PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Proposta de Lei n.º 4/XIV
Exposição de Motivos
As Grandes Opções do Plano 2020-2023 do XXII Governo Constitucional apresentam,
para o horizonte da legislatura, uma política económica e social sustentada no crescimento
e do na melhoria dos rendimentos e das condições sociais dos portugueses.
A recuperação da confiança, a sustentabilidade das finanças públicas, a dinamização da
atividade económica e a manutenção de um elevado nível de emprego continuam a
constituir a base da estratégia de sustentabilidade de longo prazo. Baseada na promoção do
investimento, das exportações e assegurando a estabilidade do sistema financeiro e o
reforço da coesão económica e social no território nacional, a estratégia de
desenvolvimento será organizada em torno de um conjunto coerente de agendas e
domínios transversais de intervenção.
As Grandes Opções do Plano estão organizadas em torno de quatro grandes agendas
estratégicas: o combate às alterações climáticas, a sustentabilidade demográfica e o
emprego, as desigualdades e a coesão territorial, e a transição digital e a inovação. Em
paralelo, a atividade governativa melhorará as condições de contexto, intervindo: na
valorização das funções de soberania, no aperfeiçoamento da qualidade da democracia,
numa política orçamental estável e credível e na melhoria da qualidade dos serviços
públicos e das infraestruturas.
As Grandes Opções do Plano para 2020-2023 foram objeto de parecer do Conselho
Económico e Social.
Assim:
Nos termos da alínea d) do n.º 1 do artigo 197.º da Constituição, o Governo apresenta à
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Assembleia da República a seguinte proposta de lei:
Artigo 1.º
Objeto
São aprovadas as Grandes Opções do Plano para 2020-2023 que integram as medidas de
política e os investimentos que as permitem concretizar.
Artigo 2.º
Enquadramento estratégico
As Grandes Opções do Plano para 2020-2023 enquadram-se na estratégia de
desenvolvimento económico e social e de consolidação das contas públicas consagradas no
Programa do XXII Governo Constitucional.
Artigo 3.º
Grandes Opções do Plano
1 - As Grandes Opções do Plano para 2020-2023 integram o seguinte conjunto de
compromissos e de políticas em torno de quatro agendas estratégicas
a) Alterações climáticas e valorização dos recursos;
b) Sustentabilidade demográfica e melhor emprego;
c) Menos Desigualdades e um território mais coeso;
d) Transição digital e uma sociedade da inovação.
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2 - As Grandes Opções do Plano para 2020-2023 integram ainda compromissos e
políticas nos seguintes domínios transversais de intervenção:
a) valorização das funções de soberania;
b) no aperfeiçoamento da qualidade da democracia;
c) política orçamental estável e credível;
d) na melhoria da qualidade dos serviços públicos e das infraestruturas.
Artigo 4.º
Enquadramento orçamental
As prioridades de investimento constantes das Grandes Opções do Plano para 2020-2023
são contempladas e compatibilizadas no âmbito do Orçamento do Estado para 2020.
Artigo 5.º
Disposição final
É publicado em anexo à presente lei, da qual faz parte integrante, o documento das
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Grandes Opções do Plano para 2020-2023.
Visto e aprovado em Conselho de Ministros de 14 de dezembro de 2019
O Primeiro-Ministro
O Ministro de Estado e das Finanças
O Ministro do Planeamento
O Secretário de Estado e dos Assuntos Parlamentares
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ANEXO
(a que se refere o artigo 5.º)
1. AS GRANDES OPÇÕES DO PLANO 2020-2023
As Grandes Opções do Plano 2020-2023(GOP 2020-23) do XXII Governo Constitucional
apresentam, para os próximos quatro anos, uma política económica assente na
consolidação do crescimento e do reforço da melhoria dos rendimentos e das condições
sociais.
A recuperação da confiança, a sustentabilidade das finanças públicas, a dinamização da
atividade económica e o relançamento do emprego continuam a constituir a base da
estratégia de sustentabilidade de longo prazo, orientada para o crescimento económico
sólido, para a promoção do investimento, das exportações e da criação de emprego,
assegurando a estabilidade do sistema financeiro e das finanças públicas, num quadro do
reforço da coesão económica e social no território nacional.
A consolidação da credibilidade externa de Portugal junto das principais instituições
internacionais e dos diversos mercados de referência conseguida na última legislatura,
constitui um ativo muito relevante num contexto europeu e internacional marcado por
fortes incertezas que poderão determinar ciclos e conjunturas de mais difícil previsão.
Em matéria de política europeia, releva a conclusão da negociação do Quadro Financeiro
Plurianual 2021-2027, continuando o Governo a assumir uma postura de defesa dos
interesses nacionais, em particular, da importância da Política da Coesão e da Política
Agrícola Comum, bem como no processo de construção da União Económica e Monetária
(UEM), onde Portugal continuará a ser um parceiro ativo. Também a vertente atlântica se
assume como relevante, devendo Portugal continuar a reforçar as suas ligações junto dos
diversos parceiros do outro lado do oceano, bem como a sua ligação ao continente africano
e à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, promovendo as riquezas culturais e
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potenciando a internacionalização da economia portuguesa e a captação de investimento
estrangeiro.
As GOP 2020-2023 do XXII Governo Constitucional estão organizadas em torno de
quatro grandes agendas estratégicas:
1. Alterações climáticas e valorização dos recursos
2. Sustentabilidade demográfica e melhor emprego
3. Menos Desigualdades e um território mais coeso
4. Transição digital e uma sociedade da inovação
A concretização das agendas estratégicas beneficiará de prioridades e políticas governativas
transversais centradas nos seguintes domínios de intervenção:
a) Valorização das funções de soberania;
b) Aperfeiçoamento da qualidade da democracia;
c) Política orçamental estável e credível;
d) Melhoria da qualidade dos serviços públicos e das infraestruturas.
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Para a primeira agenda estratégica, a sustentabilidade dos recursos assume uma relevância
central e prioridade deste Governo, conhecidas que são as vulnerabilidades nacionais
associadas às alterações climáticas e à necessidade de cumprir os compromissos nacionais
de redução da intensidade carbónica. Estas exigências tornam imperativa a promoção da
transição energética, assente na maior eficiência energética e incorporação de energias
renováveis, seja na descarbonização da indústria, condição essencial para o aumento da sua
competitividade e posicionamento estratégico das suas exportações, seja na promoção da
mobilidade sustentável, associada a uma alteração dos padrões de utilização dos transportes
pelos portugueses, e na necessidade de dar continuidade aos investimentos na ferrovia.
Conhecidas que são as consequências económicas, sociais e ambientais associadas às
alterações climáticas, em particular, decorrentes da existência de fenómenos extremos, este
Governo irá promover respostas diversificadas e integradas que as permitam mitigar, mas
também adaptar a sociedade e os territórios, de forma a atingir níveis de proteção do
ambiente superiores aos atuais. Adicionalmente, assume-se como imperiosa a reorientação
do modelo económico português de uma utilização linear das matérias para a sua
recirculação, através da criação de instrumentos que promovam a alteração de paradigma
que lhe está associada, seja nos modelos de negócio, seja no comportamento da população
em geral.
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A segunda agenda estratégica – sustentabilidade demográfica e melhor emprego - dirige-se
a um desafio presente em quase todos os países desenvolvidos, e ao qual Portugal não é
alheio, decorrente do envelhecimento da população. A tendência para a redução da
natalidade e do saldo migratório conjugados com o aumento da esperança de vida são
alguns dos fatores que concorrem para esta nova realidade. É, portanto, um desígnio
reverter a tendência dos saldos fisiológico e migratório, bem como promover um
envelhecimento ativo e saudável, o que, pela sua natureza diversa, exige a mobilização de
diferentes campos da política pública, seja em matéria de migração, habitação, saúde,
transportes ou emprego. Neste último caso, embora a evolução positiva da atividade
económica nos últimos anos tenha beneficiado o mercado de trabalho, os desafios
associados ao emprego não se esgotam com a sua criação, mas encerram outras questões
relacionadas com as dimensões societais associadas. Assim, para além da promoção da
qualidade associada ao combate à precaridade e ao reforço dos mecanismos de
representação e de segurança no trabalho, este Governo irá promover medidas para uma
efetiva conciliação da vida pessoal e familiar e políticas ativas de emprego.
Quanto à terceira agenda, e no sentido de promover uma sociedade mais inclusiva e coesa,
o Governo assumirá uma abordagem integrada na implementação de um conjunto de
medidas de combate às desigualdades e promoção da coesão territorial. Assim, irá garantir a
aplicação do princípio da igualdade de direitos e combate à discriminação nas suas diversas
formas, empreender medidas de redistribuição de rendimentos e riqueza e de combate à
pobreza, reduzir custos com bens e serviços essenciais (e.g. habitação, energia, transportes),
assegurar o acesso à educação e à saúde de todos os cidadãos e reduzir as assimetrias
regionais. Estimular a coesão interna constitui uma condição essencial para a criação de
uma sociedade mais igual, mas também indutora de um desenvolvimento económico
equilibrado, pelo que o Governo irá empreender medidas especialmente dirigidas aos
territórios de baixa densidade, em particular, em matéria de investimento e fixação das
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populações, bem como assegurar serviços de proximidade em todo o território, procurando
assim corrigir as assimetrias.
Finalmente, tendo em vista a quarta agenda, num modelo económico em que a inovação é
o motor de desenvolvimento, o Governo continuará a investir nas qualificações e reforço
das competências que, estruturalmente, têm constituído um constrangimento à transição da
economia portuguesa para um modelo assente no conhecimento. Assim, vão ser
implementadas medidas para elevar a estrutura das qualificações em todos os níveis de
ensino, incluindo de formação ao longo da vida, para patamares que permitam promover a
inovação, a empregabilidade e a produtividade, bem como enfrentar e antecipar os desafios
associados à transição para uma economia cada vez mais digital. Neste contexto de
transição para uma economia digital, assente na inovação, no conhecimento e na
tecnologia, onde a forma como as empresas fazem negócios se transformou, o Governo vai
criar as condições para promover o investimento, em particular o investimento em
inovação e implementação de novos modelos de produção, através da implementação de
medidas de fiscalidade e de diversificação de fontes de financiamento. Potenciando as
oportunidades oferecidas pela sociedade digital, o Governo vai promover a simplificação
administrativa, através de práticas inovadoras que permitam ganhos de eficiência e
qualidade na prestação dos serviços aos cidadãos e às empresas.
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Caixa 1. Colocar os fundos estruturais ao serviço da convergência com a União Europeia
Através do Portugal 2020, os fundos estruturais da União Europeia tiveram na última
legislatura um papel importante no financiamento de diversas políticas públicas e do
investimento privado, assumindo um contributo relevante no retomar da convergência da
economia portuguesa registada nos últimos três anos e na melhoria da qualidade de vida
dos portugueses.
Para garantir que os fundos estruturais continuem a assegurar um papel catalisador do
desenvolvimento na economia portuguesa, a atual legislatura será marcada por importantes
desafios neste domínio.
Encerrar com pleno aproveitamento o atual ciclo de programação do Portugal 2020
O primeiro grande desafio diz respeito à necessidade de prosseguir os esforços para
encerrar o atual ciclo de programação com pleno aproveitamento dos recursos disponíveis:
• Esgotar a dotação disponível do Portugal 2020;
• Continuar a adotar medidas para a aceleração da execução do Portugal 2020,
nomeadamente:
Simplificação e agilização dos mecanismos de prestação de contas para efeitos
de comprovação da execução dos projetos;
Promoção do financiamento da contrapartida pública nacional através de linhas
de crédito do Banco Europeu de Investimento (BEI) e de dotação centralizada
no Orçamento de Estado;
Identificação de projetos com atrasos significativos na sua utilização, a fim de
proceder à sua descativação, recolocando, periodicamente, os montantes
libertos a concurso para aprovação de novos projetos.
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Transição entre quadros comunitários de apoio
O segundo grande desafio respeita à necessidade de promover uma transição suave entre o
Portugal 2020 e o novo ciclo de programação, evitando hiatos na implementação das
políticas e dos projetos que provoquem perturbações na dinâmica de convergência da
economia portuguesa.
Novo período de programação de fundos europeus – 2021-2027
O terceiro grande desafio respeita à necessidade de preparar atempadamente a
implementação do novo ciclo de programação dos fundos europeus. Para assegurar este
objetivo, importa:
• Negociar o Quadro Financeiro Plurianual (2021-2027), de forma a assegurar que os
fundos europeus não sejam reduzidos face ao período atual, garantindo-se, em
simultâneo, outras questões essenciais como a manutenção dos níveis de
cofinanciamento e de pré-financiamento, a discriminação positiva das regiões
ultraperiféricas e a facilitação de acesso aos programas de gestão direta pela
Comissão Europeia;
• Negociar o novo Acordo de Parceria de modo a que a utilização desses fundos seja
subordinada à Estratégia Portugal 2030, que já contou com o contributo de
diversos setores da sociedade portuguesa.
• Criar as condições para que os Programas Operacionais do próximo Acordo de
Parceria venham a entrar em vigor logo no início de 2021, desde que estejam
adotadas as decisões europeias necessárias em tempo adequado.
• Conferir prioridade à simplificação dos processos de decisão e sobretudo do
relacionamento com os promotores dos projetos.
Para a concretização das agendas das Grandes Opções do Plano 2020-2023 é necessário
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que exista uma estrutura institucional e de governação que corresponda à natureza
transversal e à ambição das estratégias e objetivos fixados.
Desde logo, a própria orgânica do XXII Governo Constitucional ao definir Ministros
responsáveis pela coordenação de áreas estratégicas coincidentes com as agendas das
presentes GOP, atribui a relevância que a sua implementação, monitorização e avaliação
terão ao nível da atividade governativa na presente legislatura.
Também a constatação do alinhamento quase total entre as agendas das GOP e da
Estratégia 2030 que servirá de suporte ao Acordo de Parceria 2021-27, que determinará a
alocação dos futuros fundos comunitários, garantirá que os financiamentos do próximo
período de programação acompanharão as prioridades estratégicas.
A definição da estratégica económica e social deste Governo exige a eficiente gestão de
recursos públicos e a continuidade das iniciativas de promoção da qualidade e eficiência das
instituições públicas. Serviços públicos de qualidade e instituições públicas que cumprem
de forma eficiente as suas funções, constituem fatores essenciais para os desígnios
associados ao crescimento económico e à redução de desigualdades, mas são também
condição essencial para dar resposta às necessidades emergentes que decorrem das
transformações económicas e sociais e que exigem, novas e integradas respostas.
Instituições públicas fortes, capacitadas e com competência constituem condição essencial
para a obtenção de bons resultados das diversas políticas públicas.
Finalmente, o sucesso das estratégias das Grandes Opções do Plano 2020-2023 dependerá
também da capacidade de envolvimento e mobilização de todos os atores relevantes
exteriores aos limites estritos da Administração Pública, quer como prescritores ou
promotores das políticas públicas, quer como seus protagonistas. Neste domínio, dever-se-
á continuar a privilegiar o diálogo e a parceria com o conselho Económico e Social e as
organizações nele representadas.
2. CONTEXTO E CENÁRIO MACROECONÓMICO
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2.1 .PERSPETIVAS MACROECONÓMICAS PARA 2020
2.1.1 HIPÓTESES EXTERNAS
As projeções mais recentes das instituições internacionais apontam para uma aceleração da
atividade económica mundial. De acordo com a Comissão Europeia, prevê-se que em 2020
o crescimento do PIB mundial aumente ligeiramente para 3% (2,9% em 2019), assente
numa melhoria das economias emergentes, com exceção da China, já que se espera que o
conjunto das economias avançadas continuará com um crescimento contido, devendo
registar-se um crescimento moderado da UE e um abrandamento nos EUA e no Japão.
No que concerne à área do euro, é expectável uma aceleração da atividade económica, com
o PIB a crescer 1,2% (1,1% em 2019). Esta evolução está em linha com a retoma do
comércio mundial e com a expectativa de resultados positivos das negociações entre os
EUA e a China.
Após uma desaceleração da procura externa relevante para Portugal em 2018 e 2019, é
esperada uma melhoria deste indicador para 2020, refletindo um fortalecimento das
importações em 2020 dos principais parceiros comerciais de Portugal (Espanha, Itália,
Alemanha, França e Reino Unido).
De acordo com as expectativas implícitas nos mercados de futuros, o preço do petróleo
deverá situar-se em torno dos 58 USD/bbl (52 €/bbl) em 2020, representando um
abrandamento pelo segundo ano consecutivo e refletindo a fraca procura num quadro de
enfraquecimento da economia global. Os preços das matérias-primas não energéticas, em
dólares, deverão aumentar cerca de 1,7% (0,9% em 2019).
Quadro 0.1. Enquadramento internacional – principais hipóteses
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Fonte 2016 2017 2018 2019
Previsão
Previsão
Cres cimento da procura externa rel evante (%) MF 3,4 5,3 3,1 2,4 3,0
Preço do petról eo Brent (USD/bbl)
(a)
NYMEX 45,1 54,8 71,5 63,4 57,7
Ta xa de juro de curto pra zo (médi a a nual , %)
(b)
FMI -0,3 -0,3 -0,3 -0,4 -0,3
Ta xa de câ mbi o do EUR/USD (médi a anual ) FMI 1,11 1,13 1,18 1,12 1,12
Notas: (a) Os valores do preço do petróleo para 2019/20 baseiam-se nos futuros Brent;
(b) Euribor a três meses.
Fontes: Ministério das Finanças; CE, Economic Forecast, novembro de 2019.
Num contexto de uma política monetária mais expansionista, de regresso aos estímulos
monetários não convencionais do BCE, prevê-se que as taxas de juro de curto prazo se
mantenham em valores historicamente baixos.
2.1.2 Cenário Macroeconómico
Para 2020 perspetiva-se que a economia portuguesa continue em expansão, pelo sétimo
ano consecutivo, prevendo-se um crescimento real do PIB de 1,9% (crescimento idêntico
ao do ano anterior). Este crescimento está em linha com o previsto na última atualização
do Programa de Estabilidade 2019-2023 (abril último).
Quadro 0.2. Cenário macroeconómico 2019-2020
(taxa de variação, em percentagem)
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2017 2018 2019
Estimativa
Previsão
Previsão
Previsão
PIB nominal (milhões euros) 195 947 203 896 210 773 217 803 : :
PIB e componentes da despesa (taxa de crescimento real, %)
PIB 3,5 2,4 1,9 1,9 1,9 1,9
Consumo priva do 2,1 3,1 2,2 2,0 1,8 1,8
Consumo público 0,2 0,9 0,6 0,8 0,2 0,6
Inves timento (FBCF) 11,5 5,8 7,3 5,4 5,3 4,9
Exportações de bens e s erviços 8,4 3,8 2,5 3,2 3,8 3,8
Importações de bens e s erviços 8,1 5,8 5,2 4,4 3,9 3,9
Contributos para o crescimento do PIB (p.p.)
Procura interna 3,3 3,2 3,0 2,4 2,1 2,1
Procura externa líquida 0,2 -0,8 -1,1 -0,5 -0,2 -0,2
Evolução dos preços (taxa de variação, %)
Defla tor do PIB 1,5 1,6 1,5 1,4 1,5 1,5
Ta xa de inflação (IPC) 1,4 1,0 0,3 1,0 1,3 1,4
Evolução do mercado de trabalho (taxa de variação, %)
Emprego (ótica de Conta s Na ciona is ) 3,3 2,3 1,0 0,6 0,6 0,6
Ta xa de des emprego (% da população ativa) 8,9 7,0 6,4 6,1 6,6 6,3
Produtivida de a pa rente do traba lho 0,2 0,1 0,8 1,3 1,3 1,3
Saldo das balanças corrente e de capital (em % do PIB)
Ca pacidade/neces s ida de l íquida de fina ncia mento fa ce a o exterior 1,8 1,2 0,5 0,2 0,4 0,5
Sa ldo da ba la nça corrente 1,0 0,1 -0,7 -1,0 -0,8 -0,7
da qual: s a ldo da bala nça de bens e serviços 1,0 0,1 -0,8 -1,3 0,2 0,2
Sa ldo da ba la nça de capital 0,8 1,0 1,2 1,2 1,2 1,2
INE OE 2020 PE 2019-23
Fontes: INE e Ministério das Finanças.
Estima-se que a ligeira recuperação do crescimento da área do euro dê um contributo
positivo para a dinâmica da procura externa relevante para as exportações portuguesas, as
quais deverão acelerar de 2,5% em 2019 para 3,2%.
As restantes componentes da procura global deverão manter um contributo positivo para o
crescimento do PIB, destacando-se a manutenção do dinamismo do investimento e, em
menor grau, do consumo privado.
O crescimento do investimento (FBCF) deverá situar-se em 5,4%, desacelerando face ao
crescimento estimado para o ano anterior (7,3%), em resultado de um menor crescimento
do investimento privado, parcialmente compensado por uma aceleração do investimento
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público.
O crescimento do consumo privado deverá manter-se robusto (2%), suportado pelo
crescimento dos salários e do emprego, sendo mais acentuado na componente de bens
correntes não duradouros.
As importações de bens e serviços deverão crescer 4,4%, em linha com a evolução da
procura global.
Estima-se que a situação no mercado de trabalho mantenha uma evolução positiva em
2020, antecipando-se a continuação do crescimento do emprego (0,6%) e o prolongamento
da trajetória descendente da taxa de desemprego, a qual deverá diminuir para 6,1%, em
2020 (6,4% em 2019).
A inflação medida pelo IPC, deverá recuperar em 2020, prevendo-se um crescimento de
1%, após uma desaceleração significativa em 2019, ancorado pela evolução do IHPC da
área do euro e pela dissipação de efeitos-base que ocorreram em 2019.
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3. GOVERNAÇÃO E SERVIÇOS PÚBLICOS
3.1. Investir na qualidade dos serviços públicos
Serviços públicos de qualidade são um importante instrumento para a redução das
desigualdades e melhoria das condições de vida de todos, independentemente da sua maior
ou menor riqueza pessoal ou da sua classe social. São ainda um fator indutor das decisões
de investimento, quer nacionais quer na captação de Investimento Direto Estrangeiro,
criando um clima de estabilidade e confiança.
A qualidade dos serviços é potenciada se tiverem um âmbito universal, forem
tendencialmente gratuitos e tiverem uma distribuição no território que garanta o acesso aos
mesmos.
Serviços públicos fortes e capacitados são um elemento de inovação na economia
facilitador da vida dos cidadãos e a sua eficácia, traduzida na sua capacidade de cumprir a
sua missão, está também associada a uma utilização responsável de recursos. Neste sentido,
é necessária uma abordagem holística que se traduza em instituições transparentes, que
prestam contas aos cidadãos; instituições inclusivas, que garantam a acessibilidade aos
serviços públicos de todas e de todos os cidadãos; e instituições inovadoras, capazes de
ajustar as suas respostas à dinâmica e evolução das pessoas e da sociedade.
A eficácia dos serviços públicos na redução das desigualdades é maior quando exista uma
intervenção acrescida contra as desigualdades no início da vida. Neste plano, são centrais
todo o sistema de ensino e aprendizagem ao longo da vida, bem como o reforço do
Sistema Nacional de Saúde (SNS). Importa, por um lado, garantir o acesso à educação em
todos os níveis de ensino, promover o sucesso escolar e recuperar o défice educativo nas
gerações adultas. Por outro, garantir o acesso à saúde, promover a prevenção da doença e
adaptar o SNS ao envelhecimento da população.
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O acesso aos serviços públicos como prioridade
Uma das questões mais relevantes em matéria de qualidade dos serviços públicos diz
respeito ao acesso a serviços públicos adequados às diversas necessidades e realidades
socio-territoriais.
Para tal, é fundamental proceder à otimização da gestão e prestação em rede dos serviços
coletivos existentes nas áreas da saúde, educação, cultura, serviços sociais e de índole
económica e associativa, assegurando níveis adequados de provisão de bens e serviços
públicos, potenciando as ligações rural/urbano. Para tal, o Governo compromete-se a:
Avaliar as necessidades de serviços e desenvolver respostas de proximidade
articuladas e integradas, numa lógica de flexibilidade e de adaptação às
especificidades de contexto, tendo em vista o reforço da coesão entre os
aglomerados urbanos e as áreas rurais envolventes;
Estabelecer mecanismos transversais de governação integrada, que
envolvam as diferentes áreas (educação, saúde, proteção social, justiça, etc.),
por forma a assegurar um funcionamento ágil e eficiente das respostas de
proximidade;
Desenvolver, nas redes de transporte público, novos modelos de
mobilidade local, mais flexíveis e mais capazes de responder às
necessidades, tendo em vista a reativação de fluxos entre os aglomerados
urbanos e as áreas envolventes.
Uma Administração Pública robusta para melhorar os serviços públicos
A prestação de serviços públicos de qualidade exige uma Administração Pública de
qualidade, com profissionais tecnicamente capazes, dirigentes aptos a tomar decisões
complexas, exigentes e bem fundamentadas, capacidade de planeamento e de execução de
políticas, que funcione em rede de forma ágil e desburocratizada.
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Os anos de desinvestimento no setor público conduziram a uma Administração Pública
sem capacidade para captar os melhores recursos e com fortes limitações na sua capacidade
para agir e decidir. Foram já dados passos decisivos com a criação de centros de
competência e o lançamento de ações de recrutamento dirigidas ao rejuvenescimento dos
quadros da Administração Pública e à integração de técnicos superiores, mas há ainda um
caminho exigente por fazer.
Serviços públicos bem geridos, renovados e com profissionais motivados
Para fortalecer a Administração Pública enquanto elemento essencial da prestação de
melhores serviços públicos, uma das prioridades é implementar políticas de gestão de
recursos humanos, nomeadamente planear o recrutamento em função das necessidades
efetivas de cada área da Administração Pública, valorizar os salários e as carreiras técnicas, e
implementar políticas ativas de pré-reforma nos setores que o justifiquem. Para isso, o
Governo irá:
Contribuir para o rejuvenescimento da Administração Pública, através de
percursos profissionais com futuro, alteração da política de baixos salários,
reposição da atualização anual dos salários e, valorização da remuneração
dos trabalhadores de acordo com as suas qualificações e reconhecimento do
mérito;
Aprofundar o atual modelo de recrutamento e seleção de dirigentes
superiores e intermédios, através da Comissão de Recrutamento e Seleção
para a Administração Pública (CReSAP), garantindo a transparência, o
mérito e a igualdade de oportunidades, tendo por base um plano de ação
para os serviços a que se candidatam e a constituição de equipas com vista à
criação de uma nova geração de dirigentes públicos qualificados e
profissionais, cujos resultados sejam avaliados periodicamente, com efeito
na duração da comissão de serviço.
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Adotar medidas de responsabilização e valorização dos dirigentes superiores
e dos dirigentes intermédios da Administração Pública, evitando a excessiva
concentração da competência para decidir nos graus mais elevados das
hierarquias;
Estabelecer percursos formativos que incluam capacitação para a liderança
em contexto público e liderança de equipas com autonomia reforçada;
Reativar a avaliação dos serviços com distinção de mérito associada aos
melhores níveis de desempenho e refletir essa distinção em benefícios para
os respetivos trabalhadores, garantindo, assim, o alinhamento das
dimensões individual e organizacional;
Simplificar e anualizar o sistema de avaliação de desempenho dos
trabalhadores, garantindo que os objetivos fixados no âmbito do sistema de
avaliação de trabalhadores da Administração Pública sejam prioritariamente
direcionados para a prestação de serviços ao cidadão;
Investir em novos incentivos à eficiência e à inovação para os trabalhadores,
estimulando o trabalho em equipa e aprofundando o envolvimento nos
modelos de gestão dos serviços;
Implementar políticas ativas de pré-reforma nos setores e funções que o
justifiquem, contribuindo para o rejuvenescimento dos mapas de pessoal e
do efetivo;
Concluir a revisão das carreiras não revistas, para harmonizar regimes,
garantir a equidade e a sustentabilidade, assegurando percursos profissionais
assentes no mérito dos trabalhadores;
Incentivar percursos dinâmicos de aprendizagem, que conjuguem formação
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de longa e de curta duração, tirando partido dos meios digitais para facilitar
o acesso dos trabalhadores às competências necessárias aos seus percursos
profissionais;
Apostar na implementação generalizada de programas de bem-estar no
trabalho, que promovam a conciliação entre a vida pessoal, familiar e
profissional;
Estabelecer novas formas de diálogo social que permitam definir modelos,
instrumentos e regimes que garantam uma transição responsável para o
futuro do trabalho, considerando os desafios para os trabalhadores e os
empregadores públicos que decorrem em particular da demografia e da
transição para a sociedade digital.
Aprofundar o trabalho colaborativo e acelerar a criação de centros de competências
Uma das prioridades para modernizar a Administração Pública é a consolidação dos
modelos de gestão transversal de trabalhadores, nomeadamente em centros de
competências ou em redes colaborativas temáticas. Depois da criação de dois centros de
competências (jurídicas e informáticas) pretende-se prosseguir este objetivo, através de
ações para:
Consolidar, ampliar e diversificar os centros de competências, associando a
estes uma dimensão criadora de conhecimento acessível em toda a
Administração Pública;
Desenvolver novos modelos de gestão transversal de trabalhadores,
nomeadamente em redes colaborativas temáticas, tirando partido das
tecnologias e da transformação digital, sem obrigar a alterações estruturais;
Instituir modelos de trabalho colaborativo nas áreas financeira, de gestão e
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de recursos humanos, para que os trabalhadores funcionem em rede e em
articulação direta com a área governativa das finanças ou da modernização
do estado e da administração pública, quer para o apoio técnico, quer para o
reforço das respetivas competências profissionais;
Aprofundar a gestão estratégica de recursos humanos, planeando o
recrutamento global com caráter plurianual, recorrendo a bolsas de
recrutamento, em função das necessidades de cada área governativa,
considerando as transformações e o desenvolvimento expectável das
missões dos serviços.
Melhorar a qualidade do atendimento
O bom atendimento nos serviços públicos deve ser encarado como um verdadeiro direito.
Deve ser prestado um atendimento de qualidade, rápido, cordato e que resolva
efetivamente os problemas, mesmo que envolva vários serviços públicos. Para isso, é
preciso criar condições para que o utente seja encaminhado para o balcão presencial,
telefónico ou online que, de forma mais acessível, célere e cómoda, permita realizar o
serviço público pretendido. Para este efeito, o Governo propõe:
Garantir a simplificação e o acesso multicanal, designadamente na Internet,
por via telefónica e presencial, pelo menos aos 25 serviços administrativos
mais solicitados;
Gerir, de forma integrada, o atendimento nos serviços públicos,
independentemente do departamento do Estado que o preste, com a
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criação de uma unidade que, de forma permanente, organize o atendimento
público nos serviços mais críticos, defina e corrija procedimentos, defina
níveis de serviço para o atendimento, monitorize o serviço, antecipe
constrangimentos e adote soluções para a promoção constante da melhoria
no atendimento destes serviços públicos;
Capacitar os trabalhadores que fazem atendimento ao público, através de
formação específica para o atendimento, formação contínua sobre sistemas
de informação e incentivos associados ao volume de atendimento;
Melhorar o funcionamento dos Espaços Cidadão, adaptando-os às
necessidades dos utentes, designadamente reformulando o catálogo de
serviços, para que estas estruturas de atendimento presencial de
proximidade prestem os serviços mais procurados de entre os
disponibilizados pela Administração Pública;
Desenvolver o Mapa Cidadão, disponível no Portal ePortugal, para que este
disponibilize informação e encaminhe os utentes para os canais de
atendimento mais adequados ao serviço procurado, garantindo qualidade,
proximidade e celeridade no atendimento, possibilitando ainda o
agendamento de serviços ou a emissão de senha eletrónica;
Disponibilizar um número de telefone único, curto e facilmente
memorizável que funcione quer como porta de entrada e encaminhamento
do cidadão para serviços da Administração Pública, quer como canal de
prestação dos serviços solicitados com mais frequência;
Recorrer a ferramentas de inteligência artificial para equilibrar a procura e a
oferta de serviços públicos, sendo implementados mecanismos de
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simulação para avaliar a eficiência e os impactos do atendimento, num
determinado momento, e propor soluções de melhoria.
3.2. Melhorar a qualidade da democracia e combate à corrupção
Nas últimas décadas foram introduzidas várias reformas de abertura do sistema político,
designadamente com a apresentação de candidaturas independentes, a introdução da
paridade nas listas para as eleições autárquicas, legislativas e europeias e a limitação de
mandatos autárquicos, a par de medidas de combate à corrupção e pela transparência.
O Governo vai dar continuidade a este caminho, melhorando a qualidade da democracia,
com a participação dos cidadãos, renovando e qualificando a classe política, aproximando a
legislação dos seus destinatários, protegendo os direitos e liberdades fundamentais
investindo numa efetiva educação para a cidadania, e promovendo uma estratégia
transversal e integrada de combate à corrupção, compreendendo a prevenção e a repressão.
Promover a literacia democrática e a cidadania
Num contexto em que existem diversas ameaças à democracia, importa defender e difundir
os valores essenciais em que se baseia o sistema político português, dando a conhecer o
funcionamento das instituições, em especial junto da população mais jovem, educando para
a cidadania, de modo a que venham a tornar-se cidadãos conscientes, participativos e
empenhados.
Nesse sentido, o Governo irá:
Lançar um Plano Nacional de Literacia Democrática, liderado por um
comissariado nacional e com um amplo programa de atividades, em especial
nas escolas e junto das camadas mais jovens, à semelhança do que é feito no
Plano Nacional de Leitura e no Plano Nacional das Artes;
Incluir o estudo da Constituição em todos os níveis de ensino, com
crescente grau de profundidade;
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Instituir o “dia nacional da cidadania”, em que, entre outras atividades,
todos os representantes do poder político se envolvam em atividades
descentralizadas, nomeadamente nas escolas, com vista à divulgação dos
ideais democráticos;
Promover visitas de estudo regulares aos órgãos de soberania, os quais
devem contar com serviços educativos que promovam atividades didáticas,
jogos e sessões interativas que não só expliquem, em termos facilmente
apreensíveis, o funcionamento das instituições, como promovam a adesão
aos valores e princípios democráticos;
Replicar a experiência do Parlamento dos Jovens também ao nível do
Governo, das autarquias locais e dos tribunais;
Comissionar a programação de jogos eletrónicos ( gaming) que, de forma
lúdica, difundam o conhecimento dos direitos fundamentais e a adesão a
valores de cidadania por parte da população mais jovem.
Modernizar o processo eleitoral, com maior proximidade e fiabilidade
O Governo irá prosseguir o esforço de modernização e reforço da credibilidade
internacional do processo eleitoral português, a fim de garantir a qualidade da democracia e
facilitar o exercício do direito de voto através da implementação das seguintes medidas:
Consolidar e alargar a possibilidade de voto antecipado em mobilidade,
dando continuidade às alterações já implementadas na anterior legislatura;
Generalizar a experiência de voto eletrónico presencial já testada no distrito
de Évora, nas últimas eleições europeias;
Prosseguir a desmaterialização dos cadernos eleitorais e o recurso alargado
às tecnologias de informação para simplificar os procedimentos eleitorais;
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Aprovar um Código Eleitoral que, no respeito dos princípios
constitucionais que enformam o Direito Eleitoral e considerando a
experiência consolidada da Administração Eleitoral, construa uma parte
geral para todos os atos eleitorais, prevendo depois as regras próprias e
específicas de cada tipo de eleição.
Estimular a participação dos cidadãos
A promoção da participação política e cívica dos cidadãos é um objetivo central do Estado,
como forma de melhorar a qualidade da democracia. Não obstante o combate à abstenção,
uma vez que a participação política não se esgota no ato eleitoral, releva o incentivo a
outras formas de participação, com o objetivo de envolver os cidadãos no processo de
decisão coletiva e de, por esta via, aumentar o seu sentimento de pertença à comunidade
em que se inserem. Para tal, o Governo irá:
Avaliar as iniciativas pioneiras de orçamentos participativos de âmbito
nacional já levadas a cabo (Orçamento Participativo Portugal e Orçamento
Participativo Jovem Portugal), procedendo ao seu relançamento em moldes
renovados;
Operacionalizar o sistema de perguntas cidadãs, garantindo que todas as
perguntas são recebidas, registadas, enviadas à entidade competente e
efetivamente respondidas num prazo razoável;
Prosseguir a prática anual de prestação de contas quanto à execução do
Programa do Governo e da respetiva avaliação por um grupo de cidadãos
escolhidos aleatoriamente, em articulação com as Universidades;
Incentivar práticas de voluntariado;
Facilitar a iniciativa legislativa dos cidadãos;
Aumentar o número de atos legislativos e regulamentares colocados em
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discussão pública e, tirando partido das funcionalidades disponibilizadas
pelo portal Consultalex.gov.pt, diversificar as formas de participação dos
cidadãos no processo legislativo, incluindo a resposta a questionários;
Criar um fórum permanente de auscultação dos movimentos sociais e dos
cidadãos, abrindo o sistema político à sociedade civil.
Renovar, diversificar e qualificar os titulares de cargos políticos
A par da não perpetuação dos titulares de cargos políticos, importa também assegurar a
diversidade e a representatividade dos eleitos, bem como atrair os melhores para o
exercício da política, garantindo as condições necessárias para a existência de políticos
altamente qualificados. Tanto a renovação como a valorização dos cargos políticos
permitem assegurar a transparência e o controlo da integridade do sistema democrático.
Nesse sentido, o Governo irá:
Alargar a lei da paridade a todas as eleições, abrangendo as eleições
regionais, nos termos constitucionais e respeitando a reserva de iniciativa
das Assembleias Legislativas Regionais;
Instituir a prática, no quadro do debate sobre o Programa do Governo, de
as/os ministras/os apresentarem e debaterem os objetivos a que se
propõem através de uma audição individual nas comissões parlamentares
respetivas.
