Documento integral
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Projeto de Resolução n.º 845/XVII/1.ª
Recomenda ao Governo a adoção de medidas urgentes para salvaguardar a
conectividade aérea e a competitividade económica da Região Autónoma dos Açores
Exposição de motivos
A acessibilidade aérea constitui um fator estruturante para o desenvolvimento
socioeconómico das regiões ultraperiféricas e insulares, sendo particularmente
determinante na Região Autónoma dos Açores. É notório que, num território
arquipelágico, distante do continente europeu, a conectividade aérea não é apenas um
meio de mobilidade, mas é também uma condição essencial para garantir a coesão
territorial, a competitividade económica e o desenvolvimento do turismo.
Neste contexto, o encerramento das operações da companhia aérea Ryanair nas
ligações a éreas com os Açores constitui um motivo de profunda preocupação para
empresários, agentes turísticos e para a economia regional, uma vez que poderá
representar a perda de um dos principais motores de crescimento da economia
regional1.
Durante mais de uma d écada de operação, a Ryanair desempenhou um papel
determinante no acesso ao arquipélago, contribuindo para o aumento do número de
visitantes, para a diversificação dos mercados emissores e para a competitividade do
destino Açores. De acordo com dados divul gados, a operação daquela companhia
representava o transporte de mais de 100 mil turistas por ano, sendo igualmente
responsável por cerca de 10% das dormidas turísticas no arquipélago e por um impacto
económico estimado de cerca de 160 milhões de euros anuais2.
1 https://eco.sapo.pt/2026/03/27/empresarios-preocupados-com-turismo-nos-acores-saida-da-ryanair-
e-uma-perda-de-um-motor-economico/
2 Ibidem.
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Por conseguinte, não é surpresa que diversos especialistas e representantes do setor do
turismo já tenham alertado que a saída da transportadora poderá resultar numa
redução de até 200 mil a 250 mil passageiros por ano nas ligações aéreas com os Açores,
criando constrangimentos significativos na acessibilidade ao arquipélago.
Cumpre ainda acrescentar que, a diminuição da oferta aérea poderá ainda provocar
efeitos em cadeia na economia regional, nomeadamente no aumento dos preços das
viagens aéreas, redução da concorrência entre transportadoras, diminuição da procura
turística, impacto negativo na hotelaria, restauração, comércio local e atividades
económicas associadas ao turismo e perda de competitividade internacional do destino
Açores.
Pelo exposto, torna-se essencial que o Estado português acompanhe de forma próxima
a evolução desta situação e promova medidas que garantam a manutenção de uma
oferta aérea adequada e competitiva para a Região Autónoma dos Açores, avaliando os
impactos desta situação e promovendo, no âmbito das suas competências em matéria
de transportes, infraestruturas e política de mobilidade, medidas que garantam a
manutenção de uma oferta aérea suficiente e competitiva, a proteção da mobilidade
dos residentes e a sustentabilidade do setor turístico nos Açores.
Assim, nos termos constitucionais e regimentais aplicáveis, os Deputados do Grupo
Parlamentar do CHEGA recomendam ao Governo que:
1. Proceda a uma avaliação do impacto económico, turístico e social resultante da
saída da companhia aérea Ryanair da Região Autónoma dos Açores.
2. Elabore um plano estratégico para reforçar e salvaguardar a conectividade aérea
da Região Autónoma dos Açores, assegurando níveis adequados de oferta e
concorrência nas ligações aéreas.
3. Promova, em articul ação com o Governo Regional dos Açores, a realização de
negociações com companhias aéreas com vista à criação ou reforço de rotas
entre os Açores, o continente português e outros destinos europeus.
4. Análise a implementação de instrumentos de incentivo ao desenvolvimento de
rotas aéreas para regiões ultraperiféricas.
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Palácio de São Bento, 17 de Abril de 2026.
Os Deputados do Grupo Parlamentar do CHEGA.
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