Documento integral
Palácio de São Bento, 1249-068 Lisboa | gabinete@cds.parlamento.pt | (+351) 213 917 587
Projecto de resolução n.º 536/XVII/ 1.ª
Recomenda ao Governo que aumente a consignação do IRS de 1% para
1,5%
O papel desempenhado pelas entidades do se ctor social e solidário no contexto da
sociedade portuguesa assume uma relevância estrutural incontornável, constituindo um
dos pilares essenciais da coesão social, da promoção da dignidade da pessoa humana
e da concretização efe ctiva dos princípios da justiça social consagrados
constitucionalmente.
Ao longo de várias décadas, estas entidades — designadamente as Instituições
Particulares de Solidariedade Social, as entidades religiosas, as associações
humanitárias, culturais, juvenis e demais organizações sem fins lucrativos — têm
assegurado respostas sociais de proximidade em domínios essenciais, colmatando
insuficiências e limitações da actuação exclusiva do Estado, nomeadamente através de
modelos de intervenção mais flexíveis, territorialmente enraizados e ajustados às
necessidades concretas das populações.
A experiência acumulada por estas organ izações e a relação de confiança duradoura
que mantêm com as comunidades locais conferem-lhes uma capacidade de intervenção
insubstituível no apoio às populações mais vulneráveis, designadamente no combate à
pobreza e à exclusão social, na promoção da saúde e do envelhecimento digno, no
apoio à infância e à juventude, na integração de pessoas com deficiência, na
dinamização cultural e na protecção do património natural e ambiental.
Foi neste quadro de reconhecimento do interesse público que se encontra consagrada
a possibilidade de os contribuintes afectarem voluntariamente uma parcela do Imposto
sobre o Rendimento das Pessoas Singulares a entidades de utilidade pública, através
do mecanismo da consignação fiscal. Trata-se de um instrumento que reforça o
financiamento do sector social e solidário sem qualquer agravamento da carga fiscal
dos cidadãos, valorizando simultaneamente a liberdade de escolha dos contribuintes e
promovendo uma relação de corresponsabilização entre a sociedade civil e as causas
de interesse geral.
Nesse contexto, o Governo do PSD e CDS-PP procedeu, no ano transacto, ao aumento
da percentagem máxima de consignação do IRS de 0,5% para 1%, medida amplamente
reconhecida como estruturante para a sustentabilidade financeira das entidades
Palácio de São Bento, 1249-068 Lisboa | gabinete@cds.parlamento.pt | (+351) 213 917 587
beneficiárias. Isto é, duplicamos a consignação em sede de IRS para 1% para aumentar
o orçamento das instituições do sector social
Tal decisão, cuja aplicação prática se traduziu num reforço global estimado em cerca de
40 milhões de euros anuais para o sector social, constituiu um sinal político inequívoco
de confiança no trabalho desenvolvido por estas organizações e de reconhecimento do
seu papel enquanto parceiros estratégicos do Estado na execução das políticas sociais.
Várias entidades beneficiaram desta m edida e reconheceram a sua importância. A
Cáritas Portugal, por exemplo, considerou a duplicação da consignação do IRS uma
excelente iniciativa. Também a Liga Portuguesa Contra o Cancro elogiou a medida do
Governo PSD/CDS-PP , tendo referido que a consignação do IRS representa 20% da
receita da instituição.
Como foi sublinhado em sede parlamentar e em diversas intervenções públicas,
designadamente pelo Grupo Parlamentar do CDS -PP, esta solução traduz -se num
modelo fiscalmente responsável, que respeita a autonomia dos contribuintes, reforça a
transparência na afectação de recursos públicos e potencia a capacidade de resposta
de milhares de instituições que actuam diariamente no terreno.
Não obstante este avanço significativo, subsistem desafios sociais de elev ada
complexidade e intensidade, agravados por fenómenos estruturais como o
envelhecimento demográfico, o aumento do custo de vida, a persistência de
desigualdades socioeconómicas e a crescente pressão sobre os sistemas de protecção
social. Tais desafios exigem um esforço continuado de reforço das respostas sociais e
de consolidação dos instrumentos de financiamento do sector não lucrativo.
Por esse motivo, o PSD e o CDS-PP comprometeram-se, no seu programa eleitoral para
as eleições legislativas de 2025, a aumentar esta consignação de 1% para 1,5% até ao
final da legislatura, como forma de reforçar a capacidade financeira das IPSS e , ao
mesmo tempo, aumentar a liberdade dos cidadãos de apoiarem as instituições da sua
escolha.
Esta medida permitirá reforçar de forma sustentada a capacidade de intervenção das
entidades do se ctor social e solidário, assegurando maior estabilidade financeira,
previsibilidade orçamental e autonomia institucional, sem acarretar qualquer encargo
adicional para os contribuintes nem comprometer o equilíbrio das finanças públicas.
Nestes termos, Portugal poderá passar de um regime de consignação residual de 0,5%
para um modelo que triplica para 1,5% o apoio fiscal ao se ctor social, reforçando de
forma inédita a autonomia e sustentabilidade das entidades do terceiro sector.
Palácio de São Bento, 1249-068 Lisboa | gabinete@cds.parlamento.pt | (+351) 213 917 587
Ao ampliar-se a margem de decisão dos cidadãos quanto ao destino de uma parcela
dos seus impostos, promove -se simultaneamente uma cidadania fiscal mais a ctiva, o
reforço da participação cívica e a valoriz ação da sociedade civil organizada enquanto
agente essencial na prossecução do interesse público.
A presente iniciativa consubstancia, assim, um compromisso claro, coerente e
responsável com o fortalecimento do se ctor social e solidário, reconhecendo -o como
parceiro indispensável do Estado na promoção do bem-estar colectivo e na construção
de um modelo de desenvolvimento mais humano, inclusivo, sustentável e socialmente
equilibrado.
Nestes termos, o Grupo Parlamentar do CDS -PP , ao abrigo das disposições
constitucionais e regimentais aplicáveis, propõe que a Assembleia da República
recomende ao Governo que aumente a consignação do IRS de 1% para 1,5%, logo que
as condições financeiras do País o permitam.
Abrir texto oficial