PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Resolução n.º 4/XVII/1.ª
A floresta ocupa um terço do território nacional e constitui um ativo estratégico para o
desenvolvimento nacional, representando 1,4% do PIB e 1,5% do emprego, para a
sustentabilidade ambiental e para a coesão territorial. Contudo, enfrenta constrangimentos
que comprometem o seu futuro e exigem uma ação estruturada e urgente. Os incêndios
rurais, intensificados pelas alterações climáticas e pelo abandono da gestão do território, têm
causado perdas significativas, agravadas pela proliferação de espécies invasoras, pragas e
doenças florestais. Estes problemas, aliados à fragmentação da propriedade rústica, em
grande parte do país, criam barreiras à eficiência e sustentabilidade da gestão florestal. A
floresta é essencial para a qualidade do ar e da água, o sequestro de carbono e a preservação
da biodiversidade. A proteção e a valorização da floresta são imperativas para responder aos
compromissos climáticos internacionais e para fortalecer a resiliência dos territórios face às
adversidades ambientais e socioeconómicas.
Através da Resolução do Conselho de Ministros n.º 130-B/2024, de 27 de setembro, foi
mandatado o membro do Governo responsável pela área governativa da agricultura para, em
articulação com os membros do Governo responsáveis pelas áreas governativas da coesão
territorial, da justiça e do ambiente, apresentar um plano de intervenção para a floresta.
Este plano foi apresentado no dia 21 de março de 2025, prevendo a calendarização, o
diagnóstico, uma estratégia de intervenção, os investimentos necessários, as metas e
respetivos indicadores de monitorização, e outras medidas que facilitam o correto
ordenamento da floresta e o seu emparcelamento e removem obstáculos de natureza jurídica.
O plano resultou dos contributos de especialistas na área florestal e da auscultação das
entidades e associações representativas do setor, surgindo como um compromisso político
para potenciar o valor da floresta, garantir retorno económico aos produtores e comunidades
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e promover um território mais seguro, organizado e produtivo, em alinhamento com as
metas nacionais de coesão, descarbonização e sustentabilidade. Deste compromisso, destaca-
se a prioridade dada a práticas sustentáveis de gestão ativa, que alinham a prevenção do risco
de incêndio à valorização dos sistemas produtivos e resiliência do território, tais como a
pastorícia extensiva e o fogo controlado.
Estão em execução mais de três dezenas de ações dos quatro pilares, destacando-se, entre
outras: i) definição do plano de recuperação de infraestruturas danificadas ou destruídas nas
áreas ardidas em 2024/2025; ii) criação do programa Floresta Ativa (apoio direto e
simplificado à gestão florestal); iii) reforço das equipas do grupo de trabalho de investigação
do crime de incêndios rurais; iv) criação de programa para redução de carga combustível com
recurso ao pastoreio extensivo e atividades conexas; v) aquisição de equipamentos para
reforço da capacidade de intervenção das Autarquias, das Comunidades Intermunicipais e
das Organizações de Produtores Florestais, na gestão de combustíveis e beneficiação e
manutenção de rede viária florestal; vi) criação de apoios às empresas para renovação de
equipamentos dedicados a atividades de exploração e gestão florestal; vii) promoção de
formação avançada e cursos especializados para reforço das competências técnicas dos
profissionais do setor; viii) renovação do equipamento moto-manual das Equipas de
Sapadores Florestais.
A operacionalização das medidas previstas no plano contará com o envolvimento reforçado
da FlorestGal, S. A., enquanto entidade do setor público empresarial dedicada à execução de
políticas públicas para o ordenamento, gestão e valorização do território florestal, a qual
assumirá um papel destacado na concretização das ações prioritárias definidas.
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Assim:
Nos termos da alínea d) do n.º 1 do artigo 197.º da Constituição, o Governo apresenta à
Assembleia da Républica a seguinte proposta de resolução, com pedido de prioridade e
urgência:
1 - Aprovar o Plano «Floresta 2050, Futuro + Verde» (FLORESTA 2050), em anexo à
presente proposta de resolução e da qual faz parte integrante.
2 - Estabelecer que o Plano FLORESTA 2050 assenta em quatro pilares estratégicos:
a) Valorização;
b) Resiliência;
c) Propriedade;
d) Governança.
3 - Recomendar que o Governo adote as medidas legislativas e regulamentares necessárias
até ao final do ano de 2026, incluindo a promoção das alterações legislativas previstas
no Pilar da Propriedade.
4 - Recomendar que o financiamento do Plano FLORESTA 2050 seja assegurado através
de fontes de financiamento nacionais e europeias, em função da sua elegibilidade e da
natureza dos investimentos, nomeadamente o Plano de Recuperação e Resiliência, o
Plano Estratégico da Política Agrícola Comum, o Fundo Ambiental, o Orçamento do
Estado e instrumentos financeiros.
5 - Determinar que o Plano FLORESTA 2050 é aplicável ao território continental.
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Visto e aprovado em Conselho de Ministros de 21 de agosto de 2025
O Primeiro-Ministro
O Ministro dos Assuntos Parlamentares
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ANEXO
(a que se refere o n.º 1)
«Floresta 2050 Futuro+Verde», o plano de intervenção para a floresta 2025-2050
Enquadramento
A floresta portuguesa é um dos ativos estratégicos mais valiosos do País, desempenhando
um papel central na economia, no equilíbrio ambiental e na coesão territorial. Contudo,
enfrenta constrangimentos estruturais e conjunturais significativos, tais como os incêndios
rurais, as pragas e doenças florestais, a proliferação de espécies invasoras, as alterações
climáticas, a fragmentação da propriedade e a necessidade de uma gestão mais eficiente, que
exigem uma resposta estruturada e determinada.
O Plano «Floresta 2050, Futuro + Verde» (FLORESTA 2050) surge como resposta a esses
constrangimentos. Construído com o contributo de especialistas, de entidades do setor e de
diferentes áreas governativas, define um caminho claro para o futuro da floresta nacional.
Assente em quatro pilares estratégicos e num conjunto de medidas emblemáticas, visa
reforçar a resiliência da paisagem, garantir um retorno económico justo para os proprietários,
simplificar os procedimentos da gestão florestal e promover um território mais seguro e
sustentável.
Com uma visão de longo prazo – até 2050 – e uma abordagem intergeracional, o Plano
FLORESTA 2050 representa um compromisso político firme com a valorização da floresta,
apostando num modelo de gestão que protege os recursos naturais, que estimula o
investimento e que reforça a capacidade de resposta aos desafios emergentes.
A implementação das medidas previstas no presente Plano será acompanhada, garantindo a
sua monitorização e atualização sempre que necessário, para responder à evolução das
dinâmicas socioeconómicas, ambientais e territoriais, e aos desafios futuros.
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Ao lançar este Plano, o País assume o compromisso de agir com determinação para que a
floresta portuguesa seja menos vulnerável, mais produtiva e melhor gerida, garantindo que
continua a ser uma riqueza nacional para as gerações futuras.
Os principais objetivos são:
1. Potenciar o valor económico, ambiental e social da floresta, através da maximização do
rendimento dos proprietários, do incentivo à gestão florestal sustentável e do aumento da
eficiência produtiva.
2. Promover uma gestão administrativa acessível e eficiente, eliminando entraves
burocráticos e facilitando o acesso a serviços, ferramentas e incentivos que apoiem os
agentes do setor florestal.
3. Garantir a segurança e a sustentabilidade dos territórios, reforçando a prevenção e
mitigação de riscos, nomeadamente, de incêndio rural, de pragas e doenças florestais e de
espécies invasoras.
