Documento integral
Projeto de Resolução n.º 740/XVII
Recomenda ao Governo o reforço as políticas de igualdade de género e
não discriminação e promova a participação das mulheres nas Forças
Armadas
Exposição de motivos
Ao longo dos últimos anos foram desenvolvidas e implementadas políticas
públicas cujas medidas contribuem, ainda hoje, para a valorização do exercício
de funções nas Forças Armadas, promovendo a permanência dos militares nas
fileiras, apoiando o seu processo de transição para o mercado de trabalho após
prestação de serviço militar e contribuindo para amelhoria da atratividade global
da carreira militar.
De entre esse conjunto de políticas e medidas, foram também aprofundadas as
que são especialmentedestinadas à igualdade entre homens e mulheres e à não
discriminação, permitindo o reforço da participação das mulheres na s Forças
Armadas, a promoção da conciliação da vida profissional e familiar, para além
da promoção dos direitos de proteção na parentalidade, em linha com as
melhores práticas internacionais e como condição para uma efetiva igualdade
entre homens e mulheres.
Há décadas que este é também um desígnio da comunidade internacional, e em
particular das Nações Unidas. Faz este ano 25 anos que o Conselho de
Segurança aprovou, por unanimidade, a Resolução 1325 (2000), reafirmando a
importância da promoção da igual dade de género em todas as fases dos
processos de construção da paz e da promoção da segurança.
Esta relevante resolução estabeleceu uma ampla base jurídico-política
internacional que sustenta, em todo mundo, diversas políticas de promoção e
defesa da igu aldade de género na prevenção, gestão e resolução de conflitos
armados e em todas as fases dos processos de construção de paz , com
aplicação tanto em países em processos de conflito armado e de recuperação
de conflitos, como em países em paz, como é o caso de Portugal.
Portugal sempre interpretou esta Resolução de uma forma abrangente, o que
inclui, para além da abordagem aos conflitos armados e ajuda humanitária, a
promoção interna de segurança pública e de combate à violência de género na
defesa dos direitos humanos, incluindo os das mulheres, raparigas e meninas.
Em sequência, e com o objetivo de transpor os objetivos da Resolução 1325
(2000), Portugal desenvolveu em 2009 o seu primeiro Plano Nacional de Ação,
que constituiu a base da grande maioria das políticas públicas que até hoje têm
sido desenvolvidas no país no âmbito da promoção da igualdade de género e
não discriminação na Defesa Nacional. A implementação destes Planos
Nacionais de Ação contribuiu de forma decisiva para efetivar políticas e medidas
concretas destinadas a aumentar e melhorar a integração da dimensão de
igualdade de género nas políticas de defesa, de segurança interna e de
cooperação para o desenvolvimento.
Em linha com outras estratégias nacionais, como a Estratégia Nacional para a
Igualdade e a Não Discriminação 2018 -2030 (ENIND ), e ste trabalho foi
complementado, nos últimos anos, e com grande mérito, pelos Planos Setoriais
da Defesa Nacional para a Igualdade 2019 -2021 e 2022 -2025. Este último foi
mesmo reconhecido, em 2024, com uma menção honrosa dos United Nations
Public Services Awards (UNPSA), na categoria “Gender Responsive Services”,
afirmando-se internacionalmente como um exemplo em matéria de serviço
público.
O Plano Setorial da Defesa Nacional para a Igualdade 2022 -2025 cessa a sua
vigência este ano, mas tratando -se de um documento estratégico estruturante
no que respeita à igualdade de género e à não discriminação, deve o Governo
proceder sua revisão e renova ção, iniciando um novo ciclo de planeamento e
aprofundando as medidas nele constantes.
A igualdade entre homens e mulheres é um imperativo constitucional e deve ser
assumida como um desígnio da sociedade portuguesa . Passados mais de 30
anos do ingresso de mulheres nas Forças Armadas portuguesas, é assinalável
o caminho percorrido e as concretizações alcançadas até aqui, com a
percentagem de mulheres militares a subir de forma sustentada nos últimos 10
anos.
As Forças Armadas portuguesas têm estado na v anguarda das políticas de
igualdade, nomeadamente, no que respeita à não -discriminação salarial e à
progressão na carreira. Mas é fundamental que se continue a trabalhar na
melhoria das condições proporcionadas a homens e mulheres que servem a
Defesa do país, porque há muito mais a fazer para que exemplos como o da
Major-General Ana Baltazar – que ingressou nos quadros permanentes da Força
Aérea em 1991 e tornou -se, em outubro de 2024, a primeira mulher oficial
promovida ao posto de Major -General das Forças Armadas Portuguesas – não
sejam uma exceção e tornem-se cada vez mais frequentes.
Queremos que as Forças Armadas portuguesas e a Defesa Nacional no seu todo
continuem a ser uma instituição de referência, onde a participação igualitária de
homens e mulheres é a norma e se garanta que todas as pessoas que servem
o fazem num ambiente saudável, seguro e respeitador dos direitos humanos.
A implementação destas políticas e o seu sucesso requerem um compromisso
contínuo. Para tal, é fundamental que o Governo p ortuguês e o Ministério da
Defesa Nacional estejam comprometidos com as políticas de igualdade e não
discriminação, promovendo as políticas públicas e respetivos instrumentos
necessários para que Portugal e as Forças Armadas portuguesas continuem a
ser um exemplo neste domínio, como são em tantos outros.
Assim, ao abrigo das disposições legais e regimentais aplicáveis, os Deputados
do Grupo Parlamentar do Partido Socialista apresentam o seguinte Projeto de
Resolução:
A Assembleia da República resolve, nos termos da alínea b) do artigo 156.º da
Constituição da República Portuguesa, recomendar ao Governo que:
1. Reforce as políticas de igualdade de género e não discriminação e
promova a participação das mulheres nas Forças Armadas e na área da
Defesa Nacional no seu todo;
2. Proceda à revisão e renovação do Plano Setorial da Defesa Nacional para
a Igualdade 2022 -2025, iniciando um novo ciclo de planeamento
estratégico e aprofundando as medidas nele constantes;
Palácio de São Bento, 8 de março de 2026
As Deputadas e os Deputados
Elza Pais
Eurico Brilhante Dias
Patrícia Faro
Luís Dias
Pedro Delgado Alves
Isabel Moreira
Pedro Vaz
Júlia Rodrigues
Mariana Vieira da Silva
Hugo Costa
Porfírio Silva
Rui Santos
Edite Estrela
Eva Cruzeiro
Eurídice Pereira
João Torres
Susana Correia
Catarina Louro
Margarida Afonso
Rosa Isabel Cruz
Aida Carvalho
Dália Miranda
Sandra Lopes
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