Melhorar a qualidade da legislação
A qualidade da legislação e a garantia do seu cumprimento são essenciais para a melhoria
global do sistema político e um fator determinante na qualidade do serviço público, aspetos
essenciais para a melhoria da atividade económica, em particular, na atração do
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investimento e melhoria da competitividade. Através do programa “Legislar Melhor”
existiram melhorias na produção de leis mais simples, atempadas, eficazes, participadas,
facilmente acessíveis e sem encargos excessivos. O Governo pretende dar continuidade a
estas ações, pelo que irá:
Prosseguir a política de contenção legislativa e de revogação de decretos-leis
antigos e já obsoletos;
Promover exercícios de codificação legislativa, eliminando legislação
dispersa;
Aprovar e divulgar, todos os anos, um plano de trabalho legislativo, com a
calendarização das principais iniciativas legislativas do Governo, à
semelhança do que faz a Comissão Europeia;
Acelerar o processo de conclusão de tratados e acordos internacionais,
especialmente quando estejam em causa matérias com impacto positivo nos
planos económico ou social;
Garantir que, quando o Conselho de Ministros aprova um diploma, a
respetiva regulamentação já está pronta e controlar o cumprimento dos
prazos de regulamentação através de um sistema eletrónico, com alertas
automáticos, que seja interoperável com a Assembleia da República, com
relatórios públicos semestrais;
Aprovar um código de legística comum a todas as instituições com poderes
legislativos (Assembleia da República, Governo e Assembleias Legislativas
Regionais), mediante acordo entre as entidades envolvidas;
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Completar a desmaterialização do processo legislativo, nomeadamente no
que diz respeito à circulação dos diplomas entre órgãos de soberania;
Alargar a avaliação prévia de impacto legislativo, a fim de estimar e
quantificar não só os encargos da legislação aprovada pelo Governo sobre
as empresas e os cidadãos, mas também os impactos sobre a própria
Administração Pública e os benefícios gerados;
Garantir um acompanhamento próximo, por parte da Representação
Permanente de Portugal junto da União Europeia (REPER), dos encargos
administrativos gerados pela legislação em discussão nas instituições da
União Europeia;
Assegurar a transposição atempada das diretivas europeias;
Combater as práticas de goldplating, que consiste em acrescentar às exigências
da legislação europeia outros procedimentos e formalidades, de âmbito
estritamente nacional, que são desnecessários e criam distorções face aos
demais Estados-Membros;
Fazer acompanhar as propostas de lei submetidas à Assembleia da
República do respetivo relatório de avaliação de impacto legislativo;
Consolidar a experiência-piloto de avaliação de impacto legislativo quanto
ao combate à pobreza e à corrupção, melhorando procedimentos e critérios,
de modo a garantir a relevância e efetividade destes procedimentos;
Assegurar que todos os decretos-leis e decretos regulamentares continuam a
ser publicados juntamente com um resumo, em português e inglês, que
explique de forma simples as principais novidades decorrentes com impacto
na vida dos cidadãos;
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Assegurar a clareza e inteligibilidade dos sumários dos diplomas publicados
no Diário da República, em particular no que diz respeito a portarias;
Disponibilizar no portal do Diário da República Eletrónico, de forma
gratuita, o acesso a um conjunto de recursos jurídicos, desde legislação
consolidada e anotada a jurisprudência, incluindo um dicionário e um
tradutor de termos jurídicos, com um padrão de serviço equiparável ou
superior às bases de dados jurídicas existentes no mercado;
Estabelecer um programa calendarizado de tradução de diplomas legais para
inglês;
Desenvolver projetos-piloto de conversão de leis em código de
programação, permitindo o recurso a ferramentas de machine reading e
inteligência artificial para simular e automatizar os efeitos da aplicação
dessas leis.
Garantir a liberdade de acesso à profissão
O Governo, para assegurar o direito à liberdade de escolha e acesso à profissão,
constitucionalmente garantido, irá impedir práticas que limitem ou dificultem o acesso às
profissões reguladas, em linha com as recomendações da Organização para a Cooperação e
Desenvolvimento Económico (OCDE) e da Autoridade da Concorrência.
Prevenir e combater a corrupção e a fraude
A par de um ineficiente funcionamento da Administração Pública e do não
reconhecimento da qualidade das instituições públicas, a corrupção tem efeitos negativos
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
na confiança dos cidadãos e investidores nas instituições e condiciona fortemente a
capacidade de atração de investimento privado, condição essencial ao crescimento
económico e social de uma sociedade.
Sendo uma condição essencial para a saúde da democracia e para a afirmação de um Estado
transparente, justo e equitativo, o Governo pretende dar continuidade às ações que têm
vindo a ser empreendidas e adotar uma abordagem integrada no combate e prevenção da
corrupção, tanto o setor público como o setor privado.
Serão empreendidas ações a montante, prevenindo os contextos geradores de corrupção,
designadamente eliminando os bloqueios ou entraves burocráticos, mas também será
necessário capacitar o sistema com uma compreensão completa do fenómeno, reunindo
dados que permitam definir indicadores de risco, corrigir más práticas e concentrar a
investigação nos principais focos de incidência da corrupção.
Para atingir estes objetivos, o Governo irá:
Instituir o relatório nacional anticorrupção, que permita construir um
panorama geral e o desenvolvimento e avaliação de um conjunto de
medidas sobre a matéria;
Estabelecer que, de 3 em 3 anos, no âmbito dos relatórios de política
criminal, a Procuradoria Geral da República deve reportar à Assembleia da
República o grau de aproveitamento e aplicação dos mecanismos legalmente
existentes no âmbito do combate à corrupção;
Assegurar uma maior cooperação com o Grupo de Estados contra a
Corrupção (GRECO);
Instituir campanhas de consciencialização para o fenómeno da corrupção,
no âmbito da educação para a cidadania, bem como junto das entidades
públicas, alertando para os comportamentos que podem indiciar corrupção;
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Consagrar o princípio da “pegada legislativa”, estabelecendo o registo
obrigatório de qualquer intervenção de entidades externas no processo
legislativo, desde a fase de conceção e redação do diploma legal até à sua
aprovação final;
Consolidar e desenvolver a experiência, atualmente em curso, de avaliação
da permeabilidade das leis aos riscos de fraude, corrupção e infrações
conexas, consagrando a obrigatoriedade de avaliação prévia fundamentada
das medidas de política na ótica da prevenção da corrupção;
Garantir, no âmbito do referido processo de avaliação legislativa,
transparência e simplicidade jurídicas dissuasoras de comportamentos
administrativos “facilitadores”;
Prosseguir o programa SIMPLEX, numa perspetiva de promoção da
confiança na Administração Pública, eliminando atos burocráticos e
barreiras administrativas que possam motivar o fenómeno da corrupção;
Adotar, neste programa, uma medida destinada a informar os cidadãos, no
momento em que o pedido é apresentado, sobre o prazo em que será
tomada a decisão, os responsáveis pela decisão, os serviços envolvidos e o
valor a pagar;
Elaborar e publicitar guias de procedimentos, dirigidos aos cidadãos, sobre
os vários serviços prestados pela Administração Pública, identificando os
documentos necessários, as fases de apreciação, os prazos de decisão, bem
como simuladores de custos relativos aos serviços prestados por cada
entidade;
Obrigar todas as entidades administrativas a aderir a um código de conduta
ou a adotar códigos de conduta próprios que promovam a transparência, o
rigor e a ética na atuação pública;
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Consagrar o princípio, segundo o qual, qualquer decisão administrativa que
conceda uma vantagem económica acima de determinado valor tem de ser
assinada por mais do que um titular do órgão competente, ou confirmada
por uma entidade superior, e publicitada num portal online;
Lançar a segunda geração de planos de prevenção de riscos de gestão
focados nos resultados e na avaliação, com parâmetros de monitorização
estandardizados, capacitando o Conselho de Prevenção da Corrupção;
Assegurar que, em entidades administrativas onde estejam em causa
matérias que exigem especial imparcialidade e transparência ou que lidem
com a concessão de benefícios, existe um departamento de controlo interno
que, com autonomia, assegure a transparência e imparcialidade dos
procedimentos e das decisões;
Garantir a existência, em todas as entidades públicas, de normas de controlo
interno, devidamente publicitadas, que tratem matérias como garantias de
imparcialidade e legalidade na contratação ou segurança de inventários,
elaboradas de acordo com um modelo de partilha de conhecimentos;
Aumentar os níveis de cumprimento das obrigações de reporte das várias
entidades públicas, e permitir uma análise e tratamento de dados com base
na informação já disponibilizada em portais públicos (nomeadamente
Base.gov), relativamente a adjudicações excessivas por ajuste direto às
mesmas entidades;
Melhorar os processos de contratação pública, incrementando a
transparência e eliminando burocracias, no âmbito dos procedimentos pré-
contratuais, que possam conduzir à eliminação de propostas válidas;
Integrar os sistemas de gestão financeira com os sistemas de inventariação e
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
contratação no âmbito da Administração Direta e Indireta do Estado,
disponibilizando estas ferramentas também à Administração Regional e
Local;
Promover uma publicação mais eficiente das contas dos partidos políticos,
de forma uniformizada e facilitando o acesso, especialmente no que
concerne aos períodos eleitorais;
Modernizar o registo de interesses dos titulares de cargos políticos e de altos
cargos públicos, permitindo a recolha de mais informação e um melhor
cruzamento de dados;
Aplicar a todos os órgãos de soberania a obrigação de declaração de
rendimentos, património e cargos sociais;
Instituir a obrigação de as médias e grandes empresas disporem de planos
de prevenção de riscos de corrupção, fixando os requisitos mínimos a que
devem necessariamente obedecer os programas de conformidade das
grandes empresas;
Estabelecer como condição de acesso a concursos para a realização de
empreitadas de obras públicas e outros contratos públicos a partir de
determinado valor, por parte de grandes empresas, a existência e
observância de planos de prevenção de riscos de corrupção;
Expandir a utilidade do Regime Central do Beneficiário Efetivo (RCBE),
passando a ser possível, de forma mais simples, desconsiderar a
personalidade jurídica e agir contra o beneficiário efetivo de determinada
organização; Simplificar o RCBE, designadamente por via do
preenchimento automático da informação declarada com base em
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
informação que resulte do registo comercial;
Criar uma pena acessória para os titulares de cargos políticos condenados
por corrupção, o que, através de decisão judicial, poderá impedir a sua
eleição ou nomeação para cargos políticos em caso de condenação pela
prática de crimes de corrupção, a decretar judicialmente por um período até
10 anos;
Rever a lei e atualizar as penas relativas aos crimes de aquisição ilícita de
quotas ou ações e de prestação de informações falsas perante quem as
sociedades comerciais devem responder, cujas penas máximas são
atualmente incipientes;
Criar uma pena acessória para gerentes e administradores de sociedades que
tenham sido condenados por crimes de corrupção, por forma a que possa
ser decretada judicialmente a sua idoneidade para o exercício dessas funções
durante um certo período;
Responsabilizar as entidades reguladoras, as associações públicas
profissionais e outras entidades competentes em determinados setores de
atividade pela imposição de medidas adicionais aos setores por si tutelados,
promovendo boas práticas em setores como o sistema financeiro, da
construção, desportivo e dos serviços públicos essenciais;
Coligir e divulgar, sem identificação pessoal dos condenados e de forma
resumida quanto à factualidade e à aplicação do direito, os casos de
corrupção que deram origem a condenações transitadas em julgado em cada
triénio.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Potenciar a autonomia regional
Mantendo a descentralização política e em cumprimento com o princípio da
subsidiariedade e de boa governação, o Governo pretende, no que respeita às autonomias
regionais dos Açores e da Madeira, empreender um conjunto de ações com vista à reforma
da autonomia, tendo em conta os trabalhos em curso e os estudos existentes.
Assim, pretende reforçar o papel das regiões autónomas no exercício de funções próprias e
do Estado nas situações em que se afigure possível, como no caso da eficácia do exercício
das funções do Estado nas regiões autónomas ou, numa perspetiva mais vasta, na
dicotomia entre as funções do Estado e as funções das regiões autónomas. Assim, o
Governo irá:
Criar o Conselho de Concertação com as Autonomias Regionais, composto
por membros dos Governos da República e Regionais, com o objetivo de
valorizar o papel das regiões autónomas no exercício das funções do
Estado, seja pela participação e colaboração no exercício das competências
estatais nessas regiões, seja pelo estabelecimento, quando necessário, de
mecanismos de colaboração nas respetivas políticas públicas;
Assegurar que a existência das autonomias regionais não significa, por si só,
a ausência, a abstenção ou o menor cuidado do Estado quanto aos serviços
que cumprem as suas próprias funções nas regiões autónomas ou quanto ao
cumprimento, nesses territórios, de objetivos e fins do Estado;
Promover a contratualização, as parcerias e a ação conjunta que suscite a
intervenção direta e mais próxima dos entes regionais em matérias
essenciais ao funcionamento dos serviços do Estado nas regiões autónomas;
Reforçar a cooperação e a intervenção, legal ou contratualizada, dos órgãos
regionais no cumprimento de objetivos e fins do Estado que, nos Açores e
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
na Madeira, são prosseguidos pelos órgãos regionais, uma vez que, pela
proximidade e conhecimento que têm, estes se afiguram como um elemento
potenciador da eficácia da ação pública;
Concretizar uma maior intervenção das regiões autónomas em sede de
gestão e exploração dos espaços marítimos respetivos, através da alteração
da Lei de Bases da Política de Ordenamento e Gestão do Espaço Marítimo
Nacional.
Aprofundar a Descentralização
O processo de descentralização de competências da administração central constitui um
fator estruturante na da organização e gestão do Estado e dá cumprimento a objetivos de
maior eficácia, eficiência e proximidade das políticas públicas, na medida em que possibilita
uma maior adequação dos serviços prestados à população.
Num contexto marcado pela relação de confiança com as autarquias locais, por uma
significativa recuperação e crescimento da capacidade financeira dos municípios e
freguesias, pela devolução de autonomia ao poder local e pelo maior processo de
descentralização de competências das últimas décadas, pretende-se aprofundar o processo
de reforma do Estado, estabelecendo uma governação de proximidade baseada no
princípio da subsidiariedade.
Neste quadro, as linhas condutoras de ação até 2023 são a elevação da participação local na
gestão das receitas públicas até à média da União Europeia, a consolidação do processo de
descentralização e o alargamento dos poderes locais a nível infra estadual. Mais capacidade
de ação das autarquias locais deverá ser acompanhada pelo reforço dos mecanismos de
transparência e de fiscalização democrática das políticas locais.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Democratizar a governação territorial
O Governo irá:
Consagrar a eleição democrática das direções executivas das cinco
Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR), por um
colégio eleitoral composto pelos membros das câmaras e das assembleias
municipais (incluindo os presidentes de junta de freguesia) da respetiva área
territorial, com base em listas subscritas pelo mínimo de um décimo dos
eleitores, respondendo as direções executivas perante o Conselho Regional;
Harmonizar as circunscrições territoriais da Administração desconcentrada
do Estado e proceder à integração nas CCDR dos serviços desconcentrados
de natureza territorial, designadamente nas áreas da educação, saúde,
cultura, ordenamento do território, conservação da natureza e florestas,
formação profissional e turismo, bem como dos órgãos de gestão dos
programas operacionais regionais e demais fundos de natureza territorial,
sem prejuízo da descentralização de algumas destas competências para as
comunidades intermunicipais e áreas metropolitanas;
Atribuir às áreas metropolitanas competências supramunicipais nos
respetivos territórios, designadamente nos domínios da mobilidade e
transportes (incluindo os operadores de transportes públicos), do
ordenamento do território e da gestão de fundos europeus.
Aprofundar a descentralização e a subsidiariedade
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
O Governo irá:
Concretizar até 2021 a transferência, para as entidades intermunicipais,
municípios e freguesias, das competências previstas nos diplomas setoriais
aprovados com base na Lei-Quadro da Descentralização;
Aprovar até junho de 2021 as novas competências a descentralizar para as
entidades intermunicipais, municípios e freguesias no ciclo autárquico 2021-
2025, aprofundando as áreas já descentralizadas e identificando novos
domínios com base na avaliação feita pela Comissão de Acompanhamento
da Descentralização e em diálogo com a Associação Nacional de
Municípios Portugueses (ANMP) e com a Associação Nacional de
Freguesias (ANAFRE);
Desenvolver estruturas de apoio técnico partilhado, a nível intermunicipal,
para apoio ao exercício de novas competências pelos municípios e
freguesias;
Criar projetos-piloto de gestão descentralizada nas áreas da educação, da
saúde, do desenvolvimento rural, das políticas sociais e da formação
profissional;
Dotar todas as freguesias de condições para o exercício de novas
competências, designadamente admitindo a possibilidade de contarem
sempre com um membro exercendo funções a tempo parcial;
Aprovar os critérios de criação e agregação de autarquias locais, prevendo a
participação obrigatória dos órgãos das autarquias abrangidas e garantindo a
estabilidade territorial mínima ao longo de três mandatos.
Reforçar a transparência na governação local
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
O Governo irá:
Possibilitar a realização de referendos locais por iniciativa da câmara
municipal, da assembleia municipal, da junta de freguesia, da assembleia de
freguesia ou de 5% dos eleitores;
Permitir o acesso digital a todos os regulamentos locais às deliberações dos
órgãos autárquicos e às propostas a submeter a apreciação ou a discussão
pública;
Criar um registo de interesses dos titulares de órgãos autárquicos.
Melhorar o serviço público local
O Governo irá:
Abrir Lojas de Cidadão ou balcões multisserviços em todos os municípios,
definindo o padrão mínimo de serviços públicos acessíveis em todos os
concelhos;
Definir o nível de serviço público obrigatoriamente disponível em todas as
freguesias, a assegurar através de Espaços Cidadão ou de unidades móveis
de proximidade;
Estabelecer, através das entidades intermunicipais, um modelo de
distribuição territorial dos serviços públicos dependentes da Administração
central, de outras entidades públicas, de empresas públicas ou de
concessionários de serviço público, definindo os níveis mínimos de acesso
presencial ou digital a nível sub-regional.
Colocar o financiamento territorial ao serviço do desenvolvimento
O Governo irá:
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Aumentar, gradualmente, a participação das autarquias locais na gestão das
receitas públicas, convergindo até 2025 para o nível médio dos países da
União Europeia;
Inscrever anualmente no Orçamento do Estado a evolução do nível de
participação das autarquias locais nas receitas públicas, o qual deve ser
monitorizado pela OCDE, Comité das Regiões e Conselho da Europa;
Alargar a autonomia municipal na gestão das taxas e benefícios fiscais
relativos aos impostos locais;
Ampliar os critérios de territorialização da derrama sobre IRC;
Consolidar a participação dos municípios na receita do IVA territorializado;
Proceder a uma avaliação da adequação dos recursos financeiros
transferidos para as autarquias locais ao exercício das novas competências
descentralizadas, aferindo da eficácia e eficiência na gestão descentralizada
dos recursos públicos.
3.3. Valorizar as funções de soberania
Preparar a defesa nacional para os desafios da década 2020-2030
Para que as Forças Armadas possam responder a novas e complexas missões, bem como
assumir novas responsabilidades, respeitando a utilização eficiente dos recursos públicos, é
necessário adaptar a Defesa Nacional e projetar um novo ciclo, pautado por significativos
desenvolvimentos internacionais.
No âmbito da União Europeia, Portugal concretizou, em dezembro de 2017, a sua intenção
de participar numa cooperação estruturada permanente no domínio da segurança e da
defesa. Acresce que está em processo de conclusão um Programa Europeu de
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Desenvolvimento Industrial no domínio da Defesa e um Fundo Europeu de Defesa,
consubstanciando uma transformação profunda e apontando para uma Identidade
Europeia de Defesa. Portugal propõe-se participar neste processo, reforçando a sua
capacidade militar e simultaneamente as suas indústrias de defesa.
Por sua vez, no âmbito da NATO, em julho de 2018, Portugal renovou, calendarizou e
planificou o compromisso de aumentar a despesa em Defesa, apontando para um rácio
entre 1,66% e 1,98% do PIB em 2024, o que exige que os ganhos decorrentes deste esforço
sejam mensuráveis e tenham um impacto positivo sobre a economia nacional.
Também a Lei de Programação Militar, recentemente revista, constitui o principal
instrumento financeiro plurianual para a Defesa Nacional e materializa uma estratégia de
médio e longo prazo para a edificação das capacidades militares, assente no
desenvolvimento da inovação e gerando valor acrescentado para a economia nacional,
reforçando o emprego qualificado e promovendo as exportações das empresas deste setor
de atividade.
Por outro lado, o apoio às populações, especialmente no apoio à proteção civil ou no
âmbito do combate aos incêndios e, bem assim, as missões em articulação com o Sistema
Integrado de Segurança Interna são solicitações a responder.
Colocar as pessoas primeiro
Para valorizar e reconhecer continuamente a centralidade das pessoas na construção das
Forças Armadas do futuro, é necessário completar o regime de profissionalização, ter
capacidade de atrair e reter talento e, reconhecer a posição de quem escolhe servir o país.
Assim, o Governo irá:
Continuar o processo de adequação dos mecanismos de recrutamento e
retenção às necessidades de efetivos militares para as Forças Armadas,
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através da organização apropriada do dispositivo das Forças Armadas e de
novos mecanismos de gestão de carreiras;
Concluir a reforma do Sistema de Saúde Militar e finalizar o projeto do
Campus de Saúde Militar, gerando sinergias, racionalizando meios e
promovendo qualidade;
Reforçar a Ação Social Complementar, em apoio dos membros mais
carenciados, nomeadamente nas áreas de apoio à infância, aos estudantes e
à terceira idade, no apoio domiciliário, nos centros de férias e de repouso e
na habitação social;
Dignificar e apoiar os antigos combatentes, incluindo os deficientes das
Forças Armadas, identificando soluções para o acompanhamento da nova
geração de militares sujeitos a riscos físicos e psicológicos, em particular os
que tenham estado em Forças Nacionais Destacadas;
Reforçar a participação de mulheres nas Forças Armadas, em linha com as
melhores práticas internacionais, garantindo a aplicação e contínua
monitorização do Plano Nacional de Ação para implementação da
Resolução da ONU sobre Mulheres, Paz e Segurança nas instituições da
Defesa;
Implementar o Plano Setorial da Defesa Nacional para a Igualdade e
aprofundar os mecanismos de apoio às famílias dos militares, de acordo
com as melhores práticas internacionais, com o objetivo de promover a
conciliação do trabalho com a vida pessoal, especialmente orientado para o
acompanhamento integrado das famílias nas situações de mobilidade
internacional dos militares.
Assegurar o reconhecimento dos Antigos Combatentes
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Para cumprir o dever do Estado português em reconhecer, de forma simbólica e material,
os militares que combateram por Portugal pelo serviço prestado é necessário melhorar o
enquadramento jurídico que lhes é aplicável, bem como aprofundar os instrumentos
existentes, designadamente para apoio económico e social aos Antigos Combatentes e
Deficientes das Forças Armadas.
Aproximar a instituição militar da sociedade e vice-versa
Para cumprir a obrigação do Estado de promover a formação, valorizar profissionalmente
os seus militares e reforçar a ligação da Defesa Nacional à sociedade, serão adotadas as
seguintes medidas:
Promover a reinserção profissional dos militares em regime de contrato e
dos militares que optem pela passagem à reserva em idade ativa, com
recurso a políticas ativas de formação e de emprego;
Promover o alinhamento da formação conferida pelas Forças Armadas com
o Sistema Nacional de Qualificações;
Operacionalizar os conceitos de reserva de disponibilidade e reserva de
recrutamento, tendo em conta a redução de efetivos ocorrida nos últimos
anos e a eventual necessidade de dar resposta rápida a situações novas que
requeiram meios adicionais;
Cometer ao Instituto de Defesa Nacional o aprofundamento do Referencial
para a Educação, com vista a desenvolver e implementar um Plano
Nacional de Ação para uma Cultura de Defesa para a Segurança e a Paz, em
ligação com as escolas, as autarquias locais, as instituições culturais da
Defesa e das Forças Armadas e a sociedade civil em geral;
Promover o conhecimento da sociedade portuguesa sobre as nossas Forças
Armadas, criando mais e melhores mecanismos para a interação;
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Completar o Dia da Defesa Nacional com a criação de programas-piloto
que permitam, numa base voluntária, a participação de cidadãos em
atividades estruturadas de curta duração, com vista a permitir o
conhecimento e experiência da vivência militar.
Reforçar e racionalizar os meios ao serviço da Defesa
Em linha com as metas assumidas no quadro da NATO e ao abrigo da Lei de Programação
Militar (LPM) recentemente aprovada, importa modernizar e reforçar as capacidades
militares. Contudo, a racionalização de meios impõe que se centralize cada vez mais o
investimento nas áreas em que a intervenção das Forças Armadas é mais necessária. Deste
modo, o Governo irá:
Executar a LPM, com especial enfoque no equipamento de importância
estratégica e que se traduza num efeito multiplicador da capacidade
operacional, apostando nos programas conjuntos e naqueles passíveis de
duplo uso (civil e militar) e na criação de riqueza para a economia nacional;
Reorganizar as Forças Armadas em função do produto operacional,
privilegiando uma estrutura de forças baseada em capacidades conjuntas e
mais assente num modelo de organização modular e flexível, com a mais
que provável necessidade de uma efetiva arquitetura de comando conjunto;
Aprofundar os mecanismos de partilha de valências entre os ramos das
Forças Armadas, não só nas áreas de apoio e logística, mas também nas de
aquisição, manutenção e modernização de meios ou, ainda, de recrutamento
e formação;
Centralizar nos serviços do Ministério da Defesa Nacional o sistema de
aquisições logísticas correntes que envolvam um volume orçamentalmente
significativo (combustível, viaturas administrativas e sua manutenção,
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
mobiliário, equipamento informático, entre outros), mas que não são
especificamente operacionais;
Definir uma Estratégia Nacional de Ciberdefesa, devidamente articulada
com as demais iniciativas em matéria de cibersegurança;
Integrar o Ensino Superior Militar, valorizando a qualidade da formação
inicial e ao longo da vida, bem como os centros militares de investigação;
Complementar a formação de âmbito especificamente militar com a oferta
proporcionada pelo sistema de Ensino Superior Universitário e Politécnico,
em áreas como medicina, engenharia e administração;
Promover a integração dos adidos militares no âmbito da política externa de
Defesa, incluindo a promoção externa das nossas indústrias de defesa;
Consolidar o enquadramento e estruturas da Autoridade Marítima Nacional
no ordenamento jurídico nacional.
Impulsionar a economia da Defesa
A existência de uma indústria de Defesa é crucial para a efetiva autonomia e capacidade de
cumprimento das missões das Forças Armadas. No atual contexto europeu, este setor pode
reforçar o seu papel de desenvolvimento económico e promoção da inovação, mantendo e
reforçando o emprego qualificado e promovendo e estimulando a especialização e a
capacidade de exportação das empresas que operam em Portugal. Como tal, o Governo
procurará:
Consolidar o papel do Estado na gestão das participações públicas no setor,
de forma articulada e centralizada numa empresa unificadora da ação de
tutela setorial e enquanto agente facilitador da internacionalização da
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
indústria de Defesa;
Fomentar a participação em programas conjuntos, no âmbito da
Cooperação Estruturada Permanente e do Fundo Europeu de Defesa, mas
também junto da Agência Espacial Portuguesa, da Agência Europeia de
Defesa, da NATO e de outros programas cooperativos;
Promover a externalização das funções de suporte das Forças Armadas, em
articulação com estas, com disponibilização da capacidade excedentária ao
mercado e com redução de custos, mantendo-se a natureza empresarial
pública do Arsenal do Alfeite;
Internacionalizar a economia da Defesa, apostando nos clusters mais
diretamente nela participantes, como as áreas da construção e reparação
naval, comunicações, sistemas avançados de simulação e treino e setor
aeroespacial.
Pugnar por uma segurança interna robusta
A segurança constitui um pilar fundamental do Estado de Direito Democrático e um
garante da liberdade dos cidadãos, ao mesmo tempo que contribui para uma sociedade
mais tolerante, livre e democrática. Num contexto internacional de ameaças cada vez mais
diversificadas, complexas e sofisticadas, importa criar as condições para continuar a garantir
a manutenção da segurança do país e o reconhecimento dessa segurança no exterior, o que
constitui, por si próprio, um fator de competitividade e atratividade internacional.
Constitui uma prioridade do Governo o efetivo robustecimento da Segurança Interna, em
particular por via do reforço dos recursos humanos, materiais e organizacionais, com vista
a uma melhor prevenção e combate de todos os fenómenos criminais.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
O fenómeno do terrorismo, constituindo uma ameaça permanente e difusa à segurança dos
cidadãos, exige uma resposta firme. Igualmente o tráfico de armas e de droga, o cibercrime
e a moderna criminalidade económico-financeira constituem fenómenos criminais de
crescente complexidade que exigem respostas atualizadas e mais eficazes.
Neste sentido e no contexto do debate em curso na União Europeia, destaca-se a
preparação de uma estratégia integrada de prevenção e combate do terrorismo em todos os
patamares em que os interesses do país se projetam, ao nível nacional, europeu e
internacional, aprofundando também o Centro Nacional de Cibersegurança.
A prevenção e a repressão destes fenómenos impõem um reforço dos instrumentos de
cooperação internacional e, bem assim, uma coordenação cada vez mais eficaz das forças e
serviços de segurança.
Proporcionar aos cidadãos níveis elevados de segurança
Para garantir que Portugal continua a ser um dos países mais seguros do mundo, importa
dotar as nossas forças e serviços de segurança das condições adequadas ao exercício da sua
missão, designadamente, através das seguintes medidas:
Promover a aprovação de um plano plurianual (2020/2023) de admissões
nas forças e serviços de segurança, assegurando o contínuo
rejuvenescimento e a manutenção de elevados graus de prontidão e eficácia
operacional dos seus efetivos;
Concluir as ações previstas na Lei de Programação das Infraestruturas e
Equipamentos para as Forças e Serviços de Segurança do Ministério da
Administração Interna até 2021 que veio instituir um novo modelo de
gestão estrutural e plurianual de investimentos a realizar, em distintas
valências operacionais, que visa dotar a GNR, a PSP e o SEF dos meios
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
necessários à prossecução das respetivas missões;
Aprofundar as soluções de partilha de recursos entre as forças e serviços de
segurança, nomeadamente GNR e PSP, através da gradual integração das
estruturas de apoio técnico e de suporte logístico, eliminando redundâncias,
simplificando estruturas e permitindo a alocação de elementos policiais para
a atividade operacional;
Elaborar um plano anual dirigido à preservação da segurança das
infraestruturas críticas do Estado, em articulação com as estruturas
homólogas do setor da Defesa Nacional, sob coordenação do Sistema de
Segurança Interna e envolvendo as forças e serviços de segurança, bem
como a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC);
Reforçar as competências do Secretário-Geral do Sistema de Segurança
Interna, enquanto elemento essencial na garantia da coerência, da
operacionalidade, da boa articulação e da gestão integrada de funções
comuns das forças e serviços de segurança, designadamente através da
operacionalização, na sua dependência, de um Centro de Comando e
Controlo apto a coordenar ações integradas de prevenção e combate ao
terrorismo e ações de cooperação internacional;
Potenciar a capacidade operacional do Ponto Único de Contacto e do
Registo de Nome de Passageiros como formas de interação das forças e
serviços de segurança na prevenção de riscos criminais transnacionais;
Ampliar as responsabilidades e os meios do Centro Nacional de
Cibersegurança, promovendo o cumprimento de uma renovada estratégia
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
nacional para o ciberespaço;
Implementar uma estratégia integrada de prevenção e combate ao
terrorismo, ao extremismo violento, à radicalização e ao recrutamento, em
todos os patamares em que os interesses do país se projetam, ao nível
nacional, europeu ou internacional;
Intervir sobre fenómenos de violência, nomeadamente os ligados à
atividade desportiva, criando mecanismos dissuasores de comportamentos
racistas, xenófobos, sexistas e demais manifestações de intolerância,
estimulando o comportamento cívico e a tranquilidade na fruição dos
espaços públicos;
Reforçar a Rede Nacional de Segurança Interna como base tecnológica para
os sistemas das forças e serviços de segurança e do sistema de proteção civil
de emergência;
Atualizar as regras para a instalação de sistemas de videovigilância em zonas
de risco, para a utilização de drones e para a utilização de sistemas de registo
de imagem pelas forças de segurança no respeito pelos direitos
fundamentais dos cidadãos;
Desenvolver, em articulação com as autarquias, a implementação de uma
nova geração de Contratos Locais de Segurança visando prevenir a
criminalidade, garantir a ordem pública e proteção de pessoas e bens, que
concretizem uma estratégia de policiamento de proximidade em domínios
como a segurança escolar, o apoio aos idosos ou a segurança no desporto e
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
em grandes eventos e a adequada integração de migrantes;
Reforçar os métodos do policiamento de proximidade, com utilização de
metodologias aperfeiçoadas de proteção das populações, incluindo as mais
vulneráveis, bem como de fiscalização do espaço público e da sua
preservação e do patrulhamento para a realização do bem-estar das
populações, em cooperação com as autarquias locais.
Reforçar a proteção civil, enfatizando a prevenção e a preparação
No contexto da prevenção, preparação, resposta e recuperação face a riscos coletivos, é
prioritário dar seguimento à reforma do sistema de proteção civil. Neste sentido, importa
enfatizar as componentes de prevenção e preparação, bem como definir um modelo de
articulação horizontal entre entidades, designadamente para gestão de incêndios rurais,
integrando as comunidades académicas e científica e envolvendo cada vez mais o cidadão
nas políticas públicas para o setor.
No âmbito da melhoria da eficiência do sistema de proteção civil, impõe-se ainda a
definição de um modelo de resposta profissional permanente e a implementação, gradual,
de um novo modelo territorial de resposta de emergência e proteção civil, em estreita
articulação com as entidades competentes, em particular com a participação dos bombeiros
e das autarquias locais.
Tendo em conta os efeitos económicos e sociais que situações de catástrofe provocam nos
territórios afetados, deve ser dada prioridade à prevenção de riscos e à preparação
necessária para fazer face às consequências de catástrofes. Neste sentido, o Governo
compromete-se a:
Aprovar um Programa de Proteção Civil Preventiva 2020/2030, integrando
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
todas as áreas de gestão de risco de catástrofe com um plano de
financiamento associado, utilizando recursos nacionais e europeus do novo
Quadro Financeiro Plurianual;
Concretizar o Plano de Gestão Integrada de Fogos Rurais, definindo um
modelo de articulação horizontal de todas as entidades participantes na
prevenção estrutural, nos sistemas de autoproteção de pessoas e
infraestruturas (designadamente o programa Aldeia Segura/ Pessoas
Seguras), nos mecanismos de apoio à decisão e no dispositivo de combate
aos incêndios rurais;
Implementar o novo modelo territorial de resposta de emergência e
proteção civil, baseado em estruturas regionais e sub-regionais, em estreita
articulação com as entidades competentes e desenvolvido com a
participação dos corpos de bombeiros voluntários e das autarquias locais;
Definir um modelo de resposta profissional permanente a riscos de
proteção civil, com a participação da Força Especial de Proteção Civil, da
GNR, das Forças Armadas, dos corpos de bombeiros sapadores, municipais
e das equipas de intervenção permanente das associações humanitárias de
bombeiros;
Concretizar a aquisição de meios aéreos próprios para combate a incêndios
rurais, de acordo com as prioridades definidas pela ANEPC e pela Força
Aérea;
Definir os requisitos tecnológicos e o modelo de gestão da rede de
comunicações de emergência do Estado após o final da concessão à
SIRESP, em 2021;
Implementar o sistema de Planeamento Civil de Emergência nas redes da
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
indústria, energia, transportes e mobilidade, comunicações, agricultura,
ambiente, saúde e ciberespaço, integrando a adoção de medidas preventivas
e de coordenação de resposta em caso de catástrofe ou situação de
emergência, com vista a salvaguardar o funcionamento dos serviços
públicos, das instituições do Estado e das infraestruturas críticas;
Executar um programa de segurança de equipamentos de utilização coletiva
2020/2023, que permita a identificação dos perigos e a mitigação do risco,
nomeadamente ambiental, sísmico, inundações e cheias em bacias urbanas,
outros fenómenos naturais e ameaças NRBQ (riscos nucleares/
radiológicos/ biológicos/ químicos).
Uma Justiça eficiente, ao serviço dos direitos e do desenvolvimento económico-social
Não obstante o princípio da separação de poderes e a independência do poder judicial,
valores basilares do Estado de Direito Democrático, se encontrarem consolidados, importa
reforçar a dimensão da Justiça enquanto serviço público. A confiança na Justiça –
substantiva, processual e atempada – por parte dos cidadãos e agentes económicos, e para a
qual é forçoso que as políticas públicas e os agentes da Justiça contribuam, reveste-se de
especial importância na redução da incerteza na relação da sociedade com o Estado.
Aumentar a confiança dos cidadãos e das empresas na Justiça é crucial ao desenvolvimento
social e económico do país e, para tal, é decisivo investir na melhoria do serviço prestado,
da imagem pública da Justiça e da perceção social sobre os seus serviços.
Assim, tornar a Justiça mais próxima, mais eficiente e mais célere, aumentar a transparência
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
e a prestação de contas do serviço público de Justiça e contribuir para melhorar a qualidade
da Justiça, criando as condições legislativas, materiais e técnicas para o efeito, são objetivos
essenciais.