4. Resolver desafios estruturais e administrativos associados à fragmentação da propriedade
rústica, promovendo um modelo de gestão eficiente, sustentável e alinhado com as
necessidades dos proprietários e do território.
5. Potenciar um Pacto Nacional para a Floresta, garantindo sustentabilidade económica,
ambiental e social.
Processo participativo
A elaboração do FLORESTA 2050 teve por base um intenso processo participativo,
dinamizado pelo Gabinete da Secretaria de Estado das Florestas. As medidas e ações
apresentadas neste documento resultam da integração e conjugação dos contributos
transmitidos pelos agentes do setor e das reuniões com equipas de especialistas e com
responsáveis das diferentes áreas governativas.
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Principais desafios identificados
1. Promover a agregação funcional e/ou estrutural de propriedades.
2. Estimular a gestão ativa à escala da paisagem.
3. Potenciar a produção de bens e serviços da floresta e o aumento dos rendimentos diretos
e indiretos dos produtores e demais agentes das fileiras.
4. Fomentar a transparência e o fortalecimento dos mercados e estimular a diminuição da
dependência externa de matéria-prima.
5. Incentivar a criação de estratégias e acordos setoriais, entre o Estado, os Produtores
Florestais e a Indústria.
6. Estimular o setor, nomeadamente, a indústria de base florestal, a expandir a sua atividade
a novos produtos de maior valor acrescentado.
7. Desenvolver um sistema integrado e simplificado de incentivos e apoios ao setor florestal.
8. Potenciar a coesão territorial, através da promoção e valorização da floresta e atividades
associadas.
9. Fomentar correções ao atual enquadramento jurídico associado à propriedade rústica.
10.Desenvolver modelos de incentivos e benefícios fiscais que promovam a gestão ativa dos
espaços florestais.
11.Otimizar o modelo de governança do setor florestal e promover a constante
monitorização das políticas setoriais.
12.Impulsionar a atratividade profissional do setor apostando na capacitação.
13.Implementar Programas de prevenção e controlo de pragas e doenças florestais, e de
espécies invasoras lenhosas e não lenhosas.
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A organização do Plano faz-se em 4 pilares estratégicos (Valorização, Resiliência,
Propriedade e Governança), que enquadram 19 medidas, que por sua vez são
operacionalizadas e concretizadas por 150 ações que, na sua maioria, tem início no curto e
médio prazo, ou seja até 2028.
O valor global das ações apresentadas para o Plano «Floresta 2050» ascende a 6500M€,
correspondendo aproximadamente a 250M€ por ano. Para o período de 2026-2030, prevê-
se um maior esforço na concretização dessas ações, com cerca de 400M€ por ano.
Descrição dos pilares, respetivas medidas e iniciativas/ações:
1. Valorização
Objetivo: Potenciar o valor económico, ambiental e social da floresta, através da
maximização do rendimento dos proprietários, do incentivo à gestão florestal sustentável e
do aumento da eficiência produtiva.
1.1. Implementação de apoios e incentivos à gestão florestal e estímulo ao aumento
da produtividade e da rentabilidade da floresta
Enquadramento:
Embora o setor florestal nacional seja um distinto contribuinte para a criação de riqueza do
País, reconhece-se na generalidade das suas fileiras um subaproveitamento do potencial
produtivo. Nos últimos anos, esta situação, tem vindo a ser acompanhada, por um crescente
e perigoso agravamento da escassez de matérias-primas florestais, face às capacidades
instaladas. Este déficit, até agora superado com recurso à importação de matérias-primas,
pode e deve ser minimizado e/ou ultrapassado através de medidas que potenciem a produção
nacional. Entende-se assim necessário apoiar e incentivar a gestão florestal e o aumento da
produtividade e da rentabilidade da floresta nacional, através da (i) promoção da gestão
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profissional e ativa, que maximize o aproveitamento das potencialidades do solo e das
espécies utilizadas; (ii) diversificação de atividades nas explorações florestais e introdução de
técnicas de produção/exploração adequadas e inovadoras; (iii) disponibilização de apoio e
assistência técnica/serviços especializados orientados para as necessidades específicas de
cada propriedade.
Objetivos:
Aumentar a gestão florestal, a produção e a rentabilidade da floresta nacional.
Principais resultados esperados:
Maior e melhores apoios e incentivos à gestão florestal.
Aumento da produtividade média nacional.
Redução de importação de matérias-primas florestais lenhosas.
Aumento da rentabilidade da produção florestal.
Principais obstáculos/ Riscos identificados:
Morosidade na obtenção de resultados.
Necessidade de manutenção dos apoios ao longo do tempo.
Ausência de conhecimento sobre a propriedade e/ou sobre os proprietários em
grande parte do território nacional
Iniciativas/Ações:
1.1.1. Criar o projeto Floresta Ativa - Projeto para apoio direto e simplificado à gestão
florestal.
1.1.2. Rever o conceito de «Biomassa Florestal Residual» e identificar e analisar modelos de
valorização de biomassa florestal (compostagem, valorização energética, incorporação
em painéis, química fina, biomateriais ou simbioses industriais, por exemplo).
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1.1.3. Aumentar a produção nacional de plantas melhoradas, mais produtivas, mais
resistentes a pragas e doenças, e resilientes aos potenciais efeitos das alterações
climáticas.
1.1.4. Promover a gestão florestal sustentável.
1.1.5. Fortalecer a rede de atendimento para apoio e aconselhamento técnico ao produtor
florestal e proprietário florestal.
1.1.6. Potenciar a crescente utilização de madeira e de outros produtos de base florestal no
setor da construção, em particular na Estratégia Nacional de Habitação.
1.1.7. Definir e dinamizar uma estratégia de promoção de novos aproveitamentos, novos
mercados, e potenciar a incorporação de maior quantidade de produtos de base
florestal, em diferentes setores da economia.
1.1.8. Desenvolver um modelo fiscal que incentive a gestão ativa da floresta.
1.1.9. Analisar as vantagens da criação de uma lei para o Mecenato Florestal.
1.1.10. Adaptar e concretizar os projetos de «Acordos de Fileira».
1.1.11. Analisar a possibilidade de alargamento da elegibilidade no PEPAC da Intervenção
Mosaico Agroflorestal às parcelas florestais.
1.1.12. Analisar a possibilidade de alargamento da elegibilidade no PEPAC dos Pagamentos
Natura para produtores em áreas da Rede Natura.
1.1.13. Potenciar a constituição de organizações comerciais de produtores de produtos
florestais (OCPPF).
1.1.14. Criação do alvará de prestador de serviços florestais.
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1.2. Recuperação de áreas ardidas e/ou degradadas
Enquadramento:
Os incêndios que têm assolado o País desde 2017, associados à ausência de estratégia para o
controlo de exóticas invasoras lenhosas, resultaram em extensas áreas de espaços florestais
legados ao abandono. Sem atividade de gestão que faça antever qualquer aproveitamento
futuro de material lenhoso e/ou não lenhoso, com grandes problemas fitossanitários e de
invasão de exóticas lenhosas, e com crescentes níveis de carga de combustível que
redundarão em incêndios de elevada intensidade, estas áreas constituem atualmente um
enorme passivo à escala nacional, com tendência de crescimento, que impõe célere
intervenção para restauro do equilíbrio dos seus ecossistemas, nomeadamente, nas suas
funções ecológica e produtiva.
Entende-se necessária a recuperação de áreas ardidas e de áreas com povoamentos mal-
adaptados e degradados, bem como a definição de modelos de intervenção para o futuro.
Objetivos:
Recuperar áreas ardidas e/ou degradadas.
Principais resultados esperados:
Recuperação de áreas ardidas.
Recuperação de áreas com povoamentos mal-adaptados e degradados.
