Documento integral
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Projecto de Resolução n.º 262/XVII/1ª
Recomenda ao Governo que restabeleça o fornecimento comercial de armamentos a
Israel, abandone o embargo vigente e se exima de actos inamistosos contra Telavive
Exposição de motivos
A política externa de Portugal deve pautar-se pela intransigente defesa do interesse nacional,
pela solidariedade entre democracias e pela promoção de uma ordem internacional
alicerçada no direito. Num contexto de conflito latente entre democracias e autoc racias,
marcado pela multiplicação de focos de tensão e ameaças à segurança global, Portugal não
pode permitir-se gestos de hostilidade com Estados democráticos que, cercados pelas forças
do obscurantismo e do terror, representam a vanguarda do Ocidente em regiões hostis. É,
pois, incompreensível que o Governo português mantenha desde Junho de 2024 um embargo
de facto à exportação de armamentos e materiais de duplo uso para Israel, a que se
acrescenta a proibição do seu transporte por cargueiros de pavilhão português ou aeronaves
registadas em Portugal, assim como do cruzamento de território nacional, incluindo do
espaço aéreo ou de águas territoriais, para esse efeito. Mais do que desajustada, a decisão
do governo da Aliança Democrática é contraproducente - económica e diplomaticamente.
O embargo contrasta com o período entre Outubro de 2023 e Março de 2024, quando as
exportações de armamentos para Israel atingiram mais de um milhão de euros.1 O contributo
para a indústria nacional de defesa foi, pois, sign ificativo. A suspensão destas exportações,
por sua vez, não só fragiliza a relação com um parceiro crucial como prejudica um sector
económico cuja centralidade estratégica só tem vindo a fortalecer -se nos últimos anos. A
política irreflectida do actual gov erno, instigada pelo Ministro de Estado e dos Negócios
Estrangeiros Paulo Rangel, sabota sem motivo aparente de interesse nacional parcerias
promissoras com uma potência militar de primeiro plano que pode, pelo investimento e a
transferência de tecnologias, apoiar relevantemente o nosso sector militar-industrial.
1https://paginaum.pt/2024/05/10/portugal-ja-exporta-mais-armamento-para-israel-do-que-a-alemanha
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Ora, Israel é um baluarte democrático no Médio Oriente, enfrenta ameaças permanentes da
parte de grupos terroristas como o Hamas e o Hezbollah e, ainda, de regimes autoritários que
negam o seu dir eito a existir como Estado soberano. Num contexto em que a coesão na
família das democracias surge como essencial para contrabalançar o avanço das autocracias,
o embargo em vigor constitui um gesto gratuitamente inamistoso e míope.
A posição de Portugal d eve, ainda, considerar os precedentes estabelecidos por outros
Estados europeus e ocidentais. Países como os Estados Unidos, o Reino Unido e a Alemanha
mantêm uma cooperação militar activa com Israel, a quem prestaram apoio crucial na recente
conflagração com a República Islâmica do Irão. A decisão de impor um embargo unilateral
coloca Portugal à margem da prática maioritária no espaço ocidental. Este isolamento é tanto
mais injustificável quanto o embargo não contribui para a resolução do conflito israelo -
palestiniano, servindo, antes, para enfraquecer um aliado que enfrenta ameaças concretas à
sua segurança e interesses.
Do ponto de vista moral e estratégico, assim, o embargo é insustentável. Israel enfrenta
desafios que vão além de disputas territoriais, incluindo a conduta belicosa de actores
regionais malignos que praticam ou apoiam o terrorismo, no Médio Oriente e no resto do
globo. A recusa de Lisboa em fazer parte do esforço de defesa de uma democracia aliada,
numa circunstância em que este enfrenta l uta pela sobrevivência e pela segurança das suas
populações civis, contraria o espírito de solidariedade que deve pautar as relações entre
nações que partilham, como acontece entre Portugal e Israel, valores fundamentais.
Pelo contrário, a preservação do embargo representaria um erro que prejudica tanto a
amizade luso-israelita como os interesses reais das nossas empresas de defesa, muitas das
quais são de vanguarda, constituem factor de soberania tecnológica e industrial, geram
riqueza e garantem emprego qualificado com capitais e centros de decisão portugueses. O
corte imediato com esta política insensata e servil, por sua vez, abriria caminho ao reforço de
laços com Israel, promoveria o desenvolvimento da indústria portuguesa de defesa e alinharia
Portugal com uma das causas mais importantes do actual momento geopolítico: a da defesa
colectiva do Ocidente.
Assim, diante dos motivos expostos e ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais
aplicáveis, os Deputados do Grupo Parlamentar do CHEGA, recomendam ao Governo que:
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1. Coloque fim imediato ao embargo actualmente imposto por Portugal ao Estado de
Israel em matéria de fornecimento de armamentos e equipamentos de ‘duplo uso’,
defendendo a indústria de defesa nacional, privilegiando a economia port uguesa e
salvaguardando a relação entre Lisboa e Telavive.
2. Abandone prontamente a política de proibição de acesso a território nacional por
embarcações ou aeronaves que transportem armamentos ou outros materiais de
utilidade militar para Israel.
Palácio de São Bento, 8 de Setembro de 2025
Os deputados do Grupo Parlamentar do CHEGA,
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