Documento integral
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Projeto de Resolução n.º 707/XVI/1ª
Recomenda ao Governo a adoção de medidas urgentes de combate à criminalidade e de
proteção de moradores e comerciantes na cidade do Porto
Exposição de Motivos
A cidade do Porto continua mergulhada num grande clima de insegurança. A onda de
criminalidade, nas suas mais variadas manifestações (furtos a estabelecimentos
comerciais, assaltos a viaturas, vandalismo, etc.) continua a fazer parte do quotidiano de
quem vive, trabalha e investe na cidade. Trata-se, aliás, de uma tendência em crescendo
nos últimos anos. Em 2022 e 2023 era já sobejamente conhecida a dramática situação
que se vivia nos bairros da Pasteleira Nova e Pinheiro Torres. A insegu rança, provocada
pelo tráfico e consumo de drogas, era, e continua a ser, uma constante que martiriza a
vida dos seus moradores e comerciantes . Apesar de todas as denúncias e apelos, do
cidadão comum ao então Presidente da Câmara e às autoridades em geral, esta
problemática continua sem solução à vista.
Em 2024, o Relatório da Procuradoria -Geral Regional do Porto indicava um aumento
significativo da criminalidade organizada e dos crimes contra os agentes de autoridade,
acompanhado, em simultâneo, de um volu me de pendências processuais que
ultrapassava os 101.000 inquéritos, confirmando assim que o sistema judicial não
conseguia acompanhar o ritmo total das ocorrências.1
Nos últimos dias, um caso mediático 2 veio confirmar o clima de insegurança vivido um
pouco por toda a cidade. Na zona do Pinheiro Manso, na freguesia de Ramalde, um café,
com 45 anos de atividade, somava mais de duas dezenas de assaltos nos últimos seis
anos! O mais recente destes assaltos, ocorrido a 3 de março e captado por câmaras de
videovigilância, envolveu dois indivíduos que partiram a porta de vidro e tentaram levar
a caixa registadora, fugindo apenas quando detetados por moradores.
1 Criminalidade organizada aumentou em 2024 na área da Procuradoria-Geral do Porto
2 Onda de assaltos preocupa moradores do Pinheiro Manso: café assaltado mais de 30 vezes em seis anos
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Mas este problema de insegurança não se circunscreve a esta zona. Todos os
comerciantes das imediações têm sido igualmente visados, enquanto se multiplicam um
pouco por toda a cidade, os furtos a viaturas e o roubo de materiais tão diversos quanto
tampas de saneamento e grelhas de sarjetas.
Contudo, e sta si tuação em Ramalde não é, como já foi referido , um fenómeno nem
recente nem isolado. O Grupo Parlamentar do CHEGA tem vindo a alertar , exigir e a
propor soluções para os problemas de segurança na cidade do Porto. Em março de 2023
e dezembro de 2024 , apresen tamos os Projetos de Resolução n.º 573/XV/1ª e n.º
505/XVI/1.ª respetivamente, que visavam precisamente a problemática dos bairros da
Pasteleira Nova e Pinheiro Torres, assim como à vaga de insegurança na zona do Campo
24 de Agosto.
No mesmo sentido, a Associação Comercial do Porto tem vindo a alertar que esta
escalada de criminalidade, para além de colocar em risco a integridade física e
patrimonial dos cidadãos, ameaça provocar danos reputacionais graves à cidade, com
consequências diretas para o comér cio e o turismo. Em janeiro de 2026, a própria
ministra da Administração Interna reconheceu, perante a Assembleia da República, a
preocupação com os dados relativos à criminalidade nas grandes metrópoles.3
As causas desta realidade são sobejamente conhecidas e, em larga medida, de natureza
estrutural. A insuficiência crónica de efetivos policiais impede um patrulhamento regular
e eficaz das zonas mais vulneráveis. Só em Ramalde, segunda freguesia mais populosa do
concelho do Porto (com mais de 38.000 habita ntes), já existiram três esquadras da PSP,
restando hoje apenas a Esquadra do Viso, manifestamente incapaz de assegurar a
cobertura de todo o território. Paralelamente, o Sindicato Nacional dos Oficiais de Polícia
alertou, em novembro de 2025, que a PSP pe rde cerca de 100 agentes por ano e que
quase 5.000 elementos aguardam condições de pré -aposentação.4 Quanto à
videovigilância, apesar de a experiência das 79 câmaras instaladas na Baixa desde 2023
3 Governo diz que crimes violentos e graves diminuíram 2,6% entre janeiro e novembro
4 Oficiais da PSP alertam para crise de efetivos e exigem medidas do Governo
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ter permitido registar mais de 3.000 imagens relativas a ocorrências criminais
(demonstrando a eficácia deste instrumento), a terceira fase do sistema, que abrangerá
Ramalde com 50 novas câmaras, foi anunciada em fevereiro de 2026, porém sem data
concreta de instalação.5
Assim, pelo exposto e ao abrigo das disposições constitucionais e regimentalmente
aplicáveis, os Deputados do Grupo Parlamentar doCHEGA recomendam ao Governo que:
1. Proceda ao reforço urgente dos efetivos da Polícia de Segurança Pública afetos ao
Comando Metropolitano do Porto, assegurando a reabertura de esquadras
encerradas nas freguesias de maior densidade populacional e a intensificação do
policiamento de proximidade nas zonas mais afetadas pela criminalidade.
2. Acelere, em articulação com a Câmara Municipal do Porto e com a Comissão
Nacional de Proteção de Dados, a conclusão e entrada em funcionamento pleno
da terceira fase do sistema de videovigilância, garantindo a sua extensão
prioritária às freguesias que registam maiores índices de criminalidade,
designadamente Ramalde.
Palácio de São Bento, 13 de março de 2026
Os Deputados do Grupo Parlamentar do CHEGA,
5 Porto reforça Polícia Municipal e alarga videovigilância a zonas universitárias e a Campanhã
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