Principais obstáculos/ Riscos identificados:
Ausência de conhecimento sobre a propriedade e/ou sobre os proprietários em
grande parte do território nacional.
Dificuldade de controlo das espécies invasoras lenhosas.
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Iniciativas/Ações:
1.2.1. Definir e implementar um plano de recuperação de infraestruturas danificadas ou
destruídas nas áreas ardidas em 2024 e 2025.
1.2.2. Definir e implementar um plano de reparação de infraestruturas verdes e de áreas com
elevado valor natural nas áreas ardidas em 2024 e 2025.
1.2.3. Definir um modelo de atuação para a rápida disponibilização de recursos para ações
de Estabilização de Emergência pós-Incêndio.
1.2.4. Definir um modelo de intervenção para a Recuperação de Áreas Ardidas.
1.2.5. Definir e implementar um plano de recuperação de áreas ardidas entre 2017 e 2025
com valoração dos Serviços de Ecossistemas.
1.3. Otimização dos instrumentos de planeamento e gestão florestal e de financiamento de
políticas florestais
Enquadramento:
A reduzida capacidade de muitos proprietários florestais para o exercício da gestão florestal
ativa é hoje facilmente constatável, em grande parte do território nacional, em particular, nas
zonas de minifúndio. Entende-se necessária a racionalização e simplificação dos
instrumentos de planeamento e gestão florestal e de financiamento de políticas florestais e a
implementação de novos apoios e incentivos à gestão florestal.
Objetivos:
Otimização dos instrumentos de planeamento e gestão florestal e de financiamento
de políticas florestais.
Principais resultados esperados:
Maior utilidade dos instrumentos de planeamento e gestão como o PGF, regime
jurídico aplicável às ações de arborização e rearborização (RJAAR) e EUDR.
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Redução do tempo necessário para análise e aprovação de candidaturas a apoios.
Mais apoios e incentivos à gestão florestal.
Principais obstáculos/ Riscos identificados:
Conhecer as necessidades de plantas para arborização com um horizonte temporal
de 2 anos por forma a garantir a existência das mesmas no mercado.
Normal renitência dos serviços em alterar processos instituídos.
Falta de conhecimento da especificidade do setor florestal, quer quanto aos fatores
sociais, culturais ou históricos, quer quanto à atividade económica associada.
Iniciativas/Ações:
1.3.1. Promover o aumento de previsibilidade dos apoios disponíveis para o setor, através da
atempada publicitação na página web do Instituto da Conservação da Natureza e das
Florestas, I. P. (ICNF, I. P.), dos calendários de abertura das candidaturas aos
instrumentos de apoio ao investimento para o setor florestal (PEPAC, Fundo
Ambiental, entre outros).
1.3.2. Rever a Portaria das Normas Técnicas associadas ao RJAAR.
1.3.3. Integrar na página web do ICNF, I. P., toda a informação (sistematizada e organizada)
relativa à legislação aplicável ao setor florestal e aos espaços florestais.
1.3.4. Rever as Normas Técnicas de elaboração dos PGF.
1.3.5. Simplificar e desburocratizar processos na Administração Pública, através da criação
de bases de dados específicas que simplifiquem e permitam o aumento de eficiência na
análise e tramitação de candidaturas e processos.
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1.3.6. Simplificar e desburocratizar processos para os beneficiários, através da implementação
de processos de interoperabilidade entre os sistemas de informação da Administração
Pública (Autoridades de Gestão, Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas,
I. P., e organismos responsáveis por zonas condicionadas, entre outros).
1.3.7. Criar um módulo para elaboração, avaliação, atualização e monitorização dos PGF.
1.3.8. Promover a articulação/interoperabilidade das plataformas/processos de manifestação
de corte (SiCorte, Manifesto de abate, desramação e circulação de madeira de coníferas,
Diligência Devida) com a plataforma do EUDR.
1.3.9. Rever a eficácia e eficiência do mecanismo de compensação de substituição de áreas
de povoamentos de espécies do género Eucalyptus spp.
1.4. Aposta na formação de profissionais e capacitação das empresas do setor
Enquadramento:
A baixa atratividade e a incapacidade de captação de profissionais pelo setor florestal tem
vindo a agravar-se nas últimas décadas.
Muito do que é capacidade atual e futura do País, de promoção da gestão profissional e
sustentável da sua floresta e do território rural, depende da intensidade da aposta a fazer na
formação superior e/ou profissional dos diferentes agentes do setor florestal e na promoção
da investigação florestal. A melhoria dos programas de aprendizagem, incluindo a
aprendizagem em contexto laboral, é fundamental para atrair mais jovens para o setor e dotá-
los das competências necessárias para trabalhar numa bioeconomia florestal sustentável.
Entende-se assim necessário uma forte aposta na formação de profissionais e capacitação
das empresas do setor.
Objetivos:
Aumentar a atratividade do setor.
Melhorar a formação dos profissionais do setor.
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Principais resultados esperados:
Aumento do número de alunos em cursos de licenciatura ou mestrado de
engenharia florestal ou equiparados.
Aumento do número de profissionais no setor florestal.
Principais obstáculos/ Riscos identificados:
Baixa atratividade do setor florestal: A não visibilidade e a perceção de poucas
oportunidades de crescimento profissional dificultam a atração de jovens para as
áreas florestais e para as empresas do setor.
Desajuste entre a formação existente e as necessidades do mercado: A formação
atual não está totalmente alinhada com as exigências práticas do setor, o que limita
a preparação dos profissionais para os desafios da bioeconomia florestal
sustentável.
Escassez de programas de formação contínua e especializada: A falta de programas
de atualização profissional e de formação contínua adequados para os profissionais
do setor dificulta a adaptação às novas tecnologias e métodos de gestão florestal
sustentável.
Falta de incentivo à pesquisa aplicada e inovação no setor florestal: A ausência de
uma maior aposta em investigação e desenvolvimento faz com que o setor não
explore plenamente as oportunidades oferecidas pela inovação e pela evolução das
práticas sustentáveis.
Carência de apoio à integração dos jovens no mercado de trabalho florestal: A falta
de programas estruturados de integração de estagiários e jovens profissionais nas
empresas florestais dificulta a sua capacitação prática e a retenção no setor.
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Iniciativas/Ações
1.4.1. Promover, nos vários níveis de ensino (pré-escolar e 1.º ciclo), ações de sensibilização
para a importância da floresta e do ambiente.
1.4.2. Contribuir para a elaboração de programas de sensibilização e capacitação para a
importância da floresta e das profissões associadas.
1.4.3. Criar uma plataforma de discussão e comunicação articulada com entidades de ensino
superior e profissional para aumentar a atração para as profissões florestais.
1.4.4. Promover campanhas públicas de comportamentos seguros na floresta.
1.4.5. Promover a formação avançada e cursos especializados para reforço das competências
técnicas e adaptação a novas tecnologias dos profissionais.
1.4.6. Promover ações de sensibilização, formação e capacitação para temas relacionados
com Riscos Bióticos (fitossanidade e espécies invasoras).
1.4.7. Potenciar a criação e o desenvolvimento de Projetos (Grupos Operacionais, por
exemplo) que tenham como objetivo promover a eficiência na gestão florestal.
1.4.8. Atualizar o Catálogo Nacional de Qualificações para aumentar a atratividade do setor.
1.4.9. Potenciar o reforço dos programas de Investigação & Desenvolvimento e Inovação
para a floresta.
1.4.10. Potenciar a criação de Equipas Multidisciplinares de Apoio à elaboração de
candidaturas ao Horizonte Europa 2020.
1.4.11. Potenciar a criação de apoios às empresas para renovação de equipamentos dedicados
a atividades de exploração e gestão florestal.
