Documento integral
Projeto de Resolução n.º 895/XVII
Ampliação do Estudo Prévio da Ligação A23–A6 via Nó Logístico de
Elvas/Campo Maior e considerando as três alternativas a Norte
Nisa/Gavião
O Governo anunciou recentemente o lançamento do concurso para o Estudo
Prévio da ligação em perfil de Autoestrada entre a A23 e a A6, prevendo a
convergência sul, com a A6, em Estremoz. No entanto, importa refletir sobre uma
análise estratégica do território e dos f luxos de mercadorias que possa ser
indutora do potencial económico da região do Alto Alentejo e, em paralelo, seja
o mais benéfica possível para a economia nacional, vista da sua dimensão
macro.
A opção por uma ligação que faça a convergência sul, com a A6, no eixo Campo
Maior – Elvas pode apresentar vantagens competitivas superiores,
fundamentadas nos seguintes pilares:
1. Potenciação da Plataforma Logística do Sudoeste Ibérico (PLSI): Na sua
componente nacional, designada como Plataforma Logística do Caia (PLC)
Elvas e Campo Maior constituem hoje um dos maiores polos logísticos de
fronteira. Ligar a A23 diretamente a este nó permite que o fluxo de pesados
que liga em permanência a Região da Galiza, em Espanha, o Norte e o
Centro de Portugal e as regiões Espanholas da Extremadura, da Andaluzia,
de Múrcia e de Valência aceda diretamente ao hinterland logístico, sem
sobrecarregar vias secundárias ou aumentar percursos.
2. Sinergia com a Linha Ferroviária de Alta Velocidade: O novo corredor
ferroviário (Corredor Internacional Sul) tem em Elvas um ponto nevrálgico. A
intermodalidade (rodoferroviária) é potenciada se a infraestrutura rodoviária
de alta capacidade convergir no mesmo nó.
3. Possibilidade de conexão com a Linha do Leste, infraestrutura única em
Portugal que admite a lógica de Autoestrada Ferroviária, em que a
interoperabilidade entre rodovia e ferrovia.
4. Captura de Tráfego Internacional: A ligação a Badajoz (a poucos quilómetros
de Elvas) garante que a nova autoestrada não serve apenas o tráfego
interno, mas torna-se uma alternativa real para o transporte internacional que
procura o eixo Norte-Sul por dentro do território nacional.
5. Desenvolvimento do Tecido Industrial: As indústrias pesadas da região ,
mormente as que existem em Campo Maior e Portalegre beneficiariam de
uma redução drástica nos custos de contexto e tempos de transporte.
É importante, ainda, ressalvar o que é dito no Relatório Final do Plano de Ação
Infraestruturas Económicas e de Suporte Logístico e Empreendedorismo da
CCDR Alentejo:
“Plataforma Logística do Caia/Elvas (PLC) : de referência regional e
nacional, âncora para o desenvolvimento empresarial transfronteiriço,
essencial à atração de investimento dinam izador do território do Alto
Alentejo e restantes sub -regiões, ao potenciar o funcionamento em rede
da infraestrutura logística com as restantes Áreas de Acolhimento
Empresarial do Alentejo (AAE) e facilitar ○ acesso das empresas da região
ao mercado ibéri co alargado e internacional, permitindo ao Alentejo ser
plataforma logística e de produção.
Associada à construção da linha de mercadorias do corredor ferroviário
internacional sul, em ⁃ concretização atrasada face à parte espanhola' da
Plataforma Transfronteiriça do Sudoeste Europeu, integra a Rede Nacional
de Plataformas Log ísticas, na perspetiva de complementaridade com a
atividade portu ária de Sines, Set úbal e Lisboa, promovendo a
intermodalidade, particularmente com ○ transporte ferrovi ário, mas
também rodoviário;
○ projeto prevê dois terminais intermodais (ferro-ferro e rodo-ferro), várias
áreas logísticas especializadas, áreas logísticas de multifunções, centros
de serviços de apoio e uma área reservada para expansão, de igual
dimensão à ocupação primária;
Em estreita articulação com a figura da Eurocidade Badajoz/Elvas/Campo
Maior (EUROBEC), com formalização de criação por via de protocolo
assinado em 2018 e que reúne mais de 200.000 habitantes em torno de
esforços conjuntos para a valorização e projeção externa do território dos
3 concelhos, com vista a promover a atração e fixação populacional e de
investimento, gerando dinâmicas de emprego e crescimento no interior do
país”
Por outro lado, a ligação a norte, ou seja, a convergência com a A23 deve, como
já aconteceu no passado, admitir as três possibilidades de intercessão.
