Documento integral
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PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 351/XVII/1.ª
Recomenda ao Governo a valorização das tarefas educativas dos
assistentes técnicos e assistentes operacionais das escolas
Exposição de Motivos
A valorização dos recursos humanos que asseguram o funcionamento e a
qualidade do sistema educativo tem sido uma prioridade assumida pelo Governo
Constitucional apoiado pelo Partido Social Democrata, nomeadamente nos XXIV
e XXV Governos. Esta orientação está expressa no Programa do XXV Governo
Constitucional, que define como linha estratégica a valorização do pessoal
docente e não docente e a promoção de uma organização escolar centrada nos
alunos e nas comunidades educativas.
A concretização do processo de descentralização de competências, previsto na
Lei n.º 50/2018, de 16 de agosto, e operacionalizado pelo Decreto -Lei n.º
21/2019, de 30 de janeiro, transferiu para os municípios responsabilidades
fundamentais no domínio da educação, nomeadamente o recruta mento, a
seleção e a gestão do pessoal não docente das carreiras de assistente
operacional e assistente técnico. Este modelo pode permitir aproximar a gestão
dos recursos educativos das realidades locais, promovendo soluções mais
adaptadas às necessidades das escolas e dos seus alunos. Para isso, no
entanto, é necessário garantir que esta reforma é bem estruturada,
acompanhada dos recursos n ecessários para garantir a execução e
responsabilização das partes envolvidas.
Reconhecendo a complexidade desta reforma, o Governo está a proceder a uma
clarificação das competências entre os diferentes níveis da Administração,
envolvendo o Ministério da Educação, Ciência e Inovação, a Secretaria de
Estado da Administração Pública, a Secretaria de Estado da Administração Local
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e Ordenamento do Território e a Associação Nacional de Municípios
Portugueses, numa abordagem de diálogo e corresponsabilização institucional.
No plano da ação governativa concreta, já em fevereiro passado, destaca-se o
reforço de 221 assistentes operacionais na educação pré -escolar, acrescido de
uma bolsa de 5 profissionais, para dar resposta a crianças sinalizadas ou
recentemente integradas no sistema educativo, o que demonstra o compromisso
com a resposta rápida e eficaz às necessidades das famílias.
Paralelamente, o Governo assumiu uma responsabilidade política clara na
integração dos Técnicos Especializados para Outras Funções (T EOF),
respondendo a uma situação de instabilidade que se arrastava há anos. Com a
aprovação do Decreto -Lei n.º 51/2024, foi criado um regime excecional que
permitirá a vinculação aos quadros de 1.406 profissionais, dos quais 830
psicólogos e 576 técnicos e specializados como terapeutas da fala, assistentes
sociais e técnicos de informática. Esta medida não apenas garante estabilidade
aos profissionais e às escolas, como constitui um reforço estrutural dos apoios
especializados aos alunos, consagrando um novo paradigma de integração de
competências nas escolas públicas.
A este reforço soma-se a redução do rácio de alunos por psicólogo escolar, que
passará de 1 por 1.472 alunos para 1 por 711, aproximando Portugal das boas
práticas europeias e respondendo às ne cessidades crescentes de apoio
psicossocial nas escolas.
Adicionalmente, o Acordo Plurianual de Valorização dos Trabalhadores da
Administração Pública 2025 -2028, assinado a 6 de novembro de 2024 com os
sindicatos da Administração Pública, prevê o início, j á em 2026, da análise e
avaliação das carreiras, incluindo os conteúdos funcionais do pessoal não
docente com vista à densificação e especialização, reconhecendo, finalmente, o
papel educativo e social que estes profissionais desempenham no quotidiano
escolar.
Todos estes avanços, liderados pelo atual Governo, demonstram uma visão
reformista, responsável e comprometida com o futuro da educação em Portugal.
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Contudo, é necessário consolidar e aprofundar este caminho, assegurando que
a articulação entre a admi nistração central, regional e local funcione de forma
eficaz e que o pessoal não docente com funções educativas seja reconhecido e
valorizado como parte integrante do processo educativo.É no âmbito da reforma
já em curso que o Grupo Parlamentar do Partido Social Democrata recomenda
ao XXV Governo Constitucional a melhoria da transferência das competências,
aprofundando a responsabilidade de todas as partes envolvidas.
Neste sentido, e ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais
aplicáveis, os/as Deputados/as do Grupos Parlamentar do PSD, abaixo -
assinados, propõem que a Assembleia da República recomende ao Governo as
seguintes medidas:
1. Aperfeiçoe o modelo de transferência de competências para as autarquias
no domínio da educação, assegurando uma articulação eficaz e
estratégica com os agrupamentos de escolas e escolas não agrupadas, e
atribuindo às Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional
(CCDR) responsabilidades reforçadas no planeamento da rede escolar,
da oferta formativa do ens ino profissional e na coordenação dos
investimentos em infraestruturas educativas, promovendo maior coesão
territorial e equidade.
2. Promova uma reforma na organização das atividades educativas não
letivas, reconhecendo o papel educativo do pessoal não docen te e
valorizando as suas funções através da definição de um perfil funcional
mais diversificado, do reforço da dignificação das carreiras e da
dinamização de atividades socioeducativas integradas nos projetos
pedagógicos. Contribuindo para uma escola mais inclusiva, participativa
e centrada nos alunos, envolvendo, no processo, entidades relevantes de
caráter consultivo das questões de educação, nomeadamente o Conselho
Nacional de Educação.
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Palácio de São Bento, 10 de outubro de 2025
As/Os Deputadas/os do GP/PSD,
Hugo Soares
Pedro Alves
Célia Freire
Inês Barroso
Ana Gabriela Cabilhas
Ana Isabel Ferreira
Ana Silveira
Bruno Faria
Carolina Marques
Andreia Neto
Carla Barros
Emídio Guerreiro
Germana Rocha
João Pedro Louro
Joaquim Barbosa
Manuela Carvalho
Sónia dos Reis
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