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PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 483/XVII/1.ª
Recomenda ao Governo que acompanhe a situação na Venezuela
mantendo como prioridade a segurança, o bem -estar e a proteção da
comunidade portuguesa aí residente
Exposição de Motivos
O Grupo Parlamentar do PSD tem acompanhado com grande atenção a
evolução da situação na Venezuela, na sequência da operação militar conduzida
pelos Estados Unidos da América, no dia 3 de janeiro de 2026, que resultou na
captura de Nicolás Maduro, posteriormente levado para os Estados Unidos, onde
foi formalmente acusado de conspiração para narcoterrorismo, conspiração para
importação de cocaína , posse de metralhadoras e dispositivos explosivos e
conspiração para posse destes mesmos instrumentos contra os EUA.
A situação política, institucional e social na Venezuela continua a suscitar
profunda preocupação por parte da comunidade internacional, em virtude da
persistente instabilidade interna, da degradação das condições de vida da
população e das limitações ao funcionamento regular das instituições
democráticas.
Portugal mantém com a Venezuela uma relação histórica, humana e cultural de
grande relevância, marcada pela presença de uma numerosa comunidade
portuguesa e luso descendente, que ao longo de décadas contribuiu de forma
decisiva para o desenvolvimento económico e social daquele país. A proteção
desta comunidade constitui, por isso, uma responsabilidade permanente do
Estado português.
Desde o início dos recentes aco ntecimentos, o Governo português tem
acompanhado a situação de forma contínua e responsável, em estreita
articulação com o Senhor Presidente da República, através da Embaixada de
Portugal em Caracas e da rede consular no país , bem como por meio de
contactos intensos comos parceiros europeus, as instituições da União Europeia
e os países da região.
Destaca-se igualmente a articulação institucional com o Governo Regional da
Madeira e com as principais forças políticas da oposição, assegurando uma
resposta nacional coordenada.
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A prioridade absoluta da ação governativa tem sido, e continuará a ser, a
segurança e o bem -estar da comunidade portuguesa residente na Venezuela.
Num contexto marcado pela decretação do estado de emergência, o Governo
português tem reiterado apelos à tranquilidade, à precaução e ao cumprimento
das orientações das autoridades consulares, garantindo informação regular e
apoio permanente aos cidadãos nacionais.
Importa salientar que, no plano político, Portugal não reconheceu os resultado s
eleitorais de 2024, defen dendo o regresso tão rápido quanto possível à
normalidade democrática, o respeito pelos direitos humanos, pela legalidade
internacional e pela Carta das Nações Unidas, bem como a redução das tensões
e a promoção da segurança e da tranquilidade públicas.
Esta é, aliás, a posição plasmada na Declaração da Alta Representante da União
Europeia para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Kaja Kallas,
de 4 de janeiro de 2026, sobre as consequências da intervenção dos EUA na
Venezuela, apoiada por Portugal e outros 25 Estados-Membros da UE.
Assim, ao abrigo das disposições regimentais e constitucionais aplicáveis, as
Deputadas e os Deputados abaixo-assinados do Grupo Parlamentar do Partido
Social Democrata apresentam o seguinte projeto de resolução:
A Assembleia da República resolve, nos termos do disposto do n.º 5 do
artigo 166.º da Constituição da República Portuguesa, recomendar ao
Governo que:
1. Continue a acompanhar de forma permanente,a evolução da situação na
Venezuela, em articulação com o Senhor Presidente da República, com
os parceiros europeus, com a União Europeia e com os países da região;
2. Mantenha como prioridade absoluta a segurança, o bem -estar e a
proteção da comunidade portuguesa na Venezuela, assegu rando
informação regular, apoio consular adequado e mecanismos de resposta
a eventuais situações de emergência;
3. Continue a defender, no plano diplomático, o regresso, tão rápido quanto
possível, a uma situação de normalidade democrática, a realização de
processos políticos livres, credíveis e inclusivos e o pleno respeito pelos
direitos humanos , salvaguardando que o caminho futuro da Venezuela
deve ser encontrado soberanamente pelo Povo venezuelano;
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4. Apresente, em coordenação com os parceiros internacionais, uma
posição firme a favor da redução das tensões, do respeito pelo Direito
Internacional e pela Carta das Nações Unidas, e da promoção da paz e
da segurança públicas;
5. Exprima o desejo de que a Venezuela possa voltar a ser um país
desenvolvido, próspero e unido, capaz de garantir estabilidade,
oportunidades e condições de vida dignas ao seu povo e às comunidades
que contribuíram historicamente para o seu desenvolvimento, em
particular a comunidade portuguesa.
Palácio de São Bento, 9 de janeiro de 2026
As/Os Deputadas/os,
Hugo Soares
Regina Bastos
Bruno Ventura
José Cesário
Paulo Neves
Carlos Silva Santiago
Carlos Alberto Gonçalves
Olga Freire
Paulo Edson da Cunha
Alberto Fonseca
Alexandre Poço
Martim Syder
Miguel Guimarães
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