Documento integral
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Projeto de Resolução n.º660/XVII/1.ª
Recomenda ao Governo a reposição urgente da oferta ferroviária e a adoção de medidas
de mitigação na Linha da Beira Baixa
Exposição de Motivos
A Linha da Beira Baixa constitui uma infraestrutura ferroviária estruturante para a
mobilidade das populações da Beira Interior, assegurando a ligação entre diversos
concelhos do interior do país e desempenhando um papel essencial na promoção da
coesão territorial, no acesso a serviços públicos e na dinamização económica regional.
Na sequência das recentes intempéries que afetaram o território nacional, verificou-se a
interrupção prolongada da circulação ferroviária em troços desta linha, situação que tem
provocado constrangimentos severos à mobilidade das populações, c onforme foi
inclusivamente denunciado pela Associação Move Beiras.1
Apesar de parte significativa do troço entre Castelo Branco e Guarda se encontrar
operacional, a circulação ferroviária encontra-se atualmente limitada ao serviço Regional,
tendo-se registado uma redução substancial da oferta ferroviária. Em particular, notroço
Covilhã – Guarda, a oferta diária foi reduzida de dez para quatro comboios,
comprometendo as deslocações essenciais, como os acessos a cuidados de saúde, ensino
e para as entidades empregadoras.
A tudo isto acresce que a reparação da via ferroviáriajunto ao rio Tejo poderá prolongar-
se por várias semanas, agravando o isolamento de um território já marcado p ela
insuficiente cobertura de transportes públicos.
Paralelamente, i mporta ainda salientar que a Linha da Beira Baixa ficou excluída dos
investimentos previstos no Plano Ferroviário Nacional, circunstância que reforça a
1 https://sapo.pt/artigo/interrupcao-da-linha-da-beira-baixa-motiva-preocupacao-e-apelo-da-move-beiras-
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perceção de desinvestimento continuado numa região onde o transporte ferroviário
assume particular relevância no combate às assimetrias territoriais.
Assim, e como é evidente, a manutenção de níveis mínimos de serviço ferroviário
constitui não apenas uma questão operacional, mas um imperativo de equidade
territorial e de garantia do direito à mobilidade das populações do interior.
Torna-se, portanto, necessário assegurar medidas tran sitórias eficazes que mitiguem os
impactos da interrupção em curso, garantindo alternativas de transporte adequadas até
à reposição integral da circulação ferroviária.
Assim, ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, os Deputados
do Grupo Parlamentar do CHEGA recomendam ao Governo que:
1. Proceda à reposição urgente da oferta ferroviária na Linha da Beira Baixa,
assegurando, sempre que tecnicamente possível, a circulação de serviços
Intercidades no troço Castelo Branco – Guarda.
2. Adopte medidas de mitigação imediatas que garantam alternativas eficazes de
mobilidade às populações afetadas, designadamente através da articulação entre
transporte ferroviário e serviço rodoviário de substituição.
3. Avalie a extensão dessas soluções ao troço Castelo Branco – Vila Velha de Ródão,
atualmente sem serviço ferroviário, assegurando a continuidade das ligações até
Abrantes.
4. Promova a reposição do prolongamento do serviço Intercidades da Linha da Beira
Alta até à Covilhã, suprimido em 2022.
5. Reavalie o enquadramento da Linha da Beira Baixa no âmbito do Plano Ferroviário
Nacional, garantindo a sua inclusão futura enquanto eixo estruturante da coesão
territorial da Beira Interior.
Palácio de São Bento, 3 de março de 2026
Os Deputados do Grupo Parlamentar do CHEGA
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