Projeto de Resolução n.º 920/XIV/2.ª
Recomenda ao Governo a abertura de avisos para o apoio de candidaturas para
instalação de sistemas de anti granizo ou outros sistemas que sejam
comprovadamente eficientes e ambientalmente sustentáveis, na região da Cova da
Beira e Douro Sul, de forma a tornar mais resiliente o sector da fruticultura face a
fenómenos atmosféricos extremos.
Quase todos os anos se verificam fenómenos atmosféricos extremos, que se
manifestam de diversas formas sobre o território e afetando com maior ou (menor)
severidade as diversas culturas. De entre estas ocorrências destacam-se as trombas de
água, granizo, saraiva, geada, tornados ou outros fenómenos que se abatem sobre as
culturas frutas e hortícolas, afetando todo o território nacional com gravosos impactos
económicos e financeiros na atividade dos agricultores, colocando por vezes em causa
a continuidade da atividade.
Ainda recentemente, a 30 e 31 de maio de 2020, na Cova da Beira, Beira Interior Sul,
Distrito de Castelo Branco, na região de Armamar e os concelhos limítrofes de
Moimenta da Beira e Tarouca, no Distrito de Viseu, fruto desses fenómenos
meteorológicos adversos, repentinos e fustigadores determinaram uma calamidade no
sector, com perda de todo o ano agrícola no sector da fruticultura. Desde da produção
de pomóideas e de prunóideas, frutos de casca, bagas e frutos vermelhos, onde se
incluem frutos DOP como a Maçã Bravo de Esmolfe DOP, a Maçã da Cova da Beira IGP,
a Maçã da Beira Alta IGP, o Pêssego da Cova da Beira IGP, a Cereja da Cova da Beira
IGP e a Cereja do Fundão, sofreram com queda de granizo, chuva intensa, trovoada e
vento forte, fenómenos extremos que deixaram marcas profundas no sector e nos
territórios.
A quebra de produção nas parcelas mais atingidas pelo sinistro foi praticamente total e
em todas as culturas. Estima-se que nas regiões a quebra na produção rondou os 70 -
90%. A maior crise pandémica do último século veio demonstrar a importância e a
força do setor agrícola, tendo o setor obtido resultados positivos fruto da sua
resiliência e mais valia para a economia nacional. Portugal tem agricultores e
associações de agricultores que sempre primaram por ter um produto de excelência,
quer a nível nacional, quer internacional, revelando diariamente a importância deste
sector nestas regiões.
O setor pugna pela modernização e atualização das melhores práticas e técnicas de
produção, como forma de responder aos desafios das alterações climáticas. É
importante a contínua aposta de políticas públicas no setor agrícola, em concreto no
setor da fruticultura mais exposto às alterações climáticas, políticas que auxiliarão o
fomento da coesão territorial e de uma sociedade mais justa de aposta, inequívoca, na
resiliência dos produtores face às adversidades mencionadas, sem deixar ninguém
para trás.
De forma a evitar sinistros nas diversas culturas, fruto de fenómenos meteorológicos
extremos, e consequentemente perda do potencial produtivo e abandono das culturas
e dos territórios, é crucial dotar o sector de mecanismos inovadores protetores das
culturas, como coberturas de telas anti granizo. A implantação de sistemas de
cobertura é uma forma eficiente de aliar a constante preocupação dos produtores em
reduzir o impacto dos fenómenos adversos e responder às crescentes necessidades de
mercado e aos compromissos assumidos.
Assim, nos termos regimentais e constitucionais aplicáveis, os Deputados do Grupo
Parlamentar do Partido Socialista abaixo-assinados apresentam o seguinte projeto de
resolução:
A Assembleia da República resolve, nos termos da alínea b) do artigo 156.º da
Constituição da República Portuguesa, recomendar ao Governo que, face às condições
atmosféricas extremas ocorridas em maio de 2020 e nos últimos anos na Cova da Beira
e Douro Sul, a abertura de linhas de apoio, nomeadamente no programa de
desenvolvimento rural, que permita o financiamento de sistemas antigranizo, redes,
telas, canhões ou outros sistemas comprovadamente adequados, eficientes e
ambientalmente sustentáveis que visem modernizar, capacitar o setor face às
alterações climáticas.
