PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º 39/XVII/1.ª
Exposição de Motivos
A proposta de Lei das Grandes Opções para 2025-2029 (Lei das Grandes Opções)
apresentada pelo XXV Governo Constitucional corresponde às Grandes Opções de política
económica, social, ambiental e territorial para os anos de 2025 a 2029, enquadrando-se nos
eixos prioritários presentes na Agenda Transformadora do Programa do XXV Governo
Constitucional, tendo presente a conjuntura nacional e internacional.
As Grandes Opções 2025-2029 correspondem às orientações e escolhas fundamentais de
política pública económica, social, ambiental e territorial até 2029, as quais estão assentes em
10 eixos prioritários: (i) Uma política de rendimentos que valoriza o trabalho e a poupança,
o mérito e a Justiça Social; (ii) Reforma do Estado e guerra à burocracia: simplificar a vida
dos cidadãos e das empresas; ( iii) Criar riqueza, acelerar a economia e aumentar o valor
acrescentado; (iv) Imigração regulada e humanista; ( v) Serviços essenciais a funcionar para
todos e com qualidade, com complementaridade entre oferta pública, privada e social; ( vi)
Segurança mais próxima, justiça mais rápida e combate à corrupção; (vii) Construir Portugal:
mobilização de todos para ultrapassar a crise da habitação; ( viii) As infraestruturas que
alavancam o país; (ix) Água que Une: salvaguardar o futuro; (x) Plano de reforço estratégico
de investimento em defesa.
Estes 10 eixos prioritários, convergentes com os diversos instrumentos de planeamento
nacionais e compromissos europeus e internacionais, correspondem às principais dimensões
de intervenção que estruturam a implementação de um universo de medidas de política
pública focadas em consolidar e fortalecer as condições económicas e sociais no sentido de
tornar Portugal um país melhor, economicamente mais competitivo, territorialmente mais
coeso e socialmente mais justo. Importa referir que, não obstante a sua convergência
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substantiva, não constam destas Grandes Opções os quadros de alinhamento com as
Recomendações Específicas por País (REP) dirigidas a Portugal – realizado no âmbito do
Plano Orçamental-Estrutural Nacional de Médio-Prazo 2025-2029, bem como do respetivo
Relatório Anual de Progresso 2025, ainda que não utilizando a estrutura dos eixos prioritários
– nem com a Estratégia Portugal 2030, uma vez que se encontra desatualizada, estando já em
curso o processo para a elaboração de uma nova estratégia de longo-prazo que a substituirá.
Importa também ressalvar que, embora com uma perspetiva de horizonte geracional, as
Grandes Opções 2025-2029 incluem tanto medidas de efeito imediato como outras de maior
fôlego e alcance mais vasto.
A implementação das Grandes Opções 2025-2029 exige um conjunto ambicioso de medidas
de política e de investimentos cujas fontes de financiamento se repartem entre o Orçamento
do Estado e o quadro europeu de instrumentos de financiamento, designadamente, o PT
2020, em fase de encerramento, a iniciativa de Assistência de Recuperação para a Coesão e
os Territórios da Europa (REACT UE), o Programa de Recuperação e Resiliência (PRR), e
o PT 2030, que materializa o ciclo de programação de fundos europeus para o período 2021-
2027.
A fim de dar cumprimento ao disposto do artigo 92.º da Constituição e da alínea a) do n.º 1
do artigo 2.º da Lei n.º 108/91, de 17 de agosto, na sua redação atual, a presente proposta de
Lei das Grandes Opções foi objeto de parecer do Conselho Económico e Social.
Assim:
Nos termos da alínea b) do n.º 1 do artigo 32.º da Lei de Enquadramento Orçamental,
aprovada em anexo à Lei n.º 151/2015, de 11 de setembro, na sua redação atual, e da alínea
d) do n.º 1 do artigo 197.º da Constituição, o Governo apresenta à Assembleia da República
a seguinte proposta de lei:
Artigo 1.º
Objeto
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É aprovada a Lei das Grandes Opções para 2025-2029 em matéria de planeamento e da
programação orçamental plurianual (Lei das Grandes Opções), que integra as medidas de
política e de investimentos que contribuem para as concretizar.
Artigo 2.º
Enquadramento estratégico
As Grandes Opções para 2025-2029 concretizam a visão e as estratégias de desenvolvimento
definidas no Programa do XXV Governo Constitucional, respondendo a um exigente e
complexo enquadramento nacional e internacional, nomeadamente, uma conjuntura
económica global caracterizada por uma incerteza acentuada em resultado de tensões
comerciais, com impacto nas decisões de política monetária na Europa, e um cenário de
crescente instabilidade geopolítica, marcado pela persistência de conflitos armados na
Ucrânia e no Médio Oriente e pela profunda reconfiguração da arquitetura de segurança
europeia.
Artigo 3.º
Âmbito
1 - A Lei das Grandes Opções integra:
a) A identificação e planeamento das opções de política económica, que constam do
anexo I à presente lei e da qual faz parte integrante;
b) A programação orçamental plurianual para os subsetores da administração central
e segurança social, que consta do anexo II à presente lei e da qual faz parte
integrante.
2 - A Lei das Grandes Opções integra um conjunto de compromissos assentes em 10 eixos
prioritários:
a) Uma política de rendimentos que valoriza o trabalho e a poupança, o mérito e a
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Justiça Social;
b) Reforma do Estado e guerra à burocracia: simplificar a vida dos cidadãos e das
empresas;
c) Criar riqueza, acelerar a economia e aumentar o valor acrescentado;
d) Imigração regulada e humanista;
e) Serviços essenciais a funcionar para todos e com qualidade, com
complementaridade entre oferta pública, privada e social;
f) Segurança mais próxima, justiça mais rápida e combate à corrupção;
g) Construir Portugal: mobilização de todos para ultrapassar a crise da habitação;
h) As infraestruturas que alavancam o país;
i) Água que Une: salvaguardar o futuro;
j) Plano de reforço estratégico de investimento em defesa.
Artigo 4.º
Enquadramento orçamental
As prioridades de investimento constantes da Lei das Grandes Opções são compatibilizadas
no âmbito do Orçamento do Estado para 2026.
Visto e aprovado em Conselho de Ministros de
O Primeiro-Ministro
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O Ministro de Estado e das Finanças
O Ministro da Economia e da Coesão Territorial
O Ministro dos Assuntos Parlamentares
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ANEXO I
(a que se refere a alínea a) do n.º 1 do artigo 3.º)
Grandes Opções 2025-2029
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1. ÍNDICE
1. ÍNDICE......................................................................................................................................7
2. Introdução ............................................................................................................................... 17
2.1. Opções de política económica, social, ambiental e territorial ................................ 18
2.2. Alinhamento das opções de política económica, social, ambiental e territorial .. 20
2.2.1. Megatendências 2050............................................................................................... 21
2.2.2. Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU........... 31
2.3. Financiamento das medidas de política pública e fontes de financiamento das
Grandes Opções 2025-2029...................................................................................................... 34
3. Eixo prioritário I – Uma política de rendimentos que valoriza o trabalho e a poupança,
o mérito e a Justiça Social .............................................................................................................. 39
3.1. Rendimentos.................................................................................................................. 44
3.1.1. Aumentar os rendimentos e aliviar a carga fiscal sobre o trabalho e pensões 45
3.2. Poupança ..................................................................................................................... 45
3.2.1. Melhorar a literacia financeira e incentivar a poupança...................................... 46
3.3. Apoios sociais e inclusão...................................................................................... 46
3.3.1. Tornar os apoios sociais mais eficazes e integrados............................................ 47
3.3.2. Promover a inclusão ................................................................................................ 48
4. Eixo prioritário II – Reforma do Estado e guerra à burocracia: simplificar a vida dos
cidadãos e das empresas................................................................................................................. 49
4.1. No plano da simplificação dos procedimentos ........................................... 53
4.1.1. Combate à burocracia que prejudica as empresas e os cidadãos....................... 54
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4.2. No plano da digitalização da Administração Pública ............................... 56
4.2.1. Reforma da governação, organização e da prestação do setor público
administrativo.......................................................................................................................... 56
4.2.2. Inovação, empreendedorismo e digitalização....................................................... 57
4.3. No plano orgânico-institucional ................................................................................. 59
4.3.1. Reforma da governação, organização e da prestação do setor público
administrativo.......................................................................................................................... 59
4.3.2. Simplificação transversal ......................................................................................... 60
4.3.3. Inovação, empreendedorismo e digitalização....................................................... 60
4.3.4. Processo de descentralização.................................................................................. 61
4.4. No plano orçamental.................................................................................................... 61
4.4.1. Revisão da despesa pública e reforma do processo orçamental........................ 62
4.5. No plano dos trabalhadores da Administração Pública.......................................... 62
4.5.1. Promover uma cultura de serviço público de excelência.................................... 63
5. Eixo prioritário III – Criar riqueza, acelerar a economia e aumentar o valor acrescentado
5.1. Competitividade fiscal e laboral ........................................................................ 73
5.1.1. Melhorar o ambiente fiscal e incentivar o investimento..................................... 73
5.1.2. Aumentar a produtividade e a flexibilidade laboral............................................. 74
5.1.3. Alinhar a formação profissional com o mercado e o valor acrescentado........ 74
5.1.4. Valorizar o trabalho.................................................................................................. 76
5.1.5. Igualdade de oportunidades e de tratamento entre mulheres e homens no
trabalho e emprego................................................................................................................. 77
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5.1.6. Promover um sistema de proteção social e de distribuição de apoios sociais mais
justo e universal....................................................................................................................... 78
5.1.7. Continuar a reforçar a sustentabilidade do sistema previdencial da segurança
social 79
5.2. Concorrência e regulação ............................................................................................ 80
5.2.1. Promover a concorrência, a liberdade económica e a regulação especializada
independente nos setores regulados .................................................................................... 80
5.3. Empresas........................................................................................................................ 81
5.3.1. Financiamento e crescimento empresarial............................................................ 81
5.3.2. Apoiar a tesouraria das empresas nacionais ......................................................... 82
5.3.3. Transformar custos de contexto em oportunidades........................................... 82
5.4. Ciência e inovação ........................................................................................................ 82
5.4.1. Reforçar as condições para maior impacto de todos os investigadores........... 83
5.5. Fundos Europeus ......................................................................................................... 83
5.5.1. Acelerar a execução e otimizar os Fundos Europeus ......................................... 83
5.6. Gestão territorial........................................................................................................... 84
5.6.1. Reduzir desigualdades e promover o investimento fora dos grandes centros. 84
5.7. Turismo .......................................................................................................................... 85
5.7.1. Promover o turismo sustentável e a valorização de recursos locais.................. 85
5.8. Agricultura, florestas e pescas..................................................................................... 86
5.8.1. Aumentar a produtividade e o valor acrescentado nos setores primários ....... 87
5.9. Juventude........................................................................................................................ 88
5.9.1. Aumentar as oportunidades e condições de vida para os jovens em Portugal 89
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6. Eixo prioritário IV – Imigração regulada e humanista...................................................... 89
6.1. Quadro legal da nacionalidade e imigração regulada ................................ 92
6.1.1. Reforçar critérios de atribuição da nacionalidade................................................ 93
6.1.2. Acolhimento e integração de imigrantes .............................................................. 93
6.2. Controlo de fronteiras e segurança .................................................................. 94
6.2.1. Alargar cuidados de proximidade .......................................................................... 94
6.3. Criminalidade................................................................................................................. 94
6.3.1. Combate à imigração ilegal, atuação preventiva e de proximidade................... 95
6.4. Imigração qualificada, responsável e integrada ........................................................ 95
6.4.1. Acolher e integrar de forma humanista ................................................................ 95
6.4.2. Atrair talento e o regresso de emigrantes ............................................................. 96
7. Eixo prioritário V – Serviços essenciais a funcionar para todos e com qualidade, com
complementaridade entre oferta pública, privada e social ........................................................ 96
7.1. Saúde............................................................................................................................. 103
7.1.1. Combater a desigualdade de acesso à Saúde ...................................................... 104
7.1.2. Aumentar a eficiência na Saúde............................................................................ 104
7.1.3. Alargar cuidados de proximidade ........................................................................ 105
7.1.4. Transformação digital na Saúde ........................................................................... 106
7.1.5. Promover a saúde e prevenir a doença................................................................ 106
7.1.6. Investimentos no SNS........................................................................................... 107
7.2. Educação...................................................................................................................... 107
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7.2.1. Modernizar o sistema educativo e confiar nas escolas públicas: mais autonomia
para ensinar............................................................................................................................ 108
7.2.2. Criação de ambientes escolares seguros.............................................................. 108
7.2.3. Combater as desigualdades sociais....................................................................... 109
7.2.4. Começar cedo: a educação dos 0 aos 6 anos de idade...................................... 109
7.2.5. Melhorar a aprendizagem: um currículo exigente e flexível para contextos de
incerteza ................................................................................................................................. 110
7.2.6. Transformar digitalmente o sistema de informação educativo........................ 110
7.2.7. Valorizar os professores ........................................................................................ 110
7.3. Cultura.......................................................................................................................... 111
7.3.1. Apoio às artes, participação cultural e promoção da criação artística e do acesso
à cultura.................................................................................................................................. 111
7.3.2. Democratizar o acesso à cultura .......................................................................... 111
7.3.3. Apoio ao cinema, à criação audiovisual e à preservação do património
cinematográfico..................................................................................................................... 112
7.3.4. Património Cultural................................................................................................ 112
7.3.5. Promoção da criação literária, da leitura e do património arquivístico .......... 113
7.3.6. Projetar Portugal no panorama cultural europeu e internacional ................... 114
7.4. Desporto ...................................................................................................................... 114
7.4.1. Promover estilos de vida ativos e saudáveis ....................................................... 115
7.4.2. Garantir igualdade de acesso e inclusão no desporto ....................................... 115
7.4.3. Valorizar o talento e o desporto de alto rendimento ........................................ 116
7.5. Mobilidade/sistemas de transportes coletivos........................................................ 116
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7.5.1. Diversificar a oferta de mobilidade...................................................................... 116
7.5.2. Regular o ecossistema da mobilidade e transportes para fomentar o
desenvolvimento económico e social ................................................................................ 117
7.5.3. Combater a pobreza de mobilidade e promover a inclusão com coesão social e
territorial ................................................................................................................................ 117
7.5.4. Acelerar a transferência modal para o transporte público ............................... 118
7.4. Segurança Social................................................................................................................. 118
8. Eixo prioritário VI – Segurança mais próxima, justiça mais rápida e combate à corrupção
8.1. Proximidade e segurança .................................................................................... 124
8.1.1. Reforço do policiamento de visibilidade, de proximidade e comunitário como
forma de reforçar a tranquilidade....................................................................................... 124
8.1.2. Investir em novos meios tecnológicos capazes de aumentar a capacidade de
vigilância das forças de segurança ...................................................................................... 125
8.2. Reforço da capacidade operacional ................................................................ 125
8.2.1. Fortalecimento da capacidade operacional das forças, em especial para
combater a criminalidade violenta e grave, o tráfico de droga e a criminalidade
organizada.............................................................................................................................. 125
8.3. Sinistralidade rodoviária............................................................................................. 127
8.3.1. Aumentar a eficácia na prevenção ....................................................................... 127
8.4. Respostas a novas ameaças ................................................................................ 128
8.4.1. Adaptar às novas dinâmicas sociodemográficas ................................................ 128
8.5. Criminalidade juvenil.................................................................................................. 128
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8.5.1. Aumentar a eficácia na prevenção ....................................................................... 129
8.6. Violência Doméstica................................................................................................... 129
8.6.1. Aumentar a eficácia na prevenção e combate à violência doméstica e proteção
das vítimas.............................................................................................................................. 129
8.7. Justiça............................................................................................................................ 130
8.7.1. Promover a celeridade processual........................................................................ 130
8.7.2. Transformação digital da Justiça .......................................................................... 131
8.7.3. Proteção às Vítimas de Crime .............................................................................. 132
8.8. Combate à corrupção................................................................................................. 132
8.8.1. Promover a prevenção........................................................................................... 133
8.8.2. Reforçar a capacidade de repressão das atividades criminosas........................ 133
9. Eixo prioritário VII – Construir Portugal: mobilização de todos para ultrapassar a crise
da habitação ................................................................................................................................... 134
9.1. Oferta de habitação............................................................................................... 138
9.1.1. Mobilizar património imobiliário do Estado e aumentar a oferta de habitação
9.2. Construção................................................................................................................... 139
9.2.1. Simplificar e estimular a construção.................................................................... 139
9.2.2. Modernizar o setor da construção....................................................................... 140
9.3. Desenvolvimento urbano integrado ........................................................................ 140
9.3.1. Requalificar e expandir áreas urbanas de forma planeada e integrada ........... 141
9.4. Mercado de arrendamento ........................................................................................ 141
9.4.1. Dar estabilidade e confiança................................................................................. 142
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10. Eixo prioritário VIII – As infraestruturas que alavancam o país ............................. 143
10.1. Aeroportos e transporte aéreo.................................................................................. 147
10.1.1. Transformação do setor da aviação em Portugal, resolvendo o atraso
sistémico de decisões e investimento de décadas............................................................. 147
10.2. Ferrovia ........................................................................................................................ 148
10.2.1. Modernização da ferrovia e concretização do plano ferroviário nacional,
assegurando um sistema moderno e competitivo de transporte de passageiros e de
mercadorias............................................................................................................................ 148
10.3. Rodovia......................................................................................................................... 149
10.3.1. Expandir e modernizar as redes rodoviárias.................................................. 150
10.4. Infraestruturas – Portos............................................................................................. 150
10.4.1. Expandir e modernizar as redes portuárias nacionais.................................. 151
10.5. Infraestruturas energéticas e tecnológicas............................................................... 151
10.5.1. Modernizar as infraestruturas energéticas para a competitividade nacional
10.5.2. Modernizar as infraestruturas tecnológicas para a competitividade nacional
10.6. Infraestruturas de serviços públicos ........................................................................ 153
10.6.1. Garantir capacidade de provisão dos serviços e funções do Estado ......... 153
10.7. Investimentos públicos .............................................................................................. 154
10.7.1. Assegurar coordenação e planeamento integrado dos investimentos públicos
11. Eixo prioritário IX – Água que Une: salvaguardar o futuro ..................................... 155
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11.1. Eficiência................................................................................................................... 159
11.1.1. Garantir a segurança de abastecimento à população e aos setores de atividade
prevenindo crises hidrológicas............................................................................................ 159
11.2. Resiliência..................................................................................................................... 160
11.2.1. Expandir e modernizar as infraestruturas de aproveitamento hidroagrícola
11.2.2. Expandir e modernizar as infraestruturas de armazenamento ................... 161
11.2.3. Promover uma gestão especializada do abastecimento industrial .............. 161
11.2.4. Restaurar rios e ecossistemas ........................................................................... 162
11.3. Inteligência................................................................................................................... 162
11.3.1. Reformar a gestão dos recursos hídricos ....................................................... 162
12. Eixo prioritário X – Plano de reforço estratégico de investimento em defesa ...... 163
12.1. Investimento em Defesa............................................................................................ 167
12.1.1. Cumprir os compromissos de investimento OTAN e organizações
multilaterais............................................................................................................................ 168
12.2. Indústrias de Defesa................................................................................................... 168
12.2.1. Desenvolver e capacitar o setor industrial de defesa nacional .................... 169
12.3. Forças Armadas .......................................................................................................... 169
12.3.1. Garantir Forças Armadas capacitadas ............................................................ 169
12.4. Ciberdefesa e inteligência artificial ........................................................................... 170
12.4.1. Fortalecer as capacidades de ciberdefesa, aplicar e regular a inteligência
artificial no domínio da defesa............................................................................................ 170
12.5. Gestão de crise ............................................................................................................ 170
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12.5.1. Garantir a continuidade dos serviços em situações de crise ....................... 171
12.6. Portugal na Europa..................................................................................................... 171
12.6.1. Aprofundar a integração e o alargamento europeus .................................... 171
12.7. Portugal no Mundo .................................................................................................... 172
12.7.1. Projetar Portugal nas organizações internacionais........................................ 172
12.7.2. Aprofundar dinâmicas comunitárias............................................................... 172
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2. Introdução
As Grandes Opções 2025-2029 correspondem às orientações e escolhas fundamentais de
política pública económica, social, ambiental e territorial até 2029, as quais estão assentes em
10 eixos prioritários:
I. Uma política de rendimentos que valoriza o trabalho e a poupança, o mérito e a
Justiça Social;
II. Reforma do Estado e guerra à burocracia: simplificar a vida dos cidadãos e das
empresas;
III. Criar riqueza, acelerar a economia e aumentar o valor acrescentado;
IV. Imigração regulada e humanista;
V. Serviços essenciais a funcionar para todos e com qualidade, com complementaridade
entre oferta pública, privada e social;
VI. Segurança mais próxima, justiça mais rápida e combate à corrupção;
VII. Construir Portugal: mobilização de todos para ultrapassar a crise da habitação;
VIII. As infraestruturas que alavancam o país
IX. Água que Une: salvaguardar o futuro;
X. Plano de reforço estratégico de investimento em defesa.
A sua estrutura assenta numa hierarquia clara, em três níveis, concebida para garantir a
coerência entre a visão estratégica e a sua implementação concreta, nomeadamente:
Eixo Prioritário: constitui o primeiro nível de orientações das prioridades de política
pública, representando assim o vértice estratégico da arquitetura das Grandes Opções
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2025-2029. Cada eixo condensa uma visão política de médio prazo para enfrentar um
conjunto bem delimitado de problemas estruturais ou desafios emergentes que
reclamam ação governativa concertada. É a unidade de enquadramento
interministerial, servindo de chapéu integrador às políticas setoriais e de referência
para a monitorização do impacto sistémico;
Tema: constitui o segundo nível de orientações das prioridades de política pública. O
tema subdivide o eixo em domínios programáticos de intervenção que partilham
coerência material e operacional. Conserva a orientação estratégica do eixo, e assume
contornos setoriais, incentivando a coordenação horizontal entre ministérios e a
articulação vertical com autarquias, parceiros sociais e sociedade civil;
Objetivo Estratégico: representa o terceiro nível de orientação de prioridades de
política pública. Traduz o que concretamente deve ser alcançado dentro de cada tema,
caracterizando a abordagem de intervenção do Governo em áreas temáticas
prioritárias e estabelecendo uma ponte entre a visão temática e o portefólio de
medidas de política pública que lhe dão execução.
2.1. Opções de política económica, social, ambiental e territorial
A missão que orientará a governação assenta num princípio essencial: sem criação de riqueza
não é possível combater eficazmente a pobreza, sustentar o Estado Social, garantir a
mobilidade social ou afirmar a soberania nacional. Por isso, a Agenda Transformadora do
XXV Governo Constitucional define com clareza o rumo reformista, estruturado em 10
eixos prioritários que constituem as grandes opções de política económica, social, ambiental
e territorial, nomeadamente:
I. Uma política de rendimentos que valoriza o trabalho, a poupança, o mérito e a
Justiça Social – diminuir a carga fiscal sobre o trabalho e a poupança para
aumentar o rendimento disponível dos portugueses, valorizar o mérito e garantir
um sistema de apoios sociais que funcione como uma forte rede de segurança,
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sem criar armadilhas de pobreza;
II. Reforma do Estado e guerra à burocracia: simplificar a vida dos cidadãos e das
empresas – reorganizar as instituições do Estado e eliminar procedimentos
redundantes e complexos através da simplificação, digitalização, articulação e
responsabilização, tornando a Administração Pública mais ágil e eficiente;
III. Criar riqueza, acelerar a economia e aumentar o valor acrescentado – promover
um ambiente de negócios competitivo, com menos impostos sobre as empresas,
maior flexibilidade e um forte incentivo ao investimento, à inovação e ao
crescimento, para que a economia portuguesa cresça, como um todo, acima da
média europeia;
IV. Imigração regulada e humanista – estabelecer uma política de imigração com
regras claras e controlo eficaz, que garanta o acolhimento humanista de quem
chega para contribuir para o país, combatendo a imigração ilegal e promovendo
uma integração baseada em direitos e deveres;
V. Serviços essenciais a funcionar para todos e com qualidade, com
complementaridade entre oferta pública, privada e social – assegurar que a saúde,
a educação e os transportes respondem às necessidades dos cidadãos, através da
simplificação, digitalização, articulação e responsabilização, mobilizando de
forma complementar os setores público, privado e social e dando mais autonomia
às entidades públicas para gerir os seus recursos com eficiência;
VI. Segurança mais próxima, justiça mais rápida e combate à corrupção – materializar
a visão de que Portugal é um país seguro que garante a tranquilidade da sua
população, onde a justiça é célere e eficaz e onde as instituições são credíveis e
transparentes, transmitindo confiança à sociedade;
VII. Construir Portugal: mobilização de todos para ultrapassar a crise da habitação –
responder à crise da habitação com um reforço decisivo da oferta de casas, através
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da simplificação dos licenciamentos, da redução de impostos na construção e da
mobilização de terrenos e edifícios públicos para criar um mercado acessível para
todos;
VIII. As infraestruturas que alavancam o país – lançar e executar os grandes projetos
estruturantes que Portugal adiou durante décadas, como o novo aeroporto, a alta
velocidade ferroviária e a modernização de portos e outras redes essenciais, para
garantir a competitividade e a coesão do território;
IX. Água que Une: salvaguardar o futuro – implementar uma estratégia nacional para
garantir a segurança hídrica do país, através de investimentos em armazenamento,
distribuição eficiente e reutilização da água, assegurando este recurso vital para
as populações, a agricultura e a indústria;
X. Plano de reforço estratégico de investimento em defesa – capacitar as Forças
Armadas e fortalecer a posição de Portugal no plano internacional, antecipando
o cumprimento dos compromissos com a OTAN e utilizando este investimento
para desenvolver a indústria nacional de defesa.
No conjunto, estes 10 eixos prioritários correspondem às dimensões de intervenção fulcral
que estruturam a implementação de um universo de medidas de política pública focadas em
consolidar e fortalecer as condições para transformar Portugal.
2.2. Alinhamento das opções de política económica, social, ambiental e territorial
A eficácia de um instrumento de planeamento transversal estratégico de médio prazo é
aferida não apenas pela sua capacidade de responder aos desafios nacionais e do presente,
mas também pelo seu alinhamento com os compromissos internacionais e pela sua robustez
e coerência perante as grandes transformações em curso e emergentes. As Grandes Opções
2025-2029 foram concebidas sob esta dupla perspetiva: orientar as medidas de política
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pública para responder aos desafios nacionais e do presente e, simultaneamente, posicionar
Portugal de forma consciente e estratégica no contexto internacional para responder aos
efeitos expectáveis, de impacto profundo e duradouro, das grandes transformações
emergentes.
2.2.1. Megatendências 2050
O relatório “Megatendências 2050. O Mundo em Mudança: Impactos em Portugal” 1
apresenta uma análise das megatendências que irão moldar o futuro de Portugal até 2050. O
objetivo é esclarecer a ação presente à luz dos futuros possíveis e preferíveis, fornecendo
pistas e contributos para as decisões estratégicas que irão determinar o que será o país. É por
isso uma ferramenta relevante para a construção de cenários e de uma visão sobre o que se
pretende que Portugal seja em 2050.
Megatendências e impactos em Portugal
As megatendências são processos de transformação a longo prazo com âmbito alargado e
impacto profundo, observáveis no presente e que continuarão a exercer a sua influência
durante décadas. Podem ser de natureza social, económica, ambiental, política, tecnológica
ou combinar várias destas vertentes. No âmbito da equipa multissetorial de prospetiva da
Rede de Serviços de Planeamento e Prospetiva da Administração Pública (REPLAN), foi
identificado um conjunto de nove megatendências globais com impacto em Portugal.
Agravamento das alterações climáticas
1 Disponível em https://www.planapp.gov.pt/wp-content/uploads/2025/06/REPLAN-
RelatorioMegatendencias2050.pdf
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O aumento de temperatura de 1,5º C face ao período pré-industrial será, muito
provavelmente, atingido antes do final da presente década, contrariando a meta estabelecida
no Acordo de Paris, e poderá ser acompanhado de fenómenos climáticos extremos que
causarão danos económicos e colocarão em causa a segurança das populações.
Impactos em Portugal: períodos de seca prolongada cada vez mais frequentes – a par de
outros fenómenos extremos - com aumento da probabilidade de falhas na produção agrícola,
de maior volatilidade dos preços dos alimentos e da dependência alimentar face ao exterior.
O aumento da ocorrência de fenómenos meteorológicos extremos também eleva a
probabilidade de ocorrência de grandes fogos florestais. A subida do nível do mar
pressionará as zonas costeiras onde se concentra a maioria da população e muita da atividade
económica. As ondas de calor representarão um risco para a saúde humana.
Em termos complementares, as alterações climáticas representam um enorme desafio à
preservação do património cultural e histórico. Nesse sentido, o aumento das temperaturas,
a elevação do nível do mar, a erosão costeira, a emissão de gases com efeito de estufa e a
intensificação de fenómenos meteorológicos extremos colocam em risco edificações, sítios
arqueológicos e paisagens culturais que, ao longo dos séculos, configuraram a identidade das
sociedades.
