PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 900/XVI/
RECOMENDA AO GOVERNO A CRIAÇÃO E IMPLEMENTAÇÃO DO PROGRAMA MENTE FORTE, QUE REFORCE A SAÚDE MENTAL NAS FORÇAS ARMADAS
Exposição de motivos
A prontidão operacional das Forças Armadas depende, em igual medida, de capacidades materiais e da disponibilidade psicológica dos seus efetivos. O serviço militar implica ciclos de elevada exigência (instrução intensiva, prontidão, desdobramentos, missões internacionais, apoio à proteção civil) e exposição a eventos potencialmente traumáticos.
Em Portugal, atualmente, a política de saúde nas Forças Armadas é coordenada pela Direção de Saúde Militar (EMGFA), com autoridade técnica sobre as direções de saúde dos ramos e articulação com o Hospital das Forças Armadas (HFAR), que dispõe de Serviço de Psiquiatria (Lisboa e Porto) eficaz na sua resposta de avaliação, consulta e internamento quando indicado.
Os cuidados de saúde mental são prestados pela Rede Nacional de Apoio, numa lógica de resposta à patologia detetada, essencialmente stress pós-traumático, e pelos Ramos, de forma não integrada e uniforme, numa lógica de avaliação da aptidão dos candidatos e de reação após a deteção de algum problema.
O que queremos é que exista uniformidade de procedimentos nos três Ramos das Forças Armadas, o acesso universal de todos os militares a estes cuidados, de modo a permitir uma deteção mais precoce e a mitigação do estigma que ainda aparece associado a estas patologias mentais. Para isso é fundamental a realização de testes frequentes a toda a família militar.
Se olharmos para os nossos parceiros na NATO, podemos encontrar essa abordagem mais preventiva e universal que desejavelmente se deverá implementar em Portugal.
Assim:
Nos Estados Unidos, os boletins do Military Health System mostram que as perturbações de ansiedade, ajustamento e humor figuram entre as condições com mais contactos médicos em 2023 o que acabou por levar à implementação do modelo Targeted Care, que tem por objetivo fornecer, mais cedo, o apoio certo e libertar capacidade para os casos complexos e, dessa forma, melhorar a prontidão da força.
No Canadá, o Programa Road to Mental Readiness fornece formação ao longo da carreira (incluindo comandantes e famílias), focada em performance, bem-estar e mitigação de problemas de longo prazo. Está também disponível para unidades e adaptada a fases dos ciclos operacionais.
Em termos doutrinários, a NATO recomenda a integração sistemática de equipas de saúde mental “forward” e a aplicação dos princípios PIES como force multiplier, com foco na proximidade, no imediatismo, na expetativa e na simplicidade, com impacto comprovado na prontidão e no retorno ao serviço.
No plano nacional, é justo reconhecer que o Governo adotou decisões estruturantes que valorizam a condição militar e criam uma base favorável para acelerar a agenda de saúde mental:
A aprovação do Decreto-Lei n.º 60/2024, de 30 de setembro, que estabelece um regime especial de compensação por invalidez permanente ou morte diretamente decorrentes dos riscos próprios da atividade militar.
O reforço remuneratório e de suplementos da condição militar, melhorando o enquadramento de bem-estar e motivação.
A promoção de iniciativas técnicas e formativas nos ramos, com integração de avaliação psicológica em processos de admissão/aptidão, jornadas de psicologia e práticas de apoio em contexto operacional.
Todavia, também devemos reconhecer que persistem ainda alguns problemas que urge ultrapassar neste campo, nomeadamente assimetrias no acesso à saúde mental entre unidades e ramos, lacunas de dados (tempos de espera, taxas de retorno ao serviço, resultados clínicos padronizados), estigma e vias de procura de ajuda pouco conhecidas, sobretudo em fases precoces.
Neste âmbito, os exemplos internacionais mostram que triagens rápidas, intervenção breve e vias de autorreferência confidenciais reduzem dias de incapacidade, aumentam a probabilidade de retorno ao serviço e diminuem custos indiretos, nomeadamente com a rotatividade, a formação de substitutos ou a perda de experiência.
