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Projeto de Resolução n.º 18/XVII/1.ª
Pela reativação do Programa Trabalhos & Competências Verdes e criação de
bolsas ou licenças para os trabalhadores que pretendam desenvolver as suas
competências verdes
Exposição de Motivos
A transição climática, decorrente das metas de neutralidade carbónica previstas no
Acordo de Paris, no Pacto Ecológico Europeu e na Lei de Bases do Clima, implicará uma
grande transformação na atividade económica com fortes impactos ao nível dos
empregos, competências e formação, que para ser bem-sucedida e ser feita com justiça
social deverá ter os seus impactos antecipados o máximo possível.
De acordo com um estudo recente levado a cabo por um conjunto de investigadores da
Universidade do Minho1, os chamados empregos verdes representam apenas 13,2% do
emprego total em Portugal e estima-se a transição para uma economia de baixo carbono
exigirá que o nosso país faça a requalificação de 150 mil trabalhadores e levará à criação
de 42 mil novos postos de trabalho, maioritariamente nas áreas científicas, da energia e
de consultadoria.
Estudos levados a cabo pelo ManpowerGroup revelam ainda que apesar de 65% dos
empregadores em Portugal es tarem atualmente a recrutar para empregos verdes ou
planear fazê-lo, 81% de tais empregadores afi rmam ter dificuldades Portugal em
encontrar profissionais qualificados para o efeito.
Um dos caminhos para fazer face a estes desafios e problemas passa pela aposta na
formação profissional, e para o efeito por via da Resolução do Conselho de Ministros n.º
87/2022, de 4 de outubro, e da Portaria n.º 21/2023, de 6 de janeiro, foi criado e posto
1 Francisco Carballo -Cruz, João Cerejeira, Rita Sousa e Sergey Volozhenin, Economia Verde e a
Evolução do Mercado de Trabalho em Portugal, Centro de Relações Laborais, 2022 .
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em execução o Programa Trabalhos & Competências Verdes / Green Skills & Jobs, a
funcionar sob égide do Instituto do Emprego e Formação Profissional.
Este era um pro grama que se apresentava com objetivos importante para a transição
para uma economia de baixo carbono, dos quais se destacam a prevenção “do risco de
desemprego e promover a manutenção dos postos de trabalho nas entidades
empregadoras direta e indiretamente afetadas pelo aumento dos custos da energia”, a
promoção “da reconversão e (re)inserção profissional de desempregados no âmbito da
economia verde e a sua colocação em vagas identificadas junto das entidades
empregadoras” e o objetivo de “dotar o mercado de trabalho de ativos com
competências adequadas e que favoreçam um mais rápido ajustamento entre a oferta
e procura de emprego na área da transição e eficiência energética”. O seu conteúdo
formativo também se afigurava relevante, com uma série de temática s no âmbito da
transição energética, que desenvolvem tais como a eficiência energética, a energia
renovável, a eficiência hídrica, a mobilidade sustentável ou a economia circular.
Apesar desta importância, este programa tinha uma vigência temporária (até 31 de
dezembro de 2024, ainda que prorrogável) e o anterior Governo nada fez para assegurar
a prorrogação da sua vigência, nem deu qualquer explicação para essa opção. Esta
situação, para além de revela r uma falta de empenho na transição climática do país, é
bastante estranha atendendo a que a que prorrogação de programa tinha
financiamento assegurado por via do Plano de Recuperação e Resiliência na sua
componente de transição climática e na reforma 45, relativa às competências verdes
(TC-r45). Esta era uma reforma que que tinha por objetivos dar formação a 12.500
pessoas e aumentar para 25.000 o número de pessoas que recebem formação, nenhum
dos quais atingido de acordo com a informação pública disponibilizada no Portal
Recuperar Portugal.