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1.5. Valorização dos Serviços do Ecossistema
Enquadramento:
Os ecossistemas florestais, para além de matérias-primas, produzem muitos outros bens e
serviços como a proteção dos solos e a conservação de recursos hídricos, a proteção da
paisagem, a manutenção ou incremento da biodiversidade, o recreio e o sequestro de
carbono. No contexto do compromisso nacional para a Neutralidade Carbónica, entretanto
antecipado para 2045, urge promover o aumento do sequestro de carbono através de apoios
e incentivos à gestão florestal e recuperação de áreas ardidas e/ou degradadas, mas também
através da implementação do Mercado Voluntário de Carbono.
Neste âmbito, o papel da floresta portuguesa na mitigação das alterações climáticas por via
do sequestro de CO 2 poderá e deverá ser potenciado com a florestação de área de matos,
mas principalmente através do aumento da capacidade de sequestro dos povoamentos
existentes pela melhoria da gestão e consequentes aumento de produtividade e redução de
emissões (incêndios e desflorestação). Entende-se assim necessário desenvolver incentivos
financeiros que apoiem a gestão sustentável e remunerem os serviços de ecossistema.
O Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação reconhece, desde 1999, a
necessária atuação nas áreas semiáridas e sub-húmidas secas do território nacional, pelo que
sendo o solo fator essencial para o desenvolvimento da floresta e da sustentabilidade do
território, este Plano traça ações no sentido da sua salvaguarda.
Objetivos:
Criação de mecanismos de remuneração dos serviços de ecossistema.
Principais resultados esperados:
Desenvolver e normalizar metodologias de avaliação e valoração dos serviços de
ecossistema.
Desenvolver o Mercado Voluntário de Carbono.
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Reforçar o papel de sumidouro de carbono da floresta portuguesa por via da
arborização ou da melhoria da gestão.
Principais obstáculos/ Riscos identificados
Não sendo estes bens tangíveis, é ainda de difícil perceção por parte do proprietário
florestal a forma como será remunerado pela prestação dos serviços.
Iniciativas/Ações
1.5.1. Desenvolver o Mercado Voluntário de Carbono e reforçar o seu contributo para a
gestão florestal sustentável.
1.5.2. Divulgar e promover o Mercado Voluntário de Carbono, contribuindo para apoiar
outros co-benefícios ambientais.
1.5.3. Desenvolver e normalizar metodologias de avaliação e valoração dos serviços de
ecossistemas e de créditos de biodiversidade que incentivem o restauro de
ecossistemas.
1.5.4. Plantar 5 milhões de árvores por ano ao abrigo da iniciativa europeia «3 mil milhões
de árvores até 2030».
1.5.5. Assegurar a articulação com o Plano Nacional de Restauro da Natureza potenciando
o envolvimento dos agentes do setor florestal.
1.5.6. Valorizar os serviços de ecossistema nas áreas ardidas recuperadas.
1.5.7. Reforçar o papel de sumidouro de carbono da floresta portuguesa por via da
arborização de área de pastagens e matos e/ou adensamento de montados existentes
que estejam sublotados criando uma barreira contra a desertificação.
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1.6. Valorização dos produtos não lenhosos da floresta
Enquadramento:
Os produtos florestais não lenhosos constituem uma fonte de rendimento adicional e
diversificada para os proprietários florestais. No entanto, o seu contributo económico
continua a ser de difícil quantificação, seja pela dificuldade de rastreamento seja por
integrarem, muitas vezes, a economia informal.
As mais-valias dos produtos florestais não lenhosos não se resumem à economia e estão
ligadas a outras dimensões – sociais, culturais e ambientais – desempenhando um importante
papel na fixação de populações no interior, promovendo o desenvolvimento rural e a coesão
territorial. É expectável o aumento de procura de produtos florestais não lenhosos, em
particular pela necessidade da transição para uma bioeconomia sustentável e de redução da
dependência de recursos não renováveis, mas também pelo crescente interesse em serviços
experimentais na área do turismo e da recreação.
Entende-se necessária a implementação de um conjunto de medidas de valorização dos
produtos florestais não lenhosos.
Objetivos:
Implementação de um conjunto de medidas de valorização dos produtos florestais
não lenhosos.
Principais resultados esperados:
Aumento da produção de produtos não lenhosos da floresta.
Aumento do valor dos produtos não lenhosos da floresta.
Rastreabilidade dos produtos não lenhosos da floresta.
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Principais obstáculos/ Riscos identificados:
Grande dispersão de ações que envolvam a promoção dos produtos florestais não
lenhosos.
Provável oposição à mudança pelos agentes dos mercados informais.
Reduzido envolvimento das organizações de produtores e cooperativas no esforço
coletivo de valorização dos produtos florestais não lenhosos.
Iniciativas/Ações:
1.6.1. Harmonizar os períodos de colheita da pinha de pinheiro-manso.
1.6.2. Regulamentar a atividade micológica.
1.6.3. Rever legislação aplicada ao setor da resinagem para permitir a utilização de novos
métodos de extração mais eficientes.
1.6.4. Potenciar a revisão do enquadramento legal específico, de forma a minimizar roubos
e furtos de produtos florestais não lenhosos.
1.6.5. Promover a criação de um sistema de rastreabilidade da comercialização da Cortiça.
1.6.6. Impulsionar a estruturação e o desenvolvimento das cadeias de valor dos produtos
florestais não lenhosos a uma escala regional (NUTII) e nacional, com especial
destaque para os produtos autóctones.
1.6.7. Estruturar a fileira da resina para que a resina se configure como um produto
estratégico da bioeconomia florestal.
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1.7. Valorização da atividade cinegética, aquícola e piscícola nas águas interiores
Enquadramento
As espécies cinegéticas e aquícolas de águas interiores constituem um património natural
renovável, com fundamental papel ecológico, sociocultural e económico. A sua gestão e
exploração ordenada, de acordo com princípios de desenvolvimento sustentável, são
ferramentas de conservação da natureza e proteção da biodiversidade, constituindo um fator
de riqueza nacional e de valorização do mundo rural e de coesão territorial e social.
Entende-se necessária a valorização da atividade cinegética, aquícola e piscícola nas águas
interiores, baseada na exploração sustentada dos recursos, no (re)estabelecimento do
equilíbrio ecológico e na mitigação e prevenção de conflitos.
No caso específico da cinegética, o conjunto de ações a desenvolver visa dar resposta aos
problemas identificados, e aos grandes desafios que são colocados à gestão e exploração dos
recursos cinegéticos no contexto das crescentes exigências estabelecidas pela Comissão
Europeia ao nível da monitorização e gestão de processos de caça adaptativa.
Objetivos
Valorização da atividade cinegética, aquícola e piscícola nas águas interiores.
Melhoria da governança, inovação e digitalização da atividade cinegética.
Principais resultados esperados
Priorização, sistematização e análise da informação para apoio à decisão sobre a
evolução das espécies cinegéticas (dinâmica e sanidade), sobre processos de caça
adaptativa e sobre a mecânica socioeconómica da atividade venatória em Portugal.
Criação de uma rede fixa de zonas de caça piloto para a monitorização das espécies
cinegéticas e biodiversidade e para vigilância e deteção precoce de problemas
sanitários.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Cinegética 5.0 - Digitalização do sector cinegético com aplicação móvel universal e
de utilização obrigatória (ótica do gestor e ótica do caçador) para a gestão
documental e administrativa, registo de abates diários e complementaridade com
processos de caça adaptativa, emissão de guias, relatórios e comunicações
obrigatórias ao ICNF e para monitorização de populações cinegéticas e ações de
gestão no terreno.