Pressão crescente sobre os recursos naturais
A procura global dos recursos naturais poderá duplicar até 2060. A procura alimentar global
irá crescer até 2050 e a produção de calorias terá de aumentar 56%, o que implicará mais 593
mil hectares de terra cultivada, na ausência de avanços na produtividade agrícola. Até 2050,
o consumo final de energia a nível global poderá aumentar 0,7% ao ano.
Impactos em Portugal: maior conflito pelo uso da água entre as utilizações humana,
energética e agrícola. Será assumido um papel cada vez mais destacado nas negociações com
Espanha sobre a partilha de recursos hídricos. Portugal poderá encontrar oportunidades de
desenvolvimento económico, se aprofundar a aposta na promoção da economia circular e
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explorar os recursos minerais e marinhos sob a sua jurisdição de forma adequada.
Diversificação e mudança dos modelos económicos
As escolhas entre a integração física e virtual, ou a fragmentação e o isolamento, moldarão o
curso da globalização nos próximos anos. A globalização dificilmente será revertida, mas
poderá passar a operar numa dinâmica de maior variedade de modelos económicos que
estarão, simultaneamente, em cooperação e competição entre si.
Impactos em Portugal: o país tem uma economia integrada nos circuitos da globalização e
sujeita às dinâmicas de integração/fragmentação. A aplicação do conceito de autonomia
estratégica aberta e a reconfiguração dos fundos europeus poderão ter impactos profundos.
Um reforço da autonomia poderá implicar uma recuperação das atividades mineira e
industrial em território nacional num quadro de sustentabilidade.
Evoluções demográficas divergentes
O crescimento populacional, em simultâneo com o envelhecimento, será desigual entre
regiões. A população mundial deverá atingir um máximo de 10 mil milhões de pessoas até
2050, iniciando então uma fase decrescente. O envelhecimento será uma das transformações
mais significativas do século XXI, com profundos impactos sociais.
Impactos em Portugal: estima-se que em 2050 haverá 297,2 pessoas idosas por cada 100
jovens. O envelhecimento da população levará a uma maior procura de serviços de saúde,
mas também pode ter efeitos socioeconómicos negativos por via da diminuição da população
ativa e da crescente pressão sobre os sistemas de segurança social. A população portuguesa
será mais diversa étnica e culturalmente e haverá um reforço da língua portuguesa no mundo
fruto do crescimento populacional nos países africanos de língua oficial portuguesa,
reforçando a lusofonia, como espaço de cooperação cultural e económica, abrindo
oportunidades para a internacionalização da produção artística e criativa.
Um mundo mais urbano
Em 2050, 68% da população mundial viverá em cidades. As cidades tendem a proporcionar
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uma melhor utilização de recursos e mais oportunidades, apesar de serem mais afetadas por
problemas como a habitação precária ou a degradação ambiental. As cidades serão o palco e
os atores de muitas das dinâmicas que moldarão o século XXI.
Impactos em Portugal: a tendência de urbanização é concomitante com a litoralizaç��o e é
previsível que os dois fenómenos se mantenham ao longo das próximas décadas. A
acumulação de pessoas na faixa litoral, por um lado, criará externalidades positivas e, por
outro lado, acentuará os obstáculos à coesão territorial e ao desenvolvimento equilibrado do
país. Com a urbanização crescente e a pressão sobre os centros metropolitanos, a cultura
ganhará importância como fator de coesão social, revitalização dos territórios e afirmação
identitária.
Um mundo mais digital
Haverá uma evolução exponencial do volume de dados, do desenvolvimento da internet das
coisas e da inteligência artificial (IA). A análise de dados para a tomada de decisões
estratégicas só será possível com algoritmos cada vez mais sofisticados. Disseminar-se-á o
emprego relacionado com os dados e as tecnologias digitais, exigindo uma atualização
constante das competências dos trabalhadores.
Impactos em Portugal: o país acompanha as tendências de desenvolvimento das economias
e sociedade digitais e tem potencial para se destacar em áreas como a IA, a cibersegurança,
as energias renováveis e a mobilidade sustentável. No entanto, existem também desafios,
como a capacitação digital da população, a inclusão digital das áreas mais remotas, o combate
à desinformação e os ciberataques.
Aceleração do desenvolvimento tecnológico
A aceleração do desenvolvimento tecnológico prolongar-se-á pelas próximas décadas. Novos
materiais, sistemas de fabricação inteligente e tecnologias digitais poderão causar avanços e
disrupções de largo espetro nos custos, nas cadeias de abastecimento, no mercado de
trabalho, no emprego e na descarbonização.
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Impactos em Portugal: novas tecnologias criarão produtos, processos e empregos, mas a
procura global de talentos poderá incentivar a emigração de pessoas qualificadas. O domínio
marítimo de Portugal será vital para o país acelerar o conhecimento dos oceanos e para a
sustentabilidade. A tecnologia moldará a autonomia estratégica e a competitividade do país.
Em simultâneo, a aceleração tecnológica e a digitalização estão a transformar as formas de
criação, difusão e fruição cultural, oferecendo novas oportunidades para melhorar o acesso
à cultura e aos equipamentos culturais.
Um mundo multipolar
O centro de gravidade da economia mundial deslocar-se-á mais para Este e para Sul, com o
crescimento de países como China, Índia, Brasil e outros. Numa configuração geopolítica
mais fluída, alguns destes novos atores tentarão defender militarmente os seus interesses. A
UE poderá ter dificuldades políticas neste novo cenário mundial devido aos seus mecanismos
de tomada de decisão e a conflitos internos.
Impactos em Portugal: o país está integrado no bloco UE-OTAN, sendo decisiva a evolução
futura desse bloco. Portugal poderá alavancar o seu domínio marítimo e a localização
atlântica, a CPLP ou a sua a inserção nas rotas internacionais de mercadorias e de dados,
procurando ter uma voz ativa nas decisões do bloco e ajustando-se melhor às suas evoluções
futuras.
Novos desafios à democracia
A persistência das desigualdades e a influência de atores não estatais capazes de rivalizar com
os Estados serão um desafio à democracia. A própria resposta das democracias a ameaças
internas e externas poderá conduzir a tentativas de limitar os direitos fundamentais. Tais
desafios ao Estado de direito poderão ainda dificultar a gestão política do bloco UE-OTAN.
Impactos em Portugal: o combate às desigualdades será crucial para a vitalidade da
democracia e a confiança nas instituições. As redes sociais poderão catalisar ativismos
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políticos e sociais, mas também propagar desinformação e ódio. Num contexto europeu de
conflito, Portugal deve enfrentar os desafios e consolidar-se como uma voz cada vez mais
ativa na sua resolução.
Conforme se pode observar no Quadro 1, a análise do alinhamento entre os Eixos
Prioritários das Grandes Opções 2025-2029 e as Megatendências 2050 revela uma forte
consonância estratégica, indicando que as medidas de política propostas foram desenhadas
para responder ativamente às transformações globais e emergentes. Destaca-se uma
concentração de respostas em torno de três grandes transições. A transição ecológica e de
recursos, onde os eixos prioritários "Água que Une: salvaguardar o futuro", "Criar riqueza,
acelerar a economia e aumentar o valor acrescentado", "As infraestruturas que alavancam o
país" e "Serviços essenciais a funcionar para todos e com qualidade" evidenciam um
alinhamento extremamente consonante com a necessidade de adaptação às alterações
climáticas e à crescente pressão sobre os recursos naturais. A transição económica e
tecnológica, com os mesmos eixos a posicionarem-se como motores da modernização,
respondendo à digitalização, ao desenvolvimento tecnológico e à mudança dos modelos
económicos. Por fim, a transição social e demográfica é endereçada através de políticas
focadas nos rendimentos, na habitação e na imigração, que procuram dar resposta a um
mundo mais urbano e com demografias divergentes.
Adicionalmente, é evidente o alinhamento com os desafios geopolíticos e institucionais, com
o eixo prioritário "Plano de reforço estratégico de investimento em defesa" a responder
diretamente à emergência de um mundo multipolar, menos previsível e potencialmente mais
conflituoso. Está patente também a forma como vários elementos – política de rendimentos,
reforma do Estado, garantia de serviços essenciais e habitação – contribuem positivamente
para enfrentar os novos desafios à democracia, sugerindo que a coesão social e a eficiência
do Estado são vistas como pilares da resiliência da democracia, das instituições e do Estado
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de direito. A existência de alinhamentos simultaneamente consonantes e dissonantes (nos
termos da Nota Metodológica associada ao Quadro 1) reflete a inerente complexidade dos
fenómenos em causa, nomeadamente a multiplicidade de ameaças, desafios e incertezas no
horizonte.
Quadro 1 – Relação das Grandes Opções 2025-2029 com as Megatendências 2050
Eixo prioritários
das Grandes
Opções 2025-2029
Megatendências 2050
Agravamento das alterações
climáticas
Pressão crescente sobre os
recursos naturais
Evoluções demográficas
divergentes
Um mundo mais urbano
Um mundo mais digital
Aceleração do
desenvolvimento tecnológico
Diversificação e mudança dos
modelos económicos
Um mundo multipolar
Novos desafios à democracia
Uma política de
rendimentos que
valoriza o trabalho
e a poupança, o
mérito e a Justiça
Social
+
++
+
+ + + + ++
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Reforma do Estado
e guerra à
burocracia:
simplificar a vida
dos cidadãos e das
empresas
+ ++
+++/
-
++ ++ +
++/
-
Criar riqueza,
acelerar a economia
e aumentar o valor
acrescentado
++
++
+
++
+
++
++
+
++
+
+
Imigração regulada
e humanista
++ + +
Serviços essenciais
a funcionar para
todos e com
qualidade, com
complementaridad
e entre oferta
pública, privada e
social
++
+
+
++
+
++
+
+++/
-
++
+
++
+
+ ++
Segurança mais
próxima, justiça
mais rápida e
combate à
corrupção
+ ++ ++
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Construir Portugal:
mobilização de
todos para
ultrapassar a crise
da habitação
++
++
+
++
As infraestruturas
que alavancam o
país ++ ++
++
+
+++ +
++
+
Água que Une:
salvaguardar o
futuro
++
+
++
+
++
+
+ + +
Plano de reforço
estratégico de
investimento em
defesa
+ + + + +
++
+
Legenda: (em branco) = sem relação || + = consonante | ++ = muito consonante |
+++ = extremamente consonante || - = dissonante | -- = muito dissonante | --- =
extremamente dissonante || +/- = relação consonante, em parte, e dissonante, noutra
parte || ++/- = relação muito consonante, com elementos de dissonância || +++/- =
relação extremamente consonante, com elementos de dissonância
Nota Metodológica
O Quadro 1 apresenta o resultado da análise da relação entre os 10 eixos prioritários das
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Grandes Opções 2025-2029 e as nove megatendências com impacto projetado para
Portugal em 2050.
Mais concretamente, essa análise consistiu na verificação do modo como o conjunto de
elementos relevantes – orientações, objetivos e medidas de política pública – referentes a
cada eixo prioritário se relaciona com as ameaças, oportunidades e incertezas identificadas
para as megatendências referidas.
Cada um dos pontos da relação – com as ameaças, oportunidades e incertezas das
megatendências – foi classificado como consonante, dissonante ou neutro. A relação é
considerada consonante se o conjunto de orientações, objetivos e medidas de política
pública do eixo prioritários concorre para a mitigação de ameaças, para a potenciação de
oportunidades ou para uma inclinação a favor do polo positivo das incertezas.
Inversamente, a relação é dissonante se o eixo prioritário potencia ameaças, anula
oportunidades ou se inclina para o polo negativo das incertezas. A classificação neutra,
representada no quadro por uma célula em branco, foi atribuída na ausência de uma relação
direta ou de informação que permitisse uma avaliação inequívoca.
A classificação final que consta do Quadro 1 resulta da agregação de todas as relações de
consonância e de dissonância observadas na análise de cada eixo prioritário face às nove
megatendências. O resultado é obtido através do apuramento do número de ocorrências
de cada tipo de relação, sendo posteriormente aplicada uma tabela de equivalências para
graduar a intensidade da relação final. Note-se que, nos casos em que se observam os dois
tipos de relação, a classificação final assinala a soma de ocorrências de ambos, conforme
detalhado na legenda do quadro.
Importa notar que este exercício de análise qualitativa está, inerentemente, sujeito à
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interpretação da informação constante nos instrumentos de planeamento. A metodologia
usada procura sistematizar relações complexas para efeitos de clareza analítica.
2.2.2. Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU 2 são um
conjunto de 17 objetivos e 169 metas estabelecidos pela ONU com um apelo global para
ação até 2030.
O Quadro 2 mapeia o alinhamento das medidas de política inscritas nas Grandes Opções
2025-2029, distribuídas pelos 10 eixos prioritários, com os referidos ODS.
Todos os ODS são cobertos pelas medidas propostas nos 10 eixos prioritários. A grande
maioria das medidas de política estão alinhadas com pelo menos um ODS e apenas cerca de
14% das medidas não se alinham com nenhum dos 17 ODS.
Sublinhe-se que os eixos prioritários “Reforma do Estado e guerra à burocracia: simplificar
a vida dos cidadãos e das empresas” e “Criar riqueza, acelerar a economia e aumentar o valor
acrescentado” apresentam uma grande abrangência no que toca à diversidade de ODS
potencialmente impactados.
De realçar também que os ODS 9 (Indústria, Inovação e Infraestruturas) e o ODS 16 (Paz,
Justiça e Instituições Eficazes) são os mais impactados, de forma transversal, por quase todos
os eixos prioritários.
2 Disponível em https://ods.pt/
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Por outro lado, constata-se que há um conjunto de ODS que são impactados por apenas um
eixo: o ODS 6 (Água Potável e Saneamento), o ODS 7 (Energias Renováveis e Acessíveis) e
o ODS 14 (Proteger a Vida Marinha).
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Quadro 2 – Alinhamento das Grandes Opções 2025-2029 com os ODS da Agenda 2030 da ONU
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2.3. Financiamento das medidas de política pública e fontes de financiamento das
Grandes Opções 2025-2029
As Grandes Opções 2025-2029 concretizam-se num conjunto de medidas de política pública
cujas fontes de financiamento abrangem fundos nacionais e europeus.
Assim, as medidas incluídas nas Grandes Opções 2025-2029 incluem fontes de
financiamento nacionais, das quais se destacam o Orçamento do Estado e o Orçamento da
Segurança Social e, de menor dimensão, o Fundo Ambiental (FA) – que concentra num único
fundo vários recursos financeiros para ter maior capacidade e adaptabilidade aos desafios
que se apresentam em termos ambientais – e o Fundo de Inovação, Tecnologia e Economia
Circular (FITEC).
Incluem também fontes de financiamento europeias, destacando-se, (i) o Plano de
Recuperação e Resiliência (PRR) – a decorrer até 2026, visa a implementação de um conjunto
de reformas e de investimentos que impulsionarão o país para a convergência europeia em
termos de crescimento económico; (ii) o Acordo de Parceria Portugal 2030 (PT2030) – que
agrupa cinco fundos europeus, nomeadamente, o Fundo Europeu de Desenvolvimento
Regional (FEDER), o Fundo de Coesão (FC), o Fundo Social Europeu+ (FSE+), o Fundo
de Transição Justa (FTJ) e o Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos Pescas e Aquicultura
(FEAMPA); e (iii) o Plano Estratégico da Política Agrícola Comum – que engloba o Fundo
Europeu Agrícola de Garantia (FEAGA) e o Fundo Europeu Agrícola de Desenvolvimento
Rural (FEADER) para o período 2021-2027.
Por fim, e ainda nas fontes de financiamento europeias, merecem destaque: (i) o Mecanismo
Interligar a Europa para os transportes, energia e digital (MIE) – que apoia o
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desenvolvimento de redes transeuropeias de alto desempenho, sustentáveis e interligadas de
forma eficiente; (ii) o Horizonte Europa (HE) – que financia a investigação, a inovação e
facilita a colaboração entre os Estados-Membros; (iii) o Programa «Europa Digital»; (iv) o
InvestEU – que visa estimular o investimento, apoiar a inovação e as pequenas empresas; (v)
o Programa Ambiente e Ação Climática (LIFE) – que visa o desenvolvimento sustentável e
a concretização de objetivos e metas estabelecidas pela UE no domínio de ambiente e ação
climática; (vi) o Fundo para o Asilo, a Migração e Integração (FAMI) – que contribui para
uma gestão eficaz dos fluxos migratórios e para a definição de uma abordagem comum em
matéria de asilo e migração na UE; (vii) o Fundo para a Segurança Interna; (viii) o
Instrumento de Apoio Financeiro à Gestão das Fronteiras e à Política de vistos – criado no
âmbito do Fundo de Gestão Integrada das Fronteiras; e (ix) o Mecanismo Financeiro do
Espaço Económico Europeu - EEA Grants Portugal; (x) o Instrumento de Ação para a
Segurança da Europa (SAFE) através do Reforço da Indústria Europeia de Defesa, destinado
a prestar aos Estados-Membros uma assistência financeira que lhes permita realizar
investimentos públicos urgentes e avultados para apoiar a indústria europeia de defesa em
resposta à atual situação de crise.
O Quadro 3 reporta a programação plurianual do financiamento relativo às medidas e aos
investimentos previstos para cada um dos eixos prioritários que compõem as Grandes
Opções 2025-2029.
Quadro 3 – Programação plurianual do financiamento relativo às medidas e aos investimentos previstos
para cada um dos eixos prioritários
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O Quadro 43 evidencia o contributo de várias fontes de financiamento, designadamente o
PRR e o PT2030, para cada um dos eixos prioritários referidos.
Quadro 4 – Fontes de financiamento para cada um dos eixos prioritários
Nota Metodológica
O Quadro de programação plurianual para financiamento das medidas de política pública
contempla a projeção de execução dos investimentos previstos no Programa de Recuperação
e Resiliência (PRR), em outras fontes europeias previstas no âmbito do Quadro Financeiro
3 As fontes de financiamento nacionais incluem valores da Contrapartida Pública Nacional (CPN) e do Fundo Ambiental;
as outras fontes europeias incluem valores associados ao PEPAC, MIE e FEAMPA.
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Plurianual (QFP 2021-2027) – nomeadamente os fundos da Política de Coesão, acordados
através do Portugal 2030 (PT2030), os fundos da Política Agrícola Comum, enquadrados no
PEPAC, do FEAMPA, através do Programa Mar 2030 e investimentos previstos no
Mecanismo Interligar Europa (MIE) – contemplando ainda medidas de política financiadas
através de fontes de financiamento nacionais, incluindo as contrapartidas públicas nacionais
(CPN) dos fundos europeus, o Fundo Ambiental (FA) e medidas cujo financiamento está
previsto no Orçamento do Estado (OE) de natureza fiscal, valorização de carreiras, apoio
social e investimento na defesa. As projeções de execução para o PRR e para o PT2030 foram
elaboradas tendo em consideração a diferente natureza destes instrumentos e o respetivo
estágio de execução.
As medidas de política financiadas pelo PRR incluem as previsões de pagamento a
beneficiários diretos e finais para o período de referência entre 2025 e 2029 pelo que não são
considerados os montantes já transferidos em 2021-2024 para esses beneficiários. Estes dois
pressupostos explicam as diferenças entre os valores reportados no Quadro e os valores
globais inscritos no PRR. Os valores ora apresentados não refletem o resultado da
reprogramação em curso, sendo passíveis de serem alterados, aquando da aprovação da
Reprogramação do PRR. A abordagem metodológica seguida para a previsão de pagamentos
a beneficiários diretos e finais não é compatível com uma comparação direta com o
cronograma de montantes contratados com beneficiários diretos e beneficiários
intermediários.
Em particular, nos fundos programados ao abrigo do Quadro Financeiro Plurianual da União
Europeia 2021-2027, o exercício previsional de execução dos fundos considera, também, o
horizonte temporal 2025 – 2029/2030, pelo que os montantes apresentados ao longo do
documento não são diretamente comparáveis com os montantes constantes nos documentos
de programação conhecidos, cuja execução se prolonga, em regra, até 2029 (regra n+2) e
2030 (regra n+3).
Para os fundos da Política da Coesão, foi considerada a execução registada no ano de 2024 e
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a previsão de execução para o período 2025 a 2029, no âmbito do Quadro Plurianal de
Programação Orçamental. A correspondência aos eixos prioritários foi elaborada a partir das
tipologias de ação que integram os objetivos específicos. Quando um objetivo abrangia várias
áreas, o valor foi atribuído em função do peso relativo de cada área.
Os montantes relativos ao PT2030 apenas consideram o financiamento através do FEDER,
FSE+, Fundo de Coesão e Fundo para uma Transição Justa (FTJ), pelo que não incluem os
fundos dirigidos especificamente à Aquicultura e Pescas (FEAMPA), nem ao Asilo e
Migrações (FAMI).
Para a Contrapartida Pública Nacional (CPN) para o ano de 2025, é considerada a execução
registada e, para os anos seguintes, uma estimativa dos fundos incluídos no PT2030 e no
PEPAC, bem como de outros fundos europeus como o Mecanismo Interligar Europa,
quando aplicável.
Os valores referentes ao PEPAC foram ajustados, tendo em consideração a 3ª reprogramação
do PEPAC - aprovada por Decisão de Execução da Comissão Europeia de 4 de fevereiro de
2025, que teve como objetivo manter a capacidade de resiliência das explorações e atendendo
ao contexto de evolução dos instrumentos de financiamento disponíveis, nomeadamente no
âmbito do Plano Nacional de Regadios (RCM nº 206-A/2023). Esta reprogramação teve
como consequência ajustes entre a distribuição das dotações das intervenções do PEPAC –
FEADER, tendo sido necessário rever a orçamentação das intervenções inscritas no PEPAC
face ao histórico e às necessidades de investimento inventariadas, nomeadamente para
acomodar a dotação a atribuir às intervenções que decorrem da reprogramação.
No caso do Fundo Ambiental (FA), para o ano de 2025 consideraram-se os valores do
Despacho n.º 3495-C/2025, em que foi utilizada a melhor estimativa disponível à data que
corresponde aos valores já previstos nas GO 2024-2028 e POENMP 2025-2028.
Adicionalmente, assumiu-se que para os anos de 2026 a 2028 serão assumidos novos
compromissos plurianuais. Neste exercício foram consideradas as receitas do CELE 2
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(comércio europeu de licenças de emissão, Diretiva (UE) 2023/959) e do Fundo Social para
o Clima (FSC), existe alguma incerteza associada às estimativas destes valores decorrente,
também da necessária harmonização legislativa por transposição da Diretiva Europeia nesta
matéria.
Em 2025 foi incluído o financiamento através de fontes nacionais de um conjunto de
medidas, de cariz fiscal, de valorização de carreiras na função pública, de reforço de apoios
sociais e de investimento na defesa.
Por outro lado, importa realçar que os exercícios de projeção foram realizados com base na
informação disponível à data, não considerando eventuais alterações que decorram da revisão
intercalar do PT2030 ou da reprogramação do PRR. Não obstante, são exercícios
inerentemente dinâmicos, uma vez que estão sujeitos a atualizações decorrentes não só de
alterações à programação, mas também do próprio perfil de execução efetivamente
verificado.
Por fim, foi adotada uma metodologia de classificação única. Ou seja, cada item, ou medida
de política pública, e o seu respetivo financiamento foram alocados a um único eixo
prioritário. Nos casos em que uma dada medida ou item contribuam para mais do que um
eixo, foi aplicado um ponderador de forma a repartir o financiamento por esses eixos. Os
valores de financiamento alocados aos eixos estratégicos “Imigração regulada e humanista”
e “Segurança mais próxima, justiça mais rápida e combate à corrupção” são inferiores aos
restantes eixos, esta diferença explica-se principalmente por estes eixos se centrarem, em
grande parte, em intervenções de natureza administrativa e de reformas legislativas.
3. Eixo prioritário I – Uma política de rendimentos que valoriza o trabalho e a
poupança, o mérito e a Justiça Social
A visão ambicionada para o país no eixo prioritário I “Uma política de rendimentos que
valoriza o trabalho, a poupança, o mérito e a Justiça Social” assenta numa política que
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promove salários mais altos e impostos mais baixos, considerando que o esforço do trabalho
é o motor da prosperidade nacional e não pode ser penalizado por um sistema, ou que
despreza o esforço do trabalho, ou que desincentiva a produtividade e a ambição.
Neste sentido, promove-se a continuação da redução dos impostos sobre o trabalho como
uma exigência de justiça social e de racionalidade económica, continuando o caminho de
diminuição da tributação para aumentar o rendimento dos portugueses. Só com uma
estrutura fiscal racional e favorável à atividade profissional se criam as condições para reter
talento, atrair investimento e reforçar o Estado Social.
Ao mesmo tempo, reforçam-se as políticas públicas para promover a igualdade entre
mulheres e homens, e valorizar o papel das famílias, com o bem-estar das crianças e a
conciliação entre a vida profissional, pessoal e familiar no centro das prioridades.
Valoriza-se, também, a poupança, desonerando-a fiscalmente para reforçar os rendimentos
futuros, num ambiente de simplicidade e previsibilidade fiscal que estimule a confiança dos
cidadãos e das famílias.
Garante-se, por fim, um sistema de apoios sociais unificado e coerente, com exigência no
acesso, que funcione como uma forte rede de segurança, mas que não prejudique a entrada
no mercado de trabalho nem crie efeitos de chamada para a imigração irregular. Reduzem-se
os fatores de persistência da pobreza, eliminando a retirada repentina de apoios sociais, e
simplificam-se não só as prestações sociais, mas também o acesso a estas para que o acesso
seja mais claro, previsível e justo para os cidadãos mais vulneráveis.
Este eixo prioritário desdobra-se nos temas e nos objetivos estratégicos que constam do
Quadro 5.
Quadro 5 – Temas e objetivos estratégicos referentes ao eixo prioritário I «Uma política de rendimentos que
valoriza o trabalho e a poupança, o mérito e a Justiça Social»
Temas Objetivos Estratégicos
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Rendimentos
Aumentar os salários e aliviar a
carga fiscal sobre o trabalho
Poupança
Melhorar a literacia e incentivar a
poupança
Apoios sociais e inclusão
Tornar os apoios sociais mais
eficazes e integrados
Promover a inclusão
Os indicadores de contexto relativos a este eixo prioritário estão refletidos no Quadro 6. Na
sua maioria apresentam uma evolução socioeconómica positiva, conforme se pode verificar,
por exemplo, nos casos do rendimento monetário médio anual da população e da taxa de
risco de pobreza.
Quadro 6 – Indicadores de contexto referentes ao eixo prioritário I «Uma política de rendimentos que
valoriza o trabalho e a poupança, o mérito e a Justiça Social»
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O Quadro 7 apresenta a lista de instrumentos de planeamento que contribuem para
materializar a visão ambicionada para o país neste eixo prioritário.
Quadro 7 – Lista de instrumentos de planeamento associados ao eixo prioritário I «Uma política de
rendimentos que valoriza o trabalho e a poupança, o mérito e a Justiça Social»
Designação Situação
Plano de Ação da Estratégia Única dos Direitos das Em
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Designação Situação
Crianças e Jovens 2025-2035 aprovação
Estratégia Nacional de Combate à Pobreza 2021-2030 Adotado
Plano de Ação da Estratégia Nacional de Combate à
Pobreza 2023-2025
Adotado
Estratégia Nacional para a Inclusão das Pessoas com
Deficiência 2021-2025 (ENIPD)
Adotado
Plano de Ação da Garantia para a Infância 2022-2030 Adotado
Plano de Ação do Envelhecimento Ativo e Saudável 2023-
Adotado
Nova Estratégia Nacional para a Integração de Pessoas em
Situação de Sem-Abrigo 2025-2030
Adotado
Plano de Ação da Nova Estratégia Nacional para a
Integração de Pessoas em Situação de Sem-Abrigo 2025-
Adotado
Estratégia Única dos Direitos das Crianças e Jovens 2025-
Adotado
Plano de Ação para a Nova Estratégia Nacional para a
Integração de Pessoas em Situação de Sem-Abrigo 2027-
A elaborar
Plano de Ação para a Nova Estratégia Nacional para a
Integração de Pessoas em Situação de Sem-Abrigo 2029-
A elaborar
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Designação Situação
Estratégia Nacional para a Longevidade A elaborar
Estratégia Nacional para a Inclusão de Pessoas com
Deficiência 2026-2030
A elaborar
Planos de Ação da Estratégia Nacional para a Inclusão de
Pessoas com Deficiência
A elaborar
Plano Nacional de Formação Financeira A elaborar
Plano de Ação da Estratégia Única dos Direitos da Criança Aprovado
O Quadro 8 evidencia os valores do financiamento plurianual das medidas de política pública
associadas a este eixo prioritário.
Quadro 8 – Financiamento plurianual das medidas de política associadas ao eixo prioritário I «Uma
política de rendimentos que valoriza o trabalho e a poupança, o mérito e a Justiça Social»
3.1. Rendimentos
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A fiscalidade em Portugal caracteriza-se por uma forte tributação dos rendimentos do
trabalho e por um sistema complexo e mutável. Visa-se estimular uma trajetória sustentada
de aumento dos salários mínimo e médio e ainda das pensões para os próximos anos até ao
final da legislatura. Por outro lado, deve introduzir-se simplicidade e previsibilidade no regime
jurídico fiscal aplicável.
