Documento integral
PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS
Grupo Parlamentar
Projeto de Resolução n.º 130/XVII/1ª
Recomenda ao Governo a adoção urgente de medidas aos viticultores do Douro
Exposição de Motivos
A cada ano que passa, a situação dos pequenos viticultores na Região Demarcada do Douro
agrava-se, fruto de décadas de política de liberalização do setor da vinha na União Europeia,
nomeadamente com a Reforma da COM do Vinho e da Vinha de 2007, aprovada na Assembleia
da República por PS e PSD/CDS, e políticas de sucessivos Governos PS e PSD/CDS, políticas que
são contrárias aos interesses da vitivinicultura nacional, caso na RDD da tentativa de liquidação
da Casa do Douro.
Às dificuldades no escoamento de stocks, à venda da uva e vinho a preços muito inferiores ao
custo de produção, com valores inalterados há 25 anos, ao corte do “Benefício” e à baixa de
preços dos vinhos tratado e de mesa e às uvas que ficam por vindimar soma-se a intenção,
anunciada no passado mês de Abril, das Casas Exportadoras deixarem de comprar uvas a
centenas de viticultores como fazem habitualmente.
Simultaneamente, assiste-se à tentativa de desvalorização, por parte do Governo, do
importante e insubstituível papel que a Casa do Douro pode e deve assumir na defesa e
valorização dos pequenos e médios produtores e de toda a região.
Relativamente ao anúncio das Casas Exportadoras, o PCP questionou o Ministro da Agricultura
e Pescas, no início de maio, sobre quais as medidas que este iria tomar para minimizar as
consequências para os produtores, designadamente na quebra dos seus rendimentos. Porém, o
Governo respondeu com a mesma passividade de sempre aos problemas dos produtores e
afirmou que, apesar de ter conhecimento da situação, não tomará nenhuma medida adicional.
Sobre os restantes problemas, já em julho de 2024 o PCP apresentou um Projeto de Resolução
com um conjunto de medidas, que foram adotadas numa Resolução aprovada pela Assembleia
da República. Caso o Governo as tivesse aplicado, a atual situação não seria tão dramática, com
milhares de pequenos viticultores a registarem quebras nos seus rendimentos levando ao
abandono da produção.
A manifestação realizada, no passado dia 2 de julho, em Peso da Régua, que reuniu centenas de
viticultores do Douro, voltou a colocar na agenda a urgência de respostas em relação a um sector
e a uma região que vivem uma situação insuportável.
O PCP assume o seu compromisso com a defesa e valorização da produção nacional, e neste
caso com a produção vitícola, reconhecendo o contributo insubstituível para a economia da
2
região e do País e de preservação do património cultural e ambiental que representam as vinhas
do Douro, mantidas pelo trabalho de gerações de viticultores.
Continuaremos a apresentar medidas que vão ao encontro da resolução dos problemas destes
produtores e a denunciar a falta de vontade política dos sucessivos Governos, que beneficiam o
setor da comercialização e da grande distribuição em detrimento dos pequenos e médios
produtores.
Assim, ao abrigo das disposições legais e regimentais em vigor, os Deputados do Grupo
Parlamentar do PCP propõem que a Assembleia da República adote a seguinte:
Resolução
A Assembleia da República, nos termos do n.º 5 do artigo 166.º da Constituição da República
Portuguesa, resolve recomendar ao Governo que adote as seguintes medidas em defesa do
setor da vinha e da produção nacional de uva para vinho:
1- Garantia de que o Instituto do Vinhos do Douro e do Porto, I.P., se pronunciará com uma
posição favorável ao aumento quantitativo do Benefício em 2025 não seja inferior ao
fixado para 2024.
2- Fixação dos preços indicativos mínimos, garantindo que a compra de uvas não se fará
abaixo dos custos de produção.
3- Controlo e limitação das importações de vinho a granel, evitando mais dificuldades no
escoamento da produção nacional.
4- Garantia de que o “Benefício” é feito prioritariamente a partir da aguardente da
destilação de vinhos da Região Demarcada do Douro.
5- Garantia de que os meios necessários ao Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto para
proceder à fiscalização da entrada de mostos e vinhos obtidos fora da Região
Demarcada do Douro.
6- Criação de mecanismos de apoios extraordinários aos produtores de uva, incluindo a
consideração da destilação de emergência ou a retirada de mercado e armazenamento,
atribuindo a competência e meios para tal ao Instituto dos Vinhos do Douro e Porto e à
Casa do Douro.
7- Tomada das medidas necessárias, incluído as financeiras, para apoiar a atividade e
funcionamento da Casa do Douro neste primeiro mandato após a retoma da sua
normalidade institucional e democrática, nomeadamente recorrendo aos
3
excedentes/saldos das taxas recebidas pelo IVDP e enviadas ao Ministério das Finanças
desde 2020.
8- Intervenção no quadro da UE no sentido da reversão da Reforma da OCM da Vinha e do
Vinho de 2007, travando a liberalização do plantio da vinha, com a reposição do
instrumento dos «direitos de plantação» em todas as regiões demarcadas e a reposição
de uma informação na rotulagem que garanta a especificidade, genuinidade e qualidade
dos vinhos IGP e DOC por região demarcada.
Assembleia da República, 3 de julho de 2025
Os Deputados,
Alfredo Maia, Paula Santos, Paulo Raimundo
Abrir texto oficial