Criação de reservas genéticas e centros de reprodução de coelho-bravo de cariz
regional.
Restauro de zonas críticas para a reprodução de espécies aquícolas e piscícolas.
Principais obstáculos/ Riscos identificados
Definição de fontes de financiamento.
Necessidade de alocação de recursos do ICNF, I. P., e/ou transferência de
competências para as Organizações do Sector da Caça e Centro de Competências
para o Estudo, Gestão e Sustentabilidade das Espécies Cinegéticas e
Biodiversidade.
Iniciativas/Ações
1.7.1. Instalar uma rede fixa de zonas de caça piloto para a monitorização das espécies
cinegéticas e biodiversidade e para vigilância (dinâmica populacional e sanidade).
1.7.2. Desenvolver e implementar o Cinegética 5.0 - Digitalização do sector cinegético com
aplicação móvel universal (ótica do gestor e ótica do caçador).
1.7.3. Criar reservas genéticas e centros de reprodução de cariz regional.
1.7.4. Proceder ao mapeamento das zonas críticas para a reprodução de espécies aquícolas e
piscícolas.
1.7.5. Restaurar zonas críticas para a reprodução de espécies aquícolas e piscícolas.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
2. Resiliência
Objetivos: Garantir a segurança e a sustentabilidade ecológica dos territórios, reforçando a
prevenção e mitigação de riscos, nomeadamente de incêndio rural, de pragas e doenças
florestais e de espécies invasoras.
2.1. Aumento da resiliência aos Incêndios
Enquadramento
Nas últimas cinco décadas, os incêndios rurais têm tido um trágico impacto nas vidas dos
portugueses, com perda de vidas, de bens e de muitas centenas de milhares de hectares de
floresta. Os crescentes fenómenos de êxodo rural e de abandono da gestão da propriedade
rústica e o impacto que as alterações climáticas produzirão no território nacional, tendem a
agravar seriamente o cenário atual.
Entendem-se necessárias e urgentes abordagens mais robustas, principalmente ao nível da
prevenção estrutural, que permitam a redução da vulnerabilidade e o aumento da resiliência
do território aos incêndios rurais. A abordagem sugerida está em linha com o preconizado
pelo Programa Nacional de Ação que concretiza, no território continental português, as
opções estratégicas definidas no Plano Nacional de Gestão Integrada de Fogos Rurais.
Objetivos
Tornar o território nacional mais resiliente aos incêndios rurais.
Principais resultados esperados
Mais e melhor gestão do combustível vegetal.
Redução do número de ignições.
Redução do número de reacendimentos.
Redução da área ardida.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Principais obstáculos/ Riscos identificados
Tendência crescente para o abandono/ausência de gestão da propriedade.
Aumento da pressão do efeito das alterações climáticas sobre os ecossistemas.
Iniciativas/Ações
2.1.1. Aumentar o número de equipas do Grupo de Trabalho para a Redução de Ignições
(GTRI) de investigação do crime de incêndios florestais.
2.1.2. Reforçar os meios à disposição do GTRI de investigação do crime de incêndios
florestais.
2.1.3. Potenciar a redução de carga combustível com recurso ao pastoreio extensivo e
atividades conexas.
2.1.4. Reforçar a capacidade de intervenção das Autarquias, das Comunidades
Intermunicipais e das Organizações de Produtores Florestais (OPF), na gestão de
combustíveis e beneficiação e manutenção de rede viária florestal.
2.1.5. Promover ou rever legislação que agilize/permita a célere intervenção do Estado
na propriedade privada, para realização de ações de gestão de combustíveis.
2.1.6. Fomentar instrumentos de planeamento e gestão do território, que confiram
resiliência.
2.1.7. Otimizar o mapeamento de áreas florestais prioritárias para intervenções de
prevenção.
2.1.8. Promover o desenvolvimento de condições que permitam ao ICNF, I. P., colaborar
eficazmente com a estrutura de comando da Autoridade Nacional de Emergência
e Proteção Civil, durante as operações de supressão e combate a incêndios rurais.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
2.1.9. Promover as condições necessárias para que exista uma maior disponibilidade da
Força de Sapadores Bombeiros Florestais, para participar nas atividades de
supressão e combate a incêndios rurais.
2.1.10. Promover uma maior utilização de fogo controlado em espaços florestais e, em
particular, potenciar a sua aplicação em povoamentos florestais.
2.1.11. Implementar e manter a rede primária de faixas de gestão de combustível.
2.1.12. Concretizar o programa de gestão e manutenção de Faixas de Gestão Combustível,
definidas no âmbito do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais (SGIFR).
2.1.13. Implementar novos Condomínios de Aldeia.
2.1.14. Assegurar a manutenção/gestão dos Condomínios de Aldeia.
2.1.15. Promover a gestão no território das 62 Operações Integradas de Gestão da
Paisagem (OIGP) constituídas, de forma a garantir a sua resiliência e a diminuição
da vulnerabilidade aos incêndios rurais e, desse modo, assegurar a prestação dos
serviços de ecossistema.
2.2. Monitorização, controlo e contenção/erradicação de Espécies Invasoras
Enquadramento
A introdução e a dispersão de espécies invasoras em Portugal aumentaram nas últimas
décadas, constituindo uma séria ameaça para os ecossistemas e para a biodiversidade. A
perturbação dos ecossistemas, normalmente associados aos incêndios rurais e às alterações
climáticas, mas também o grande desconhecimento sobre as técnicas mais eficazes para o
seu combate, constituem os principais fenómenos de proliferação das espécies invasoras no
território nacional. Perante a crescente expressão territorial das espécies invasoras, entende-
se assim necessária uma forte e urgente aposta na monitorização, controlo e
contenção/erradicação destas espécies.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Objetivos
Monitorização, controlo e contenção/erradicação de espécies invasoras.
Principais resultados esperados
Aumento da intervenção em áreas ocupadas com espécies invasoras.
Principais obstáculos/Riscos identificados
Necessidade de encontrar mecanismos legais que permitam a intervenção em
terrenos privados, substituindo o proprietário.
Dificuldade em identificar atempadamente e reconhecer as espécies invasoras por
parte dos proprietários florestais.
Dificuldade em aplicar meios de luta eficazes.
Iniciativas/Ações
2.2.1. Criar e aprovar os Planos de Ação para a erradicação, controlo e contenção de espécies
invasoras.
2.2.2. Implementar os Planos de Ação para a erradicação, controlo e contenção de espécies
invasoras
2.2.3. Criar um programa nacional de sensibilização e formação para a consciencialização da
problemática das espécies invasoras.
2.2.4. Desenvolver uma Estratégia Nacional para a erradicação, controlo e contenção de
espécies invasoras.
2.2.5. Operacionalizar ações de intervenções de controlo de espécies invasoras.
2.2.6. Criar e capacitar equipas permanentes e dedicadas à gestão de espécies invasoras.
2.2.7. Criar condições para desenvolvimento de Investigação e Desenvolvimento (I&D)
(com destaque para controlo biológico, mas podendo incluir outras linhas I&D).
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
2.2.8. Promover ou rever legislação que agilize/permita a intervenção em terrenos privados,
no âmbito do controlo e contenção de espécies invasoras.
2.3. Monitorização e controlo do estado fitossanitário da floresta
Enquadramento
As alterações climáticas e a circulação global de produtos e subprodutos de base florestal
representam hoje ameaças significativas à sanidade da floresta e à sustentabilidade das suas
fileiras.
A nível global, os riscos associados à ocorrência de fenómenos com potencial
desestabilizador e destrutivo, incluindo os provocados por pragas e doenças, são cada vez
mais evidentes e preocupantes. Em Portugal, estes riscos são ainda agravados pela persistente
desvalorização da prevenção e do controlo fitossanitário, traduzindo-se na ausência de um
sistema eficaz de monitorização, deteção precoce e resposta atempada.