3.1.1. Aumentar os rendimentos e aliviar a carga fiscal sobre o trabalho e pensões
É fundamental valorizar o trabalho com o alívio da respetiva carga fiscal. Pretende-se
concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação das seguintes medidas:
Salário Mínimo de 1 100 euros, salário médio 2 000 euros, e nenhum pensionista com
rendimento abaixo de 870 euros;
Reduzir o IRS em 2 000 milhões euros ao longo da legislatura, dos quais 500 milhões
já em 2025, baixando a carga fiscal sobre os rendimentos, em especial para a classe
média;
Consolidação e reforço do IRS Jovem como medida estrutural para aumentar o
rendimento disponível e apoiar a autonomia dos jovens;
Prosseguir a reforma fiscal, aproveitando a revisão e racionalização da despesa fiscal
(benefícios fiscais), para ampliar o alívio fiscal transversal sobre o trabalho e o
investimento. Reforço da simplificação e previsibilidade fiscal, limitando a
discricionariedade da autoridade tributária.
3.2. Poupança
Não obstante as medidas de reforma e reforço da sustentabilidade da segurança social, há
um conjunto de condições e circunstâncias, nomeadamente o envelhecimento crescente da
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população portuguesa, que fazem com que a poupança de médio e longo prazo seja
importante para a preparação da situação de pensionista, nomeadamente através de regimes
complementares de reforma. É por isso crucial não só a promoção dos níveis de literacia
financeira, mas também o estímulo e o incentivo à poupança através da sua desoneração
fiscal, de modo a permitir que, no futuro, cada vez mais pessoas possam ter uma
disponibilidade financeira não dependente estritamente da pensão ou do salário que recebem.
3.2.1. Melhorar a literacia financeira e incentivar a poupança
É crucial promover a literacia financeira e a poupança das pessoas. Pretende-se concretizar
este objetivo estratégico mediante a implementação das seguintes medidas:
Estimular a poupança, evoluindo para um sistema de tributação limitada da poupança
e dos rendimentos reinvestidos. No âmbito do processo europeu de reforço dos
mecanismos de poupança, envolver neste sistema produtos financeiros específicos
para trabalhadores, associados a planos de poupança de longo prazo;
Elevar o nível de literacia financeira da população, nomeadamente nas matérias
relativas à poupança, investimento e preparação para a reforma.
3.3. Apoios sociais e inclusão
O combate à pobreza continua a ser um objetivo a reforçar nesta legislatura, na sequência do
conjunto de medidas provenientes do XXIV Governo Constitucional. Além disso, há em
Portugal trabalhadores em situação de pobreza persistente, associada, em parte, à retirada
sem período de ajustamento de determinados apoios sociais caso se ultrapasse, por pouco
que seja, determinados níveis de rendimento. Tal situação deverá ser corrigida com vista a
incentivar o trabalho e a justiça social. Adicionalmente, existe uma multiplicidade de
prestações sociais com regras complexas, prejudicando a previsibilidade e dificultando o
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acesso dos cidadãos mais vulneráveis quando o apoio é mais necessário.
3.3.1. Tornar os apoios sociais mais eficazes e integrados
É fundamental promover um sistema de proteção social mais unificado e coerente, sempre
que possível digital, garantindo uma maior justiça na distribuição dos apoios sociais, e
exigência no seu acesso, com reforço da transparência e clareza da informação, assim como
continuar a reforçar a sustentabilidade do sistema previdencial da segurança social. Pretende-
se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação das seguintes medidas:
Simplificar o regime das prestações sociais não contributivas, através da sua
agregação económica, englobando complementos em algumas prestações e/ou
agregando prestações de natureza similar e/ou complementar, com o objetivo de
tornar mais claras as condições de acesso, melhorar a cobertura e contribuir para o
combate à exclusão (inclui Prestação Social Única);
Criação da Prestação de Incentivo ao Trabalho, no âmbito de um redesenho do
sistema de apoios sociais que garanta que não há uma perda de rendimento disponível
quando haja um aumento dos rendimentos do trabalho;
Criar um sistema digital centralizado, permitindo a consulta e o acesso rápido aos
beneficiários de apoios sociais, com requisitos de elegibilidade claros e com medidas
para garantir que as ajudas não são retiradas abruptamente quando os rendimentos
aumentam ligeiramente;
Garantir que o acesso a apoios sociais não amplifica efeitos de chamada e reforçar
do acompanhamento dos beneficiários de prestações não contributivas, garantindo
o cumprimento dos compromissos assumidos e uma entrada célere no mercado de
trabalho;
Rever o regime de atribuição e fiscalização do rendimento social de inserção, e avaliar
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a sua acumulação com outros apoios sociais e a introdução de obrigações de
solidariedade;
Rever o regime jurídico do subsídio de desemprego.
3.3.2. Promover a inclusão
É importante dar continuidade às políticas de proteção das famílias e em especial das crianças
e de outros dependentes. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a
implementação das seguintes medidas:
Prosseguir a implementação da Estratégia Única dos Direitos das Crianças e Jovens
2025 - 2035, executando os respetivos Planos de Ação, com enfoque na redução da
pobreza infantil e na boa aplicação da garantia para a infância;
Valorizar e apoiar o cuidador informal, reforçando e ampliando a formação e
certificação, bem como criar uma Bolsa de Cuidadores Informais;
Promover o acolhimento familiar e da adoção ao invés da institucionalização;
Garantir a execução da Estratégia Nacional para a Longevidade;
Tornar os apoios mais eficazes às pessoas com deficiência, designadamente da
concretização da Estratégia Nacional para a Inclusão das Pessoas com Deficiência e
respetivos planos de ação, a vigorar a partir de 2026;
Fortalecer a rede de acessibilidades e reforçar a fiscalização no cumprimento das
normas de acessibilidades;
Construção do “projeto vida”, projeto de intervenção em três níveis: emergência,
acompanhamento e avaliação, e preparação para a autonomia das pessoas em situação
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de sem-abrigo;
Desenvolver projetos-piloto experimentais e inovadores capazes de dar resposta às
necessidades das pessoas em situação de sem-abrigo, nomeadamente respostas para
pessoas com dependências;
Dignificar e apoiar o setor social e solidário, como parceiro estratégico do Estado em
matéria de ação social e na resposta aos problemas dos mais vulneráveis, reforçando
também a sua sustentabilidade financeira, através da simplificação das regras
referentes aos equipamentos sociais, bem como o relacionamento entre a Segurança
Social e as instituições da ação social;
Promover a capacitação das instituições do setor social para respostas inovadoras que
privilegiem a autonomia, o apoio domiciliário e o papel dos cuidadores informais, em
detrimento da institucionalização dos utentes.
4. Eixo prioritário II – Reforma do Estado e guerra à burocracia: simplificar a vida dos
cidadãos e das empresas
A visão ambicionada para o país no eixo prioritário II “Reforma do Estado e guerra à
burocracia: simplificar a vida dos cidadãos e das empresas” assenta numa política que coloca
as pessoas no centro da ação governativa, garantindo um Estado ágil, transparente, eficaz e
facilitador do desenvolvimento económico e social, atento aos riscos associados à aceleração
tecnológica, nomeadamente o agravamento das desigualdades sociais e de género.
Na reforma do Estado começa-se por simplificar, concentrar e responsabilizar, eliminando
exigências redundantes, encurtando prazos e agilizando decisões. Garante-se um ponto único
de contacto para cidadãos e empresas, e uma Administração Pública reorganizada de modo
a cooperar internamente.
Acelera-se a digitalização, incluindo o uso de inteligência artificial, assegurando a
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interoperabilidade de sistemas e o fluxo automático de informação entre serviços.
Redefinem-se os processos para serem mais simples e transparentes, reduzindo-se custos de
contexto.
Adota-se também uma nova abordagem à organização interna do Estado, com estruturas
estritamente necessárias, seguindo princípios de descentralização e autonomia, mas com rigor
na avaliação de resultados.
Orienta-se a contratação pública para ter regras claras e previsíveis, com controlo e
fiscalização a posteriori, substituindo a cultura do adiamento por uma cultura de execução
com responsabilidade.
Valorizam-se os funcionários públicos, criando condições para atrair e reter talento e
promovendo o mérito e a produtividade. Tudo isto assenta no princípio da confiança: o
Estado deve confiar nos cidadãos, reduzindo exigências injustificadas e adotando
mecanismos de controlo eficazes. É, neste contexto de simplificação, digitalização e
responsabilização que se concretiza a reforma do Estado.
Este eixo prioritário desdobra-se nos temas e objetivos estratégicos do Quadro 9.
Quadro 9 – Temas e objetivos estratégicos referentes ao eixo prioritário II «Reforma do Estado e guerra à
burocracia: simplificar a vida dos cidadãos e das empresas»
Temas Objetivos Estratégicos
No plano da simplificação dos
procedimentos
Combate à burocracia que prejudica as
empresas e os cidadãos
No plano da digitalização da
Administração Pública
Reforma da governação, organização e da
prestação do setor público administrativo
Inovação, empreendedorismo e
digitalização
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No plano orgânico-institucional
Reforma da governação, organização e da
prestação do setor público administrativo
Simplificação transversal
Inovação, empreendedorismo e
digitalização
Processo de descentralização
No plano orçamental
Revisão da despesa pública e reforma do
processo orçamental
No plano dos trabalhadores da
Administração Pública
Promover uma cultura de serviço público
de excelência
Os indicadores de contexto relativos a este eixo prioritário estão refletidos no Quadro 10.
Apesar do desempenho positivo das contas públicas e de melhorias na qualificação dos
funcionários públicos e na digitalização dos serviços públicos, persistem desafios como os
elevados custos de contexto, a diminuição da qualidade regulatória e a redução da eficácia
governamental.
Quadro 10 – Indicadores de contexto referentes ao eixo prioritário II «Reforma do Estado e guerra à
burocracia: simplificar a vida dos cidadãos e das empresas»
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O Quadro 11 apresenta a lista de instrumentos de planeamento que contribuem para
materializar a visão ambicionada para o país neste eixo prioritário.
Quadro 11 – Lista de instrumentos de planeamento associados ao eixo prioritário II «Reforma do Estado
e guerra à burocracia: simplificar a vida dos cidadãos e das empresas»
Designação Situação
Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) – Recuperar Portugal, Construindo
o Futuro
Adotado
Compete 2030 - Programa Temático Inovação e Transição
Digital
Adotado
Programa de Assistência Técnica 2030 Adotado
Estratégia Digital Nacional Adotado
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Designação Situação
Estratégia para a Transformação Digital na Administração Pública 2021-2026 Adotado
Agenda Nacional para a Inteligência Artificial
A
elaborar
Plano de renovação e aumento dos Serviços Públicos Digitais
A
elaborar
O Quadro 12 evidencia os valores do financiamento plurianual das medidas de política
pública associadas a este eixo prioritário.
Quadro 12 – Financiamento plurianual das medidas de política associadas ao eixo prioritário II
«Reforma do Estado e guerra à burocracia: simplificar a vida dos cidadãos e das empresas»
4.1. No plano da simplificação dos procedimentos
A simplificação de procedimentos é um pilar essencial da modernização administrativa. É
indispensável a simplificação orientada para a eliminação de redundâncias, a redução de
prazos e a agilidade nas decisões. Esta desburocratização visa assegurar um Estado mais
eficiente, com processos claros e rápidos, que facilite as interações dos cidadãos e das
empresas com a Administração, garantindo maior transparência e previsibilidade.
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4.1.1. Combate à burocracia que prejudica as empresas e os cidadãos
O combate à burocracia é fulcral num contexto em que a resposta pública é pressionada por
maiores exigências de eficácia, eficiência e de proximidade, e requer uma revisão profunda
de processos, regras e modelos organizacionais, numa lógica de reforma e de modernização
transversais. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação das
seguintes medidas:
Desburocratizar e acelerar os regimes de licenciamento, de autorização e da
contratação pública, eliminando o excesso de pronúncias prévias (incluindo
pareceres, vinculativos ou não), privilegiando a fiscalização a posteriori , adotando
sempre que possível o deferimento tácito, e penalizando indeferimentos
injustificados;
Introduzir mecanismos de “ sunset clauses”, garantindo que a ausência de clarificação
relativa a um processo de licenciamento extingue determinadas exigências, dando aos
cidadãos e empresas previsibilidade e segurança nos seus investimentos;
Rever e simplificar as regras aplicáveis às empresas e às instituições e equipamentos
sociais, desde a sua criação e registo, eliminando atos exigidos para a sua atividade e
procurando a simplificação, digitalização e eliminação de redundâncias;
Combinar os projetos de reengenharia de processos conduzidos por cada ministério,
com um processo aberto, recolhendo contributos da sociedade civil para
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identificação e preparação de medidas de desburocratização e eliminação ou
simplificação de processos ou requisitos administrativos;
Rever e acelerar o sistema de controlo financeiro da Administração Pública,
substituindo o paradigma de controlo prévio pelo controlo concomitante e sucessivo,
e concentrando a jurisdição do Tribunal de Contas no controlo específico e na
responsabilidade financeira;
Rever e acelerar a justiça administrativa e fiscal;
Rever as regras de contratação pública;
Criar pontos únicos de contacto físicos e digitais para empresas e cidadãos,
promovendo uma relação simplificada e eficaz com a Administração Pública;
Incentivar a colaboração ativa entre os diversos intervenientes para a adoção de
soluções que garantam a célere aprovação de projetos;
Implementar uma cultura de avaliação sistemática de políticas públicas, com base em
dados e evidência;
Criar um portal público com estatísticas de cumprimento de prazos por entidade,
eventualmente associados a sistemas de incentivos;
Desenvolver, no processo legislativo do Governo e, desejavelmente, do Parlamento
e dos reguladores independentes, a realização de testes de impacto burocrático antes
da aprovação de novas medidas legislativas ou regulatórias, com possibilidade de
rejeição se o impacto for negativo;
Criar um Tribunal Arbitral Especializado em litígios de pequena e média dimensão
entre empresas/cidadãos e a Administração Pública (licenciamento,
contraordenações, coimas). Processos rápidos (menos de 6 meses) com decisões
vinculativas.
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4.2. No plano da digitalização da Administração Pública
A digitalização é essencial para tornar a Administração Pública mais ágil e acessível, e
melhorar a qualidade dos serviços que são prestados aos cidadãos e às empresas. A
digitalização permite a simplificação de processos e promove a inclusão ao facilitar a
acessibilidade aos serviços públicos por parte de todas as pessoas. O processo de digitalização
contribui para uma cultura de inovação, ao incentivar a utilização de novas tecnologias e a
procura por novas soluções, melhorando a forma como as instituições públicas e a sociedade
interagem entre si.
4.2.1. Reforma da governação, organização e da prestação do setor público administrativo
A digitalização da Administração responde à exigência de uma relação mais simples, eficiente
e transparente entre os serviços públicos, os cidadãos e as empresas, implicando a
reconfiguração dos modelos de funcionamento da administração, com a desmaterialização
de processos e a integração de soluções baseadas na inteligência artificial. Pretende-se
concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação das seguintes medidas:
Aprofundar a reforma da articulação front-office - back-office dos serviços públicos, com
recurso às tecnologias disponíveis, incluindo inteligência artificial, expandindo os
serviços cujos processos podem ser tramitados integralmente por via digital, embora
assegurando assistência presencial ou remota aos cidadãos tecnicamente excluídos;
Criar um Regulador Único para o Digital para simplificar o quadro regulatório,
reduzir os custos para as empresas, promover a competitividade e inovação,
assegurando um ambiente regulatório mais simples, previsível e favorável ao
desenvolvimento empresarial e tecnológico e reforçar a atratividade internacional;
Assegurar a interoperabilidade entre serviços da Administração Pública, eliminando
redundâncias através da partilha inteligente de dados entre serviços, respeitando a
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privacidade e assegurando a aplicação do princípio “só uma vez”, para que cidadãos
e empresas não tenham de fornecer dados já disponíveis ao Estado, e, ainda,
convergindo para o uso de uma plataforma única de interface da administração
central com os cidadãos e empresas;
Progredir na digitalização, desmaterialização de processos, desenvolvimento
tecnológico, reforço da cibersegurança e integração de ferramentas de inteligência
artificial na Administração Pública. Cada Ministério fará um levantamento exaustivo
de todos os processos burocráticos que as empresas e os cidadãos enfrentam (com
destaque para as áreas da Saúde, Educação e serviços de conhecimento intensivo),
sendo cada um deles objeto de uma avaliação e se a sua existência não se justificar,
será eliminado. Avançar na digitalização integral de todos os processos
administrativos, incluindo a integração com IA para validação automática de
formulários, alertas de pendências e preenchimento assistido;
Investir no desenvolvimento de soluções de IA em processos da Administração
Pública, de forma a melhorar a eficiência e a qualidade dos processos internos da
Administração Pública, com vista a redução de custos, ou a melhoria da qualidade
dos serviços de atendimento aos cidadãos e às empresas.
4.2.2. Inovação, empreendedorismo e digitalização
A digitalização da Administração Pública pressupõe a existência de uma cultura de inovação
e empreendedorismo, que impulsione a transformação digital, apoie o desenvolvimento de
soluções inovadoras, tanto nos serviços públicos quanto no setor empresarial, incentive a
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investigação, a formação especializada e a cooperação entre diferentes áreas. Pretende-se
concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação das seguintes medidas:
Continuar a implementar celeremente a Estratégia Digital Nacional (EDN),
posicionando Portugal como líder europeu na transformação digital. Alinhada com
o programa “Década Digital 2030” da União Europeia, a EDN prioriza a inclusão, a
sustentabilidade e a inovação responsável, assegurando que o digital é uma
oportunidade para todos e não apenas uma ferramenta para alguns, contemplando
também, como prioridade, o incentivo à participação de raparigas e mulheres nas
áreas STEM e tecnológicas, de forma a diminuir as clivagens entre mulheres e
homens no setor;
Implementar a Agenda Nacional para a Inteligência Artificial, espoletando uma nova
era de crescimento de produtividade na economia nacional e de eficiência na
Administração Pública, mobilizando a sociedade para o ensino e investigação, para a
inovação e desenvolvimento de produtos e serviços suportados em tecnologias IA, e
para a qualificação dos diferentes agentes, estudantes, gestores, líderes, colaboradores
da Administração Pública ou de empresas privadas;
Alargar a formação especializada de talentos, lançando um Pacto de Competências
digitais, garantindo a literacia digital e empregabilidade no sector digital para todos
os cidadãos, independentemente da sua localização ou da sua condição social.
Definir um plano de desenvolvimento de uma infraestrutura de cloud soberana em
Portugal, alavancando a infraestrutura dos prestadores de serviço de cloud em
território nacional;
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Rever o modelo atual de acompanhamento de Investimento Direto Estrangeiro no
sector digital, incluindo fatores críticos e estratégias para a gestão e facilitação desse
investimento.
4.3. No plano orgânico-institucional
A reforma do Estado também exige uma nova abordagem à sua organização interna,
apostando num modelo mais eficiente, flexível e adaptado às novas realidades sociais e
económicas. As estruturas atuais, muitas vezes complexas e redundantes, dificultam a
agilidade na tomada de decisões e a resposta às necessidades da sociedade. Com a
transformação orgânica-institucional, pretende-se assegurar uma gestão pública mais eficaz
e uma melhor prestação do serviço público.
4.3.1. Reforma da governação, organização e da prestação do setor público administrativo
A reforma da governação, organização e da prestação do setor público administrativo assenta
em critérios de racionalidade, eficiência e escala, promovendo uma arquitetura institucional
mais simples, funcional e transparente. Este processo implica o fortalecimento da
especialização técnica e da coordenação estratégica, para uma governação mais ágil e
responsável. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação das
seguintes medidas:
Completar a reforma do centro de Governo e cúpula da Administração Direta do
Estado, com a extinção de Secretarias-Gerais setoriais, a valorização da especialização
nas funções jurídicas e de planeamento e a avaliação de políticas públicas, o
desenvolvimento de serviços partilhados da administração central, e o
aproveitamento do potencial sinergético e racionalizador do Campus XXI;
Processo de deslocalização gradual de vários serviços centrais da administração
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central do Estado para outras regiões do território nacional fora da capital, dando
prioridade àqueles cuja atividade ou recursos têm maior afinidade com o território.
4.3.2. Simplificação transversal
A simplificação transversal visa eliminar redundâncias, fundir estruturas sobrepostas e
adequar as entidades às reais necessidades da sociedade. Pretende-se concretizar este objetivo
estratégico mediante a implementação das seguintes medidas:
Reorganizar funções e extinguir estruturas duplicadas, observatórios e grupos de
trabalho redundantes, com revisão da despesa associada, e avaliação da racionalidade
organizacional em toda a Administração Pública. Alcançar uma redução líquida das
entidades da Administração Direta do Estado;
Rever o regime de governação do setor empresarial do Estado, reforçando a sua
transparência e qualificação, e alienando participações não-estratégicas.
4.3.3. Inovação, empreendedorismo e digitalização
No contexto da transformação digital da Administração Pública, é essencial garantir uma
liderança estratégica, capaz de integrar sistemas e otimizar a utilização dos recursos
tecnológicos, para reforçar a eficiência, a inovação e a qualidade dos serviços prestados a
cidadãos e empresas. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a
implementação da seguinte medida:
Criar a figura do Diretor de Sistemas e Tecnologias de Informação da Administração
Pública (ou Chief Technology Officer ), responsável por liderar uma estratégia digital
unificada entre sectores da Administração Pública, superando a atual fragmentação e
concentrando os recursos hoje dispersos, com ganhos financeiros e de eficiência.
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4.3.4. Processo de descentralização
A descentralização de competências passa pelo reforço da gestão pública local, tornando-a
mais eficaz e ajustada às realidades de cada território. Pretende-se concretizar este objetivo
estratégico mediante a implementação das seguintes medidas:
Aprofundar o processo de transferência de competências, garantindo meios
financeiros adequados, incentivos, qualidade, coesão territorial e igualdade de
oportunidades, confiando às autarquias locais, comunidades intermunicipais e áreas
metropolitanas a responsabilidade efetiva pela gestão dos serviços públicos,
tornando-os mais eficientes e próximos dos cidadãos
Rever o Regime Financeiro das Autarquias Locais e Entidades Intermunicipais
visando o reforço e a autonomia da gestão financeira dos municípios;
Promover a partilha e integração de serviços entre municípios com vista a otimizar a
escala de organização, contratação e prestação de serviços.
4.4. No plano orçamental
A sustentabilidade das finanças públicas é um pilar da estabilidade económica e da confiança
nas instituições. Neste sentido, a reforma do Estado exige uma gestão mais rigorosa e
estratégica dos recursos públicos, com racionalização da despesa, transparência orçamental e
responsabilização financeira, promovendo uma gestão pública mais eficiente e orientada para
resultados.
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4.4.1. Revisão da despesa pública e reforma do processo orçamental
A revisão da despesa pública e a reforma do processo orçamental, com introdução da
orçamentação por programas, reforçam o controlo e a previsibilidade da ação governativa.
Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação das seguintes
medidas:
Realizar um exercício global de revisão da despesa pública nos principais ministérios
com partilha das poupanças geradas com entidades, serviços e trabalhadores;
Reformar o processo orçamental, garantindo maior transparência e implementando
um sistema de monitorização dos recursos do Estado, com flexibilidade e
responsabilização orçamental ao nível dos Ministérios, das entidades de controlo e
das estruturas operativas. Implementação de uma efetiva orçamentação por
programas (OP), definindo para cada Ministério, objetivos, indicadores e metas.
4.5. No plano dos trabalhadores da Administração Pública
A reforma do Estado passa, também, por uma revisão da política de recursos humanos,
visando dotar os serviços públicos e os seus trabalhadores de competências críticas, bem
como de estratégias e políticas ajustadas de recursos humanos e de autonomia e flexibilidade
para realizarem as suas missões. Além disso, deve valorizar-se uma cultura de iniciativa e
recompensa dos profissionais do Estado. Os ganhos de eficiência e financeiros resultantes
permitirão libertar recursos que serão canalizados para a atração desse talento e a valorização
do existente.
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4.5.1. Promover uma cultura de serviço público de excelência
A valorização dos trabalhadores da Administração Pública é essencial para garantir serviços
públicos de excelência. Pretende-se uma política de recursos humanos de longo prazo que
aposte na qualificação, na motivação e na progressão baseada no mérito. A promoção de uma
cultura de liderança, reconhecimento e desenvolvimento profissional é acompanhada por
mecanismos de avaliação e diferenciação de desempenho, com foco na atração e retenção de
talento. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação das
seguintes medidas:
Completar a revisão das carreiras da Administração Pública nos termos do acordado
com as estruturas sindicais representantes das carreiras gerais da Administração
Pública;
Apostar na valorização reforçada dos cargos dirigentes e dos trabalhadores mais
qualificados, em particular onde o diferencial salarial face ao setor privado seja maior;
Adotar mecanismos de atração de jovens altamente qualificados para a
Administração Pública, incluindo através de percursos de progressão rápida;
Desenvolver e generalizar práticas de compensação material dos trabalhadores pelo
desempenho individual e do respetivo serviço;
Evoluir para um sistema de avaliação simples, desburocratizado, dando autonomia e
responsabilidade aos avaliadores e maior peso ao desempenho como critério de
progressão por oposição ao critério da antiguidade;
Promover formação e qualificação de excelência, melhorando a qualidade técnica e
de gestão dos quadros da Administração Pública;
Reforçar a formação contínua e a literacia digital, promovendo a inclusão social e o
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acesso equitativo à modernização dos serviços públicos;
Elaborar uma avaliação global dos trabalhadores por áreas setoriais e funções,
antecipando necessidades e identificando redundâncias, a fim de promover uma
política ativa de redistribuição de trabalhadores no âmbito da administração direta e
indireta do Estado;
Criar uma única entidade (através da fusão da DGAEP , INA, SSAP e ligação
funcional à CRESAP , mantendo a autonomia decisória desta última), que agregue
várias funções e fases do ciclo-de-vida da política de pessoas e recursos humanos da
Administração Pública, designadamente, políticas de recursos humanos, gestão de
carreiras, compensação e benefícios, seleção e recrutamento de dirigentes e
trabalhadores, avaliação, e formação, desenvolvimento e conhecimento dos
trabalhadores e colaboradores do Estado.
5. Eixo prioritário III – Criar riqueza, acelerar a economia e aumentar o valor
acrescentado
A visão ambicionada para o país no eixo prioritário III “Criar riqueza, acelerar a economia e
aumentar o valor acrescentado” assenta numa política que reconhece que são as pessoas –
empreendedores, empresários e trabalhadores – que fazem a economia. Define-se a criação
de riqueza como um desígnio nacional, por ser o caminho para mitigar assimetrias sociais,
gerar oportunidades para todos e assegurar a sustentabilidade do modelo social.
Promove-se uma economia dinâmica, a crescer acima da média europeia. Uma economia
concorrencial e inovadora, que cresce nas cadeias de valor, aproveitando o potencial dos
trabalhadores mais qualificados, o dinamismo empreendedor conjugado com as
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competências digitais que caracterizam as novas gerações e o conhecimento gerado no
sistema científico e tecnológico. Uma economia que, enquadrada num contexto institucional
altamente competitivo e por uma elevada conectividade internacional, estimule o
investimento nacional e estrangeiro e o crescimento das empresas, com projetos de dimensão,
escala e inovação, que permitam alavancar a sua capacidade e produtividade.
As políticas de igualdade e de conciliação entre a vida profissional, pessoal e familiar
assumem igual importância, constituindo pilares centrais da coesão social. Orienta-se o
enquadramento laboral para atenuar a rigidez da legislação, promover relações laborais
estáveis e uma melhor conciliação da vida pessoal, familiar e profissional e permitir às
empresas responder com celeridade às alterações do mercado, promovendo assim a
competitividade e a sustentabilidade da economia portuguesa. Implementa-se também um
quadro regulatório eficiente que permite fixar em Portugal empresas nacionais e estrangeiras
com ambição e operações a nível global e um sistema fiscal que incentiva o reinvestimento e
com benefícios fiscais precisos, previsíveis e eficazes, evitando a multiplicidade de pequenos
benefícios e regimes excecionais que promovem a incerteza e a elisão.
Por fim, investe-se na qualificação e requalificação da força laboral para responder ao
envelhecimento demográfico e à escassez de mão-de-obra e de competências-chave.
Assegura-se que os sistemas de ensino superior e científico e tecnológico respondem às
necessidades de formação da economia e estabeleçam relações próximas com as empresas
para promover a difusão do conhecimento e a inovação. O objetivo último é impulsionar a
competitividade, a produtividade e melhores salários e promover um crescimento económico
e sustentável.
Este eixo prioritário desdobra-se nos temas e objetivos estratégicos apresentados no Quadro
13.
