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Representação Parlamentar
Projeto de Resolução n.º 836/XVII/1.ª
Recomenda ao Governo a convocação do Embaixador de Israel em
Lisboa para protesto formal pelos ataques realizados contra o Líbano
Exposição de motivos
O anúncio, entre a noite de 7 de abril e a madrugada de 8 de abril, de um cessar-fogo de
duas semanas entre os Estados Unidos e o Irão gerou a esperança de um fim da guerra.
No entanto, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, declarou de imediato que
o acordo não abrangia o Líbano, posição confirmada pelo próprio Presidente Trump.
Poucas horas depois, Israel lançou contra o Líbano a designada Operação Eternal
Darkness: o maior ataque coordenado desde o início da guerra, visando mais de 100 alvos
em Beirute, no Vale do Bekaa e no sul do país, matando cerca de 300 pessoas numa única
vaga de bombardeamentos.
Desde o início da guerra, o número de vítimas mortais das incursões israelitas no Líbano
já ultrapassa as 1500 pessoas. Entre as vítimas incluem-se três capacetes azuis indonésios
que foram mortos no final de março, em ações atribuídas a forças israelitas realizadas no
âmbito dos seus ataques sistemáticos às forças de manutenção da paz (Força Interina das
Nações Unidas no Líbano). Entretanto, dados do Ministério da Saúde libanês e das
agências das Nações Unidas registam 4200 feridos e mais de um milhão de pessoas
forçadas a abandonar as suas casas, entre as quais centenas de milhares de crianças em
situação de extrema vulnerabilidade.
A Operação Eternal Darkness , um ato de força completamente ilegal à luz do Direito
Internacional, executado precisamente no momento em que a diplomacia internacional
abria uma janela de oportunidade, é uma afronta deliberada à ordem jurídica
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internacional e uma demonstração de desprezo pelo sofrimento da população libanesa e
pelo princípio da resolução pacífica dos conflitos.
O papel desestabilizador das forças de Israel merece a condenação e a preocupação de
todos os democratas e defensores dos direitos humanos e da paz. Nas palavras da antiga
ministra Assunção Cristas, "o que está a acontecer no sul do Líbano é desastroso e é
inaceitável”, crítica que estende ao desrespeito do Estado de Israel pela liberdade
religiosa, ao impedir o acesso de cristãos ao Santo Sepulcro durante as celebrações da
Sexta-feira Santa.
A República Portuguesa, em nome da defesa do Direito Internacional e pugnando por um
caminho para a paz e para o respeito pelos Direitos Humanos, tem o dever de manifestar
o seu protesto junto do Estado de Israel.
Assim, ao abrigo do disposto na alínea b) do artigo 156.º da Constituição da República
Portuguesa e na alínea b) do n.º 1 do artigo 4.º do Regimento da Assembleia da República,
a Assembleia da República resolve recomendar ao Governo que:
Convoque o Embaixador de Israel em Lisboa para lhe transmitir um veemente protesto
contra a escalada militar e as operações lançadas pelo Estado de Israel em território
libanês no dia 8 de abril de 2026, à margem do Direito Internacional.
Assembleia da República, 14 de abril de 2026.
O Deputado do Bloco de Esquerda,
Fabian Figueiredo
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