israel antes da votação, instando à
retirada do projeto de lei, e emitido declarações públicas aquando da sua aprovação,
classificando-a como um "grave retrocesso" e que a sua entrada em vigor marcaria um "maior
distanciamento de Israel do quadro de valores com que historicamente escolheu associar -
se"5. Também os Delegados dos Ministros do Conselho da Europa expressaram profunda
preocupação a 25 de março de 20266 e a Relatora-Geral da APCE para a Abolição da Pena
de Morte, Gala Veldhoen, instou formalmente os membros do Knesset a rejeitar o diploma 7.
A própria Presidente da APCE, Petra Bayr, afirmou que a lei "compromete gravemente o
estatuto de observador" de Israel8.
O LIVRE considera que a manutenção do estatuto de observador do Knesset na APCE, sem
consequências face a esta decisão, esvaziaria de sentido os valores que o Conselho da
Europa representa e enviaria um sinal pernicioso de que a abolição da pena de morte é uma
condição negociável. Portugal, enquanto Estado membro fundador do Conselho da Europa e
defensor consistente da abolição universal da pena de morte, tem a responsabilidade de
tomar uma posição ativa neste debate.
Assim, ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo
Parlamentar do LIVRE propõe à Assembleia da República que , através do presente
Projeto de Resolução, delibere recomendar ao Governo que manifeste junto dos
Estados membros do Conselho da Europa a posição de Portugal de condenação da lei
israelita que institui a pena de morte e transmita a sua posição favorável à revogação
do estatuto de observador do Knes set na Assembleia Parlamentar do Conselho da
Europa.
Assembleia da República, 01 de abril de 2026
As Deputadas e os Deputados do LIVRE
Paulo Muacho Filipa Pinto
5 Secretary General Alain Berset urges Israel to abandon plans to expand the death penalty - Portal
6 CM/Del/Dec(2026)1555/4.1
7 PACE rapporteur strongly urges Knesset members to oppose ‘discriminatory’ bill expanding the death penalty in Israel
8 Petra Bayer no X
Jorge Pinto Patrícia Gonçalves
Rui Tavares Tomás Cardoso Pereira
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