Quadro 13 – Temas e objetivos estratégicos referentes ao eixo prioritário III «Criar riqueza, acelerar a
economia e aumentar o valor acrescentado»
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Temas Objetivos Estratégicos
Competitividade fiscal e laboral
Melhorar o ambiente fiscal e incentivar o
investimento
Aumentar a produtividade e a
flexibilidade laboral
Alinhar a formação profissional com o
mercado e o valor acrescentado
Valorizar o trabalho
Igualdade de oportunidades e de
tratamento entre mulheres e homens no
trabalho e emprego
Promover um sistema de proteção social
e de distribuição de apoios sociais mais
justo e universal
Continuar a reforçar a sustentabilidade
do sistema previdencial da segurança
social
Concorrência e regulação
Promover a concorrência, a liberdade
económica e a regulação especializada
independente nos setores regulados
Empresas
Financiamento e crescimento
empresarial
Apoiar a tesouraria das empresas
nacionais
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Transformar custos de contexto em
oportunidades
Ciência e inovação
Reforçar as condições para maior
impacto de todos os investigadores
Fundos Europeus
Acelerar a execução e otimizar os Fundos
Europeus
Gestão territorial
Reduzir desigualdades e promover
investimento fora dos grandes centros
Turismo
Promover o turismo sustentável e a
valorização de recursos locais
Agricultura, florestas e pescas
Aumentar a produtividade e o valor
acrescentado nos setores primários
Juventude
Aumentar as oportunidades e condições
de vida para os jovens em Portugal
Os indicadores de contexto relativos a este eixo prioritário estão refletidos no Quadro 14.
Verifica-se uma evolução globalmente positiva na generalidade dos indicadores.
Quadro 14 – Indicadores de contexto referentes ao eixo prioritário III «Criar riqueza, acelerar a economia
e aumentar o valor acrescentado»
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Apresenta-se, no Quadro 15, a lista de instrumentos de planeamento que contribuem para
materializar a visão ambicionada para o país neste eixo prioritário.
Quadro 15 – Lista de instrumentos de planeamento associados ao eixo prioritário III «Criar riqueza,
acelerar a economia e aumentar o valor acrescentado»
Designação Situação
Programa Internacionalizar 2030 Adotado
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Designação Situação
Compete 2030 - Programa Temático Inovação e Transição Digital Adotado
Estratégia Digital Nacional Adotado
Estratégia Nacional para uma Especialização Inteligente 2030 Adotado
Estratégia Nacional para os Semicondutores Adotado
Agenda para a Competitividade do Comércio e Serviços 2030 Adotado
Estratégia Turismo 2027 Adotado
Plano Reativar o Turismo | Construir o Futuro Adotado
Portugal Espaço 2030 Adotado
Estratégia Nacional para os Territórios Inteligentes Adotado
Programa de Valorização do Interior (PVI) Adotado
Programa Nacional da Política de Ordenamento do Território
(PNPOT)
Adotado
Programa Reforçar – Medidas de apoio à competitividade, exportação
e internacionalização
Adotado
Programa “Portugal sou Eu” Adotado
Estratégia para o Aumento da Competitividade da Rede de Portos
Comerciais do Continente
Adotado
Programa de Assistência Técnica 2030 Adotado
Mar 2030 Adotado
Plano de Ação para o Mar A elaborar
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Designação Situação
Plano de ação da Estratégia Nacional para o Mar 2021-2030 Adotado
Plano Estratégico da Pequena Pesca Adotado
Estatuto do Jovem Pescador A elaborar
Plano Nacional para a Aquicultura A elaborar
Estratégia Nacional para as Florestas (ENF) Adotado
Estratégia Nacional para a Gestão Integrada da Zona Costeira
(ENGIZC)
Adotado
Agenda de Inovação para a Agricultura 2020-2030 "Terra futura" Adotado
Estratégia Nacional para a Agricultura Biológica (ENAB) Adotado
Plano de Ação para a Gestão Sustentável e Valorização do Setor
Vitivinícola da Região Demarcada do Douro
A elaborar
Plano Estratégico da Política Agrícola Comum (PEPAC 2023-2027) Adotado
Floresta 2050, Futuro +Verde Adotado
Plano de ação para reforçar a 'Marca Portugal' A elaborar
Plano para as Cooperativas Agrícolas A elaborar
Plano de Ação para a Economia Circular 2030 A rever
Plano Nacional de Ação para a Conduta Empresarial Responsável e
Direitos Humanos (PNACERDH)
A elaborar
Plano Territorial de Investimentos A elaborar
Planos Regionais de Ordenamento do Território A elaborar
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Designação Situação
Planos Diretores Municipais A elaborar
Programa de acompanhamento pós-investimento para projetos de
dimensão significativa
A elaborar
Programa de garantias bancárias em modelo de portfólio A elaborar
Programa de aceleração de referência internacional dedicado a startups
focadas em 'deep tech'
A elaborar
Programa 'Semente' A rever
Programa de apoio às 'Compras Públicas de Inovação' A elaborar
Programa de agendas mobilizadoras que estimule a capacidade
industrial de Portugal no domínio da defesa
A elaborar
Programa de simplificação e desburocratização sequencial dos
processos de licenciamento de diferentes setores da economia
A elaborar
Programa de capacitação e de apoio técnico e financeiro às PME para
a adoção e implementação do Passaporte Digital do Produto
A elaborar
Programas de gestão inteligente dos destinos e de promoção da
mobilidade sustentável pelo território
A elaborar
Programa Crescer com o Turismo Adotado
Programa de reconversão das áreas urbanas de génese ilegal A elaborar
Programa de apoio ao registo de patentes e de outra propriedade
intelectual das empresas portuguesas a nível internacional
A elaborar
Estratégia Turismo 2035 A elaborar
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Designação Situação
Estratégia para a captação de grandes projetos industriais A elaborar
Estratégia para estreitar relações com o Mercosul A elaborar
Estratégia para a rede nacional de mercadores abastecedores A elaborar
Pacto para o Interior A elaborar
Pacto de Competências Digitais A elaborar
Agenda para a ação climática no turismo A elaborar
Agenda Nacional para a Inteligência Artificial A elaborar
Programas de apoio a projetos em modelo de 'agenda', que abranjam
todas as etapas do ciclo de inovação
A elaborar
Agenda para a ação climática no turismo A elaborar
Agenda para a tecnologia e inteligência artificial no turismo A elaborar
Programa “Primeiro Pessoas ”, que visa a transformação digital da
Segurança Social
Em
concretização
O Quadro 16 evidencia os valores do financiamento plurianual das medidas de política
pública associadas a este eixo prioritário.
Quadro 16 – Financiamento plurianual das medidas de política associadas ao eixo prioritário III «Criar
riqueza, acelerar a economia e aumentar o valor acrescentado»
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5.1. Competitividade fiscal e laboral
A reforma fiscal que se pretende levar a cabo, tem como uns dos seus objetivos centrais a
redução gradual e sustentável da carga fiscal, centrada no IRS e no IRC, bem como a
simplificação e redução dos custos de cumprimento das obrigações fiscais, e a agilização da
justiça tributária. Simultaneamente, para uma economia aberta como a economia portuguesa,
é crucial que a legislação laboral permita às empresas responder celeremente a alterações do
mercado e do seu modelo de negócio. A legislação laboral deverá promover a competitividade
e a sustentabilidade da economia portuguesa e não constituir um entrave à atração do
investimento direto estrangeiro. Adicionalmente, a legislação laboral deve procurar responder
aos desafios que se colocam aos trabalhos e suas famílias, promovendo por um lado, relações
laborais estáveis, e por outro lado uma melhor conciliação da vida pessoal, familiar e
profissional. Paralelamente, a legislação laboral terá de ser reajustada de forma a possibilitar
uma maior flexibilidade às empresas perante necessidades de adaptação às tendências do
mercado, de forma a manterem-se competitivas num contexto económico global. De igual
modo, novas dinâmicas sociais, decorrentes de mudanças relativas aos desafios da
digitalização e da transição verde, podem afetar os equilíbrios socio-laborais vigentes, o que
exige capacidade de antecipação do Estado, nomeadamente através de novas políticas de
formação profissional e de promoção ativa de emprego.
5.1.1. Melhorar o ambiente fiscal e incentivar o investimento
O sistema fiscal que se procura criar tem como objetivo promover o reinvestimento por parte
das empresas. Ao mesmo tempo, pretende-se simplificar e estabilizar o regime de benefícios
fiscais, evitando, por um lado, a multiplicidade de benefícios que existem, que tornam aquele
regime demasiado complexo e por vezes ineficaz para as empresas, e, por outro lado, diminuir
o grau de incerteza relativo à evolução do próprio regime de benefícios.
Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação das seguintes
medidas:
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Redução transversal do IRC, com diminuição gradual até 17% (e 15% para PMEs).
Aproveitar o processo de revisão da despesa fiscal (benefícios fiscais) para sustentar
a eliminação de incentivos fiscais dispersos e ineficientes e a concentração naqueles
que se revelam mais eficazes, complementados com reduções adicionais das taxas
marginais e uma atenuação gradual da progressividade do imposto via derrama
estadual. Reforço dos princípios de tributação limitada de lucros reinvestidos;
Aprofundamento da simplificação fiscal (incluindo declarativa) e reforma e
aceleração da justiça tributária, bem como da relação com a Segurança Social.
5.1.2. Aumentar a produtividade e a flexibilidade laboral
O Acordo Tripartido sobre Valorização Salarial e Crescimento Económico 2025-2028
contém um conjunto de medidas para o aumento dos salários e para o apoio às empresas
que promovem diretamente a produtividade e a competitividade. Impõe-se continuar esta
trajetória de promoção de criação de riqueza. Pretende-se concretizar este objetivo
estratégico mediante a implementação das seguintes medidas:
Revisão da legislação laboral, desejavelmente no contexto da concertação social, com
os objetivos de melhorar a adequação do regime legal aos desafios do trabalho na era
digital, equilibrar a proteção dos trabalhadores com uma maior flexibilidade dos
regimes laborais, que é essencial para aumentar a produtividade e competitividade
das empresas, bem como de incentivar o desempenho dos trabalhadores, o diálogo
social na empresa, e o equilíbrio de interesses sociais na legislação da greve;
Impulsionar a concertação social, procurando a convergência entre empresários e
trabalhadores a favor de medidas de aumento da produtividade.
5.1.3. Alinhar a formação profissional com o mercado e o valor acrescentado
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A reestruturação do sistema de formação profissional e a prossecução da reforma do serviço
público de emprego é fundamental para garantir uma maior convergência entre a formação
e a aquisição de competências, e as necessidades do mercado e o aumento do valor
acrescentado. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação da
seguinte medida:
Reformar o modelo atual de formação profissional de natureza pública, apostando
na ligação da oferta às necessidades efetivas do mercado de trabalho e às
transformações económicas, e na interdependência entre o financiamento e os
resultados da formação em termos de empregabilidade, produtividade e reforço do
valor acrescentado;
Reforçar os mecanismos de controlo de qualidade da formação profissional, de modo
a garantir maior empregabilidade, aumento da produtividade e consequente
valorização salarial;
Lançar um Programa Nacional de Formação Profissional Pós-secundária
nomeadamente, reformular os CET (Cursos de Especialização Tecnológica) e os
CTeSP (Cursos Técnicos Superiores Profissionais);
Reforçar os apoios do Programa +Talento para os jovens Doutorados, de modo a
premiar o seu esforço de qualificação de nível superior e promover a transmissão de
novos conhecimentos e técnicas às empresas;
Desenvolver, programas de formação, qualificação e certificação de quadros técnicos
intermédios, preenchendo, adequadamente, a fileira de conhecimento das empresas
portuguesas mais dinâmicas;
Apostar na qualificação dos portugueses em competências tecnológicas e digitais e
preparando a força de trabalho para a revolução da inteligência artificial;
Tendo por base a experiência do atual Programa INTEGRAR dirigido
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exclusivamente a desempregados imigrantes, criar um programa dirigido a um leque
mais vasto de públicos particularmente desfavorecidos face ao mercado de trabalho;
Reforçar o papel da formação e qualificação profissional, incluindo a componente de
formação em contexto de trabalho, em combinação com medidas ativas de emprego
dirigidas a pessoas com deficiência ou incapacidade;
Formular programas específicos de emprego e de requalificação profissional para os
trabalhadores de atividades económicas cujos modelos de produção e de negócio
tenham mais dificuldade de se adaptar a uma economia circular e descarbonizada,
através dos quais se promove também o desenvolvimento de competências verdes
junto desses trabalhadores;
Continuar a promover programas de formação profissional para a capacitação de
imigrantes em setores chave do mercado de trabalho;
Valorizar a Economia Social dedicada à proteção e integração dos imigrantes;
Alargar a oferta para adultos de forma a permitir a sua requalificação e adaptação às
novas condições do mercado de trabalho.
5.1.4. Valorizar o trabalho
É fundamental valorizar o trabalho e o emprego, aumentando a produtividade e a
flexibilidade laboral e combatendo a pobreza. Pretende-se concretizar este objetivo
estratégico mediante a implementação das seguintes medidas:
Aprovar benefícios fiscais associados ao aumento dos salários e ao regime de isenção
de IRS e TSU nos prémios de produtividade por desempenho até 6% da remuneração
base anual, através da eliminação da norma que condiciona os ditos benefícios ao
leque salarial nas empresas;
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Rever o regime da segurança e saúde no trabalho;
Articular formação profissional com apoios à contratação de jovens, de modo a
premiar o esforço dos jovens que se qualifiquem por via de dupla certificação;
Criar um sistema de subsídio ao trabalho, permitindo a acumulação de rendimentos
do trabalho com apoios sociais que incentive a participação ativa no mercado de
trabalho. Substituiria um conjunto alargado de apoios sociais, sem perdas para
ninguém, por um suplemento remunerativo, acumulável com rendimentos do
trabalho, RSI, pensão social, ou outros apoios sociais dirigidos a situações sociais
limite, que atenue o empobrecimento dos trabalhadores empregados e incentive a
sua participação ativa no mercado de trabalho, e que tenha em conta a dimensão e
composição do agregado familiar;
Não penalizar a obtenção de rendimentos de trabalho em sede de RSI ou nas pensões
sociais;
Rever o regime de proteção social na eventualidade do desemprego, de forma a torná-
lo mais justo e transparente, incentivando a reentrada rápida no mercado de trabalho;
Introduzir mecanismos de reforma a tempo parcial que permitam prolongar a vida
ativa, continuar a trabalhar e a acumular rendimentos do trabalho e de pensões,
atingindo uma maior flexibilidade na idade de acesso à pensão completa por velhice.
5.1.5. Igualdade de oportunidades e de tratamento entre mulheres e homens no trabalho e emprego
Promover a igualdade de oportunidades e de tratamento entre mulheres e homens no
trabalho e no emprego é um pilar essencial para o desenvolvimento económico e social
sustentável. Apesar dos progressos alcançados, persistem desigualdades que se refletem em
disparidades salariais, na segregação de profissões e cargos, bem como em obstáculos à
conciliação entre vida profissional e pessoal. Garantir condições equitativas de acesso,
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progressão e valorização profissional é não apenas uma questão de justiça social, mas também
um fator decisivo para potenciar a competitividade, a inovação e a coesão social. Pretende-
se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação das seguintes medidas:
Revisitar o regime das licenças de parentalidade e demais medidas de apoio à
parentalidade e à conciliação entre a vida profissional e familiar, de modo equilibrado
entre mães e pais;
Reduzir o gap salarial entre homens e mulheres;
Reforçar a legislação sobre quotas para liderança feminina nas empresas e
organizações.
5.1.6. Promover um sistema de proteção social e de distribuição de apoios sociais mais justo e universal
A promoção de um sistema de proteção social mais justo e universal é fundamental para
responder aos desafios atuais e futuros da sociedade. Num cenário de mudanças
demográficas, transformações no mercado de trabalho e crescentes riscos sociais, torna-se
essencial assegurar que todos os cidadãos, independentemente da sua condição económica
ou profissional, tenham acesso a mecanismos eficazes de proteção. Reforçar a justiça e a
universalidade do sistema significa não só reduzir desigualdades e prevenir situações de
exclusão, mas também consolidar a coesão social e fortalecer a confiança coletiva nas
instituições públicas. A promoção de maior justiça na distribuição dos apoios sociais é um
passo essencial para assegurar que os recursos públicos chegam de forma mais eficaz a quem
deles verdadeiramente necessita. Importa garantir que os apoios sejam orientados por
critérios de equidade, transparência e proporcionalidade, evitando sobreposições e lacunas.
Só através de uma distribuição mais justa e equilibrada se reforça a confiança dos cidadãos
no sistema, se promove a inclusão social e se contribui para uma sociedade mais coesa e
solidária. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação das
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seguintes medidas:
Aproximar ao regime de proteção social dos trabalhadores independentes e em novas
formas de emprego ao regime dos trabalhadores por conta de outrem;
Em consonância com a Reforma Fiscal preconizada, rever o código contributivo no
sentido da harmonização, simplicidade e previsibilidade, tendente a garantir bases
contributivas maiores e taxas contributivas menores, bem como uma maior
correlação entre contribuições e benefícios;
Reformular a atual Conta-Corrente do Contribuinte-Beneficiário, permitindo criar
um instrumento que dê aos cidadãos uma visão 360º com informação fidedigna sobre
o historial das suas contribuições para esquemas públicos de Segurança Social, assim
como os direitos adquiridos e todas as interações que tenham com a Segurança Social;
Implementar maior fluidez no sistema da Segurança Social para que ninguém fique
desprotegido por ineficiência operacional do mesmo;
Elaborar um Código das Prestações Sociais, que trate de forma sistemática e
integrada o conjunto das prestações sociais do regime contributivo e não
contributivo.
5.1.7. Continuar a reforçar a sustentabilidade do sistema previdencial da segurança social
A sustentabilidade do sistema previdencial da segurança social constitui um dos maiores
desafios das sociedades contemporâneas, em particular face ao envelhecimento demográfico,
à transformação do mercado de trabalho e às exigências crescentes de proteção social.
Continuar a reforçar a sua sustentabilidade é essencial para garantir que as futuras gerações
possam beneficiar de pensões adequadas e de uma rede sólida de proteção, preservando ao
mesmo tempo a confiança dos cidadãos e a coesão social. Este esforço exige uma
combinação equilibrada de medidas que assegurem a viabilidade financeira, promovam a
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equidade intergeracional e mantenham a capacidade do sistema em responder eficazmente
às novas necessidades sociais. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a
implementação das seguintes medidas:
Manter a estratégia de reforço financeiro do Fundo de Estabilização Financeira da
Segurança Social;
Promover o estudo de outros mecanismos de reforço do sistema, incluindo a
diversificação das fontes de financiamento;
Reforçar da capacidade da Segurança Social na gestão de ativos;
Promover junto dos cidadãos incentivos à poupança a médio e longo prazo, através
de regimes complementares de reforma.
5.2. Concorrência e regulação
Os enquadramentos institucionais da concorrência e da regulação são peças-chave para o
crescimento das empresas e da economia como um todo. Neste âmbito, pretende-se criar um
ambiente competitivo que seja atrativo numa perspetiva global, de modo a promover o
investimento nacional e estrangeiro, e que estimule o ganho de escala das empresas. Para
alcançar este objetivo, é fundamental que a regulação funcione de forma eficaz e que esteja
alinhada com aqueles propósitos, criando um regime propício à manutenção de empresas no
país, sejam estas de origem nacional ou estrangeira.
5.2.1. Promover a concorrência, a liberdade económica e a regulação especializada independente nos setores
regulados
Para a constituição de um contexto institucional competitivo, exige-se um novo quadro
regulatório que o promova, eliminando obstáculos à concorrência, à liberdade económica e
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à existência de uma regulação especializada independente. Pretende-se concretizar este
objetivo estratégico mediante a implementação das seguintes medidas:
Rever as regras de governação dos reguladores, fomentando a sua independência e
capacitação;
Rever o papel e poderes de intervenção das ordens profissionais, procurando um
justo equilíbrio entre os princípios da auto-regulação profissional, defesa da qualidade
e deontologia no exercício das profissões, e preservação da liberdade económica, de
acesso à profissão e a inovação;
Eliminar barreiras à entrada em todos os setores e no acesso a profissões;
Simplificar e digitalizar os processos de licenciamento e registo para novos entrantes
em setores regulados.
5.3. Empresas
A promoção de uma economia que reforce a capacidade financeira das empresas e a redução
dos custos de contexto, é fundamental para obter ganhos de escala e inovação, que permitam
alavancar a capacidade e a produtividade e competitividade da economia nacional.
5.3.1. Financiamento e crescimento empresarial
O aumento do financiamento e o crescimento empresarial são duas dimensões essenciais
para a criação de riqueza e para a transformação sustentada da economia portuguesa.
Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação das seguintes
medidas:
Remover todos os desincentivos fiscais e regulamentares ao ganho de escala das
empresas;
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Proposta de Lei n.º 39/XVII/1.ª
Reforçar a capitalização das empresas e o ecossistema de capital de risco, através da
criação de um fundo de fundos, sob gestão do Banco Português de Fomento,
promovendo a mobilização de investimento privado e a capacitação do setor.
5.3.2. Apoiar a tesouraria das empresas nacionais
As dificuldades de tesouraria das empresas nacionais é um aspeto que importa combater para
uma maior flexibilidade e agilidade financeira das mesmas. Pretende-se concretizar este
objetivo estratégico mediante a implementação da seguinte medida:
Garantir que o Estado paga a 30 dias, desenvolvendo um sistema de incentivos e de
penalização aos serviços e agentes envolvidos.
5.3.3. Transformar custos de contexto em oportunidades
A redução dos custos de contexto assume uma importância muito relevante para alcançar
padrões mais altos e mais sustentáveis de crescimento da economia portuguesa. Pretende-se
concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação da seguinte medida:
Rever os regimes de insolvência, adotando as melhores práticas europeias, para
facilitar acordos de reestruturação, garantir celeridade, preservar o valor económico
dos negócios e reforçar os instrumentos de controlo dos credores.
5.4. Ciência e inovação
Uma articulação continuada e consistente entre o sistema educativo e científico e a promoção
da inovação nas empresas e no Estado é fundamental para criar bases sustentáveis para a
transformação do perfil produtivo da economia portuguesa, não só a nível industrial, como
também ao nível dos setores agroflorestal e das pescas. Deste modo, a reformulação desta
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articulação assume-se como central, nomeadamente através de estratégias de interligação
mais aprofundadas entre as capacidades e competências existentes no sistema educativo,
científico e tecnológico, com o tecido produtivo.
5.4.1. Reforçar as condições para maior impacto de todos os investigadores
Uma maior proximidade entre as instituições de ensino superior, os centros de investigação
e as empresas favorece a valorização do conhecimento e a inovação em todo o ecossistema
e o encontro de soluções para os desafios económicos e sociais. Pretende-se concretizar este
objetivo estratégico mediante a implementação da seguinte medida:
Revisão dos regimes de exclusividade dos investigadores e dos docentes do ensino
superior para facilitar a sua circulação e participação simultânea em atividades
científicas e empresariais.
5.5. Fundos Europeus
Os fundos europeus, designadamente o PRR, o Portugal 2030 e o PEPAC devem ser
alocados a projetos e investimentos que maximizam o retorno económico e social para o
país, promovam a geração de riqueza, alavanquem ganhos de produtividade e
competitividade e, por essa via, contribuam para o desenvolvimento económico, social,
sustentado e inclusivo do país. Essencialmente, estes recursos devem ser mobilizados para
acelerar a transformação estrutural da economia portuguesa, promovendo a inovação, a
transição digital e climática, a coesão territorial, o desenvolvimento rural e a competitividade
dos territórios.
5.5.1. Acelerar a execução e otimizar os Fundos Europeus
Para que esta visão integrada se concretize, é essencial garantir uma utilização eficaz e
estratégica dos fundos europeus. A boa gestão dos fundos europeus é a ponte entre o
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potencial que Portugal tem e o futuro que se pretende alcançar. Pretende-se concretizar este
objetivo estratégico mediante a implementação das seguintes medidas:
Orientação dos fundos para as empresas e para a geração de valor acrescentado, em
consonância com a avaliação de resultados, com máxima exigência na aprovação e
total alinhamento com transformação de longo prazo da economia;
Adoção de instrumentos de antecipação de incentivos e de financiamento de capitais
alheios;
Transformação em todo o modelo de operacionalização dos fundos.
5.6. Gestão territorial
A promoção do desenvolvimento regional requer uma abordagem integrada, que valorize os
recursos locais, qualifique o capital humano e estabeleça redes de cooperação territorial.
Neste contexto, pretende-se promover a correção das assimetrias entre regiões no sentido de
contribuir para melhorar as condições de vida e bem-estar dos cidadãos que se encontram
em regiões mais desfavorecidas e, bem assim, a redução das desigualdades económicas e
sociais entre os territórios do país.
5.6.1. Reduzir desigualdades e promover o investimento fora dos grandes centros
A consolidação de um modelo de desenvolvimento territorial equilibrado começa com o
reforço da autonomia local. Uma gestão territorial inteligente deve ter como prioridade a
valorização do interior, combatendo as assimetrias regionais e promovendo a coesão
territorial como um desígnio nacional. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico
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mediante a implementação das seguintes medidas:
Apresentar o “Pacto para o Interior” com uma política eficaz de desenvolvimento
regional de base local que preveja medidas fiscais e investimento do Estado em
articulação com as regiões e os municípios;
Garantir uma maior participação das autarquias locais e suas associações na definição
de políticas públicas de base local;
Dignificar os 50 anos da primeira eleição para órgãos das autarquias locais;
Organizar o território com vista ao reforço da coesão nacional, através da correção
das assimetrias regionais e assegurar a igualdade de oportunidades de todos os
cidadãos, independentemente do local onde vivam, apostando na valorização das
diversidades do todo nacional, diferenciando positivamente os territórios com menor
capacidade de captação de receita.
5.7. Turismo
O turismo é uma atividade fundamental para a economia portuguesa, para a coesão territorial
e para a melhoria da qualidade de vida dos portugueses. Serão promovidas as condições para
que o turismo possa manter a rota de crescimento que tem registado, de forma inteligente,
responsável e sustentável, ao longo de todo o território e ao longo de todo o ano.
5.7.1. Promover o turismo sustentável e a valorização de recursos locais
Pretende-se afirmar o turismo como um pilar da prosperidade e bem-estar das populações,
um promotor do crescimento da economia nacional e da coesão económica e social do país,
assente num desempenho que transforme Portugal num dos destinos turísticos mais
competitivos do mundo. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a
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implementação da seguinte medida:
Lançar a Estratégia Turismo 2035, como referencial estratégico focado na
qualificação da oferta, diferenciação dos produtos turísticos e valorização dos ativos
endógenos.
5.8. Agricultura, florestas e pescas
As atividades económicas dos setores agrícola, florestal e das pescas dão um contributo
determinante para a competitividade e a coesão territorial, através da dinamização de
atividades de comércio, de indústria, de turismo, e de cultura. No caso da agricultura, das
florestas e das pescas, importa destacar a função de produção de alimentos, cujo
abastecimento e acesso é preponderante no que respeita à defesa nacional. Aumentar a
produtividade e o valor acrescentado nos setores primários, com vista à diminuição do défice
da balança comercial agroalimentar, com resultados já visíveis em 2024, é um objetivo central
a prosseguir. A melhoria do rendimento dos agricultores, dos pescadores e dos produtores
florestais, bem como a renovação geracional são condições indispensáveis para que este
objetivo seja atingido, sem esquecer da pequena agricultura familiar. No caso das pescas, é
ainda essencial garantir que estão reunidas as condições de segurança ao exercício da
atividade, tanto em terra, como em mar.
A floresta portuguesa, que ocupa mais de um terço do território nacional, é um ativo
estratégico de múltiplas dimensões: económica, ambiental e social. O seu papel na mitigação
dos efeitos das alterações climáticas é incontornável, mas também a sua importância na
criação de emprego e de valor acrescentado em territórios de baixa densidade, devendo, por
isso, ser encarada como um pilar estruturante de uma estratégia de desenvolvimento
sustentável e de ordenamento do território.
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5.8.1. Aumentar a produtividade e o valor acrescentado nos setores primários
Dada a importância estratégica que os setores primários têm do ponto de vista económico,
ambiental e territorial, dar-se-á continuidade ao reforço desta área, nomeadamente, através
do reforço das estruturas de acompanhamento e de proximidade com os agricultores, os
pescadores, os produtores florestais e com as empresas e entidades do território.
Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação das seguintes
medidas:
Reforçar a adoção de medidas que promovam o aumento do rendimento e a
renovação geracional nos setores agrícola e das pescas de forma a prosseguir a
tendência de diminuição do défice da balança comercial agroalimentar iniciada em
2024;
Promover a realização de reuniões da Plataforma de Acompanhamento das Relações
na Cadeia Agroalimentar (PARCA) das quais resultem medidas de valorização do
produtor na cadeia agroalimentar, reforçando a ligação entre a produção,
transformação e distribuição;
Garantir a implementação das alterações estipuladas no protocolo de demarcação e
complementaridade entre os Fundos da Política de Coesão do Portugal 2030 (PT
2030) e os fundos do PEPAC Portugal;
Consolidar os apoios à produção agrícola e às cooperativas;
Executar o plano de intervenção para a floresta “Floresta 2050, Futuro +Verde”,
orientado para o aumento da capacidade produtiva da floresta;
Apoiar a modernização tecnológica e digital da agricultura, florestas e pescas, com
foco na agricultura de precisão, monitorização remota e plataformas de dados
interoperáveis;
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Valorizar a certificação de origem e a qualidade diferenciada, reforçando a
internacionalização e a competitividade externa;
Desenvolver seguros agrícolas acessíveis, para mitigar o risco face a catástrofes
naturais e crises de origem sanitária ou geopolítica;
Promover a valorização económica de subprodutos agrícolas, utilizando-os na
produção de composto, biometano ou biogás, atividade que contribui para o objetivo
europeu de descarbonização;
Reforçar a autonomia e competitividade do setor cerealífero nacional,
implementando a Estratégia +Cereais 2025-2030;
Valorizar a pastorícia extensiva como instrumento de redução do potencial
combustível, prevenindo incêndios e assegurando serviços ambientais e de
biodiversidade.
