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Projeto de Resolução n.º 803/XVII/1.ª
Por uma resposta à inflação e ao aumento dos preços dos combustíveis
Exposição de Motivos
O conflito dos Estados Unidos e Israel com o Irão tem tido consequências diretas quase
imediatas, nomeadamente, nas restrições de fluxo de mercadorias e matérias-primas pelo
Estreito de Ormuz, e, consequentemente, sobre os preços dos combustíveis que aumentam
semanalmente, o que tem vindo a afetar os preços de outros produtos e bens essenciais, por
força da transferência destes encargos pelas cadeias de valor.
Basta verificar a evolução das estimativas do boletim económico do Banco de Portugal para
fazer soar os alertas que deveriam fazer atuar o Governo de forma mais convicta e assertiva.
Entre os boletins económicos de dezembro de 2025 e março de 2026, o crescimento real do
PIB para 2026 diminuiu de 2.3%, estimativa de crescimento que se encontrava alinhada com
a do Governo, para 1.8%, menos 0.5 pontos percentuais. Mais ainda, os fatores que
influenciam essa deterioração, nomeadamente, a inflação, que aumenta 0.7 pontos
percentuais, a perspetiva de crescimento do investimento que diminui 2.2 pontos percentuais
e o consumo privado que cresce menos 0.3 pontos percentuais. Em suma, o poder de compra
dos portugueses está em risco e isso poderá hipotecar o tão necessário crescimento do país.
Neste sentido, é importante que o Governo seja assertivo nas suas medidas, garantindo a
redução transversal e expressiva dos impostos sobre os combustíveis e, ainda, o reforço de
medidas que permitam aliviar as famílias, principalmente as mais vulneráveis, bem como, o
reforço das medidas de política pública para aumentar a autonomia e a resiliência energética
do país.
Em concreto, a Iniciativa Liberal propõe que o ISP seja reduzido de forma a acautelar duas
dimensões: anular a dupla tributação e salvaguardar que o imposto final garanta que Portugal
tem um esforço fiscal sobre os combustíveis equiparado ao seu poder de compra na União
Europeia, garantindo a sua justiça. Sobre estes aspetos, importa referir que, à data do início
do agravamento significativo dos preços dos combustíveis, Portugal se encontrava
relativamente alinhado com a média da carga fiscal sobre os combustíveis na União Europeia.
Contudo, os Portugueses não estão, de todo, alinhados com a média do poder de compra da
média dos seus pares europeus. Este aspeto colocou Portugal em desvantagem competitiva
com outros países europeus bem mais ricos e que, ao longo de anos, prejudicou, por via dos
custos energéticos, a capacidade de poder de compra dos Portugueses e a competitividade
das empresas portuguesas. É importante corrigir esta desproporção histórica, ainda mais
quando os preços escalam. Neste sentido, a métrica base deve ser a redução do ISP o quanto
baste, para assegurar a neutralidade fiscal do imposto em sede de IVA.
No campo fiscal propomos igualmente a redução temporária de IVA sobre as botijas de gás,
uma reivindicação justa para garantir uma coesão territorial e uma ferramenta para reduzir
temporariamente os custos com a sua aquisição, compensando o aumento dos custos que
têm impactado negativamente os consumidores, em particular as famílias que mais
dependem desta forma de energia.
Importa também reforçar a resposta à inflação com o apoio à transição e autonomia
energética e o incentivo a não recorrer tanto às viaturas próprias. No que concerne ao
desincentivo do uso de viatura própria, propomos que o Governo implemente reforços da
oferta de transportes públicos e o incentivo ao recurso ao teletrabalho, revertendo encargos
financeiros e burocráticos implementados pelo Partido Socialista. Do ponto de vista da
resiliência e autonomia, a Iniciativa Liberal propõe que o Governo use da sua prerrogativa
para ultrapassar a norma-travão, propondo uma redução do IVA sobre os painéis solares e
outros electroprodutores com recurso a energias renováveis, a implementar já em 2026.
Adicionalmente, propomos ações concretas do Governo de forma a aumentar e acelerar
licenciamentos de renováveis, permitir a prospeção e exploração de recursos naturais,
nomeadamente lítio e gás natural, e constituir uma reserva de gás natural com origem
portuguesa.
Por conseguinte, tendo em consideração o acima exposto, ao abrigo da alínea b) do número
1 do artigo 4.º do Regimento da Assembleia da República, o Grupo Parlamentar da Iniciativa
Liberal apresenta o seguinte Projeto de Resolução:
Resolução
Ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, a Assembleia da
República delibera recomendar ao Governo que no âmbito da resposta ao aumento da
inflação:
1. Reduza o ISP transversalmente de forma a salvaguardar a neutralidade fiscal do
imposto em sede de IVA e garantir que o esforço fiscal sobre os combustíveis seja
adequado ao poder de compra dos portugueses;
2. Proponha a aplicação do IVA reduzido na bilha do gás, de forma temporária, seja por
via direta, procurando o aval junto das instâncias europeias, seja por via de
reembolsos subsequentes, garantindo o cumprimento da Diretiva Europeia do IVA;
3. Reforce a oferta de transportes públicos, através do aumento da frequência e
capacidade de transporte, transformando-a numa opção viável e realmente
competitiva comparativamente ao transporte individual;
4. Proponha a revisão das Leis que regulam o teletrabalho, garantindo que a decisão
mutuamente benéfica para empregador e trabalhador é decidida de forma ágil, sem
encargos adicionais sobre as empresas;
5. Proponha a reposição do IVA reduzido para a aquisição, entrega e instalação,
manutenção e reparação de aparelhos, máquinas e outros equipamentos destinados
exclusiva ou principalmente à captação e aproveitamento de energia solar, eólica e
geotérmica;
6. Proceda a esforços para acelerar licenciamentos de exploração de energias
renováveis, permitir a prospeção e exploração de recursos naturais, nomeadamente
lítio e gás natural, e constituir uma reserva de gás natural com origem portuguesa.
Palácio de São Bento, 31 de março de 2026
Os Deputados da Iniciativa Liberal,
Mário Amorim Lopes
Angélique Da Teresa
Carlos Guimarães Pinto
Joana Cordeiro
Jorge Miguel Teixeira
Mariana Leitão
Miguel Rangel
Rodrigo Saraiva
Rui Rocha
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