Torna-se, por isso, imperativo reforçar a monitorização e o controlo do estado fitossanitário
da floresta, assegurando uma gestão preventiva e estruturada que garanta a sua resiliência e
sustentabilidade. Este esforço deve ser prioritário, independentemente dos
constrangimentos existentes, como a falta de tradição na implementação de medidas
sistemáticas de deteção precoce e a insuficiência de ações de combate atempado. Apenas
com uma abordagem proativa e coordenada será possível mitigar os impactos das pragas e
doenças e proteger o património florestal nacional.
Objetivos
Monitorização e controlo do estado fitossanitário da floresta.
Principais resultados esperados
Aumentar a capacidade de deteção de pragas e doenças.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Aumentar a capacidade para desenvolver rapidamente conhecimento sobre as
causas e impactos do declínio.
Implementar rapidamente e de forma eficaz medidas adequadas, que evitem a
instalação e dispersão dos problemas fitossanitários.
Principais obstáculos/Riscos identificados
Ausência de cultura de monitorização e deteção precoce.
Necessidade de criação de mecanismos processuais que garantam a adequada e
atempada resposta.
Necessidade de encontrar mecanismos legais que permitam a intervenção em
terrenos privados, substituindo o proprietário.
Iniciativas/Ações
2.3.1. Dotar o ICNF, I. P., de viaturas para o exercício das suas funções de prospeção,
controlo e monitorização de pragas e doenças florestais.
2.3.2. Dotar o ICNF, I. P., de condições materiais (kit de armadilhas, e outras) para o
exercício das suas funções de prospeção, controlo e monitorização de pragas e doenças
florestais.
2.3.3. Implementar uma rede nacional de parcelas permanentes, para observação do estado
fitossanitário e de vitalidade das florestas.
2.3.4. Dotar o ICNF, I. P., de condições que lhe permitam cumprir de forma eficaz e
eficiente as suas funções no âmbito do Regime Fitossanitário para a área florestal.
2.3.5. Criar equipas especializadas em fitossanidade florestal.
2.3.6. Rever o Programa Nacional de Monitorização de Pragas Florestais, reforçando a sua
dotação financeira plurianual.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
2.3.7. Rever o Programa Operacional de Sanidade Florestal e promover a melhoria do
respetivo sistema de informação.
2.3.8. Promover ou rever legislação que agilize/permita a intervenção em terrenos privados,
para remoção de material ardido há mais seis meses e/ou com sinais de deterioração.
2.4. Melhoria do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais
Enquadramento
O SGIFR, criado em 2021, define um modelo de articulação horizontal de todas as entidades
participantes na prevenção estrutural, nos sistemas de autoproteção de pessoas e
infraestruturas, nos mecanismos de apoio à decisão, no dispositivo de combate aos incêndios
rurais e na recuperação de áreas ardidas.
A aplicação deste modelo regista dificuldades – pelos desafios de adaptação que suscitou,
pela heterogeneidade e pelo número de entidades envolvidas, pelo estabelecimento de
diferentes níveis de governança (nacional, regional, sub-regional e municipal).
Entende-se assim necessária a revisitação e melhoria do SGIFR, de forma a facilitar o seu
desígnio de proteção de pessoas e bens dos incêndios rurais e valorização dos espaços
silvestres, mantendo os ecossistemas em bom estado de conservação.
Objetivos
Avaliar e melhorar o SGIFR.
Principais resultados esperados
Melhoria do modelo de programação do SGIFR.
Aprovação dos Programas Sub-regionais de Ação.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Principais obstáculos/ Riscos identificados
Elevado número e grande diversidade de entidades envolvidas no processo.
Iniciativas/Ações
2.4.1. Aperfeiçoar o modelo de programação do SGIFR, definindo projetos-chave
vinculativos e definindo as respetivas fontes de financiamento.
2.4.2. Analisar de forma integrada a necessidade de revisão da cartografia de perigosidade de
incêndio e da sua utilização.
2.4.3. Analisar de forma integrada a necessidade de revisão do Decreto-Lei n.º 82/2021, de
13 de outubro.
2.4.4. Avaliar a eficácia das redes de Faixas de Gestão de Combustível.
2.4.5. Aperfeiçoar a construção, manutenção e uso das redes de Faixas de Gestão de
Combustível.
2.5. Proteção, manutenção e promoção do arvoredo nativo (autóctones) e/ou de
elevado valor
Enquadramento
As florestas autóctones não só estão entre os ecossistemas florestais mais ricos de Portugal,
mas também constituem reservas de carbono significativas e removem carbono da
atmosfera, sendo, ao mesmo tempo, de importância primordial para a biodiversidade e a
prestação de serviços ecossistémicos críticos.
Entende-se necessária a criação de um mecanismo de proteção, manutenção e promoção do
arvoredo nativo (autóctones) e/ou de elevado valor.
Objetivos
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proteger e promover o arvoredo e as manchas florestais de espécies autóctones
e/ou de elevado valor.
Principais resultados esperados
Proteger e aumentar a área com arvoredo nativo (espécies autóctones) e/ou de
elevado valor.
Melhorar a gestão das manchas com arvoredo nativo (espécies autóctones) e/ou de
elevado valor.
Principais obstáculos/Riscos identificados
A rigidez da legislação de proteção do sobreiro e da azinheira, limitando a adaptação
às atuais necessidades de gestão sustentável.
Reconhecimento por parte dos proprietários florestais que arvoredo protegido não
é sinónimo de maiores limitações na gestão dos povoamentos, mas sim uma
discriminação positiva.
Iniciativas/Ações
2.5.1. Atualizar e tornar mais eficiente o processo administrativo associado ao regime de
proteção do sobreiro e da azinheira.
2.5.2. Promover a alteração da atual legislação de proteção do sobreiro e da azinheira de
forma a potenciar o aumento significativo do coeficiente de multiplicação para a
compensação e para possibilitar que as entidades interessadas criem antecipadamente
projetos de compensação.
2.5.3. Desenvolver legislação com vista à proteção e conservação da floresta autóctone,
preferencialmente através da identificação e demarcação de áreas com estatuto especial
de proteção.
2.5.4. Criar mecanismos financeiros de apoio à gestão e manutenção da floresta autóctone.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
2.5.5. Proteger e valorizar o património arbóreo monumental e/ou classificado como de
Interesse Público.
2.6. Melhoria do Programa de Sapadores Florestais
Enquadramento
O Programa de Sapadores Florestais, criado em 1999, é um instrumento da política florestal,
que visa contribuir para a diminuição do risco de incêndio e a valorização do património
florestal através da ação de equipas especializadas, as Equipas de Sapadores Florestais (eSF).
O programa, sofreu vários reajustes, ao longo do tempo, em termos das regras e
procedimentos para a criação e reconhecimento de eSF, da atribuição de funções ao sapador
florestal e da regulamentação dos apoios públicos à sua atividade.
Entende-se necessário promover a avaliação do Programa e um conjunto de transformações
que potenciem o seu robustecimento/fortalecimento.
As alterações a introduzir devem perspetivar, o aumento da atratividade da profissão, mas
também o acréscimo da eficácia e eficiência das eSF.
Objetivos
Avaliar e melhorar o Programa de Sapadores Florestais.
Principais resultados esperados
Otimização do funcionamento das eSF .
Aumento do número de eSF.
Diminuição da idade média dos Sapadores Florestais.
Principais obstáculos/ Riscos identificados
Reduzida atratividade da profissão de Sapador Florestal.
