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Grupo Parlamentar
PROJETO DE RESOLUÇÃO Nº 251/XIV/1ª
PELA REGULAMENTAÇÃO DA ATIVIDADE DE TRIPULANTE DE CABINE
COM VISTA À REDUÇÃO DO DESGASTE RESULTANTE DO EXERCÍCIO DA
ATIVIDADE E À GARANTIA DAS CONDIÇÕES DE SEGURANÇA E SAÚDE
NO TRABALHO
O Bloco de Esquerda tem vindo a alertar, sucessivamente, para o crescente número de
profissões e trabalhadores que, por várias razões, têm encetado lutas e lançado alertas
para as condições em que se trabalha em Portugal. Não é por acaso que cada vez mais
profissões, de diferentes setores de atividade, têm pedido, através de petições ou outras
formas, o reconhecimento da sua profissão como desgaste rápido.
Os ritmos de trabalho têm-se acelerado, os horários de trabalho são cada vez mais
longos, as condições de trabalho são pioradas e não se tem em conta as condições
extremas de determinadas profissões.
No caso dos tripulantes de cabine, é necessário que se reconheçam as condições
adversas e, em algumas situações, extremas em que estas pessoas têm que trabalhar,
sendo expostos a risco e com exigência muito alta na execução das suas tarefas.
A profissão de tripulante de cabine, que abrange Comissários, Assistentes de bordo,
Chefes de Cabine e Supervisores de Cabine, exercem a sua atividade a bordo de
aeronaves onde se encontram expostos a riscos profissionais e a fatores de desgaste
penalizantes, idênticos aos que encontramos nas várias profissões já consagradas com o
estatuto de Profissão de Desgaste Rápido.
A função de tripulante de cabine apresenta algumas especificidades:
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Horários de trabalho irregulares, nomeadamente rotações de turnos invertidas e
trabalho por turnos;
Necessidade de adaptação brusca e repentina ao efeito de sincronizadores
externos;
Número de horas trabalhadas, percurso voados e tempo de transição na escala;
Características dos voos, médio e longo curso;
Privação de sono e dessincronização do ritmo cardíaco;
É reconhecido que é uma atividade afetada por horários disruptivos, distúrbio do sono,
exposição a radiação cósmica e contaminação do ar de cabine por meio de
organofosfatos, a atmosfera artificial em que decorre a atividade profissional, com
percentagens reduzidas de oxigénio, as microvibrações do voo aéreo, as variações
climatéricas bruscas, as mudanças rápidas e frequentes de fusos horários e as alterações
frequentes do ritmo circadiano.
Além disso, são requeridos altos níveis de exigência psíquica e emocional nesta
profissão, já que há uma constante gestão de dezenas ou centenas de passageiros
durante uma viagem de avião.
Importa recordar que a Lei n.º 39/2007, de 16 de agosto, permitiu fixar o limite máximo
de idade para o exercício de funções dos pilotos comandantes e co-pilotos de aeronaves
operadas em serviços de transporte público comercial de passageiros, carga ou correio.
Reconhecendo as claras diferenças e responsabilidades associadas a cada uma das
profissões, importa referir que o trabalho a bordo de um avião, sujeito a horários
disruptivos e diferentes fusos horários, condições de climatização das aeronaves
adversas, tem, necessariamente, uma carga que acarreta riscos para a saúde dos e das
trabalhadoras.
Se observarmos, por outro lado, a evolução e debates relativos às várias profissões que
foram sendo incluídas na lista de profissões de desgaste rápido percebemos que há
fatores físicos e psicológicos que são comuns.
O Bloco de Esquerda considera que é importante que o governo olhe para estas
profissões com atenção, em que há já um histórico de reivindicação e estudos sobre a
sua condição, por forma a mitigar os efeitos nefastos que tem em milhares de
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trabalhadores e trabalhadoras, bem como ter uma visão mais abrangente sobre que
modelo de trabalho queremos para o país.
Ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar
do Bloco de Esquerda propõe que a Assembleia da República recomende ao Governo que:
Proceda à revisão da regulamentação da profissão de tripulante de cabine por forma a
impor condições mais limitativas que reduzam o desgaste provocado pelo exercício da
sua atividade, garanta condições de saúde e segurança no trabalho e condições de acesso
à reforma adequadas à profissão.
Assembleia da República, 12 de fevereiro de 2020.
