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Grupo Parlamentar
PROJETO DE RESOLUÇÃO Nº 908/XIV/2.ª
RECOMENDA AO GOVERNO O APOIO À CONVERSÃO PARA PRODUÇÃO
BIOLÓGICA E A DEDICAÇÃO DE 25 POR CENTO DA ÁREA AGRÍCOLA
NACIONAL A ESTE MODO DE PRODUÇÃO ATÉ 2030
A agricultura biológica é um modo de produção de alimentos e fibras têxteis que recorre
a substâncias e processos naturais. A produção agrícola e pecuária em modo biológico
deve assentar em boas práticas agrícolas e ambientais, propiciar elevados níveis de
biodiversidade, fomentar a preservação da água e dos solos, e aplicar normas exigentes
de bem-estar animal. A diversificação de culturas agrícolas, a utilização adequada de
rotações e consociações, bem como o recurso à compostagem e à instalação de sebes
vivas, aliada à não aplicação de pesticidas e adubos de síntese, permite a produção de
alimentos saudáveis sem colocar em risco os recursos naturais e a biodiversidade.
Pela capacidade de melhorar a oferta de produtos agrícolas, a agricultura biológica tem
o potencial de aumentar os rendimentos dos produtores e produtoras, contribuindo
para a criação de emprego e para a fixação de população em territórios de baixa
densidade onde abunda área agrícola. Num país como Portugal onde o fenómeno da
litoralização do território se agrava a cada dia que passa, é indispensável que o Estado
desenvolva políticas públicas que fomentem as oportunidades de emprego nos
territórios do interior do país.
Apesar das vantagens da agricultura biológica para a saúde humana, para o ambiente e
para o emprego, este modo de produção agrícola é ainda incipiente em Portugal.
Segundo dados da Comissão Europeia para 2018, as terras agrícolas portuguesas
dedicadas à agricultura biológica não ultrapassam os 5,9 por cento. A baixa proporção
de área agrícola em modo biológico situa Portugal abaixo da média dos países da União
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Europeia (8 por cento) e coloca-o a uma grande distância do país com maior
percentagem de área de agricultura biológica na UE – a Áustria, com 24,1 por cento.
Um olhar atento à aposta austríaca na agricultura biológica permite retirar lições úteis
para melhorar a situação agrícola do nosso país, cada vez mais orientada para o
agronegócio exportador dos produtos da agropecuária intensiva. As políticas públicas
austríacas priorizam, desde a década de 80 do século passado, a qualidade dos alimentos
em vez da quantidade. Para acelerar a conversão agrícola do país para o modo biológico,
os produtores puderam aceder a apoios públicos suficientes e continuados que
permitiram a rápida conversão de milhares de hectares de área agrícola na década de
90.
Além de frutícolas e hortícolas, a produção biológica austríaca abrange a produção de
carne, leite e ovos. O recurso a hormonas de crescimento e antibióticos, como medida
preventiva, nas rações animais é proibida. Vigora também a proibição do
encarceramento de alguns animais de pecuária. Estudos comparativos, levados a cabo na
Áustria, entre áreas agrícolas em modo de produção biológica e áreas agrícolas
convencionais demonstram que a agricultura biológica propicia níveis mais elevados de
biodiversidade, bem como recursos edáficos e hídricos mais bem preservados.
Recentemente, a Comissão Europeia apresentou a Estratégia do Prado ao Prato e a
Estratégia de Biodiversidade que incluem o objetivo de estender a agricultura biológica
a 25 por cento da área agrícola até 2030. A meta da Comissão vai no sentido certo de
apoiar a sustentabilidade da agricultura e a conservação da natureza nos médio e longo
prazos, enquanto potencia a criação de novos postos de trabalho.
Portugal, dada a sua vulnerabilidade aos efeitos cada vez mais notórios das crises
ecológica e climática, onde se incluem períodos de seca cada vez mais intensos e
prolongados e a perda acelerada de polinizadores, deve apostar em modos de produção
agrícola que não delapidam os recursos naturais nem a biodiversidade, que oferecem
condições dignas de trabalho e que se adaptam às condições edafoclimáticas do
território. Como tal, o país deve definir para si o objetivo de atingir, em território
nacional, 25 por cento de área agrícola em modo de produção biológica.
A conversão de área agrícola para o modo de produção biológico requer a aplicação de
conhecimento técnico e científico que poderá não estar acessível a todos os produtores
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interessados na conversão. Como tal, o Estado, através dos serviços do Ministério da
Agricultura, das instituições de investigação e de ensino superior, e de parcerias com
associações de produtores de agricultura biológica devidamente capacitadas, deve
disponibilizar todos os meios necessários para que os produtores interessados em
produzir em modo biológico tenham à sua disposição o necessário aconselhamento
técnico e científico. Dado a escassez crónica de meios humanos, técnicos e financeiros
dos serviços do Estado em matéria de Agricultura, o Governo tem o dever de reforçá-los
adequando-os às necessidades do país.