Heterogeneidade de tipologia de entidades titulares de eSF.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Iniciativas/Ações
2.6.1. Potenciar a realização de candidaturas plurianuais de forma a simplificar e
desburocratizar processos e trazer previsibilidade aos intervenientes.
2.6.2. Renovar o equipamento moto-manual das eSF.
2.6.3. Aumentar o número de eSF.
2.6.4. Rever o Programa de Formação do Sapador Florestal.
2.6.5. Avaliar o Programa de Sapadores Florestais.
3. Propriedade
Objetivos: Resolver desafios estruturais e administrativos associados à fragmentação da
propriedade rústica, promovendo um modelo de gestão eficiente, sustentável e alinhado com
as necessidades dos proprietários e do território.
3.1. Revisão do Regime Jurídico da Propriedade Rústica
Enquadramento
A fragmentação da propriedade rústica constitui um importante constrangimento para a
gestão ativa dos territórios, para a sua resiliência e para a prevenção dos riscos territoriais
mais significativos, designadamente, do risco de incêndio rural.
A crescente tendência de fracionamento da propriedade rústica, as consequentes dificuldades
na gestão da mesma, e o imobilismo proporcionado pelo regime sucessório, impõem a
implementação de um conjunto de alterações legislativas essenciais para a necessária reforma
estrutural.
Entende-se, assim, como necessário, materializar algumas das recomendações do Grupo de
Trabalho para a Propriedade Rústica, constituído pelo Despacho n.º 7722/2021, publicado
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
no Diário da República, 2.ª série, n.º 152, de 6 de agosto, reforçando os mecanismos jurídicos
que incentivem o redimensionamento e a concentração da propriedade rústica.
Objetivos
Apresentação de um conjunto alargado de propostas legislativas que visam reduzir
e/ou impedir a fragmentação e atomização da propriedade rústica.
Principais resultados esperados
Impedir o fracionamento da propriedade rústica.
Criar soluções que permitam a otimização dos processos de transmissão de prédios
rústicos.
Principais obstáculos/ Riscos identificados
A ligação emocional à posse da terra, questão cultural e social muito enraizada na
sociedade portuguesa.
Iniciativas/Ações
3.1.1. Alterar as exigências legais para a aquisição da propriedade de prédios rústicos por
usucapião.
3.1.2. Criar a figura de Administrador profissional de herança.
3.1.3. Criar um procedimento especial de renúncia abdicativa ao direito de propriedade.
3.1.4. Estipular um período temporal máximo para a realização da habilitação de herdeiros
após o óbito.
3.1.5. Instituir obrigatoriedade da resolução de partilhas no prazo a definir.
3.1.6. Simplificar o processo judicial de divisão de coisa comum.
3.1.7. Agilizar a aquisição originária de prédios sem dono conhecido.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
3.2. Melhoria da Estrutura Fundiária da Propriedade Rústica
Enquadramento
A elevada fragmentação da propriedade rústica verificada em Portugal, em particular a norte
do Tejo, constitui um significativo constrangimento para a gestão ativa dos territórios, para
a sua resiliência e para a prevenção dos riscos territoriais mais significativos.
A diminuta dimensão da propriedade e a sua forma impedem a gestão eficiente e sustentável
das explorações, situação agravada quando a propriedade apresenta vários titulares.
Entende-se como necessária a criação de mecanismos que potenciem o aumento da
dimensão e a concentração da propriedade rústica, criando condições para o
desenvolvimento das atividades florestais de forma sustentável nos domínios económico,
social e ambiental.
Objetivos
Criação de estímulos ao aumento da dimensão e concentração da propriedade
rústica.
Principais resultados esperados
Incentivar o aumento da dimensão e a concentração da propriedade rústica.
Principais obstáculos/ Riscos identificados
Forte ligação emocional e cultural à posse da terra.
Iniciativas/Ações
3.2.1. Analisar a possibilidade de criação de estímulos ao redimensionamento da área da
propriedade, através da isenção do pagamento de impostos e/ou emolumentos em
processos de aquisição de prédios rústicos confinantes.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
3.2.2. Rever o modelo de avaliação dos prédios rústicos.
3.2.3. Analisar a possibilidade de harmonização entre todas as entidades dos diferentes
conceitos de prédio (rústico, misto, urbano).
3.2.4. Avaliar o custo/benefício da autonomização dos ativos florestais no registo predial.
3.2.5. Criar o documento único do prédio.
3.2.6. Instituir o dever de o titulador e o conservador de registos consultarem os
visualizadores de prédios cadastrados e com representação gráfica georreferenciada
(RGG).
3.2.7. Criar linhas de crédito bonificado para pagamentos de tornas na resolução de partilhas.
3.3. Aceleração e otimização do processo BUPi
Enquadramento
A identificação e o registo das propriedades rústicas e mistas são passos essenciais para um
ordenamento e gestão sustentáveis do território. O desenvolvimento de um cadastro predial
moderno, polivalente e multifuncional permitirá um conhecimento efetivo das propriedades,
das suas funcionalidades e do seu potencial, abrindo caminho para uma nova era de
valorização e dinamização do espaço rural.
Neste sentido, torna-se essencial acelerar e otimizar o processo de Balcão Único do Prédio
(BUPi), reforçando a sua implementação em todo o território nacional. Para tal, esta medida
foca-se em dois eixos estratégicos fundamentais: (i) Expansão do cadastro simplificado –
Aumentar o conhecimento do território através da georreferenciação de 40% das matrizes
prediais até ao final do ano, permitindo uma maior clareza na definição da propriedade e
facilitando a gestão e o planeamento territorial; e (ii) Reforço da comunicação e mobilização
dos cidadãos – Implementar ações de sensibilização e divulgação, incentivando os
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
proprietários a identificar e registar os seus prédios, garantindo uma maior adesão ao projeto
e promovendo um cadastro mais abrangente e atualizado.
Com estas iniciativas, pretende-se consolidar o BUPi como um instrumento estruturante
para o ordenamento do território, contribuindo para uma melhor gestão dos espaços
florestais e agrícolas, o reforço da segurança jurídica da propriedade e a promoção de
políticas públicas mais eficazes.
Objetivos
Impulsionar a adesão dos cidadãos ao processo BUPi.
Principais resultados esperados
Maximizar a quantidade de RGG de prédios e da sua cobertura nos territórios no
menor espaço de tempo possível.
Minimização das situações de conflito entre RGG.
Principais obstáculos/ Riscos identificados
Resistência de alguns cidadãos à adesão ao processo BUPi.
Iniciativas/Ações
3.3.1. Potenciar a capacitação e habilitação dos técnicos das Entidades de Gestão Florestal
(EGF), de entidades gestoras das Zonas de Intervenção Florestal (ZIF) e das OPF
para promoção de operações de RGG.
3.3.2. Expandir a rede de balcões BUPi às OPF.
3.3.3. Assegurar a interoperabilidade entre sistemas (Autoridade Aduaneira e Tributária,
Instituto dos Registos e do Notariado, I. P., Direção-Geral do Território e eBUPi),
atribuindo o NIP, quando possível.
3.3.4. Definir formas de garantir a integração das RGG elegíveis na Carta Cadastral via BUPi.
3.3.5. Potenciar a integração do Geopredial com o BUPi.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
3.3.6. Nas áreas não submetidas a cadastro geométrico da propriedade rústica ou a cadastro
predial em vigor, condicionar (sempre que possível) a submissão de projetos de
licenciamento florestal ou candidaturas a apoios públicos para a floresta à apresentação
de RGG.
4. Governança
Objetivos: Promover uma gestão administrativa acessível e eficiente, eliminando entraves
burocráticos e facilitando o acesso a serviços, ferramentas e incentivos que apoiem os agentes
do setor florestal.