Executar o Plano de Investimentos para o Triénio 2025-2027 da Docapesca, de modo
a garantir as condições de segurança, nomeadamente através de investimentos em
dragagens, e de trabalho nos portos de pesca. Neste âmbito, é ainda fundamental que
os portos de pesca apresentem infraestruturas adequadas à comercialização do
pescado.
5.9. Juventude
Promover as condições e oportunidades necessárias para que os jovens concretizem os seus
projetos de vida em Portugal, reforçando a sua autonomia, a estabilidade financeira, o acesso
à educação, à habitação e à saúde, bem como a criação de oportunidades de participação e
inovação, para reter talento e potenciar o contributo da juventude para o desenvolvimento
nacional.
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5.9.1. Aumentar as oportunidades e condições de vida para os jovens em Portugal
Está a ser desenvolvida uma resposta integrada, capaz de reforçar a autonomia e as
oportunidades para os jovens em diferentes dimensões da sua vida - desde a educação e a
habitação até à saúde, ao rendimento e ao empreendedorismo - de forma a garantir que
podem construir o seu futuro em Portugal com estabilidade e perspetivas de crescimento.
Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação das seguintes
medidas:
Apresentação da Agenda Nacional da Juventude como instrumento orientador das
políticas públicas de juventude, definindo prioridades transversais, garantindo
execução simplificada, monitorização rigorosa e possibilidade de atualização.
Reforço dos apoios à compra da primeira habitação, incluindo financiamento
bancário da totalidade do preço e aumento do Programa Porta 65 Jovem;
investimento na criação e adaptação de residências estudantis para reduzir barreiras
no acesso ao ensino superior;
Expansão dos programas de cheques psicólogo e nutricionista e avaliação de novas
medidas para promover estilos de vida saudáveis;
Lançamento do primeiro Concurso Nacional de Empreendedorismo Jovem para
incentivar inovação, criatividade e projetos com impacto social e económico.
6. Eixo prioritário IV – Imigração regulada e humanista
A visão ambicionada para o país no eixo prioritário IV “Imigração regulada e humanista”
assenta numa política que equilibra rigor e humanismo, pondo fim a um ciclo de imigração
descontrolada e recuperando a capacidade do Estado para gerir os fluxos migratórios de
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forma a assegurar a coesão social e o acolhimento digno.
Assume-se, como ponto de partida, o choque demográfico sofrido por Portugal nos últimos
anos. Esta evolução, que alterou o perfil demográfico do país, resultou de uma política
marcada por alterações legislativas contraproducentes e pela extinção do Serviço de
Estrangeiros e Fronteiras (SEF), tendo conduzido à acumulação de milhares de processos
pendentes e a uma situação que desumanizou quem chegava e corroeu a coesão social.
Neste sentido, e na sequência da viragem iniciada em 2024 com o fim das manifestações de
interesse e com a elaboração de um novo Plano de Ação para as Migrações, implementa-se
uma nova política de imigração assente em três linhas de ação fundamentais. Primeiro,
promove-se a resolução das pendências acumuladas na Agência para a Integração Migrações
e Asilo (AIMA) e no Instituto de Registos e Notariado (IRN), como condição essencial para
restaurar a ordem e a dignidade nos processos e verificar os registos criminais de centenas de
milhares de pessoas que entraram sem controlo no país. Segundo, implementa-se uma
regulação rigorosa das entradas, com maior controlo de segurança nas fronteiras, fiscalização
eficaz em território nacional e o afastamento de quem não cumpre as leis portuguesas.
Terceiro, garante-se o acolhimento e a integração com humanismo de quem vem para o país
cumprindo as regras, fomentando o respeito pelos valores constitucionais nacionais.
Este eixo prioritário desdobra-se nos temas e objetivos estratégicos do Quadro 17.
Quadro 17 – Temas e objetivos estratégicos referentes ao eixo prioritário IV «Imigração regulada e
humanista»
Temas Objetivos Estratégicos
Quadro legal da nacionalidade e imigração
regulada
Reforçar critérios de atribuição da
nacionalidade
Acolhimento e integração de imigrantes
Controlo de fronteiras e segurança Alargar cuidados de proximidade
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Criminalidade
Combate à imigração ilegal, atuação
preventiva e de proximidade
Imigração qualificada, responsável e
integrada
Acolher e integrar de forma humanista
Atrair talento e o regresso de emigrantes
Os indicadores de contexto relativos a este eixo prioritário estão refletidos no Quadro 18. A
análise evidencia um aumento continuado e substancial da população imigrante e estrangeira
em Portugal nos últimos anos.
Quadro 18 – Indicadores de contexto referentes ao eixo prioritário IV «Imigração regulada e humanista»
Apresenta-se, no Quadro 19, a lista de instrumentos de planeamento que contribuem para
materializar a visão ambicionada para o país neste eixo prioritário.
Quadro 19 – Lista de instrumentos de planeamento associados ao eixo prioritário IV «Imigração regulada
e humanista»
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Designação Situação
Plano Nacional de Implementação do Pacto Global das Migrações Adotado
Fundo para o Asilo, a Migração e a Integração - FAMI 2030 Adotado
Plano Estratégico de atração, acolhimento e integração de imigrantes A elaborar
Programa Regressar Adotado
V Plano de Ação para a Prevenção e o Combate ao Tráfico de Seres
Humanos 2025-2027
Adotado
O Quadro 20 evidencia os valores do financiamento plurianual das medidas de política
pública associadas a este eixo prioritário.
Quadro 20 – Financiamento plurianual das medidas de política associadas ao eixo prioritário IV
«Imigração regulada e humanista»
6.1. Quadro legal da nacionalidade e imigração regulada
O reconhecimento, por um lado, daimportância que uma relação efetiva com o país tem para
uma integração de sucesso e, por outro, da importância da imigração para a sociedade e
economia portuguesas implica, não só, o aumento da exigência nos critérios de atribuição da
nacionalidade portuguesa, como também a definição de uma política de imigração regulada
e a moderação dos fluxos, ambos pilares essenciais para a boa integração de quem cheg a e
para a confiança da população nacional. Portugal deve garantir o controlo das suas fronteiras,
bem como das condições para entrar no país e da obtenção da nacionalidade. Visa-se reverter
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uma situação de imigração sem critério ou controlo com impacto na coesão social.
6.1.1. Reforçar critérios de atribuição da nacionalidade
É necessário corrigir e robustecer a exigência nos critérios de atribuição da nacionalidade
portuguesa previstos na lei da nacionalidade. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico
mediante a implementação da seguinte medida:
Revisão da lei da nacionalidade, alargando o tempo mínimo de residência e presença
efetiva em território nacional, eliminando a possibilidade de a permanência ilegal ser
considerada para efeitos de contagem desse tempo, e assegurando que quem adquire
a nacionalidade portuguesa tem uma relação efetiva e uma integração de sucesso no
país, reunindo as condições necessárias para assumir os direitos e cumprir os deveres
inerentes à nacionalidade.
6.1.2. Acolhimento e integração de imigrantes
A política de imigração assentará na capacidade de acolher e integrar com dignidade os
imigrantes, garantindo a coesão social. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico
mediante a implementação da seguinte medida:
Revisão da lei de estrangeiros e da lei de asilo, limitando os fluxos migratórios,
nomeadamente do reagrupamento familiar, à capacidade dos serviços públicos e de
integração da sociedade portuguesa, restringindo o visto para procura de trabalho a
candidatos com elevadas qualificações, e ponderando a introdução de critérios de
progresso no domínio da língua portuguesa nas renovações de certas modalidades
de autorização de residência.
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6.2. Controlo de fronteiras e segurança
A política de imigração anterior ficou marcada pela extinção do SEF, e pela abolição do
controlo de fronteiras e da verificação de identidades. O reforço do controlo efetivo das
fronteiras portuguesas, bem como da fronteira externa da União Europeia, é essencial por
forma a implementar uma imigração regulada.
6.2.1. Alargar cuidados de proximidade
Torna-se necessária a ação nas áreas do policiamento e do controlo de segurança das
fronteiras, de triagem de imigrantes e de afastamento de ilegais. Pretende-se concretizar este
objetivo estratégico mediante a implementação das seguintes medidas:
Criação da Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras da PSP como garante da
eficácia e humanismo da política de controlo de fronteiras, de retorno e asilo;
Conclusão da construção dos novos centros de instalação temporária e espaços
equiparados, para implementar o novo processo de triagem dos migrantes nas
fronteiras externas da União Europeia;
Criação de um novo regime rápido e eficaz de afastamento de estrangeiros em
situação ilegal, em sintonia com a nova regulamentação em discussão nas instâncias
europeias.
6.3. Criminalidade
Portugal precisa de reforçar a fiscalização em território nacional, tendo em vista combater a
imigração ilegal, o trá fico humano e a criminalidade (individual ou organizada). O reforço
destas áreas é essencial para garantir uma imigração regulada e a segurança pública.
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6.3.1. Combate à imigração ilegal, atuação preventiva e de proximidade
Para combater a criminalidade associada à imigração ilegal e ao tráfico de seres humanos, é
fundamental uma atuação preventiva e de proximidade. Pretende-se concretizar este objetivo
estratégico mediante a implementação da seguinte medida:
Combater a imigração ilegal e o tráfico humano, prevenindo e protegendo as vítimas
destas práticas, estimulando o reforço de atuação no terreno e a articulação entre as
forças e serviços de segurança, a AIMA e outras autoridades inspetivas relevantes
(como ACT, ASAE, AT).
6.4. Imigração qualificada, responsável e integrada
Na continuação da medida que terminou com as manifestações de interesse e resolveu meio
milhão de processos pendentes, a política de imigração deve assentar no controlo e na
capacidade de acolhimento digno dos migrantes. A boa integração na sociedade portuguesa
é uma condição necessária à receção de população estrangeira. Ao mesmo tempo, apostar-
se-á na fixação de talento qualificado vindo do estrangeiro e no regresso de emigrantes
portugueses, com particular atenção para a criação de condições que favoreçam a valorização
e a retenção de jovens.
6.4.1. Acolher e integrar de forma humanista
O bom acolhimento dos imigrantes passa pela co-responsabilização efetiva dos atores sociais
e pelo reforço de iniciativas de integração. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico
mediante a implementação das seguintes medidas:
Preservação dos princípios e condições de co-responsabilização e internalização pelo
recrutador (empregador ou instituição de ensino) dos custos sociais de integração de
imigrantes que estão previstas no Acordo de Imigração Laboral Responsável
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subscrito com as confederações empresariais, ponderando a sua aplicação a
instituições do setor social (quando empregadoras) e do ensino superior;
Reforço das iniciativas de integração baseadas na lógica “direitos e deveres”, em
particular para estudantes nas escolas, no acesso a serviços públicos, e através de
intervenções comunitárias e territoriais que fomentem a aprendizagem da língua e
cultura portuguesas e previnam a formação de núcleos fechados à integração na
comunidade e ao respeito dos valores constitucionais portugueses.
6.4.2. Atrair talento e o regresso de emigrantes
A atração de talento qualificado e o regresso de emigrantes portugueses e lusodescendentes
são uma prioridade. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a
implementação da seguinte medida:
Adotar mecanismos e procedimentos que promovam e privilegiem a atração e
fixação de talento altamente qualificado vindo do estrangeiro, incluindo portugueses
emigrantes e lusodescendentes.
7. Eixo prioritário V – Serviços essenciais a funcionar para todos e com qualidade, com
complementaridade entre oferta pública, privada e social
A visão ambicionada para o país no eixo prioritário V “serviços essenciais a funcionar para
todos e com qualidade, com complementaridade entre oferta pública, privada e social”
assenta numa política que recupere o Estado Social e assegure saúde, educação, cultura e
transportes públicos acessíveis e com qualidade para todos os cidadãos. Responder aos
desafios de oferta, acessibilidade e qualidade dos serviços essenciais exige a mobilização, de
forma complementar, dos setores público, privado e social.
Promove-se a transição para um paradigma em que as escolas e os hospitais públicos têm a
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mesma autonomia de gestão e orçamental que têm as escolas em regime de contrato de
associação ou os hospitais em regime de PPP , bem como a convergência para a indistinção
entre a provisão pública ou privada, dando capacidade às entidades públicas de competir de
forma equilibrada com o setor privado.
Promove-se uma saúde mais próxima, com mais médicos de família, cuidados domiciliários,
o gestor do doente crónico e um reforço de parcerias que ampliam a capacidade de resposta,
numa aposta clara na complementaridade entre público, social e privado, mantendo o SNS
no centro do sistema de saúde. Investe-se na saúde digital – desde um ecossistema de dados
em saúde a serviços de monitorização à distância do doente crónico – e reforça-se a regulação
efetiva com a aplicação de um quadro normativo comum nos setores público, privado e
social.
Valoriza-se um sistema de educação e uma escola pública com professores e profissionais
motivados, com exigência, serenidade, diálogo e foco nas competências críticas que
asseguram o futuro.
Propõe-se transformar a Cultura num setor determinante para o desenvolvimento do país,
apostando na descentralização das artes, na valorização de criadores e estruturas
independentes e na defesa da livre criação artística, ao mesmo tempo que reforça a promoção
da língua portuguesa no mundo. Para tornar estas medidas uma realidade, será reforçado o
financiamento do setor, ultrapassando o subfinanciamento crónico e a baixa participação
cultural e posicionando a Cultura como motor de inovação, criatividade e conhecimento,
capaz de acrescentar valor à economia nacional e projetar Portugal à escala global.
No setor do desporto, visa-se incentivar a prática desportiva de qualidade em todo o território
nacional, reduzindo os níveis de sedentarismo, criando oportunidades para todos e alinhando
o país com as melhores práticas internacionais. O objetivo é garantir que o desporto contribui
para estilos de vida mais saudáveis, para o desenvolvimento de comunidades mais coesas e
para a valorização do talento desportivo, desde as primeiras fases da vida até ao desporto de
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alto rendimento.
Implementa-se uma política de mobilidade que promova a melhoria da qualidade de vida dos
cidadãos, combata a pobreza de mobilidade e a descarbonização, alicerçada na livre
concorrência, que gira a entrada de novos operadores e que reforce o papel estruturante do
transporte público na coesão do interior com o litoral - não deixando ninguém para trás.
Este eixo prioritário desdobra-se nos temas e objetivos estratégicos que se apresentam em
seguida (Quadro 21).
Quadro 21 – Temas e objetivos estratégicos referentes ao eixo prioritário V «Serviços essenciais a funcionar
para todos e com qualidade, com complementaridade entre oferta pública, privada e social»
Temas Objetivos Estratégicos
Saúde
Combater a desigualdade de acesso à
Saúde
Aumentar a eficiência na Saúde
Alargar cuidados de proximidade
Transformação digital na Saúde
Promover a Saúde e prevenir a doença
Investimentos no SNS
Educação
Modernizar o sistema educativo e confiar
nas escolas públicas: mais autonomia para
ensinar
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Criação de ambientes escolares seguros
Combater as desigualdades sociais
Começar cedo: a educação dos 0 aos 6
anos de idade
Melhorar a aprendizagem: um currículo
exigente e flexível para contextos de
incerteza
Transformar digitalmente o sistema de
informação educativo
Valorizar os professores
Cultura
Apoio às artes, participação cultural e
promoção da criação artística e do acesso à
cultura
Democratizar o acesso à cultura
Apoio ao cinema, à criação audiovisual e à
preservação do património
cinematográfico
Património Cultural
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Promoção da criação literária, da leitura e
do património arquivístico
Projetar Portugal no panorama cultural
europeu e internacional
Desporto
Promover estilos de vida ativos e
saudáveis
Garantir igualdade de acesso e inclusão no
desporto
Valorizar o talento e o desporto de alto
rendimento
Mobilidade/sistemas de transportes
coletivos
Diversificar a oferta de mobilidade
Regular o ecossistema da mobilidade e
transportes para fomentar
desenvolvimento económico e social
Combater a pobreza de mobilidade e
promover a inclusão com coesão social e
territorial
Acelerar a transferência modal para o
transporte público
Segurança Social Transformação digital da Segurança Social
Os indicadores de contexto relativos a este eixo prioritário estão refletidos no Quadro 22.
Não obstante a evolução genericamente positiva registada, observa-se uma redução no
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número de utentes com médico de família atribuído, bem como da média obtida pelos alunos
residentes em Portugal, nos testes PISA.
Quadro 22 – Indicadores de contexto referentes ao eixo prioritário V «Serviços essenciais a funcionar para
todos e com qualidade, com complementaridade entre oferta pública, privada e social»
Apresenta-se, no Quadro 23, a lista de instrumentos de planeamento que contribuem para
materializar a visão ambicionada para o país neste eixo prioritário.
2010 2015 2020 2024
Norte % - 98,77
(2016) 96,82 97,35
Centro % - 97,27
(2016) 95,16 88,74
Lisboa e Vale do Tejo % - 83,31
(2016) 85,20 72,06
Alentejo % - 96,52
(2016) 93,02 84,96
Algarve % - 84,10
(2016) 86,70 81,21
Enfermeiros Nº - 38 678 48 630 51 751
Médicos (sem
contabilizar internos) Nº - 16 978 20 228 21 719
Médicos internos Nº - 8 330 9 311 9 981
% 24,00 32,10 39,70 41,90 -
x̄ (PT) 489
(2012) 501 492
(2018)
(2022) -
x̄
(OCDE)
(2012) 493 489
(2018)
(2022) -
x̄ (PT) 488
(2012) 498 492
(2018)
(2022) -
x̄
(OCDE)
(2012) 493 487
(2018)
(2022) -
x̄ (PT) 487
(2012) 492 492
(2018)
(2022) -
x̄
(OCDE)
(2012) 490 489
(2018)
(2022) -
Autocarros % 6,50 5,80 4,20 7,50
(2023)
Comboios % 4,40 4,20 2,80 4,20
(2023)
Indicadores de contexto
Unidade
de
medida
Portugal Evolução
Indicador
PT
Fonte: SPMS - Serviços Partilhados Ministério da Saúde; EUROSTAT; OCDE; DGAEP - Direção-Geral da Administração e do
Total Utentes com Mdf
atríbuido (%)
Trabalhadores do Serviço
Nacional de Saúde
Taxa de escolaridade do nível de ensino superior (30 a 34
anos)
Ciências
Notas: "-" Dado não disponível; "x̄ (PT)" representa a média dos resultados PISA dos alunos residentes em Portugal; "x̄
(OCDE)"representa a média dos resultados PISA dos alunos residentes nos países da OCDE. Última atualização a 08/09/2025.
Leitura
Matemática
Distribuição modal do
transporte de passageiros
Resultados PISA dos alunos
residentes em Portugal e
OCDE, por disciplina (*)
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Quadro 23 – Lista de instrumentos de planeamento associados ao eixo prioritário V «Serviços essenciais a
funcionar para todos e com qualidade, com complementaridade entre oferta pública, privada e social»
Designação Situação
Plano de Motivação dos Profissionais de Saúde
Em
desenvolvimento
Plano Nacional de Saúde 2030 Adotado
Estratégia Nacional de Luta contra o Cancro 2021-2030 Adotado
Plano Nacional de Prevenção e Controlo de Doenças Transmitidas
por Vetores
Adotado
Plano Nacional para a Redução dos Comportamentos Aditivos e das
Dependências 2030
Adotado
Plano Nacional para a Segurança dos Doentes 2021-2026 Adotado
Programa Nacional de Promoção de Saúde Oral 2030 Adotado
Programa Nacional para a Diabetes Adotado
Plano Nacional de Desenvolvimento do Desporto A adotar
Plano «Aprender Mais Agora» (Plano A + A) Adotado
Programa de Incentivo ao Transporte Público Coletivo de
Passageiros (Incentiva+TP).
Adotado
Estratégia para o Digital na Educação A elaborar
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Proposta de Lei n.º 39/XVII/1.ª
O Quadro 24 evidencia os valores do financiamento plurianual das medidas de política
pública associadas a este eixo prioritário.
Quadro 24 – Financiamento plurianual das medidas de política associadas ao eixo prioritário V «Serviços
essenciais a funcionar para todos e com qualidade, com complementaridade entre oferta pública, privada e
social»
7.1. Saúde
A saúde é um pilar essencial do bem-estar da população, da coesão social e da confiança no
Estado. É essencial uma transformação integrada do Serviço Nacional de Saúde (SNS),
orientada para a equidade no acesso, a eficiência na gestão, a inovação tecnológi ca, a
valorização da prevenção e da proximidade e a colaboração entre os setores público, privado
e social.
Esta transformação visa assegurar um SNS moderno, resiliente, próximo das pessoas e
preparado para os desafios demográficos tecnológicos , e sociais do futuro, enquanto se
mantém o compromisso de servir as pessoas, garantindo um acesso à saúde em tempo útil e
com qualidade.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º 39/XVII/1.ª
7.1.1. Combater a desigualdade de acesso à Saúde
Reduzir as assimetrias no acesso aos cuidados de saúde exige uma reorganização da resposta
assistencial, com foco na proximidade, na equidade territorial e na garantia de uma equipa de
saúde familiar para todos. A valorização dos profissionais de saúde e a gestão integrada da
capacidade instalada são pilares desta transformação. Pretende-se concretizar este objetivo
estratégico mediante a implementação das seguintes medidas:
Concluir a implementação do Plano de Emergência e Transformação da Saúde 2024-
2029, com destaque para o novo Sistema Nacional de Acesso a Consulta e Cirurgia
(SINACC) e acesso ao Médico de Família e Saúde Familiar;
Plano de Motivação dos Profissionais de Saúde, que integra um planeamento da
evolução da organização dos cuidados, com valorização da multidisciplinaridade,
incentivos à atração e retenção de talentos no sistema de saúde, e identificação da
necessidade e o perfil de competências dos profissionais de saúde para a próxima
década.
7.1.2. Aumentar a eficiência na Saúde
A eficiência do SNS depende de um novo modelo de governação, com maior autonomia das
unidades, reorganização territorial dos serviços e um modelo de financiamento centrado no
valor para o cidadão. A articulação entre setores e a descentralização funcional e territorial
são instrumentos-chave para uma gestão mais eficiente. Pretende-se concretizar este objetivo
estratégico mediante a implementação das seguintes medidas:
Reestruturar a gestão do SNS, com participação de entidades públicas, privadas e
sociais, revisitando o modelo de gestão participada e descentralizada dos serviços de
saúde;
Reformar o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), no que concerne à
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Proposta de Lei n.º 39/XVII/1.ª
sua natureza jurídica, competências e atribuições, modelo de financiamento, controlo
orçamental e de gestão, modelo operativo, e perfil funcional e de competências dos
seus Recursos Humanos;
Convergir para um modelo de autonomia dos hospitais públicos, incluindo na gestão
de recursos humanos e planos de investimento, explorando a flexibilização da
contratação pública;
Promover a evolução do modelo de financiamento dos serviços de saúde baseado na
produção de atos, para um modelo baseado na centralidade, e no valor, de e para o
utilizador («Saúde Baseada em Valor»), viabilizando a medição de custos e resultados
para os cidadãos, respetiva auscultação e partilha de riscos com fornecedores;
Rever as competências das entidades tuteladas pelo Ministério da Saúde, com
transferência para as CCDR e Municípios.
7.1.3. Alargar cuidados de proximidade
Reforçar os cuidados de saúde de proximidade é um objetivo essencial para responder às
necessidades das populações, designadamente em territórios de baixa densidade.
Adicionalmente, importa assegurar a expansão dos cuidados continuados e paliativos
permitindo assim uma resposta mais próxima, integrada e humanista. Pretende-se concretizar
este objetivo estratégico mediante a implementação da seguinte medida:
Aumentar o acesso de qualidade aos cuidados de saúde primários, bem como no
âmbito dos cuidados paliativos e aos cuidados continuados, apostando
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Proposta de Lei n.º 39/XVII/1.ª
nomeadamente em PPP , centros de saúde contratualizados (USF B e C) e
convenções.
7.1.4. Transformação digital na Saúde
A digitalização do sistema de saúde é um acelerador de eficiência, segurança e continuidade
dos cuidados, assegurando a interoperabilidade entre prestadores e colocando o cidadão no
centro da gestão da sua informação clínica. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico
mediante a implementação da seguinte medida:
Criação do Registo de Saúde Eletrónico Único (RSEU), uma plataforma digital única,
integrada e segura, que reúne toda a informação clínica de cada cidadão e a torna
acessível a todos os prestadores de cuidados de saúde autorizados,
independentemente de serem públicos, privados ou do setor social.
7.1.5. Promover a saúde e prevenir a doença
A promoção da saúde e a prevenção da doença são eixos estruturantes de um sistema de
saúde moderno, equitativo e sustentável. Ao investir nestas áreas, reduz-se a carga de doença
evitável, prolonga-se a esperança de vida saudável e promove-se a qualidade de vida das
populações. Um sistema de saúde orientado para a promoção da saúde e prevenção da
doença permite ganhos em saúde que se repercutem em toda a sociedade, não apenas no
bem-estar individual, mas também na produtividade económica e na sustentabilidade do
SNS. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação das
seguintes medidas:
Reforço dos programas e estratégias de vacinação, assegurando elevadas taxas de
cobertura vacinal em todas as fases do ciclo de vida;
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Proposta de Lei n.º 39/XVII/1.ª
Consolidação dos programas de rastreio de base populacional, com expansão
progressiva da cobertura populacional e introdução de novos rastreios baseados em
ganhos em saúde;
Desenvolvimento do programa de saúde oral, através da atualização e ampliação do
cheque-dentista para prevenção e tratamento das populações vulneráveis, da
introdução do cheque prótese e do reforço da resposta através dos Gabinetes de
Saúde Oral nos cuidados primários;
Desenvolvimento, atualização e monitorização de normas e orientações clínicas,
assegurando que a prestação de cuidados no SNS se baseia na melhor evidência
disponível, com processos sistemáticos de auditoria, avaliação de impacto e formação
dos profissionais de saúde.
7.1.6. Investimentos no SNS
A modernização da rede de infraestruturas e equipamentos do SNS é condição essencial para
garantir qualidade, segurança e inovação na prestação de cuidados. Pretende-se concretizar
este objetivo estratégico mediante a implementação da seguinte medida:
Investimento em unidades de saúde, hospitalares (ex.: Hospital Todos os Santos), e
de proximidade e cuidados primários por todo o país, bem como em equipamentos
de saúde (robôs cirúrgicos, ressonâncias magnéticas, TAC´s, angiógrafos, câmaras
gama, aceleradores lineares, Rx e PET´s).
7.2. Educação
A educação é um fator decisivo para o desenvolvimento do país e para a promoção da
igualdade de oportunidades. A estratégia educativa aposta na universalização da educação
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pré-escolar, na valorização da carreira docente e na autonomia das escolas, promovendo a
qualidade, a equidade e a inovação pedagógica. A digitalização e o uso de inteligência artificial
são instrumentos fundamentais para personalizar a aprendizagem e preparar os alunos para
os desafios do século XXI, reforçando a capacidade do sistema educativo para responder às
exigências de um mundo em constante transformação.
7.2.1. Modernizar o sistema educativo e confiar nas escolas públicas: mais autonomia para ensinar
Reforçar a autonomia das escolas públicas é essencial para promover uma gestão mais eficaz,
próxima e ajustada às realidades locais. A modernização do sistema educativo passa por
capacitar as escolas com instrumentos de gestão pedagógica, financeira e de recursos
humanos, valorizando o papel dos diretores e professores na construção de soluções
educativas. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação das
seguintes medidas:
Construir, em diálogo com os diretores e professores, um novo modelo de autonomia
e gestão das escolas, que robusteça a autonomia financeira, pedagógica e de gestão
de recursos humanos e infraestruturas das escolas;
Rever as competências dos serviços centrais do Ministério da Educação, Ciência e
Inovação e concretizar o sistema de transferência de competências para as autarquias,
em articulação com as escolas, eliminando redundâncias e instituindo um sistema
eficaz de prestação de contas.
7.2.2. Criação de ambientes escolares seguros
A criação de ambientes escolares seguros e inclusivos é condição para o sucesso educativo.
Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação da seguinte
medida:
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Proibir o uso do telemóvel nas escolas até ao 6º ano e regular o consumo de redes
sociais pelas crianças (até aos 12 anos).
7.2.3. Combater as desigualdades sociais
A igualdade de oportunidades no acesso à aprendizagem exige apoio aos alunos em situação
de vulnerabilidade. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a
implementação das seguintes medidas:
Criar um serviço de apoio ao estudo para alunos carenciados ou em risco;
Implementar medidas de prevenção e intervenção, bem como canais de denúncia,
para enfrentar de forma eficaz o fenómeno do bullying e do cyberbullying nas escolas.