Por culturas, em 2018, as pastagens (58%), as forragens (14,2%) e as culturas arvenses
(1,3%) representavam 73,5% da área total de agricultura biológica em Portugal. Estas
culturas destinam-se a produção animal, mas praticamente não existe carne certificada
como “biológica” no mercado. Assim, uma parte considerável dos apoios destinados à
agricultura biológica são desviados para sistemas de produção convencionais, que
encontraram aqui uma forma de aumentar as suas receitas, captando subsídios sem o
compromisso de disponibilizar produtos biológicos aos consumidores.
Desta forma, além de insuficientes, os apoios à agricultura biológica têm sido mal
alocados, num país e numa Europa onde a produção é insuficiente para responder à
crescente procura de produtos biológicos.
Ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar
do Bloco de Esquerda propõe que a Assembleia da República recomende ao Governo que:
1. Determine o cumprimento da meta comunitária de dedicar 25 por cento da área
agrícola nacional à agricultura biológica até 2030;
2. Crie campos de demonstração para a implementação de sistemas de produção
biológicos em diversas regiões do país, envolvendo as instituições de investigação e
do ensino superior;
3. Estabeleça a obrigatoriedade de produção animal biológica em todas as pastagens
que auferem apoios nacionais e comunitários enquadrados na produção agrícola em
modo biológico;
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4. Garanta serviços de apoio técnico à conversão agrícola para modo biológico, através
da capacitação do ministério da Agricultura, das associações de agricultores e
organizações de produtores dedicadas à agricultura biológica;
5. Apoie a certificação da produção biológica e promova a criação de organizações de
produtores biológicos, de forma adequada à dimensão física e económica dos
produtores nacionais;
6. Integre as medidas suprarreferidas, num amplo programa de transição ecológica
dedicado à produção agroflorestal nacional, o qual deve influenciar a aplicação dos
apoios públicos nacionais e comunitários até 2030, promovendo desta forma a
descarbonização do sector agroflorestal e a soberania alimentar.
Assembleia da República, 2 de fevereiro de 2021.
As Deputadas e os Deputados do Bloco de Esquerda,
Ricardo Vicente; Fabíola Cardoso; Maria Manuel Rola; Pedro Filipe Soares;
Mariana Mortágua; Jorge Costa; Alexandra Vieira; Beatriz Dias; Isabel Pires;
Joana Mortágua; João Vasconcelos; José Manuel Pureza; José Maria Cardoso; José Soeiro;
Luís Monteiro; Moisés Ferreira; Nelson Peralta; Sandra Cunha; Catarina Martins
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Publicação — DAR II série A — 60-62 — 02/02/2021
II SÉRIE-A — NÚMERO 68
que a FCT mantenha taxas de aprovação irrisórias, quando a mesma fundação promove a excelência dos
investigadores doutorados.
«Os Verdes» apelam a que o Governo intervenha no sentido de exigir a maior transparência e a
uniformização dos critérios de avaliação das candidaturas, bem como uma maior celeridade na atribuição das
verbas de financiamento.
«Os Verdes», através deste projeto de resolução, exortam o Governo a estabelecer metas concretas que se
traduzam numa expressiva integração dos investigadores em carreiras de investigação.
Ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, a Assembleia da República recomenda
ao Governo:
1. O estabelecimento de metas concretas para os próximos dois anos, em diálogo com associações
representativas dos investigadores doutorados e bolseiros de investigação científica, com o objetivo de aumentar
a integração de investigadores doutorados em carreiras de investigação, substituindo gradual e objetivamente
os CEEC em contratos de trabalho;
2. A definição da regularidade na atribuição de verbas com origem no financiamento público para a FCT, a
médio e longo prazo;
3. A regularização dos vínculos precários dos investigadores no ensino superior e na ciência ao abrigo do
PREVPAP, dando cumprimento à Resolução do Conselho de Ministros n.º 52/2020, publicada a 1 de julho e ao
Despacho n.º 9023/2020, de 21 de setembro;
4. A transparência e uniformização dos critérios de avaliação e aumento das taxas de aprovação do
financiamento dos CEEC;
5. A transparência e uniformização dos critérios de avaliação e aumento das taxas de aprovação dos
projetos de I&D;
6. A definição de critérios para garantir celeridade na atribuição de bolsas de doutoramento e das verbas de
financiamento dos CEEC e projetos I&D;
7. A elaboração de relatórios anuais pela FCT relativos à atribuição de bolsas e financiamentos dos CEEC
e projetos I&D, contribuindo para uma maior transparência dos processos de apoio através de financiamento
público.
