Documento integral
Projeto de Resolução n.º 112/XVII
Pelo aumento de vagas em respostas sociais destinadas a idosos, garantindo o
cumprimento das metas do PRR e acelerando a sua execução
Exposição de motivos
A pressão demográfica constitui um desafio atual da sociedade portuguesa, obrigando
a políticas públicas que promovam não só um envelhecimento ativo e digno, como
também o reforço de respostas sociais que permitam o acompanhamento próximo da
população idosa. Num país em que o envelhecimento demográfico tem vindo a
acentuar-se, a atuação neste campo tem de configurar uma evidente prioridade, sob
pena de fazer perigar a coesão social e os progressos, que se querem reforçados, no
sentido de uma sociedade mais solidária e inclusiva.
O índice de envelhecimento em Portugal tem vindo a aumentar e atingiu o valor de
192,4 idosos por cada 100 jovens em 202 4, acima do registado em 2023 (188,1) e
distante do dado de 2015 (147,6), indicam dados do Instituto Nacional de Estatística
(INE). O índice de dependência de idosos também tem vindo a aumentar passando de
32,1 idosos por cada 100 pessoas dos 15 aos 64 anos em 2015 para 38,6 em 2024 (38,2
em 2023).
O Partido Socialista colocou sempre este desafio no centro da sua atuação, defendendo
a criação de soluções que reforcem a autonomia, acompanhamento e segurança das
pessoas idosas, com respostas inovadoras que vão desde o apoio domiciliário à
habitação colaborativa, a outras mais tradicionais, como as estruturas residenciais para
pessoas idosas (ERPI).
Foi, por isso, por iniciativa do Partido Socialista que a oferta de respostas sociais, em
particular para os idosos, teve aumentos significativos, designadamente em estreita
parceria com o setor social e solidário. Foi, aliás, com o PS que fo i criado o programa
PARES, que conheceu nas últimas duas décadas sucessivas gerações, de modo a garantir
que o reforço da rede de respostas sociais, também para idosos e incluindo ERPI, é feita
com base em critérios de transparência e de necessidade na cobertura regional.
A integração desta área no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) é, aliás, prova do
sentido de urgência conferido pelo governo socialista a este repto. No entanto, os sinais
de atraso na execução do PRR levantam forte preocupação, peloque é imperativo dotar
esta prioridade da necessária celeridade, por forma a garantir o reforço de
equipamentos destinados à população idosa, melhorando a cobertura territorial e os
cuidados prestados.
Ora, de acordo com o relatório 1/25 da Comissão Nacional de Acompanhamento do PRR,
a contratação de lugares no âmbito da rede de equipamentos e respostas sociais (que
inclui crianças, idosos, pessoas com deficiência e outros grupos vulneráveis, e já objeto
de reforço da meta ) está acima do previsto, mas o «número de lugares concluídos é
ainda muito reduzido (4%), com a maior concentração a registar-se em fases anteriores
ao lançamento da empreitada».
No caso das ERPI, apenas 223 lugares estavam concluídos, estando a maioria dos 4.135
lugares previstos em co nstrução. Uma realidade que se estende a outras respostas
sociais, como é o caso de apenas 70 lugares concluídos em mais de 11 mil no âmbito do
apoio domiciliário. Aliás, a Comissão considera «preocupante» o investimento em causa,
indicando que a «maior fa tia deste investimento são as obras para criação de novos
lugares, tanto em espaços para os mais jovens, como para os mais idosos ou para a
inclusão» e relatando vários problemas «relativos aos processos relacionados com as
obras, nomeadamente os concursos ou os licenciamentos», apontando ainda para
«dificuldades de financiamento dos promotores». «A adoção de políticas públicas sem
o respetivo apoio financeiro atempado, coloca em causa a execução, para além de criar
desconfiança no mercado», refere ainda o relatório, sublinhando que o «atraso de
pagamentos por parte das entidades do Estado, provoca a necessidade de
endividamento das entidades do setor social ou o término dos projetos, que pode
também acontecer por abandono das obras por parte dos empreiteiros».
De acordo com os dados de 2023 da Carta Social, das mais de 2.600 respostas no âmbito
das ERPI, com uma capacidade de cerca de 105.600 lugares, a rede solidária e pública
era responsável pela maioria (mais de 1.800 respostas e quase 79.800 lugares). U m
caminho que é necessário continuar a trilha r, por forma a garantir uma rede de
acompanhamento mais forte e abrangente, que seja um pilar decisivo na qualidade de
vida dos idosos e das suas famílias , recorrendo ao contributo de todos os setores e à
iniciativa pública, social e privada.
Assim, nos termos das disposições regimentais e constitucionais aplicáveis, os
Deputados abaixo-assinados, do Grupo Parlamentar do Partido Socialista, apresentam
o seguinte projeto de resolução:
A Assembleia da República resolve, nos termos do n.º 5 do artigo 166.º da Constituição,
recomendar ao Governo que:
1) Acelere a execução dos investimentos , designadamente do PRR, no âmbito das
respostas sociais para pessoas idosas, garantindo o cumprimento atempado das
metas, fundamental no acompanhamento e proteção deste grupo vulnerável,
promovendo um envelhecimento digno e saudável , e assegurando o
cumprimento atempado das metas estabelecidas;
2) Reforce o número de respostas sociais, aumentando a abrangência territorial e
melhorando os cuidados prestados à população idosa e suas famílias ,
conjugando para este objetivo a iniciativa e a capacidade dos setores público,
social e privado.
Palácio de São Bento, 27 de junho de 2025
As Deputadas e os Deputados
Ana Bernardo
Miguel Cabrita
Tiago Barbosa Ribeiro
Dália Miranda
Hugo Oliveira
Patrícia Faro
Margarida Afonso
Susana Correia
Pedro do Carmo
Eduardo Pinheiro
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