Tornar a Justiça mais próxima dos cidadãos, mais eficiente, moderna e acessível
Uma Justiça ao serviço dos direitos dos cidadãos e do desenvolvimento económico-social
tem de ser, em primeiro lugar, eficiente. A eficiência exige celeridade das decisões e um
modelo de funcionamento simplificado, que permita a todos os cidadãos aceder à Justiça
em condições de igualdade. A morosidade e a complexidade processuais, bem como o atual
sistema de custas processuais são um obstáculo à plena realização dos direitos e também
um entrave ao desenvolvimento económico. Para implementar soluções modernas, simples
e eficientes, o Governo irá:
Implementar um sistema de apoio judiciário mais efetivo, apto a abranger
aqueles que efetivamente dele necessitam e que, simultaneamente, assegure
uma boa gestão dos recursos públicos, com garantia da qualidade dos
profissionais que prestam esse serviço, fomentando a sua formação
contínua e a troca de experiências entre si;
Aprovar a Lei de Programação do Investimento em Infraestruturas e
Equipamentos do Ministério da Justiça que, à semelhança da Lei de
Programação Militar e da Lei de Programação das Infraestruturas e
Equipamentos para as Forças e Serviços de Segurança do Ministério da
Administração Interna, estabeleça a programação dos investimentos com
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
vista à implementação de uma estratégia plurianual de construção,
requalificação e conservação das infraestruturas, bem como a renovação e
modernização dos equipamentos, dos sistemas de tecnologias de
informação da justiça e veículos, no horizonte temporal de 2020 a 2023 e
que, por essa via, permita concretizar as prioridades previstas no Relatório
sobre o Sistema Prisional e no Plano Estratégico Plurianual de
Requalificação e Modernização da Rede dos Tribunais;
Reduzir as situações em que as custas processuais comportam valores
excessivos, nos casos em que não exista alternativa à composição de um
litígio;
Melhorar a formação inicial e contínua dos magistrados, de forma
desconcentrada e descentralizada e com especial enfoque na matéria da
violência doméstica, dos direitos fundamentais, do direito europeu e da
gestão processual;
Garantir que o sistema de Justiça assegura respostas rápidas, a custos
reduzidos, acrescentando competências aos julgados de paz, articulando a
expansão da rede com os municípios e maximizando o recurso aos sistemas
de resolução alternativa de litígios, nomeadamente através do
desenvolvimento de ferramentas tecnológicas;
Desenvolver novos mecanismos de simplificação e agilização processual
nos vários tipos de processo, designadamente através da revisão de
intervenções processuais e da modificação de procedimentos e práticas
processuais que não resultem da lei, pese embora signifiquem passos
processuais acrescidos resultantes da prática judiciária;
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Aumentar a capacidade de resposta da jurisdição administrativa e tributária,
tirando pleno partido das possibilidades de gestão e agilização processual,
designadamente quanto a processos de massas;
Manter um esforço permanente de informatização dos processos judiciais,
incluindo nos tribunais superiores, continuando a evoluir na
desmaterialização da relação entre o tribunal e outras entidades públicas, e
assegurando a gestão pública e unificada do sistema CITIUS;
Assegurar os investimentos necessários ao robustecimento tecnológico com
vista ao reforço da qualidade e a celeridade do serviço prestado nos registos
públicos, quer nos serviços presenciais, quer nos serviços desmaterializados,
apostando na simplificação de procedimentos, em balcões únicos e serviços
online;
Assegurar a citação eletrónica de todas as entidades administrativas e a
progressiva citação eletrónica das pessoas coletivas, eliminando a citação em
papel;
Melhorar os indicadores de gestão do sistema de justiça de modo a ter
informação de gestão de qualidade disponível para os gestores do sistema,
bem como mecanismos de alerta precoce para situações de
congestionamento dos tribunais;
Fomentar a introdução, nos processos cíveis, de soluções de constatação de
factos por peritos ou técnicos, por forma a evitar o recurso excessivo à
prova testemunhal ou a peritagens;
Reforçar a ação dos centros de arbitragem institucionalizados para a
resolução de conflitos administrativos enquanto forma de descongestionar
os tribunais administrativos e fiscais e de proporcionar acesso à justiça para
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
situações que, de outra forma, não teriam tutela jurisdicional efetiva;
Continuar a execução do programa de requalificação do sistema de
reinserção social, prisional e tutelar educativo e reforçar os mecanismos de
articulação com o Ministério da Saúde no sentido de melhorar o nível de
prestação dos cuidados de saúde nos Estabelecimentos Prisionais e Centros
Educativos, nomeadamente ao nível da saúde mental;
Prosseguir a implementação das medidas do plano de ação “Justiça +
Próxima” nas suas múltiplas valências e eixos, alinhando com as melhores
práticas internacionais;
Simplificar e desburocratizar os procedimentos de gestão e alineação de
património não essencial à prossecução das atribuições do Ministério da
Justiça;
Implementar um Sistema Integrado do Atendimento nos Registos,
promovendo a melhoria do acesso, qualidade e eficiência do atendimento,
no contexto presencial, telefónico e online;
Prosseguir a renovação dos diversos sistemas de informação de suporte aos
Registos, articulando-os com novos desafios, nomeadamente, o relativo ao
Registo Predial com o novo regime simplificado de propriedade rústica
(BUPi - Balcão Único do Prédio), garantindo a sua atualização, maiores
níveis de segurança e qualidade de dados;
Promover o redesenho da oferta dos serviços online dos Registos,
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
tornando-os mais acessíveis, compreensíveis e fáceis de utilizar, integrados e
potenciados pela Plataforma de Serviços Digitais da Justiça.
Aumentar a transparência na administração da justiça
A administração da justiça é um serviço público que integra o cerne do Estado de Direito
Democrático. Para garantir que a justiça nas suas várias dimensões e, em especial, no que se
refere ao seu funcionamento e resultados, atua de forma transparente e possa ser
escrutinável pelos cidadãos, o Governo irá:
Assegurar aos cidadãos, de dois em dois anos, um compromisso público
quantificado quanto ao tempo médio de decisão processual, por tipo de
processo e por tribunal;
Consolidar a Plataforma Digital da Justiça, enquanto ponto único de
contacto e acesso a informação e serviços online relevantes para os
cidadãos, empresas e profissionais da justiça;
Melhorar os indicadores de gestão do sistema de justiça de modo ater
informação de gestão de qualidade disponível para os gestores do sistema e
desenvolver mecanismos de alerta precoce para situações de
congestionamento dos tribunais;
Criar bases de dados, acessíveis por todos os cidadãos, que incluam também
informação estruturada relativa aos conteúdos das decisões, números de
processos distribuídos por tipo de processo por tribunal, tempo médio das
decisões em cada tribunal em função da natureza do processo, etc.;
Reforçar as competências de gestão processual nos tribunais, enquanto
condição necessária para garantir a prestação aos cidadãos de um serviço de
justiça atempado e sem desperdício de recursos;
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Simplificar a comunicação entre tribunais e outras entidades públicas, bem
como a comunicação direta com os cidadãos, aproveitando as
comunicações obrigatórias para dar informação sobre a tramitação
processual em causa, eventuais custos associados e alternativas de resolução;
Assegurar que as citações, notificações, mandados ou intimações dirigidas a
particulares utilizam sempre linguagem clara e facilmente percetível por
todos os cidadãos.
Criar condições para a melhoria da qualidade e eficácia das decisões judiciais
As decisões judiciais têm uma legitimidade própria, que lhes é conferida pela Constituição e
pela lei. Contudo, e sendo essa legitimidade indiscutível, têm de ser criadas todas as
condições – legais, materiais e outras – para as tornar efetivas, melhorar o processo de
decisão e aumentar a aceitação das sentenças pela comunidade, designadamente em setores
como a justiça penal, de família e laboral. Para o efeito, o Governo irá:
Aumentar os modelos alternativos ao cumprimento de pena privativa da
liberdade em estabelecimento prisional, em especial para condenados aos
quais se recomende uma especial atenção do ponto de vista social, de saúde
ou familiar;
Reforçar a resposta e o apoio oferecido às vítimas de crimes, em parceria
com entidades públicas e privadas, e melhorar o funcionamento da
Comissão de Proteção às Vítimas de Crimes;
Investir na requalificação e modernização das infraestruturas prisionais e de
reinserção social, bem como no acesso a cuidados de saúde da população
reclusa, designadamente ao nível da saúde mental;
Melhorar o sistema de registo criminal, garantindo a conexão entre bases de
dados públicas, clarificando as respetivas consequências em articulação com
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
o sistema de execução de penas;
Criar um corpo de assessores especializados para os tribunais e investir na
sua formação inicial e contínua, a funcionar de forma centralizada,
designadamente em matérias cuja complexidade técnica aconselha a
existência de um apoio ao juiz;
Garantir adequada formação inicial e contínua aos oficiais de justiça, com
reforço da capacitação e valorização das respetivas competências;
Agilizar o tempo de resposta em matéria de perícias forenses e demais
serviços no âmbito da medicina legal;
Permitir e incentivar a composição por acordo entre a vítima e o arguido,
nos casos em que não existe outro interesse público relevante;
Permitir a suspensão provisória do processo para um número mais alargado
de crimes, desde que todas as partes estejam de acordo;
Revisitar o conceito e a forma de quantificação dos danos não patrimoniais,
no sentido de corresponderem a uma efetiva tutela da pessoa e da dignidade
humana.
4. PORTUGAL NO MUNDO
A identidade nacional refletida na ação externa de Portugal deriva de matrizes geopolíticas
e históricas incontornáveis, desde logo a inserção de Portugal no espaço europeu não
continental, a centralidade do espaço atlântico e a pertença ao espaço policêntrico e
pluricontinental de expressão portuguesa. Por outro lado, a inscrição cultural no mundo
latino e mediterrânico e o desenvolvimento de relações multisseculares com outros países e
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
regiões do globo, bem como a conceção da comunidade internacional alicerçada nos
princípios e valores das Nações Unidas e no multilateralismo efetivo concorrem para a
vocação global da política externa portuguesa.
O resultado positivo evidente da legislatura de 2015 a 2019 foi a reposição da imagem e da
credibilidade europeia e internacional de Portugal. No âmbito europeu, importa destacar a
saída do Procedimento por Défices Excessivos e a eleição para a presidência do
Eurogrupo. Num contexto mais global, destacam-se as eleições de António Guterres para
Secretário-Geral das Nações Unidas e de António Vitorino para Diretor-Geral da
Organização Internacional das Migrações, assim como o facto de o país ter ganho todas as
candidaturas internacionais que apresentou. Portugal passou a estar na linha da frente de
todas as agendas europeias relevantes, bem como das diversas agendas multilaterais, como
os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, a Agenda do Clima, o Pacto Global das
Migrações e o Pacto Global para os Refugiados.
Na Europa, foi reforçada a capacidade de interlocução quer com as instituições europeias,
quer com os Estados-Membros que defendem o aprofundamento da integração europeia.
Na sua vertente atlântica, foram reforçadas as relações bilaterais, em particular, com os
Estados Unidos e o Canadá, bem como a continuação da participação na Conferência
Ibero-Americana e o reforço da ligação a África. No contexto da Comunidade dos Países
de Língua Portuguesa (CPLP) foi assumida uma responsabilidade adicional com a
propositura do Secretário Executivo e a manutenção dos programas de cooperação com
todos os países africanos de língua portuguesa e com Timor-Leste. Na vertente da
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diáspora, foi conferida atenção particular às comunidades que têm experienciado as
circunstâncias mais difíceis (como na Venezuela ou no Reino Unido no contexto do
Brexit). Adicionalmente, foram desenvolvidos esforços tendentes ao estreitamento dos
laços com todas as comunidades e as suas associações, como foi a extensão do
recenseamento automático a todos os portugueses. De forma transversal, foram reforçadas
as atividades dedicadas à promoção da internacionalização da nossa economia e da nossa
língua e cultura.
Num contexto internacional dinâmico e em constante mutação, a ação externa de Portugal,
para o ciclo 2020-2030, numa matriz duradoura de estabilidade e coerência, concorrerá para
a sua afirmação e vocação global, através da continuidade e aprofundamento dos eixos
estratégicos fundamentais de política europeia e externa, a saber, a construção e agenda
europeia, a prossecução de um multilateralismo efetivo, as relações bilaterais, a valorização
da cooperação, a atenção da ligação às comunidades portuguesas e a internacionalização da
economia.
Deste modo, as prioridades para o ciclo 2020-2023 pautam-se pela continuidade e o
aprofundamento dos eixos e objetivos estratégicos da política europeia e externa.
Participar ativamente na construção europeia, promovendo uma agenda progressista, defendendo
os valores europeus e o Estado de Direito, desenvolvendo a convergência económica e social e
reforçando o papel da Europa no Mundo
O Governo empenhar-se-á na defesa dos interesses nacionais na conclusão da negociação
do novo Quadro Financeiro Plurianual 2021-2027, defendendo uma dimensão orçamental
global adequada, e valorizando a Política de Coesão e a Política Agrícola Comum, bem
como as necessidades específicas das regiões ultraperiféricas no contexto destas Políticas.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Simultaneamente, será reforçada a preparação do país para um melhor aproveitamento dos
programas de gestão centralizada, nos domínios económico, do investimento, das
infraestruturas de comunicações e transportes, ambiental e energético, da ciência e
tecnologia e da política externa e de defesa, atendendo, de forma horizontal, às
necessidades específicas das regiões ultraperiféricas.
Os desenvolvimentos do processo de saída do Reino Unido da União Europeia serão
devidamente acompanhados, de forma a acautelar os interesses nacionais em qualquer
cenário, e promovendo, chegado o momento, a negociação de uma relação futura tão
próxima e profunda quanto possível.
A continuação de uma participação ativa no processo de construção europeia constituirá
uma prioridade, com destaque para o contributo para o debate sobre o futuro da Europa e
da UEM, nomeadamente, no que se refere à conclusão da União Bancária e ao
estabelecimento do Instrumento Orçamental para a Convergência e a Competitividade,
enquanto embrião de um verdadeiro orçamento da Zona Euro. Neste contexto, serão
promovidos o aprofundamento do mercado interno, as PME como elementais centrais da
política industrial europeia e a implementação do Pilar Europeu dos Direitos Sociais, no
sentido de desenvolver um novo contrato social para a Europa. As novas prioridades da
agenda europeia, resultantes de desafios comuns como as migrações, as alterações
climáticas, a transição para uma economia digital, a defesa do Estado de Direito, o combate
a ameaças híbridas e a luta contra os populismos e os nacionalismos xenófobos, são áreas
para as quais Portugal dirigirá a sua atenção e para as quais dará um importante contributo.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Salienta-se ainda o empenho de Portugal no aprofundamento das interligações energéticas,
na proteção dos oceanos, na otimização do potencial do mar, na promoção da economia
circular e na adoção e implementação da Estratégia de Longo Prazo da União Europeia
para alcançar a neutralidade carbónica até 2050. Serão também salvaguardados os interesses
nacionais no contexto dos acordos comerciais da União Europeia com países e regiões
terceiros, com destaque para os acordos com o Canadá, o Japão e o Mercosul. A
construção da Política Externa e de Segurança Comum continuará a contar com a
participação empenhada de Portugal, com particular atenção para o seu desenvolvimento
no contexto multilateral.
Portugal assumirá a Presidência do Conselho da União Europeia, no primeiro semestre de
2021, cuja preparação já está em curso, e que terá como principais prioridades a Europa
Social, o Pacto para a Europa Verde, a Transição Digital e as relações entre a Europa
União Europeia e África.
Apoiar o multilateralismo e o sistema das Nações Unidas, consolidando o protagonismo de
Portugal nas principais organizações e agendas
O Governo vai garantir a participação ativa no Sistema das Nações Unidas,
designadamente nas missões de paz e segurança, na defesa e promoção dos direitos
humanos, na promoção da educação, ciência e cultural, apoiando o mandato do Secretário-
Geral das Nações Unidas e prosseguindo a campanha para a eleição de Portugal para o
Conselho de Segurança, no biénio de 2027-2028. A intervenção nacional nas diversas
agendas multilaterais, como a Agenda das alterações climáticas, a Agenda 2030 para o
Desenvolvimento Sustentável ou o Pacto das Migrações, será reforçada, quer no sentido de
concretizar responsabilidades já assumidas, como a realização em Lisboa, em 2020, da
Segunda Conferência Mundial dos Oceanos, quer assumindo novas responsabilidades.
Destacar-se-á a coordenação do Plano Nacional de Implementação do Pacto Global das
Migrações com os dos outros países subscritores, no quadro da Organização Internacional
das Migrações. Adicionalmente, Portugal continuará a desenvolver a sua participação nas
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
diversas instâncias multilaterais, com destaque para a assunção de maior protagonismo nas
organizações do Espaço Ibero-Americano, bem como para a participação em fóruns de
diálogo regionais, tirando partido da capacidade de interlocução nacional com diferentes
espaços regionais, com especial relevo para as iniciativas em torno do Mediterrâneo (União
para o Mediterrâneo, Diálogo 5+5 e Cimeira Duas Margens). No quadro da Organização
do Tratado do Atlântico Norte (OTAN/NATO), Portugal continuará a valorizar a
dimensão política da Aliança, quer na defesa coletiva, quer na projeção de estabilidade e na
segurança cooperativa.
Cultivar relações bilaterais diversificadas, atentas às lógicas de aliança, vizinhança e parceria e às
oportunidades de desenvolvimento de trocas económicas, consultas políticas e intercâmbio
cultural
No que se refere ao desenvolvimento das relações bilaterais, será dada prioridade ao
fortalecimento das relações com os países mais próximos, como a Espanha, o Reino
Unido, considerando o contexto pós-Brexit, a França, a Alemanha e os Estados Unidos,
afirmando o papel indispensável de Portugal na ligação entre a Europa, o Atlântico Norte e
o resto do mundo. No âmbito da União Europeia e no contexto do programa do Trio de
Presidências do Conselho de União Europeia, será conferido destaque ao relacionamento
com a Alemanha e com a Eslovénia. De forma a garantir os equilíbrios indispensáveis ao
desenvolvimento da construção europeia, será igualmente reforçado o relacionamento com
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os países da Coesão, os países da Fachada Atlântica e os países do Mediterrâneo. Serão
ainda reforçadas as relações com cada um dos países de língua portuguesa, em África, na
América Latina e na Ásia, atentos os estreitos laços políticos, culturais e económicos que
unem Portugal a cada um desses países. De igual modo, será prosseguido o
desenvolvimento das relações com os países da vizinhança sul, no Magrebe e na África
subsariana; com os países latino-americanos, com particular destaque para os do Mercosul,
vistos os desenvolvimentos em curso no Acordo com a União Europeia; e com países de
todas as regiões do mundo, com natural destaque para a China, Índia, Japão e República da
Coreia, dados os avanços verificados, quer no plano bilateral, quer em virtude de acordos
celebrados ao nível europeu, consolidando e expandindo o nível de relacionamento político
e económico.
Para tal, concorrerá o reforço da rede diplomática, através da abertura de novas embaixadas
na Europa e fora da Europa, bem como a realização de visitas bilaterais.
Valorizar a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa como comunidade de língua, cidadania,
cooperação político-diplomática e espaço económico
A valorização da CPLP, no concerto das organizações internacionais, e dos seus pilares
constitutivos, a saber, a concertação político-diplomática, a projeção da língua portuguesa e
a cooperação, continuarão a constituir uma prioridade para Portugal.
Assim, Portugal desenvolverá uma estreita colaboração com as Presidências pro tempore de
Cabo Verde e Angola, e com o Secretariado Executivo.
Neste âmbito, destaca-se a participação na negociação do Acordo sobre Livre Circulação e
Mobilidade na CPLP, tendo em vista a sua aprovação na Cimeira de Luanda. A CPLP verá
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
ainda o seu papel reforçado no que se refere à dimensão de promoção da língua e das
culturas de língua portuguesa, nomeadamente, através do apoio à atividade do Instituto
Internacional da Língua Portuguesa. No que se refere à dinamização da dimensão
económica da CPLP, será estimulada a cooperação entre empresas e organizações
profissionais dos diferentes Estados-Membros, bem como a exploração das potencialidades
de instrumentos como o Compacto Lusófono acordado com o Banco Africano de
Desenvolvimento.
Continuar a implementação do novo quadro da cooperação portuguesa para o desenvolvimento,
mantendo o foco principal na cooperação com os países africanos de língua portuguesa e Timor-
Leste, mas alargando a sua geografia e parcerias e diversificando as modalidades de financiamento
A política de cooperação internacional é um instrumento fundamental da política externa
nacional, cujo quadro conceptual tem vindo a ser ajustado às prioridades introduzidas pela
Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. O modelo da cooperação portuguesa
tem materializado estratégias de complementaridade com atores públicos, organizações da
sociedade civil, mas também com o setor privado, diversificando as fontes de
financiamento da cooperação e alargando a sua geografia de ação, numa ótica de reforço da
coordenação e de melhoria da eficiência dos programas de cooperação.
No que se refere à implementação da cooperação portuguesa, destaca-se a aprovação do
novo Conceito Estratégico de Cooperação 2021-2027 e a adoção da estratégia para o
envolvimento do sector privado nos esforços de cooperação, promovendo e reforçando os
necessários mecanismos de financiamento. Portugal continuará a trabalhar com as
instituições multilaterais de financiamento do desenvolvimento, com vista a facilitar a
participação em mecanismos europeus e internacionais de financiamento do
desenvolvimento, centrando-se na operacionalização do Compacto para o Financiamento
do Desenvolvimento dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP),
celebrado entre Portugal, o Banco Africano de Desenvolvimento e aqueles países, visando
a promoção do investimento português nos PALOP e o desenvolvimento do respetivo
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sector privado. Simultaneamente, aprofundar-se-á a parceria estratégica com os países de
língua portuguesa, concretizada nos Programas de Cooperação Estratégica. Será igualmente
prioritário tirar pleno partido da Aliança Europa-África para o Crescimento e o Emprego e
do reforço de recursos previstos para a política de vizinhança e cooperação no âmbito do
próximo Quadro Financeiro Plurianual.
Neste contexto, o Governo priorizará a atuação nas áreas da educação e formação, nas
áreas sociais e da governação, garantindo a promoção do papel das organizações da
sociedade civil e das autarquias na conceção e execução de projetos. Para tal, será
igualmente importante valorizar o papel da cooperação portuguesa na gestão de projetos de
cooperação da União Europeia, bem como alargar progressivamente a geografia da nossa
cooperação, designadamente na África não lusófona e na América Latina.
Adaptar a organização diplomática e consular às novas realidades da emigração portuguesa e
aproveitar o enorme potencial da dimensão, dispersão, enraizamento e vinculação a Portugal das
comunidades residentes no estrangeiro
A implementação de uma política externa abrangente e que pretende afirmar um papel
crescente de Portugal na cena internacional é tributária de uma rede diplomática e consular
eficiente, eficaz e ágil. Neste sentido, será dada prioridade à revisão e reforço da rede
consular, assente num novo modelo gestionário, que garanta a simplificação dos processos
e a consolidação dos mecanismos de apoio a situações de emergência. Tal é fundamental
para assegurar o acompanhamento e intervenção nas circunstâncias e situações de maior
dificuldade ou risco e, desde logo, em apoio da comunidade luso-venezuelana.
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É ainda necessário continuar o investimento no reforço dos vínculos entre o país e as suas
comunidades da diáspora, nomeadamente, através da consolidação das plataformas criadas
para o efeito. Neste contexto, serão prosseguidos os investimentos no reforço das
condições de participação cívica e política dos portugueses residentes no estrangeiro, na
sequência, nomeadamente, do alargamento do recenseamento automático, concretamente
no que diz respeito à avaliação, em conjunto com a Administração Eleitoral, das condições
de exercício do direito de voto e introdução das alterações indispensáveis à sua melhoria.
Importa ainda destacar a necessidade de renovar e modernizar a Rede de Ensino Português
no Estrangeiro, melhorando o uso das tecnologias digitais e de educação à distância e
assegurando maiores níveis de certificação das competências adquiridas.
Por último, deve ser prosseguida a implementação do Programa Regressar e, no horizonte
de 2023, ser avaliados os seus resultados.
Divulgar e promover internacionalmente a língua e cultura portuguesas
A prossecução de uma política de ensino e divulgação da língua e da cultura portuguesas no
estrangeiro é essencial para a afirmação do país no plano externo. A promoção da língua
portuguesa como veículo de comunicação internacional, diplomático e científico, a
manutenção de níveis de exigência e de excelência no ensino da língua em todo o mundo, a
divulgação da cultura portuguesa, em particular, e lusófona, em geral, concorrem para a
consolidação do português no mundo, reforçando a sua utilização, quer nos sistemas de
ensino de vários países, quer nas organizações internacionais, enquanto fator de identidade
e mais-valia cultural, científica, política e económica. A projeção global do português
enquanto idioma multifacetado e dinâmico de inserção pluricontinental é, pois, essencial à
afirmação do papel de Portugal no mundo.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
No que se refere à promoção externa da língua e cultura portuguesas, será prosseguida a
coordenação entre as áreas governativas dos Negócios Estrangeiros e da Cultura, no
quadro dos Planos Anuais de Ação Cultural Externa, valorizando a diplomacia cultural e as
grandes celebrações, como o Quinto Centenário da Viagem de Circum-Navegação.
Neste contexto, será promovido o aumento da presença do português como língua
curricular através de projetos de cooperação com países de todos os continentes,
consolidando e desenvolvendo a rede de ensino nas três vertentes do ensino básico e
secundário (língua materna ou de herança) e ensino superior, e do apoio à integração
curricular do português como língua estrangeira. Adicionalmente, será consolidada a
presença do português e da investigação em estudos portugueses nos currículos em
instituições de ensino superior, na Europa, Américas, África, Ásia e Oceânia e expandidos
os processos de educação à distância, de certificação de aprendizagens e de credenciação do
português nos sistemas de acesso ao ensino superior.
Acompanhando os desafios das sociedades do conhecimento e da informação, será
conferida continuidade ao investimento em programas e ferramentas que reforcem o papel
e o estatuto da língua portuguesa como língua de ciência e língua digital, ao mesmo tempo
que, no âmbito da defesa do plurilinguismo e da afirmação da língua portuguesa como
língua de comunicação internacional, se dará sequência ao trabalho de consolidação da sua
presença em organismos internacionais multilaterais. Será, assim, valorizada a língua
portuguesa no âmbito da Conferência Ibero-americana e da Organização dos Estados
Ibero-americanos para a Educação, Ciência e Cultura, assim como entre países
observadores da CPLP.
Será igualmente implementado um programa de difusão sistemática de obras referenciais da
literatura portuguesa em traduções diretas e edições internacionais, e consolidada a
presença regular de Portugal em iniciativas internacionais de promoção da literatura e do
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livro, com destaque para a do livro (presença de Portugal como País-Convidado na Feira
do Livro 2020 de Lima, Perú e na Feira do Livro de Leipzig, em 2021, Alemanha).
Apoiar a internacionalização da economia portuguesa, na tripla dimensão de fomento das
exportações, fomento do investimento no exterior e atração de investimento direto estrangeiro
A internacionalização da economia portuguesa constitui-se hoje como uma verdadeira linha
de ação autónoma de política externa e um eixo essencial para a compreensão e o sucesso
global desta última. A internacionalização da economia portuguesa, seja na vertente das
exportações, do investimento no exterior ou da captação de investimento direto
estrangeiro, incluindo o investimento da diáspora portuguesa, em particular nos territórios
de baixa densidade, é fundamental na consolidação do processo de desenvolvimento
socioeconómico do país. Neste contexto, assumirá particular centralidade a implementação
do Programa Internacionalizar 2020-2030, que surge enquanto continuação do Programa
Internacionalizar, com o triplo objetivo de alargar e consolidar a base de empresas
exportadoras, diversificar os mercados de exportação e atingir um volume de exportações
correspondente a 50% do PIB.
Para tal, será necessário proceder à modernização dos sistemas de incentivos ao
investimento estrangeiro, tirando partido, quer das oportunidades e desafios do novo
Quadro Financeiro Plurianual europeu, quer da revisão dos estímulos de natureza fiscal.
Importa ainda melhorar a eficácia dos incentivos não financeiros à localização do
investimento em Portugal.
Adicionalmente, assume particular relevância a consolidação da rede externa da AICEP e a
modernização dos seus serviços, designadamente na área da transição digital e no apoio às
pequenas e médias empresas, apostando nos mercados estratégicos que estão ou poderão
estar na origem de investimento estrangeiro e no aproveitamento das oportunidades
geradas pelos novos instrumentos de política comercial da União Europeia.
Este enfoque na internacionalização da economia portuguesa necessita da existência de
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mecanismos de governação entre os diversos agentes de promoção da internacionalização
da nossa economia, aumentando assim os níveis de coordenação e de impacto das políticas
públicas, bem como os esforços de capacitação para a internacionalização.
Destacar-se-á ainda a participação nacional na Expo Dubai 2020.
5. AGENDA ESTRATÉGICA: ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS E VALORIZAÇÃO
DOS RECURSOS
Diversos estudos indicam que, em virtude da sua posição geográfica, no contexto europeu,
Portugal é um dos países que apresenta maiores vulnerabilidades às alterações climáticas.
Deste modo, o sentido de urgência relativamente à ação climática, fundamentado pelas
sucessivas evidências científicas e reclamada de forma crescente pela sociedade em geral,
resulta, em grande medida, da constatação de que as alterações climáticas são um fenómeno
do presente, noção para o qual têm contribuído os sucessivos eventos extremos – com
elevados custos humanos, sociais e ambientais – que nos afetam já no presente.
Face a esta tendência, e perante a escalada de desafios associados às alterações climáticas,
importa promover, por um lado, a adoção de medidas adicionais de mitigação que
combatam as causas, reduzindo ativamente as emissões de Gases com Efeito de Estufa
(GEE) rumo à neutralidade carbónica do país, e também, por outro lado, a implementação
de medidas de adaptação que promovam uma atenuação dos impactes sentidos, utilizando
este processo como plataforma para a valorização do território. Finalmente, considerando a
finitude dos recursos (e.g. solo, água, ar e biodiversidade) e a degradação dos sistemas
ambientais, prioriza-se, também, a transformação da economia nacional, evoluindo para um
modelo progressivamente mais justo, próspero e eficiente no uso regenerativo dos
recursos. Face a este contexto, progredir para uma economia mais circular e sustentável
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não só é uma resposta nacional face à necessidade global que resulta do desafio colocado
pelas alterações climáticas, como é também uma oportunidade clara para a valorização dos
recursos endógenos nacionais. Ou seja, a resposta nacional neste domínio passa igualmente
pelo reconhecimento estratégico das oportunidades latentes nas adversidades, valorizando
de forma sustentável as potencialidades do nosso território para a economia e para a
criação de emprego. Adiar atuação nestas matérias acarreta uma dupla penalização – a
opção pela inação, e pelo prolongamento no tempo da resposta a prestar, contribuirá não
só para aumentar os custos das potenciais ações corretivas no futuro, como também
poderá penalizar a taxa de sucesso das mesmas.
Consciente desta realidade, Portugal foi o primeiro país a assumir, em 2016, o objetivo da
neutralidade carbónica em 2050 e, mais recentemente, a aprovar um roteiro para a
neutralidade carbónica (Resolução do Conselho de Ministros n.º 107/2019, de 1 de julho),
opção estratégica que importa agora prosseguir, reforçar e executar nesta legislatura, com a
inclusão de medidas centradas na segurança de acesso, gestão eficiente de valorização dos
recursos, na transição energética, no financiamento e na fiscalidade para uma transição
justa, não descurando a proteção e apoio à qualificação e reconversão produtiva, na
proteção e valorização das atividades, e das comunidades e do território e numa nova visão
sobre criação de riqueza e sustentabilidade.
Descarbonizar o nosso modo de vida, valorizar o território e os seus habitats e avançar
para uma economia mais circular são os pilares da política ambiental a seguir, mobilizando
uma resposta forte e plenamente alinhada com os objetivos a que Portugal se propôs no
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âmbito do Acordo de Paris e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 2030.
Num contexto de adaptação às alterações climáticas, apostar numa economia regenerativa e
circular significa também melhorar a resiliência do território, garantir a sustentabilidade do
sistema e, por essa via, reduzir riscos – e custos. Para além da promoção de um mosaico
territorial, estas iniciativas deverão, não só extrair valor do capital natural presente, mas
assegurar a regeneração ordenada desse mesmo capital. Esta área é particularmente
relevante no contexto da valorização do território e dos seus ativos naturais,
particularmente em territórios do interior do país.
5.1. Transição Energética
Portugal assumiu o compromisso de atingir a neutralidade carbónica até 2050 enquanto
contributo para as metas globais e europeias assumidas na execução do Acordo de Paris.
Cumprir este objetivo exige uma redução das emissões de gases com efeito de estufa
superior a 85%, em relação às emissões de 2005, e uma capacidade de sequestro de
carbono de 13 milhões de toneladas. A próxima década concentra o maior esforço de
redução das emissões de gases com efeito de estufa, o que implica a assunção de metas
ambiciosas, mas realistas, de descarbonização, de incorporação de energias renováveis e de
eficiência energética.
Traçar o rumo para a neutralidade carbónica em 2050
Alcançar a neutralidade carbónica até 2050 e promover a transição energética na próxima
década envolve uma concertação de vontades e um alinhamento de políticas, de incentivos
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e de meios de financiamento. Para facilitar esta transição, há que mobilizar um conjunto de
instrumentos legais e de planeamento que permitam obter uma efetiva melhoria ambiental.
Por isso, o Governo irá:
Caminhar para a redução de 45% a 55% de emissões de gases com efeito de
estufa até 2030, concretizando o Plano Nacional Energia e Clima 2030 e o
Roteiro para a Neutralidade Carbónica 2050, cuja execução deve ser sujeita
a uma monitorização contínua, de modo a assegurar o cumprimento
escrupuloso das metas aí definidas;
Promover roteiros regionais para a neutralidade carbónica, que traduzam a
nível regional a ambição colocada a nível nacional;
Prever a elaboração, de 5 em 5 anos, de um orçamento de carbono que
defina, num horizonte plurianual, a afetação das emissões disponíveis e da
capacidade de sequestro de gases com efeito de estufa pelos diferentes
setores de atividade;
Definir uma metodologia de avaliação do impacto das propostas legislativas
e das políticas setoriais na ação climática, incorporando-a nos sistemas de
avaliação legislativa já existentes;
Eliminar licenças, autorizações e exigências administrativas
desproporcionadas que criem custos de contexto sem que tenham uma
efetiva mais-valia ambiental.
Continuar a liderar a transição energética
Liderar a transição energética implica uma aposta inequívoca na produção renovável que,
na próxima década, deverá duplicar a sua capacidade instalada, atingindo um patamar de
80% de renováveis na produção de eletricidade. Acresce que, até 2030, Portugal deverá
alcançar uma meta de 47% de energia de fonte renovável no consumo final bruto de
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energia e uma meta de 20% de energia renovável nos transportes, para o que muito
contribuirá a eletrificação generalizada das atividades económicas, bem como a
incorporação de calor renovável, de biomassa, biocombustíveis avançados e gases
renováveis. Em resultado, pretende-se reduzir a dependência energética em cerca de 10
pontos percentuais, contribuindo de forma significativa para o equilíbrio da balança
comercial. Neste quadro, o Governo vai:
Preparar o fim da produção de energia elétrica a partir de carvão, dando
início a esse processo durante a legislatura, com vista ao encerramento ou
reconversão das centrais termoelétricas do Pego, até 2021, e de Sines, até
2023;
Aumentar a capacidade de produção de energia solar em 2 gigawatts nos
próximos dois anos, dando continuidade aos leilões de capacidade para
novas centrais solares fotovoltaicas, estabelecendo para o efeito um
programa plurianual;
Reforçar a capacidade de produção elétrica dos parques eólicos existentes;
Apostar na produção renovável offshore, continuando a apoiar o
desenvolvimento de projetos de energias renováveis oceânicas e a
experimentação de soluções inovadoras neste campo;
Reforçar as interligações elétricas, na sequência de uma maior eletrificação e
do aumento da capacidade de produção a partir de fontes renováveis,
contribuindo para a segurança do abastecimento;
Fomentar os sistemas híbridos, de forma a otimizar a capacidade existente
nas redes de transporte e distribuição de eletricidade;
Desenvolver comunidades de energia e o autoconsumo coletivo, como foco
na redução de custos com energia, na participação ativa na transição
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energética e no combate à pobreza energética;
Desenvolver o Programa Solar em Edifícios, visando dinamizar o
autoconsumo e produção descentralizada de energia, incluindo em edifícios
públicos;
Assegurar que os novos projetos de produção de eletricidade contribuam
para o equilíbrio financeiro do sistema, garantindo a redução do custo da
eletricidade para os consumidores;
Digitalizar o sistema energético, desenvolvendo redes elétricas inteligentes,
bem como contadores de última geração, com capacidade de sensorização e
comunicação, que suportem a evolução da produção descentralizada, do
armazenamento de energia e da mobilidade elétrica;
Criar condições para o aumento significativo da eletrificação dos consumos
nos diferentes setores de atividade;
Fomentar os sistemas de armazenamento de eletricidade gerada a partir de
fontes primárias renováveis como contributo para a melhoria da segurança
do sistema;
Promover a produção e o consumo de gases renováveis (biometano e
hidrogénio) nos vários setores da economia;
Promover o aumento da incorporação de biocombustíveis avançados, em
termos que sejam sustentáveis do ponto de vista ambiental e económico;
Criar um Fundo para a Transição Energética, agregando os atuais fundos da
área da energia e outros mecanismos de financiamento;
Incentivar sistemas inovadores, apoiando o desenvolvimento de projetos-
piloto de demonstração de novas tecnologias como, por exemplo, o
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aproveitamento de energia cinética em infraestruturas (transportes, águas,
ventilação e arrefecimento) ou o armazenamento energético de renováveis
(pilha de combustível, bateria);
Dinamizar a instalação de clusters à escala industrial para a produção de
vetores energéticos renováveis, com particular enfoque no hidrogénio
verde.
