Documento integral
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Projeto de Resolução n.º 873/XVII/1.ª
Recomenda ao Governo que desenvolva todos os esforços no sentido de garantir a
reabertura da linha aérea entre o Porto e Clermont-Ferrand, em França
Exposição de Motivos
Cumprindo decisão anteriormente anunciada, foi extinta em 27 de Março de 2026 a ligação
aérea mantida pela companhia Ryanair entre os aeroportos Francisco Sá Carneiro, no Porto,
e de Clermont -Ferrand Auvergne, em Clermont -Ferrand. A determinação da Ryanair em
abandonar a rota é justificada pelo novo “imposto de solidariedade” previsto na Loi des
Finances (o Orçamento do Estado) aprovada pela Assembleia Nacional da República francesa.
Embora a supressão da rota resulte de decisão legítima de um agente privad o, é importante
levar em conta que a sua importância extravasava largamente o mero aspecto comercial. Até
ao momento, a Ryanair disponibilizava entre dois e três voos semanais entre as duas cidades,
serviço tido por essencial para a importante comunidade p ortuguesa residente na região de
Auvergne. Na verdade, a rota era rentável e com taxas de ocupação altas; o seu abandono
pela companhia aérea irlandesa, assim, causou estupefacção tanto entre a administração do
aeroporto de Clermont, gerido pela Vinci, com o entre os organismos que enquadram e dão
corpo à comunidade portuguesa ali residente1.
Se não está em causa a licitude e a liberdade da empresa em dispor das suas operações
comerciais, não pode ignorar-se o prejuízo resultante, para os portugueses ali estabelecidos,
do fim da rota. Com efeito, desaparecida ela, aqueles emigrantes ver -se-ão obrigados ao
recurso a soluções alternativas e sempre insatisfatórias de transporte: seja pelo uso de
aeroportos mais distantes e, por conseguinte, menos convenientes, seja através da opção
pelo automóvel para a vinda a Portugal. Além de consideravelmente mais dispendiosa, essa
possibilidade é cansativa, morosa e, sobretudo, perigosa. Para os emigrantes portugueses que
fazem a sua vida em outros países da Europa, o trans porte aéreo constitui forma
1https://lusojornal.com/fim-dos-voos-da-ryanair-entre-clermont-ferrand-e-porto-a-partir-de-27-de-
marco/
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incomparavelmente mais segura de viajar para Portugal. O drama anual dos acidentes de
viação sofridos por emigrantes a caminho de Portugal é bem conhecido; Lisboa deve fazer por
diminuí-lo tanto quanto possível.
A dimensão da comunidade portuguesa na região de Clermont e a popularidade da rota entre
estas pessoas e outras pessoas que, embora sem raiz portuguesa, lhe recorriam por razões
de turismo ou negócios levaram a Administração do Aeroporto a anunciar a realização de
esforços no sentido de reabri-la. Na verdade, a Vinci refere, em comunicado divulgado em 25
de Março, que “continua a trabalhar activamente no desenvolvimento de novas ligações a
partir de Clermont -Ferrand, nomeadamente à substituição, por outras companhias, dos
destinos agora fechados pela Ryanair”. Esta é uma notícia positiva e promissora, mas
insuficiente: mantém-se, por agora, absoluta incerteza quanto ao futuro da rota, se ela virá a
ser reactivada ou, assumindo que o será, quanto tempo decorrerá até que o s eja. Para os
emigrantes portugueses e lusodescendentes que dela dependiam, esse estado de coisas é
inaceitável.
É, pois, importante que o próprio Estado tome o tema em mãos. A rota Porto -Clermont não
representa uma simples operação comercial. É, antes, um serviço de importância pública e
social. Pois bem, porque em debate está o bem comum e o melhor interesse das comunidades
portuguesas, cumpre ao Estado agir. Por via da TAP ou de outra companhia aérea que a tal se
disponha, devem as autoridades portuguesas procurar negociar o restabelecimento do
serviço através da disponibilização de condições comerciais que o façam atractivo e
competitivo. O ganho potencial para a comunidade luso -francesa mais do que justifica o
empenho das autoridades.
Assim, ao abrigo da s disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, os Deputados do
Grupo Parlamentar do CHEGA recomendam ao Governo que:
- Intervenha e negoceie, junto da TAP ou de outra companhia entendida como
adequada para o efeito, o restabelecimento da ligação aé rea directa entre o Porto e
Clermont-Ferrand, em França, defendendo desse modo o interesse da comunidade
portuguesa e lusodescendente local e atendendo à suas reivindicações.
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Palácio de São Bento, 21 de Abril de 2026.
Os Deputados do Grupo Parlamentar do CHEGA,
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