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PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS
Grupo Parlamentar
Projeto de Resolução n.º 489/XVII/1ª
Condenação da agressão militar dos EUA contra a República Bolivariana da Venezuela
e do sequestro do seu Presidente, Nicolás Maduro e da sua esposa, a Deputada Cilia
Flores
A agressão militar dos EUA contra a República Bolivariana da Venezuela e o sequestro do
seu Presidente, Nicolás Maduro, e da sua esposa, a Deputada Cilia Flores, levados a cabo
no dia 3 de janeiro, constituem uma gravíssima violação dos princípios da Carta da ONU
e do direito internacional, com sérias repercussões no desenvolvimento da situação
internacional.
Esta agressão militar provocou mais de uma centena de mortos, incluindo civis, e a
destruição de infraestruturas económicas e sociais, e seguiu-se a meses de chantagens
e ameaças por parte da Administração Trump, em que se incluem a instalação de
poderosas forças militares dos EUA nas imediações da Venezuela, e os ataques
arbitrários contra embarcações no Mar das Caraíbas e no Pacífico.
Na realidade, não é possível dissociar esta agressão militar de mais de duas décadas de
uma constante política de ingerência, de operações de desestabilização e
desinformação, de promoção de tentativas de golpe de Estado e de violência, de
imposição de medidas coercivas, de um bloqueio económico, do roubo de ativos da
Venezuela – veja-se a retenção de ativos venezuelanos pelo Novo Banco, em Portugal –
por parte dos EUA e de seus aliados, com o objetivo de atingir a economia venezuelana
e deteriorar as condições de vida do povo venezuelano, incluindo da comunidade
portuguesa que vive e trabalha na Venezuela.
Só na última década, os EUA impuseram mais de 900 medidas coercivas unilaterais, ou
seja, à margem da Organização das Nações Unidas, levando à perda de mais de 90% das
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receitas externas da Venezuela e à deterioração da sua situação económica e social, da
qual este país sul-americano começou a recuperar nos anos mais recentes.
A agressão militar dos EUA não esconde os abertos objetivos de esmagar a soberania do
povo venezuelano, de impor um domínio neocolonial e de explorar e saquear os recursos
da Venezuela, país detentor das maiores reservas mundiais de crude.
A prolongada ação de ingerência e agressão dos EUA contra a Venezuela, a que muitas
vezes se associou a União Europeia, agora agravada com esta agressão militar,
representa um sistemático ataque à soberania e à segurança da Venezuela e atenta
contra os direitos e o bem-estar do povo venezuelano, incluindo da comunidade
portuguesa neste país.
A escandalosa atribuição do há muito desacreditado “prémio Nobel da Paz” a uma
personagem de conhecido registo antidemocrático, como é Corina Machado, constituiu
mais uma manobra contrária à Paz e um incentivo à escalada de provocações e ameaças
intervencionistas por parte dos EUA, que viola abertamente os princípios da Carta da
ONU e o direito internacional.
Proclamando de forma aberta e despudorada o propósito de impor o seu domínio
político e económico sobre todo o continente americano, as graves ameaças e pressões
dos EUA sobre a Venezuela, Cuba, a Colômbia, o México ou o Brasil, constituem
igualmente uma ameaça à paz e à segurança de todos os povos da América Latina e
Caraíbas, e de todo o mundo, como mostram os bombardeamentos dos EUA a países do
Médio Oriente e de África ou as suas reiteradas ameaças sobre a Gronelândia.
Deste modo, só pode ser motivo de repúdio a tentativa do Governo português de
apresentar como “benignas” as intenções assumidas pelos EUA de “governar” a
Venezuela e se apropriar dos seus recursos petrolíferos numa postura abertamente
neocolonial.
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Como constituem uma manifestação de hipocrisia e cinismo as tentativas de relativizar,
ou mesmo, justificar esta inaceitável agressão aludindo aos seus pretensos, falsos e
estafados propósitos “democráticos”. Tal pretexto, além de absurdo, pretende apenas
branquear o que é uma flagrante violação dos princípios do direito internacional e dar
cobertura à política de ingerência e agressão visando a imposição de um poder fantoche
na Venezuela, ao serviço das ambições de domínio e de saque dos EUA e das suas
multinacionais.
Assim, nos termos da alínea b) do artigo 156.º da Constituição e da alínea b) do n.º 1 do
artigo 4.º do Regimento, os Deputados do Grupo Parlamentar do PCP propõem que a
Assembleia da República adote a seguinte
Resolução
A Assembleia da República, nos termos do n.º 5 do artigo 166.º da Constituição da
República Portuguesa, resolve recomendar ao Governo que:
1- Condene a agressão dos EUA à República Bolivariana da Venezuela e o sequestro do
seu Presidente, Nicolás Maduro e da sua esposa, a Deputada Cilia Flores, atos que
constituem uma flagrante violação dos princípios da Carta da ONU e do direito
internacional;
2- Exija a libertação imediata e incondicional do Presidente Nicolás Maduro e da sua
esposa, a Deputada Cilia Flores, assim como o respeito pelo direito do povo venezuelano
a determinar soberanamente o seu caminho, livre de ingerências externas;
3- Denuncie as manobras de ingerência e de chantagem contra a Venezuela, em
particular as medidas coercivas, incluindo o bloqueio económico e petrolífero, impostas
pelos EUA e exige o seu imediato levantamento;
4- Tenha em consideração que defender os direitos da comunidade portuguesa na
Venezuela significa exigir o fim da agressão à República Bolivariana da Venezuela e o
respeito da soberania e dos direitos do povo venezuelano;
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5- Adote uma posição que não branqueie, nem seja conivente com a agressão dos EUA
contra a Venezuela, respeite a soberania e independência da República Bolivariana da
Venezuela, consentânea com o determinado na Constituição da República Portuguesa e
nos princípios da Carta das Nações Unidas;
6- Manifeste a sua solidariedade ao povo venezuelano, à comunidade portuguesa na
Venezuela e a todos os povos da América Latina e das Caraíbas que defendem a paz e o
direito a determinar soberanamente o seu próprio caminho.
Assembleia da República, 13 de janeiro de 2026
Os Deputados,
Paulo Raimundo, Paula Santos, Alfredo Maia
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