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PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS
GrupoParlamentar
Projeto de Resolução n.º 910/XVII/1.ª
Aumento intercalar das reformas e pensões no ano de 2026
Exposição de motivos
Em Portugal, grande parte dos reformados vive abaixo do limiar da pobreza. Cerca de
metade encontra-se em situação de grande fragilidade, com reformas abaixo de 500
euros, em consequência de carreiras contributivas precárias e de salários de miséria, que
condenam os trabalhadores ao empobrecimento.
Os valores das pensões e reformas, que deveriam valorizar uma vida de trabalho, não
acompanham sequer o ritmo da inflação e o brutal aumento do custo de vida, cada vez
mais agravado pelo impacto económico das guerras, que causam uma colossal escalada
nos preços dos combustíveis e energia, agravando ainda mais os custos com a
alimentação e os bens de primeira necessidade.
Se o cabaz alimentar se cifra em cerca de 260 euros e se metade dos reformados recebe
menos de 500 euros por mês, é evidente o enorme desequilíbrio entre os rendimentos e
as despesas, com manifesta perda do poder de compra, que os obriga a cortar em
necessidades básicas, como alimentação, aquecimento e medicamentos, com graves
consequências para a sua saúde e qualidade de vida.
Entre 2017 e 2021, por insistência e intervenção do PCP, foi possível pôr fim aos cortes
nas pensões e reformas e garantir aumentos extraordinários consecutivos, que se
cifraram entre 34 e os 50 euros no valor da pensão de mais de um milhão e seiscentos mil
reformados.
O PCP continuou a intervir pelo aumento das pensões, por ser necessário e urgente, face
ao aumento dos preços que, a partir de então, mais se evidenciava, mas também porque
era – e continua a ser! – possível. O aumento real das pensões e reformas é uma exigência
social que tem sobretudo em conta o custo real dos bens necessários e deve garantir a
estabilidade.
Porém, em sentido contrário, os governos do PS e do PSD/CDS têm aplicado, não obstante
as propostas justas do PCP, aumentos anuais que manifestamente não acompanham o
aumento da inflação. Tão-pouco as medidas paliativas e avulsas com que esses governos
aparentam aumentos das pensões, mas que não as valorizam efetivamente, são a
resposta necessária. Trata-se, com efeito, de medidas pontuais e insuficientes, não
resolvem o problema de fundo.
O País está hoje confrontado com um profundo agravamento das situações de pobreza
dos reformados com pensões muito baixas a quem é negado o direito a um nível de
rendimentos que lhes permita uma alimentação cuidada, o pagamento das despesas
essenciais, como a habitação, a eletricidade, o gás, os medicamentos e a água, para não
irmos já a outros encargos inerentes a uma vida digna, como o acesso à cultura e ao lazer,
entre muitas outras.
Para que a recuperação do poder de compra e a valorização das reformas e pensões seja
minimamente possível, é urgente garantir um aumento intercalar das reformas e
pensões, a ser aplicar pelo menos a partir de 1 de julho de 2026, garantindo um valor
mínimo de 50 euros para todos os pensionistas.
É um aumento possível e que não belisca os saldos anuais da Segurança Social, que têm
sido positivos com um excedente registado no valor de 5,8 mil milhões de euros no ano
de 2024, tendo o valor aumentado em 2025, com o Fundo de Estabilização Financeira da
Segurança Social a registar um saldo de 42,3 mil milhões de euros. O impacto desta
medida não ultrapassa os 1000 milhões de euros, com um custo que equivale a metade
do custo que teria a descida de 4 pontos percentuais do IRC.
Este aumento intercalar contribui para uma verdadeira valorização das pensões como
condição indispensável para autonomia económica e social, a recuperação real do poder
de compra e a elevação das condições de vida dos reformados e pensionistas do nosso
país.
São pessoas que trabalharam uma vida inteira e que merecem ver a elevação das suas
condições de vida e, especialmente, merecem viver com dignidade. Não é um luxo, mas
sim uma resposta justa e necessária, que deve refletir o compromisso do Estado com a
justiça social, a solidariedade intergeracional e o respeito por quem trabalhou uma vida
inteira dando o seu contributo ao País.
O PCP apresenta esta proposta por ser da mais elementar justiça a adoção de medidas
imediatas de valorização de todas as pensões, assegurando recuperação e valorização do
poder de compra, através de um aumento mínimo de 50 euros, por forma a dar expressão
efetiva à recuperação de rendimentos e a que, ao contrário dos suplementos
extraordinários que os governos têm decidido, consolide no montante global de cada
pensão e no cálculo da sua evolução futura.
Assim, nos termos da alínea b) do artigo 156.º da Constituição e da alínea b) do n.º 1 do
artigo 4.º do Regimento, os Deputados do Grupo Parlamentar do PCP propõem que a
Assembleia da República adote a seguinte
Resolução
A Assembleia da República resolve, nos termos do n.º 5 do artigo 166.º da Constituição
da República, recomendar ao Governo o aumento intercalar das pensões e reformas no
mínimo de 50 euros por pensionista, para todos os pensionistas a partir de 1 de julho de
2026.
Assembleia da República, 5 de maio de 2026
Os Deputados,
ALFREDO MAIA; PAULA SANTOS; PAULO RAIMUNDO
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