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Projecto de Resolução nº 570/XVII/1.ª
Recomenda ao governo a verificação urgente da segurança estrutural das infraestruturas
públicas críticas em todo o território nacional
Exposição de Motivos
A segurança das infraestruturas públicas sempre constituiu um dos pilares fundamentais
da ação do Estado, na medida em que delas depende não apenas o regular
funcionamento da economia e da mobilidade mas, também, a proteção da vida humana
e a estabilidade das comunidades.
Todavia, ao longo de décadas, pontes, barragens e outras obras de engenharia civil foram
concebidas para responder às necessidades do seu tempo, segundo pressupostos
técnicos, climáticos e hidrológicos então vigentes, e com vista a garantir, durante largos
períodos, um serviço fiável e contínuo à população. Hoje, essa herança estrutural
encontra-se confrontada com uma realidade distinta e os recentes episódios de
intempéries registados em Portugal, caracterizados por precipitação intensa e
prolongada, cheias rápidas, instabilidade de vertentes, ventos fortes e fenómenos de
erosão acelerada, vieram acentuar vulnerabilidades latentes em inúmeras infraestruturas
críticas espalhadas pelo território nacional, não só provocando danos visíveis e
interrupções imediatas na circulação e no abastecimento, mas também apontando para
fragilidades estruturais menos aparentes, mas potencialmente graves, cuja evolução
pode comprometer a segurança a médio prazo.
Portanto, torna-se claro que a conjugação entre o envelhecimento natural das estruturas
e a intensificação dos fenómenos meteorológicos tem vindo a criar um contexto
particularmente exigente do ponto de vista técnico, pois, como tem vindo a ser
repetidamente comprovado e demonstrado, a saturação dos solos, a alteração dos
regimes de escoamento, a erosão das fundações, a fadiga dos materiais e a perda
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progressiva de capacidade resistente são fatores que, em conjunto e acumulados,
aumentam significativamente o risco de falha estrutural. Se, em alguns casos, tais
processos de desgaste desenvolvem-se de forma evidente e relativamente célere, já
noutros, ocorre de forma silenciosa, escapando à observação imediata e exigindo
instrumentos de diagnóstico especializados para a sua deteção atempada.
Neste contexto, a ausência de uma verificação estrutural sistemática não representa
apenas um problema técnico, mas um fator de instabilidade social e territorial, pois, por
exemplo, a eventual interdição súbita de uma estrada ou de uma ponte, a degradação
acelerada de uma barragem ou a falha de infraestruturas hidráulicas pode isolar
populações, comprometer o acesso a serviços essenciais, afetar atividades económicas
locais, gerar um sentimento duradouro de insegurança ou até causar a perda de vidas, o
que deve ser totalmente evitado. A prevenção deve preceder a tragédia e o rigor técnico
deve prevalecer sobre a inércia administrativa.
Perante este cenário, impõe-se uma resposta pública firme, coordenada e tecnicamente
qualificada, que integre as lições retiradas das intempéries recentes, avalie de forma
abrangente o estado das infraestruturas críticas e determine intervenções atempadas,
antes que processos de degradação evoluam para situações irreversíveis, pois, sem
qualquer dúvida, a proteção da vida humana, da segurança coletiva e da coesão territorial
exige uma atuação preventiva que coloque o interesse público acima de adiamentos.
Assim, ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, os deputados
do grupo parlamentar do CHEGA recomendam ao Governo que:
1. Promova com carácter de urgência, uma avaliação técnica aprofundada e
sistemática do estado estrutural das pontes, barragens e demais infraestruturas
críticas, considerando os efeitos acumulados das recentes intempéries e o
envelhecimento dos materiais.
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2. Determine a realização de inspeções especializadas recorrendo a entidades
técnicas independentes e a metodologias avançadas de diagnóstico estrutural,
com vista à identificação de riscos de instabilidade, degradação progressiva ou
falha estrutural.
3. Garanta a articulação efetiva entre a administração central, as autarquias e as
entidades concessionárias, assegurando que a segurança das populações e a
integridade das infraestruturas prevaleçam sobre constrangimentos burocráticos
ou lógicas de adiamento.
Palácio de São Bento, 11 de Fevereiro de 2026
Os deputados do grupo parlamentar do CHEGA
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