As Deputadas e os Deputados do Bloco de Esquerda,
Isabel Pires; Pedro Filipe Soares; Mariana Mortágua; Jorge Costa; Alexandra Vieira;
Beatriz Dias; Fabíola Cardoso; Joana Mortágua; João Vasconcelos; José Manuel Pureza;
José Maria Cardoso; José Soeiro; Luís Monteiro; Maria Manuel Rola; Moisés Ferreira;
Nelson Peralta; Ricardo Vicente; Sandra Cunha; Catarina Martins
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Apreciação — DAR I série — 66-71 — 14/05/2020
I SÉRIE — NÚMERO 52
A Sr.ª Presidente (Edite Estrela): — Passamos ao quinto ponto da ordem do dia, que consiste na apreciação
da Petição n.º 597/XIII/4.ª (Amélia Luciana Brugnini de Sousa Uva Passo e outros) — Solicitam que a profissão
de tripulante de cabine seja qualificada como de desgaste rápido, juntamente com os Projetos de Resolução n.os
268/XIV/1.ª (PEV) — Classificação de tripulante de cabine como profissão de desgaste rápido e 251/XIV/1.ª (BE)
— Pela regulamentação da atividade de tripulante de cabine com vista à redução do desgaste resultante do
exercício da atividade e à garantia das condições de segurança e saúde no trabalho e com, na generalidade, o
Projeto de Lei n.º 234/XIV/1.ª (CDS-PP) — Criação do grupo de trabalho para a regulamentação legal das
profissões de desgaste rápido e criação da respetiva tabela.
Para uma intervenção, tem a palavra a Sr.ª Deputada Carla Barros, do Grupo Parlamentar do PSD.
A Sr.ª Carla Barros (PSD): — Sr.ª Presidente, se me permite, creio que os autores das iniciativas têm
prioridade na intervenção inicial.
A Sr.ª Presidente (Edite Estrela): — Exatamente, Sr.ª Deputada. É isso.
A Sr.ª Carla Barros (PSD): — Muito obrigada, Sr.ª Presidente.
A Sr.ª Presidente (Edite Estrela): — Sr.ª Deputada Mariana Silva, tem a palavra para uma intervenção pelo
PEV.
A Sr.ª Mariana Silva (PEV): — Obrigada, Sr.ª Presidente. Peço desculpa por não me ter inscrito, pensei que
estaria definido que o PEV falaria.
Sr.ª Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: Em primeiro lugar, gostaria de saudar, em nome de Os Verdes, os
mais de 13 000 cidadãos que assinaram a petição solicitando que a profissão de tripulante de cabine seja
qualificada como de desgaste rápido.
As profissões de desgaste rápido estão associadas a condições de trabalho desvantajosas e a uma
acumulação de cansaço e stress dos profissionais, decorrentes do exercício da atividade.
Os tripulantes de cabine, que operam a bordo das aeronaves, estão sujeitos a situações que aceleram e
acumulam fadiga e desgaste, já comprovadas por diversos relatórios técnicos.
As situações mais evidentes e atestadas por peritos médicos, prendem-se com o facto de, tal como os pilotos
de aeronaves, operarem diariamente a grande altitude, com variações de pressão, que afetam o ouvido, o nariz
e os intestinos. Nas fases de descolagem e aterragem, a variação de pressão faz-se sentir de forma intensa. O
ambiente artificial em que operam é de baixa temperatura e baixa humidade
Existem outros fatores de riscos derivados, por exemplo, da vibração, da turbulência, dos níveis de ruído dos
motores, entre outros, que provocam lesões musculares e ósseas, perturbações de sono, e problemas de tensão
arterial.
Os horários irregulares e o chamado jet-lag afetam os ritmos de sono e o descanso necessário, provocando
dessincronização dos ritmos cardíacos. Também a maior densidade de voos, a maior carga laboral, o menor
tempo de recuperação geram cargas psicológicas bastante extenuantes, assim como a acumulação de stress,
decorrente, até, de funções que os tripulantes de cabine têm de exercer no âmbito de uma constante garantia
de segurança, vigilância e gestão de situações de emergência.
Tendo em conta todas estas circunstâncias, de uma profissão que tem características muito próprias, de
nítido desgaste acelerado dos profissionais que a exercem, o PEV considera que deve ser reconhecido esse
estatuto de desgaste rápido aos tripulantes de cabine, tal como já está reconhecido para os pilotos e
controladores aéreos, de modo a salvaguardar um regime de reforma antecipada que compense estes
trabalhadores pelo exercício de uma profissão com as características referidas, mas que é imprescindível às
sociedades atuais.
