Documento integral
Projeto de Resolução n.º 456/XVII/1.ª
Recomenda ao Governo que tome as medidas necessárias para reforçar a segurança
em todas as escolas portuguesas
Exposição de motivos
O aumento da violência é um dos problemas mais flagrantes da nossa sociedade e cuja
resolução se aflora mais urgente. Dentro dos espaços escolares, a violência alcança uma
dimensão ainda mais preocupante, uma vez que a Escola deve ser o lugar do
conhecimento e da aprendizagem, no qual as crianças e jovens devem ter a
oportunidade de crescer em liberdade e segurança.
Os números cada vez mais alarmantes relacionados com episódios de violência em
escolas, lançam o medo nos mais novos e nas suas famílias, criando uma sensação de
insegurança e de medo, que confrange todo o ambiente escolar.
Vejamos como em 2023, o Jornal de Notícias noticiava que quase 70% dos jovens em
Portugal foram vítimas de violência na escola. 1 São números verdadeiramente
assustadores, e que contemplam variadas e intrincadas formas de negligência e
violência, que não passam necessariamente pela agressão física. Existem hoje outros
modos, bem conhecidos dos nossos jovens, de exercer violência. O exemplo
paradigmático é o do bulliyng e cyberbulling, que tem estado a crescer, com contornos
espacialmente perversos, quando aliado ao uso das tecnologias para discriminar ou
violentar as vítimas.
Se atendermos aos dados do Programa Escola Segura da PSP, referentes ao ano letivo
de 2023/2024, verificamos que esta força policial, pese embora os parcos meios de que
dispõe, registou um total de 3.441 ocorrências, 2.956 das quais de natureza criminal a
ocorrer em escolas portuguesas. 2 Este número representa um aumento de 10,6% em
1 Vide: Quase 70% dos jovens foram vítimas de violência nas escolas - JN
2 Vide: Polícia de Segurança Pública
comparação com o ano letivo transato (3.110 crimes). Se olharmos a fundo estes dados,
percebemos que ne ste ano letivo manteve -se uma tendência de predominância dos
crimes de ofensas corporais (1.346) e de injúrias e ameaças (946) nas ocorrências
criminais, tendo ambas crescido 8,6% e 14,2%, respectivamente, em relação ao ano
anterior.
Em setembro de 2025, foi noticiado pela comunicação social que a PSP encontrou cerca
de 52 armas nas escolas portuguesas no ano letivo de 2024/2025: foram 43 armas
brancas e duas armas de fogo, sendo estes números alarmantes e que necessitam de
uma reflexão urgente com o fim de travar esta situação.3 Falamos também de casos de
armas em cacifos, droga a circular nos corredores, falamos em lutas de gangues, falamos
de delinquência juvenil e crimes de injúrias – tudo isto, que há umas décadas era
impensável, entrou dentro da Escola, tudo isto urge que se combata.
Nesse sentido, têm sido várias as instituições a pedir, que em face destes números, seja
concebido, de forma articulada e sistemática, um Plano Nacional de Prevenção e
Combate a Violência nas Escolas, que atue essencialmen te na prevenção. Como refere
o Instituto de Apoio à Criança (IAC), «Se os adultos desenvolveram, ao longo dos tempos,
formas de evitarem a violência através da palavra, devemos apoiar os jovens para darem
o seu contributo para uma escola mais amiga».4 De facto, é necessário cultivar nas novas
gerações uma cultura de resolução amigável de conflitos, através da palavra, da
diplomacia e nunca da violência. Só assim, conseguiremos garantir que as crianças de
hoje, serão os corretos cidadãos de amanhã.
As conseq uências do clima de medo e insegurança que se vivem em muitas escolas
portuguesas estão à vista de todos:
i) Para os professores, verificamos taxas elevadíssimas de burnout, desgaste físico e
psicológico, vontade de desistir da profissão.
3 Vide: PSP encontrou 52 armas nas escolas portuguesas no último ano lectivo | Escolas | PÚBLICO
4 Vide: Instituto de Apoio à Criança pede prevenção para combater violência nas escolas | Crianças | PÚBLICO
ii) Para os téc nicos de ação educativa, profissão essencialmente feminina, verificamos
igual desgaste, reiterada falta de força e energia para lidar com recreios cada vez mais
perigosos e violentos. De facto, estes profissionais representam, na maior parte dos
casos, a linha da frente, os primeiros a lidar com situações de violência.
iii) Para as crianças, são terríveis as consequências de crescerem num contexto de
normalização da violência. Como refere a Declaração Universal dos Direitos da Criança,
no seu Princípio nº 6, todos os meninos e meninas devem ter o direito a «num ambiente
de afeto e segurança moral e material», que lhes permita, no fundo estar seguras, num
ambiente propício para o seu desenvolvimento integral enquanto seres humanos.
Deste modo, o Grupo Parlam entar do CHEGA entende que o combate à violência nos
espaços escolares, terá de ser feito de forma articulada, organizada e sistemática, pois
só assim se conseguirá conter este fenómeno multifacetado e estrutural. Neste sentido,
torna-se imperativo uma real aposta do Estado em defesa de toda a nossa comunidade,
nomeadamente dos espaços escolares onde se encontram as nossas crianças e jovens
sobre os quais esta iniciativa incide.
Assim, nos termos constitucionais e regimentalmente aplicáveis, os Deputados d o
Grupo Parlamentar do CHEGA, recomendam ao Governo que:
1 – Reforce o Programa Escola Segura, e os meios das forças de segurança, através do
aumento dos meios humanos que lhe estão afetos e das ações junto da comunidade
escolar.
2 – Estabeleça, em conjunto com a Polícia de Segurança Pública, um plano específico de
prevenção e intervenção destinado a impedir a entrada e circulação de armas nos
estabelecimentos de ensino, garantindo a segurança de toda a comunidade escolar.
3 – Promova programas de formação contínua para docentes, técnicos de ação
educativa e pessoal administrativo, focados na prevenção e gestão de conflitos, na
mediação escolar e na resposta imediata a situações de risco.
4 – Estabeleça uma plataforma digital que permita centralizar os dado s de todas as
escolas, garantindo padrões de segurança robustos, de modo a salvaguardar, do ponto
de vista administrativo e social, os dados de cada membro da comunidade escolar.
Palácio de São Bento, 2 de Janeiro de 2025
Os Deputados do Grupo Parlamentar do CHEGA
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