Documento integral
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Projeto de Resolução n.º 904/XVII/1.ª
Recomenda ao Governo a atualização urgente das comparticipações relativas às
refeições escolares
Exposição de motivos
As refeições escolares são hoje um apoio essencial para muitas famílias portuguesas,
sobretudo numa altura em que o custo de vida continua a aumentar e em que cada vez
mais pessoas sentem dificuldades no dia -a-dia.1 Como tal, para muitos alunos, a
alimentação disponibilizada nas escolas acaba por ter um papel importante ao longo do
ano letivo.
Contudo, os valores atualmente atribuídos pelo Estado central para financiar as
refeições escolares continuam sem acompanhar os custos associados a este serviço. Na
prática, muitos municípios acabam por ter de suportar parte destes encargos para
garantir que as refeições continuam a chegar aos alunos sem que existam cortes ou
prejuízos na qualidade.
Importa ainda referir, que esta situação já tem vindo a ser alertada por vários municípios
há bastante tempo. Aliás, de acordo com um estudo recentemente divulgado p ela
Universidade do Minho,2 relativo ao processo de descentralização de competências na
área da educação, 64% dos municípios reportam défices superiores a 20% relativamente
aos custos associados aos apoios alimentares.
Ora, o aumento dos preços dos bens alimentares, dos custos energéticos e das despesas
relacionadas com a confeção e distribuição das refeições veio agravar ainda mais esta
realidade. Aquilo que já era uma dificuldade para muitos municípios tornou-se hoje um
problema cada vez mais complicado de resolver.
1 Metade dos consumidores portugueses endivida-se devido ao aumento do custo de vida - Expresso
2 Diagnóstico e Avaliação do Processo de Descentralização na área da Educação para o ano 2025 -
Docentes
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Importa também recordar que, para muitas crianças e jovens, a refeição servida na
escola representa uma das refeições mais importantes do dia. Para o CHEGA, não é
aceitável que problemas de financiamento possam colocar em causa a qualidade
alimentar disponibilizada aos alunos nas nossas escolas.
Por outro lado, importa também corrigir as desigualdades existentes no financiamento
público das refeições escolares entre alunos do ensino público e alunos abrangidos por
contratos de associação. Para o CHEGA, esta diferença de tratamento não faz sentido,
tendo em conta que estamos perante o mesmo tipo de apoio e alunos abrangidos por
financiamento público.
O CHEGA entende que o Estado não pode continuar a ignorar esta realidade, nem
continuar a transfer ir responsabilidades para os municípios sem assegurar os meios
financeiros adequados. A alimentação escolar é uma questão demasiado importante
para continuar dependente de soluções insuficientes e desajustadas da realidade atual.
Torna-se, por isso, urgent e rever os valores atualmente atribuídos para a
comparticipação das refeições escolares, garantindo maior equilíbrio, maior justiça e
melhores condições para as escolas, para os municípios e para as famílias.
Nesse sentido, o CHEGA apresenta o presente Projeto de Resolução, recomendando ao
Governo a adoção de medidas concretas que permitam responder a uma situação que
continua a preocupar inúmeros municípios e que não pode continuar a ser ignorada.
Assim, nos termos constitucionais e regimentalmente aplicá veis, os Deputados do
Grupo Parlamentar do CHEGA, recomendam ao Governo que:
1 – Proceda a uma atualização extraordinária e tecnicamente fundamentada dos valores
da comparticipação da Administração Central a transferir às Câmaras Municipais
destinados ao financiamento das refeições escolares, precedida de um levantamento
nacional, que permita identificar os custos reais por refeição, as assimetrias existentes
entre municípios e as situações de subfinanciamento efetivo;
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2 – Inste as Câmaras Municipais a, ju nto das escolas avaliarem a possibilidade de
introdução de critérios de eficiência na gestão das cantinas escolares, nomeadamente
no combate ao desperdício alimentar e na melhoria da gestão logística e de distribuição
de alimentos;
3 – Garanta mecanismos periódicos de revisão das comparticipações atribuídas, tendo
em consideração a evolução da inflação verificada;
4 – Proceda à revisão dos montantes atribuídos pelo Estado no âmbito do financiamento
das refeições escolares dos alunos abrangidos por contratos de associação, garantindo
que os mesmos sejam equiparados aos valores atribuídos para o mesmo efeito aos
alunos do ensino público.
Palácio de São Bento, 5 de maio de 2026
Os Deputados do Grupo Parlamentar do CHEGA
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