Apostar na eficiência energética
Ao assumir uma trajetória rumo à neutralidade carbónica, Portugal comprometeu-se a
efetuar uma descarbonização profunda do sistema energético nacional. Nesta transição,
assume prioridade a eficiência energética e a redução do consumo de energia, que terá
como pilar fundamental a suficiência energética. Sendo a energia um dos principais fatores
de produção, esta é necessariamente uma aposta com reflexo na competitividade das
empresas, no orçamento das famílias e, a par com outras medidas, na balança comercial.
Portugal propôs-se, assim, a atingir uma meta de eficiência energética de 35% em 2030.
Nos edifícios, os consumos de energia estão genericamente relacionados com o
aquecimento e arrefecimento de espaços, a iluminação e a utilização de equipamentos
domésticos ou de escritório. A transição energética nos edifícios está, assim, associada a
uma eletrificação dos consumos, sejam residenciais ou de serviços, bem como a uma maior
produção renovável, com recurso ao solar para o aquecimento de águas e a bombas de
calor para a climatização de espaços. Nestes termos, o Governo propõe-se a:
Definir objetivos, metodologias e formas de premiar os ganhos de eficiência
por parte de instalações intensamente consumidoras de energia;
Desenvolver uma estratégia de longo prazo para a renovação de edifícios e
para a promoção de edifícios neutros ou de emissões nulas
Prosseguir com o princípio “reabilitar como regra”, elevando os parâmetros
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de sustentabilidade e eficiência do edificado e dos recursos;
Incentivar a instalação de fachadas e coberturas verdes como forma de
promoção de eficiência energética, gestão de água, e qualidade do ar em
estruturas e edifícios;
Estabelecer, na administração central do Estado, uma priorização e um
calendário detalhado de ações de descarbonização, com foco na eficiência
energética em edifícios, frotas e compras públicas, com metas quantificadas
ao nível de cada ministério;
Utilizar a contratação pública como ferramenta para alcançar uma maior
eficiência energética no setor público, valorizando a sustentabilidade das
propostas como critério de adjudicação;
Apostar na reconversão da iluminação pública para soluções mais eficientes
(e.g. LED) e, se possível, que permitam a instalação de outros serviços (e.g.
carregamento de veículos), em parceria com os municípios;
Empregar estratégias alternativas de financiamento de medidas ativas de
eficiência energética, nomeadamente através da contratualização com
empresas de serviços energéticos, que concebem, financiam e executam
projetos de redução de consumos energéticos, sendo remuneradas pelo
valor da poupança assim obtida;
Explorar as potencialidades da energia cinética do tráfego e das
infraestruturas pesadas de transportes, bem como da energia obtida a partir
das redes de transporte de água ou dos sistemas de ventilação e
arrefecimento existentes em grandes infraestruturas urbanas.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Descarbonizar a indústria
O setor da indústria é constituído por uma vasta diversidade de atividades e processos,
derivando as suas emissões, sobretudo, do consumo de combustíveis fósseis e, em alguns
setores, de emissões dos processos químicos envolvidos. Responsável por uma parte
significativa das emissões nacionais, este é um setor particularmente regulado na medida
em que está abrangido pelo Comércio Europeu de Licenças de Emissão (CELE), o
principal instrumento de descarbonização deste setor, que se aplica a 74% das emissões da
indústria. Para além dos significativos contributos ambientais, a descarbonização da
indústria revela-se fundamental para garantir a melhoria da sua competitividade e o reforço
do seu posicionamento estratégico nas exportações. Existem diversas oportunidades para
melhorar o desempenho ambiental neste setor, em particular reduzindo a sua intensidade
energética, aumentando a utilização de fontes de energia renovável, incorporando
processos de baixo carbono, optando pela economia circular e garantindo uma progressiva
eletrificação das atividades industriais.
O comércio europeu de licenças de emissão continuará a ser o principal instrumento de
descarbonização deste setor e um forte motor de inovação, sendo fundamental proteger os
setores expostos a fugas de carbono e criar condições específicas para as pequenas
instalações. Por outro lado, considerando que a digitalização é um dos grandes vetores de
transformação da indústria (para a qual deverá ser considerada o aumento da robotização e
a transformação de alguns setores numa Indústria 4.0 mais digital), é fundamental que esta
seja também direcionada para a eficiência na gestão de recursos, mitigando as emissões
associadas. Neste âmbito, o Governo irá:
Promover o desenvolvimento e a aplicação de roteiros setoriais para a
descarbonização da indústria;
Dinamizar a incorporação de processos e tecnologias de baixo carbono na
indústria, promovendo a inovação e conhecimento no tecido económico
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
nacional, de modo a assimilar a descarbonização e a eficiência de recursos
no âmbito da Indústria 4.0;
Apostar na dinamização de polos de inovação e na criação de novos
modelos de negócio direcionados para a sociedade do futuro;
Fomentar a adoção de fontes renováveis na indústria, designadamente
através da instalação de centros electroprodutores renováveis em espaços
industriais e do consumo de gases renováveis;
Rever o Sistema de Gestão dos Consumos Intensivos de Energia, que
permita uma melhor adequação das medidas e programas destinados a
reduzir consumos específicos, a intensidade energética e a intensidade
carbónica das instalações consumidoras intensivas de energia;
Criar um sistema de incentivos para a eficiência energética baseado no
desempenho e que não promova o uso de combustíveis fósseis;
Regular a possibilidade de exclusão de pequenas instalações industriais do
mercado europeu de emissões de gases com efeito de estufa, mediante o
recurso a estratégias alternativas de descarbonização com efeito equivalente;
Regulamentar a Lei de Bases dos Recursos Geológicos, consagrando no
ordenamento jurídico português os princípios do Green Mining, que dá
prioridade à eficiência e sustentabilidade energética, hídrica e dos materiais
de todos os novos projetos mineiros em Portugal;
Assegurar uma exploração sustentável das reservas de lítio existentes no
nosso país, desenvolvendo um cluster em torno deste recurso, que permita
dar passos relevantes na escala de transformação, ultrapassando a mera
extração e investindo em atividades de maior valor acrescentado no âmbito
da indústria de baterias;
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Dar continuidade ao programa de remediação ambiental das antigas áreas
mineiras abandonadas e degradadas de inegável interesse público.
Mobilizar incentivos económicos à descarbonização
O processo de descarbonização deve, igualmente, mobilizar incentivos económicos que
motivem os agentes, designadamente, associando penalizações aos impactes ambientais
negativos da operação incentivando os agentes económicos a alterar os seus
comportamentos. O comércio europeu de licenças de emissão de gases com efeito de
estufa, em funcionamento desde 2005, constitui o principal exemplo, consistindo num
instrumento de mercado através do qual se atribui um preço à emissão de carbono. Mas a
dimensão do desafio que temos pela frente implica o recurso a outros instrumentos
económicos, tanto no plano fiscal, como no plano financeiro.
Neste sentido, a adoção de uma fiscalidade verde, que garanta que a política fiscal está
alinhada com os objetivos de transição energética e de descarbonização da sociedade, que
incida sobre a utilização dos recursos e liberte a carga fiscal sobre o trabalho, e que
internalize os impactos ambientais e discrimine positivamente os produtos e serviços de
elevado desempenho ambiental, constitui uma premissa fundamental para assegurar uma
transição justa.
Importa ainda eliminar os incentivos prejudiciais ao ambiente, como as isenções associadas
ao uso de combustíveis fósseis, e revitalizar a taxa de carbono, através de um sinal de preço
forte. Em paralelo, as receitas geradas devem ser aplicadas em medidas de descarbonização.
Neste contexto, o Governo irá:
Iniciar um movimento de reequilíbrio fiscal, em linha com o objetivo de
transição justa, mediante a transferência progressiva da carga fiscal sobre o
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trabalho para a poluição e o uso intensivo de recursos;
Prosseguir com a eliminação dos subsídios prejudiciais ao ambiente, em
particular as isenções e benefícios fiscais associados aos combustíveis
fósseis e as isenções de taxa de carbono (exceto quanto ao comércio
europeu de licenças de emissão);
Conferir uma clara vantagem fiscal aos veículos de zero emissões e reforçar
a discriminação positiva dos veículos de melhor desempenho ambiental,
atualizando a tributação em função das emissões de CO2;
Alterar o enquadramento fiscal de modo a que as entidades empregadoras
tenham menos propensão para disponibilizar carros de empresa (ou, pelo
menos, que disponibilizem apenas veículos de baixas emissões) e, ao invés,
mais vantagens em comparticipar a utilização dos transportes públicos;
Promover um consumo sustentável das famílias e das empresas,
discriminando positivamente os produtos e serviços de elevado
desempenho ambiental, designadamente através da instituição de deduções
ambientais e taxas reduzidas para estes;
Estabelecer incentivos para a eficiência energética em particular nos
edifícios de habitação.
Promover um financiamento sustentável
O compromisso de Portugal para atingir a neutralidade carbónica em 2050 e uma economia
mais eficiente no uso dos recursos obriga a encontrar financiamento para projetos que
permitam atingir estes objetivos. O Fundo Ambiental tem sido um exemplo ao concentrar
os recursos dos vários fundos existentes para obter um instrumento com maior capacidade
financeira e adaptabilidade aos desafios colocados, assim permitindo alcançar uma maior
eficácia na política de ambiente.
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A nível internacional, muitas entidades estão já a desenvolver ferramentas e mecanismos
alternativos de financiamento para descarbonizar os seus portfolios, informar investidores e
orientar o investimento num sentido mais sustentável. É, por isso, essencial continuar a
aposta no Fundo Ambiental e, simultaneamente, trabalhar no sentido de alinhar
rapidamente o setor financeiro nacional com estes objetivos. Para isso, o Governo propõe:
Elaborar uma estratégia nacional para o financiamento sustentável,
mobilizando os instrumentos financeiros mais adequados à promoção de
uma economia verde, em linha com o Plano de Ação da Comissão Europeia
para Financiar o Crescimento Sustentável, com participação do sistema
bancário, outras sociedades financeiras e entidades de supervisão;
Desenvolver através da Instituição Financeira de Desenvolvimento, S.A.,
um banco verde, com o propósito de conferir capacidade financeira e
acelerar as várias fontes de financiamento existentes dedicadas a investir em
projetos de neutralidade carbónica e de economia circular;
Definir critérios mínimos de descarbonização (redução de emissões) e de
uso eficiente de recursos (produção de resíduos, reutilização de materiais,
eficiência hídrica e energética) como condição para a atribuição de
financiamento público, não deixando de levar em consideração o processo
de adaptação das empresas;
Definir um enquadramento fiscal que induza à criação de produtos
financeiros verdes atrativos, quer para os cidadãos na aplicação das suas
poupanças, quer para as empresas no investimento em tecnologia e
inovação para produzirem bens e serviços verdes;
Promover a emissão de obrigações verdes (green bonds);
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Fomentar o desenvolvimento de plataformas de microcrédito cujo foco de
investimento seja em soluções de baixo carbono e circulares;
Promover uma maior articulação entre o Fundo para a Inovação,
Tecnologia e Economia Circular (FITEC) e o Fundo Ambiental (FA) no
apoio a projetos de inovação das empresas na área da economia circular e
eficiência de recursos;
Aproveitar todo o potencial do próximo Quadro Financeiro Plurianual em
que pelo menos 25% da despesa deverá ser feita em ação climática, para
apoiar a transição para a neutralidade carbónica.
5.2. Mobilidade Sustentável
Os transportes são responsáveis por 24% das emissões de gases com efeito de estufa e por
74% do consumo de petróleo em Portugal, sendo também uma das principais fontes de
ruído e de poluição do ar, em particular de emissões de óxidos de azoto e partículas, causa
de doenças respiratórias e de um grande número de mortes prematuras.
Perante este cenário, Portugal assumiu o compromisso de reduzir, até 2030, as emissões do
setor em 40%. A prossecução desse objetivo implica, necessariamente, a valorização do
transporte público acessível e de qualidade, com destaque para o transporte ferroviário, a
transição para uma generalização da mobilidade elétrica, bem como a promoção da
mobilidade ativa.
Transportes públicos ao serviço da mobilidade e da qualidade de vida das pessoas
A promoção da transferência modal do transporte individual para o transporte coletivo
revela-se de estrutural importância, não só pelo relevante contributo para a
descarbonização, como também pelos efeitos sociais que induz, ou pelo efeito
determinante que tem na estruturação do território.
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Para esse efeito, para além do esforço de investimento em equipamentos de transporte que
marcou a última legislatura, foi igualmente lançado o Programa de Apoio à Redução do
Tarifários dos Transporte Públicos (PART) – concretizando uma reforma estrutural
marcante neste setor, com contributos significativos para combater o congestionamento
rodoviário, a emissão de gases com efeito de estufa, a poluição atmosférica, o ruído, o
consumo de energia e a exclusão social, atraindo passageiros para o transporte público.
Pelos efeitos positivos que induz, este é um Programa que importa prosseguir. Para esse
efeito, é necessário dar estabilidade ao PART, reforçar os poderes e competências das
entidades intermunicipais em matéria de transporte e investir na mobilidade e nos
transportes públicos. Para tal, o Governo irá assegurar durante toda a legislatura a
estabilidade nominal dos valores dos passes resultantes do PART e definirá um mecanismo
de financiamento do PART, assente numa nova receita própria das entidades
intermunicipais, tendo em vista assegurar a estabilidade desta política.
Neste domínio, é intenção do Governo:
Manter a redução do preço dos passes sociais, em todo o território, através
do PART, com vista a incentivar a opção pelo uso do transporte público
coletivo, discriminando positivamente pessoas com mobilidade reduzida;
Expandir as redes e equipamentos de transporte público em todo o
território com base em fundos europeus, nacionais e municipais;
Dotar as empresas públicas de transportes de uma maior capacidade de
investimento que lhes permita aumentar a oferta, melhorar a qualidade de
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serviço e acompanhar os aumentos de procura esperados;
Continuar a aposta na melhoria da qualidade de serviço, na renovação das
frotas ferroviárias, rodoviárias e fluviais, e no apoio ao desenvolvimento de
sistemas tarifários intermodais e soluções de bilhética integrada e
desmaterializada, que inclua serviços complementares como
estacionamento, aluguer de bicicletas ou outros veículos em sistemas
partilhados e carregamento de veículos elétricos;
Melhorar a qualidade e reduzir o custo das redes de transporte público nas
zonas de baixa densidade, apostando nomeadamente em modalidades de
transporte flexível e a pedido, para que, em situações de baixa procura, seja
possível dimensionar uma oferta variável em função das necessidades;
Incentivar a mobilidade coletiva e sustentável através de planos de
mobilidade em torno de polos de emprego ou outros polos geradores de
deslocações, garantindo ganhos ambientais, de qualidade de vida e
poupanças para as empresas e sociedade;
Garantir transportes públicos acessíveis a todos, designadamente por parte
dos cidadãos com deficiência, incapacidade ou mobilidade reduzida,
mediante mecanismos de incentivo à renovação de frotas que cumpram
normas técnicas de acessibilidade e a eliminação de barreiras arquitetónicas
nas infraestruturas conexas à utilização dos transportes, tais como estações,
paragens, bilheteiras, sistemas de informação relativos a horários, etc.;
Reforçar a oferta de transporte escolar através da criação de mecanismos de
financiamento nacionais e municipais;
Facilitar o transporte de animais nos transportes públicos sem necessidade
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de estes serem colocados em contentores, assegurando sempre a garantia de
condições de segurança e higiene.
Por forma a reforçar os poderes das entidades intermunicipais em matéria de transportes, o
Governo irá:
Reforçar as competências das Áreas Metropolitanas e Comunidades
Intermunicipais enquanto Autoridades de Transporte, nomeadamente
através da transferência de competências do Estado nos modos de
transporte fluvial, metro pesado e ligeiro e ferroviário suburbano,
independentemente de estarem a operar sob gestão direta ou concessionada
pelo Estado;
Transferir a propriedade total ou parcial das empresas operadoras de
transporte coletivo para as entidades intermunicipais (ou para os municípios
que as integram), nos termos que com estas venham a ser acordados;
Definir um mecanismo de financiamento estável e transparente para as
obrigações de serviço público a suportar pelas Autoridades de Transporte
(entidades intermunicipais), tendo por base receitas específicas ou
municipais, no quadro das novas competências a exercer.
Para investir na mobilidade e nos transportes públicos, o Governo compromete-se a:
Concluir até ao fim da legislatura os investimentos previstos no Plano
Ferrovia 2020, como o investimento programado no corredor interior
norte, no corredor interior sul e no corredor norte-sul;
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Assegurar o investimento na expansão dos metros de Lisboa e Porto, no
sistema de mobilidade ligeira do Mondego e na aquisição de material
circulante para os metros de Lisboa e Porto e para o sistema de mobilidade
ligeira do Mondego, para os comboios da CP, e navios para a Transtejo;
Concretizar, no novo ciclo de programação financeira 2021-2023, a
prioridade à mobilidade urbana sustentável, contratualizando os projetos
específicos a desenvolver;
Definir, com sentido de urgência, um programa de investimento dirigido
especificamente à ferrovia suburbana, no quadro de competências das áreas
metropolitanas e comunidades intermunicipais.
Facilitar a transição para a mobilidade elétrica e a descarbonização dos transportes
Sem prejuízo da inequívoca aposta no transporte coletivo e nos modos ativos, não se
ignora o importante papel que o automóvel manterá na mobilidade, antevendo-se, porém,
uma crescente utilização de automóveis elétricos, partilhados e autónomos, facilitada, no
futuro, pela incessante digitalização. Importa, por conseguinte, criar condições para a
inovação e para a penetração de novas tecnologias, sem descurar a função social dos
transportes e o equilíbrio na ocupação do espaço público. Assim, o Governo propõe:
Manter a aposta na mobilidade elétrica favorecendo no plano fiscal os
veículos elétricos;
Reforçar e expandir a rede pública de carregamento de veículos elétricos,
promovendo o processo de abertura ao mercado da rede, e assegurando a
sua expansão a todo o território nacional, a multiplicação do número de
postos de carregamento rápido, designadamente nas estações de serviço dos
principais eixos rodoviários, e uma garantia de manutenção regular de todos
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os postos e considerando as necessidades em territórios do interior;
Estimular a regulamentação municipal de critérios de obrigatoriedade de
instalação de postos de carregamento em zonas residenciais e comerciais,
bem como em outros polos atratores de mobilidade;
Estabelecer um limiar de obrigatoriedade de instalação de postos de
carregamento de veículos elétricos em determinadas infraestruturas de
acesso público, como as interfaces de transportes, incentivando a
intermodalidade;
Facilitar a instalação de pontos de carregamento domésticos e estabelecer a
obrigatoriedade de todos os edifícios novos disporem, nas respetivas
garagens, de pontos de carregamento para veículos elétricos;
Promover a integração dos novos conceitos de mobilidade elétrica ligeira
(e.g. trotinetas, bicicletas), assegurando a segurança na utilização e evitando
conflitos na ocupação do espaço público.
Promover a descarbonização das cadeias logísticas, através do incentivo à
utilização do modo ferroviário, à substituição de frotas de pesados de
mercadorias por veículos mais sustentáveis à implementação de soluções de
logística urbana descarbonizada.
Fomentar a mobilidade suave e os modos ativos de transporte
Promover uma mobilidade urbana mais eficiente, sustentável e integrada passa por uma
forte aposta no transporte público e na sua intermodalidade com a bicicleta, mas também
pela garantia de acessibilidade pedonal universal.
Neste domínio, o Governo irá:
Promover a supressão dos obstáculos ainda existentes ao transporte de
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bicicletas nos transportes públicos, nomeadamente nos barcos, comboios,
metro e autocarros;
Apoiar a criação e expansão de sistemas públicos de bicicletas partilhadas,
promovendo a intermodalidade desses serviços com o comboio, barco,
metro e autocarros;
Apoiar a promoção da mobilidade ativa em meio urbano e a criação de
áreas de baixas emissões ou de zero emissões nas principais cidades, através
de planos e projetos de requalificação urbana e do espaço público;
Desenvolver a Estratégia Nacional de Mobilidade Ativa Ciclável e o
Programa Portugal Ciclável 2030, incluindo, incluindo a definição de uma
rede de infraestruturas de âmbito internacional, nacional,
regional/intermunicipal e local, promotora da mobilidade suave contínua,
conexa, segura e inclusiva;
Dinamizar a criação de uma rede de cidades portuguesas amigas da bicicleta
promovendo a adoção de políticas tendentes à acessibilidade universal deste
modo de transporte;
Estimular a descarbonização das frotas de logística urbana através da
substituição de frota a combustão por bicicletas convencionais e/ou com
assistência elétrica;
Expandir e promover o projeto “Cycling and Walking” transformando
Portugal num destino mundial para rotas pedestres e clicáveis.
Dar prioridade à ferrovia, aumentando o investimento nas redes e serviços ferroviários
Há hoje em Portugal um consenso alargado sobre a necessidade de intensificar a aposta na
ferrovia, contrastando com o foco na rodovia que dominou as últimas décadas. O plano
Ferrovia 2020, que deverá estar concluído até ao final da atual legislatura, assume já essa
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prioridade. Contudo, a decisão de mudar o paradigma do investimento em infraestruturas
demora tempo a produzir os seus efeitos. Os prazos longos de planeamento e execução
destes projetos não são compatíveis com inversões de sentido decorrentes dos ciclos
eleitorais. Assim, para além de um entendimento alargado e estável quanto às prioridades
de investimento, o país precisa de suprir o défice que tem em termos de planeamento
estratégico.
O objetivo de promoção do transporte público deve ser acompanhado de um claro reforço
do investimento nas infraestruturas e nas empresas que prestam serviços de transportes,
que constitui condição indispensável para a transferência de utilizadores do transporte
individual para o transporte coletivo. O caminho de ferro, com a sua grande capacidade,
eficiência e potencial para a velocidade, assume um carácter estruturante das redes de
transportes das áreas metropolitanas e revela-se como um claro elemento indutor da coesão
territorial a nível nacional. Para o efeito, o Governo propõe:
Construir os consensos políticos e técnicos, suportados no trabalho do
Conselho Superior de Obras Públicas, que permitam um planeamento
estratégico dos investimentos, cumprindo um desígnio de interesse
nacional, que vá para além dos ciclos eleitorais;
Garantir um nível sustentado e crescente de investimento em infraestruturas
de transportes, com a conclusão dos atuais programas de investimento,
nomeadamente o Ferrovia 2020, até ao fim da legislatura;
Iniciar os projetos de infraestruturas de transportes previstos no Programa
Nacional de Investimentos 2030, lançando um ciclo de modernização e
expansão de capacidade da rede ferroviária, melhoria do serviço prestado,
reforço da segurança e da eficiência operacional e ambiental, bem como de
promoção da inovação associada à digitalização, à transição energética e à
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sustentabilidade e eficiência das infraestruturas;
Adotar um Plano Ferroviário Nacional que oriente as opções de
investimento no longo prazo, com o objetivo de levar a ferrovia a todas as
capitais de distrito, de reduzir o tempo de viagem entre Lisboa e Porto e de
promover melhores ligações da rede ferroviária às infraestruturas portuárias
e aeroportuárias;
Investir em novo material circulante, ao mesmo tempo que se aposta no
desenvolvimento de capacidade industrial nacional na sua fabricação e
montagem;
Intensificar a integração da economia ibérica através do reforço de ligações
ferroviárias transfronteiriças;
Reavaliar e repensar a organização do modelo de gestão das infraestruturas
ferroviária e rodoviária e a sua relação com os operadores de serviços.
Garantir uma mobilidade segura
Os próximos anos serão marcados pela adoção de modelos de circulação baseados na
mobilidade elétrica e sustentável, determinando novas prioridades nas políticas de
segurança rodoviária que preparem o impacto da transição energética.
Neste sentido, torna-se necessário assegurar o desenvolvimento de medidas direcionadas
para a melhoria da segurança rodoviária nacional, com especial enfoque nos fatores
humanos e nas infraestruturas. Para tal, o Governo irá:
Aprovar o Plano de Segurança Rodoviária 2021/ 2030, atribuindo
prioridade ao uso do transporte público e de formas de mobilidade
sustentável nas zonas urbanas, estabelecendo objetivos e medidas de
prevenção e combate à sinistralidade na rede rodoviária, em alinhamento
com as políticas europeias e mundiais de segurança rodoviária, assegurando
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adicionalmente o aprofundamento da colaboração com as autarquias locais;
Estabelecer programas de segurança e de redução da sinistralidade
rodoviária ao nível das entidades intermunicipais, sujeitos a avaliação regular
por entidades independentes;
Lançar um programa de intervenção rápida nas vias e no espaço rodoviário
em áreas de concentração de acidentes e de coexistência de peões e
veículos;
Antecipar a vigência de regras europeias sobre segurança rodoviária e
critérios ambientais aplicáveis à circulação rodoviária.
5.3. Economia Circular
A economia global funciona à razão de 65 mil milhões de toneladas de materiais extraídos
ao ano. Em 2050, em virtude do crescimento estimado da população e do aumento
previsto de produção de riqueza, prevê-se que seja mais do dobro. Considerando que,
segundo as Nações Unidas, cerca de 50% das emissões de gases com efeito de estufa estão
associadas à extração e processamento de materiais básicos, facilmente se compreenderá
quão pesada é a fatura climática que está associada a um modelo linear de economia.
Neste sentido, a par da mitigação e da adaptação, o sistema de produção e consumo terá
necessariamente de mudar.
A economia circular, por seu turno, enquanto conceito estratégico, visa promover a
eficiência e a produtividade material da economia, substituindo o conceito de «fim-de-vida»
da economia linear por novos fluxos circulares de reutilização, restauração e renovação,
num processo integrado, regenerador de recursos e dos serviços ambientais subjacentes.
Deste modo, é promovida a dissociação entre o desenvolvimento económico e a extração
de matérias-primas e a produção de resíduos.
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A transição de um modelo económico linear, sustentado nos combustíveis fósseis, para um
modelo económico circular e neutro em carbono implica uma transformação social e a
alteração de comportamentos, promovendo um consumo consciente e responsável e
melhorando a sustentabilidade dos processos de produção, a fim de manter o valor de
produtos, materiais e outros recursos na economia pelo máximo tempo possível. Só assim
será possível reduzir o impacto ambiental, minimizar a produção de resíduos e evitar a
emissão de substâncias perigosas em todas as fases do ciclo de vida.
Portugal inovou na União Europeia ao apresentar um Plano de Ação para a Economia
Circular com orientações para três níveis de atuação (nacional, setorial e regional), que
importa agora rever para o ciclo 2030. Para isso, será necessário fomentar a adoção destes
princípios pelos agentes no mercado (dos consumidores às empresas, do setor financeiro
ao Estado), apostando na formação e na inovação dirigida a desafios concretos – do design
às soluções produto-serviço, da remanufatura à reciclagem – com vista a potenciar o
desenvolvimento de novos negócios e tornar a atividade económica nacional mais
sustentável e criadora de emprego.
Incentivar a circularidade na economia
Para que a circularidade da economia seja progressivamente maior não bastará atuar sobre
os resíduos. Portugal está na média europeia na reciclagem, mas tem um desempenho
menos satisfatório na produtividade material e na redução do consumo de matérias-primas
e na sua substituição por materiais recuperados. São, assim, pertinentes medidas que, por
um lado, melhorem a eficiência dos processos e, por outro lado, mantenham os produtos e
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materiais no seu valor mais elevado, ou seja, em uso. Para isso, será necessário abordar os
materiais, a conceção dos produtos e a mudança nos modelos de negócio e no
comportamento dos consumidores. As maiores oportunidades estão nas compras públicas,
já que o Estado é um agente de mudança, na indústria transformadora e na construção,
bem como no design, remanufatura e digitalização, mas também na redução do desperdício
alimentar e na recuperação de materiais. Para atingir estes objetivos, o Governo irá:
Elaborar um Plano de Ação para a Economia Circular para o ciclo 2030;
Desenvolver um Acordo Nacional para Compras Públicas Circulares,
incluindo um plano de formação e compromissos das empresas;
Criar um hub de economia circular em Portugal, apoiando o
desenvolvimento de soluções de circularidade no tecido económico
nacional;
Consolidar e reforçar o apoio aos clusters industriais nacionais em
economia circular, nomeadamente no uso de soluções de digitalização, em
estratégias para o fornecimento de matérias-primas críticas e em novos
modelos de negócio;
Apostar no desenvolvimento de um cluster nacional para a remanufatura e a
sua internacionalização;
Lançar um programa para a eficiência material na indústria, assente em
ferramentas de avaliação e na adoção de sistemas de gestão ambiental,
incluindo o Sistema Comunitário de Ecogestão e Auditoria (EMAS);
Criar incentivos à reparação e manutenção de produtos e equipamentos,
nomeadamente através da disponibilização de informação sobre garantias,
reparação e substituição de peças;
Promover a criação de comunidades sustentáveis, em articulação com os
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municípios, que promovam a inclusão e adotem sistemas coletivos de
reconhecimento de esforço em sustentabilidade;
Incentivar a produção e transação de produtos e serviços com menor
pegada ambiental, com foco na redução, reutilização, recuperação e
reciclagem, no uso de materiais residuais de origem biológica e nos serviços
ambientais para redução e/ou substituição de materiais não renováveis;
Fomentar a circularidade dos setores do retalho, distribuição e restauração,
através do planeamento de um conjunto de iniciativas em articulação com
as estruturas associativas representativas destes setores, designadamente em
matéria de aquisição de competências, da promoção das melhores práticas
ambientais e do contributo destes setores para o combate ao desperdício,
em particular o desperdício alimentar;
Promover ações de educação ambiental e de consumo sustentável
destinadas a sensibilizar os consumidores para formas de consumo
sustentável e induzir a mudança de comportamentos;
Fomentar a circularidade na construção, reforçando os incentivos aos
programas de reabilitação;
Promover a circularidade no sistema alimentar, mediante alterações ao
contexto regulatório para benefício da comunidade.
Promover a bioeconomia circular
Na União Europeia, a bioeconomia circular é uma das peças da Estratégia da Indústria
2030. Portugal é um dos países europeus com maior potencial na área da bioeconomia,
estimando-se que esta represente cerca de 43 mil milhões de euros de volume de negócios e
320 mil postos de trabalho a nível nacional.
A bioeconomia circular, sendo uma componente fundamental de uma sociedade neutra em
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carbono, considera a regeneração dos sistemas naturais (e.g. cortiça) e a extração de
materiais de valor acrescentado a partir de fluxos de materiais orgânicos residuais (e.g.
materiais de embalagem a partir de compostos vegetais).
A agricultura, a floresta e o mar são as principais fontes de material de base biológica que
deverão evoluir no seu perfil de circularidade e de descarbonização, dando lugar a uma rede
industrial de base biológica, de caráter local, com perfil de inovação e orientada para novos
produtos e serviços, sobretudo os que aproveitem a biomassa residual em cascata. Esta é a
bioeconomia com valor acrescentado de longo prazo que melhor garante a valorização do
território, dos habitats e das comunidades locais, com modos de produção e de consumo
mais sustentáveis, podendo mesmo contribuir para a regeneração e melhoria dos serviços
ambientais. Neste campo, o Governo irá:
Desenvolver uma Estratégia Nacional para a Bioeconomia Sustentável
2030, partindo dos três pilares da estratégia europeia de 2018;
Rever o Plano Nacional de Promoção de Biorrefinarias 2030 à luz das novas
orientações europeias, maximizando a eficiência no uso dos materiais
biológicos residuais (por exemplo, lamas de ETAR e de ETA, biomassa
residual florestal e agrícola, etc.) e apostando no investimento em
tecnologias de refinação de macronutrientes e outros compostos (como
azoto, fósforo ou potássio);
Ampliar e diversificar as oportunidades de negócio associadas ao uso
eficiente e regenerativo de recursos locais, em particular nos territórios onde
predomina o capital natural e florestal, que é a base da bioeconomia (e.g.
biomassa florestal, subprodutos da produção alimentar, etc.);
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Desenvolver um programa de aceleração da aquacultura sustentável (animal
e vegetal), numa abordagem de simbiose industrial e de uso em cascata de
subprodutos e efluentes derivados;
Criar programas orientados para o apoio à realização de projetos-piloto, de
prototipagem ou de aumento de escala de soluções de bioeconomia circular
(e.g. embalagens de base biológica ou plásticos biodegradáveis);
Rever os instrumentos de política relacionados com o acesso aos
biorecursos nacionais, designadamente promovendo um inventário
nacional, a criação de um “bio-banco” de espécies e regras abertas,
transparentes e concorrenciais de acesso às áreas marinhas de cultivo.
Melhorar a gestão dos resíduos
Os resíduos representam uma ineficiência do sistema económico – apenas 9% de todos os
materiais, a nível global, são reutilizados ou reciclados, implicando uma perda de valor
significativa. Num contexto em que a escassez de recursos tenderá a agravar-se, a gestão de
resíduos deverá evoluir para uma melhor segregação e extração de materiais, aumentando a
sua qualidade, num contexto regulatório e económico que garanta a reintrodução e a
substituição de matérias-primas, numa lógica circular. É esta a prioridade da política
europeia e deve ser também a prioridade nacional, suscitando oportunidades para a geração
de valor acrescentado e a criação de emprego.
Acresce que este setor representa cerca de 10% das emissões a nível nacional, pelo que é
necessário proceder à concretização de medidas que mitiguem estes efeitos, em
consonância com a hierarquia de gestão de resíduos: redução, reutilização e reciclagem.
Para o efeito, o Governo propõe:
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Elaborar o Plano Nacional de Gestão de Resíduos e o Plano Estratégico de
Resíduos Urbanos (PERSU), ambos para 2030;
Abolir, até ao final de 2020, os plásticos não reutilizáveis (como pratos,
copos ou talheres de plástico, palhinhas ou cotonetes, por exemplo),
antecipando em um ano a aplicação da diretiva europeia, e definindo um
horizonte próximo, mas realista, para a abolição progressiva de outras
utilizações do plástico;
Contrariar os excessos verificados na embalagem de produtos e a
impossibilidade da sua reutilização, designadamente através de critérios de
ecodesign e mecanismos de reutilização, e promover a recolha seletiva
nomeadamente através de sistemas de depósito;
Estimular as empresas a assumirem compromissos voluntários de
eliminação ou redução do plástico utilizado nas embalagens de produtos de
grande consumo, designadamente no setor alimentar, bem como no âmbito
das entregas ao domicílio;
Garantir uma efetiva separação de resíduos em todos os serviços da
Administração Pública e empresas do Estado;
Lançar um programa nacional de prevenção de resíduos, incluindo um
plano de comunicação;
Apostar na redução, reutilização e reciclagem de resíduos, através de
campanhas de informação ao cidadão, designadamente quanto aos
diferentes tipos de resíduos e as respetivas formas de aproveitamento, bem
como de instrumentos de política pública como a taxa de gestão de resíduos
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e sistemas PAYT (pay as you throw);
Promover uma política de gestão de resíduos urbanos assente na
proximidade ao cidadão, melhorando a utilização dos sistemas porta-a-
porta, de ecopontos e ecocentros, e estendendo a recolha seletiva a outros
fluxos de resíduos;
Apoiar o desenvolvimento da rede nacional de recolha e de valorização de
biorresíduos, com soluções coordenadas e adaptadas a cada território,
designadamente com vista à produção de composto para correção de solos
e à valorização de biogás;
Consagrar o princípio da responsabilidade partilhada e da responsabilidade
alargada do produtor, prevendo mais fluxos específicos, mais financiamento
do produtor para o fim de vida e mais responsabilização das entidades
gestoras pelo cumprimento das metas;
Melhorar o processo de classificação de subprodutos, tornando-o mais
expedito para as empresas sem perder a rastreabilidade, e criar mecanismos
para a sua promoção através de simbioses industriais e acordos circulares na
indústria;
Incentivar a recuperação de materiais e componentes na construção, para
aplicação em nova construção ou reabilitação, bem como a criação de um
mercado de matérias-primas secundárias para o setor.
Utilizar melhor a água que temos
As alterações climáticas vão implicar modificações significativas no que diz respeito ao
acesso à água e ao seu estado. Por outro lado, uma procura crescente por este recurso
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
poderá conduzir a acentuados desequilíbrios em termos de oferta e de disponibilidade.
Uma gestão eficiente dos recursos hídricos deve, por isso, prever, acautelar e minimizar o
efeito das alterações climáticas, e garantir o respeito de critérios ambientais,
designadamente no que respeita às captações e às descargas de poluentes. Para tal, o
Governo irá:
Elaborar, até ao final de 2021, os Planos de Gestão das Regiões
Hidrográficas, com a definição de medidas que permitam que todas as
massas de água atinjam o bom estado;
Concluir a elaboração dos Planos de Gestão de Riscos de Seca e dos Planos
de Gestão de Riscos de Inundação;
Rever os Planos de Ordenamento das Albufeiras de Águas Públicas;
Intervir na rede hidrográfica com métodos de engenharia natural, por forma
a melhorar a qualidade das massas de água e a capacidade para resistir a
fenómenos de cheias;
Otimizar a capacidade de armazenamento existente, bem como as
interligações entre os sistemas de abastecimento de água, nomeadamente,
nas bacias hidrográficas do Tejo e ribeiras do Oeste, Sado, Guadiana e
ribeiras do Algarve;
Reforçar o sistema de avaliação das disponibilidades hídricas superficiais e
subterrâneas e da sua qualidade, como base a um planeamento eficiente e
eficaz dos recursos;
Rever as licenças de captação e de descarga dos grandes operadores
económicos, com base no conhecimento da capacidade do meio recetor e
dos efeitos das alterações climáticas, à semelhança da metodologia adotada
no rio Tejo;
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Aprofundar a Convenção de Albufeira, garantindo caudais diários no Rio
Tejo e a gestão conjunta das massas de água comuns;
Reforçar os meios de fiscalização e inspeção das captações e descargas
ilegais;
Promover soluções integradas de tratamento dos efluentes agropecuários e
agroindustriais e de tratamento dos efluentes industriais.