Um estudo prévio deve admitir o maior conjunto de possibilidades lógicas e que
possam traduzir o investimento, uma vez realizado, num ganho de benefícios
para a região e, para alé m deste fator, que responda da forma mais cabal
possível às necessidades já existentes e aos movimentos pendulares de tráfego,
que já verificados, podem ser incrementados, nomeadamente os que acontecem
entre o norte de Portugal/Galiza e Andaluzia/Valencia.
Neste sentido importa contrapor à proposta avançada – travessia do Rio Tejo
com ligação a Vila Velha de Rodão – as soluções que passam por:
1. Travessia do Rio Tejo a jusante da Barragem do Fratel, que não sendo a
solução ideal, seria o compromisso entre a solução de traçado já existente
no IP2 e a solução de resposta ao tráfego existente e às suas necessidades;
2. Travessia do Rio Tejo a norte de Gavião, com intercessão no nó de Belver
da A23, que tendo em conta o tráfego existente, pode ser a solução que
melhor responde às necessidades e mais pode ser potenciado.
Existe, ainda, outro fator que um estudo prévio não pode ignorar, epor isso têm
de ser contempladas alternativas à proposta avançada – travessia do Rio Tejo
com ligação a Vila Velha de Rodão –, uma vez que tal localização está
enquadrada em zona ambientalmente protegida, nomeadamente pelo Geopark
Naturtejo e o Parque Natural do tejo Internacional.
Assim, ao abrigo das disposições regimentais e constitucionais aplicáveis, as
Deputadas e os Deputados abaixo-assinados do Grupo Parlamentar do Partido
Socialista apresentam o seguinte projeto de resolução:
A Assembleia da Re pública resolve, nos termos do disposto do n.º 5 do artigo
166.º da Constituição da República Portuguesa, recomendar ao Governo que:
1. Alargue o âmbito do Estudo Prévio da ligação entre a A23 e a A6, de modo
a incluir, em análise comparativa, o traçado com terminação no eixo
Campo Maior – Elvas (A6), em alternativa ou complemento da solução
prevista para Estremoz.
2. Alargue o âmbito do Estudo Prévio da ligação entre a A23 e a A6, de modo
a incluir, em análise comparativa, o traçado com terminação a norte (A23)
pelo traçado com travessia do Rio Tejo a jusante da Barragem do Fratel
e; travessia do Rio Tejo a norte de Gavião, com intercessão n o nó de
Belver da A23, em alternativa à proposta avançada.
3. Realize um estudo de tráfego atualizado, com especial incidência no
tráfego de veículos pesados de mercadorias, avaliando o impacto da
proximidade com a Plataforma Logística do Sudoeste Ibérico e a cidade
de Badajoz e o seu movimento macro, pontos de partida e pontos de
destino.
4. Avalie o impacto socioeconómico desta s variantes na fixação de
empresas e na criação de emprego no distrito de Portalegre,
considerando a complementaridade com o Corredor Internacional Sul
(Ferrovia) e a Linha do Leste.
5. Considere o critério da Intermodalidade, garantindo que o desenho da
autoestrada facilite o acesso rápido a portos secos e terminais ferroviários
existentes ou planeados na zona de Elvas/Campo Maior.
6. Apresente os resultados comparativos destes estudos (Estremoz vs.
Elvas/Campo Maior e as três ligações possíveis à A23 ), garantindo a
audição das autarquias locais e das associações empresariais da região.
Palácio de S. Bento, 28 de abril de 2026.
As Deputadas e os Deputados,
Luís Moreira Testa
Frederico Francisco
Marina Gonçalves
Júlia Rodrigues
José Carlos Barbosa
André Pinotes Batista
Ricardo Lima
Abrir texto oficial