Os Verdes consideram ser uma medida que garante a justiça para com estes profissionais, mas também
consideramos que esta é uma discussão que se quer mais abrangente, para que outras profissões possam
também usufruir deste estatuto.
No entanto, o mais importante é que se abra a discussão para a redução do horário de trabalho, que se
reduza a idade da reforma, que se assegurem condições de trabalho, que se valorize o trabalho e os
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Votação na generalidade — DAR I série — 48-48 — 15/05/2020
I SÉRIE — NÚMERO 53
Em 1967, foi nomeado, pelo Papa Paulo VI, Bispo da Diocese de Nampula, cidade a que chegou em plena
guerra colonial. O novo Bispo destacou-se, de imediato, pela ousadia dos seus gestos e dos seus atos, que
motivaram a animosidade de parte significativa da população branca e a ampla adesão da população negra.
A sua voz livre e corajosa não mais deixou de se fazer ouvir, fosse em defesa do diálogo intercultural e inter-
religioso, fosse na promoção dos direitos humanos, fosse na exortação ao reconhecimento do direito do povo
moçambicano a ser o sujeito político construtor da sua própria história.
D. Manuel Vieira Pinto, dando mostra de excecionais dotes de lucidez e coragem, contestou abertamente a
guerra colonial e o colonialismo que a fundamentava e declarou a sua adesão ao princípio de que todos os
povos têm direito à autodeterminação. Perante tais manifestações de rebeldia, o regime autoritário, que viria a
ser deposto a 25 de abril de 1974, promoveu o afastamento do Bispo da sua diocese, a que viria só a regressar
em janeiro de 1975. No período pós-independência, prosseguiu a sua atividade em prol da salvaguarda dos
direitos humanos em circunstâncias não raras vezes bastante difíceis.
Já na fase final da sua permanência em Moçambique, desenvolveu vastos esforços para ajudar a que se
pusesse termo à guerra civil que assolava o país e se iniciasse um verdadeiro processo de reconciliação
nacional.
Partindo da sua mundividência cristã, D. Manuel Vieira Pinto foi um homem empenhado na interpretação das
contingências sócio-históricas do seu tempo, tendo em vista uma ação transformadora capaz de contribuir para
o reforço da dignidade do ser humano.
Reunida em sessão plenária, a Assembleia da República expressa o seu pesar pelo falecimento de D. Manuel
Vieira Pinto, recordando o homem de exceção e o cidadão de primeiro plano, e endereçando à família e amigos
as mais sentidas condolências.»
A Sr.ª Presidente (Edite Estrela): — Muito obrigada, Sr.ª Deputada Maria da Luz Rosinha. Vamos votar.
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.
A Sr.ª Presidente (Edite Estrela): — Srs. Deputados, na sequência dos dois projetos de votos que acabámos
de aprovar, vamos guardar 1 minuto de silêncio.
A Câmara guardou, de pé, 1 minuto de silêncio.
Vamos continuar com as nossas votações.
Assim, passamos à votação do Projeto de Resolução n.º 268/XIV/1.ª (PEV) — Classificação de tripulante de
cabina como profissão de desgaste rápido.
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PS e do PSD, votos a favor do BE, do PCP, do PAN,
do PEV, do CH e da Deputada não inscrita Joacine Katar Moreira e abstenções do CDS-PP e do IL.
Votamos agora o Projeto de Resolução n.º 251/XIV/1.ª (BE) — Pela regulamentação da atividade de
tripulante de cabine com vista à redução do desgaste resultante do exercício da atividade e à garantia das
condições de segurança e saúde no trabalho.
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PS e do PSD, votos a favor do BE, do PCP, do PAN,
do PEV, do CH e da Deputada não inscrita Joacine Katar Moreira e abstenções do CDS-PP e do IL.
De seguida, passamos à votação, na generalidade, do Projeto de Lei n.º 234/XIV/1.ª (CDS-PP) — Criação
do grupo de trabalho para a regulamentação legal das profissões de desgaste rápido e criação da respetiva
tabela.
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PS, do PCP e do PEV, votos a favor do PSD, do
CDS-PP, do PAN e do IL e abstenções do BE, do CH e da Deputada não inscrita Joacine Katar Moreira.
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