7.2.4. Começar cedo: a educação dos 0 aos 6 anos de idade
A universalização da educação pré-escolar, bem como a integração da faixa dos 0 aos 3 anos
no sistema educativo, são fundamentais para garantir um início de percurso escolar equitativo
e promotor de desenvolvimento. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante
a implementação da seguinte medida:
Assegurar o acesso universal e gratuito à educação pré-escolar a partir dos 3 anos,
contratualizando com o setor social, particular e cooperativo as cerca de 12 mil vagas
que se estima faltarem nos territórios mais carentes. Integrar a faixa etária dos 0 aos
3 anos no sistema educativo tutelado pelo Ministério da Educação, Ciência e
Inovação.
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Proposta de Lei n.º 39/XVII/1.ª
7.2.5. Melhorar a aprendizagem: um currículo exigente e flexível para contextos de incerteza
A melhoria das aprendizagens exige um currículo que combine exigência e flexibilidade,
capaz de responder aos desafios contemporâneos. Pretende-se concretizar este objetivo
estratégico mediante a implementação da seguinte medida:
Desenvolver e implementar uma Estratégia para o Digital na Educação, potenciando
as oportunidades da digitalização para garantir o desenvolvimento de competências,
na criação de recursos educativos digitais inovadores e no potencial da Inteligência
Artificial para o apoio personalizado à aprendizagem dos alunos.
7.2.6. Transformar digitalmente o sistema de informação educativo
A transformação digital da educação passa pela modernização dos sistemas de informação.
Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação da seguinte
medida:
Implementar sistemas de informação robustos, que giram informação rigorosa,
simplifiquem procedimentos administrativos e garantam a transparência de
processos.
7.2.7. Valorizar os professores
A valorização da profissão docente é essencial para garantir qualidade no ensino. O
planeamento estratégico da formação de professores permite antecipar necessidades e
reforçar a capacidade formativa das instituições de ensino superior. Pretende-se concretizar
este objetivo estratégico mediante a implementação da seguinte medida:
Identificar as necessidades de professores para a próxima década, por grupo
disciplinar e região, e estabelecer contratos programa com as Instituições de Ensino
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Proposta de Lei n.º 39/XVII/1.ª
Superior para garantir o aumento necessário na formação de professores.
7.3. Cultura
A cultura é um pilar essencial da identidade nacional, da coesão social e do desenvolvimento
económico. Simultaneamente expressão da criatividade e do conhecimento, a cultura
contribui para uma economia baseada na inovação e no talento, reforçando o sentimento de
pertença e a projeção internacional do país. Assume-se como prioridade uma política cultural
sólida, descentralizada e inclusiva, capaz de garantir o acesso de todos os cidadãos à fruição
cultural, apoiar a criação artística e valorizar o património, articulando-se com áreas como a
educação, a ciência, a economia, o turismo e a coesão territorial.
7.3.1. Apoio às artes, participação cultural e promoção da criação artística e do acesso à cultura
Apoiar a criação e a formação artística em todas as áreas disciplinares, assegurando
oportunidades em todo o território, com especial atenção aos mais jovens e aos públicos
mais vulneráveis, enquanto se promove o conhecimento, o pensamento crítico e a fruição
cultural. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação das
seguintes medidas:
Reforçar os apoios a projetos artísticos em todas as áreas, incluindo artes
performativas, visuais, música e artes de rua;
Incentivar a ida de artistas às escolas e o contacto dos alunos com a criação artística;
Apoiar estratégias culturais de desenvolvimento local e sub-regional.
7.3.2. Democratizar o acesso à cultura
Garantir o acesso à cultura para todos os cidadãos, em especial os jovens e os públicos mais
vulneráveis, exige medidas estruturadas. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico
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mediante a implementação das seguintes medidas:
Promover o acesso gratuito da comunidade escolar a museus, monumentos e teatros
do Estado;
Promover a diversificação e inclusão de públicos, assegurando que as atividades
culturais chegam a todos os segmentos da população e respeitam a pluralidade
cultural;
Revisão do regime legal do mecenato cultural, tornando-o mais atrativo e capaz de
mobilizar recursos, de forma a flexibilizar e intensificar as práticas de preservação,
programação e criação.
7.3.3. Apoio ao cinema, à criação audiovisual e à preservação do património cinematográfico
É fundamental reforçar as políticas de apoio à criação, produção e promoção cinematográfica
e audiovisual. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação da
seguinte medida:
Implementar o programa SCRI.PT para o desenvolvimento e internacionalização das
produções audiovisuais e cinematográficas.
7.3.4. Património Cultural
A preservação e valorização do património cultural são prioridades para salvaguardar a
memória coletiva e promover o desenvolvimento territorial. Pretende-se concretizar este
objetivo estratégico mediante a implementação das seguintes medidas:
Executar os investimentos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR),
designadamente dos investimentos previstos para a Componente do Património
Cultural, garantindo o cumprimento dos prazos e dando resposta adequada aos
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Proposta de Lei n.º 39/XVII/1.ª
exigentes critérios da conservação e do restauro, assim como a execução dos
investimentos previstos para a Componente das Redes Culturais e Transição Digital,
através da valorização de equipamentos e da digitalização dos acervos;
Reforçar as medidas de salvaguarda do património, como a inventariação,
classificação, reabilitação e restauro, envolvendo comunidades locais e instituições
culturais;
Aprofundar os modelos de gestão do património, com vista, entre outras, a uma
maior representatividade nos diversos territórios do País, essencial às metodologias
de inventariação, estudo e preservação;
Criação de um plano específico de inventariação e reabilitação dos edifícios com
maior valor cultural;
Prosseguir com os estudos sobre os efeitos das alterações climáticas no património
priorizando zonas de risco máximo e o desenvolvimento de planos de mitigação;
Preservar e valorizar o património cultural subaquático;
Democratizar o acesso a museus, monumentos e palácios sob tutela do Ministério da
Cultura;
Aprofundar o acesso gratuito da comunidade escolar a museus, monumentos e
teatros do Estado.
7.3.5. Promoção da criação literária, da leitura e do património arquivístico
Valorizar a língua portuguesa, promover hábitos de leitura e modernizar o sistema de
arquivos são prioridades estratégicas. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico
mediante a implementação das seguintes medidas:
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Lançamento da 2.ª edição do Cheque Livro;
Reforçar os programas de bolsas de criação literária;
Modernizar a gestão arquivística e reforçar a preservação digital do património
documental;
Assegurar melhores condições de preservação da informação arquivística que
efetivamente necessite de ser conservada;
Garantir uma gestão mais eficaz do património digital do país.
7.3.6. Projetar Portugal no panorama cultural europeu e internacional
A valorização da cultura portuguesa a nível internacional exige investimento estratégico e
programação cultural de excelência. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico
mediante a implementação da seguinte medida:
Executar as linhas programáticas do Évora 2027 – Capital Europeia da Cultura,
promovendo a qualificação do espaço público, a oferta artística e a projeção
internacional da cidade e da região.
7.4. Desporto
A promoção da prática desportiva, em todo o território nacional, constitui um elemento
essencial para a redução do sedentarismo, para a melhoria da saúde pública e para o
desenvolvimento de comunidades mais ativas, saudáveis e inclusivas. Garantir o acesso ao
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desporto, desde a infância até à idade adulta, reforçando a igualdade de oportunidades e
incentivando a prática regular de atividade física, contribui para estilos de vida equilibrados e
para a valorização do talento desportivo.
7.4.1. Promover estilos de vida ativos e saudáveis
Promover estilos de vida ativos é essencial para prevenir doenças e melhorar a qualidade de
vida. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação das
seguintes medidas:
Reforço da prática desportiva nas escolas, incluindo a monitorização da atividade
física e a prevenção da obesidade infantil;
Desenvolvimento de campanhas nacionais para reduzir o sedentarismo e incentivar
a atividade física em todas as idades.
7.4.2. Garantir igualdade de acesso e inclusão no desporto
A igualdade de acesso ao desporto deve ser garantida em todas as idades e territórios,
promovendo a inclusão e a participação de todos os cidadãos. Pretende-se concretizar este
objetivo estratégico mediante a implementação das seguintes medidas:
Expansão e modernização das infraestruturas desportivas em todo o território
nacional;
Promoção da participação feminina no desporto, incluindo a liderança e a arbitragem;
Melhoria das acessibilidades e reforço dos programas para a prática desportiva de
pessoas com deficiência.
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Proposta de Lei n.º 39/XVII/1.ª
7.4.3. Valorizar o talento e o desporto de alto rendimento
A valorização do talento e o apoio ao desporto de alto rendimento são essenciais para
promover a excelência e a conciliação entre a vida académica e a carreira desportiva.
Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação das seguintes
medidas:
Apoio aos atletas de alto rendimento e aos atletas-estudantes, promovendo a
conciliação entre a carreira desportiva e académica;
Incentivo à excelência desportiva através de programas específicos de formação e
apoio técnico.
7.5. Mobilidade/sistemas de transportes coletivos
A mobilidade sustentável e acessível é essencial para a coesão territorial e para a qualidade de
vida das populações. A política de transportes aposta na modernização das infraestruturas,
na integração tarifária e na revisão da regulação da concorrência, promovendo um sistema
de transporte coletivo mais eficiente, inclusivo e ambientalmente responsável. A digitalização
e a interoperabilidade dos sistemas promovem uma mobilidade mais inteligente e centrada
nas pessoas, capaz de responder aos desafios da transição energética e da conectividade
territorial.
7.5.1. Diversificar a oferta de mobilidade
A diversificação da oferta de mobilidade é essencial para garantir liberdade de escolha,
eficiência e sustentabilidade. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a
implementação das seguintes medidas:
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Lançamento de concursos para concessão de linhas ferroviárias específicas e
aceleração da abertura à concorrência nas linhas que permitam a operação simultânea
de vários operadores;
Fomentar a oferta de transporte público rodoviário, limitando as restrições de
operabilidade nas áreas geográficas cobertas por concessões e todas as barreiras
relacionadas com a utilização de terminais, paragens ou outras;
Liberalizar o mercado da mobilidade elétrica e dos sistemas de carregamento de
veículos, fomentando a concorrência e a transparência, e continuando a apoiar a
renovação de frotas.
7.5.2. Regular o ecossistema da mobilidade e transportes para fomentar o desenvolvimento económico e
social
A regulação eficaz do ecossistema da mobilidade e transportes é fundamental para garantir
segurança, qualidade e equidade no acesso. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico
mediante a implementação da seguinte medida:
Reforçar o enquadramento e a regulação da mobilidade em veículos com condutor,
nomeadamente o setor do TVDE, reforçando os critérios no licenciamento,
formação e segurança para o exercício da atividade.
7.5.3. Combater a pobreza de mobilidade e promover a inclusão com coesão social e territorial
A mobilidade inclusiva exige soluções adaptadas aos territórios de baixa densidade e às
populações com mobilidade reduzida, que garantam coesão territorial e igualdade de acesso.
Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação da seguinte
medida:
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Desenvolver a oferta de serviço complementar ao transporte público regular em
territórios de baixa densidade ou em situações de baixa procura, garantindo o acesso
a pessoas com mobilidade reduzida.
7.5.4. Acelerar a transferência modal para o transporte público
A transferência modal para o transporte público é uma prioridade para a descarbonização e
para a eficiência do sistema. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a
implementação das seguintes medidas:
Implementar sistemas tarifários que tragam maior flexibilidade, simplificação e
universalidade na utilização do transporte público pelas pessoas, alicerçados em
soluções integradas de bilhética;
Desenvolver novos modelos de negócio e de exploração das interfaces multimodais
efetivando a universalidade de acesso e um melhor serviço aos cidadãos.
7.4. Segurança Social
De forma a tornar a máquina administrativa da segurança social mais próxima, ágil, eficiente,
eficaz dos cidadãos impõe-se uma reforma dos seus serviços através de uma profunda
modernização focada no serviço público às pessoas e às empresas.
7.4.1 Transformação digital da Segurança Social
Visa-se melhorar o atendimento e a eficiência dos serviços da Segurança Social, numa
abordagem inovadora e focada na humanização do atendimento e na simplificação da
comunicação. Pretende-se cumprir este objetivo estratégico através das seguintes medidas:
Reforçar a interconexão técnica e operacional entre a segurança social e a Autoridade
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Proposta de Lei n.º 39/XVII/1.ª
Tributária, com vista a aproveitamento de sinergias entre os sistemas;
Simplificar o ciclo contributivo para as empresas;
Reduzir o tempo de atribuição das pensões unificadas;
Reforçar o combate à fraude e à evasão contributiva e no sistema de prestações
sociais, nomeadamente utilizando soluções tecnológicas inovadoras com recurso à
inteligência artificial e robustecer as medidas de exigência, transparência e ajuste de
equilíbrio das prestações sociais não contributivas, incluindo também reforçar
mecanismos de controlo que evitem pagamentos indevidos;
Completar a transformação digital da Segurança Social, numa abordagem inovadora
que visa melhorar o atendimento e a eficiência dos serviços da Segurança Social,
focada na humanização do atendimento e na simplificação da comunicação, com
estes quatro objetivos: (i) Redução do Atendimento Presencial; (ii) Otimização da
Experiência; (iii) Empatia Digital e (iii) Segurança Social como marca.
8. Eixo prioritário VI – Segurança mais próxima, justiça mais rápida e combate à
corrupção
A visão ambicionada para o país no eixo prioritário VI “Segurança mais próxima, justiça mais
rápida e combate à corrupção” assenta numa política que fortalece o Estado de Direito,
sendo que a segurança tem de ser garante de direitos, liberdades e garantias. Almeja-se uma
reforma da Justiça para assegurar a sua celeridade e eficácia, centrada na celeridade
processual, na digitalização e numa cultura de eficiência nos tribunais. Reduzem-se
burocracias, eliminam-se expedientes inúteis e promovem-se julgamentos expeditos,
especialmente na criminalidade grave em casos de flagrante delito.
Promove-se um policiamento visível, de proximidade e comunitário, que transmita
tranquilidade à população, a par de uma reforçada capacidade preventiva e de atuação rápida
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Proposta de Lei n.º 39/XVII/1.ª
das forças e serviços de segurança, em particular contra a criminalidade violenta e organizada.
Combate-se determinantemente a corrupção, que quebra o contrato de confiança entre os
cidadãos e o Estado. Implementa-se um amplo enquadramento para a sua prevenção e
combate, através da formação, de maior transparência nos processos de tomada de decisão
e do reforço da capacidade de repressão do fenómeno, que impulsione a transição para um
paradigma de maior autonomia e responsabilização dos serviços e organismos públicos.
Este eixo prioritário desdobra-se nos temas e objetivos estratégicos apresentados no Quadro
25.
Quadro 25 – Temas e objetivos estratégicos referentes ao eixo prioritário VI «Segurança mais próxima,
justiça mais rápida e combate à corrupção»
Temas Objetivos Estratégicos
Proximidade e segurança
Reforço do policiamento de
visibilidade, de proximidade e
comunitário como forma de
reforçar a tranquilidade pública
Investir em novos meios
tecnológicos capazes de aumentar
a capacidade de vigilância das
forças de segurança
Reforço da capacidade operacional
Fortalecimento da capacidade
operacional das forças, em especial
para combater a criminalidade
violenta e grave, o tráfico de droga
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e a criminalidade organizada
Fortalecimento da capacidade
operacional das forças de
Emergência e Proteção Civil
Sinistralidade rodoviária Aumentar a eficácia na prevenção
Respostas a novas ameaças
Adaptar às novas dinâmicas
sociodemográficas
Criminalidade juvenil Aumentar a eficácia na prevenção
Violência Doméstica
Aumentar a eficácia na prevenção e
combate à violência doméstica e
proteção das vítimas
Justiça
Promover celeridade processual
Transformação digital da Justiça
Proteção às Vítimas de Crime
Combate à corrupção
Promover a prevenção
Reforçar a capacidade de repressão
das atividades criminosas
Os indicadores de contexto relativos a este eixo prioritário estão refletidos no Quadro 26.
Não obstante a recente evolução positiva no que respeita à resolução processual no âmbito
da Justiça, a taxa de criminalidade, a sinistralidade rodoviária e a perceção da corrupção têm
apresentado trajetórias desfavoráveis.
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Proposta de Lei n.º 39/XVII/1.ª
Quadro 26 – Indicadores de contexto referentes ao eixo prioritário VI «Segurança mais próxima, justiça
mais rápida e combate à corrupção»
O Quadro 27 apresenta a lista de instrumento de planeamento que contribuem para
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materializar a visão ambicionada para o país neste eixo prioritário.
Quadro 27 – Lista de instrumentos de planeamento associados ao eixo prioritário VI «Segurança mais
próxima, justiça mais rápida e combate à corrupção»
Designação Situação
Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) – Recuperar Portugal,
construindo o Futuro
Adotado
Estratégia Nacional de Combate ao Terrorismo Adotado
Estratégia Integrada de Segurança Urbana Adotado
Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária A elaborar
Estratégia Nacional de Segurança Interna A elaborar
Estratégia Nacional para o Combate à Disseminação de Conteúdos
Violentos no Espaço Digital
A elaborar
Estratégia Digital para a Justiça A elaborar
Estratégia Nacional para a Igualdade e a Não-Discriminação 2018 –
2030 – Portugal + Igual (ENIND)
Adotado
O Quadro 28 evidencia os valores do financiamento plurianual das medidas de política
pública associadas a este eixo prioritário.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º 39/XVII/1.ª
Quadro 28 – Financiamento plurianual das medidas de política associadas ao eixo prioritário VI
«Segurança mais próxima, justiça mais rápida e combate à corrupção»
8.1. Proximidade e segurança
A segurança deve ser garante de direitos, liberdades e garantias, bem como um ativo
estratégico no plano económico e, de forma t ransversal, de toda a sociedade. Um
policiamento visível, de proximidade e comunitário que transmita a tranquilidade pública e
humanismo das forças no apoio às populações.
8.1.1. Reforço do policiamento de visibilidade, de proximidade e comunitário como forma de reforçar a
tranquilidade
As forças de segurança devem responder, através da sua ação, prioritariamente preventiva, às
necessidades identificadas, pelo que, uma observação conjunta de elementos culminará num
policiamento mais eficaz e reforçado. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico
mediante a implementação das seguintes medidas:
Reorganização da distribuição de polícias da PSP e militares da GNR para as tarefas
de policiamento, encontrando um novo modelo administrativo para libertar o maior
número de operacionais de tarefas redundantes ou puramente administrativas;
Novas capacidades tecnológicas preditivas e de cartografia de risco;
Rever o enquadramento legal das polícias municipais, respetivas competências e
modelo formativo;
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Proposta de Lei n.º 39/XVII/1.ª
Investimento nos postos e esquadras, estabelecendo parcerias com autarquias locais.
8.1.2. Investir em novos meios tecnológicos capazes de aumentar a capacidade de vigilância das forças de
segurança
A acomodação de meios tecnológicos específicos de aplicação por parte das forças de
segurança melhora a eficiência e segurança das operações, potenciando a responsabilidade e
a transparência. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação
das seguintes medidas:
Implementação da plataforma unificada de segurança de sistemas de videovigilância
e bodycams;
Investimento na capacidade de videovigilância das forças de segurança aumentando
o número de equipamentos autorizados, em parceria com as autarquias locais e
distribuição de bodycams às forças de segurança, em cumprimento da legislação
vigente.
8.2. Reforço da capacidade operacional
O reforço da capacidade operacional garante a todos os níveis o cumprimento da missão dos
agentes de segurança, independentemente do nível e grau dos cenários de atuação.
Concomitantemente, compete ao Estado garantir serviços de Proteção Civil eficazes e que
contribuam para o bem-estar das comunidades. No contexto das alterações climáticas que
temos assistido e que causam fenómenos naturais extremos com maior frequência é
fundamental reforçar as capacidades de prevenção e reação dos serviços de proteção civil.
8.2.1. Fortalecimento da capacidade operacional das forças, em especial para combater a criminalidade
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violenta e grave, o tráfico de droga e a criminalidade organizada
Face às dinâmicas crescentes do crime organizado há que prosseguir o investimento em
equipamento e tecnologia que acompanhe tais dinâmicas. Consolidar a relação operacional
entre as forças e os serviços de segurança, garantindo um planeamento sustentado,
conjugado com o reforço de ativos capazes de garantir ações determinadas e robustas.
Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação das seguintes
medidas:
Uma maior articulação e cooperação entre as forças e serviços de segurança;
Melhorar o aproveitamento dos quadros plurianuais de investimentos em
infraestruturas e equipamentos das forças de segurança (2022-2026 em execução,
2027-2031 em planificação), nomeadamente através da conclusão de mais
intervenções em postos e esquadras;
Modernização do parque automóvel das forças de segurança, com a entrega de novas
viaturas, bem como a aquisição de novos equipamentos e meios de suporte à
atividade operacional.
8.2.2. Fortalecimento da capacidade operacional das forças de Emergência e Proteção Civil
Urge trabalhar na qualificação da resposta dos serviços de proteção civil, com uma maior
incorporação tecnológica, na valorização dos seus meios e recursos humanos, e na maior
interoperabilidade entre os serviços de Proteção Civil e os demais meios e serviços relevantes
do Estado e das autarquias locais. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante
a implementação das seguintes medidas:
Aumentar a resiliência do Estado em matéria de Proteção Civil para garantir a
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segurança das populações, através do aumento da capacidade operacional dos agentes
de proteção civil, fortalecendo e agilizando a interoperabilidade e coordenação
institucional, através da atualização do Sistema Integrado de Operações de Proteção
e Socorro;
Apostar na profissionalização da 1ª intervenção nos Corpos dos Bombeiros
Voluntários (24H/365dias) dos seus agentes, especialmente através da criar a carreira
de Bombeiros, reforçar as Equipas de Intervenção Permanente, aumentar
substancialmente o número de efetivos da Força Especial de Proteção Civil (FEPC)
da ANEPC e da Unidade de Emergência de Proteção e Socorro da GNR (UEPS),
reforçar os meios que integram o Sistema de Proteção Civil para garantir uma
resposta eficaz a situações emergentes, proteção da população e preservação de bens
e do ambiente;
Melhorar os meios e recursos à disposição dos agentes de proteção civil, através do
reequipamento do parque de viaturas, atualizar os sistemas de Comunicações em
Emergência e Tecnologias de Comunicação e Informação e os atuais sistemas de
apoio à decisão com vista a auxiliar no comando e controlo das operações.
8.3. Sinistralidade rodoviária
A sinistralidade rodoviária constitui um problema de saúde pública de elevada gravidade,
refletindo-se em perdas humanas irreparáveis e em substanciais custos socioeconómicos,
tanto diretos como indiretos. Combater esta realidade é, por isso, essencial para proteger
vidas, garantir o bem-estar coletivo e reforçar a sustentabilidade económica.
8.3.1. Aumentar a eficácia na prevenção
A prevenção rodoviária visa reduzir o número e a gravidade dos acidentes de trânsito,
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protegendo a vida de todos os utentes da estrada e a mesma abrange múltiplas áreas de
atuação, sendo por isso um esforço multifacetado que deve ser plasmado num novo
instrumento de planeamento de forma que o mesmo possa contribuir para a redução da
sinistralidade, através da sua concretização. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico
mediante a implementação da seguinte medida:
Aprovar e implementar a nova Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária.
8.4. Respostas a novas ameaças
A perceção de segurança é um ativo de que o país não pode abdicar. A par da capacidade
preventiva e da atuação pronta das forças e serviços de segurança é fundamental
corresponder às novas ameaças no contexto da criminalidade violenta, bem como da
criminalidade organizada.
8.4.1. Adaptar às novas dinâmicas sociodemográficas
Considerando as novas dinâmicas sociodemográficas e ameaças internas urge rever a política
e o planeamento que visa garantir a segurança dos cidadãos e do território nacional.Pretende
concretizar-se este objetivo estratégico mediante a implementação da seguinte medida:
Proceder à revisão e regular atualização do conceito estratégico de segurança interna.
8.5. Criminalidade juvenil
O consumo de estupefacientes em idade juvenil, a criminalidade associada às redes sociais e
ao ciberespaço, a violência no namoro, o bullying e o abuso e assédio sexuais, entre outros
comportamentos, determinam ações especializadas por parte das forças de segurança no
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âmbito da delinquência e criminalidade juvenil e colocam novas exigências ao nível do
sistema tutelar educativo.
8.5.1. Aumentar a eficácia na prevenção
A prevenção da criminalidade juvenil exige um combate preventivo e eficaz, focado nas
grandes ameaças que pendem sobre o comportamento dos jovens. Pretende-se concretizar
este objetivo estratégico mediante a implementação da seguinte medida:
Reforço da prevenção e das capacidades de combate a: criminalidade juvenil e grupal,
violência doméstica, criação e partilha de conteúdos digitais nefastos ao
desenvolvimento das crianças e jovens (nomeadamente pornogra fia e conteúdos
sexuais), sinistralidade rodoviária, cibercrime e ameaças híbridas (como a
desinformação, a interferência eleitoral ilegítima e a disseminação de conteúdos
violentos no espaço digital).
8.6. Violência Doméstica
A violência doméstica, frequentemente associada a desigualdades de género e a dinâmicas de
poder marcadas pela violência, constitui uma grave violação dos direitos humanos e uma
ameaça à coesão social. Exige uma resposta firme e articulada do Estado, promovendo a
proteção das vítimas, a responsabilização dos agressores e a sensibilização da sociedade.
8.6.1. Aumentar a eficácia na prevenção e combate à violência doméstica e proteção das vítimas
A prevenção e combate à violência doméstica exige uma abordagem integrada, que combine
medidas de proteção das vítimas, mecanismos eficazes de denúncia e estratégias de
sensibilização e educação para a igualdade. Pretende concretizar-se este objetivo estratégico
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mediante a implementação das seguintes medidas:
Reforço da capacidade de resposta das forças de segurança e do sistema judiciário no
atendimento especializado e célere às vítimas;
Potenciação dos mecanismos de denúncia e proteção;
Implementação de programas específicos dirigidos a agressores, focados na
responsabilização, reabilitação e prevenção da reincidência;
Intensificação da cooperação entre entidades públicas, organizações da sociedade
civil e redes de apoio social, assegurando uma resposta integrada e permanente.
8.7. Justiça
A Justiça carece de uma reforma sólida, prosseguida passo a passo, e com um horizonte que
vá para além de uma legislatura, prosseguindo objetivos de longo prazo, visando aprimorar a
eficiência, celeridade e acessibilidade do sistema judicial, em consonância com a
modernização tecnológica do sistema.
8.7.1. Promover a celeridade processual
A reforma do sistema de justiça é uma prioridade e uma das suas componentes fundamentais
incide sobre o reforço de celeridade processual, promovendo a redução de custos e o
descongestionamento dos tribunais. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico
mediante a implementação das seguintes medidas:
Nova gestão processual baseada na promoção da redução da extensão das peças
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processuais, na melhoria dos procedimentos para citação e notificação das partes e
intervenientes acidentais, no agendamento de diligências após prévia articulação de
agendas dos intervenientes, e concluir o quadro normativo das assessorias nos
tribunais através do reforço e atribuição de um papel mais relevante aos assessores;
Alterar a legislação processual penal, assegurando uma maior filtragem de denúncias,
o reforço dos poderes de gestão processual do juiz e a racionalidade em matéria de
recursos (com restrição do número, do seu momento no fluxo do processo e dos
respetivos efeitos suspensivos), e reequacionar a fase de instrução, nomeadamente a
limitação do seu âmbito ou da possibilidade de acesso;
Medidas de reforço da celeridade processual, considerando uma maior especialização
dos tribunais e dos magistrados, a implementação de mecanismos premiais e a
definição de meios de mitigação dos megaprocessos;
Avançar com a reforma da Jurisdição Administrativa e Fiscal.
8.7.2. Transformação digital da Justiça
A transformação digital da Justiça é outra prioridade que contribuirá para a celeridade na
conclusão de processos, promovendo também a simplificação e facilitação no acesso à justiça
por parte do cidadão e das empresas. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico
mediante a implementação das seguintes medidas:
Reforçar e concluir o processo de digitalização e modernização administrativa da
Justiça, no âmbito do PRR, e o processo de desenvolvimento de sistemas de
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interoperabilidade entre várias entidades e os tribunais, promovendo a celeridade
processual e a poupança de recursos;
Aumentar o recurso a meios alternativos de resolução de litígios.
8.7.3. Proteção às Vítimas de Crime
O reforço da proteção às vítimas é um pilar central de uma justiça mais humana e próxima.
Pretende concretizar-se este objetivo estratégico mediante a implementação das seguintes
medidas:
Alargar e consolidar a rede de gabinetes de apoio à vítima, assegurando atendimento
especializado e multidisciplinar;
Reforçar os mecanismos de proteção das vítimas de violência doméstica, violência de
género, crimes sexuais e crimes contra crianças, com medidas de prevenção,
acompanhamento e apoio psicológico e social;
Desenvolver sistemas de monitorização eletrónica que aumentem a eficácia das
medidas de coação e proteção;
Intensificar a cooperação entre tribunais, forças de segurança, Ministério Público e
entidades da sociedade civil, garantindo respostas rápidas e eficazes.
8.8. Combate à corrupção
A confiança é a base de uma administração mais ágil, mais humana e mais justa – e o antídoto
contra a corrupção que se alimenta da opacidade e da lentidão. Impõe-se um combate
sistemático e rigoroso à corrupção, que mina o contrato de confiança entre os cidadãos e o
Estado. É fundamental ter um amplo enquadramento para o seu combate, em particular na
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transição para um paradigma de maior autonomia e responsabilização dos serviços e
organismos públicos.