Assim, o “Programa Mente Forte” visa promover a saúde mental preventiva como um elemento de capacitação dos militares, uniformizar o acesso à saúde mental nos três ramos e universalizar o acesso a todos os militares das Forças Armadas. Tudo isto para aumentar os níveis de prontidão evitando que os problemas relacionados com a saúde mental dos militares possam evoluir para situações crónicas ou de maior complexidade que obrigam a maiores períodos de paragem.
Num cenário em que os quadros e as especialidades mais críticas assumem uma importância acrescida para um país que tem enfrentado uma diminuição dos seus efetivos militares, tendência que agora está a ser invertida, cada militar tratado com qualidade representa poupança, ganho de capacidade e o reforço das nossas Forças Armadas.
Assim, para transformar estas boas práticas em resultados consistentes, afigura-se recomendável instituir um quadro nacional de indicadores simples e comparáveis. Nesse sentido, a publicação de um Relatório Anual de Saúde Mental das Forças Armadas poderia contribuir para aumentar a transparência, permitindo afinar recursos e reforçar a confiança pública na instituição militar e nos cuidados que são prestados às mulheres e homens que servem nas Forças Armadas.
A resiliência do militar é também a resiliência do seu contexto familiar e, nesse sentido, Programas de psicoeducação para famílias de militares, apoio em mudanças de unidade e transições (pós-missão, pós-contrato) podem ser melhorados para contribuir ainda mais para diminuir recaídas e facilitar a reintegração no serviço.
Ao mesmo tempo, a ligação formal com o SNS, com o IASFA e com os parceiros civis poderá ser um elemento importante para garantir a continuidade e evitar ruturas de cuidado médico no plano da saúde mental dos militares e suas famílias.
Sem interferir nas competências próprias do Governo, a Assembleia pode recomendar objetivos claros, promover a estabilidade interministerial (Defesa, Saúde, Finanças) e acompanhar resultados, garantindo continuidade política a uma agenda estratégica para a Defesa Nacional, para as famílias militares e para a confiança dos cidadãos nas Forças Armadas.
Neste trajeto, valorizamos as mudanças já concretizadas pelo Governo desde 2025, nomeadamente o facto de os Antigos Combatentes não pensionistas terem passado a ter direito a uma majoração de 90% da comparticipação pelo SNS para medicamentos psicofármacos, medida que acrescenta ao apoio de 100% da parte não comparticipada pelo SNS, nos medicamentos destinados aos antigos combatentes pensionistas.
Finalmente, importa salientar que a presente recomendação não implica um aumento de despesa obrigatória, na medida em que a sua execução faz-se sem prejuízo das competências do Governo, privilegiando a reprogramação de meios já existentes e ainda as parcerias e o financiamento já disponível.
Assim, a Assembleia da República resolve, nos termos do n.º 5 do artigo 166.º da Constituição, recomendar ao Governo que:
Aprove um Plano Nacional de Saúde Mental nas Forças Armadas, único, uniformizado e universal, alinhado com as normas NATO, que reforce programas de prevenção para todos os militares das Forças Armadas e para as suas famílias, em articulação com o Serviço Nacional de Saúde e com o Instituto de Ação Social das Forças Armadas e com a rede parceira de cuidados de saúde mental já existente;
Reforce os programas dirigidos às famílias dos militares, em articulação, não apenas com as estruturas de saúde militar existentes, mas também com o Serviço Nacional de Saúde, com o Instituto de Ação Social das Forças Armadas e com a rede parceira já existente para a prestação de cuidados de saúde mental, de modo a garantir uma maior prontidão dos nossos militares;
Promova a cooperação, com universidades e centros NATO, tendo em vista o reforço da investigação sobre saúde mental no meio militar e medidas a implementar para prestar melhores cuidados aos militares que servem nas Forças Armadas;
Publique um Relatório Anual de Saúde Mental das Forças Armadas, por Ramo, que possa permitir quantificar os avanços alcançados nesta área.
