Documento integral
Projeto de Resolução n.º 145/XVII/1.ª
Recomenda ao Governo que reconheça o Estado da Palestina e que apoie uma
solução de paz e de respeito pelos direitos-humanos
Exposição de Motivos
A história da coexistência entre a Palestina e Israel tem sido longa e conturbada. A migração
da população judaica para territorio palestino, que teve a sua génese no inicio do século XX e
decorre até aos dias de hoje, com o objetivo de concretizar a criaç ão de um estado juidaico
nessa região, tem levado a vários momentos de tensão no Médio Oriente. Ano após ano,
década após década, a Palestina e o povo palestino tem sido frequentemente alvo de
incursões e provocações militares por parte de Israel, que culm inaram na atual situação que
se vive na faixa de Gaza e na Cisjordânia.
Atualmente, a faixa de Gaza é denominada como a maior prisão a céu aberto e não é por
acaso. Desde que as hostilidades aumentaram a 7 de outubro de 2023, após o ataque do
Hamas a Israe l que tirou a vida a mais de 1250 pessoas e onde mais de 250 foram levadas
como reféns, já morreram mais de 55 mil palestinos e existem mais de 2 milhões de
deslocados. A população de Gaza que sobrevive aos bombardeamentos e ataques militares
diários, é confrontada com uma crise humanitária sem precedentes. Israel continua a travar
a entrada de ajuda humanitária, o que tem levado ao desespero total da população, sendo
estimado que mais de 18 mil crianças foram hospitalizadas por desnutrição aguda desde que
a guerra começou, segundo o gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos
Humanitários. Na Cisjordânia, o povo palestino continua a ver o seu território invadido, dando
lugar ao estabelecimento de colonos israelitas nas suas casas e à criação d e uma série de
checkpoints e pontos de revista para os palestinos que pretendam circular nesta região,
criando um verdadeiro regime de segregação e discriminação.
No que concerne ao confronto entre o Hamas e Israel e ao genocidio em Gaza, é exigido aos
partidos políticos que tenham coerência nas posições. Se condenamos o ataque terrorista do
Hamas a Israel e reconhecemos que esta organização terrorista não representa o povo da
Palestina, condenamos também o genocidio na Faixa de Gaza promovido por Israel, que tem
usado este ataque para promover o seu regime de terror sobre a Palestina. A gravidade destas
ações é reconhecido também pela Organização das Nações Unidas e Amnistia Internacional,
bem como pelo Tribunal Internacional de Justiça, que considerou ileg al a ocupação de Israel
aos territórios da Palestina. Para além disto, existe também um mandato de captura
internacional Primeiro -Ministro israelita Benjamin Netanyahu e ao seu antigo Ministro da
Defesa Yoav Gallant por crimes de guerra e crimes contra a humanidade.
Ao longo dos anos, têm sido feitos vários esforços por múltiplos agentes políticos com vista à
pacificação desta situação e com vista ao reconhecimento do Estado da Palestina. Nos dias
que correm, é evidente que Israel abandonou o caminho da pa z, tendo inclusive aumentado
a tensão no Médio Oriente, ao ter atacado o Irão a 13 de junho. Com este agudizar de tensões,
é cada vez mais importante trabalhar com vista a uma solução de paz, que deve começar com
o reconhecimento do Estado da Palestina. Atualmente, são 147 os estados que concretizaram
este reconhecimento, tendo também recentemente Emmanuel Macron admitido que estaria
para breve a entrada de França neste vasto número de países. Face ao contexto político
nacional e à evidência da necessidadede garantir a proteção do povo palestino, o PAN propõe
que Portugal reconheça também o Estado da Palestina.
Nestes termos, a abaixo assinada Deputada Única do PAN, ao abrigo das disposições
constitucionais e regimentais aplicáveis, propõe que a Assembleia da República recomende
ao Governo que:
1. Reconheça o Estado da Palestina, procurando o seu estabelecimento de acordo com
o Plano de Partilha das Nações Unidas de 1947, na base de uma repartição justa e
mutuamente aceite, viável e sustentável, de forma a garantir a coexistência entre o
Estado de Israel e o Estado da Palestina e excluindo qualquer organização terrotrsta
como representante do povo palestino;
2. Trabalhe com vista à concretização de um cessar -fogo duradouro que permita a
concretização da solução de dois estados;
3. Em respeito pelos direitos -humanos, apoie os esforços de envio de ajuda
humanitária à Faixa de Gaza e que condene os bloqueios efetuados pelo Estado de
Israel.
Assembleia da República, Palácio de São Bento, 4 de junho de 2025
A Deputada,
Inês de Sousa Real
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