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Projeto-Resolução n.º 470/XVII/1.ª
Recomenda ao Governo a reintrodução da vacinação universal contra a tuberculose
no Programa Nacional de Vacinação
Exposição de motivos
A tuberculose (TB) mantém-se como um grave problema de saúde pública a nível
mundial. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), foram notificados , em
2023, cerca de 10, 8 milhões de novos casos de tuberculose e 1, 25 milhões de mortes,
reassumindo-se como a principal causa de mort e infeciosa do mundo, ultrapassando a
COVID-191.
Em Portugal, apesar de uma redução da incidência nas últimas décadas, o país continua
a apresentar uma das taxas mais elevadas de tuberculose da Europa Ocidental, com uma
taxa de notificação de 15 casos por 100 mil habitantes em 20232, registando um aumento
face a 2022 3 e muito acima da média registada nos países da União Europeia
(8,6/100.000)2.
A inclusão da vacina BCG no Plano Nacional de Vacinação em Portugal, em 1965 , muito
contribuiu para esta redução dos riscos de transmissão da tuberculose, mas, em 2016, o
então Governo do Partido Socialista decidiu suspender a vacinação universal, através da
Norma n.º 06/2016, da Direção-Geral da Saúde (DGS) , restringindo a administração da
BCG apenas às crianças que pertençam a grupos de risco.
Contudo, os dados recentes apontam a região de Lisboa e Vale do Tejo e a região Norte
como as regiões de maior incidência. Neste sentido, importa referir que, por altura da
apresentação dos dados referentes a 2023, os representantes da Comissão de Trabalho
de Tuberculose da Sociedade Portuguesa de Pneumologia recordaram que “ estando a
tuberculose associada a fatores sociodemográficos, incluindo a presença de populações
migrantes oriundas de países com alta prevalência d a doença, particularmente em
1 Global tuberculosis report 2024
2 Tuberculosis surveillance and monitoring in Europe | 2023
3 Tuberculosis surveillance and monitoring in Europe | 2022
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centros urbanos como Lisboa. “Há uma subnotificação dos casos através do sistema de
vigilância nacional (SVIG -TB), o que implica que a incidência real pode estar
subestimada”4. Realçam, ainda, que “A estratégia "End TB" da OMS pretende diminuir a
incidência e a mortalidade da TB em 90% e 95%, respetivamente, até ao ano de 2035. No
entanto, os progressos têm sido progressivamente lentos e globalmente assimétricos” 4.
Concluem, assim, que “Portugal está estagnado no que respeita ao controlo da
tuberculose”, e que “m etas da OMS para 2035 parecem cada vez mais difíceis de
atingir”4.
Neste contexto, e uma vez que desde a decisão da suspensão da vacinação universal, os
dados evidenciam o aumento de mais de 1 milhão de cidadãos estrangeiros em Portugal
entre 2017 (421.785) e 2024 (1 546.521)5, entende-se necessário reavaliar a
reintrodução da vacina BCG no Plano Nacional de Vacinação, de modo a garantir proteção
equitativa e preventiva contra a tuberculose.
Assim, pelo exposto e ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis,
os Deputados do Grupo Parlamentar do CHEGA recomendam ao Governo que:
- Reintroduza a vacina BCG no Plano Nacional de Vacinação (PNV), com caráter
universal para todas as crianças.
Palácio de São Bento, 5 de Janeiro de 2026
Os Deputados do Grupo Parlamentar do CHEGA,
4 Sociedade Portuguesa de Pneumologia - SPP
5 Imigração em Portugal: Número de Imigrantes Sobe para 1,5 Milhões
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