Palácio de São Bento, 30 de abril de 2026
Os Deputados do GP PSD Os Deputados do GP CDS-PP,
Hugo Soares Paulo Núncio
Bruno Ventura João Pinho de Almeida
Bruno Vitorino
José Lago Gonçalves
Martim Syder
Pedro Roque
Hernâni Dias
Hugo Patrício Oliveira
Liliana Fidalgo
Carlos Alberto Gonçalves
Francisco Sousa Vieira
Helga Correia
Miguel Guimarães
Olga Freire
Pedro Alves
Teresa Morais
Paulo Cavaleiro
António Rodrigues
Regina Bastos
Fernando Queiroga
Isaura Morais
Almiro Moreira
Andreia Neto
Dulcineia Catarina Moura
Paulo Lopes Marcelo
Alexandre Poço
João Antunes dos Santos
Paulo Moniz
Francisco Figueira
Gonçalo Valente
Marco Claudino
Germana Rocha
Emídio Guerreiro
Nuno Jorge Gonçalves
Ana Isabel Ferreira
Liliana Sousa
Ricardo Barroso
Leandro Ferreira Luís
Eva Brás Pinho
Alberto Machado
Nuna Menezes
Sónia dos Reis
Sofia Machado Fernandes
Adriana Rodrigues
Ricardo Oliveira
Gonçalo Lage
Inês Barroso
Joana Seabra
Carolina Marques
Carla Barros
Carlos Cação
Paulo Edson Cunha
Célia Freire
Ricardo Carlos
Rui Rocha Pereira
Alberto Fonseca
Leonor Cipriano
Ana Gabriela Cabilhas
Isabel Fernandes
João Pedro Louro
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Votação na generalidade — DAR I série — 39-39 - 14/05/2026
14 DE MAIO DE 2026
O Sr. Deputado Rui Rocha, da IL, e o Sr. Deputado Leandro Luís, do PSD, também ficam registados.
Burburinho na Sala.
Srs. Deputados, pedia o favor de manterem silêncio, senão não conseguimos avançar.
Pausa.
Bom, esperemos que não haja mais inscrições.
Peço aos serviços que encerrem a verificação do quórum. Temos 193 Srs. Deputados presentes, mais do
que quórum suficiente para avançar para as votações.
Burburinho na Sala.
Sr.as e Srs. Deputados, convém que tomem atenção, senão começa a haver confusão, embora a votação
seja curta.
Então, passamos à votação, na generalidade, do Projeto de Resolução n.º 899/XVII/1.ª (PSD e CDS-PP) —
Recomenda ao Governo a criação do programa Defender Portugal, estabelecendo um regime de voluntariado
jovem para a defesa.
Submetido à votação, foi aprovado, com os votos a favor do PSD, da IL e do CDS-PP, os votos contra do L,
do PCP, do BE, do PAN e do JPP e as abstenções do CH e do PS.
Aplausos do PSD e do CDS-PP.
O projeto baixa à 3.ª Comissão.
Vamos agora votar, na generalidade, o Projeto de Resolução n.º 900/XVII/1.ª (PSD-CDS-PP) — Recomenda
ao Governo a criação e implementação do programa Mente Forte, que reforce a saúde mental nas Forças
Armadas.
Submetido à votação, foi aprovado, com os votos a favor do PSD, do CH, da IL, do L, do CDS-PP, do PAN
e do JPP, o voto contra do PCP e as abstenções do PS e do BE.
A Sr.ª Deputada Inês Sousa Real pediu a palavra para que efeito?
A Sr.ª Inês Sousa Real (PAN): — Sr. Presidente, é para anunciar uma declaração de voto escrita.
O Sr. Presidente (Diogo Pacheco de Amorim): — Fica registado, Sr.ª Deputada.
Sr.ª Deputada Isabel Mendes Lopes, acredito que esteja a pedir a palavra pela mesma razão.
A Sr.ª Isabel Mendes Lopes (L): — Sr. Presidente, é para anunciar uma declaração de voto escrita sobre
esta votação.
O Sr. Presidente (Diogo Pacheco de Amorim): — Muito obrigado, Sr.ª Deputada, será aceite.
Portanto, está também aprovado este projeto de resolução, que baixa à 3.ª Comissão.
Aplausos do PSD e do CDS-PP.
Passamos ao ponto três da nossa ordem de trabalhos.
Pausa.
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