Palácio de São Bento, 2 de fevereiro de 2021.
Os Deputados do PEV: Mariana Silva — José Luís Ferreira.
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PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 908/XIV/2.ª
RECOMENDA AO GOVERNO O APOIO À CONVERSÃO PARA PRODUÇÃO BIOLÓGICA E A
DEDICAÇÃO DE 25 POR CENTO DA ÁREA AGRÍCOLA NACIONAL A ESTE MODO DE PRODUÇÃO ATÉ
A agricultura biológica é um modo de produção de alimentos e fibras têxteis que recorre a substâncias e
processos naturais. A produção agrícola e pecuária em modo biológico deve assentar em boas práticas agrícolas
e ambientais, propiciar elevados níveis de biodiversidade, fomentar a preservação da água e dos solos, e aplicar
normas exigentes de bem-estar animal. A diversificação de culturas agrícolas, a utilização adequada de rotações
e consociações, bem como o recurso à compostagem e à instalação de sebes vivas, aliada à não aplicação de
pesticidas e adubos de síntese, permite a produção de alimentos saudáveis sem colocar em risco os recursos
naturais e a biodiversidade.
Pela capacidade de melhorar a oferta de produtos agrícolas, a agricultura biológica tem o potencial de
aumentar os rendimentos dos produtores e produtoras, contribuindo para a criação de emprego e para a fixação
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Votação Deliberação — DAR I série — 66-66 — 12/03/2021
I SÉRIE — NÚMERO 50
A Sr.ª Presidente (Edite Estrela): — Fica registado, Sr. Deputado.
Vamos votar o Projeto de Resolução n.º 992/XIV/2.ª (PEV) — Preservação e requalificação do aqueduto de
Santo Antão do Tojal, no concelho de Loures.
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.
Vamos votar o Projeto de Resolução n.º 962/XIV/2.ª (IL) — Condiciona a finalização do acordo de
investimentos com a China ao respeito pelos direitos humanos e laborais, incluindo a libertação das minorias
presas nos denominados «campos de reeducação».
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PS, do PSD, do PCP e do PEV, votos a favor do BE,
do PAN, do CH, do IL e das Deputadas não inscritas Cristina Rodrigues e Joacine Katar Moreira e a abstenção
do CDS-PP.
A Sr.ª Cecília Meireles (CDS-PP): — Sr.ª Presidente, peço a palavra.
A Sr.ª Presidente (Edite Estrela): — Pede a palavra para que efeito?
A Sr.ª Cecília Meireles (CDS-PP): — Sr.ª Presidente, é para informar que o CDS apresentará uma
declaração de voto sobre esta última votação.
A Sr.ª Presidente (Edite Estrela): — Fica registado, Sr.ª Deputada.
Vamos votar o Projeto de Resolução n.º 1007/XIV/2.ª (PAN) — Recomenda ao Governo que assegure aos
sujeitos passivos/progenitores os meios de acesso à área reservada no Portal das Finanças dos respetivos
dependentes em situação de guarda alternada, por forma a permitir a sua inclusão nas declarações de IRS de
ambos para efeitos de imputação de rendimentos e de deduções.
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PSD, do BE, do PCP, do CDS-PP, do PAN, do
PEV, do CH, do IL e das Deputadas não inscritas Cristina Rodrigues e Joacine Katar Moreira e a abstenção do
PS.
Vamos votar o Projeto de Resolução n.º 908/XIV/2.ª (BE) — Recomenda ao Governo o apoio à conversão
para produção biológica e a dedicação de 25% da área agrícola nacional a este modo de produção até 2030.
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PS, do PSD, do CDS-PP e do CH, votos a favor do
BE, do PAN e das Deputadas não inscritas Cristina Rodrigues e Joacine Katar Moreira e abstenções do PCP,
do PEV e do IL.
Vamos votar o Projeto de Resolução n.º 1013/XIV/2.ª (BE) — Recomenda a obrigatoriedade do registo dos
cães utilizados em qualquer ato venatório para combater o abandono de cães de caça.
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PS, do PSD, do PCP, do CDS-PP e do CH, votos a
favor do BE, do PAN e das Deputadas não inscritas Cristina Rodrigues e Joacine Katar Moreira e abstenções
do PEV e do IL.
Vamos votar, na generalidade, o Projeto de Lei n.º 151/XIV/1.ª (PCP) — Estabelece o regime para a
reposição de freguesias extintas.
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PS, do PSD, do CDS-PP, do PAN, do CH e do IL,
votos a favor do BE, do PCP, do PEV e da Deputada não inscrita Joacine Katar Moreira e a abstenção da
Deputada não inscrita Cristina Rodrigues.
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