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Representação Parlamentar
PROJETO DE RESOLUÇÃO Nº 64/XVII/1.ª
PELO RECONHECIMENTO E DIGNIFICAÇÃO DOS FARMACÊUTICOS NA
DEFESA E VALORIZAÇÃO DO SNS
As farmacêuticas e farmacêuticos do Serviço Nacional de Saúde desempenham funções
vitais para a garantia de cuidados de saúde e para a sociedade em geral. São eles os
responsáveis pela preparação e adequação da medicação e tratamento de pessoas
internadas ou pessoas que em ambulatório necessitam de medicamentos hospitalares.
São eles os responsáveis pela gestão dos medicamentos nos hospitais, uma rúbrica de
milhares de milhões de euros. São eles que garantem eficiência no nosso Serviço Nacional
de Saúde e todos os dias garantem a disponibilidade das terapêuticas necessárias para
todos os doentes.
Apesar deste inestimável papel, não têm sido minimamente valorizados, quer a nível
salarial, quer a nível de perspetiva de carreira. Conforme é referido na Petição n.º
220/XV/2, os farmacêuticos “são discriminados quando comparados com os outros
profissionais de saúde com os quais colaboram diariamente na sua vida hospitalar, ao não
terem o justo reconhecimento da dignidade e do valor da sua atividade profissional”.
Sem revisão da tabela remuneratória há mais de vinte anos, têm conhecido uma perda de
poder de compra sem igual. Apesar de lhes ser exigida uma formação de cinco anos a que
acrescem outros quatro de residência farmacêutica, num total de nove anos de formação,
estes profissionais têm visto o seu salário regredir por comparação com outros
profissionais de saúde e, acima de tudo, por comparação com o custo de vida.
Na transição para a mais recente carreira, mais de 87% dos trabalhadores farmacêuticos
foram colocados na categoria base da carreira, quando antes estavam nesta categoria base
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cerca de 36%, e viram o seu tempo de serviço não ser contabilizado para efeitos de
promoção e progressão em carreira.
Acresce que as possibilidades de progressão em carreira têm sido quase nulas, com
poucas vagas para progressão abertas, o que faz com que a maior parte dos trabalhadores,
não obstantes muitos anos de experiência e investimento na sua própria formação, se
mantenham nas mesmas posições, inalteradamente.
Consequência: hoje temos farmacêuticos com 10, 15 ou 20 anos de serviço na base da
carreira, a ganhar menos em poder de compra do que ganhavam quando começaram a
trabalhar e sem perspetivas de progressão de carreira. Consequência: torna-se cada vez
mais difícil contratar farmacêuticos para o SNS e os que existem, poucos para tanta
exigência, são sobrecarregados de trabalho.
Os trabalhadores e as trabalhadoras farmacêuticas do SNS sentem-se, justificadamente,
abandonados pelos sucessivos governos. E ainda assim resistem e não abandonam nem a
sua profissão, nem os seus utentes, nem o nosso Serviço Nacional de Saúde.
As greves que dos últimos anos, as petições de profissionais farmacêuticos à Assembleia
da República ou mesmo as sucessivas notícias de falta de profissionais em vários
hospitais, nomeadamente oncológicos, são alertas para a urgência de intervir e melhorar
a carreira e as remunerações destes profissionais.
É isso que o Bloco de Esquerda pretende fazer com a presente iniciativa legislativa.
Propomos a recuperação do poder de compra perdido desde a última revisão das tabelas
salariais, a contagem de todo o tempo de serviço, incluindo o efetuado na anterior
carreira, para progressão presente e futura. Propomos ainda a integração na carreira
farmacêutica de todos os trabalhadores farmacêuticos do SNS em situação de
precariedade ou ainda não integrados nesta carreira, assim como o aumento imediato, em
20%, do número de farmacêuticos no SNS, de forma a corresponder à complexificação das
atividades da farmácia hospitalar, a garantir a devida segurança no circuito do
medicamento e a prover o acesso à saúde.
Assim, ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, a deputada do
Bloco de Esquerda propõe que a Assembleia da República recomende ao Governo que:
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1 – Negocie e acorde com as estruturas representativas dos trabalhadores farmacêuticos
do Serviço Nacional de Saúde a atualização das grelhas salariais das carreiras
correspondentes, de forma a repor o poder de compra perdido desde a última atualização
das grelhas salariais.
2 – No âmbito na negociação referida no número anterior, integre no Serviço Nacional de
Saúde todos os trabalhadores farmacêuticos em situação precária.
3 – Contabilize integralmente todo o tempo de serviço destes trabalhadores para
progressão na carreira, independentemente de Contrato Individual de Trabalho ou
Contrato de Trabalho em Funções Públicas.
4 - Proceda à abertura de vagas para progressão em número suficiente para que todos os
trabalhadores farmacêuticos em condição de progredir na carreira o possam fazer.
5 – Proceda à abertura de concursos para contratação de farmacêuticos, de forma a
aumentar em pelo menos 20% o número destes profissionais a trabalhar no SNS.
Assembleia da República, 20 de junho de 2025.
A Deputada do Bloco de Esquerda,
Mariana Mortágua
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