Documento integral
Projeto de Resolução n.º 670/XVII/1.ª
Recomenda ao Governo o reforço da equidade, da autonomia financeira e da
proteção social dos estudantes do Ensino Superior no âmbito da Reforma do
Novo Sistema de Ação Social no Ensino Superior
Exposição de Motivos
O acesso ao Ensino Superior e a garantia da frequência escolar são pilares
fundamentais para a promoção da igualdade de oportunidades e para o sucesso
académico dos estudantes. Neste sentido, é essencial reformar o atual sistema de ação
social, de forma a corrigir erros e injustiças existentes, permitindo que o apoio atribuído
seja proporcional, justo e previsível.
Reconhecemos os passos dados pelo atual Governo no sentido de reformular o sistema,
contudo, não podemos deixar de transmitir um conjunto de preocupações e alterações
que não vemos refletidos nesta fase de discussão prévia, permitindo antecipar a
introdução de alterações que consideramos relevantes, bem como, obter uma validação
parlamentar da necessidade de refletir estas medidas na reforma anunciada.
No presente Projeto de Resolução, a Iniciativa Liberal procura refletir sobre três aspetos
essenciais que devem ser incluídos na reformulação prevista do Sistema de Ação Social
no Ensino Superior, nomeadamente: a abrangência da ação social escolar ao setor
privado, cooperativo ou social, a mitigação dos problemas de tesouraria associados aos
custos iniciais de ingresso dos alunos bolseiros ou situações de alteração significativa
da capacidade financeira do estudante e, ainda, a correção da discriminação da
consideração dos rendimentos dos trabalhadores-estudantes com atividade
independente face aos seus colegas com rendimentos de trabalho dependente.
Relativamente à abrangência, a Iniciativa Liberal considera que o sistema de Ação
Social no Ensino Superior deve ser um instrumento de promoção da igualdade de
oportunidades e de sucesso académico, garantindo que nenhum estudante é excluído
do Ensino Superior por carências económicas, independentemente da natureza pública
ou privada da instituição. Nesse sentido, defendemos que na revisão do sistema de
ação social deve prever-se a sua aplicabilidade, nos mesmos termos,
independentemente de o estudante ter ingressado numa instituição de Ensino Superior
pública ou privada.
A Iniciativa Liberal considera que o Sistema de Ação Social no Ensino Superior, pela
natureza dos custos associados, deve ser suficientemente ágil para proteger todos
aqueles que tenham alterações súbitas tanto nos rendimentos, como na composição do
agregado familiar, mas também aqueles que por carências económicas não conseguem
dar resposta aos custos iniciais de ingresso, mesmo quando sejam elegíveis para a
bolsa de ação social, por forma a combater com eficácia o abandono dos percursos
académicos. O modelo atual padece de iniquidades que urge corrigir. Neste sentido, a
Iniciativa Liberal propõe que o novo sistema de ação social preveja um mecanismo de
reavaliação das circunstâncias económicas, sociais e financeiras do estudante do
Ensino Superior, de forma a acautelar e mitigar situações de alterações de
circunstâncias significativas. Adicionalmente, propomos que seja previsto um
mecanismo de antecipação do recebimento da bolsa da ação social que seja
abrangente, prevendo mecanismos de reembolso ou ajuste do montante da bolsa em
caso de atribuição de verba superior à efetivamente prevista.
Por fim, a Iniciativa Liberal reitera a necessidade de pôr fim à discriminação do
tratamento dos rendimentos dos trabalhadores-estudantes independentes face ao
tratamento dos seus colegas trabalhadores-estudantes em regime de trabalho
dependente. A ação social no Ensino Superior é um instrumento fundamental para o
desenvolvimento de conhecimento e competências académicas e não deve penalizar
quem, apesar de ser bolseiro, pretenda entrar no mercado de trabalho para obter
experiência profissional e maior autonomia financeira, por forma a não sobrecarregar as
próprias famílias. Esta é já uma realidade para os trabalhadores-estudantes com
rendimentos de trabalho dependente, infelizmente não o é para quem trabalha em
regime de trabalho independente.
Por conseguinte, tendo em consideração o acima exposto, ao abrigo da alínea b) do
número 1 do artigo 4.º do Regimento da Assembleia da República, o Grupo Parlamentar
da Iniciativa Liberal apresenta o seguinte Projeto de Resolução:
Resolução
Ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, a Assembleia da
República delibera recomendar ao Governo que no âmbito da revisão do Novo Sistema
de Ação Social no Ensino Superior adote as seguintes medidas de combate ao
abandono do percurso académico e reforço da autonomia financeira dos estudantes:
1. Promova a equidade e a autonomia financeira dos estudantes, de modo a
garantir que os rendimentos de trabalho independente (empresariais e
profissionais) auferidos por jovens até aos 27 anos não sejam considerados para
o cálculo do rendimento do agregado familiar para efeitos de bolsa, até ao limite
anual de 14 vezes a retribuição mínima mensal garantida, tal como previsto para
os estudantes que aufiram rendimentos de trabalho dependente, nos termos da
alínea b) do n.º 2 do artigo 6.º do Decreto-Lei n.º 70/2010, de 16 de junho.
2. Preveja a implementação de um mecanismo de revisão célere para a atribuição
do estatuto de bolseiro em situações de alteração significativa das circunstâncias
económicas ou sociais dos estudantes, incluindo mudanças no agregado familiar
ou exposição a situações de fragilidade económica.
3. Garanta a possibilidade de antecipação do pagamento de apoios aos estudantes
em situação de comprovada incapacidade financeira que aguardam a atribuição
de bolsa, independentemente do seu escalão de ASE (Ação Social Escolar),
prevendo as condições de reajustamento da bolsa ou reembolso de verbas
atribuídas acima do valor de bolsa efetivamente atribuído.
4. Permita a atribuição de bolsa da ação social no Ensino Superior nas mesmas
condições, independentemente do ingresso numa instituição de Ensino Superior
do setor público ou privado.
Palácio de São Bento, 6 de março de 2026
Os Deputados da Iniciativa Liberal,
Angélique Da Teresa
Carlos Guimarães Pinto
Joana Cordeiro
Jorge Miguel Teixeira
Mariana Leitão
Mário Amorim Lopes
Marta Patrícia Silva
Rodrigo Saraiva
Rui Rocha
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