Documento integral
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Projecto de Resolução n.º 701/XVII/1.ª
Recomenda ao Governo que reduza em 25% os preços dos passes de
transportes públicos para fazer face ao agravamento dos preços de
combustíveis causado pelas tensões geopolíticas no Médio Oriente
Exposição de motivos
O agravamento recente das tensões geopolíticas no Médio Oriente, designadamente o
conflito e a escalada militar envolvendo o Irão e os Estados Unidos, tem vindo a provocar
uma forte instabilidade nos mercados energéticos internacionais. A possibil idade de
perturbações nas cadeias globais de abastecimento de petróleo e gás, particularmente
numa região estratégica para o comércio mundial de energia, tem conduzido a uma
subida significativa dos preços dos combustíveis.
Esta situação tem impactos dire tos nas economias europeias e, em particular, no
quotidiano das famílias portuguesas, uma vez que o aumento do preço dos combustíveis
repercute-se imediatamente nos custos associados à mobilidade, ao transporte de
mercadorias e ao custo geral de vida. Num país como Portugal, onde o transporte
individual continua a assumir um peso significativo na mobilidade quotidiana, a
volatilidade dos preços da energia representa um fator adicional de pressão sobre os
orçamentos familiares.
Perante este cenário de incer teza geopolítica e de aumento dos custos energéticos,
torna-se essencial reforçar políticas públicas que promovam alternativas de mobilidade
mais acessíveis, eficientes e sustentáveis, reduzindo simultaneamente a dependência
dos combustíveis fósseis.
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Para o PAN os transportes coletivos assumem, neste contexto, um papel absolutamente
central. Para além de constituírem um instrumento essencial para a redução das
emissões de gases com efeito de estufa no setor dos transportes, contribuem
igualmente para melhorar a qualidade do ar e reduzir os impactos negativos da poluição
atmosférica na saúde pública.
O reforço da utilização de transportes públicos permite também reduzir a dependência
energética do país face aos combustíveis fósseis importados, contribuindo para o
cumprimento das metas de descarbonização e para a construção de um sistema de
mobilidade mais resiliente face a choques externos nos mercados energéticos.
Conscientes da necessidade de incentivar o recurso aos transportes coletivos, diversos
países e cidades têm vindo a adotar medidas destinadas a reduzir ou eliminar os custos
de utilização destes serviços. O Luxemburgo tornou -se, em março de 2020, o primeiro
país do mundo a disponibilizar transportes públicos gratuitos em todo o seu território.
Experiências semelhantes têm sido implementadas, total ou parcialmente, em cidades
e regiões de países como a Alemanha, a Áustria, a França ou a Espanha.
Importa igualmente recordar que, no contexto da escalada inflacionista desencadeada
pela Guerra da Ucrâ nia, o Governo que na altura estava em funções adotou diversas
medidas destinadas a mitigar o impacto do aumento do custo de vida, entre as quais se
incluiu o congelamento do preço dos passes dos transportes públicos.
Todavia, passados vários anos desde a adoção dessa medida e da sua manutenção pelos
sucessivos Governos, constata-se que o preço dos passes mensais de âmbito municipal,
intermunicipal e metropolitano permanece inalterado desde 2019, não tendo sido
adotadas novas medidas que permitam reforçar a acessibilidade económica aos
transportes públicos.
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Neste contexto de aumento dos preços dos combustíveis e de incerteza geopolítica
internacional, para o PAN torna -se ainda mais evidente a necessidade de reforçar os
incentivos à utilização dos transportes coletivos. A redução do preço dos passes constitui
uma medida que promove simultaneamente a mobilidade sustentável, a justiça social e
a proteção do poder de compra das famílias.
Para o PAN, sem prejuízo da necessidade de reforçar a oferta e a qualidade do serviço
de transportes públicos — objetivo que deve ser prosseguido através de investimentos
estruturais na rede de mobilidade — é igualmente fundamental reduzir os custos de
acesso aos transportes coletivos, incentivando a transferência modal do transporte
individual para o transporte público.
Assim, face ao exposto, com a presente iniciativa o PAN propõe que o Governo, em
articulação com as autoridades de transportes de cada área metropolitana e
comunidade intermunicipal, adote as diligência s e alterações legislativas necessárias a
assegurar uma redução em 25% do valor da tarifa inteira dos passes mensais de âmbito
municipal, intermunicipal e metropolitano, designadamente os intermodais, combinado
e de rede ou de linha, em vigor, a partir de 1 de abril de 2026.
Esta redução permitirá, por exemplo, nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto,
que o preço dos passes metropolitanos atualmente fixado em 40 euros passe a situar -
se em cerca de 30 euros, reforçando a acessibilidade económica aos t ransportes
públicos e incentivando a sua utilização.
A presente iniciativa do PAN constitui, assim, um passo importante para proteger as
famílias portuguesas face ao aumento dos custos de mobilidade, reduzir a dependência
energética do país e promover um modelo de mobilidade mais justo, acessível e
sustentável.
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Nestes termos, a abaixo assinada Deputada Única do PESSOAS -ANIMAIS-NATUREZA,
ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, propõe que a
Assembleia da República recomende ao Go verno que, em articulação com as
autoridades de transportes de cada área metropolitana e comunidade intermunicipal
e por forma a não agravar o défice operacional das empresas públicas e operadores,
adote as diligências necessárias a assegurar uma redução e m 25% do valor da tarifa
inteira dos passes mensais de âmbito municipal, intermunicipal e metropolitano,
designadamente os intermodais, combinado e de rede ou de linha, em vigor, a partir
do dia 1 de Abril de 2026.
Assembleia da República, Palácio de São Bento, 10 de março de 2026
A Deputada,
Inês de Sousa Real
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