Medidas
4.1. Otimização do desempenho dos organismos do Estado e da Administração Pública
no Setor Florestal
Enquadramento
A qualidade da Administração Pública e da governação de um País é um fator fundamental
para o desempenho económico e para o bem-estar dos seus cidadãos.
Em Portugal, a densidade de regulamentos e complexidade burocrática que envolvem muitos
dos processos afetos à atividade florestal, contribuem para o desinteresse dos
cidadãos/proprietários e constituem entraves à eficácia e eficiência das empresas do setor
florestal, contribuindo para a redução da sua competitividade internacional.
Entende-se, assim, necessária a otimização do desempenho das funções dos organismos
públicos no setor florestal. Esta otimização deve potenciar a melhoria das estruturas e dos
processos internos, mas também dos serviços prestados aos cidadãos e às empresas. A
modificação do status-quo, e a introdução de transformações e reformas que visem aumentos
de eficácia, eficiência e agilidade aos organismos do Estado e da Administração Pública, deve
basear-se numa análise funcional aos organismos, mas também dos instrumentos de política.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Objetivos
Melhorar e potenciar o desempenho dos organismos do Estado e da Administração
Pública no Setor Florestal.
Principais resultados esperados
Melhor resposta dos organismos públicos aos cidadãos, às empresas e instituições.
Aumento da eficácia e eficiência dos organismos do Estado e da Administração
Pública e dos seus processos.
Principais obstáculos/ Riscos identificados
Natural resistência à mudança por parte das pessoas que compõem a Administração
Pública e que definem os procedimentos que devem ser cumpridos junto desta.
A necessidade de controlar em detrimento de fiscalizar.
Iniciativas/Ações
4.1.1. Avaliar o modelo de cogestão de Baldios em regime de associação com o Estado.
4.1.2. Definir um novo modelo de gestão a apresentar às assembleias de compartes que
pretendam manter a administração dos seus baldios em regime de associação com o
Estado.
4.1.3. Avaliar e rever o modelo de gestão das Matas Nacionais e Perímetros Florestais.
4.1.4. Propor o modelo organizacional e funcional do ICNF, I. P..
4.1.5. Propor o modelo organizacional e funcional da FlorestGal, S. A..
4.1.6. Dinamizar o Conselho Florestal Nacional.
4.1.7. Reativar a Plataforma de Acompanhamento das Relações nas Fileiras Florestais.
4.1.8. Reativar a Comissão Interministerial para os assuntos da floresta.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
4.1.9. Promover a atualização e disponibilização anual de dados e informação relevante
sobre o setor florestal, através do reforço técnico do ICNF, I. P., para que possa
eficientemente produzir e partilhar informação de cariz económico, biológico e
territorial.
4.1.10. Criar mecanismo para a receção e gestão de prédios provenientes dos processos
«Terra sem dono conhecido» e «Renúncia abdicativa dos terrenos».
4.1.11. Avaliar e rever a Estratégia Nacional para as Florestas.
4.1.12. Avaliar o Programa de Apoio aos Gabinetes Técnicos Florestais, municipais e
intermunicipais.
4.2. Avaliação e otimização dos Instrumentos de Gestão Conjunta e de Gestão do
Território
Enquadramento
Os instrumentos de gestão conjunta visam superar as limitações decorrentes da estrutura
fundiária, sobretudo, nas situações de elevado fracionamento ou de elevado número de
contitulares, facilitando a tomada de decisões de gestão e promovendo a viabilidade
económica das explorações. Os instrumentos de gestão do território visam definir e
enquadrar as estratégias de desenvolvimento económico e social do território, bem como da
sua sustentabilidade.
Atualmente, são vários e de complexidade crescente os instrumentos de planeamento e as
figuras promotoras da gestão agrupada, produzidos nas últimas décadas, mantendo-se, no
entanto, reduzida a adesão dos proprietários a este tipo de soluções, perpetuando-se o
cenário da gestão a título individual da propriedade.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Perante o potencial de utilidade destes instrumentos na definição e prossecução eficaz e
eficiente das políticas florestais, entende-se necessária a análise e monitorização dos modelos,
abrangendo os mais variados aspetos, desde a constituição, o funcionamento, a gestão,
utilização de apoios e recursos, entre outros.
Objetivos
Analisar a eficácia e a eficiência da resposta dada pelos atuais instrumentos de
Gestão Conjunta e de Gestão do Território, aos problemas da floresta portuguesa.
Analisar a viabilidade de evolução/adaptação de modelos existentes e a necessidade
de criação de novos modelos.
Principais resultados esperados
Informação que permita perceber se a resposta dada pelos instrumentos em vigor
é suficiente.
Principais obstáculos/ Riscos identificados
Heterogeneidade verificada na aplicação de alguns modelos.
Dificuldade de avaliação dada a diversidade registada no território.
Iniciativas/Ações
4.2.1. Apoiar a implementação e monitorização das OIGP.
4.2.2. Apoiar a implementação e monitorização dos Condomínios de Aldeia.
4.2.3. Avaliar a eficácia e eficiência do modelo ZIF.
4.2.4. Avaliar a eficácia e eficiência dos modelos EGF e Unidade de Gestão Florestal.
4.2.5. Analisar o potencial de implementação de novos modelos de gestão conjunta.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
4.2.6. Avaliar o potencial de adaptação das ZIF a outros instrumentos mais robustos de
gestão do território e de gestão conjunta.
4.2.7. Avaliar a eficácia e eficiência do modelo de Condomínios de Aldeia.
4.2.8. Avaliar a eficácia e eficiência dos Programas de Reordenamento e Gestão da Paisagem
.Avaliar eficiência do modelo de Ações Integradas de Gestão da Paisagem e OIGP.
4.2.9. Potenciar a crescente adesão dos proprietários a Instrumentos de Gestão Conjunta.
4.3. Promoção de Contratos-programa entre Estado e Organizações de
Produtores Florestais
Enquadramento
O aconselhamento e o apoio técnico ao produtor e proprietário florestal são fundamentais
para a gestão sustentável da floresta e para o aumento da resiliência do território. Para garantir
uma resposta eficaz e próxima das necessidades do setor, é essencial valorizar o papel das
OPF, que, ao longo das últimas décadas, têm assumido uma função crescente neste domínio,
reforçando a sua capacidade de mobilização e de prestação de serviços técnicos de
proximidade.
Estas organizações têm conseguido chegar a um vasto número de proprietários, em especial
pequenos proprietários, promovendo a organização coletiva e contribuindo para a melhoria
da eficiência dos processos de gestão florestal.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Reconhecendo a relevância deste trabalho e a importância de reforçar a acessibilidade dos
serviços de apoio e aconselhamento técnico, considera-se essencial a concretização de
Contratos Programa com as OPF, potenciando a capacitação dos proprietários e a
implementação de políticas que favoreçam uma floresta mais resiliente, produtiva e
sustentável.
Objetivos
Reforçar a eficácia e eficiência na prestação de serviços de apoio e aconselhamento
técnico ao produtor e proprietário florestal.
Principais resultados esperados
Aumentar a disponibilidade e facilitar o acesso a apoio e aconselhamento técnico.
Principais obstáculos/ Riscos identificados
Heterogeneidade na capacidade atual das OPF.
A Rede de OPF não cobre de forma homogénea todo o território nacional.
Iniciativas/Ações
4.3.1. Avaliar a atividade desenvolvida pelas OPF registadas.
4.3.2. Rever normas e critérios de reconhecimento das OPF.
4.3.3. Capacitar as OPF para o bom desempenho das funções previstas nos Contratos-
Programa.
4.3.4. Estabelecer Contratos-Programa com as OPF.
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