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Projecto de Resolução n.º 747/XVII/1.ª
Recomenda ao Governo a revisão dos apoios dados aos Bombeiros
Voluntários pelo transporte de doentes por forma a fazer face ao
agravamento dos preços de combustíveis causado pelas tensões geopolíticas
no Médio Oriente
Exposição de motivos
Nas últimas semanas tem-se assistido a uma nova escalada no preço dos combustíveis,
motivada, em grande medida, pela crescente instabilidade geopolítica no Médio
Oriente, designadamente pela escalada militar envolvendo o Irão e os Estados Unidos
da América , bem como pelas tensões que atravessam a região do Golfo Pérsico. O
agravamento do conflito e a perturbação das cadeias globais de abastecimento
energético, em particular no Estreito de Ormuz — por onde circula uma parte
significativa do comércio mundial de petróleo e gás natural — têm provocado uma
subida acentuada das cotações internacionais do crude e dos combustíveis refinados.
Este aumento dos preços dos combustíveis tem -se feito sentir junto das Associações
Humanitárias de Bombeiros Voluntários, de norte a sul do país. Se no dia 27 de março,
antes do conflito entre os EUA e o Irão, encher o depósito de uma ambulância custava
127,92 euros, chegamos a esta semana (de 23/03 a 29/03) e esse valor é já de 161,44
euros, mais 33,52 euros que desde o início da guerra e mais 12,8 euros que na semana
passada.
Este aumento do preço dos combustíveis compromete a sustentabilidade das
Associações Humanitárias de Bombeiros Voluntários , uma vez que os valores que lhes
são pagos pelo transporte de doentes urgentes e não-urgentes não foram atualizados
desde 2023, estando nos 0,58 cêntimos para o transporte de doentes urgentes e nos
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0,65 a 0,69 cêntimos para o transporte de doentes não-urgentes. Tais valores revelam-
se especialmente desajustados face ao aumento geral d o custo de vida e dos bens
necessários para providenciar o transporte de doentes ( nomeadamente o oxigénio )
ocorrido desde a sua fixação, mas principalmente ao recente aumento do preço dos
combustíveis ocorrido na sequência da guerra no Irão.
De acordo coma da Liga dos Bombeiros Portugueses, a renegociação destes valores está
parada e os pedidos de reunião para renegociação do acordo de cooperação com o
INEM são rejeitados, porque o Ministério da Saúde alega que estará à espera da entrada
em vigor da nova orgânica do INEM.
No manifesto emitido pelo Conselho Nacional da Liga dos Bombeiros Portugueses, que
reuniu na Guarda, no dia 21 de março, afirma -se que se nada for feito "as associações
correm sérios riscos de comprometer as suas capacidades financeiras e,
consequentemente, a resposta operacional no socorro aos cidadãos".
Tal alerta deve, no entender do PAN, levar a Assembleia da República a mobilizar o
Governo para tomar medidas que garantam a continuidade do socorro às populações e
permitam fazer face ao aumento das despesas operacionais das Associações
Humanitárias de Bombeiros Voluntários.
Por isso e sem prejuízo da necessidade de uma revisão abrangente do modelo de
financiamento do Estado às Associações Humanitárias de Bombeiros previsto na Lei nº
94/2015, de 13 de agosto, com a presente iniciativa o PAN pretende, por um lado,
garantir a imediata renegociação do acordo de cooperação com o INEM, por forma a
adequar os valores pagos por quilometro pelo transporte de doentes urgentes e não -
urgentes ao agravamento dos preços dos combustíveis. Por outro lado, pretende que o
Governo garanta a a revisão da tabela de pagamentos por serviços prestados no âmbito
do transporte de doentes não -urgentes, bem como da forma como os doentes são
transportados, adequando os valores pagos ao agravamento dos preços dos
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combustíveis e de outros bens necessários para providenciar esse transporte,
nomeadamente o oxigénio.
Nestes termos, a abaixo assinada Deputada Única do PESSOAS -ANIMAIS-NATUREZA, ao
abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, propõe que a Assembleia
da República adopte a seguinte Resolução:
A Assembleia da República, nos termos do n.º 5 do artigo 166.º da Constituição da
República Portuguesa, resolve recomendar ao Governo que,tendo em conta o impacto do
agravamento da situação geopolítica no Médio Oriente nas despesas operacionais das
Associações Humanitárias de Bombeiros Voluntários, promova:
I. a imediata renegociação do acordo de cooperação com o INEM, por forma a
adequar os valores pagos por quilometro pelo transporte de doentes urgentes e
não-urgentes ao agravamento dos preços dos combustíveis;
II. a revisão da tabela de pagamentos por serviços prestados no âmbito do transporte
de doentes não-urgentes, bem como da forma como os doentes são transportados,
adequando os valores pagos ao agravamento dos preços dos combustíveis e de
outros bens neces sários para providenciar esse transporte, nomeadamente o
oxigénio.
Assembleia da República, Palácio de São Bento, 24 de março de 2026
A Deputada,
Inês de Sousa Real
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