8.8.1. Promover a prevenção
O combate à corrupção é fundamental para recuperar a confiança dos cidadãos nas
instituições públicas e inicia-se na prevenção. Para tal, é essencial reforçar a política existente
bem como adotar novas medidas que fomentem a transparência.Pretende-se concretizar este
objetivo estratégico mediante a implementação das seguintes medidas:
Regulamentar o registo de interesses legítimos (“lóbi”) e incrementar as
potencialidades do Portal BASE (designadamente quanto à possibilidade do
tratamento em massa dos dados);
Dar sequência à reforma institucional das entidades públicas especializadas na
transparência e prevenção da corrupção: MENAC, Entidade para a Transparência e
Entidade das Contas e Financiamentos Políticos;
Reforçar a atuação dos órgãos de auditoria e inspeção do Estado, aumentando a
articulação entre entidades com funções preventivas e repressivas, incluindo no
recebimento de denúncias e respetivo tratamento.
8.8.2. Reforçar a capacidade de repressão das atividades criminosas
O combate à corrupção exige um foco determinado na repressão, assumindo-se este como
um fator essencial para a melhoria da confiança nas instituições públicas. Para tal, propõe-se
fortalecer os mecanismos de recuperação de ativos e consolidar as matérias legais no que à
perda alargada de bens diz respeito, em consonância com as diretivas europeias.Pretende-se
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concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação das seguintes medidas:
Reforçar os instrumentos em matéria de perda das vantagens de atividade criminosa,
nomeadamente através de um novo mecanismo de perda alargada de bens;
Dinamizar os Gabinetes de Recuperação de Ativos e de Administração de Bens.
9. Eixo prioritário VII – Construir Portugal: mobilização de todos para ultrapassar a
crise da habitação
A visão ambicionada para o país no eixo prioritário VII “Construir Portugal: mobilização de
todos para ultrapassar a crise da habitação” assenta numa política que enfrenta a crise da
habitação como um desígnio nacional, mobilizando a sociedade para uma resposta coletiva,
ambiciosa e estrutural. Nesse sentido, propõe-se uma abordagem integrada que envolve os
setores privado, público e cooperativo, com o objetivo de assegurar que toda a população
possa viver com dignidade, segurança e estabilidade.
Promove-se o reforço substancial da oferta habitacional em determinados segmentos do
mercado, como resposta fundamental à escassez de imóveis que tem gerado uma pressão
insustentável sobre a população, especialmente sobre os mais vulneráveis e a classe média.
É prestado apoio à população mais jovem na aquisição da sua primeira habitação, através da
isenção de determinadas tributações e do acesso facilitado ao crédito, com o objetivo de
atenuar o esforço financeiro associado e assegurar o cumprimento dos encargos, sem
acréscimo de pressão fiscal.
Implementa-se a simplificação dos processos de licenciamento urbanístico, combatendo a
burocracia excessiva e a falta de previsibilidade que têm sido entraves ao investimento e à
construção. Reforça-se a transição do modelo de controlo prévio para um modelo de
fiscalização objetiva a posteriori, garantindo-se, em todo o momento, a segurança do produto
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final, promovendo-se uma gestão territorial mais ágil e colaborativa entre o Governo e as
autarquias locais para acelerar projetos, garantir maior transparência e fomentar a confiança
entre os diferentes intervenientes.
Fomenta-se a criação de novas centralidades urbanas nas áreas metropolitanas, pensadas
como espaços multifuncionais, sustentáveis e bem conectados, capazes de aliviar a pressão
sobre os centros urbanos e de oferecer alternativas habitacionais acessíveis e de qualidade.
Garante-se, em paralelo, a recuperação da estabilidade e da confiança no mercado de
arrendamento, condição essencial para um setor habitacional saudável, dinâmico e acessível
a todos.
Este eixo prioritário desdobra-se nos temas e objetivos estratégicos do Quadro 29.
Quadro 29 – Temas e objetivos estratégicos referentes ao eixo prioritário VII «Construir Portugal:
mobilização de todos para ultrapassar a crise da habitação»
Temas Objetivos Estratégicos
Oferta de habitação
Mobilizar património imobiliário do
Estado e aumentar a oferta de habitação
Construção
Simplificar e estimular a construção
Modernizar o setor da construção
Desenvolvimento urbano integrado
Requalificar e expandir áreas urbanas de
forma planeada e integrada
Mercado de Arrendamento Reforçar, dar estabilidade e confiança
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Os indicadores de contexto relativos a este eixo prioritário estão refletidos no Quadro 30. O
setor da habitação em Portugal registou oscilações, existindo melhorias nas condições
habitacionais até 2020, contudo, com registo de agravamentos recentes neste domínio,
enquanto os preços de venda e de arrendamento aumentam substancialmente.
Quadro 30 – Indicadores de contexto referentes ao eixo prioritário VII «Construir Portugal: mobilização
de todos para ultrapassar a crise da habitação»
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Apresenta-se, no Quadro 31, a lista de instrumentos de planeamento que contribuem para
materializar a visão ambicionada para o país neste eixo prioritário.
Quadro 31 – Lista de instrumentos de planeamento associados ao eixo prioritário VII «Construir
Portugal: mobilização de todos para ultrapassar a crise da habitação»
Designação Situação
Programa Nacional de Habitação 2022-2026 Adotado
Construir Portugal: Nova Estratégia do XXV Governo para a
Habitação
Adotado
O Quadro 32 evidencia os valores do financiamento plurianual das medidas de política
pública associadas a este eixo prioritário.
Quadro 32 – Financiamento plurianual das medidas de política associadas ao eixo prioritário VII
«Construir Portugal: mobilização de todos para ultrapassar a crise da habitação»
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9.1. Oferta de habitação
A crise no acesso à habitação em Portugal, evidenciada desde 2017, levou a uma priorização
do aumento da oferta habitacional como resposta estrutural ao desequilíbrio entre
rendimentos e preços de mercado. O plano “Construir Portugal”, apresentado em maio de
2024, pelo XXIV Governo, propôs a mobilização do património imobiliário do Estado, bem
como a dinamização da oferta pública, privada e cooperativa, com foco na produção de
habitação a preços acessíveis para a classe média. Esta abordagem visa garantir uma resposta
eficaz às necessidades habitacionais, promovendo simultaneamente a coesão soci al e
territorial.
9.1.1. Mobilizar património imobiliário do Estado e aumentar a oferta de habitação
Aumentar a oferta de habitação através da mobilização do património do Estado é
fundamental para ultrapassar a crise da habitação. Pretende-se concretizar este objetivo
estratégico mediante a implementação das seguintes medidas:
Executar 59 mil casas públicas e disponibilizar financiamento para mais projetos,
incluindo PPP em imóveis do Estado devolutos com aptidão habitacional;
Injetar no mercado imóveis públicos devolutos ou subutilizados, destinando -se à
oferta de habitação acessível diretamente ou indiretamente. Estainjeção pode ocorrer
por pacotes de imóveis destinados a investidores experientes e quali ficados,
designadamente por concessão começando esta metodologia por ser aplicada aos
imóveis libertados pela concentração de ministérios e entidades no Campus XXI;
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Transferir do Estado para os municípios edifícios e frações habitacionais dispersas
para a sua recuperação e reabilitação e posterior atribuição em arrendamento
habitacional público.
9.2. Construção
A construção é um elemento estruturante do setor da habitação e desempenha um papel
decisivo na resposta às necessidades da população. Num contexto atual marcado pelo
aumento da procura, pela escassez de oferta a preços comportáveis e pela necessidade de
reabilitação do edificado degradado existente, o setor da construção assume uma
responsabilidade acrescida, pois a sua capacidade de inovação e adaptação às exigências atuais
é determinante para garantir que o crescimento da oferta se faz de forma equilibrada e
inclusiva. Assim, para facilitar a construção e acelerar a disponibilização de novas habitações,
é fundamental simplificar processos. Ao mesmo tempo, a modernização do setor da
construção é fundamental, através da adoção de tecnologias como o Building Information
Modeling e a industrialização dos processos, o que permitirá tornar o setor mais eficiente e
capaz de responder às exigências atuais com maior rapidez e qualidade.
9.2.1. Simplificar e estimular a construção
Reconhecendo os entraves burocráticos que dificultam o licenciamento e a construção, é
essencial garantir a simplificação administrativa, bem como a redução dos custos relativos a
obras de construção ou reabilitação. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico
mediante a implementação das seguintes medidas:
Criar um regime excecional e temporário que acelere a construção e renovação por
oferta privada ou cooperativa, designadamente através da redução dos custos em
obras de construção ou reabilitação; aplicação de IVA à taxa mínima de 6% nas obras
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e serviços de construção e reabilitação, com limite de incidência no valor final dos
imóveis;
Rever o enquadramento legislativo do licenciamento e controlo urbanístico, bem
como assegurar a modernização das normas aplicáveis à construção, reforçando
decisivamente a simplificação e a previsibilidade no setor.
9.2.2. Modernizar o setor da construção
A modernização do setor da construção é fulcral para ultrapassar a crise da habitação, pois
permitirá otimizar e acelerar processos. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico
mediante a implementação da seguinte medida:
Dinamizar a modernização do setor da construção, ao nível da gestão de projetos
com a dinamização de tecnologias como o Building Information Modeling (BIM), bem
como na industrialização de processos construtivos.
9.3. Desenvolvimento urbano integrado
O desenvolvimento urbano integrado é um dos pilares fundamentais do planeamento
estratégico das cidades, cujo principal objetivo é garantir o acesso de forma equitativa à
habitação e a promoção de comunidades sustentáveis, inclusivas e centradas no bem-estar,
facilitando nomeadamente a prestação de serviços de apoio e cuidados continuados à
população sénior, de forma a responder a situações de extrema gravidade social. Importa
apostar na revitalização urbana sem induzir fenómenos de gentrificação, preservando a
identidade dos bairros e das comunidades, enquanto se incentiva a inovação e se
implementam soluções com o propósito de tornar a habitação acessível. Para um
desenvolvimento urbano integrado é ainda fundamental a criação e a articulação de uma rede
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de transportes mais sustentável, capaz de desbloquear o acesso a novas áreas do território.
9.3.1. Requalificar e expandir áreas urbanas de forma planeada e integrada
Um desenvolvimento urbano integrado exige um planeamento descentralizado, com
licenciamento ágil e execução célere de infraestruturas e equipamentos sociais, potenciando
a transformação qualificada do território. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico
mediante a implementação das seguintes medidas:
Dinamizar zonas prioritárias de expansão urbana, através de sociedades de
reabilitação urbana e de promoção habitacional, em articulação com os municípios,
seguindo o modelo da Parque Expo, com planeamento e licenciamento
descentralizado e execução expedita de infraestruturas e equipamentos sociais, no
espírito do anunciado Parque Cidades do Tejo (transformação da área metropolitana
de Lisboa, articulada em quatro grandes eixos – Arco Ribeirinho Sul, Ocean Campus,
Aeroporto Humberto Delgado e Cidade Aeroportuária);
Orientar o planeamento do uso do solo para dar satisfação às prementes necessidades
de habitação bem como às atividades económicas, com respeito pela salvaguarda dos
recursos naturais;
Generalizar a execução e conservação do cadastro predial a todo o território nacional;
Promover a obtenção de dados geoespaciais do País de forma regular, de modo a
garantir um conhecimento atualizado do território e assim possibilitar a sua gestão,
monitorização e ordenamento de modo sustentado, permitindo ainda assegurar a
adequada territorialização das políticas públicas.
9.4. Mercado de arrendamento
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O mercado de arrendamento desempenha um papel essencial no setor da habitação. Nos
últimos anos, houve um agravamento da oferta e um aumento do preço das rendas,
dificultando o acesso àquele setor. Para contrariar este aumento, torna-se urgente reorientar
a intervenção pública, apostando numa política de apoio através da subsidiação dos
arrendatários em situação de vulnerabilidade, e não da penalização generalizada dos
proprietários, de forma a recuperar a confiança no mercado de arrendamento. A subsidiação
deve ser simples, transparente e eficaz, evitando a excessiva burocracia dos programas de
arrendamento que ainda persiste e que conduz ao atraso nos pagamentos, ou a um
desfasamento significativo entre a realidade dos arrendatários e o histórico que é usado para
os apoiar.
9.4.1. Dar estabilidade e confiança
A recuperação da confiança no mercado de arrendamento, de forma a dar estabilidade aos
portugueses, é considerado um ponto fundamental para a resolução dos desafios no setor da
habitação. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação das
seguintes medidas:
Rever o regime de arrendamento urbano, devolvendo a confiança ao mercado e
garantindo, de modo eficaz, os direitos dos proprietários em caso de incumprimento;
Rever os programas de arrendamento, seja simplificando e reforçando a eficiência do
arrendamento acessível, seja promovendo o modelo de contratos de investimento
build-to-rent com condições de previsibilidade de rentabilidade e de estabilidade
legislativa essenciais para atrair o investimento privado;
Rever e racionalizar todos os programas públicos de apoio à renda, simplificando e
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acelerando procedimentos e reforçando a eficiência e equidade nos apoios.
10. Eixo prioritário VIII – As infraestruturas que alavancam o país
A visão ambicionada para o país no eixo prioritário VIII “As infraestruturas que alavancam
o país” assenta numa política orientada para a execução de projetos estruturantes. Esta visão
integra investimentos com impacto direto na mobilidade, na energia, na coesão territorial e
na atratividade competitiva do território nacional. Promove-se a modernização e o
desenvolvimento integrado das infraestruturas nacionais. É crucial expandir e otimizar as
infraestruturas aeroportuárias nacionais, tendo em vista o aumento da capacidade de resposta
à crescente procura de tráfego de passageiros e carga, garantindo maior eficiência operacional
e aumentando a sua ligação e articulação com a restante infraestrutura de transportes. Neste
domínio, é estratégico também concretizar-se a primeira fase da privatização da TAP .
Importa, de igual modo, após uma década marcada por falhas de gestão, ausência de
planeamento integrado e insuficiência de investimento, promover o setor portuário e o
transporte marítimo, nomeadamente, através da digitalização e da descarbonização, de modo
a reforçar a competitividade e atrair investimento privado. No transporte ferroviário, aposta-
se na sua revitalização mediante a abertura à concorrência e entrada de novos operadores.
Garante-se o reforço da rede elétrica nacional e das suas interligações com a Europa,
assegurando uma oferta energética sustentável e competitiva e inclusiva, reforçando a
soberania energética nacional, e investe-se em infraestruturas de serviços públicos essenciais,
como na Saúde, Educação, Justiça e Segurança.
Impulsiona-se, por fim, a modernização das redes tecnológicas, como o 5G e os data centers,
para garantir a competitividade digital, e cria-se um instrumento nacional de planeamento,
de forma a assegurar a coordenação dos grandes investimentos e, consequentemente, a sua
coerência articulação e eficácia.
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A concretização destes objetivos articula-se com o Plano Nacional Energia e Clima 2030
(PNEC 2030), garantindo-se assim o alinhamento com as metas nacionais e europeias de
descarbonização.
Este eixo prioritário desdobra-se nos temas e objetivos estratégicos do Quadro 33.
Quadro 33 – Temas e objetivos estratégicos referentes ao eixo prioritário VIII «As infraestruturas que
alavancam o país»
Temas Objetivos Estratégicos
Aeroportos e transporte aéreo
Transformação do setor da aviação em
Portugal, resolvendo o atraso sistémico de
decisões e investimento de décadas
Ferrovia
Modernização da ferrovia e concretização
do plano ferroviário nacional, assegurando
um sistema moderno e competitivo de
transporte de passageiros e de mercadorias
Rodovia
Expandir e modernizar as redes rodoviárias
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Infraestruturas – Portos
Expandir e modernizar as redes portuárias
nacionais
Infraestruturas energéticas e tecnológicas
Modernizar as infraestruturas energéticas
para a competitividade nacional
Modernizar as infraestruturas tecnológicas
para a competitividade nacional
Infraestruturas de serviços públicos
Garantir capacidade de provisão dos
serviços e funções do Estado
Investimentos públicos
Assegurar coordenação e planeamento
integrado dos investimentos públicos
Os indicadores de contexto relativos a este eixo prioritário estão refletidos no Quadro 34.
Entre 2010 e 2023, Portugal registou uma recuperação no transporte público no pós-
pandemia, bem como um crescimento acentuado na atividade portuária e aeroportuária, e
uma intensificação da atividade logística e do turismo.
Quadro 34 – Indicadores de contexto referentes ao eixo prioritário VIII «As infraestruturas que
alavancam o país»
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º 39/XVII/1.ª
O Quadro 356 apresenta a lista de instrumentos de planeamento que contribuem para
materializar a visão ambicionada para o país neste eixo prioritário.
Quadro 356 – Lista de instrumentos de planeamento associados ao eixo prioritário VIII «As
infraestruturas que alavancam o país»
Designação Situação
Estratégia Nacional para a Mobilidade Ativa Ciclável 2020-2030 Adotado
Estratégia Nacional para a Mobilidade Ativa Pedonal 2020-2030 Adotado
Estratégia para o Aumento da Competitividade da Rede de Portos
Comerciais do Continente
Adotado
Plano Ferroviário Nacional Adotado
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º 39/XVII/1.ª
Designação Situação
Programa Nacional de Investimentos 2030 Adotado
Estratégia ‘Portos 5+’ 2025-2035 Adotado
Plano de Investimentos para o Triénio 2025-2027 da Docapesca Adotado
Plano Nacional de Energia e Clima 2030 Adotado
Plano de Reforço da Segurança do Sistema Elétrico Nacional A elaborar
O Quadro 36 evidencia os valores do financiamento plurianual das medidas de política
pública associadas a este eixo prioritário.
Quadro 36 – Financiamento plurianual das medidas de política associadas ao eixo prioritário VIII «As
infraestruturas que alavancam o país»
10.1. Aeroportos e transporte aéreo
Os setores da aviação e aeroportuário têm sido dominados na última década por atrasos na
decisão e bloqueios administrativos , desde a falta de capacidade do Aeroporto Humberto
Delgado ao adiamento da escolha da melhor opção de expansão, bem como o complexo
processo de nacionalização da TAP.
10.1.1. Transformação do setor da aviação em Portugal, reso lvendo o atraso sistémico de decisões e
investimento de décadas
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Proposta de Lei n.º 39/XVII/1.ª
Face à crescente competitividade internacional no setor de aviação, Portugal necessita de
implementar avanços estratégicos que assegurem a sua posição no panorama global. Para tal,
impõe-se o reforço da rede aeroportuária nacional e a concretização da primeira fase da
privatização da TAP . Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a
implementação das seguintes medidas:
A conclusão da negociação e lançamento da construção do Aeroporto Luís de
Camões;
O reforço da capacidade na restante rede aeroportuária nacional;
A concretização da primeira fase da privatização da TAP .
10.2. Ferrovia
O transporte ferroviário desempenha um papel essencial no ecossistema do serviço público
de transporte de pessoas e bens, sendo um elemento estruturante do território e um pilar
central das políticas de mobilidade sustentável. No entanto, em Portugal, este setor tem vindo
a perder, ao longo das últimas décadas, a sua relevância enquanto instrumento de coesão
territorial e desenvolvimento. A revitalização do transporte ferroviário exige, por isso, uma
aposta clara na promoção da concorrência e na entrada de novos operadores, de forma a
garantir maior eficiência, inovação e capacidade de resposta às necessidades do país.
10.2.1. Modernização da ferrovia e concretização do plano ferroviário nacional, assegurando um sistema
moderno e competitivo de transporte de passageiros e de mercadorias
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Proposta de Lei n.º 39/XVII/1.ª
A promoção da mobilidade em Portugal exige a definição clara de prioridades estratégicas.
Entre estas, destacam-se o investimento no setor ferroviário, tanto na implementação da rede
de Alta Velocidade como na expansão da rede nacional, e uma nova abordagem à mobilidade
intermunicipal na Área Metropolitana de Lisboa, assente na integração dos sistemas de
metropolitano num único sistema. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante
a implementação das seguintes medidas:
Execução atempada da rede de Alta Velocidade (Porto-Lisboa, Porto-Valença e
Lisboa-Caia), bem como da Terceira Travessia do Tejo;
Definição das prioridades na expansão da rede nomeadamente na ligação às capitais
de distrito que ainda não estão ligadas (Viseu, Vila Real, Bragança) e linhas
metropolitanas (Vale do Sousa e Loures);
Plano para a integração num sistema único de Metro, dos vários sistemas de
metropolitano da Área Metropolitana de Lisboa, ligando as duas margens do Tejo (o
Metro de Lisboa, o Metro Sul do Tejo e as outras linhas de Metro Ligeiro propostas
para a Margem Norte).
10.3. Rodovia
A execução de projetos de infraestruturas rodoviárias estruturantes, a modernização das
infraestruturas, a atuação na falta de capacidade da rede existente, o combate à sinistralidade,
a resolução de estrangulamentos de mobilidade urbana, a reabilitação dos ativos, a garantia
das condições de circulação e segurança, são essenciais para melhorar a mobilidade, a
segurança, reforçar a competitividade regional e promover a coesão territorial.
Potenciar a utilização das autoestradas, algumas das quais com tráfego reduzido,
especialmente em zonas de baixa densidade, tirando partido das valências destas
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Proposta de Lei n.º 39/XVII/1.ª
infraestruturas, com a execução de novas ligações à rede viária envolvente e a revisão global
do regime de portagem praticado em Portugal, é igualmente um dos focos.
Para tal, e tendo também em consideração o facto dos atuais contratos das concessões
rodoviárias estarem a terminar, impõe-se um estudo aprofundado do modelo de
financiamento do setor rodoviário que, entre outras matérias inclua o estudo de novas fontes
de financiamento, e investimento, incluindo a adoção de instrumentos inovadores como os
“vales rodoviários”, sem descurar a necessária sustentabilidade financeira do setor.
10.3.1. Expandir e modernizar as redes rodoviárias
Expandir e modernizar as redes rodoviárias, nomeadamente através da construção de
ligações estratégicas, exige investimento e novos modelos de financiamento. Pretende-se
concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação da seguinte medida:
Revisão dos modelos de financiamento e investimento em rodovias, potenciando o
aumento de investimento em novas vias e em vias existentes (“vales rodoviários”)
para reforço das interligações e conclusão de projetos sucessivamente adiados (de
que é exemplo prioritário a ligação em perfil de autoestrada entre Viseu e Coimbra).
10.4. Infraestruturas – Portos
O setor portuário e o transporte marítimo nacionais têm enfrentado, na última década, um
atraso significativo no seu desenvolvimento e modernização. Apesar do seu papel estratégico
na economia portuguesa e na articulação logística internacional, este setor tem sido marcado
pela falta de gestão com cultura empresarial, com as administrações portuárias a operar
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Proposta de Lei n.º 39/XVII/1.ª
frequentemente sem instrumentos eficazes de coordenação e planeamento integrado. Este
contexto tem sido agravado por um défice de investimento público e privado, bem como por
um desfasamento das normas legais e regulatórias face às exigências infraestruturais e
tecnológicas do setor. Simultaneamente, os portos, à semelhança da indústria marítima e da
logística, encontram-se num processo de transformação profunda, marcado pela transição
digital e pela crescente aposta na sustentabilidade.
10.4.1. Expandir e modernizar as redes portuárias nacionais
Portugal definiu uma estratégia portuária centrada na retoma do investimento e na
modernização, com forte aposta na digitalização, no reforço da competitividade e da
sustentabilidade. Esta iniciativa prevê um crescimento expressivo na movimentação de
mercadorias, passageiros e contentores. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico
mediante a implementação da seguinte medida:
Reforço das capacidades portuárias nacionais, através de um vasto programa de
investimento nos portos (“Portos 5+”), por forma a aumentar a quota modal do
transporte marítimo;
10.5. Infraestruturas energéticas e tecnológicas
Entre as prioridades definidas destacam-se a expansão da rede elétrica e das interligações
internacionais, a integração de energias renováveis e o estabelecimento de quadros
regulatórios eficazes, reconhecendo-se igualmente a relevância das matérias-primas críticas
como condição essencial à transição energética, digital e à resiliência industrial do país.
Adicionalmente, a melhoria da acessibilidade às comunicações, com qualidade, segurança e
sustentabilidade, é vital para o crescimento económico. Complementarmente, são
promovidos incentivos ao investimento em capacidade tecnológica nacional e criadas
condições para o teste e implementação de novas soluções desenvolvidas com recurso a IA
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e outras tecnologias, com vista à atração de novos projetos e ao reforço da competitividade
do país.
10.5.1. Modernizar as infraestruturas energéticas para a competitividade nacional
O reforço da rede elétrica nacional e das interligações internacionais, com foco na segurança
do fornecimento e na integração de energias renováveis e na soberania energética, será a base
para atrair investimento e consolidar a competitividade energética de Portugal, mas também
para assegurar a inclusão social, a acessibilidade tarifária e a equidade territorial. Pretende-se
concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação da seguinte medida:
Aumento da capacidade da rede elétrica nacional e das interligações elétricas entre a
Península Ibérica e França, da segurança do fornecimento elétrico, e da incorporação
sustentável e competitiva de energias renováveis como forma de sustentar a atração
e instalação de novos investimentos empresariais, mantendo e reforçando a
competitividade energética nacional, a resiliência industrial e a equidade no acesso.
10.5.2. Modernizar as infraestruturas tecnológicas para a competitividade nacional
Promover a competitividade tecnológica nacional implica um reforço dos mecanismos
regulatórios e dos incentivos ao investimento em infraestruturas tecnológicas. Pretende-se
também simplificar a construção e manutenção de redes, desburocratizando procedimentos
com autarquias e autoridades. As comunicações com os Açores e Madeira dependem de
cabos submarinos, cuja obsolescência exige substituição urgente. Prioriza-se o
desenvolvimento do projeto Atlantic CAM e a modernização das ligações inter-ilhas nos
Açores e entre a Madeira e Porto Santo, assegurando a continuidade dos serviços nas regiões
autónomas. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação das
seguintes medidas:
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Fomentar os enquadramentos regulatórios e de incentivos para o investimento nas
redes tecnológicas, sistemas de suporte e capacidade tecnológica nacional que
assegurem a competitividade tecnológica do país
Rever o Regime previsto no Decreto-Lei n.º 123/2009, de 21 de maio, tendo em vista
a execução do Regulamento (UE) 2024/1309, do Parlamento Europeu e o Conselho,
de 29 de abril de 2024, relativo a medidas destinadas a reduzir o custo da implantação
de redes de comunicações eletrónicas gigabit (“Regulamento Gigabit ou GIA”) e,
bem assim, atualizar as disposições relativas às infraestruturas em edifícios, conjuntos
de edifícios e urbanizações (ITUR) e em edifícios (ITED), prevendo um regime mais
simples e a supressão de disposições redundantes;
Promover o desenvolvimento do Atlantic CAM, atualmente em curso e atualizar da
restante infraestrutura de cabos submarinos, nomeadamente, as ligações inter-ilhas
dos Açores e a nova ligação entre a Madeira e Porto Santo.
10.6. Infraestruturas de serviços públicos
A melhoria da capacidade de provisão dos serviços públicos obriga a uma abordagem
estratégica e à execução de infraestruturas fundamentais, adaptadas às especificidades de cada
setor e território. A adoção dos modelos contratuais, sejam públicos, privados ou em regime
de parceria, permitirá otimizar recursos e acelerar a resposta às necessidades. Esta
intervenção visa corrigir deficiências estruturais na rede de equipamentos do Estado,
promovendo simultaneamente a coesão territorial e a equidade no acesso aos serviços.
10.6.1. Garantir capacidade de provisão dos serviços e funções do Estado
Reforçar a capacidade do Estado na prestação de serviços públicos exige investimento em
infraestruturas essenciais, com vista a corrigir desigualdades territoriais e a aumentar a
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eficiência administrativa, com especial atenção nos setores social e ambiental. Do mesmo
modo, os serviços postais mantêm-se essenciais, exigindo regulação eficaz para garantir o seu
caráter público, universal e sustentável. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico
mediante a implementação das seguintes medidas:
Execução, nos modelos contratuais mais adequados a cada caso, das infraestruturas
fundamentais para robustecer a capacidade de provisão dos serviços e funções do
Estado, promovendo a coesão territorial e a solução das deficiências de rede
existentes, com destaque para os setores da Saúde, Educação, Justiça, Segurança
Interna, Segurança Social e Ambiente;
Requalificar e modernizar os edifícios, promovendo maior eficiência energética e
acessibilidade universal;
Implementar um plano de gestão patrimonial que racionalize recursos, concentre
serviços e valorize a proximidade às populações;
Garantir a continuação da prestação do serviço público em todo o território nacional
através do contrato de concessão do serviço postal universal.
10.7. Investimentos públicos
A crescente complexidade dos investimentos públicos e diversidade de objetivos setoriais e
territoriais exigem uma abordagem integrada e coordenada das diferentes escalas de
planeamento e setores de intervenção.
