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Projeto de resolução n.º 26/XVII/1ª
Recomenda ao Governo a atualização do valor de apoio financeiro por
turma e por ano para os contratos de associação, cooperação e
patrocínio e a revisão do modelo de financiamento para o ensino
profissional privado
Exposição de Motivos
Os contratos de associação, cooperação e patrocínio são exemplos de modelos de
colaboração entre o Estado e as escolas do setor privado e cooperativo.
Através destes contratos, o Estado assegura que os jovens portugueses podem cumprir
a escolaridade obrigatória no ensino geral e no ensino artístico especializado, sobretudo
onde não existe oferta pública de ensino.
No entanto, a guerrilha ideológica que a esquerda moveu contra o ensino privado e
cooperativo desde 2015 comprometeu a viabilidade e sustentabilidade dos
estabelecimentos de ensino abrangidos por estes contratos, do serviço público que
prestam e das condições de ensino dos seus alunos.
Em 2010, o valor de apoio financeiro por turma e por ano do contrato de associação foi
estabelecido em 80.080€. Após um ligeiro aumento do valor para 80.500€ em 2015, este
apoio financeiro não voltou a ser alterado pelos governos do Partido Socialista. Os
Governos da AD, que reconhecem a gravidade das condições atuais de muitos dos
estabelecimentos contratualizados e da sua importância para a rede educativa,
reforçaram esta verba, compensando alguma da perda, sendo o valor atual para as
turmas em início de ciclo de 88.244,48€.
De igual forma, desde 2015 que o valor pago por aluno por ano para os estudantes do
ensino artístico especializado em estabelecimentos com contratos de patrocínio não é
atualizado, apesar da grande maioria da oferta ser assegurada por meio destes
contratos, devido à inexistência de escolas públicas com ensino artístico especializado.
Já os estabelecimentos com contrato de cooperação – que são colégios de educação
especial para alunos com necessidades de apoio que não estão disponíveis noutros
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estabelecimentos de ensino -, continuam seriamente subfinanciados, embora tenham
visto o valor de apoio financeiro ligeiramente revisto em 2023.
Os estabelecimentos de ensino profissional privados têm, de igual forma, um papel
determinante na rede escolar, assegurando a generalidade da oferta de ensino
profissional, ao abrigo de contratos celebrados com o Ministério de Educação, Ciência
e Inovação. Contudo, apenas os estabelecimentos profissionais nas regiões de Lisboa
e do Algarve têm comparticipação pública ; os demais são apoiados com recurso a
fundos comunitários, com consequências evidentes na sua previsibilidade1; e, daqueles,
os escalões de financiamento, não obstante ligeiras alterações como a que ocorreu em
2023, exigem revisão para acompanhar os custos reais da sua oferta.
Acresce que, desde 2015, o Índice de Preços no Consumidor aumentou cerca de 20,5%
e o Salário Mínimo Nacional passou de 505€ para 870€. Ou seja, o impacto negativo da
não-atualização dos valores de apoio financeiro para os estabelecimentos do setor
privado e cooperativo com contratos de associação, cooperação e patrocínio, e
contratos-programa para o ensino profissional privado é agravado pelo considerável
aumento generalizado da despesa na operação destes estabelecimentos.
Os colégios e escolas com contratos de associação, cooperação e patrocínio, tal como
as escolas profissionais privadas, prestam verdadeiro serviço público e são uma
manifestação dos princípios da liberdade de aprender e de ensinar, da
complementaridade e da subsidiariedade do Estado.
Nesse sentido, o Programa do XXV Governo Constitucional prevê explicitamente que irá
“no âmbito das parcerias com o Ensino Particular e Cooperativo, revisitar e atualizar os
modelos dos contratos de associação; contratos de patrocínio; contratos de cooperação
e dos contratos simples e de desenvolvimento de apoio à família”, “implementar um
programa de sensibilização para o valor do ensino profissional” e ainda “otimizar a rede
de oferta de ensino profissional, alinhando-a com as estratégias de desenvolvimento das
regiões e com as necessidades do tecido empresarial, consolidando a implementação
do novo Catálogo Nacional de Qualificações e o investimento nos Centros Tecnológicos
Especializados (CTE), e melhorar o seu modelo de financiamento.”
1 Não que a suposta maior previsibilidade do compromisso estatal seja de grande memória para
a generalidade do ensino particular e cooperativo, que por vontade da esquerda continuaria
condenado à morte por asfixia financeira, pelo crime de não ser propriedade do Estado.
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Por isso, além da atualização dos valores de apoios financeiros por turma e por ano para
os estabelecimentos abrangidos por esta modalidade, é imperativo garantir que a
atualização e o seu montante não estão exclusivamente dependentes do poder
político, mas assentam em fórmulas claras e estáveis que acompanhem a
evolução geral dos preços.
Assim, nestes termos, o Grupo Parlamentar do CDS-PP , ao abrigo das disposições
constitucionais e regimentais aplicáveis, propõe que a Assembleia da República
recomende ao Governo a atualização do valor dos apoios financeiros por turma e por
ano para os contratos de associação, cooperação e patrocínio, assim como para as
escolas profissionais privadas que integram a rede pública, e estabeleça critérios de
atualização anual automática para garantir que os valores de apoio financeiro
acompanham o aumento dos custos de operação dos estabelecimentos que integram a
rede pública por via contratual, no âmbito da sua revisão.
Palácio de São Bento, 12 de Junho de 2025
Os Deputados do Grupo Parlamentar do CDS-PP
Paulo Núncio
João Pinho de Almeida
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