Melhorar a gestão do ciclo urbano da água
A gestão integrada do ciclo urbano da água, incluindo as atividades de abastecimento de
água, de saneamento de águas residuais e de drenagem de águas pluviais, contribui
decisivamente para a qualidade de vida das populações e para a proteção do ambiente.
Contudo, a gestão da água para consumo humano enfrenta grandes desafios nas próximas
décadas. As pressões incluem o aumento da procura e a necessidade de adaptar o setor às
alterações climáticas, ao mesmo tempo que se tenta combater um desperdício que continua
a ser elevado. Com estes objetivos em vista, o Governo pretende:
Garantir o equilíbrio económico e financeiro dos sistemas municipais,
nomeadamente através da agregação dos sistemas de menor dimensão;
Otimizar e aumentar a resiliência dos sistemas de abastecimento público de
água, através da melhoria do desempenho dos mesmos, em particular no
que respeita à redução das perdas de água;
Otimizar e aumentar a resiliência dos sistemas de saneamento de águas
residuais, através da eliminação das ligações indevidas, da adaptação das
ETAR aos fenómenos climáticos extremos e da reutilização de águas
residuais tratadas;
Otimizar e aumentar a resiliência dos sistemas de drenagem de águas
pluviais, através da eliminação de infiltrações indevidas, do amortecimento
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de caudais em períodos de precipitação intensa e do reaproveitamento de
águas pluviais;
Definir indicadores para a drenagem de águas pluviais, à semelhança dos
existentes para os sistemas de drenagem de águas residuais, incluindo-os nas
avaliações anuais de qualidade do serviço prestado pelas entidades gestoras;
Criar um programa específico para a expansão de sistemas de recolha e
tratamento de efluentes em territórios de elevada densidade populacional e
industrial que ainda apresentam baixas taxas de serviço;
Executar a Estratégia Nacional para a Reutilização de Águas Residuais e
elaborar os Planos de Ação para as 50 maiores ETAR urbanas do país até
2020, de modo a que as águas residuais aí tratadas possam depois ser
utilizadas para outros fins (e.g. rega, abastecimento de bombeiros, lavagem
da via pública ou lavagem de carros);
Diminuir a energia consumida nos serviços de águas, através da melhoria da
eficiência energética e hídrica e do aumento do nível de autossuficiência
energética das ETAR e restantes instalações;
Promover o aumento do conhecimento e a capacitação dos recursos
humanos das entidades gestoras dos «sistemas em baixa», prosseguindo a
sustentabilidade e a eficiência dos serviços prestados;
Promover soluções integradas de tratamento dos efluentes agropecuários e
agroindustriais;
Concluir o reforço do fornecimento de água ao Alentejo a partir do
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Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva;
Elaborar a nova estratégia para os serviços de águas (revisão do Plano
Estratégico de Abastecimento de Água e Saneamento de Águas Residuais -
PENSAAR);
Assegurar a realização e implementação de um Plano de Ação para o uso
eficiente da água na agricultura;
Concluir e implementar a estratégia nacional para a gestão das lamas;
Implementar sistemas de modelação, previsão e alerta, assentes no conceito
de smart grids, na gestão do ciclo urbano da água, integrando os dados
obtidos na monitorização em tempo real;
Simplificar a informação constante da fatura da água, adotando uma
linguagem simples e clara para o consumidor e que releve a perceção do
recurso escasso que é a água;
Expandir, em articulação com as autarquias locais, a rede pública de fontes e
bebedouros, cuja localização georreferenciada constará de uma aplicação
eletrónica, permitindo a qualquer pessoa saber onde pode abastecer o seu
cantil, evitando assim a aquisição de água engarrafada.
Difundir o conhecimento e a educação ambiental
A mudança do paradigma pretendida, no contexto da concretização dos objetivos de
descarbonização e transição energética, de transformação do paradigma de produção e
consumo e de adaptação e valorização do território, impõe uma forte aposta no
conhecimento, na informação e na educação ambiental, enquanto fatores decisivos para a
alteração de comportamentos, traduzida em modelos de conduta sustentáveis em todas as
dimensões da atividade humana. Para o efeito, considera-se essencial prosseguir e reforçar
os princípios e pilares previstos na Estratégia Nacional de Educação Ambiental 2020, que
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importa agora prosseguir e reforçar. Assim, o Governo propõe:
Incorporar a vertente de sustentabilidade nos critérios de distinção de PME
Líder e PME Excelência;
Incentivar o desenvolvimento e aplicação de rótulos de informação
ambiental (pegada de carbono, material e hídrica) ao consumidor final,
sobretudo no retalho, promovendo projetos piloto em superfícies
comerciais;
Instituir um conjunto de recomendações para que entidades públicas e
privadas usem melhor a água da torneira;
Avaliar as competências existentes para uma economia neutra em carbono e
circular, com vista a desenvolver uma agenda de novas competências
diferenciadas consoante o nível de formação, desde a alta especialização
(remanufatura, tecnologias renováveis), média especialização (reparação) até
à baixa especialização (recolha);
Criar programas de educação e módulos letivos para promover os temas da
economia circular, da valorização do território e da descarbonização, com
vista à promoção de valores, mudança de comportamentos e preparação
para uma cidadania consciente, dinâmica e informada.
5.4. Valorizar o Território – do Mar à Agricultura e à Floresta
Os impactes das alterações climáticas podem afetar a globalidade das sociedades e dos
setores públicos e económicos nas mais diversas escalas (do global ao local). A perceção de
vulnerabilidade face ao risco que decorre de eventos climáticos extremos – especialmente
num quadro de alterações climáticas – generalizam um sentimento de emergência face a
este complexo desafio.
Sem prejuízo da importância estratégica das estratégias de mitigação, face à consciência
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generalizada de que as alterações climáticas estão já em curso, e que, em certa medida,
alguns dos seus impactes serão inevitáveis, tem vindo a dar-se crescente atenção aos
processos adaptativos.
Os eventos climáticos extremos são responsáveis, recorrentemente, por impactes
significativos nos sistemas naturais, sociais e económicos, sendo potencialmente mais
danosos em situações nas quais a capacidade adaptativa é reduzida. Por exemplo, o
aumento da temperatura e a redução da precipitação, o surgimento de ondas de calor e as
subsequentes secas prolongadas, aumentam o risco de incêndios de grandes dimensões; os
elevados níveis de precipitação concentrados no tempo e no espaço, podem significar
situações de cheias rápidas, sobrecargas do solo, e/ou a deslizamentos de terra; outros
fenómenos meteorológicos extremos, tais como as tempestades ou fenómenos de agitação
marítima intensa, podem incutir danos sociais, materiais e humanos, por efeito de
galgamentos ou de erosão costeira, ou decorrente de fortes rajadas de vento.
Os incêndios de grandes dimensões que ocorreram em 2017 tiveram, como causas
estruturais, o abandono dos sistemas agroflorestais e silvo-pastoris nas áreas rurais, a perda
de valor económico dos recursos florestais e a pulverização da propriedade por inúmeras
parcelas e donos, decorrentes das profundas transformações sociais, económicas e
culturais, que tiveram lugar nos últimos 50 anos.
Sendo inevitável o aumento da frequência e intensidade destes eventos, é também certo
que o território e as atividades que nele assentam nem sempre se desenvolvem ou
organizam considerando estes riscos. Esta condição é particularmente relevante no que diz
respeito à segurança do abastecimento de água, à proteção do litoral e das comunidades
que aí residem, ao ordenamento e gestão do território, em particular, rústico, e à
salvaguarda da biodiversidade. Adaptar significa, por isso, aumentar a resiliência climática,
não só através de intervenções no território, mas também aumentando o conhecimento e a
informação indispensáveis à aplicação das medidas necessárias junto das populações e das
empresas.
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Preparar Portugal para os efeitos das alterações climáticas, colocando na agenda a
adaptação às alterações climáticas
Sem prejuízo do valoroso esforço e dos resultados já obtidos no domínio da mitigação, o
processo de alterações climáticas está instalado e os seus efeitos são já uma realidade
incontornável. Neste sentido, para fazer face a essa realidade com efeitos crescentes, por
muito decisiva que seja a intervenção ao nível da mitigação, essa ação não será suficiente.
Importa percorrer o caminho adaptativo, capacitando a sociedade e o território para
contextos climáticos mais incertos, mais adversos e mais extremos. Por isso, o Governo irá:
• Concretizar as ações constantes do Programa Nacional de Ação para a Adaptação
às Alterações Climáticas (P3AC), designadamente integrando as respetivas medidas no
planeamento setorial e orientando o financiamento para a ação climática;
• Assegurar a cobertura de todo o território nacional com planos ou estratégias de
adaptação às alterações climáticas promovendo a incorporação desta dimensão na
atualização dos Planos Diretores Municipais;
• Desenvolver uma Plataforma Nacional de Adaptação às Alterações Climáticas que
agregue informação sobre efeitos e impactos das alterações climáticas em Portugal,
modelação e cenarização, cartografia de áreas de risco e outras ferramentas de apoio à
decisão;
• Aprofundar o conhecimento e a informação sobre as alterações climáticas
desenvolvendo sistemas de monitorização dos seus impactos e um estudo sobre os seus
efeitos atuais e futuros;
• Ampliar os sistemas de previsão, alerta e resposta de curto prazo, dirigidos às
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populações e entidades públicas, sobretudo nos casos de fenómenos climáticos extremos;
• Capacitar técnicos e decisores para a avaliação de vulnerabilidades e ações de gestão
preventiva e adaptativa;
• Analisar a viabilidade hídrica futura das diferentes tipologias de exploração agrícola
e florestal, incluindo medidas de adaptação das mesmas às alterações climáticas;
• Garantir que a contratação pública que vise prevenir ou reagir a circunstâncias
adversas resultantes de fenómenos climáticos extremos se pode realizar de forma
especialmente simplificada e abreviada.
Ordenar o território e tornar as comunidades mais resilientes
O território está em permanente mutação, em ciclos cada vez mais rápidos, alimentados
por alterações demográficas, pela transformação das atividades económicas e pelos efeitos
associados às alterações climáticas. Para garantir um território e comunidades resilientes,
que possam prosperar, é fundamental gerir esta evolução de modo preventivo, garantindo a
segurança de pessoas e bens, a valorização dos recursos locais e a promoção da
biodiversidade.
O ordenamento e a governança territorial são, por isso, ferramentas essenciais neste
processo e que importa reforçar, através de uma melhor gestão de informação e apoio à
decisão, meios avançados de deteção e alerta e capacitação das populações e instituições
locais. Estas componentes estão já presentes no Programa Nacional para a Política do
Ordenamento do Território (PNPOT). Importa, assim, propor medidas que reforcem e
complementem as ações já em curso, sobretudo na prevenção de riscos e na adaptação às
alterações climáticas. Consequentemente, o Governo irá:
• Desenvolver as medidas do Programa de Ação do PNPOT que asseguram a
concretização dos 10 Compromissos para o Território;
• Promover a revisão dos Planos Regionais do Ordenamento do Território (PROT),
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em linha com o definido no PNPOT, e incluindo a estruturação da rede urbana;
• Assegurar a integração da gestão do risco nos Planos Diretores Municipais,
nomeadamente os riscos de incêndio, de seca, de inundação e de galgamentos costeiros,
bem como promover a incorporação da dimensão adaptação às alterações climáticas nos
instrumentos de gestão territorial;
• Alargar a informação cadastral simplificada a todo o território nacional associando-
a ao cadastro predial;
• Incentivar a diversidade de atividades em áreas rurais através da combinação
virtuosa de floresta, agricultura, pecuária e turismo;
• Promover a abertura e manutenção de corredores ecológicos, com vista à
salvaguarda dos valores naturais e à proteção contra incêndios;
• Lançar projetos e programas dirigidos a sistemas territoriais com prementes
necessidades de estruturação, ordenamento e gestão, como é o caso dos territórios
florestais com elevada perigosidade de incêndio decorrente das suas características físicas e
sociodemográficas, e os territórios de elevado valor ao nível do capital natural,
designadamente as áreas protegidas e as integradas na Rede Natura 2000;
• Identificar e agir de forma consequente nas situações de contaminação do solo,
reduzindo a necessidade de intervenção corretiva do Estado;
• Desenvolver a primeira Estratégia Nacional para o Ruído Ambiente (ENRA);
• Rever a Estratégia Nacional para o Ar (ENAR 2020);
• Desenvolver a plataforma única de pedreiras até 2020, integrando designadamente a
instrução de processos de licenciamento, os pedidos de pareceres a entidades e a
georreferenciação das pedreiras em polígono.
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Fomentar cidades sustentáveis
Uma política pública para as cidades inteligentes e sustentáveis deve ser concebida de
forma integrada e concertada, com a participação de todos os atores relevantes. Só assim,
conjugando diferentes usos e finalidades, com o envolvimento da comunidade, será
possível garantir que as intervenções físicas constituem um instrumento ao serviço da
construção de espaços urbanos aprazíveis e ordenados, bons para viver e para trabalhar,
que promovam a coesão e a justiça social, mas também a competitividade económica e a
sustentabilidade ambiental. Para alcançar este fim, o Governo propõe:
• Transformar o edificado urbano, através da reabilitação e manutenção, e intervindo
no espaço público, promovendo uma maior eficiência hídrica e energética;
• Qualificar o património urbano nas cidades do Interior do país, tornando-as
espaços atrativos para habitar e investir, contribuindo para uma imagem do Interior
positiva e moderna;
• Promover a utilização das coberturas de edifícios para a produção de produtos
hortícolas nas cidades em conjugação com a promoção da biodiversidade e a produção de
energia renovável;
• Incentivar a criação de comunidades sustentáveis, que promovam ativamente a
inclusão, em articulação com os municípios, e que sirvam de exemplo à adoção dos
princípios de sustentabilidade e inovação, adotando sistemas coletivos de reconhecimento
de esforço (ecobairro);
• Desenvolver e reforçar as redes de corredores ecológicos nas cidades, promovendo
a infiltração de água no solo, em combinação com sistemas de hortas urbanas, bem como
fachadas e coberturas verdes;
• Potenciar o nexo cidade-campo, designadamente através da disseminação de redes
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locais de produção e consumo de hortícolas;
• Desenvolver índices de sustentabilidade para as cidades considerando a pegada
ecológica e a biocapacidade.
Reduzir os riscos de catástrofes
Em resultado das alterações climáticas, verifica-se um agravamento do ritmo e a severidade
dos fenómenos meteorológicos extremos. Com o intensificar destes acontecimentos, em
especial os incêndios florestais, os ciclones, as ondas de calor ou as cheias rápidas em zonas
urbanas, torna-se indiscutível a necessidade de abordagens preventivas e de resposta rápida,
que contribuam para diminuir as vulnerabilidades e aumentar a resiliência aos desastres
naturais, mitigando os seus danos. Neste contexto, é de especial importância a promoção
de uma efetiva proximidade junto dos cidadãos, consolidando o patamar local como nível
territorial determinante para fomentar, junto das comunidades, a implementação de
medidas de prevenção e preparação, contribuindo deste modo para uma redução efetiva do
risco.
Neste âmbito, o Governo compromete-se a:
• Intervir no espaço rural, promovendo a diversificação da paisagem e diminuindo a
carga de combustível;
• Aumentar a resiliência a cheias, através de bacias de retenção e de aumento da
capacidade de infiltração, limpeza dos leitos de cursos de água e obras hídricas para caudais
extremos;
• Promover e fiscalizar o cumprimento dos normativos legais de segurança de
barragens;
• Aumentar o grau de preparação para as catástrofes, designadamente através de
campanhas de formação e sensibilização para o risco, que difundam boas práticas (e.g.
redução de ignições), ajudando a disseminar a adoção de comportamentos seguros e de
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autoproteção;
• Fomentar junto dos docentes a utilização do Referencial de Educação para o Risco
(RERisco), de modo a sensibilizar a comunidade educativa para o desenvolvimento de uma
cultura de prevenção;
• Aprofundar a implementação da Estratégia Nacional para uma Proteção Civil
Preventiva, implementando um modelo de governança, gestão e avaliação do risco
coordenado e multissetorial;
• Valorização da atuação da GNR através dos elementos do Serviço de Proteção da
Natureza e do Ambiente e dos Guardas Florestais, reforçando assim a prevenção/
vigilância e a fiscalização do território florestal nacional;
• Modernizar os sistemas de vigilância florestal e de recursos hídricos e os
instrumentos de apoio à decisão operacional;
• Alargar a 100% do território nacional o sistema de videovigilância florestal;
• Reforçar os mecanismos de aviso e alerta precoce para situações de emergência;
• Instalar pontos de água destinados ao combate a incêndios em zonas rurais, tirando
proveito das infraestruturas geridas pela Águas de Portugal, privilegiando o uso de água
residual tratada como fonte hídrica alternativa;
• Aumentar a qualificação, especialização e profissionalização dos agentes de
proteção civil;
• Consolidar o pilar da proteção civil municipal, através de plataformas locais de
redução de risco de catástrofes e iniciativas e parcerias locais de base voluntária para apoio
às atividades de proteção civil, reconhecendo o conhecimento e valorizando os agentes
mais
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Defender o litoral
Considerando os efeitos crescentes das alterações climáticas, com impactes
significativamente mais severos nas zonas costeiras, mas também a densidade populacional,
infraestrutural e económica que caracteriza estes territórios, e atendendo o risco latente
para pessoas, bens e atividades que decorre dessa exposição e das capacidades atuais da
rede atual de infraestruturas de proteção e defesa costeira, importa atuar para o reforço da
proteção costeira, assente na reposição do balanço do ciclo sedimentar e recorrendo, tanto
quanto possível, a mecanismos naturais de controlo de erosão. Particular destaque será
dado ás práticas de adaptação, que passam pela adoção das estratégias de prevenção,
proteção, acomodação e mesmo retirada, enquanto resposta mais adequada aos desafios
que se colocam à gestão integrada da zona costeira. Para atingir estes objetivos, o Governo
propõe:
• Concluir a aprovação e assegurar a execução dos Programas da Orla Costeira
(POC);
• Prosseguir os investimentos com vista à prevenção e redução dos riscos naturais,
em particular nas zonas costeiras de maior vulnerabilidade ao risco, dando continuidade ao
Plano de Ação Litoral XXI;
• Apoiar métodos de renaturalização da orla costeira, designadamente através da
reintrodução de espécies autóctones de proteção, protegendo os recursos e valores naturais
e promovendo a biodiversidade;
• Fiscalizar e intervir no domínio público marítimo, designadamente no que diz
respeito às construções comprovadamente não autorizadas, agindo prioritariamente nas
zonas de maior risco, com a requalificação e preservação dos valores ambientais e
salvaguardando as primeiras habitações em núcleos residenciais piscatórios consolidados.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Conservar a natureza e recuperar a biodiversidade
Portugal possui um património de flora e fauna bastante rico e diverso, associado a uma
grande variedade de ecossistemas, habitats e paisagens. Este capital natural forma uma
infraestrutura basilar, que integra recursos ecológicos indispensáveis ao desenvolvimento
social e económico e à qualidade de vida dos cidadãos, fornecendo serviços críticos como
sejam os ciclos de nutrientes, a polinização ou o controlo natural de pragas.
As alterações climáticas e a atividade humana são fatores que podem, todavia, desequilibrar
estes sistemas. Assim, é fundamental atuar na sua proteção ativa, promovendo atividades
sociais e económicas cujo objetivo explícito seja a recuperação e regeneração da
biodiversidade. Com esta finalidade, o Governo propõe:
• Criar um Provedor do Animal;
• Promover a cogestão das áreas protegidas, envolvendo e valorizando as autarquias,
as instituições de ensino superior e outras entidades locais empenhadas na conservação dos
valores naturais;
• Instituir dinâmicas de participação da sociedade na vida das áreas protegidas,
facilitando a sua visita pelos cidadãos, nomeadamente através da eliminação de restrições
excessivas e desproporcionadas que a dificultem, de programas de estadia de média e longa
duração, de visitas de estudantes e cidadãos seniores, de “experiências” de interiorização do
valor da fauna e flora e da disponibilização de novos meios de divulgação dos parques
naturais;
• Promover a fixação das populações residentes em áreas protegidas, estimulando
práticas de desenvolvimento sustentável, designadamente no setor agrícola e pecuário, e
reabilitando o edificado de acordo com a sua traça original, mas com maior comodidade e
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
eficiência energética, salvaguardando o bem estar das populações e a equidade social e
territorial;
• Melhorar os sistemas de comunicação e gestão de valores naturais, designadamente
sobre o património natural das áreas protegidas, designadamente através de pequenos
investimentos em imóveis, locais de pernoita, infraestruturas de apoio, espaços de
observação da vida selvagem, circuitos e equipamentos de lazer destinados ao visitante de
áreas protegidas com vista à promoção dos valores ambientais e do conforto e da qualidade
da visita;
• Disponibilizar mais e melhor informação, em várias línguas, sobre o património
natural das áreas protegidas, bem como a cobertura de redes de dados móveis, permitindo
a substituição progressiva da informação em suporte físico por informação digital;
• Expandir o projeto-piloto de remuneração dos serviços dos ecossistemas em
espaços rurais para todos os parques naturais, de modo a evidenciar a economia da
biodiversidade e a sua valorização junto dos cidadãos e comunidades locais;
• Desenvolver programas que promovam intervenções de conservação e de
recuperação de espécies (de flora e fauna) e habitats;
• Desenvolver programas de apoio ao restauro de serviços dos ecossistemas em risco,
assim como de restauro de biodiversidade funcional (e.g. polinizadores, plantas medicinais,
habitats aquáticos);
• Reforçar a prevenção e controlo de espécies exóticas invasoras em particular em
áreas protegidas e de doenças e pragas agrícolas e florestais;
• Apoiar a investigação e a inovação ligadas à biodiversidade, designadamente através
dos laboratórios colaborativos, a fim de colmatar lacunas de conhecimento de base e
estimular a inovação de produtos e serviços;
• Assegurar a conservação da biodiversidade e da geodiversidade nas atividades de
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
prospeção, pesquisa e exploração de recursos minerais;
• Valorizar os territórios que constituem as Reservas da Biosfera da UNESCO como
laboratórios vivos de sustentabilidade, promovendo a qualidade de vida dos seus habitantes
e reforçando também a afirmação e a identidade destes territórios classificados;
• Apostar na oferta, qualificação, monitorização e avaliação dos serviços no domínio
do turismo de natureza e outras atividades económicas, nas áreas da sustentabilidade
ambiental, económica e social e da inovação de produto, salvaguardando o património
natural e a identidade cultural.
Promover a sustentabilidade da agricultura e do território rural
Para os grandes objetivos do crescimento, do emprego e do equilíbrio das contas externas,
não podemos dispensar o contributo de uma agricultura moderna, competitiva e inserida
nos mercados, capaz de assegurar uma alimentação saudável no respeito por uma utilização
sustentável dos recursos naturais. Os espaços agroflorestais (terra arável, área arborizada,
matos e pastagens) ocupam cerca de 75% da nossa área terrestre. Para a coesão e resiliência
do território é essencial, em muitas zonas do país, a presença da agricultura, amiga da
natureza, que assegure a ocupação e vitalidade das zonas rurais, em íntima ligação com
outras atividades, desde o turismo ao artesanato.
Assim sendo, as prioridades para uma agricultura e um território rural sustentáveis passam
por aspetos tão diversos que vão desde o apoio ao regadio eficiente e resiliente, como fator
de promoção da competitividade e da previsibilidade da atividade económica, a medidas
para proteger a produtividade dos solos, facilitar o acesso à terra, promover a estruturação
fundiária nos territórios de minifúndio, assegurar a viabilidade da agricultura familiar,
estimular o empreendedorismo rural e a organização da produção e promover novas
formas de comercialização e de distribuição de proximidade. Valorizar a atividade agrícola e
o espaço rural é valorizar o território e o desenvolvimento rural.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Defender uma PAC pós-2020 mais justa e inclusiva
No âmbito da negociação da Política Agrícola Comum (PAC) pós-2020, o Governo
defenderá como grandes objetivos: (i) manutenção da atividade produtiva em todas as
regiões da UE, assegurando a resiliência agrícola, a ocupação e vitalidade das zonas rurais;
(ii) desenvolvimento de uma agricultura eficiente e inovadora, capaz de garantir relações
equilibradas para os agricultores na cadeia alimentar e de satisfazer as necessidades
alimentares e nutricionais dos cidadãos europeus; e (iii) preservação dos recursos naturais
(solo, água, biodiversidade e as paisagens diversificadas do território europeu), bem como
uma resposta concertada para a mitigação e adaptação às alterações climáticas. Para atingir
estes objetivos, no âmbito da negociação da PAC pós-2020 o Governo irá:
• Promover a convergência dos pagamentos diretos do 1.º Pilar da PAC;
• Discriminar positivamente, ao nível dos apoios do 2º Pilar da PAC, o sequeiro,
promovendo concursos separados dos destinados ao regadio e introduzindo critérios não
estritamente financeiros na avaliação dos projetos (coesão territorial, criação de emprego,
viabilização da atividade, serviços ambientais);
• Defender o reforço dos apoios aos pequenos agricultores e melhorar os
instrumentos de apoio à renovação geracional;
• Reforçar o apoio aos agricultores pelo fornecimento efetivo de bens públicos
ambientais no âmbito da sua atividade;
• Melhorar o sistema de controlo da PAC, no quadro da maior subsidiariedade,
visando reduzir ao mínimo as correções financeiras aplicadas pela Comissão;
• Reformar o sistema de direitos de modo a corrigir as distorções que têm provocado
no mercado da terra e do arrendamento.
Apoiar a pequena agricultura e o rejuvenescimento do setor
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Para os grandes objetivos do crescimento, do emprego e do equilíbrio das contas externas,
não podemos dispensar o contributo de uma agricultura competitiva, capaz de assegurar
uma utilização sustentável dos recursos naturais. Porém, para assegurar a coesão e a
resiliência do território, será essencial, em muitas zonas do país, salvaguardar a presença de
uma pequena agricultura que assegure a ocupação e vitalidade das zonas rurais, em íntima
ligação com outras atividades, desde o turismo ao artesanato. Para esse efeito, é
fundamental assegurar a atratividade da atividade agrícola e promover a renovação
geracional e a presença de uma rede de agentes económicos no meio rural, dando
continuidade ao apoio à pequena agricultura, ao rejuvenescimento do tecido social das
zonas rurais, com destaque para o empresariado agrícola silvopastoril e silvícola, e à
promoção e reforço das estratégias e parcerias locais. Como tal, o Governo irá:
• Prosseguir o pagamento por agricultor no âmbito do Regime da Pequena
Agricultura da PAC;
• Prosseguir os pagamentos dos primeiros hectares no âmbito da PAC;
• Prosseguir o montante máximo elegível dos projetos de investimento para os
pequenos agricultores;
• Prosseguir na atribuição do prémio à primeira instalação para os jovens agricultores;
• Implementar as medidas de discriminação positiva previstas no Estatuto da
Agricultura Familiar.
Apostar no regadio eficiente e sustentável
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Em Portugal, a atividade agrícola representa 74% dos usos consumptivos (abastecimento
público, industrial e irrigação) da água, pelo que a eficiência hídrica na agricultura deverá
impor-se como um dos projetos mais relevantes no futuro imediato. As alterações
climáticas vão colocar desafios à água disponível para regadio, pelo que a prioridade à
eficiência hídrica deve estar presente não só nos sistemas de rega existentes, como nos
novos investimentos em curso ou a realizar no âmbito do Programa Nacional de Regadio.
Com esta preocupação, o Governo irá:
• Prosseguir a implementação do Programa Nacional de Regadio, com vista ao
aproveitamento de novas áreas com maior potencial para a irrigação, incluindo o
alargamento do regadio de Alqueva, e lançar a 2.ª fase do Programa, tal como previsto no
Programa Nacional de Investimentos 2030;
• Promover a requalificação dos perímetros de rega existentes, tornando-os mais
eficientes, designadamente por via da redução das perdas de água por percolação e
infiltração;
• Assegurar a realização e implementação de um plano de ação para o uso eficiente
da água na agricultura;
• Rever o sistema de cálculo do tarifário da água para rega, visando potenciar a
utilização das infraestruturas de regadio;
• Monitorizar e avaliar a utilização dos regadios à luz da eficiência hídrica,
identificando e promovendo as culturas que garantam um uso sustentável dos solos nos
perímetros de rega;
• Implementar práticas de regadio que promovam o uso eficiente da água,
designadamente recorrendo a tecnologias de precisão e de monitorização das necessidades
efetivas de água pelas culturas ao longo dos ciclos de crescimento, e ainda fomentar o
recurso a água reciclada tratada.
Promover uma agricultura resiliente
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
A agricultura é um dos setores da economia que estará mais exposto aos riscos associados
às alterações climáticas e à degradação do capital natural, como seja a erosão e a perda de
produtividade do solo ou a escassez e falta de qualidade da água. É fundamental que, cada
vez mais, a exploração agrícola seja desenhada para a regeneração do ecossistema que lhe
está subjacente, constituindo a economia circular um meio potenciador deste objetivo.
Com este objetivo, o Governo irá:
• Fomentar a instalação ou a reconversão para culturas com espécies e variedades
melhor adaptadas às mudanças no clima e mais resistentes aos eventos extremos e à
escassez de água;
• Promover a adoção de medidas de gestão e conservação do solo e de melhoria da
sua fertilidade, como sejam a diversificação de culturas, a adoção de boas práticas de
mobilização do solo e gestão de combustíveis, a incorporação de matéria orgânica e a
aposta em pastagens permanentes semeadas e melhoradas, designadamente as biodiversas e
as de subcoberto;
• Apoiar e dinamizar a apicultura e a silvopastorícia extensiva;
• Promover ações de capacitação e sensibilização dos agricultores para a adoção de
boas práticas no contexto das alterações climáticas, para a necessidade de adaptação do
setor agrícola e para a gestão sustentável dos recursos naturais.
Assegurar uma gestão eficiente do risco
Face às alterações climáticas e num contexto de elevada volatilidade dos mercados, é
essencial responder preventivamente aos fenómenos extremos (climáticos, geopolíticos ou
de alarme nos consumidores), assegurando previsibilidade à atividade económica. Para este
efeito, o Governo irá:
• Incentivar o alargamento da contratação do seguro de colheitas, de acordo com o
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Regulamento do Seguro de Colheitas e da Compensação de Sinistralidade, no âmbito do
Sistema Integrado de Proteção contra as Aleatoriedades Climáticas;
• Criar veículos financeiros voluntariamente contratados por conjuntos de
agricultores com interesses comuns (a nível setorial ou regional) para dar uma resposta
preventiva (através do investimento) ou por compensações a posteriori (regimes de seguros
ou fundos mutualistas).
Evoluir para uma agricultura mais sustentável
O setor da agricultura e da pecuária é fundamental para a economia e para a coesão
territorial, sendo indispensável o seu desenvolvimento, evolução e modernização. Contudo,
sendo responsável por cerca de 10% das emissões nacionais de gases de efeitos de estufa,
deverá também contribuir para a descarbonização da sociedade. Para o efeito, é necessário
promover práticas agropecuárias mais sustentáveis. Neste domínio, o Governo irá:
• Promover o sequestro de carbono em áreas agrícolas, valorizando os serviços de
ecossistemas, a adequada gestão e conservação dos solos;
• Promover a área agrícola em modo biológico;
• Promover a adoção de práticas que conduzam à conservação do solo, à melhoria da
sua estrutura e a um aumento do teor de matéria orgânica, com vista à manutenção e
conservação das funções do solo e à prevenção deste recurso;
• Fomentar a agricultura de precisão, visando uma aplicação eficiente de fertilizantes
e uma gestão eficiente da água e energia;
• Incentivar o aumento do uso de fertilizantes orgânicos e reduzir progressivamente
o uso de fertilizantes sintéticos, promovendo o equilíbrio e ciclos de nutrientes do solo;
• Apoiar a investigação, desenvolvimento e aplicação de tecnologias mitigadoras
associadas com a alimentação animal (digestibilidade e aditivos alimentares);
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• Promover soluções integradas de tratamento dos efluentes agropecuários,
associadas à recuperação de biogás para produção de energia;
• Promover a incorporação de fontes de energia renovável na atividade agrícola;
• Apoiar a inovação e as redes colaborativas de agricultores para a transição
energética e a descarbonização do setor;
• Apostar em estratégias de apoio a uma dieta saudável, bem como de apoio à
produção local e à agricultura familiar, fomentando a produção e consumo de proximidade;
• Promover um programa de investimento público e privado em modos de produção
mais sustentáveis e eficientes.
Promover o equilíbrio nas cadeias de valor agrícolas, pecuárias e silvo-industriais
A tradicional dispersão a montante e a concentração a jusante do setor agrícola, pecuário e
florestal conduzem a poderes negociais assimétricos, sendo essencial para a estabilização
dos rendimentos assegurar relações equilibradas entre os vários operadores na cadeia
alimentar. Para o efeito, o Governo irá:
• Promover a concentração da oferta e o reforço da posição dos produtores na cadeia
de valor, incentivando as organizações da produção a desempenhar um papel consequente
na sustentabilidade das unidades produtivas dos seus associados;
• Estimular a criação de novas organizações interprofissionais;
• Proceder à revisão da regulamentação incentivadora de boas práticas e impeditiva
de práticas comerciais desleais.
Prosseguir a reforma da floresta
Os espaços florestais constituem um elemento vital da paisagem e de sustentação aos
ecossistemas, para além de uma âncora económica, ambiental e social dos territórios,
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suportando a jusante importantes fileiras económicas, como a indústria, o turismo ou a
caça. Para além destes bens e serviços, a que acresce a regulação dos caudais e da qualidade
da água, os espaços florestais asseguram a componente de sequestro de carbono
indispensável para que Portugal possa atingir a neutralidade carbónica. Nas últimas duas
décadas, a capacidade de sumidouro tem sido, em média, de 10 milhões de toneladas de
CO2 por ano, embora possa variar em função da dimensão da área ardida em cada ano.
Assim, num quadro de alterações climáticas, é essencial adotar medidas de adaptação da
floresta, que permitam uma maior resiliência do território, e sobretudo reduzir o perigo de
incêndio, através da diminuição da carga de combustível e da sua continuidade.
O consenso técnico aponta para a necessidade de criar uma floresta ordenada, biodiversa e
resiliente, conjugada com um mosaico agrícola, agroflorestal e silvopastoril, capaz de
prestar diversos serviços ambientais e de sustentar as atividades económicas que lhes estão
associadas, reduzindo significativamente a severidade da área ardida.
A reforma da floresta foi adiada por demasiado tempo. Não há mais tempo a perder e a
atual legislatura será mesmo decisiva para transformar, de vez, o panorama florestal no
nosso país, de modo a evitar tragédias futuras.
Potenciar o sequestro florestal de carbono
Portugal, pela sua localização geográfica, é um dos países da Europa mais potencialmente
expostos às alterações climáticas, bem como um dos que melhores condições possui para
as mitigar pela via florestal graças a uma elevada produtividade primária. Assim, torna-se
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urgente tomar medidas que confiram uma maior resiliência à floresta portuguesa, que
favoreçam a adaptação do coberto vegetal às novas condições climáticas e que assegurem
uma acumulação de longo prazo de carbono atmosférico. Para o efeito, o Governo irá:
• Promover o aumento da área florestal gerida e a reconversão e densificação da área
existente para espécies mais adaptadas ao território, tendo em vista a resiliência aos riscos,
nomeadamente de incêndio;
• Criar incentivos económicos para projetos de sumidouro florestal e outras
atividades no domínio silvícola e agroflorestal que promovam o sequestro de carbono;
• Priorizar e majorar o apoio à instalação, à gestão e à promoção da regeneração
natural de áreas florestais com espécies de crescimento lento, de modo a assegurar uma
acumulação duradoura de carbono atmosférico;
• Promover a utilização de madeira, ou produtos derivados certificados, na
construção e requalificação de edifícios, de modo a assegurar a acumulação de longo prazo
de carbono atmosférico em imóveis e infraestruturas;
• Estudar a introdução de espécies florestais não autóctones, mais adaptadas às novas
condições climáticas, nas regiões do país mais expostas à desertificação física, com vista a
assegurar a acumulação de carbono atmosférico, o revestimento do solo e o reequilíbrio
dos círculos hidrológicos nessas regiões.