Palácio de São Bento, 28 de janeiro de 2020
As Deputadas e os Deputados do Grupo Parlamentar do Partido Socialista
(Lara Martinho)
(João Castro)
(José Rui Cruz)
(Joana Bento)
(Ana Passos)
(Francisco Rocha)
(Hortense Martins)
(Lúcia Araújo Silva)
(Maria da Graça Reis)
(Norberto Patinho)
(Nuno Fazenda)
(Palmira Maciel)
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Publicação — DAR II série A — 81-82 — 04/02/2021
4 DE FEVEREIRO DE 2021
PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 920/XIV/2.ª
RECOMENDA AO GOVERNO A ABERTURA DE AVISOS PARA O APOIO DE CANDIDATURAS PARA
INSTALAÇÃO DE SISTEMAS DE ANTI GRANIZO OU OUTROS SISTEMAS QUE SEJAM
COMPROVADAMENTE EFICIENTES E AMBIENTALMENTE SUSTENTÁVEIS, NA REGIÃO DA COVA DA
BEIRA E DOURO SUL, DE FORMA A TORNAR MAIS RESILIENTE O SECTOR DA FRUTICULTURA FACE
A FENÓMENOS ATMOSFÉRICOS EXTREMOS
Quase todos os anos se verificam fenómenos atmosféricos extremos, que se manifestam de diversas formas
sobre o território e afetando com maior ou (menor) severidade as diversas culturas. De entre estas ocorrências
destacam-se as trombas de água, granizo, saraiva, geada, tornados ou outros fenómenos que se abatem sobre
as culturas frutas e hortícolas, afetando todo o território nacional com gravosos impactos económicos e
financeiros na atividade dos agricultores, colocando por vezes em causa a continuidade da atividade.
Ainda recentemente, a 30 e 31 de maio de 2020, na Cova da Beira, Beira Interior Sul, Distrito de Castelo
Branco, na região de Armamar e os concelhos limítrofes de Moimenta da Beira e Tarouca, no Distrito de Viseu,
fruto desses fenómenos meteorológicos adversos, repentinos e fustigadores determinaram uma calamidade no
sector, com perda de todo o ano agrícola no sector da fruticultura. Desde da produção de pomóideas e de
prunóideas, frutos de casca, bagas e frutos vermelhos, onde se incluem frutos DOP como a Maçã Bravo de
Esmolfe DOP, a Maçã da Cova da Beira IGP, a Maçã da Beira Alta IGP, o Pêssego da Cova da Beira IGP, a
Cereja da Cova da Beira IGP e a Cereja do Fundão, sofreram com queda de granizo, chuva intensa, trovoada e
vento forte, fenómenos extremos que deixaram marcas profundas no sector e nos territórios.
A quebra de produção nas parcelas mais atingidas pelo sinistro foi praticamente total e em todas as culturas.
Estima-se que nas regiões a quebra na produção rondou os 70 -90%. A maior crise pandémica do último século
veio demonstrar a importância e a força do setor agrícola, tendo o setor obtido resultados positivos fruto da sua
resiliência e mais valia para a economia nacional. Portugal tem agricultores e associações de agricultores que
sempre primaram por ter um produto de excelência, quer a nível nacional, quer internacional, revelando
diariamente a importância deste sector nestas regiões.
O setor pugna pela modernização e atualização das melhores práticas e técnicas de produção, como forma
de responder aos desafios das alterações climáticas. É importante a contínua aposta de políticas públicas no
setor agrícola, em concreto no setor da fruticultura mais exposto às alterações climáticas, políticas que auxiliarão
o fomento da coesão territorial e de uma sociedade mais justa de aposta, inequívoca, na resiliência dos
produtores face às adversidades mencionadas, sem deixar ninguém para trás.
De forma a evitar sinistros nas diversas culturas, fruto de fenómenos meteorológicos extremos, e
consequentemente perda do potencial produtivo e abandono das culturas e dos territórios, é crucial dotar o
sector de mecanismos inovadores protetores das culturas, como coberturas de telas anti granizo. A implantação
de sistemas de cobertura é uma forma eficiente de aliar a constante preocupação dos produtores em reduzir o
impacto dos fenómenos adversos e responder às crescentes necessidades de mercado e aos compromissos
assumidos.
Assim, nos termos regimentais e constitucionais aplicáveis, os Deputados do Grupo Parlamentar do Partido
Socialista abaixo assinados apresentam o seguinte projeto de resolução:
A Assembleia da República resolve, nos termos da alínea b) do artigo 156.º da Constituição da República
Portuguesa, recomendar ao Governo que, face às condições atmosféricas extremas ocorridas em maio de 2020
e nos últimos anos na Cova da Beira e Douro Sul, a abertura de linhas de apoio, nomeadamente no programa
de desenvolvimento rural, que permita o financiamento de sistemas antigranizo, redes, telas, canhões ou outros
sistemas comprovadamente adequados, eficientes e ambientalmente sustentáveis que visem modernizar,
capacitar o setor face às alterações climáticas.
Palácio de São Bento, 4 de fevereiro de 2021.