10.7.1. Assegurar coordenação e planeamento integrado dos investimentos públicos
É necessária a criação de um mecanismo estratégico para alinhar os investimentos públicos
com as prioridades setoriais e territoriais, promovendo coerência, eficácia e eficiência na ação
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governativa. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação da
seguinte medida:
Desenvolver um instrumento de coordenação, integração e coerência entre os
diversos investimentos públicos e os vários objetivos e prioridades setoriais e para os
diversos níveis territoriais (nacional, regional e local).
11. Eixo prioritário IX – Água que Une: salvaguardar o futuro
A visão ambicionada para o país no eixo prioritário IX “Água que Une: salvaguardar o
futuro” assenta numa política orientada para dotar Portugal das infraestruturas de captação,
armazenamento e distribuição eficiente de água, indispensáveis no atual contexto de escassez
e volatilidade hídrica.
Definem-se orientações, medidas e investimentos que, num horizonte de médio prazo,
garantam maior segurança e sustentabilidade na gestão da água em Portugal, assumindo uma
perspetiva de modernização e transformação estrutural. Promove-se, simultaneamente, o uso
eficiente da água e a segurança do abastecimento para prevenir situações de racionamento
que comprometam o bem-estar das populações, a agricultura, o desenvolvimento económico
e a coesão territorial.
Garante-se, por um lado, a segurança do abastecimento à agricultura e demais setores
económicos, mitigando o impacto das secas, das cheias e das alterações climáticas, evitando
crises e custos acrescidos e, por outro, promove-se a sustentabilidade para proteger os
ecossistemas e os recursos naturais, garantindo uma gestão mais integrada da água e
compatibilizando preocupações ambientais, económicas e sociais, bem como de coesão
territorial.
Implementam-se diversas medidas assentes em três áreas – eficiência, eficácia e inteligência.
A eficiência incide em intervenções ao nível das estruturas existentes, com vista a poupar
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água, reduzir perdas nas redes de abastecimento e de rega, reabilitar reservatórios e aproveitar
águas residuais tratadas, visando potenciar o capital físico disponível. A resiliência contempla
a aposta em novas soluções e infraestruturas para reforçar o armazenamento, garantir mais
segurança no abastecimento às populações, à agricultura e aos restantes setores económicos,
restaurar rios e ecossistemas, criar reservas estratégicas de água e interligar sistemas para
assegurar maior robustez hidrológica. A inteligência promove a modernização institucional e
tecnológica e a implementação de uma gestão mais integrada dos recursos hídricos, a
capacitação da administração e a aposta na digitalização do ciclo da água.
Com a Estratégia “Água que Une”, ambiciona-se um impacto transformador em Portugal,
configurando um esforço para modernizar e reformar a gestão dos recursos hídricos, em
linha com as necessidades das populações e das regiões, dos ecossistemas e dos setores
económicos.
Este eixo prioritário desdobra-se nos temas e objetivos estratégicos do Quadro 37.
Quadro 37 – Temas e objetivos estratégicos referentes ao eixo prioritário IX «Água que Une:
salvaguardar o futuro»
Temas Objetivos Estratégicos
Eficiência
Garantir a segurança de abastecimento à
população e aos setores de atividade
prevenindo crises hidrológicas
Resiliência
Expandir e modernizar as infraestruturas
de aproveitamento hidroagrícola
Expandir e modernizar as infraestruturas
de armazenamento
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Proposta de Lei n.º 39/XVII/1.ª
Promover uma gestão especializada do
abastecimento industrial
Inteligência
Restaurar rios e ecossistemas
Reformar a gestão dos recursos hídricos
Os indicadores de contexto relativos a este eixo prioritário estão refletidos no Quadro 38.
Existe uma aprox imação ao limiar de escassez hídrica no índice de exploração da água,
parcialmente compensada por um acréscimo do total de superfície das águas abertas (km2) e
por uma redução da água não faturada nos sistemas em baixa.
Quadro 38 – Indicadores de contexto referentes ao eixo prioritário IX «Água que Une: salvaguardar o
futuro»
O Quadro 39 apresenta a lista de instrumentos de planeamento que contribuem para
materializar a visão ambicionada para o país neste eixo prioritário.
Quadro 39 – Lista de instrumentos de planeamento associados ao eixo prioritário IX «Água que Une:
salvaguardar o futuro»
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Proposta de Lei n.º 39/XVII/1.ª
Designação Situação
Agenda de Inovação para a Agricultura 2020-2030 "Terra futura" Adotado
Estratégia Nacional "Água que Une" Adotado
Programa Nacional de Regadios Adotado
Estratégia Nacional de Adaptação às Alterações Climáticas (ENAAC
2020)
A rever
Estratégia Nacional de Conservação da Natureza e Biodiversidade
2030 (ENCNB)
A rever
Estratégia Nacional para os Efluentes Agropecuários e
Agroindustriais 2030 (ENEAPAI 2030)
Adotado
Plano de Ação para a Digitalização Integral do Ciclo da Água A elaborar
Plano de Ação para a Economia Circular (PAEC 2030) A elaborar
Plano de Armazenamento e Abastecimento Eficiente de Água para a
Agricultura (Plano REGA)
A elaborar
Plano Estratégico para os Resíduos não Urbanos (PERNU 2030) Adotado
Plano de Gestão dos Riscos de Inundações Adotado
Plano Estratégico de Abastecimento de Água e Saneamento de Águas
Residuais e Pluviais 2030 (PENSAARP 2030)
Adotado
Plano Nacional da Água (PNA) A rever
Plano Nacional de Energia e Clima 2030 Adotado
Plano Nacional de Gestão de Resíduos (PNGR 2030) Adotado
Plano Nacional de Restauro Ecológico A elaborar
Planos de Gestão das Regiões Hidrográficas Adotado
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Designação Situação
Programa de Ação para a Adaptação às Alterações Climáticas (P-3AC) Adotado
Programa de Ação para os Efluentes Agropecuários e Agroindustriais
2030 - Tomo I
Adotado
Programa de Restauro e Revitalização de Zonas Estuarinas (Programa
FOZ)
A elaborar
O Quadro 40 evidencia os valores do financiamento plurianual das medidas de política
pública associadas a este eixo prioritário.
Quadro 40 – Financiamento plurianual das medidas de política associadas ao eixo prioritário IX «Água
que Une: salvaguardar o futuro»
11.1. Eficiência
Perante o cenário de escassez hídrica, torna-se urgente adotar uma abordagem de gestão da
água assente na eficiência. A estratégia centra-se na otimização das infraestruturas existentes,
na redução de perdas nas redes de abastecimento e rega, e na reutilização de águas residuais
tratadas para fins não potáveis, promovendo a economia circular e reforçando a
sustentabilidade do sistema hídrico nacional.
11.1.1. Garantir a segurança de a bastecimento à população e aos setores de atividade prevenindo crises
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Proposta de Lei n.º 39/XVII/1.ª
hidrológicas
A eficiência dos serviços de abastecimento de água em baixa é essencial para o bem-estar da
população e o desenvolvimento económico. Neste campo, são abordadas matérias
relacionadas com as perdas, o estado de conservação das infraestruturas, o tratamento e a
valorização da água residual. Pretende concretizar-se este objetivo estratégico mediante a
implementação das seguintes medidas:
Programa de Ação para a Redução de Perdas de Água, com vista ao controlo e redução
de perdas nos sistemas de abastecimento em baixa de água potável.
Programa Água +Circular, para a promoção da utilização de água residual tratada.
11.2. Resiliência
Face ao cenário expectável de escassez hídrica em Portugal, agravado pelas alterações
climáticas, torna-se fundamental reforçar a resiliência e garantir a segurança hídrica através
de uma abordagem integrada, que envolverá a modernização das infraestruturas agrícolas, a
expansão das áreas de rega, a criação de reservas estratégicas e a adoção de modelos de gestão
eficientes. No setor industrial, são necessárias soluções sustentáveis e adaptadas às diferentes
origens de água, promovendo, simultaneamente, a competitividade regional e a preservação
dos recursos hídricos.
11.2.1. Expandir e modernizar as infraestruturas de aproveitamento hidroagrícola
O aumento do potencial produtivo implica o reforço das áreas irrigadas de modo a beneficiar
e modernizar os empreendimentos hidroagrícolas, procurando alcançar uma gestão da água
mais centralizada, eficiente e resiliente. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico
mediante a implementação da seguinte medida:
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Proposta de Lei n.º 39/XVII/1.ª
Programa para a eficiência dos Empreendimentos Hidroagrícolas, que integra diversas
medidas de bene ficiação e modernização de empreendimentos públicos visando o
reforço do potencial produtivo.
11.2.2. Expandir e modernizar as infraestruturas de armazenamento
O reforço das reservas de água é fundamental para aumentar a segurança hídrica e aliviar os
efeitos de eventos extremos. Neste âmbito, destacam-se a ampliação da capacidade das atuais
barragens, o estudo e construção de novas infraestruturas, bem como a criação de um
empreendimento de fins múltiplos para a bacia hidrográfica do Tejo. Pretende-se concretizar
este objetivo estratégico mediante a implementação das seguintes medidas:
Programa para o Reforço do Armazenamento de Água por via do aumento da
capacidade das barragens existentes e da construção de novas barragens, e de
interligações;
Programa para a Resiliência Hídrica do Tejo, que reforça a autonomia nacional e a
valorização económica e ambiental da região através de um conjunto de medidas que
incluem a construção da barragem do Alvito / Ocreza, a otimização da exploração das
barragens existentes e o reforço do potencial produtivo ao nível agrícola.
11.2.3. Promover uma gestão especializada do abastecimento industrial
A expansão da Zona Industrial e Logística de Sines (ZILS) exige uma solução específica de
abastecimento de água, que respeite os recursos naturais e esteja integrada num modelo
adequado de administração. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a
implementação da seguinte medida:
Programa ZILS/H2O para a gestão integrada e sustentável do abastecimento ao polo
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Proposta de Lei n.º 39/XVII/1.ª
industrial de Sines.
11.2.4. Restaurar rios e ecossistemas
O reforço das ações de conservação e restauro dos cursos de água em Portugal Continental
é um objetivo assumido, alinhado com metas nacionais e europeias, e articulado com o Plano
Nacional de Restauro da Natureza e os instrumentos de gestão de recursos hídricos.
Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação da seguinte
medida:
Programa PRORios 2030 prevendo medidas de conservação, reabilitação e restauro de
rios e ribeiras, bem como a remoção de barreiras obsoletas à continuidade fluvial.
11.3. Inteligência
A componente de inteligência na gestão da água aposta na inovação tecnológica e
organizacional para promover a sustentabilidade ambiental e económica. A estratégia inclui
a modernização institucional, a digitalização do ciclo da água e a gestão integrada dos
recursos hídricos. Destaca-se ainda o uso de inteligência artificial e a criação de um modelo
avançado de gestão das bacias hidrográficas, orientado para a eficiência, equidade, resiliência
e sustentabilidade regional.
11.3.1. Reformar a gestão dos recursos hídricos
A transformação da gestão da água constitui uma ambição, sustentada pela adoção de
soluções inovadoras, como a inteligência artificial. Neste âmbito, destaca-se a criação de uma
abordagem multifuncional de gestão das bacias do Mondego e do Tejo, através de uma
iniciativa com a responsabilidade de implementar um modelo alternativo de gestão. Pretende-
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Proposta de Lei n.º 39/XVII/1.ª
se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação das seguintes medidas:
Programa de Ação para Digitalização Integral do Ciclo da Água, que promove o
reforço das tecnologias e metodologias para o conhecimento em tempo real do estado
das massas de água superficiais e subterrâneas e dos consumos e utilizações dos
recursos hídricos;
Programa para constituição do Empreendimento de Fins Múltiplos do Médio Tejo e
do Mondego, atentas as múltiplas utilizações existentes nas regiões, com criação de
estruturas de gestão especializadas e capacitadas (semelhantes à EDIA - Empresa de
Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva, S.A).
12. Eixo prioritário X – Plano de reforço estratégico de investimento em defesa
A visão ambicionada para o país no eixo prioritário X “Plano de reforço estratégico de
investimento em defesa” assenta numa política que dota o Estado de capacidade de resposta
ao novo e exigente contexto geopolítico internacional.
Neste quadro, prossegue-se uma linha de continuidade estratégica orientada para o reforço
das relações bilaterais do Estado Português e da participação portuguesa em todos os fora de
que é parte, fortalecendo os valores do multilateralismo, da Carta das Nações Unidas (ONU),
e o primado do Direito Internacional. A aposta nas dinâmicas bilaterais e multilaterais nos
eixos europeu, lusófono, atlântico e ibero-americano será acompanhada de um reforço das
ligações à diáspora portuguesa, sendo esta reconhecida como um dos mais importantes ativos
económicos e culturais da nossa política externa.
Implementa-se um reforço decisivo dos pilares da defesa e segurança, que justifica a
antecipação do cumprimento dos compromissos assumidos com a OTAN e países aliados.
Garante-se o investimento de 2% do PIB na Defesa Nacional já em 2025, para que Portugal
seja um país credível e consciente do seu papel no plano internacional, reforçando o seu lugar
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Proposta de Lei n.º 39/XVII/1.ª
no multilateralismo no seio da Aliança Atlântica, da União Europeia e das Nações Unidas.
Garante-se, por fim, que este investimento serve, não só para a modernização de
equipamentos e para a capacitação das Forças Armadas, mas também para alavancar a
indústria nacional de segurança e defesa, aproveitando as oportunidades que representam
iniciativas como o Plano ReArm Europe/Readiness 2030. Todo este esforço estratégico será
sempre executado com a premissa de preservar e fortalecer o modelo nacional do Estado
Social.
Este eixo prioritário desdobra-se nos temas e objetivos estratégicos do Quadro 41.
Quadro 41 – Temas e objetivos estratégicos referentes ao eixo prioritário X «Plano de reforço estratégico de
investimento em defesa»
Temas Objetivos Estratégicos
Investimento em Defesa Cumprir os compromissos de investimento
OTAN e organizações
Indústrias de Defesa Desenvolver e capacitar o setor industrial
de defesa nacional
Forças Armadas Garantir Forças Armadas capacitadas
Ciberdefesa e inteligência artificial Fortalecer as capacidades de ciberdefesa,
aplicar e regular a inteligência artificial no
domínio da defesa
Gestão de crise Garantir a continuidade dos serviços em
situações de crise
Portugal na Europa Aprofundar a integração e o alargamento
europeus
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Proposta de Lei n.º 39/XVII/1.ª
Portugal no Mundo Projetar Portugal nas organizações
internacionais
Aprofundar dinâmicas comunitárias
Os indicadores de contexto relativos a este eixo prioritário estão refletidos no Quadro 42.
Entre 2010 e 2024, Portugal registou uma evolução positiva na atividade económica com
países da CPLP , no entanto, no que toca às Forças Armadas, o número de efetivos reflete
uma descida considerável.
Quadro 42 – Indicadores de contexto referentes ao eixo prioritário X «Plano de reforço estratégico de
investimento em defesa»
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º 39/XVII/1.ª
O Quadro 43 apresenta a lista de instrumentos de planeamento que contribuem para
materializar a visão ambicionada para o país neste eixo prioritário.
Quadro 43 – Lista de instrumentos de planeamento associados ao eixo prioritário X «Plano de reforço
estratégico de investimento em defesa»
Designação Situação
Estratégia Nacional de Ciberdefesa Adotado
Estratégia de Desenvolvimento da Base Tecnológica e Industrial de
Defesa 2023 -2033
Adotado
Conceito Estratégico de Defesa Nacional A rever
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º 39/XVII/1.ª
Designação Situação
Estratégia da Defesa Nacional para o Ambiente, Segurança e
Alterações Climáticas
Adotado
Plano Setorial da Defesa Nacional para a Igualdade Adotado
Plano de Ação para a Profissionalização do Serviço Militar Adotado
Roteiro de Formação e Educação Estratégica para a Segurança e
Defesa Nacional
A elaborar
Programa Internacionalizar 2030 Adotado
Estratégia da Cooperação Portuguesa para o Desenvolvimento 2030 Adotado
Estratégia da Defesa Nacional para o Espaço A rever
O Quadro 44 evidencia os valores do financiamento plurianual das medidas de política
pública associadas a este eixo prioritário.
Quadro 44 – Financiamento plurianual das medidas de política associadas ao eixo prioritário X «Plano
de reforço estratégico de investimento em defesa»
12.1. Investimento em Defesa
A Defesa Nacional é uma área de soberania fundamental , assumindo-se com o objetivo de
garantir o cumprimento dos compromissos assumidos com os nossos Aliados e a
participação de Portugal em Missões ao serviço da OTAN, ONU, UE ou Frontex. Assume-
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se, de modo determinado, a necessidade de avançar para a modernização de equipamentos,
bens e infraestruturas militares do país, assim como de aumentar de forma consistente o
recrutamento e retenção, garantindo a capacidade de projetar força militar.
12.1.1. Cumprir os compromissos de investimento OTAN e organizações multilaterais
A credibilidade de Portugal para com os seus aliados e a capacidade de projeção de força
militar são qualidades essenciais. Pretende concretizar-se este objetivo estratégico mediante
a implementação das seguintes medidas:
Alcançar 2% do PIB em investimento na Defesa Nacional já em 2025, antecipando
a meta de 2029, com 20% do investimento destinado a bens, infraestruturas e
equipamentos, em linha com os compromissos OTAN;
Cumprir os compromissos assumidos no âmbito das organizações multilaterais de
que Portugal faz parte.
12.2. Indústrias de Defesa
A modernização de equipamentos, bens e infraestruturas militares de Portugal é necessária e
deve ser feita mediante a criação de um ambiente favorável à indústria nacional de segurança
e defesa, sendo esta capaz de ter um efeito multiplicador do investimento público. Neste
contexto, o Plano ReArm Europe/Readiness 2030, da Comissão Europeia, confere ainda
uma janela temporal e financeira para reforçar as capacidades de contratação e produção
conjuntas, A adoção deste programa de investimento, acompanhado pelo Fundo Europeu
de Defesa servirá de catalisador a uma indústria nacional e europeia de defesa forte, capaz
de desenvolver tecnologias e equipamentos de ponta e interoperáveis.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º 39/XVII/1.ª
12.2.1. Desenvolver e capacitar o setor industrial de defesa nacional
O desenvolvimento de uma indústria de defesa nacional é prioritário no contexto de
mudança geopolítica, económica e tecnológica que o mundo atravessa. Pretende concretizar-
se este objetivo estratégico mediante a implementação das seguintes medidas:
Alavancar este investimento no desenvolvimento da capacidade industrial nacional
na área da Segurança e Defesa, gerando emprego, valor acrescentado e capacidades
tecnológicas, de investigação, desenvolvimento e de inovação neste setor em
território nacional;
Apoiar a promoção do cluster de indústrias de defesa, como forma de atrair
investimento relacionado com o reforço do investimento em defesa ao nível europeu;
Estímulo aos investimentos passíveis de duplo uso, militar e civil, nomeadamente
meios aéreos de uso militar com possibilidade de adaptação ao combate a incêndios
e/ou missões de busca e salvamento.
12.3. Forças Armadas
A capacidade de projeção de força militar e de cumprimento dos compromissos assumidos
com os nossos Aliados são fundamentais. Torna-se necessário dotar Portugal, em linha com
o esforço empreendido em 2024, de Forças Armadas capacitadas e de elevada prontidão,
com plataformas no Exército, Marinha e Força Aérea capazes de assegurar o elenco de
missões para as quais estão acometidas, nas fronteiras nacionais e internacionais, em terra,
mar, ar, ciberespaço e espaço. Continuará também a ser assegurado o investimento nos
recursos humanos das Forças Armadas.
12.3.1. Garantir Forças Armadas capacitadas
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º 39/XVII/1.ª
Dotar Portugal de Forças Armadas capacitadas e de elevada prontidão é uma questão de
soberania e credibilidade. Pretende concretizar-se este objetivo estratégico mediante a
implementação da seguinte medida:
Coordenar e sincronizar os ciclos de planeamento de efetivos, de investimento, de
orçamentos, de treino e aprontamento de forças, em linha com o planeamento do
seu emprego e potencialidades das indústrias de defesa, e assegurar os mecanismos
de financiamento que garantam o cumprimento da Lei de Programaç ão Militar de
acordo com as necessidades nacionais e os compromissos internacionais assumidos.
12.4. Ciberdefesa e inteligência artificial
No contexto das aceleradas mudanças geopolíticas e da existência de zonas de fricção no
espaço físico e virtual, a cibersegurança e a inteligência artificial ganham um novo relevo.
Torna-se necessário reforçar as capacidades de ciberdefesa, em termos de planeamento, bem
como dos recursos técnicos e humanos.
12.4.1. Fortalecer as capacidades de ciberdefesa, aplicar e regular a inteligência artificial no domínio da
defesa
Uma ciberdefesa robusta é essencial para o bom funcionamento das instituições. Pretende
concretizar-se este objetivo estratégico mediante a implementação da seguinte medida:
Reforçar capacidades de ciberdefesa, em matéria de formação e treino, resiliência,
combate a ameaças e gestão de vulnerabilidades, bem como aplicar e regular a
inteligência artificial no domínio de defesa.
12.5. Gestão de crise
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º 39/XVII/1.ª
A preparação da sociedade e do Estado para situações de crise é uma ação prioritária.
Garantir a segurança, e o abastecimento das populações exige ações que antecipem cenários
eventuais de rotura de cadeias logísticas. Torna-se fundamental desenvolver uma estratégia
de contingência para a segurança alimentar que assegure o armazenamento, o abastecimento
e a distribuição de bens alimentares essenciais à população.
12.5.1. Garantir a continuidade dos serviços em situações de crise
No contexto atual, elevar o nível de preparação da sociedade face a situações de crise é uma
prioridade. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação da
seguinte medida:
Desenvolver uma estratégia de contingência que assegure o abastecimento e a
distribuição de bens alimentares essenciais à população em situações de crise.
12.6. Portugal na Europa
Na Europa, palco cada vez mais estruturante da nossa política externa, Portugal deve assumir
uma posição liderante e contribuir de forma decisiva para as principais prioridades da agenda
europeia dos próximos anos. Dar-se-á prioridade ao acompanhamento das matérias de
segurança e defesa, alargamento, aprofundamento e execução da agenda de simplificação,
mercado único, negociação do próximo Quadro Financeiro Plurianual, assim como à
conclusão da União Económica e Monetária.
12.6.1. Aprofundar a integração e o alargamento europeus
Ter um papel liderante e ativo nas agendas de integração europeia e nos futuros alargamentos
é de interesse decisivo para o país. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º 39/XVII/1.ª
a implementação das seguintes medidas:
Garantir um aprofundamento da integração europeia nas áreas da segurança e defesa,
mas também da simplificação da União Económica e Monetária, do mercado interno
e das políticas de comércio livre;
Apoiar ativamente o alargamento da União Europeia, nomeadamente à Ucrânia,
Moldávia e países dos Balcãs Ocidentais, eventualmente Islândia e Geórgia.
12.7. Portugal no Mundo
O mundo atual exige uma política externa mais ágil e estratégica. Nas organizações
internacionais, Portugal afirmar-se-á com ambição, defendendo os interesses nacionais e
ampliando a projeção internacional do país. Adicionalmente, propõe-se continuar, nos
próximos anos, a reforçar as ligações e conexões à nossa diáspora, seja tradicional, seja a de
nova geração, enquanto elemento de afirmação de Portugal no mundo.
12.7.1. Projetar Portugal nas organizações internacionais
Ter um papel de relevo nas organizações internacionais confere capacidade de projeção ao
país, e aos seus interesses. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a
implementação da seguinte medida:
Apostar na eleição de Portugal como membro não permanente do Conselho de
Segurança das Nações Unidas.
12.7.2. Aprofundar dinâmicas comunitárias
O reforço de Portugal no plano global requer a mobilização e uso de todos os seus ativos
tangíveis e intangíveis ( soft power), em especial no que se refere à ligação às comunidades
lusófonas. Pretende-se concretizar este objetivo estratégico mediante a implementação da
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º 39/XVII/1.ª
seguinte medida:
Reforçar a afirmação de Portugal no plano global através do reforço do papel e das
capacidades da CPLP e da comunidade ibero-americana.
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ANEXO II
(a que se refere a alínea b) do n.º 1 do artigo 3.º)
(milhões de euros) por memória:
2026 2027 2028 2029
Administração Central
01 - E ncargos Gerais do E stado 7 679,2 7 733,6 7 930,6 8 140,0 8 337,3 0,7% 2,5% 2,6% 2,4%
02 - Presidência do Conselho de Ministros 925,3 1 017,6 985,3 997,7 1 009,5 10,0% -3,2% 1,3% 1,2%
03 - Negócios E strangeiros 585,0 600,6 600,2 606,7 614,2 2,7% -0,1% 1,1% 1,2%
04 - Finanças 208 792,2 211 891,6 213 119,4 212 753,2 222 739,4 1,5% 0,6% -0,2% 4,7%
Finanças 30 026,1 36 874,1 37 141,0 35 905,7 44 864,9 22,8% 0,7% -3,3% 25,0%
Gestão da Dívida P ública 178 766,1 175 017,5 175 978,5 176 847,5 177 874,5 -2,1% 0,5% 0,5% 0,6%
05 - E conomia e Coesão T erritorial 8 161,7 5 916,7 4 744,7 4 696,0 4 470,0 -27,5% -19,8% -1,0% -4,8%
E conomia 7 161,1 4 788,7 3 611,6 3 591,6 3 410,6 -33,1% -24,6% -0,6% -5,0%
Coesão T erritorial 1 000,6 1 128,0 1 133,1 1 104,4 1 059,4 12,7% 0,4% -2,5% -4,1%
06 - R eforma do E stado 216,0 164,4 72,6 73,9 75,2 -23,9% -55,8% 1,8% 1,8%
07 - Defesa 3 132,8 3 836,9 3 827,8 3 894,1 3 967,5 22,5% -0,2% 1,7% 1,9%
08 - Infraestruturas e Habitação 9 176,7 10 119,5 10 083,4 9 540,8 9 561,0 10,3% -0,4% -5,4% 0,2%
09 - J ustiça 2 414,0 2 460,4 2 418,0 2 441,4 2 487,2 1,9% -1,7% 1,0% 1,9%
10 - A dministração Interna 3 231,8 3 310,3 3 210,6 3 251,2 3 282,5 2,4% -3,0% 1,3% 1,0%
11 - E ducação, Ciência e Inovação 14 220,1 14 649,3 14 077,0 14 089,6 14 236,8 3,0% -3,9% 0,1% 1,0%
E ducação 7 832,6 8 170,5 8 080,4 8 213,4 8 234,6 4,3% -1,1% 1,6% 0,3%
E nsino S uperior, Ciência e Inovação 6 387,5 6 478,9 5 996,6 5 876,2 6 002,2 1,4% -7,4% -2,0% 2,1%
12 - S aúde 44 766,1 46 823,5 47 497,5 48 775,6 50 086,0 4,6% 1,4% 2,7% 2,7%
13 - T rabalho, S olidariedade e S egurança S ocial 35 089,1 37 673,7 39 454,6 41 436,0 43 060,1 7,4% 4,7% 5,0% 3,9%
14 - A mbiente e E nergia 3 255,0 3 117,6 2 260,9 2 267,3 2 242,7 -4,2% -27,5% 0,3% -1,1%
15 - Cultura, J uv entude e Desporto 978,5 1 063,3 763,1 768,5 769,5 8,7% -28,2% 0,7% 0,1%
Cultura 819,6 876,9 575,1 579,7 587,6 7,0% -34,4% 0,8% 1,3%
J uventude e modernização 158,9 186,3 188,0 188,8 181,9 17,3% 0,9% 0,4% -3,6%
16 - A gricultura e Mar 2 460,4 2 093,3 1 899,7 1 845,7 1 349,2 -14,9% -9,3% -2,8% -26,9%
Total da AC 345 084,0 352 472,4 352 945,3 355 577,7 368 288,2 2,1% 0,1% 0,7% 3,6%
Total da AC excluindo Gestão da Dívida Pública 166 317,9 177 454,9 176 966,8 178 730,2 190 413,7 6,7% -0,3% 1,0% 6,5%
S egurança S ocial (S S ) 82 167,0 89 625,3 95 254,8 103 211,2 110 638,1 9,1% 6,3% 8,4% 7,2%
Total da AC+SS 427 251,1 442 097,7 448 200,1 458 788,9 478 926,2 3,5% 1,4% 2,4% 4,4%
Total da AC+SS excluindo Gestão da Dívida Pública 248 485,0 267 080,2 272 221,6 281 941,4 301 051,7 7,5% 1,9% 3,6% 6,8%
Fontes de Financiamento OE2025 2026 2027 2028 2029
A dministração Central e S eg urança S ocial
Receitas de Impostos 292 663,7 298 688,1 305 296,2 309 185,9 323 626,8
Fundos E uropeus 11 676,1 10 147,0 5 228,7 4 924,5 3 332,2
Outras 122 911,3 133 262,6 137 675,2 144 678,4 151 967,3
Total da AC+SS 427 251,1 442 097,7 448 200,1 458 788,9 478 926,2
F onte: Ministério das F inanças.
Variação percentual
OE2025Missões de Base Orgânica 2026 2027 2028 2029
Projeção de Receitas por Fonte de Financiamento
Quadro plurianual das despesas públicas
Quadro Plurianual das Despesas Públicas
Limites de Despesa por Missão de Base Orgânica
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