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Projeto de Resolução n.º 227/XVII/1.ª
Recomenda ao Governo que atue no sentido de sensibilizar para o uso de símbolos
associados à agressão russa e de apoiar a comunidade ucraniana em Portugal
Desde fevereiro de 2022, a Ucrânia enfrenta uma guerra brutal provocada pela invasão
em larga escala lançada pela Federação Russa. Esta agressão constitui uma flagrante
violação do direito internacional, da soberania dos Estados e da autodeterminação dos
povos, tendo já provocado dezenas de milhares de mortos, milhões de deslocados,
milhares de crianças afastadas das suas famílias e deportadas à força para o território
russo, e uma devastação generalizada das infraestruturas e das condições de vida da
população ucraniana.
Portugal tem estado solidário com o povo ucraniano desde o primeiro momento. A
Assembleia da República aprovou várias resoluções de apoio, e o Estado português tem
acolhido milhares de refugiados, promovido ajuda humanitária e apoiado esforços
europeus e internacionais na condenação da agressão.
Paralelamente, têm ocorrido em território português episódios preocupantes
relacionados com a exibição de símbolos ligados à narrativa de guerra do regime russo.
Entre esses símbolos encontram-se a fita de São Jorge (preta e laranja), as letras “Z” e
“V” estilizadas, e outras variações que, atualmente, são utilizadas como marcas de apoio
à invasão russa e à ideologia que a sustenta.
Em 2025, registaram-se em Portugal vários episódios de provocação e agressão
relacionados com esses símbolos. Dois dos casos mais mediáticos ocorreram em
Albufeira, onde mulheres ucranianas foram agredidas por criticarem o uso desses
símbolos durante uma marcha do chamado “Regimento Imortal”; e em Setúbal, onde
confrontos entre civis e marinheiros russos ostentando emblemas da guerra resultaram
em 12 pessoas hospitalizadas.
Estes episódios causaram compreensível alarme na comunidade ucraniana residente em
Portugal, que se sente vulnerável à instrumentalização do espaço público para fins
provocatórios e de apologia à guerra. A ostentação ostensiva de símbolos ligados à
agressão russa constitui, em muitos contextos, um ato de hostilidade moral e psicológica
face a quem foi vítima direta do conflito.
Face a esta realidade, vários países europeus — como a Estónia, Letónia, Polónia,
República Checa, Moldávia e diversos estados federais da Alemanha — tomaram
medidas para limitar a presença pública destes símbolos ou reforçar a sensibilização
para o seu significado atual, de modo a evitar a sua banalização e a revitimização das
comunidades afetadas.
Neste quadro, importa que Portugal reforce os seus esforços no plano da sensibilização
pública e do apoio às vítimas da guerra, especialmente num momento em que as
consequências humanas do conflito continuam a fazer-se sentir.
Resolução
Assim, ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo
Parlamentar da Iniciativa Liberal propõe que a Assembleia da República recomende
ao Governo que:
1. Condene o uso de símbolos associados à agressão russa contra a
Ucrânia — como a fita de São Jorge e as letras “Z” e “V” — enquanto
elementos de propaganda de guerra ou de intimidação política;
2. Promova campanhas de sensibilização junto da opinião pública sobre o
significado atual desses símbolos e sobre os riscos da sua utilização
acrítica no espaço público, tendo em conta o sofrimento das vítimas do
conflito;
3. Reforce os mecanismos de apoio institucional à comunidade ucraniana
residente em Portugal, escutando as suas preocupações e assegurando
que casos de provocação, intimidação ou discurso de ódio são
acompanhados pelas autoridades competentes;
Palácio de São Bento, 13 de agosto de 2025
Os Deputados da Iniciativa Liberal,
Rodrigo Saraiva
Angélique Da Teresa
Carlos Guimarães Pinto
Joana Cordeiro
Jorge Miguel Teixeira
Mariana Leitão
Mário Amorim Lopes
Miguel Rangel
Rui Rocha
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