Reforçar o papel do associativismo florestal
As Organizações de Produtores Florestais desempenham um papel essencial na gestão
ordenada da floresta. Contudo, tem-se verificado uma disparidade entre a capacidade de
intervenção e operacionalização das diversas Organizações de Produtores Florestais. Para
corrigir esta situação, o Governo irá:
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• Aumentar a área com gestão agregada de pequenas propriedades através de
Organizações de Produtores Florestais;
• Aprofundar os estímulos ao associativismo para a gestão mais racional da
propriedade florestal dos pequenos proprietários, incluindo a gestão da biomassa
combustível;
• Definir uma matriz de avaliação das Organizações de Produtores Florestais, como
forma de avaliar a sua atividade na promoção de uma gestão florestal profissional e na
defesa dos interesses dos proprietários;
• Criar, no Fundo Florestal Permanente, uma linha de apoio à agregação de
Organizações de Produtores Florestais, com vista ao alargamento da abrangência territorial
e ao aumento de recursos disponíveis ao produtor;
• Elaborar contratos programa para a gestão do território pelas Organizações de
Produtores Florestais, incluindo a gestão das operações, a exploração e gestão do fogo
rural, bem como a prevenção e combate a pragas e doenças;
• Estimular as Organizações de Produtores Florestais a ganhar escala na
comercialização de produtos, incluindo matérias-primas florestais e serviços gerados na
floresta, agrofloresta e silvopastorícia;
• Regular o financiamento privado das Organizações de Produtores Florestais, de
modo a impedir conflitos de interesses com a prossecução da sua atividade na defesa dos
interesses dos proprietários florestais.
Promover a gestão profissional conjunta e ordenada das áreas florestais no minifúndio
Embora a grande maioria das áreas florestais de minifúndio se encontre já coberta por
instrumentos de planeamento, como os Planos de Gestão Florestal e Planos Específicos de
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Intervenção Florestal (PEIF), continua a verificar-se desafios relativamente à gestão
conjunta e ao ordenamento. Assim, urge promover uma gestão profissional conjunta das
áreas florestais de minifúndio, com base num modelo de negócio sólido. Para isso, o
Governo irá:
• Priorizar, no Fundo Florestal Permanente, os apoios às Zonas de Intervenção
Florestal (ZIF) para a criação, no seu território, de um modelo de negócio económico e
financeiro global, de longo prazo, que viabilize a gestão da atividade florestal e eventuais
atividades conexas;
• Apoiar, através do Fundo Florestal Permanente, a transformação das Zonas de
Intervenção Florestal em Entidades de Gestão Florestal, de modo a concretizar
empresarialmente a modelação económica e financeira desenvolvida, dando sequência a
uma aposta da anterior legislatura na profissionalização da gestão florestal;
• Reforçar o apoio dos fundos europeus a entidades gestoras de áreas florestais que
possuam um modelo de negócio de longo prazo;
• Implementar um regime de autorização de exploração florestal consentâneo com o
ordenamento da floresta;
• Valorizar o papel do Estado na fileira da floresta, designadamente através da
FlorestGal, empresa pública de gestão e desenvolvimento florestal, dedicada à promoção e
proteção da floresta de titularidade pública ou sem dono conhecido, assegurando uma
gestão profissional e sustentável.
Implementar o sistema nacional de gestão integrada de fogos rurais
Na sequência dos relatórios da Comissão Técnica Independente, designada pela Assembleia
da República, concluiu-se ser necessária uma reforma do modelo de prevenção e combate
aos incêndios rurais, aproximando estas duas dimensões, capacitando e profissionalizando
os agentes envolvidos e garantindo uma maior especialização. Para o efeito, tem vindo a ser
instituído um sistema nacional de gestão integrada de fogos rurais, de âmbito transversal,
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que tornará a nossa floresta mais resiliente. Neste quadro, o Governo irá:
• Estabelecer um modelo de governança multinível com vista à gestão operacional do
risco eficiente;
• Definir e concretizar um programa nacional estratégico de redução de combustível;
• Promover o ordenamento da gestão silvopastoril com apoio à realização de
queimadas controladas e incentivos à adoção de boas práticas de gestão das pastagens;
• Clarificar o quadro de responsabilidades quanto à execução das redes de defesa da
floresta contra incêndios e criar programas para aumentar a segurança do edificado;
• Promover a constituição de Condomínios de Aldeia para a gestão dos espaços
comuns e das faixas de gestão de combustível ao aglomerado, operacionalizado pelas
autarquias locais, em estreita articulação com as associações locais, organização de
produtores florestais e entidades gestoras de baldios;
• Promover a constituição de unidades de gestão, em áreas percorridas por incêndios
de grandes dimensões, de modo a garantir a recuperação do coberto vegetal de forma
ordenada e diversa;
• Reforçar os incentivos financeiros e as penalizações aplicáveis aos proprietários de
prédios urbanos e mistos não edificados, situados entre o aglomerado urbano e os espaços
rurais;
• Estabelecer um programa de comunicação integrada para a valorização social das
atividades florestais e silvopastoris e modificação de comportamentos de risco.
Proceder à identificação e gestão de todos os terrenos sem dono conhecido
O projeto-piloto de cadastro simplificado permitiu constatar que a percentagem de terrenos
sem dono conhecido é elevada. A sua identificação e gestão tornam-se determinantes, de
modo a reduzir significativamente o risco que podem representar para as populações e
permitir aumentar a produtividade e competitividade do setor florestal nacional. Para este
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efeito, o Governo irá:
• Assegurar a implementação do cadastro simplificado em todos os concelhos do
território nacional, de modo a identificar todos os proprietários;
• Promover o aumento de dimensão das propriedades rústicas, fomentando o
emparcelamento;
• Criar um Banco de Terras, tendo por base todo o património fundiário do Estado
disponível (com exceção das matas nacionais), que receberá todos os terrenos sem dono
conhecido provenientes do processo de cadastro simplificado. Estas áreas serão arrendadas
prioritariamente a produtores florestais, agrupamentos de produtores ou empresas, que
demonstrem capacidade técnica, económica e financeira, comprovada que assegure uma
gestão florestal profissional;
• Criar um Fundo de Mobilização de Terras, constituído pelas receitas provenientes
do arrendamento e da venda do património do Banco de Terras, para proceder a novas
aquisições de prédios rústicos com vista à renovação sucessiva do património deste.
Aproveitar a biomassa florestal residual
A valorização energética da biomassa florestal residual justifica-se como forma de apoiar a
gestão ativa da floresta nacional, como forma de produção de energia com base em
recursos endógenos e como forma de promover a descarbonização da economia e
combater as alterações climáticas. No entanto, existem dificuldades na organização do
sistema de gestão de florestal associado à recolha de biomassa florestal residual que
possibilite obter as quantidades necessárias para fazer face aos consumos já instalados. É,
pois, urgente assegurar um fornecimento estável e previsível de biomassa florestal residual.
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Com este objetivo, o Governo irá:
• Considerar a possibilidade de, no contexto do futuro Plano Estratégico no âmbito
da nova PAC, conceder apoios financeiros para a limpeza da floresta, desde que os resíduos
da floresta sejam entregues em centrais de biomassa;
• Promover medidas que permitam melhorar o abastecimento de biomassa florestal
residual no curto prazo ao mercado, juntamente com as indústrias envolvidas na cadeia de
valorização de produtos e subprodutos florestais, as comunidades intermunicipais, os
municípios e as associações comunitárias;
• Destinar a biomassa florestal residual, preferencialmente, para a alimentação de
centrais térmicas descentralizadas de menor dimensão dedicadas ao aquecimento de
equipamentos locais;
• Articular os programas de controlo de espécies vegetais infestantes com as medidas
a serem promovidas de recolha e encaminhamento de biomassa florestal residual.
Atrair investimento privado para o setor florestal
O potencial de produção da floresta nacional é o mais elevado da Europa, pelo que o seu
potencial de rentabilização futura é igualmente elevado. A aposta de investidores em ativos
reais tem sido uma realidade desde a última crise financeira e muitos (tradicionalmente
alheios ao setor florestal) têm vindo a manifestar interesse no investimento em ativos
florestais. Importa, pois, criar mecanismos aptos de atração e de canalização deste
investimento privado para a fileira florestal. Neste âmbito, o Governo irá:
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• Promover criação de Fundos de Investimento Florestais que constituam uma forma
de canalizar investimento privado e assegurar a gestão florestal sustentada nas regiões de
minifúndio e desfavorecidas, apoiando a revitalização e dinamização das economias locais,
em parceria com os proprietários florestais;
• Atribuir aos Fundos de Investimento Florestais um tratamento equivalente às ZIF
na atribuição de apoios públicos, desde que se constituam e invistam maioritariamente em
territórios de minifúndio e em espécies autóctones;
• Criar o Plano Poupança Floresta, que visa estimular o investimento de pequenos
investidores na floresta nacional através de um benefício fiscal, em que o pequeno
investidor poderá efetuar aplicações em Fundos de Investimento Florestais que atuem na
floresta nacional e que utilizem prioritariamente as áreas do Banco de Terras para canalizar
os seus investimentos;
• Criar e regulamentar o Visto Floresta, assegurando, tal como em outros setores de
atividade, a canalização de investimento privado estrangeiro, acima de 250 mil euros, para o
setor florestal.
Valorizar os bens e serviços prestados pelas florestas
As florestas prestam à sociedade diversos bens e serviços, nomeadamente a fixação de
carbono atmosférico, a criação de paisagem, a regulação do ciclo hidrológico ou a
preservação da biodiversidade. Sendo 98% da floresta nacional privada, a remuneração dos
múltiplos bens e serviços prestados pelas florestas não só promoverá a sua proteção, como
poderá constituir uma forma complementar de rendimento dos proprietários florestais,
permitindo a rentabilização do seu investimento. Com o intuito de promover a valorização
dos bens e serviços prestados pela floresta, o Governo irá:
• Aumentar a qualidade e atualidade da informação sobre as florestas e a sua
utilização económica, divulgando-a pública e periodicamente;
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• Desenvolver uma metodologia de avaliação e valorização dos bens e serviços de
ecossistemas, prevendo mecanismos de remuneração (públicos e/ou privados) desses
serviços;
• Estabelecer mecanismos de compensação da perda de rendimento associada à
promoção de serviços ambientais e à redução da vulnerabilidade da floresta;
• Disponibilizar linhas de crédito e programas multi-fundo para a gestão
agroflorestal.
Apostar no potencial do Mar
Portugal é um país constituído por três unidades territoriais que definem um triângulo
cujos vértices se estendem até ao centro do Atlântico Nordeste. A periferia europeia é
assim compensada pela centralidade atlântica. Portugal tem sob sua jurisdição cerca de 50%
das massas de águas marinhas do mar pan-europeu e cerca de 50% dos respetivos solos e
subsolos marinhos. Assim, o posicionamento geoestratégico de Portugal deverá assentar no
desenvolvimento da sua maritimidade e na capacidade de influenciar todas as políticas
marítimas da União Europeia e a nível global para os oceanos.
Porém, os mares e oceanos são também elementos estabilizadores de processos
biogeofísicos, como o do ciclo do carbono, que hoje estão enfraquecidos: acidificação,
aumento da temperatura média, presença de plásticos e menos oxigénio são consequências
da poluição ligada ao uso intensivo de fertilizantes em terra, às descargas de poluentes, às
alterações climáticas, entre outros fatores. Ora, o potencial do mar apenas poderá
concretizar-se se os oceanos permanecerem sistemas sustentáveis e resilientes, de onde se
possa explorar recursos de forma suficiente e eficaz, garantindo a sustentabilidade.
Otimizar a governação do Mar
A Estratégia do Governo para o Mar integra as orientações internacionais para um
desenvolvimento sustentável numa lógica integrada e inclusiva, baseada no conhecimento
científico e na promoção da inovação, assim como na vontade de fomentar a conservação
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dos espaços marinhos numa perspetiva de utilização sustentável dos seus recursos vivos e
não vivos e de preservação dos valores fundamentais do ambiente marinho. Garantir a
resiliência das atividades ligadas ao mar exige governança, planeamento coordenado,
instrumentos de gestão eficazes, flexíveis e simples, para todos os agentes. Apenas deste
modo será possível preservar o mar e, simultaneamente, garantir a base de suporte da
atividade económica a ele ligada e fomentando o crescimento da economia do mar.
Assim, o Governo irá:
• Conceber e implementar a Estratégia Nacional para o Mar 2020-2030;
• Reforçar o acompanhamento e a monitorização da política do mar nomeadamente
através de indicadores e estatísticas na área do mar;
• Prosseguir a interação com a Comissão de Limites da ONU para a concretização da
extensão da plataforma continental portuguesa;
• Divulgar a importância da extensão da plataforma continental de Portugal para a
sociedade;
• Acompanhar as atividades que se desenvolvem no quadro jurídico da Área,
reguladas pela Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos;
• Acompanhar o processo para a adoção de um instrumento internacional
juridicamente vinculativo ao abrigo da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do
Mar sobre a conservação e utilização sustentável da diversidade biológica marinha em áreas
fora da jurisdição nacional;
• Coorganizar com o Quénia a Conferência dos Oceanos das Nações Unidas 2020;
• Reforçar a ação externa de Portugal no domínio do Oceano e da economia do mar
sustentável;
• Promover a realização das atividades de Comemoração do V Centenário da
Circum-navegação comandada pelo português Fernão de Magalhães (2019-2022);
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• Dinamizar o programa para a literacia do Oceano “Escola Azul”;
• Aprofundar o relacionamento com a indústria, as universidades e os centros de
investigação, para reforçar os clusters empresariais e tecnológicos existentes e identificar
novas oportunidades na economia azul;
• Prosseguir a aposta nas energias renováveis oceânicas;
• Adaptar a infraestrutura e fortalecer a capacidade nacional e a resiliência em
resposta à elevação do nível do mar;
• Dar prossecução a um plano plurianual de dragagens e de monitorização de
infraestruturas marítimas dos portos não comerciais, no sentido de manter as condições de
operacionalidade e segurança aos níveis adequados;
• Implementar o Programa Crescimento Azul EEA Grants;
• Implementar novas linhas baseadas em parcerias estratégicas com fontes públicas e
privadas assentes no Fundo Azul;
• Contribuir para a preparação do Portugal 2030 em apoio à política do mar.
Garantir o ordenamento e a sustentabilidade dos recursos marinhos
A necessidade de abordar os impactos humanos na componente marinha do planeta não
depende maioritariamente de fronteiras políticas. No entanto, exige ações, medidas e
soluções regionais e nacionais que corporizem preocupações partilhadas, para que se
cumpram acordos internacionais. Neste âmbito, o Governo irá:
• Implementar o novo Plano de Situação do Ordenamento do Espaço Marítimo
Nacional, visando desenvolver a economia azul de forma sustentada, assegurando a
preservação dos valores ambientais no mar e a proteção dos ecossistemas marinhos
sensíveis, bem como da orla costeira;
• Concretizar a Rede Nacional de Áreas Marinhas Protegidas no mar português e
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definir os seus planos de gestão, de forma a proteger os principais habitats e ecossistemas
marinhos vulneráveis e dar cumprimento aos compromissos assumidos no âmbito das
Nações Unidas de abranger 14% de áreas marinhas e costeiras até 2020 e 30% até 2030;
• Apostar na reflorestação marinha, na defesa da biodiversidade e na criação de
maternidades e recifes artificiais, com vista ao repovoamento das espécies em risco, em
articulação com as áreas marinhas protegidas;
• Promover a inovação para a criação de soluções de big data que suportem a
operacionalização da exploração sustentável dos recursos marinhos vivos e não vivos;
• Criar bancos de recursos genéticos marinhos para valorização económica e facilitar
o desenvolvimento de novos produtos sustentáveis nos diversos campos de atuação, como
por exemplo o alimentar, farmacêutico e indústria química;
• Utilizar redes de sensores e UAVs (Unmanned Aerial Vehicles) para criar mapas em
tempo real e dashboards de emissões e sustentabilidade das operações dos portos e mar
português;
• Criar uma zona piloto de emissões controladas no mar português e de mecanismos
complementares de controlo de poluição, em parceria com a Agência Europeia de
Segurança Marítima.
Apoiar a pesca e a aquicultura inovadora e sustentável
O mar-oceano tem um papel fundamental na segurança alimentar. Com o objetivo de
assegurar sistemas sustentáveis e produtivos, e, por outro lado, garantir a sustentabilidade
dos oceanos, a ciência “pesqueira” revela-se de grande importância. As capturas selvagens
precisam de uma base científica confiável, o futuro dos alimentos depende da qualidade da
ciência, e a qualidade da ciência depende da qualidade dos dados e das medições. De facto,
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após décadas de sobre-exploração e declínio dos mananciais pesqueiros, assistimos a uma
recuperação de muitos mananciais comerciais a níveis de produção sustentável e bom
“status” ambiental – para o qual contribuiu o aconselhamento científico de políticas
adequadas. Considerando o acima exposto, o Governo irá:
• Prosseguir a execução do programa operacional MAR2020, no âmbito das suas
Prioridades Estratégicas: promover uma pesca e uma aquicultura competitivas,
ambientalmente sustentáveis, economicamente viáveis e socialmente responsáveis;
fomentar a execução da Politica Comum das Pescas; promover um desenvolvimento
territorial equilibrado e inclusivo das zonas de pesca e de aquicultura; fomentar o
desenvolvimento e a execução da Política Marítima;
• Continuar a aposta na investigação e conhecimento dos stocks de pescado e sua
evolução, com vista a uma pesca sustentável e de longo prazo nomeadamente através do
navio de investigação “Mar Portugal”, sendo o Programa Nacional de Recolha de Dados
um instrumento privilegiado para melhorar o conhecimento do setor da pesca nas vertentes
biológica, ambiental, técnica e socioeconómica;
• Promover a modernização e reestruturação da frota pesqueira face às reais
oportunidades de pesca, reforçando a utilização de artes de pesca seletivas e biodegradáveis
e aumentando a atratividade e competitividade do setor;
• Dar continuidade à implementação do Plano Estratégico para a Aquicultura
Portuguesa, nomeadamente no que respeita ao ordenamento das áreas com maior potencial
para esta atividade, promovendo o desenvolvimento de novas concessões de aquicultura
nas áreas de expansão previstas no novo Plano de Situação do Ordenamento do Espaço
Marítimo Nacional e das áreas de expansão previstas no novo Plano de Aquicultura em
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Águas de Transição;
• Promover a aquicultura multitrófica, como o cultivo de algas combinado com
pescado e marisco, e a produção aquícola em mar aberto com recurso a espécies
autóctones, produzidas de acordo com melhores regras ambientais;
• Garantir a segurança alimentar dos bivalves, estendendo a monitorização a todas as
biotoxinas, defendendo produtores e consumidores, e apoiando a exportação da
moluscicultura nacional;
• Certificar e divulgar os produtos da pesca e da aquicultura, com diferenciação
positiva para a qualidade biológica e ambiental dos sistemas de pesca, apanha e cultivo e
estender a todo o país as lotas 4.0 e a lota móvel, aumentando o apoio às pequenas
comunidades piscatórias.
Desenvolver uma economia azul circular
Considerando a insustentabilidade ambiental dos modelos lineares de produção, que
penalizam fortemente o meio ambiente e os recursos e que retiram valor potencial à
economia, onerando os agentes económicos, o Governo irá:
• No quadro dos compromissos voluntários de Portugal, nomeadamente
relativamente ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14, e dos princípios da
Economia Circular, combater o lixo marinho através de projetos que promovam boas
práticas no mar, a recolha dos resíduos gerados a bordo e capturados nas artes de pesca e a
criação de infraestruturas adequadas para a sua receção em terra e posterior valorização;
• Promover modelos de negócio baseados na recolha de lixo marinho e na sua
valorização industrial-comercial;
• Promover a inovação na biorremediação do mar, designadamente através de ativos
biológicos-bioquímicos que eliminem os microplásticos e outros agentes poluidores do
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oceano;
• Promover a biotecnologia azul sustentável e biorefinarias azuis, permitindo o
desenvolvimento de novos produtos alimentares do mar e a criação de unidades fabris que
aproveitem e valorizem os subprodutos da pesca e aquicultura;
• Maximizar e atualizar os modelos formativos das diferentes profissões do mar, por
forma a adequá-los às necessidades atuais dos setores respetivos e ao desenvolvimento das
atividades marítimo-turísticas.
Promover a sustentabilidade nas embarcações e instalações marítimas
Atendendo à necessidade de utilizar embarcações mais eficazes, o Governo irá:
• Dar continuidade à política de descarbonização e de redução de emissões
atmosféricas, designadamente nas novas construções de navios;
• Potenciar a aposta em embarcações inteligentes e autónomas através da
incorporação de novas competências digitais nos estaleiros portugueses;
• Promover a inovação de processos de construção e introdução de novos métodos
de fabrico e montagem e de reciclagem mais eficientes em linha com as exigências de
Green Shipping;
• Apoiar a indústria nacional de reparação e construção naval, promovendo a sua
capacidade junto de segmentos de mercado específicos (designadamente short sea shipping,
transporte fluvial, navegação marítimo-turística e de recreio e lazer, plataformas multiusos
para energias renováveis oceânicas ou equipamentos de apoio à aquicultura de deep sea),
com vista a potenciar as exportações;
• Promover infraestruturas inovadoras para a aquicultura offshore, tais como gaiolas
submersíveis para diferentes temperaturas e pressões da água, e de grande escala.
Reforçar a observação e investigação oceânicas
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Precisamos de programas de investigação coordenados e cooperativos nos domínios
oceânico e marítimo, não apenas para entender o funcionamento dos oceanos e seus
ecossistemas, dos quais os seres humanos fazem parte, mas principalmente para gerir a sua
utilização e os riscos que enfrentam. Neste campo, o Governo irá:
• Lançar um novo programa dinamizador para as Ciências e Tecnologias do Mar que
permita atualizar os meios de investigação;
• Apoiar a realização de projetos de investigação e desenvolvimento, bem como a
prospeção de recursos naturais marinhos, nomeadamente através de cruzeiros científicos
no quadro do processo de extensão da plataforma continental;
• Aprofundar as parcerias internacionais para a partilha de conhecimento e
concretização de projetos nos domínios científicos e empresariais, fortalecendo a
participação nacional na Rede Global de Observação da Terra;
• Otimizar a operacionalidade do ROV Luso, atendendo às necessidades que
decorrem do projeto de extensão da plataforma continental;
• Instalar o Observatório do Atlântico, concretizando as parcerias internacionais com
centros de investigação de excelência na área, coordenando com o AIR Centre, e
concentrando o mapeamento e digitalização dos recursos e do conhecimento do mar,
através da monitorização e investigação dos principais processos físicos, químicos e
biológicos que determinam a dinâmica da Bacia do Atlântico;
• Promover iniciativas de desenvolvimento científico e tecnológico para a observação
da atmosfera, da coluna de água e de mar profundo, numa perspetiva integradora dos
processos atmosféricos, oceânicos, geológicos e bio-geofísicos;
• Melhorar a capacidade de previsão da evolução do estado do oceano em todas as
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suas componentes, sujeito à ação da mudança climática, e da sua influência nas ilhas
atlânticas e na economia e segurança das populações costeiras;
• Cooperar com o setor privado (ONG e indústria) para aumentar as observações
oceânicas e a partilha de dados de plataformas industriais que podem ser usadas para apoiar
a identificação e previsão de perigos;
• Desenvolver um programa de conhecimento e proteção das espécies marinhas em
risco, nomeadamente através do mapeamento e descrição do respetivo genoma, incluindo
um resumo em escala regional sobre como a distribuição de espécies mudará com a
mudança climática;
• Criar uma iniciativa nacional para a cartografia dos fundos marinhos e identificação
dos recursos marinhos (vivos e não-vivos);
• Desenvolver um banco de dados da distribuição geográfica de atividades no
oceano.
Renovar o Simplex do mar
Trabalhando para reforçar os processos de simplificação administrativa das atividades do
mar, importará prosseguir este caminho, tornando o exercício destas atividades mais fácil e
apelativo. Para o efeito, o Governo irá:
• Ampliar a desmaterialização de procedimentos no acesso às atividades no mar,
através da utilização do Balcão Eletrónico do Mar e Sistema Nacional de Embarcações e
Marítimos;
• Implementar a medida “Embarcação na hora”, que permitirá o registo inicial rápido
de embarcações na bandeira portuguesa, envolvendo todas as entidades do Estado com
competência na matéria;
• Desmaterializar o processo de ensino, certificação e relação com os marítimos, com
a introdução de uma nova geração de certificados de competências digitais e criação do
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Documento Único do Marítimo;
• Simplificar e desenvolver uma nova metodologia de licenciamento da pesca mais
sustentável, com introdução do novo Documento Único de Pesca (DUP);
• Desmaterializar os diários de bordo nos navios que arvoram a bandeira portuguesa
e alargar o novo Diário de Pesca Eletrónico (DPE+) a toda a frota aplicável através da
instalação de equipamentos Vessel Monitoring System (VMS) de última geração;
• Implementar um modelo de aprovação de projetos de construção e de remodelação
de embarcações e novas estruturas oceânicas mais simplificado, rápido e totalmente
desmaterializado;
• Eliminar a exigência de licenças desportivas para participação em competições
náuticas que não envolvem atletas de alta competição.
6. AGENDA ESTRATÉGICA: SUSTENTABILIDADE DEMOGRÁFICA E
MELHOR EMPREGO
A complexidade das perspetivas de evolução demográfica e da renovação de gerações não é
apenas portuguesa, nem recente, nem se deve apenas a problemas novos ou ultimamente
agudizados.
Por um lado, praticamente todos os países desenvolvidos enfrentam cenários de
envelhecimento da população, em particular na Europa, embora com declinações e graus
de incidência variáveis.
Por outro lado, o atual cenário demográfico não sendo de hoje, agravou-se durante a crise e
com o programa de ajustamento: não apenas a já muito baixa natalidade se comprimiu
ainda mais, como o saldo migratório piorou dramaticamente, seja por terem saído do país
centenas de milhares de pessoas (muitos jovens e jovens adultos), seja por ter diminuído
muito a imigração, dado que o país deixou de gerar oportunidades de emprego.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Por último, o atual quadro demográfico é também produto de evoluções positivas: a
diminuição da mortalidade, o aumento da esperança média de vida e a generalização das
expectativas de uma vida com qualidade e dignidade, decorrente da melhoria
incomensurável dos cuidados de saúde, da educação e dos padrões de bem-estar e dos
sistemas de proteção social, que também justificam o envelhecimento populacional. Além
disso, existe uma propensão para a diminuição estrutural da natalidade nas sociedades
desenvolvidas, criando um problema de renovação natural da população, de alteração do
equilíbrio entre gerações e, em geral, de envelhecimento.
Assim, a capacidade para atuar sobre as diferentes frentes da equação demográfica será
determinante para evitar cenários dramáticos e minimizar as consequências das tendências
atuais. Para isso, está em causa um problema de quantidade (e de saldos naturais ou
migratórios) mas, também, de qualidade de vida das pessoas e de coesão social nas
diferentes fases da vida, mobilizando diferentes campos das políticas públicas. O Governo
defende que essas medidas terão de passar por:
• Assegurar estabilidade laboral e a possibilidade de formular projetos de vida e ter
boas condições para tomar as decisões desejadas sobre ter filhos;
• Promover condições efetivas de exercício da parentalidade e de conciliação entre o
trabalho e a vida familiar e pessoal, através da melhoria dos equilíbrios do mercado de
trabalho e da melhoria do acesso a serviços e equipamentos de apoio à família;
• Melhorar o acesso aos cuidados de saúde e da proteção social e sua qualidade,
desde a fase pré-natal, incluindo a procriação medicamente assistida, até à capacidade de
assegurar dignidade das condições de envelhecimento;
• Assegurar boas condições de vida aos cidadãos seniores, garantindo-lhes serviços
públicos de elevada qualidade, capazes de oferecer respostas especialmente vocacionadas
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
para as suas necessidades;
• Adotar uma política consistente e eficaz no campo das migrações, assegurando uma
boa regulação dos fluxos e a atratividade do país para novos imigrantes e para o regresso
dos emigrantes e seus descendentes;
• Garantir um acolhimento digno, inclusivo e respeitador da diversidade de quem
procura o nosso país com a aspiração de construir melhores condições de vida para si e
para a sua família, recusando pactuar com atitudes xenófobas ou ceder à demagogia.
6.1. Natalidade
Sendo a diminuição da natalidade e da fecundidade um traço comum dos países
desenvolvidos, Portugal encontra-se entre os casos em que estes níveis mais desceram nas
últimas décadas. As condições para as pessoas desenvolverem os seus projetos de vida,
designadamente terem e criarem os seus filhos em Portugal, têm sofrido bloqueios
estruturais significativos (como, por exemplo, ao nível da precariedade laboral nos jovens e
salários baixos) e os impactos desta tendência, a longo prazo, poderão pôr em causa o
potencial de crescimento da sociedade portuguesa e a sustentabilidade dos sistemas de
segurança social.
O objetivo das diferentes políticas públicas (habitação, emprego, proteção social,
transportes, saúde) nesta matéria é, por isso, ajudar a criar condições para que as famílias
possam ter os filhos que desejam ter, permitindo-lhes desenvolver projetos de vida com
maior qualidade, segurança e melhor conciliação entre trabalho e vida familiar e pessoal.
Trata-se não só de uma política para melhoria das perspetivas demográficas do país, mas de
uma verdadeira política de família, visando a promoção do bem-estar numa sociedade mais
consentânea com as aspirações e projetos de cada pessoa.
Reforçar os apoios às famílias, facilitando a opção pelo segundo e terceiro filhos
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Um dos principais constrangimentos ao aumento da natalidade prende-se com a
dificuldade ou receio que muitas famílias sentem na opção de ter um segundo ou terceiro
filho. Por isso, é imperativo apoiar as famílias, dando-lhes melhores condições para
tomarem livremente esta decisão. Para tal, o Governo irá:
• Aumentar as deduções fiscais no IRS em função do número de filhos (sem
diferenciar os filhos em função do rendimento dos pais);
• Fazer um amplo debate em sede de concertação social, com vista a alcançar um
acordo global e estratégico em torno das questões da conciliação entre o trabalho e a vida
pessoal e familiar, da natalidade e da parentalidade, incluindo na negociação coletiva temas
como o teletrabalho, os horários de trabalho, licenças e outros instrumentos de apoio à
conciliação.
Reforçar o acesso a serviços e equipamentos de apoio à família
Portugal é dos países europeus com uma das mais elevadas taxas de emprego a tempo
inteiro (de mulheres e homens), tendência que resulta do processo intenso de
modernização da sociedade portuguesa nas últimas décadas. É, também, um dos países em
que a taxa de cobertura de equipamentos sociais de apoio à família, e em particular de
apoio à infância, decisivas para a conciliação entre trabalho e vida familiar, ultrapassa as
metas europeias de Barcelona.
No entanto, a cobertura da rede apresenta ainda desequilíbrios e lacunas, em particular nas
áreas metropolitanas, e o preço continua a ser um condicionamento significativo na vida
das famílias portuguesas, sendo um dos fatores que explicam o adiamento do segundo
filho. Acresce que, em Portugal, o número de horas de trabalho semanais é dos mais
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elevados e persistem, ainda, desigualdades significativas entre homens e mulheres na
repartição do trabalho não pago e na conciliação entre trabalho e vida familiar e pessoal.
Deste modo, o Governo propõe:
• Criar o complemento-creche, atribuindo a todos os portugueses que tenham filhos
nas creches um valor garantido e universal que apoie a comparticipação das famílias no
preço da creche a partir do segundo filho;
• Incentivar os grandes empregadores, com estruturas intensivas em mão-de-obra, a
disponibilizar equipamentos ou serviços de apoio à infância aos respetivos trabalhadores;
• Promover, em parceria e com o envolvimento de diferentes atores, incluindo os
municípios, um programa de alargamento das respostas sociais de apoio à família, em
particular para a infância e com especial incidência nas áreas metropolitanas, onde a
cobertura da rede tem maiores fragilidades, designadamente estimulando o alargamento da
rede de creches;
• Concretizar a universalização do ensino pré-escolar;
• Garantir que, no pré-escolar, é dada a possibilidade a todas as crianças até aos 3
anos de dormirem a sesta;
• Estimular a existência de uma rede de equipamentos sociais que assegurem
complementos de horário ao tempo de funcionamento normal, para os pais que trabalham
em horários menos típicos;
• Adotar sistemas de inscrições transparentes para os pais em creches que recebam
financiamento público, por forma a garantir que todos têm tratamento igual no acesso a
equipamentos financiados com dinheiros públicos.
Melhorar o regime de licenças como instrumento de promoção da parentalidade e de
conciliação entre trabalho e vida familiar e pessoal
O gozo de licenças é um dos direitos mais importantes no âmbito dos cuidados familiares
e, em particular, da parentalidade, cujo uso está amplamente disseminado entre nós.
Portugal tem hoje um regime de licenças estabilizado, de prazos razoáveis e com uma taxa
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de substituição de rendimentos significativa, tendo introduzido mecanismos inovadores de
estímulo à partilha das licenças entre homens e mulheres. Além do alargamento do tempo
exclusivo do homem, em pouco mais de uma década, quase 40% dos homens passaram a
utilizar tempo de licença para além do obrigatório por lei em pouco mais de uma década.
Porém, há um caminho a percorrer a este respeito. Devemos valorizar socialmente as
licenças e a sua utilização em contextos que não apenas o da parentalidade inicial, com vista
a reforçar o envolvimento equilibrado na parentalidade por parte de homens e mulheres.
Neste sentido, o Governo vai:
• Aprofundar a lógica de partilha das licenças de parentalidade, incentivando os
homens a utilizar progressivamente mais tempo de licença, com o objetivo de que venham
a partilhar pelo menos 40% do período de licença de parentalidade;
• Permitir uma utilização mais flexível das licenças de parentalidade, designadamente
admitindo a sua conjugação com trabalho a tempo parcial, em termos que assegurem a
partilha de responsabilidades entre os pais;
• Reforçar as licenças complementares de apoio familiar, incorporando um
mecanismo de promoção da igualdade de género no uso dessas licenças;
• Fortalecer os modelos da licença parental complementar e para assistência a filhos,
nomeadamente tornando-os mais exequíveis, especialmente no caso de serem partilhados
entre homem e mulher e em situações de monoparentalidade.
Promover um melhor acesso à procriação medicamente assistida e aos cuidados materno-
infantis
Nas últimas décadas, diferentes fatores de ordem económica e social têm vindo a limitar
significativamente a possibilidade de os pais com níveis de fertilidade ainda significativos
terem filhos. Entre esses fatores está uma maior dificuldade de estabilização dos horizontes
profissionais dos jovens e o consequente adiamento do nascimento dos primeiros filhos
para os 30 anos da mulher. Os programas de procriação medicamente assistida podem
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constituir um mecanismo de reparação e de última oportunidade para trajetos de vida que
contemplem a existência de filhos, mas permanecem de acesso limitado, até pelo seu custo
fora do SNS. Ora, quer por razões demográficas, quer por razões de justiça social, o
alargamento destes programas constitui-se como um imperativo político, diminuindo as
barreiras atualmente existentes em termos etários, de número de ciclos de tratamento e de
estado civil de quem acede.
Há ainda que melhorar a literacia em saúde no que diz respeito aos processos de gravidez e
parto, contribuindo para a dignificação e humanização do nascimento e dos cuidados
materno-infantis, ao que acresce a necessidade de assegurar mais e melhores cuidados pós-
natais. Para cumprir estes objetivos, o Governo irá:
• Alargar os programas públicos de acesso à procriação medicamente assistida;
• Facultar maior informação e liberdade de escolha do método de parto, assumindo
desde logo como objetivo a redução da incidência de cesarianas;
• Reforçar o apoio e acompanhamento pós-parto no âmbito do SNS, através de um
programa específico para o efeito.
6.2. Emprego
O mercado de trabalho é o gerador de bem-estar mais poderoso nas nossas sociedades. É
através dele que as empresas encontram as pessoas e as qualificações que lhes permitem
criar valor, riqueza e empregos. E nele reside a fonte de rendimentos, de carreira e de
qualidade de vida de milhões de pessoas.
Por isso, criar condições económicas, sociais e de confiança para garantir um mercado de
emprego dinâmico e robusto é fundamental. Mas não é menos fundamental assegurar que
esse mercado é inclusivo e cria oportunidades para todos, que não gera insegurança e
instabilidade na vida das pessoas e que permite o acesso aos padrões de bem-estar e aos
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projetos de vida que cada um ambiciona ter para si, incluindo a parentalidade. Igualmente
fundamental é garantir condições para uma efetiva conciliação entre o trabalho e a vida
pessoal e familiar, dimensão com peso na tomada de decisão sobre ter ou não ter filhos.
Aprofundar o combate à precariedade, a negociação coletiva e os meios de resolução de
litígios
Portugal tem um nível excessivamente elevado de contratação não permanente, em
comparação com outros países europeus, especialmente entre os jovens.
