Documento integral
1
Projeto de Resolução n.º 886/XVII/1.ª
Recomenda ao Governo a urgente reabilitação e modernização dos Tribunais da
Região Autónoma dos Açores
Exposição de motivos
A justiça configura um pilar essencial do Estado de Direito Democrático, cabendo ao
Estado assegurar que o exercício da função jurisdicional decorr a em condições de
dignidade, segurança e eficiência, assegurando condições de igualdad e,
independentemente da sua localização geográfica.
A realidade dos Tribunais na Região Autó noma dos Açores evidencia um conjunto
persistente de fragilidades estruturais, humanas e tecnológicas que comprometem
seriamente o normal funcionamento do sistema judicial e o direito dos cidadãos a uma
justiça em prazo razoável.
Com efeito, uma parte dos tribunais açorianos en contra-se instalada em edifícios
antigos, degradados e sem significativas intervenções de reabilitação há vários anos,
sendo recorrentes os relatos de situações de infiltrações, fissuras estruturais,
deficiências graves nas instalações elétricas, ausência de climatização, ventilação
insuficiente e limitações de acessibilidade para pessoas com mobilidade reduzida. Estas
condições afetam de forma direta a segurança, a saúde e a dignidade de magistrados,
oficiais de justiça, advogados e cidadãos.
Em períodos d e temperaturas elevadas , a inexistência de sistemas de climatização
adequados agrava significativamente as condições de trabalho e incl usivamente de
atendimento a os cidadãos , afetando negativamente o desempenho dos serviços
judiciais e a qualidade do sistema de justiça.
A estas fragilidades acresce um défice estrutural de recursos humanos, particularmente
no que respeita a magistrados judiciais, magistrados do Ministério Público e oficiais de
justiça. Esta escassez tem sido reiteradamente denunciada por operadores judiciários e
2
reflete-se numa elevada pendência processual e atrasos significativos na tramitação dos
processos.
Ora importa recordar, a greve de magistrados na Região Autónoma dos Açores em julho
de 2025, que afetou a maioria dos tribunais, evidenciou de forma clara a sobrecarga de
trabalho existente, a acumulação de funções e as dificuldades em garantir uma resposta
judicial eficaz e atempada.
No âmbito em apreço, importa ainda salientar o Tribunal Administrativo e Fiscal de
Ponta Delgada que constitui um exemplo particularmente preocupante desta realidade.
A falta de juízes e de meios de apoio tem conduzido a atrasos prolongados na decisão
de processos, com sérios impactos para os cidadãos, empresas e entidades públicas,
tendo esta situaç ão sido, em diferentes momentos, classificada como de verdadeiro
colapso funcional.
Ademais, cumpre referir a existência de vários constrangimentos e li mitações ao nível
de meios tecnológicos e da conectividade na rede judicial, re alidade que afeta tanto
tribunais como conservatórias. Por conseguinte, é evidente a necessidade de um
investimento estruturado e consistente para a modernização tecnológica da justiça, com
especial incidência nas regiões ultraperiféricas.
Deste modo, a existência destas diversas e persistentes limitações comprometem
princípios fundamentais do Estado de Direito, fragiliza a confiança dos cidadãos nas
instituições e perpetua desigualdades no acesso à justiça entre diferentes regiões do
país, impondo-se, por isso, uma intervenção urgente.
Assim, revela-se necessário uma resposta urgente por parte do Estado, que assegure a
reabilitação dos tribunais açorianos, o reforço dos recursos humanos e a modernização
tecnológica indispensável ao funcionamento eficaz da justiça na Região Autó noma dos
Açores.
Assim, nos termos constitucionais e regimentais aplicáveis, os Deputados do Grupo
Parlamentar do CHEGA recomendam ao Governo que:
3
1. Promova, com carácter de urgência, um plano integrado de reabilitação,
conservação e modernização dos edifíci os dos Tribunais da Região Autónoma
dos Açores, com cronograma de intervenções e respetiva estimativa orçamental,
priorizando o Tribunal Judicial da Comarca dos Açores e o Tribunal
Administrativo e Fiscal de Ponta Delgada.
2. Proceda à avaliação técnica de todos os edifícios judiciais da Região Autónoma
dos Açores, com identificação e correção d as deficiências em matéria de
segurança, salubridade, acessibilidade, climatização, ventilação e in stalações
elétricas.
3. Adote todas as medidas necessárias para assegurar condições específicas de
valorização e estabilidade para os trabalhadores judiciais da Região Autónoma
dos Açores, tendo em conta as especificidades da insularidade e da
ultraperiferia.
4. Promova a modernização tecnológica dos tribunais açorianos, assegurando
sistemas informáticos eficazes, equipamentos adequados e meios de
conectividade fiáveis, com vista à melhoria da tramitação processual.
Palácio de São Bento, 28 de abril de 2026.
Os Deputados do Grupo Parlamentar do CHEGA
Abrir texto oficial