Documento integral
Projeto de Resolução n.º 575/XVII/1ª
Recomenda ao Governo a adoção de medidas que reforcem a resiliência da população
e a melhoria da comunicação da proteção civil em eventos meteorológicos extremos
Exposição de motivos
Recentemente, o país ficou devastado pelo conjunto de tempestades , de intempérie,
fenómenos que os meteorologistas descrevem como “comboio de tempestades”1, com
uma intensidade inédita, que foram sucedendo ao longo destas úlƟmas semanas, tendo
várias repercussões um pouco por todo o país.
Estes fenómenos suscitaram condições climatéricas adversas, desde ventos fortes acima
dos 200 km/h, chuva intensa e inundações, que desencadearam 13.388 ocorrências 2.
Sabe-se que as condições foram desastrosas, inúmeras pessoas ficaram sem água, sem
eletricidade, viram as suas habitações e empresas destruídas, acrescentando-se o corte
de estradas, inundações e o isolamento de várias localidades, no qual acarretaram
milhões de euros em prejuízos e perdas de vidas humanas.
O impacto destruƟvo destes fenómenos na generalidade do país, tornou-se um reflexo da
vulnerabilidade a que Portugal está sujeito. A ausência de preparação dificultou a
existência de respostas coordenadas, bem como o comportamento a adotar por parte da
população e a miƟgação dos danos causados.
Perante um cenário de destruição, a nece ssidade de preparação e adaptação torna-se
cada vez mais urgente, sobretudo pelo impacto que estes fenómenos têm nas pessoas,
nos seus meios de subsistência, nas infraestruturas essenciais, tal como nos seus animais.
Exige-se assim, que a vulnerabilidade existente seja combaƟda, afastando a lógica do
improviso e apostando na prevenção e em respostas concretas.
1 Afinal, o que é um "comboio de tempestades"? - SIC Noơcias
2 Proteção Civil coloca "precipitação intensa" como maior preocupação - SIC Noơcias
Ora, aresiliência por parte da população perante situações de emergência é fundamental,
para que possam preparar-se para futuros fenómenos, e consigam superar as dificuldades
de forma mais eficiente e atenuar os danos.
Neste senƟdo, uma medida fundamental, consiste na disseminação de informações sobre
kits de emergência e comportamentos a adotar em fenómenos meteorológicos extremos.
Este aspeto é crucial sobretudo porque visa garanƟr que as famílias disponham da
autonomia necessária durante alguns dias, caso existam dificuldades no acesso a bens e
apoio imediato. Além disso, permite que a população evite a adoção de comportamentos
de risco, que possam ser fatais.
Por exemplo, o Reino da Suécia, através da distribuição de panfletos, divulgou
informações à população sobre bens essenciais, nomeadamente, medicação, enlatados,
barras energéƟcas e comprimidos de iodo, 3 permiƟndo que os cidadãos pudessem
enfrentar uma situação de guerra ou de crise.
Importa ainda considerar outro aspeto, como a adoção do teletrabalho, uma medida
recomendada pelo comandante da Liga dos Bombeiros, Marcos MarƟns4. Ninguém deve
ser obrigado a enfrentar uma situação de risco iminente, pondo em risco a suasegurança
e a sua própria vida, quando existe previsão de eventos extremos. Esta medida é crucial
não só para a segurança dos trabalhadores, reduzindo a sua exposição a perigos, como
também, para assegurar a conƟnuidade do trabalho das empresas e serviços essenciais.
A par disso , não podemos descurar a melhoria das comunicações da proteção civil. É
imperaƟvo que a população receba alertas antecipados, dirigidos e adaptados às pessoas,
tendo em consideração o grau de iliteracia atual sobre esta matéria e a existência de uma
população maioritariamente envelhecida.
Assim, nos termos constitucionais e regimentais aplicáveis, os Deputados do Grupo
Parlamentar do CHEGA, recomendam ao Governo que:
3 Países nórdicos distribuem panfletos para preparar para “guerras ou crises inesperadas” - Renascença
4 Condução defensiva, teletrabalho e nunca atravessar inundações: as recomendações das autoridades - SIC
Noơcias
1- Reforce a resiliência da população em situações de emergência, através da
disseminação de informações sobre kits de emergência , comportamentos a
adotar em fenómenos meteorológicos extremos e a promoção da adoção de
teletrabalho quando possível;
2- OƟmize a comunicação da proteção civil em eventos meteorológicos extremos,
através de alertas antecipados, dirigidos e adaptados à população , tendo em
consideração o grau de iliteracia atual sobre esta matéria e a existência de uma
população maioritariamente envelhecida.
Palácio de São Bento, 12 de fevereiro de 2026
Os Deputados do Grupo Parlamentar do CHEGA,
Abrir texto oficial