Na última legislatura, foi aprovado um pacote de medidas para reforçar a negociação
coletiva e, pela primeira vez, reduzir os níveis de precariedade no mercado de trabalho,
numa perspetiva de reforço de direitos dos trabalhadores. Foram também dados passos
relevantes na seletividade e focalização das políticas ativas de emprego e no reforço do
quadro inspetivo da Autoridade para as Condições do Trabalho, pelo que se vai aprofundar
o combate à precariedade e fortalecer a dimensão coletiva das relações de trabalho e de
acesso a uma justiça ágil e eficaz. Para isso, o Governo compromete-se a:
• Promover o diálogo social com vista ao reforço das medidas de combate à
precariedade, à redução dos níveis de insegurança no mercado de trabalho e ao
relançamento da negociação coletiva, desde logo assegurando a avaliação das medidas já
tomadas neste âmbito;
• Reforçar os mecanismos de prevenção de conflitos laborais, em especial no âmbito
da negociação coletiva;
• Reforçar os mecanismos de garantia de informação aos trabalhadores no âmbito da
nova diretiva europeia das condições de trabalho justas e transparentes, nomeadamente no
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que diz respeito à definição de local e horário de trabalho;
• Aprofundar as exigências dos estágios profissionais apoiados, de modo a concentrá-
los cada vez mais nas empresas que promovam o efetivo aumento de empregabilidade dos
beneficiários;
• Assegurar que os estagiários apoiados recebem mais do que o valor da bolsa
atribuída pelo Estado para a obtenção do grau, nomeadamente no caso dos doutorados,
aumentando assim a diferenciação dos níveis mais elevados de qualificação como sinal para
o mercado;
• Melhorar a regulação dos estágios profissionais não apoiados, de modo a prevenir
fenómenos de utilização indevida desta figura;
• Reavaliar, com os parceiros sociais, a utilização do fundo de compensação do
trabalho, a fim de melhorar o seu enquadramento e impactos nas relações laborais;
• Prosseguir o reforço da capacidade inspetiva da Autoridade para as Condições do
Trabalho, incluindo através de mecanismos legais que agilizem a contratação externa de
inspetores e consagrem reservas de recrutamento mais duradouras, com vista a assegurar o
cumprimento, a médio prazo, do rácio recomendado pela OIT no que toca ao número de
inspetores para o volume total de emprego;
• Permitir uma maior interconexão de dados entre a Autoridade para as Condições
do Trabalho e outras entidades relevantes, nomeadamente a Segurança Social e a
Autoridade Tributária e Aduaneira, e implementar um novo sistema de informação na
inspeção do trabalho, de modo a, simultaneamente, reforçar a capacidade e eficácia
inspetiva da atuação da Autoridade e eliminar o envio da mesma informação e
documentação a entidades públicas;
• Penalizar as empresas condenadas por incumprimentos muito graves ou
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reincidência em ilícitos graves no campo das relações laborais, nomeadamente pela
introdução de fatores de ponderação no acesso a concursos públicos e a políticas ativas de
emprego, bem como aquelas que adotem práticas de dumping social, alargando a
metodologia dos referenciais mínimos de trabalho digno, mediante cooperação entre os
parceiros sociais e a Autoridade para as Condições do Trabalho, com sinalização desta em
caso de incumprimento;
• Trabalhar, em estreito diálogo com os parceiros sociais, na configuração de
modelos de resolução alternativa de litígios, tanto na dimensão coletiva como na dimensão
individual dos conflitos laborais, partindo da boa experiência do colégio de árbitros já
existente no Conselho Económico e Social, com ancoragem na negociação coletiva e com
garantia dos direitos fundamentais de acesso à justiça.
Melhorar a regulação dos horários na conciliação entre trabalho e vida familiar e pessoal
Num país onde o trabalho a tempo inteiro, e com prevalência de horários longos, é a regra
para a esmagadora maioria dos trabalhadores (quer dos homens quer das mulheres), a
capacidade para conciliar o trabalho com a vida familiar e pessoal joga-se muito nas
possibilidades de gestão dos horários de trabalho. Por isso, compete às políticas públicas
fomentar uma nova cultura empresarial de gestão dos tempos de trabalho que associe à
flexibilidade dos horários nas empresas (muitas vezes necessária para o seu bom
funcionamento) a flexibilidade de que os trabalhadores também precisam, em particular
para a conciliação entre o trabalho e a vida familiar e pessoal. Neste âmbito, o Governo
propõe:
• Aumentar a margem de acesso à gestão flexível dos horários, como horários
reduzidos, concentrados, ou teletrabalho, e dispensas de trabalho por parte dos
trabalhadores, em especial em situações de parentalidade e de apoio a familiares ou
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dependentes, de modo a aumentar a capacidade quotidiana de conciliação entre trabalho e
vida familiar;
• Discutir com os parceiros sociais a possibilidade de fazer depender de autorização
expressa dos trabalhadores a aplicação de regimes de adaptabilidade de horários de trabalho
e bancos de horas a trabalhadores com filhos menores até 12 anos ou filhos com
deficiência ou doença crónica, podendo esta possibilidade ser ajustada às realidades
setoriais e empresariais apenas através de negociação coletiva de base setorial ou
empresarial;
• Tornar mais exigentes e densificados na legislação os critérios de emissão dos
despachos de laboração contínua e reforçar a capacidade de fiscalização da sua aplicação,
de modo a assegurar que a laboração contínua é efetivamente utilizada apenas em situações
que a exijam;
• Regular de forma equilibrada o direito ao desligamento, como fator de separação
entre tempo de trabalho e tempo de não trabalho, promovendo assim uma melhor
conciliação entre vida familiar/pessoal e vida profissional.
Apostar em políticas ativas para um mercado de emprego mais inclusivo
A qualidade e estabilidade dos vínculos laborais constitui um fator decisivo no desincentivo
à emigração e de encorajamento dos jovens adultos para a construção dos seus projetos de
vida. As políticas ativas de emprego são, por isso, importantes instrumentos de apoio à
empregabilidade e à qualidade do emprego, pelo que é necessário continuar a apostar nestas
políticas como mecanismos de garantia de promoção do emprego sustentável, em
particular em grupos e em territórios de maior vulnerabilidade. Para alcançar estes
objetivos, o Governo irá:
• Aprofundar a lógica de seletividade e focalização das políticas ativas de emprego
nos jovens, desempregados de longa duração e territórios de baixa densidade, bem como
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na atração de trabalhadores para o nosso país, tendo em conta o atual nível desemprego e
as consequentes dificuldades de recrutamento;
• Lançar um programa nacional de mercado social de emprego, com ancoragem em
projetos específicos de cariz territorial, para a criação de emprego em zonas deprimidas ou
destinado a públicos mais vulneráveis, quer para reforçar a atratividade e a coesão dos
territórios de baixa densidade, quer para promover a mudança e o combate aos fenómenos
de exclusão social e pobreza nos espaços urbanos mais complexos do ponto de vista social
e económico;
• Reforçara capacidade de intervenção das políticas ativas em contextos urbanos mais
complexos do ponto de vista social, em articulação com políticas de apoio social e outras
áreas das políticas públicas;
• Melhorar os mecanismos de sinalização dos jovens NEET (que não estudam, não
trabalham, nem estão em formação profissional), de modo a dar resposta precoce aos
riscos de exclusão prolongada;
• Desenvolver um programa de incubadoras que potenciem a criação de emprego
para desempregados de longa duração e jovens NEET assente baseia na constituição de
equipas organizadas e orientadas para a procura ativa de emprego em grupo (programa
inspirado no modelo das lançadeiras já testado em Espanha);
• Introduzir mudanças nos contratos de emprego-inserção para reforçar a articulação
com a dimensão de formação e qualificação, limitar o número de apoios por referência ao
quadro das entidades promotoras e premiar as entidades que tiverem melhores índices de
empregabilidade dos destinatários destas medidas;
• Repensar o papel dos gabinetes de inserção profissional para reforçar a ligação com
o investimento em qualificações e o encaminhamento para ofertas de formação, em
articulação com o Programa Qualifica, de modo a reforçar os níveis de empregabilidade das
pessoas;
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• Potenciar o portal de acesso aos serviços públicos de emprego e formação como
instrumento das políticas ativas, nomeadamente generalizando a sua utilização pelos
desempregados inscritos nos centros de emprego e alargando a sua cobertura ao mundo
empresarial;
• Generalizar a todo o território nacional o projeto-piloto dos gestores dos serviços
públicos de emprego dedicados às empresas mais geradoras de emprego;
• Lançar uma metodologia integrada de resposta rápida a situações de crise
empresarial (risco de desempego imediato), envolvendo a constituição de equipas mistas
dos serviços públicos de emprego, da segurança social e da economia, de modo a acionar
de forma articulada todos os meios dos serviços públicos nas áreas do emprego, formação,
proteção social e acompanhamento empresarial.
Reforçar os mecanismos de representação no mercado de trabalho
A promoção da qualidade e do equilíbrio no mercado de trabalho é indissociável de
mecanismos de diálogo social com forte representação, em particular do associativismo
sindical e empresarial, que assim também funciona como uma garantia de legitimação da
negociação coletiva e de boa e eficaz regulação do mercado de trabalho. Por isso, uma
representação de interesses participada e inclusiva é indispensável para a sustentabilidade de
um novo contrato social. Neste sentido, o Governo irá:
• Aprofundar as garantias, atualmente previstas no Código do Trabalho, de
efetividade do exercício dos direitos de ação sindical, em particular nas empresas;
• Discutir, em sede de concertação social, estímulos à participação de empresas e
trabalhadores em dinâmicas associativas, combatendo assim as baixas taxas de densidade
associativa quer entre empregadores, quer entre trabalhadores, que constituem um fator de
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
enfraquecimento do diálogo social, da representatividade da negociação coletiva e da
regulação do mercado de trabalho;
• Assegurar uma regulação efetiva dos mecanismos de transparência e de
independência no financiamento associativo, em particular no exercício de direitos
constitucionais como a greve;
• Estimular a abertura à representação sindical e à participação nas comissões de
trabalhadores de novos grupos de trabalhadores, em particular no quadro de relações de
trabalho atípicas, incluindo nomeadamente os trabalhadores independentes legalmente
equiparados.
6.3. Habitação
O direito à habitação é um direito fundamental, indispensável para a concretização de um
verdadeiro Estado Social. Ao longo de muitos anos, o Estado Social apostou no
desenvolvimento de um Serviço Nacional de Saúde (SNS), na escola pública e num sistema
de Segurança Social público, secundarizando-se as respostas sociais no âmbito da política
de habitação. Neste domínio, a ação do Estado centrou-se fundamentalmente nas situações
de extrema carência habitacional, praticamente não intervindo, em termos de resposta
pública, na habitação para os grupos de médios e baixos rendimentos. É por isso hoje
redobradamente importante assumir a habitação como um dos pilares centrais do Estado
Social, apostando na efetivação de respostas integradas.
Estas respostas devem chegar não só aos grupos mais vulneráveis – como os casos de
carência habitacional extrema e as necessidades específicas de determinadas faixas etárias,
como sucede com os jovens (sobretudo nos aglomerados urbanos) e os mais idosos, mas
também aos agregados com rendimentos baixos e médios que não encontram casa no
mercado habitacional. A prioridade do Governo deve ser, por isso, a de intervir no
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mercado habitacional, constituindo para o efeito um parque habitacional público e
cooperativo relevante, capaz de dar resposta no mercado de arrendamento.
É por isso importante dar continuidade e efetividade à política pública de habitação
formulada através da definição de uma Nova Geração de Políticas de Habitação (NGPH),
que permitiu estabelecer um impulso assinalável do setor na última legislatura. Não se trata
portanto apenas de garantir uma habitação condigna para as pessoas com menores
rendimentos mas, também, de assegurar que as classes médias podem aspirar a ter acesso a
uma habitação condigna e evitar que a ausência de alternativas viáveis se torne num
obstáculo à emancipação dos jovens.
Nestes termos, é vital fortalecer, aprofundar e concretizar as políticas recentemente
adotadas, dando passos decisivos e relevantes para efetivar o reconhecimento
constitucional do direito à habitação, fixando para o efeito uma meta muita clara: erradicar
todas as carências habitacionais existentes no país até ao 50.º aniversário do 25 de abril, em
2024.
Renovar a aposta nas políticas de habitação
A Nova Geração de Políticas de Habitação veio conferir à política pública de alojamento
um novo sentido estratégico, contemplando não só respostas às situações de maior
desfavorecimento mas também à necessidade de assegurar o acesso à habitação para todos,
agindo de modo mais consequente nos equilíbrios do mercado e introduzindo estímulos
efetivos à recuperação do património habitacional e à regeneração e renovação urbanas.
Pelos défices acumulados, os desafios do país em matéria de cumprimento do direito à
habitação são imensos, quer nos territórios das áreas metropolitanas, hoje sujeitas a uma
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pressão habitacional muito significativa e ao ressurgimento de fenómenos de exclusão
associados à precariedade habitacional, quer nos espaços urbanos de menor dimensão ou
mesmo nos espaços rurais. A política de habitação é hoje, portanto, uma política decisiva
para a plena democratização do acesso ao bem-estar e para o próprio dinamismo e
equilíbrio demográfico do país. Por isso, o Governo compromete-se a:
• Elaborar o Programa Nacional de Habitação, de acordo com a Lei de Bases da
Habitação, definindo os objetivos, as metas e os recursos a alocar à política de habitação
num horizonte de médio prazo;
• Apoiar a capacitação das autarquias em matéria de política de habitacional,
mediante apoio técnico e financeiro para a elaboração das Estratégias Locais de Habitação,
promovendo a informação, o conhecimento e o acesso aos programas e instrumentos de
apoio à construção e reabilitação, reforçando a articulação e cooperação entre diferentes
escalas de governação, neste âmbito e a sua adequação às especificidades locais garantindo
uma resposta integrada à população;
• Promover a componente de cooperativismo na habitação, nomeadamente através
da habitação colaborativa;
• Salvaguardar a previsibilidade e estabilidade na alocação de financiamento acrescido
às políticas de habitação.
Erradicar as situações habitacionais indignas e a discriminação no acesso à habitação
Os resultados do Levantamento Nacional de Necessidades de Realojamento Habitacional
de 2018 deixam claro que persistem carências habitacionais graves em Portugal, tendo sido
identificados cerca de 26 mil agregados que vivem em condições habitacionais indignas.
Por esta razão, no âmbito da Nova Geração de Políticas de Habitação foi aprovado o “1.º
Direito” - Programa de Apoio ao Acesso à Habitação, que visa a promoção de soluções
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habitacionais para as famílias mais carenciadas e sem alternativa habitacional, cuja
implementação continuada e sustentada importa garantir. Nesses termos, o Governo irá:
• Alocar ao Programa “1.º Direito” os recursos financeiros necessários para atingir o
objetivo de erradicar todas as carências habitacionais até ao 50.º aniversário do 25 de abril,
reforçando assim o parque habitacional público;
• Criar uma Bolsa Nacional de Alojamento Urgente, em cooperação com a Segurança
Social, que, em complementaridade com a oferta pública de habitação e a ação municipal,
assegure uma resposta temporária de recurso para as situações de emergência;
• Reforçar a garantia do direito à habitação da população mais vulnerável e a
equidade de todos no acesso a este direito, com a regulamentação das condições e
requisitos a cumprir em matéria de habitação adequada, de alternativa habitacional, de
acesso aos apoios públicos e de proteção dos recursos mínimos de sobrevivência a ter em
conta na aplicação dos apoios habitacionais;
• Intensificar a luta contra a discriminação no acesso à habitação, mediante o
aumento da oferta pública especificamente orientada para os grupos mais vulneráveis e a
sensibilização para o combate aos fenómenos de discriminação;
• Reforçar os instrumentos de participação dos cidadãos em matéria de política de
habitação, em particular no processo de decisão e implementação de soluções habitacionais
que lhes são destinadas, e apoiar as iniciativas cidadãs de base local.
Garantir o acesso à habitação a todos
O esforço financeiro do Estado na promoção direta de habitação pública tem sido
centrado, de forma muito expressiva, na resolução das necessidades da população mais
carenciada. É hoje evidente que o número de pessoas que enfrentam dificuldades em
aceder a uma habitação adequada e com um custo comportável face aos seus rendimentos é
muito mais alargado.
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É também evidente que a total liberalização do arrendamento urbano efetuada em 2012
não se traduziu num aumento do arrendamento em geral, muito menos uma oferta de
habitação a preços acessíveis e em condições de estabilidade. Assistiu-se sim ao
agravamento e generalização das dificuldades de acesso à habitação por parte da população
com rendimentos intermédios, que não consegue aceder a uma solução adequada de
alojamento sem que isso implique uma forte sobrecarga sobre o seu orçamento.
Assim, é urgente reforçar os instrumentos de regulação do mercado, através da criação de
um parque público para arrendamento a custos acessíveis. No entanto, dada a dimensão e
urgência de atuação neste domínio, é necessário complementar a oferta pública de
habitação com incentivos à disponibilização, por parte dos privados, de oferta habitacional
para arrendamento, em condições de estabilidade e a custos abaixo do mercado. Neste
domínio, o Governo irá:
• Criar um parque habitacional público de habitação a custos acessíveis, orientado
para dar resposta aos agregados de rendimentos intermédios em situação de dificuldade de
acesso à habitação, através da promoção direta e do apoio aos programas municipais;
• Reforçar a mobilização do património devoluto para o Fundo Nacional de
Reabilitação do Edificado, com vista à sua reabilitação e disponibilização para
arrendamento habitacional a custos acessíveis;
• Incentivar a oferta privada de arrendamento a custos acessíveis, mediante a
implementação do Programa de Arrendamento Acessível, a dinamização do regime de
habitação a custos controlados, que dá acesso a uma taxa de IVA reduzida para a
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promoção habitacional a custos acessíveis, e o incentivo à redinamização do setor
cooperativo;
• Reforçar o Porta 65 Jovem e compatibilizá-lo com o Programa de Arrendamento
Acessível, visando assegurar a acessibilidade às habitações disponibilizadas aos jovens, que
poderão beneficiar cumulativamente dos dois instrumentos de apoio;
• Incentivar soluções habitacionais que constituam alternativas à aquisição de
habitação própria e deem resposta às necessidades dos grupos etários mais vulneráveis,
nomeadamente através do direito real de habitação duradoura e da criação de condições
para a sua disponibilização a custos acessíveis, juntamente com instrumentos de apoio ao
seu acesso por parte das famílias.
Garantir a transparência e a segurança no acesso à habitação e a qualidade do parque
habitacional
Assegurar o direito de todos à habitação implica, em especial num país como Portugal - em
que o regime de casa própria tem um peso acima dos 70% - garantir também a proteção
dos direitos e interesses dos agregados familiares que investiram a maioria das suas
poupanças na aquisição de casa própria. Adicionalmente, o regime jurídico da propriedade
horizontal constitui um fator crítico para o acesso a uma habitação adequada com
qualidade e segurança para uma parte relevante da população, até porque muitos dos
edifícios sujeitos a este regime não se encontram em boas condições e podem apresentar
riscos.
Importa ainda assegurar a qualidade construtiva global do parque habitacional, mediante a
harmonização das regras aplicáveis à construção, o aprofundamento da integração de
princípios de sustentabilidade ambiental e a qualificação do setor. Assim, o Governo irá:
• Criar um mecanismo de seguro ou garantia da construção, em articulação com os
setores da construção e do imobiliário, dos seguros e dos consumidores e proprietários,
que cubra a responsabilidade por defeitos de construção em caso de insolvência do
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construtor;
• Criar melhores condições para a reabilitação e conservação regular dos edifícios em
propriedade horizontal;
• Codificar as normas técnicas da construção, permitindo diminuir a extensão,
dispersão, fragmentação e complexidade do quadro regulamentar;
• Incentivar modelos de negócio que possam dar resposta ao mercado da
reutilização, bem como as ferramentas que lhe são inerentes;
• Desencadear mecanismos de promoção da qualidade da construção, e em particular
da reabilitação do parque edificado existente, através de estratégias de monitorização,
incentivo e valorização das boas práticas;
• Incentivar a integração da análise do ciclo de vida dos edifícios na determinação dos
custos de construção;
• Criar mecanismos que permitam aos consumidores e donos de obra conhecer as
qualificações específicas de cada empresa, de modo a que a sua opção possa ser feita tendo
em conta a aptidão para a obra em causa.
Conceber a habitação como instrumento de inclusão social e de coesão territorial
Garantir o acesso a condições habitacionais dignas para todos, seja em regiões
metropolitanas, urbanas ou rurais, constitui um fator da maior importância no fomento da
coesão socio territorial e na promoção da qualidade de vida e do direito a um
desenvolvimento sustentável e equilibrado do país. Para corrigir as fortes assimetrias
territoriais que se verificam neste âmbito, e que têm conduzido, ao longo dos anos, ao
envelhecimento e desertificação dos territórios do interior (concomitante com a
concentração de pessoas nas áreas metropolitanas), bem como para facilitar a mobilidade
dos agregados familiares entre os diferentes territórios e segmentos de oferta habitacional,
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o Governo irá:
• Facilitar a mobilidade habitacional e territorial, através da implementação do
programa Chave na Mão e criação de condições de mobilidade habitacional no parque de
arrendamento público;
• Implementar o programa Reabilitar para Povoar, com o objetivo de alargar a oferta
de habitação nos territórios do interior a preços acessíveis e apoiar os agregados familiares
em matéria de acesso à habitação;
• Promover a reconversão de territórios críticos e complexos, como as áreas de
génese ilegal e de construção informal, mediante a eliminação dos aspetos que obstaculizem
ou dificultem a sua resolução e a mobilização dos apoios financeiros disponíveis para este
fim;
• Implementar as conclusões do Programa “Da Habitação ao Habitat”, visando a
promoção da coesão e da integração socio territorial dos bairros de arrendamento público,
e a melhoria global das condições de vida dos seus moradores;
• Fortalecer o acompanhamento integrado e de proximidade, através da qualificação
dos serviços e entidades locais com competências na área habitacional e social, do apoio a
associações de moradores e da plena integração da temática da habitação e das entidades -
com responsabilidade nesta matéria - nos Conselhos Locais de Ação Social e na Rede
Social.
6.4. Migrações
Portugal precisa, para sustentar o seu desenvolvimento, tanto no plano económico como
no demográfico, do contributo da imigração.
Promover a regularidade dos trajetos migratórios
É importante garantir que as migrações com destino ao nosso país se processem através de
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movimentos regulares pelo que vão ser criados canais formais de migração para Portugal
desde os países de origem. Temos, pois, como objetivo central criar canais formais de
migração para Portugal desde os países de origem e garantir que os imigrantes, uma vez a
residir em Portugal, não se transformam, por razões a que são alheios, em imigrantes
indocumentados ou à margem do sistema. Tendo em vista esta finalidade, designadamente
no âmbito da implementação do Plano Nacional do Pacto Global das Migrações, aprovado
pela Resolução de Ministros n.º141/2019, de 20 de agosto, o Governo pretende:
• Adequar progressivamente os serviços consulares às novas realidades da imigração,
canalizando em moldes formais, desde a origem, as trajetórias imigrantes;
• Promover acordos bilaterais de migração regulada com países exteriores à União
Europeia, de modo a agilizar e garantir a regularidade dos fluxos migratórios;
• Agilizar e simplificar os processos de entrada de trabalhadores de países terceiros
em processos de recrutamento das empresas;
• Eliminar o regime de contingentação do emprego de imigrantes estrangeiros de
países terceiros, prevendo ajustamentos nos mecanismos de entrada em função da situação
do mercado de trabalho;
• Prever um título temporário de curta duração que permita a entrada legal em
Portugal de imigrantes com o objetivo de procura de emprego;
• Promover e modernizar convenções de segurança social como forma de estabilizar
movimentos migratórios, no sentido do aumento dos direitos sociais;
• Simplificar e agilizar os mecanismos de regularização do estatuto de residente dos
estrangeiros inseridos na sociedade portuguesa, integrados no mercado de trabalho e que
realizam contribuições para a segurança social;
• Concretizar programas de regularização de cidadãos estrangeiros, designadamente
através de ações de proximidade junto da comunidade escolar e aprofundando o Programa
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“SEF em Movimento”.
Implementar programas específicos de promoção da imigração
A regularidade dos trajetos migratórios que se pretende reforçar, é acompanhada de
programas específicos de promoção da imigração. A este respeito, as prioridades do
Governo são as seguintes:
• Criar uma zona de mobilidade e de liberdade de fixação de residência entre os
países da CPLP;
• Promover programas de apoio à captação de estudantes e investigadores
estrangeiros pelas instituições de ensino superior portuguesas, com particular relevo para as
áreas tecnológicas e para as regiões de baixa densidade;
• Lançar programas de apoio à captação de quadros qualificados e de
empreendedores nas áreas tecnológicas e de alto valor acrescentado;
• Rever o regime de autorização de residência para investimento, que passará a ser
dirigido preferencialmente às regiões de baixa densidade, ao investimento na criação de
emprego e na requalificação urbana e do património cultural.
Assegurar o acolhimento e integração de refugiados
Num contexto de crescimento dos movimentos de refugiados, o Governo reafirma o seu
compromisso com os valores humanistas da proteção e da solidariedade, com os acordos
internacionais de proteção dos que fogem da guerra e da perseguição, bem como o reforço
da cooperação europeia na procura de capacidade de resposta adequada à escala dos
desafios que hoje se colocam.
Neste âmbito, a ação governativa será refletida através da implementação das seguintes
medidas:
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• Garantir o direito ao asilo e à proteção subsidiária aos refugiados que se dirijam a
Portugal ou que sejam incluídos em programas internacionais de recolocação ou de
reinstalação a partir de países terceiros, ou ainda ao abrigo de acordos bilaterais subscritos
por Portugal;
• Participar nos programas promovidos pelo ACNUR, OIM ou União Europeia de
apoio a refugiados de situações de guerra ou de violação de direitos fundamentais, exigindo
a adoção de uma estratégia europeia baseada na partilha de responsabilidade e de
solidariedade na integração de refugiados e na gestão de fluxos migratórios;
• Promover programas de integração de refugiados na sociedade portuguesa, com a
participação ativa da sociedade civil e das autarquias locais, mediante a criação de bolsas de
disponibilidade de acolhimento, com apoio de fundos europeus e de um programa
orçamental de apoio à inclusão de refugiados.
Mudar a forma como a Administração Pública se relaciona com os imigrantes
O contributo útil para a sustentabilidade demográfica e o desenvolvimento económico do
país de acolhimento é sustentado por entidades como as Nações Unidas ou a Organização
Internacional para as Migrações, pelo que importa respeitar a dignidade de quem procura o
nosso país para o seu projeto de vida e procura melhores oportunidades, assegurando um
exercício adequado e proporcional dos poderes de autoridade por parte do Estado.
Assim, e sem prejuízo de uma atuação determinada no combate às redes de tráfico humano
ou na prevenção do terrorismo, há que reconfigurar a forma como os serviços públicos
lidam com o fenómeno da imigração, adotando uma abordagem mais humanista e menos
burocrática, em consonância com o objetivo de atração regular e ordenada de mão-de-obra
para o desempenho de funções em diferentes setores de atividade. Neste sentido, o
Governo compromete-se a:
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• Estabelecer uma separação orgânica muito clara entre as funções policiais e as
funções administrativas de autorização e documentação de imigrantes;
• Criar uma plataforma digital de relacionamento dos imigrantes com a
Administração, encurtando os prazos de processamento da sua documentação;
• Alargar a rede de mediadores no SEF para apoiar os cidadãos estrangeiros na sua
língua de origem;
• Implementar um serviço móvel de informação e regularização de imigrantes na área
metropolitana de Lisboa e em regiões do país com elevado número de trabalhadores
estrangeiros;
• Simplificar e agilizar as tipologias e o processo de obtenção de vistos e autorizações
de residência, nomeadamente diminuindo a complexidade dos títulos existentes, dos
procedimentos, dos prazos e do número de vezes que é necessário contactar a
Administração, caminhando para uma lógica de balcão único nestes processos;
• Simplificar e encurtar os procedimentos de renovação dos títulos de residência em
Portugal;
• Estudar a implementação de um cartão de cidadão estrangeiro equiparado ao cartão
de cidadão, dispensando as duplicações na apresentação de documentos emitidos por
entidades públicas;
• Permitir o trabalho em regime de tempo parcial dos imigrantes com estatuto de
estudantes, sem obrigatoriedade de comunicação prévia às entidades competentes.
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Garantir condições de integração dos imigrantes
Integrar bem os imigrantes que se fixam em Portugal significa, no essencial, criar um
sentido de identidade e pertença comum. Para isso são fundamentais políticas focadas na
promoção da igualdade e na transformação de imigrantes permanentes em novos cidadãos
portugueses, com acesso aos serviços públicos e à cultura nacional. É preciso insistir na
promoção do estatuto constitucional dos estrangeiros, em particular através da sistemática
equiparação de direitos civis, políticos e sociais entre nacionais e estrangeiros residentes em
território nacional. Devem ainda ser aprofundadas as manifestações do princípio do direito
de solo no regime da nacionalidade. Neste, como noutros campos, a promoção da
igualdade e o combate à discriminação em função da origem deverá ser um objetivo central
da nossa ação política. A este respeito, o Governo irá:
• Concretizar o princípio constitucional da equiparação de direitos dos estrangeiros,
garantindo o seu acesso aos bens e serviços públicos;
• Desenvolver, em articulação com os municípios, programas de integração de
imigrantes que garantam a resposta integrada dos diferentes serviços públicos em
municípios com elevada procura da imigração;
• Promover a aprendizagem da língua portuguesa pelos cidadãos estrangeiros não
lusófonos, alargando e aprofundando os programas públicos de ensino do português como
língua não materna;
• Promover o reagrupamento familiar como forma de consolidação da integração de
migrantes na sociedade portuguesa;
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• Lançar um programa nacional de integração das crianças imigrantes nas escolas,
promovendo, em particular, a aprendizagem intensiva do português para as crianças e
jovens não lusófonos, em articulação com outros atores, como as autarquias e organizações
da sociedade civil;
• Alargar o acesso dos imigrantes à participação política nas eleições autárquicas,
assinando para esse efeito, sempre que necessário, tratados internacionais de reciprocidade;
• Reduzir drasticamente os tempos e identificar e eliminar obstáculos administrativos
e burocráticos à obtenção da nacionalidade portuguesa por efeito de vontade;
• Combater todas as formas de racismo e xenofobia;
• Promover programas e mecanismos de prevenção de contextos de vulnerabilidade
que possam conduzir a situações de exploração e/ou tráfico humano.
Incentivar o regresso de emigrantes e lusodescendentes
Um país com mais de 2,3 milhões de emigrantes e muitos mais lusodescendentes tem um
enorme potencial de desenvolvimento, quer por valorização do papel desses emigrantes e
lusodescendentes nos países de acolhimento, quer pelo aproveitamento das capacidades
daqueles que pretendem regressar ao país. Os jovens devem poder circular na Europa e
pelo mundo, mas têm de se poder realizar em Portugal. No quadro da promoção da
atratividade do país e do reforço das perspetivas económicas e demográficas, os nossos
emigrantes e lusodescendentes representam uma bolsa importante de pessoas para quem
Portugal pode ser um destino de regresso ou de migração. Assim, a promoção do regresso
daqueles que deixaram o país em diferentes momentos históricos, em especial na década
que se seguiu à crise financeira, bem como da migração de lusodescendentes que podem ter
já nascido fora do país, constitui uma prioridade nacional. Neste âmbito, as prioridades do
Governo são as seguintes:
• Dar continuidade ao Programa “Regressar”, com vista à promoção do regresso de
emigrantes e lusodescendentes a Portugal, criando e alargando apoios específicos neste
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âmbito para os próprios e para os seus familiares, designadamente na habitação, educação,
proteção social e acesso prioritário a políticas ativas de emprego e formação;
• Agilizar os processos de acesso à nacionalidade portuguesa dos lusodescendentes e
seus familiares;
• Criar um título temporário de permanência em Portugal para familiares de
emigrantes ou lusodescendentes, de modo a remover o obstáculo do reagrupamento
familiar como bloqueio no quadro dos processos de regresso.
Valorizar os contributos das comunidades para o desenvolvimento do país
O contributo das comunidades portuguesas no estrangeiro para o desenvolvimento do país
tem uma componente financeira, a das remessas, e uma componente humana, por via de
processos de mobilidade circular e da criação de novos espaços transnacionais alargados,
ambos geradores de oportunidades de investimento e inovação. A condição chave de
sustentabilidade destes contributos é a criação e manutenção de laços intensos e
diversificados entre Portugal e as comunidades portuguesas no mundo. Para o efeito, o
Governo pretende:
• Promover a criação de múltiplas formas de mobilidade entre os países de fixação
das comunidades portuguesas e Portugal;
• Estimular, junto das comunidades portuguesas, a criação de redes de partilha de
informação;
• Criar eventos transnacionais que contribuam para divulgar a imagem de Portugal no
século XXI e envolver os emigrantes e lusodescendentes;
• Lançar, com os países de acolhimento, projetos que permitam aos emigrantes e
lusodescendentes desenvolver em Portugal projetos inovadores no domínio da economia,
ciência, cultura e turismo;
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
• Criar uma via verde para o investimento de emigrantes e lusodescendentes em
Portugal;
• Reforçar os programas de intercâmbio entre instituições do ensino superior e de
investigação dedicados a emigrantes e lusodescendentes.
6.5. Envelhecimento e qualidade de vida
O desafio da sustentabilidade demográfica deve ser ancorado numa dupla evolução que
resulta, por um lado, da diminuição das taxas de natalidade e de fertilidade, e por outro, do
aumento continuado da esperança média de vida. Este cenário obriga, desde logo, ao
reforço de medidas que concorrem para aumentar a base da pirâmide etária melhorando,
não só, os indicadores de natalidade e fecundidade, mas também do saldo migratório.
Requer, igualmente, outras medidas que acomodem as consequências do envelhecimento
da população e protejam e preservem o topo da pirâmide (envelhecimento ativo e
saudável).
O envelhecimento da população é hoje um dos maiores e mais complexos desafios
enfrentados pela sociedade portuguesa pelo que é necessário, e urgente, a adoção de
políticas que contribuam para melhorar a sua qualidade de vida, assegurando, ao mesmo
tempo, melhores horizontes de sustentabilidade económica e social.
É fundamental preparar os diferentes sistemas – de emprego, de saúde, de proteção social
– para lidar com as consequências do envelhecimento e com os novos riscos a ele
associados. Ao mesmo tempo, há que garantir melhores acessibilidades (físicas,
tecnológicas e de conteúdos), impedir práticas discriminatórias em função da idade e
prevenir casos de violência, inclusive familiar, contra pessoas idosas.
Contudo, estas políticas não podem ser só reparadoras e ativadas nas situações de velhice.
Há dimensões significativas no processo de envelhecimento que implicam uma atuação das
políticas públicas ao longo da vida das pessoas, por exemplo, no que toca à promoção da
prática desportiva e da prevenção e melhoria dos cuidados de saúde ou à aprendizagem
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contínua para trajetórias bem-sucedidas no mercado de trabalho.
Adaptar a segurança social aos desafios do envelhecimento
O processo de envelhecimento em curso é uma tendência estrutural da evolução das
sociedades que, além de colocar desafios específicos no longo prazo, está a ditar uma
reconfiguração dos riscos sociais e da sua incidência. Nos últimos anos, a evolução do
emprego e a introdução de medidas específicas de complemento ao reforço da
sustentabilidade do sistema de segurança social permitiram transformar significativamente
o horizonte de longo prazo deste sistema. Todavia, é fundamental continuar a dar passos
para reforçar a sustentabilidade de longo prazo do sistema público de segurança social pelo
que o Governo irá:
• Aprofundar a diversificação de fontes de financiamento da segurança social,
nomeadamente alargando a lógica já existente de consignação de receitas fiscais para o
fortalecimento do sistema;
• Estimular a adesão a certificados de reforma e a outras poupanças de natureza
idêntica;
• Reavaliar o regime de acidentes profissionais e doenças profissionais, de modo a
reforçar a proteção dos trabalhadores e a repartição equilibrada de responsabilidades entre
empregadores, seguradoras e serviços públicos;
• Fomentar, em sede de negociação coletiva, a existência de esquemas
complementares de segurança social;
• Aprofundar o combate à fuga e evasão contributiva, nomeadamente aumentando as
bases de incidência para desincentivar práticas de subdeclaração e melhorando o
desempenho dos sistemas de informação e os mecanismos de partilha de dados;
• Aumentar a capacidade em estruturas residenciais para idosos a custos controlados
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e adequados às pensões existentes e às reais necessidades nacionais.
Promover uma cidadania sénior ativa e participada
Com o aumento da esperança média de vida, a terceira idade será cada vez mais um
período de enriquecimento pessoal e de dedicação a causas e projetos. A maior
disponibilidade temporal deve ser livremente fruída e aproveitada em prol da comunidade,
de acordo com as apetências de cada um, mediante um conjunto de iniciativas de ocupação
social e dinamização interpessoal que constituam fonte de motivação e de qualidade de
vida. Com este objetivo, o Governo irá:
• Definir um plano de ação para o envelhecimento populacional, com um leque
estruturado de respostas para as transformações que ocorrem nesta fase da vida;
• Apostar na criação de um mecanismo de reforma a tempo parcial, como forma de
promoção do envelhecimento ativo e de permanência no mercado laboral, num quadro de
desagravamento das horas de trabalho;
• Definir áreas específicas para contratação de cidadãos seniores na Administração
Pública;
• Conceber diversos programas de dinamização para cidadãos seniores, em função de
distintos perfis, que permitam a cada pessoa definir projetos de vida para a sua reforma,
colocar a sua disponibilidade de tempo ao serviço da comunidade e, deste modo, encontrar
novas formas de realização pessoal;
• Promover programas de voluntariado sénior, bem como apoiar iniciativas da
sociedade civil como as Universidades Sénior;
• Criar formas de atendimento personalizado para cidadãos seniores na prestação de
serviços públicos, nomeadamente através da prestação destes serviços em local escolhido
pelo cidadão;
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• Aprovar uma estratégia nacional de combate à solidão, prevendo um conjunto
diversificado de medidas, ajustadas aos diferentes contextos demográficos e meios
socioeconómicos, para atenuar este flagelo social que afeta sobretudo os mais idosos.
