Documento integral
Projeto de Resolução n.º 50/XVII/1.ª
Compromisso pela reprivatização da TAP
Exposição de Motivos
A TAP tem sido um tema que tem levado a diversas posições por parte dos agentes
políticos. A título de exemplo, o anterior primeiro-ministro teve seis posições diferentes
quanto ao tema, demonstrando que nem ele conseguia consensualizar uma posição
consigo próprio.
O Governo atual, apesar de, aparentemente, ter uma posição mais clara em favor da
privatização da companhia aérea, não tem ainda como claros os moldes e os limites
que impõe na negociação.
Assistimos mesmo a intervenções que, a nosso ver, são preocupantes, como “sempre
defendi que o ideal é que possamos atingir uma privatização total do capital, desde que
asseguremos as rotas que são estratégicas para nós e o hub em Lisboa. Se isso não
acontecer, prefiro manter a situação como está”. Esta foi uma afirmação do Primeiro-
Ministro Luís Montenegro, estando disposto a sacrificar o dinheiro dos contribuintes em
nome de rotas que teoricamente são estratégicas, mas, na verdade, podem ser cobertas
por outras companhias.
Importa referir que apesar de atualmente a TAP apresentar lucros nos últimos 3 anos,
há imensas condicionantes inerentes à sua operação que levantam questões sobre a
eficácia do papel do Estado na operação da empresa, o que poderá, mais tarde ou mais
cedo, levar o Estado a novas intervenções com injeções de capital e/ou empréstimos
convertíveis em capital, como são exemplos outras empresas do setor empresarial do
Estado. Adicionalmente, releva ainda que estes lucros, nesta dimensão atual, seriam
necessários 30 anos com resultados na média dos últimos 3 para recuperar os 3.2 mil
milhões injetados na empresa no processo de nacionalização.
Para a Iniciativa Liberal a situação sempre foi muito clara: a TAP nunca deveria ter sido
renacionalizada, exatamente para evitar aquilo que acabou por acontecer: os
contribuintes a terem de salvar a empresa, sem receber o dinheiro de volta. Durante os
últimos anos, por diversas vezes, a Iniciativa Liberal propôs a privatização da empresa
por forma a desonerar de uma vez por todas os contribuintes de encargos futuros. O
Estado deve deixar os setores onde há mercados concorrenciais a funcionar e focar-se
na prestação das suas funções essenciais.
Por conseguinte, tendo em consideração o acima exposto, ao abrigo da alínea b) do
número 1 do artigo 4.º do Regimento da Assembleia da República, o Grupo Parlamentar
da Iniciativa Liberal apresenta o seguinte Projeto de Resolução:
Resolução
Ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, a Assembleia da
República delibera recomendar ao Governo que, através do membro do Governo
responsável pela área das finanças – com a faculdade de delegação – empenhe todos
os esforços tendo em vista a alienação da totalidade da participação social do Estado
na TAP - Transportes Aéreos Portugueses, SGPS, S. A. e de quaisquer outras
empresas que com ela se encontrem em relação de domínio ou de grupo (Grupo TAP).
Palácio de São Bento, 20 de junho de 2025
Os Deputados da Iniciativa Liberal,
Mário Amorim Lopes
Angélique Da Teresa
Carlos Guimarães Pinto
Joana Cordeiro
Jorge Miguel Teixeira
Mariana Leitão
Miguel Rangel
Rodrigo Saraiva
Rui Rocha
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