A inação neste d omínio torna -se especialmente incompreensível quando, de acordo
com as informações públicas disponíveis, o XXIII Governo Constitucional teria deixado
na pasta de transição os projetos de diplomas necessários à prorrogação e melhoria do
Programa Trabalhos & Competências Verdes / Green Skills & Jobs (em termos que
davam resposta às exigências do Plano de Recuperação e Resiliência). Além disso no
âmbito da Assembleia da República quando, em 11 de dezembro de 2024, se discutiu
uma iniciativa do PAN que visava p rorrogar a vigência deste programa, o Senhor
Deputado do PSD, João Antunes dos Santos, afirmou que a “iniciativa lhe parecia
redundante e inconsequente, uma vez que o que era proposto já estava a ser feito” pelo
Governo – sem que, contudo, volvidos quase 7 meses nada tenha sido anunciado nesse
sentido.
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Tratando-se de uma medida fundamental para assegurar a transição climática do país e
as reformas previstas no Plano de Recuperação e Resiliência, neste Dia Mundial do
Ambiente o PAN propõe que seja assegurad a pelo novo Governo a reativação do
Programa Trabalhos & Competências Verdes / Green Skills & Jobs , em termos que
garantam que o programa passa a ter especial incidência nas regiões onde existe maior
concentração de emprego em instalações emissoras de gran de volume de gases com
efeito de estufa, e que o número potencial de destinatários é alargado por forma a
passar a incluir os jovens à procura do primeiro emprego e o s trabalhadores das
entidades empregadoras, direta ou indiretamente, afetadas pela seca ou escassez
hídrica e de sectores onde se perspetiva uma maior necessidade de reconversão de
competências em profissões existentes, nomeadamente os sectores dos transportes e
armazenagem, da captação, tratamento e distribuição de água, e de saneamento,
gestão de resíduos e despoluição.
Por forma a fomentar o desenvolvimento de competências verdes no nosso país, o PAN
propõe também que sejam criadas de bolsas ou licenças para os trabalhadores que
pretendam desenvolver as respetivas competências verdes.
Em paralelo propõe-se ainda que o Governo leve a cabo uma avaliação dos resultados
do Programa Trabalhos & Competências Verdes / Green Skills & Jobsque cessou a 31 de
janeiro de 2024 , nomeadamente sobre a adequação do respetivo conteúdo formativo
às necessidades do mercado nacional e sobre a satisfação dos formandos e impacto do
programa na respetiva carreira profissional.
Nestes termos, a abaixo assinada Deputada Única do PESSOAS -ANIMAIS-NATUREZA,
ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais apli cáveis, propõe que a
Assembleia da República adote a seguinte Resolução:
A Assembleia da República resolve, nos termos do n.º 5 do artigo 166.º da Constituição
da República Portuguesa, recomendar:
a) Que leve a cabo uma avaliação dos resultados do Programa Trabalhos &
Competências Verdes / Green Skills & Jobs, nomeadamente sobre a adequação
do respetivo conteúdo formativo às necessidades do mercado nacional e sobre
a satisfação dos formandos e impacto do programa na respetiva carreira
profissional, apresenta ndo os respetivos resultados à Assembleia da
República;
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b) Que proceda à reativação do Programa Trabalhos & Competências Verdes /
Green Skills & Jobs; e
c) Que, em caso de reativação, assegure que o programa passa a ter especial
incidência nas regiões onde exist e maior concentração de emprego em
instalações emissoras de grande volume de gases com efeito de estufa , e
proceda ao alargamento do número potencial de destinatários por forma a
passar a incluir:
I. os trabalhadores das entidades empregadoras, direta ou
indiretamente, afetadas pela seca ou escassez hídrica e de sectores
onde se perspetiva uma maior necessidade de reconversão de
competências em profissões existentes, nomeadamente os sectores
dos transportes e armazenagem, da captação, tratamento e
distribuição de água, e de saneamento, gestão de resíduos e
despoluição; e
II. os jovens à procura do primeiro emprego. e
d) Que estude a criação de bolsas ou licenças para os trabalhadores que
pretendam desenvolver as respetivas competências verdes.
Assembleia da República, Palácio de São Bento, 05 de junho de 2025
A Deputada,
Inês de Sousa Real
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