Promover o aumento da esperança de vida saudável na terceira idade
A expectativa das pessoas em relação à qualidade dos cuidados de saúde que lhes são
prestados ao longo do ciclo de vida é mais exigente que no passado – aspiram a manter-se
ativas e autónomas à medida que vão envelhecendo e, quando tal não é possível, esperam
cuidados sociais e de saúde que preservem a sua privacidade, dignidade e singularidade. A
resposta às necessidades assistenciais deste grupo populacional exige uma melhor
integração dos vários níveis de cuidados, o que implica o desenvolvimento de respostas
integradas, centradas na pessoa e de gestão da doença crónica. Por isso, o Governo irá:
• Promover uma maior integração de cuidados, centrada nas pessoas, através de um
plano individual de cuidados que permita, relativamente a cada paciente, o
acompanhamento das suas múltiplas patologias e a tomada de decisões partilhadas;
• Implementar a figura do gestor do doente crónico, através de projetos-piloto,
prevenindo descompensações e hospitalizações evitáveis;
• Incentivar as boas práticas nas unidades de cuidados primários ,hospitalares e
continuados, tendo em vista a redução de internamentos hospitalares evitáveis e dos efeitos
adversos relacionados com os cuidados de saúde (infeções, quedas, úlceras de pressão, etc.);
• Duplicar o ritmo de investimento nas respostas de cuidados continuados
integrados, garantindo a disponibilização de mais camas de internamento e a
implementação de todas as tipologias previstas na rede até ao final da legislatura;
• Dinamizar o cluster da saúde, estimulando a inovação e criando condições para
alavancar soluções de assistência à autonomia no domicílio, em estreita ligação com a
Segurança Social;
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• Aumentar e melhorar as respostas públicas de cuidados domiciliários,
nomeadamente através da modernização e reforço dos meios ao dispor dos profissionais de
saúde que os asseguram;
• Reforçar as respostas de cuidados continuados e paliativos, domiciliários, em
articulação com o setor social;
• Incentivar a criação de projetos-piloto que tragam novas formas de dar resposta aos
cuidados continuados, paliativos, de saúde mental, privilegiando a resposta em prestação de
cuidados no domicilio;
• Promover respostas de saúde e bem-estar integradas e inteligentes, através da
aposta na cooperação entre o SNS e a Segurança Social;
• Reforçar as soluções de transporte de doentes, nomeadamente promovendo
parcerias estratégicas entre os serviços centrais e locais de saúde, autarquias e setor social;
• Investir numa maior literacia em saúde por parte da população com mais de 65
anos de idade, capacitando-a para a gestão da sua saúde e para a utilização efetiva dos
recursos e respostas existentes no SNS.
Proteger os idosos em situação de dependência ou isolamento
Os atuais modelos de prestação de cuidados e de assistência na doença foram concebidos
para uma sociedade muito menos envelhecida do que aquela que temos hoje e vamos ter
no futuro. Pelo que os riscos associados ao envelhecimento, como a dependência e o
isolamento, exigem uma capacidade de reorientação dos sistemas de proteção social. A este
propósito, o Governo irá:
• Criar um sistema de identificação e sinalização das pessoas a viver em situação de
vulnerabilidade associada ao envelhecimento, para efeitos de vigilância específica sediada
nos cuidados de saúde primários;
• Inovar nas respostas para as questões da dependência e do isolamento, tanto em
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contexto urbano como rural, reforçando não apenas a rede de equipamentos e serviços já
existentes, de preferência em contexto intergeracional, mas também apostando na criação
de modelos intermédios de apoio, que respeitem a autonomia potencial das pessoas, mas
garantam redes de acompanhamento, quer de proximidade, quer de contacto à distância,
combinando os modelos formais com os cuidados informais;
• Desenvolver um sistema integrado de sinalização de idosos isolados, associado a
uma “garantia de contacto” regular, em parceria e estimulando o voluntariado social;
• Desenvolver, no âmbito do apoio à dependência, modelos de assistência
ambulatória e ao domicílio, em parceria com a saúde;
• Criar um novo serviço no SNS, nomeadamente através da utilização de novas
tecnologias para a monitorização do estado de saúde de pessoas idosas para, numa base
estritamente voluntária e com absoluta proteção da privacidade, assegurar um
acompanhamento de proximidade e de emissão de alertas de urgência relativamente à saúde
de pessoas idosas que habitem em situações de isolamento;
• Assegurar a concretização plena e efetiva das medidas de apoio aos cuidadores
informais previstas no respetivo estatuto.
7. AGENDA ESTRATÉGICA: MENOS DESIGUALDADES E UM
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TERRITÓRIO MAIS COESO
O combate às desigualdades e a promoção de uma maior coesão territorial exige por parte
do Governo uma intervenção integrada e que é consubstanciada em seis planos de ação
distintos: i) garantia de uma plena igualdade de direitos e firme repúdio para com todas as
formas de discriminação, como elementos nucleares de uma sociedade digna; ii) promoção
de maior justiça social e fiscal e combate à desigualdade na distribuição dos rendimentos e
da riqueza, como fatores decisivos na luta contra a pobreza e a exclusão social; iii) reforço
das qualificações ao longo da vida, para que todos tenham iguais oportunidades e ninguém
fique para trás; iv) garantia de mais e melhor Serviço Nacional de Saúde (SNS); v) maior
proteção dos direitos dos consumidores e vi) correção das desigualdades regionais,
promovendo a coesão territorial.
No domínio da igualdade de direitos e combate à discriminação, importa reconhecer que
em Portugal a discriminação é hoje, sobretudo, o resultado de práticas sistemáticas,
suportadas pelo preconceito e pela pressão social, em domínios diversos: das desigualdades
de género e da discriminação em relação à orientação sexual ao racismo, envolvendo ainda
manifestações de xenofobia e segregação por nacionalidade, etnia ou classe social, por
exemplo em relação aos mais pobres ou às pessoas com deficiência. Em todos estes
domínios, é preciso assegurar o cumprimento legal do princípio da igualdade e a sua
aplicação efetiva, pondo em prática, sempre que necessário, modalidades de discriminação
positiva, em nome da igualdade de oportunidades.
Relativamente às desigualdades na distribuição de rendimentos, importa adotar medidas de
redistribuição dos rendimentos e da riqueza. Para isso, é necessário assegurar melhores
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
salários e condições de trabalho, leques salariais menos desiguais e maior progressividade e
equidade no plano fiscal. Impõe-se ainda uma maior proteção social daqueles que se
encontram numa situação de especial fragilidade, sendo obrigação do Estado erradicar a
pobreza e evitar que casos de carência económica e de privação material se convertam em
fundamentos de exclusão social. Igualmente decisiva é a redução dos custos com bens e
serviços essenciais, como por exemplo a habitação, a energia ou os transportes, que
possibilitam o aumento do rendimento disponível das famílias e se traduzam no acesso a
rendimentos não monetários compensatórios da desigualdade monetária.
Já no plano das qualificações, consideram-se centrais o investimento no sistema de
educação e formação e na aprendizagem ao longo da vida. Importa garantir o acesso à
educação em todos os níveis de ensino, combater o abandono, promover o sucesso escolar
e recuperar o défice educativo e de qualificações nas gerações adultas. Estas são
importantes alavancas para a redução das desigualdades de oportunidades e para a melhoria
das condições de vida de todos, independentemente da respetiva classe social.
A saúde é também fundamental para garantir a igualdade de oportunidades, sendo,
portanto, importante garantir um SNS mais justo e mais inclusivo que melhor responda às
necessidades da população. Neste sentido, faz-se uma aposta no reforço dos cuidados de
saúde primários, base do sistema de saúde português, ou na melhoria das condições de
trabalho de todos os profissionais de saúde.
No domínio da proteção dos consumidores, está em causa um conjunto de medidas que
pretendem garantir a todos os cidadãos a proteção dos seus interesses económicos, bem
como a eventual reparação de danos, e a criação de condições que favoreçam uma escolha
consciente e informada por parte do consumidor.
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
Por fim, abordando as desigualdades numa perspetiva territorial, pretende-se estimular a
convergência entre o litoral e o interior, entre o norte e o sul, entre o continente e as
regiões autónomas, entre a cidade e o campo, entre centros urbanos e periferias
suburbanas. Temos um território desequilibrado, com assimetrias económicas e sociais
bastante vincadas que urge colmatar. Porque o nosso futuro não pode estar condicionado
pelo local onde nascemos ou vivemos. Assim, construir uma sociedade mais igual é
também atenuar as diferenças que ainda subsistem entre regiões, dando uma atenção
especial aos territórios de baixa densidade, às regiões ultraperiféricas, às zonas de fronteira
e às periferias suburbanas socialmente segregadas.
7.1. Igualdade de género e combate às discriminações
O direito à igualdade e à não discriminação está não apenas amplamente consagrado no
plano constitucional e legal, como tem vindo a ser, nas últimas décadas, objeto de
progressos civilizacionais notáveis. Portugal é, aliás, um dos países do mundo em que mais
avanços têm sido conseguidos, desde logo na igualdade entre homens e mulheres, mas
também no plano da igualdade de orientação sexual. No entanto, apesar deste registo
positivo, a prática ainda mostra desigualdades significativas e fenómenos de discriminação
que devem ser combatidos por todos os que acreditam numa sociedade igualitária e digna.
Promover a igualdade de género no emprego, nos salários e nas condições de trabalho
Apesar da legislação nacional ter há muito consagrado o princípio “a trabalho igual, salário
igual”, continuam a existir assimetrias muito significativas entre mulheres e homens no
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
plano remuneratório. Foi para combater essas assimetrias que o XXI Governo elaborou
legislação especificamente dirigida a promover a igualdade salarial entre mulheres e
homens, assente numa combinação de medidas de natureza informativa e de medidas que
pugnam pela avaliação e pela correção das diferenças de teor discriminatório. Com esta lei
inovadora já em vigor, será importante avaliar, no curto prazo, o impacto que estas
medidas conseguirão ter na desigualdade de género. Por outro lado, é fundamental reforçar
os meios e instrumentos de promoção da igualdade, bem como tornar transversal uma
cultura neste sentido. Por isso, o Governo compromete-se a:
• Avaliar os resultados da lei que introduz medidas de promoção da igualdade
remuneratória entre mulheres e homens por trabalho igual ou de igual valor;
• Introduzir mecanismos complementares no caso de a desigualdade salarial de
género não diminuir a um ritmo compatível com o país menos desigual que queremos;
• Reforçar a inspeção e combater a informalidade no setor do trabalho doméstico, na
esmagadora maioria prestado por mulheres;
• Combater a segregação profissional entre homens e mulheres, em parceria com as
instituições de ensino superior e outras entidades formativas, estimulando programas de
desconstrução de estereótipos de género e a atração de pessoas do sexo sub-representado;
• Assegurar o cumprimento das leis de representação equilibrada entre homens e
mulheres nos órgãos de administração das empresas públicas e sociedades cotadas, bem
como nos cargos dirigentes da Administração Pública, de modo a romper o “teto de vidro”
que, tantas vezes, impede ou dificulta a ascensão das mulheres a lugares de topo nas
empresas e instituições;
• Dar continuidade ao programa 3 em Linha, destinado a alcançar uma melhor
conciliação entre vida profissional, pessoal e familiar, um desafio que ainda continua a
onerar especialmente o sexo feminino.
Reforçar a transversalidade nas políticas de promoção da igualdade de género
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
É necessária uma atuação consistente contra os estereótipos de género, que originam e
perpetuam as discriminações e as desigualdades, a fim de produzir mudanças estruturais
duradouras que permitam alcançar uma igualdade de facto. Neste sentido, todas as políticas
devem ter em conta, de forma transversal, e em todo o seu processo de planeamento,
definição, execução, acompanhamento e avaliação, as especificidades das condições,
situações e necessidades das mulheres e dos homens. Com este objetivo, o Governo irá:
• Alargar a experiência dos orçamentos sensíveis à igualdade de género (gender
budgeting) em diferentes áreas governativas, de modo a tornar a igualdade de género um
elemento transversal à construção do Orçamento do Estado e dos orçamentos dos
diferentes serviços públicos;
• Incentivar mecanismos de autorregulação destinados a evitar a disseminação de
conteúdos promocionais e publicitários que incorporem estereótipos de género ou que
sejam contrários ao princípio da igualdade e da tolerância;
• Aprofundar a dimensão da análise integrada das discriminações múltiplas nos
instrumentos estratégicos de promoção da igualdade e da não discriminação.
Travar o flagelo da violência doméstica
O XXI Governo aprovou uma Estratégia Nacional para a Igualdade e a Não
Discriminação que define, até 2030, orientações e medidas de política pública nos domínios
da igualdade entre mulheres e homens, da prevenção e do combate à violência contra as
mulheres, à violência doméstica e à discriminação em razão da orientação sexual, da
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identidade de género e das características sexuais. Apesar dos progressos verificados numa
série longa, os números da violência são ainda tragicamente intoleráveis e convocam-nos à
ação.
Não podemos deixar de nos indignar perante a perpetuação de fenómenos sociais tão
graves quanto a violência doméstica ou a violência no namoro. É preciso acabar, de uma
vez por todas, com este atraso civilizacional e proteger todas as vítimas dos
comportamentos violentos a que, lamentavelmente, ainda continuam a ser sujeitas nos
nossos dias.
Em face da gravidade e da urgência deste problema, foi constituída uma comissão técnica
multidisciplinar para a prevenção e o combate à violência doméstica. As recomendações
desta comissão deverão conduzir à agilização da recolha, do tratamento e do cruzamento
dos dados quantitativos oficiais em matéria de homicídios e de outras formas de violência
contra as mulheres e de violência doméstica, bem como ao aperfeiçoamento dos
mecanismos de proteção das vítimas e ao reforço e diversificação dos modelos de
formação dirigidos aos órgãos de polícia criminal e às magistraturas. Sem prejuízo dos
resultados do trabalho desenvolvido pela comissão, urge adotar medidas concretas para
prevenir e combater a violência contra as mulheres e a violência doméstica. Com este
propósito, o Governo irá:
• Apostar na prevenção primária, em particular nas escolas, nas universidades e nos
serviços de saúde, de modo a evitar a violência no namoro e todas as formas de violência
de género;
• Desenvolver um sistema integrado de sinalização de potenciais vítimas e agressores,
promovendo a atuação integrada do sistema educativo, do sistema de saúde, das polícias,
das instâncias judiciárias e outros agentes;
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• Criar um ponto único de contacto para vítimas de violência doméstica, onde seja
possível tratar de todas as questões, com garantias de privacidade e assegurando o
acompanhamento e a proteção das vítimas;
• Unificar a Base de Dados da Violência Doméstica, instituindo um sistema de
tratamento de informação que se baseie numa visão global e integrada em matéria de
homicídios e de outras formas de violência contra as mulheres e de violência doméstica;
• Prestar formação especializada aos diferentes intervenientes no sistema de
prevenção e proteção das vítimas de violência doméstica, incluindo módulos comuns e
baseados na análise de casos;
• Equacionar a possibilidade de, no atual quadro constitucional, e através da análise
de experiências comparadas, concretizar uma abordagem judiciária integrada no que se
refere à decisão dos processos criminais, tutelares e de promoção e proteção relativos à
prática de crimes contra vítimas especialmente vulneráveis, de acordo com as
recomendações do Grupo de Peritos para o Combate à Violência contra as Mulheres e à
Violência Doméstica do Conselho da Europa;
• Alargar a Rede Nacional de Apoio às Vítimas de Violência Doméstica, de modo a
garantir a cobertura integral do território nacional, oferecendo simultaneamente respostas
cada vez mais especializadas para os vários casos de violência doméstica e de género.
Potenciar a autonomia das pessoas com deficiência ou incapacidade
Só uma sociedade promotora da igualdade de oportunidades e integradora de todas as
pessoas pode concretizar todo o seu potencial de desenvolvimento. Nesta medida, a
inclusão das pessoas com deficiência ou incapacidade constitui-se como um imperativo de
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igualdade e justiça social que obedece a respostas diferenciadas e especializadas, com
implicações transversais em todas as políticas públicas.
Na última legislatura foram dados passos significativos para promover uma maior inclusão
e uma maior autonomia das pessoas com deficiência, nomeadamente com a criação da
prestação social para a inclusão, a definição do modelo de apoio à vida independente, a
elaboração do novo regime jurídico da educação inclusiva, ou a aprovação da lei de quotas
para contratação no setor privado. Contudo, existe ainda um longo caminho a trilhar rumo
a uma sociedade mais inclusiva quer através da consolidação destes novos instrumentos,
quer no sentido de implementar novas ações promotoras de mais e melhor inclusão. Para
isso, o Governo propõe:
• Aprovar e implementar a nova Estratégia Nacional para a Inclusão das Pessoas com
Deficiência, contendo os objetivos, eixos de intervenção e medidas a concretizar, de acordo
com planos plurianuais de implementação;
• Criar um sistema de indicadores e modelos de recolha de informação que permitam
conhecer a realidade sociodemográfica das pessoas com deficiência e a sua dinâmica,
contribuindo para melhor informação e decisão ao nível da definição de políticas públicas
nesta área;
• Rever e uniformizar o sistema de avaliação da incapacidade/ funcionalidade dos
cidadãos com deficiência, que permita corresponder às diversas dimensões e desafios que a
respetiva caraterização coloca;
• Concretizar a terceira fase da Prestação Social para a Inclusão, correspondente à
comparticipação de despesas, de caráter pontual e periódico, resultantes do agravamento
das condições físicas, sensoriais ou intelectuais das pessoas com deficiência, relativas a
educação, formação, habitação ou reabilitação;
• Reforçar o Modelo de Apoio à Vida Independente em vigor, através do
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acompanhamento e da avaliação dos projetos-piloto em funcionamento, com vista à
definição de um modelo definitivo de assistência pessoal que vá ao encontro das
necessidades das pessoas com deficiência;
• Criar, como grande desígnio da legislatura, um plano nacional de promoção da
acessibilidade, com instrumentos, meios e estímulos adequados para acelerar, em
articulação com os municípios, a adaptação dos espaços públicos, equipamentos coletivos,
estabelecimentos, condomínios e habitações;
• Alargar a recente política de concessão de descontos nos transportes a cidadãos
com deficiência, grupo alvo que na sua maioria não dispõe de transporte individual para as
suas deslocações;
• Avaliar e capacitar o sistema de apoios à formação das pessoas com deficiência,
melhorando a sua ligação com a autonomização e a inserção no emprego;
• Inovar nos instrumentos de inclusão no mercado de emprego das pessoas com
deficiência, nomeadamente aprofundando os apoios disponíveis, melhorando os
instrumentos de orientação, colocação e apoio à pós-colocação, de modo a estimular a
inclusão em mercado aberto, sem deixar de assegurar enquadramento nas lógicas de
mercado social de emprego e emprego protegido, bem como promover o
empreendedorismo e a criação do próprio emprego por pessoas com deficiência;
• Lançar as bases de um plano nacional de desinstitucionalização, através da criação
de um programa de incentivo ao surgimento de respostas residenciais inseridas na
comunidade, em articulação com os municípios e o setor social, nas quais as pessoas com
deficiência possam residir autonomamente, sendo-lhes prestado o apoio de retaguarda
imprescindível ao seu bem-estar;
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• Difundir a língua gestual portuguesa e garantir a sua efetiva disponibilização nos
serviços públicos, promover a utilização do sistema Braille como meio de leitura e escrita
por parte das pessoas cegas e garantir a acessibilidade de todos os sites e aplicações de
atendimento descentralizado da Administração Pública;
• Garantir a acessibilidade aos espaços culturais, tendo em linha de conta a
eliminação de barreiras arquitetónicas, o acesso aos conteúdos através de áudio-descrição,
criação de percursos acessíveis, maquetes tácteis, entre outros recursos tecnológicos, bem
como promover medidas de incentivo à criação e à participação cultural inclusiva;
• Promover o acesso das pessoas com deficiência ou incapacidade à participação
política e à tomada de decisão, bem como ao exercício de cargos dirigentes na
Administração Pública e no setor público empresarial.
Reforçar o combate ao racismo e à xenofobia
O combate às diferentes formas de discriminação é uma condição para a construção de um
futuro sustentável para Portugal enquanto país que realiza efetivamente os direitos
humanos e que assegura plenamente a participação de todos no espaço público. Apesar de
todas as conquistas recentes neste domínio, impõe-se agora aprofundar o caminho já
trilhado no plano legal, adotando medidas de âmbito civilizacional e humanista,
designadamente na afirmação social das minorias, na prevenção e no combate à segregação
racial ou na erradicação da discriminação em razão do sexo, da orientação sexual, da
identidade e da expressão de género, e de características sexuais, sempre norteados pelos
princípios constitucionais da igualdade e da não discriminação.
Portugal continua a ter problemas de racismo e xenofobia que precisam de ser mais bem
conhecidos, enfrentados e combatidos. De facto, apesar da eliminação dos fundamentos
institucionais do racismo e da segregação étnico-racial, em particular nos planos
constitucional e jurídico, persistem comportamentos discriminatórios na sociedade
portuguesa, por vezes em contextos institucionais. Por outro lado, existe uma sobreposição
entre desigualdade e racismo, em especial em territórios marginalizados, o que facilita e
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naturaliza o preconceito e contém um potencial grave de corrosão da coesão social e
nacional.
Não obstante as soluções institucionais de combate ao racismo e às discriminações étnico-
raciais já adotadas, exige-se agora que esse caminho seja aprofundado e que se promova,
sem hesitações, o princípio da igualdade e da não discriminação, assegurando o seu
cumprimento no plano legal e, sempre que necessário, acelerando a sua aplicação efetiva
com a aplicação de medidas de discriminação positiva. Particularmente importante neste
domínio é a criação de condições para uma maior visibilidade e intervenção dos
portugueses de origem africana e cigana. Para este efeito, o Governo irá:
• Autonomizar institucionalmente o combate à discriminação racial do tratamento
das questões migratórias;
• Renovar o Programa “Territórios Educativos de Intervenção Prioritária” (TEIP),
com um rejuvenescimento e estabilização das equipas pedagógicas, bem como um maior
acompanhamento que permita o desenvolvimento projetos educativos inovadores;
• Combater a segregação, direta e indireta, das crianças afrodescendentes e das
crianças ciganas dentro do sistema educativo;
• Criar incentivos de apoio a jovens da comunidade cigana para a continuidade do
percurso escolar no 3.º ciclo e ensino secundário, observando a igualdade de género;
• Definir o perfil profissional do mediador sociocultural, de modo a facilitar a
contratação de mediadores pelos municípios e serviços públicos;
• Desenvolver, no quadro do Programa “1.º Direito”, iniciativas específicas de apoio
à integração e ao acesso das comunidades ciganas e afrodescendentes à habitação, de modo
a contrariar fenómenos de guetização étnico-racial e a erradicar os “acampamentos” e
zonas de habitação não clássica que existem em todo o país;
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• Contrariar os efeitos da segregação residencial através da promoção de iniciativas de
realojamento integrado e de oferta de serviços públicos, em particular de educação, de
âmbito territorial heterogéneo;
• Desenvolver projetos no âmbito da “polícia de proximidade”, que promovam nos
bairros de grande diversidade étnico-cultural a segurança dos cidadãos, o diálogo, a
confiança e o respeito entre a população e os agentes das forças de segurança;
• Levar a cabo ações de sensibilização contra o racismo e a discriminação de minorias
étnico-raciais, nomeadamente através de campanhas nacionais;
• Promover processos de discriminação positiva que corrijam a falta de diversidade
no espaço público;
• Promover a criação de um observatório do racismo e da xenofobia.
Combater a discriminação baseada na orientação sexual
O compromisso assumido no combate à discriminação em função da orientação sexual,
identidade e expressão de género e características sexuais, tem sido marcante pelos avanços
alcançados nos últimos anos, nomeadamente o fim da discriminação no acesso ao
casamento, à adoção e à procriação medicamente assistida, bem como a aprovação do
primeiro quadro legal referente ao direito à autodeterminação da identidade de género. Esta
discriminação cruza-se com múltiplos fatores, como os preconceitos culturais e de género,
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exigindo uma atuação transversal em várias áreas, de modo a alcançar a plena igualdade das
pessoas LGBTI. A este respeito, o Governo irá:
• Lançar campanhas com vista à desconstrução de estereótipos e prevenção de
práticas homofóbicas, bifóbicas, transfóbicas e interfóbicas;
• Desenvolver instrumentos didáticos que potenciem uma maior sensibilização
perante as questões da identidade de género e da orientação sexual em meio escolar, com
vista a promover uma cultura de igualdade e não discriminação entre homens e mulheres,
combatendo estereótipos nas escolas e nas práticas pedagógicas;
• Desenvolver uma estratégia específica para apoio às pessoas transsexuais e aos
processos de transição.
Promover uma cultura de tolerância e de respeito pelo outro
A violência, o ódio e a intolerância para com a diferença são fenómenos que se alimentam
mutuamente, condenando à exclusão quem não encaixa na normatividade vigente. Em
nome da igualdade, da liberdade e do direito à autodeterminação e livre desenvolvimento
da personalidade de cada um, há que fomentar um clima social de tolerância e inclusão.
Para o efeito, o Governo irá:
• Alargar a disseminação social, e em particular nas escolas, do imperativo de rejeição
de todas as formas de violência, em especial a violência contra as mulheres e no namoro ou
a violência contra os idosos e as pessoas com deficiência;
• Prever expressamente a figura jurídica e agravar as consequências legais da
disseminação não consentida de conteúdos íntimos através de meios digitais;
• Reforçar os mecanismos de prevenção e de repressão do discurso de ódio,
designadamente nas redes sociais;
• Lutar contra a aceitabilidade social de diversas expressões públicas de homofobia,
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transfobia ou interfobia, sobretudo condenando quaisquer manifestações de violência em
função da orientação sexual.
7.2. Rendimentos e erradicação da pobreza
A precariedade e a instabilidade laboral, bem como o desemprego e o subemprego,
agravam e reproduzem as desigualdades e podem ser fatores geradores de pobreza e
exclusão social. O combate à precariedade e a promoção do trabalho digno constituem, por
isso, poderosos e decisivos instrumentos de combate às desigualdades, e permanecem uma
prioridade para o Governo. Promover a criação de mais e melhor emprego para todos,
eliminar a pobreza no trabalho, promover o aumento da retribuição mínima mensal
garantida e combater a instabilidade e a insegurança laboral são objetivos fundamentais
deste desafio estratégico.
Combater as desigualdades salariais, os leques salariais excessivos nas empresas e a pobreza
no trabalho
Apesar de melhorias em anos recentes, muito por força da evolução do salário mínimo
nacional, Portugal tem ainda excessivas desigualdades salariais, quer verticais, quer em
função do género, por comparação com outros países europeus. Isto é agravado por os
salários médios serem comparativamente baixos e existir uma taxa de pobreza no trabalho
que só em 2017 desceu abaixo dos 10%. Por outro lado, é público que em muitas empresas
os leques salariais praticados são muito superiores à média das desigualdades de
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rendimentos. Níveis excessivos de desigualdades fragmentam a coesão social, afetam a
sustentabilidade da nossa economia, comprometem os níveis de consumo privado,
reduzem o dinamismo do mercado e aumentam o mal-estar da população o que, muitas
vezes, potencia o aparecimento de movimentos populistas.
Para inverter este cenário, o Governo propõe em matéria de valorização salarial e das
desigualdades:
• Aprofundar, no quadro da negociação em sede de concertação social de um acordo
de médio prazo sobre salários e rendimentos, a trajetória plurianual de atualização real do
salário mínimo nacional, de forma faseada, previsível e sustentada, evoluindo em cada ano
em função da dinâmica do emprego e do crescimento económico, com o objetivo de
atingir os 750 euros em 2023;
• Desenvolver uma política de combate às excessivas desigualdades salariais, através
de estímulos concretos à melhoria dos leques salariais de cada empresa a partir da
referência do indicador de desigualdade S80/S20, quer penalizando, no plano fiscal e
contributivo, as empresas com leques salariais acima do limiar definido e, pelo contrário,
beneficiando as que tiverem uma trajetória positiva em contexto de valorização salarial,
quer ponderando a limitação de elegibilidade como custo fiscal dos salários de cada
empresa que se situem significativamente acima deste indicador de desigualdade;
• Estabelecer mecanismos de representação das comissões de trabalhadores nas
administrações das empresas cotadas em bolsa e das maiores empresas, em especial no que
toca às questões salariais e da distribuição de outros dividendos;
• Estudar diferentes mecanismos de acesso reforçado dos trabalhadores,
designadamente através das comissões de trabalhadores, à participação na estrutura
acionista das empresas e nos seus resultados, como meio de combate às desigualdades
excessivas;
• Valorizar as dinâmicas de responsabilidade social das instituições e empresas e
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grupos empresariais, nas suas diferentes expressões.
Erradicar a pobreza
A política de reposição de rendimentos prosseguida ao longo dos últimos quatro anos, a
par da evolução muito positiva do mercado de trabalho, conduziu a uma melhoria
generalizada dos rendimentos das famílias portuguesas, contribuindo para reduzir de forma
significativa o número de pessoas em situação de pobreza ou exclusão social e para mitigar
as desigualdades.
Ainda assim, o país tem um longo caminho a percorrer na garantia de condições de vida
dignas para todos. A continuidade da aposta na recuperação do emprego e na promoção de
condições de trabalho dignas é fundamental para combater a pobreza e a exclusão social,
mas é igualmente fundamental repensar o nosso sistema de mínimos sociais, reforçando os
apoios do Estado aos grupos mais desfavorecidos e dando um novo impulso à economia
social, em nome da igualdade de oportunidades. Para este efeito, o Governo irá:
• Lançar uma Estratégia Nacional de Combate à Pobreza, no âmbito do Pilar
Europeu dos Direitos Sociais, que integre medidas concretas, cruzando diferentes
instrumentos e dimensões de política pública, integrando transversalmente todos os
públicos, da infância à velhice, incluindo os grupos e públicos mais vulneráveis, e criando,
em particular, um quadro de monitorização único da evolução dos indicadores;
• Aumentar a cobertura das prestações de desemprego, em particular do subsídio
social de desemprego, articulada com respostas de formação numa lógica de melhoria das
oportunidades;
• Prosseguir a trajetória de valorização real dos rendimentos dos pensionistas dos
escalões mais baixos de rendimentos, nomeadamente através da reposição do valor de
referência do Complemento Solidário para Idosos acima do limiar de pobreza, de modo a
reforçar a garantia da eficácia desta medida no combate à pobreza entre os idosos;
• Rever as condições de atribuição do Rendimento Social de Inserção, por forma a
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melhorar a compatibilização desta medida de proteção social com o acesso ao mercado de
trabalho, com vista a favorecer a elevação dos rendimentos dos seus beneficiários e a
promover a sua mobilidade social;
• Melhorar os instrumentos de proteção social dirigidos às famílias monoparentais;
• Reforçar, em particular, os instrumentos de combate à pobreza infantil,
nomeadamente aumentando o abono de família até aos 6 anos;
• Aperfeiçoar o modelo de sinalização e acompanhamento das crianças e jovens em
risco e os meios e instrumentos à disposição das comissões de proteção de crianças e
jovens;
• Renovar os instrumentos territoriais integrados de combate à pobreza, articulando
melhor as respostas sociais com políticas de habitação, formação e emprego e outras áreas
relevantes;
• Elaborar os instrumentos que se revelem necessários, no âmbito da
descentralização das competências para os municípios na área da ação social, a fim de
garantir um padrão de respostas sociais que assegure a igualdade dos cidadãos no acesso a
esses serviços em todo o território nacional;
• Aprofundar e monitorizar o modelo de trabalho em rede no quadro da Rede Social,
reforçando o envolvimento dos diferentes atores e a equidade do modelo;
• Concluir a execução da Estratégia Nacional para a Integração dos Sem-Abrigo,
disponibilizando soluções de vida condignas às pessoas que se encontram nesta situação;
• Consolidar e desenvolver a experiência, já em curso, de avaliação do impacto das
leis quanto ao combate à pobreza (poverty proofing), consagrando a obrigatoriedade de
avaliação fundamentada das medidas de política e dos orçamentos na ótica dos impactos
sobre a pobreza;
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• Promover uma estratégia de longo prazo para o combate à pobreza energética, no
âmbito do Plano Nacional Energia-Clima 2030, incluindo estratégias locais de combate à
pobreza energética e promovendo os instrumentos de proteção a clientes vulneráveis e os
mecanismos de reabilitação dos edifícios e reintegração em comunidades de energia;
• Rever o modelo de fixação e aplicação da tarifa social da água, para que mais
pessoas possam, de forma automática, aproveitar este benefício;
• Incluir, em cada relatório do Orçamento do Estado, um Relatório sobre as
Desigualdades (à semelhança do Relatório sobre a Sustentabilidade Financeira da Segurança
Social).
Construir um sistema fiscal mais justo e promover a progressividade fiscal
Um sistema fiscal mais progressivo e que resista melhor à evasão contribui para promover
mais justiça social e menos desigualdade. Para atingir estes objetivos, importa aproximar o
tratamento fiscal aplicável aos diferentes tipos de rendimentos, valorizar o princípio da
capacidade contributiva e, a par da luta contra a fraude e a evasão fiscal, corrigir as lacunas
legais e administrativas que permitem um planeamento fiscal agressivo. Isto exige mais
cooperação internacional, sobretudo no âmbito da União Europeia, e respostas inovadoras
para os processos de desterritorialização suportados pelo desenvolvimento tecnológico.
Por sua vez, a progressividade dos impostos sobre o rendimento individual é um
mecanismo básico de redistribuição. A sua eficácia neste plano requer, porém, uma maior
equidade no tratamento de todos os tipos de rendimento e a eliminação de soluções que,
beneficiando sobretudo os contribuintes com mais recursos, induzam dinâmicas contrárias
de regressividade.
Neste campo, o Governo irá:
• Dar continuidade ao desenvolvimento de mecanismos que acentuem a
progressividade do IRS, revendo os respetivos escalões;
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• Caminhar no sentido do englobamento dos diversos tipos de rendimentos em sede
de IRS, eliminando as diferenças entre taxas;
• Eliminar e reduzir, progressivamente, os benefícios e deduções fiscais com efeitos
regressivos, reforçando a transparência e a simplificação do sistema fiscal e aumentando a
sua equidade e justiça social;
• Assegurar a avaliação regular e sistemática do conjunto de benefícios fiscais,
tornando o sistema fiscal mais simples e transparente, com um maior grau de exigência
quanto à explicitação dos objetivos extrafiscais que presidam à sua criação e/ou
manutenção, e assegurando a utilização alternativa dos mecanismos de política fiscal que se
mostrem mais eficientes à concretização das finalidades propostas;
• Garantir um quadro de estabilidade na legislação fiscal, assegurando a
previsibilidade necessária à dinamização do investimento privado.
Reforçar a cooperação europeia e internacional para combater as desigualdades globais
A evasão e a elisão fiscal não só privam o país de recursos necessários ao seu
desenvolvimento e ao financiamento das funções sociais do Estado, como introduzem
novas possibilidades de agravamento das desigualdades. Acresce que são fenómenos
claramente regressivos, aumentando em termos absolutos e relativos na relação direta do
aumento dos rendimentos e da riqueza. Assim, as crescentes sofisticação e globalização dos
mecanismos de evasão e de elisão fiscal tornam indispensável uma maior cooperação
europeia e internacional, bem como a criação de novas iniciativas, quer no âmbito da União
Europeia, quer no âmbito da OCDE. Para este efeito, o Governo irá:
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• Bater-se por uma maior justiça fiscal à escala europeia, combatendo a erosão das
bases tributáveis entre diferentes Estados, a evasão fiscal e a concorrência desleal;
• Propor, nas instituições europeias, uma atuação concertada ao nível tributário que
reduza os efeitos perversos da concorrência fiscal entre Estados-Membros;
• Promover uma cooperação europeia e internacional reforçada na troca de
informação financeira e fiscal e mecanismos efetivos de combate aos “paraísos fiscais”;
• Defender, no plano europeu, a tributação dos movimentos de capitais, das
transações financeiras e da economia digital, bem como o desenvolvimento de incentivos
fiscais para a inovação e o desenvolvimento sustentável.
Dar um novo impulso à economia social e solidária
As entidades da economia social têm já uma longa tradição como parceiras fundamentais
do Estado na prestação de serviços de interesse geral às populações em termos não
mercantis, mas também, e acima de tudo, são entidades dotadas de uma identidade própria
e uma matriz distintiva de expressão e prática de valores solidários, contribuindo para a
satisfação das necessidades coletivas. O universo da economia social é, em si mesmo,
profundamente diverso e tem raízes sociais e históricas muito distintas, sendo por isso
transversal a toda a sociedade, com um papel decisivo junto dos segmentos sociais mais
fragilizados, através de ações de proximidade quer em áreas urbanas de maior dinamismo,
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quer em regiões de menor densidade no interior do país. A economia social contribui,
também, para a dinamização da própria atividade económica e social do país e, por essa via,
para a criação e manutenção de emprego. Para melhorar o dinamismo, a visibilidade e a
capacidade de resposta das entidades da economia social, importa aumentar a eficácia e a
eficiência da sua atuação e garantir, ao mesmo tempo, a sua sustentabilidade económica e
financeira, salvaguardando a independência, os princípios e as dinâmicas próprias destas
organizações. Por isso, o Governo vai:
• Modernizar, simplificar e agilizar os instrumentos de regulação da economia social,
em estreito diálogo social com os diferentes setores que a compõem;
• Promover os diferentes ramos do setor cooperativo, estimulando a sua
modernização e rejuvenescimento, e, em particular, reforçar e agilizar o modelo das
cooperativas de interesse público de modo a torná-lo mais atrativo para o envolvimento de
diferentes entidades públicas e privadas na construção de parcerias duradouras na resposta
a necessidades sociais, culturais e outras, por exemplo em articulação com dinâmicas de
mercado social de emprego;
• Desenvolver um programa de formação e capacitação para dirigentes de entidades
da economia social, potenciando a inovação, a criatividade e o empreendedorismo no setor;
• Criar uma rede de incubadoras sociais, que favoreçam o nascimento e
acompanhamento de novos projetos da economia social, de modo a promover o seu
dinamismo e rejuvenescimento;
• Criar incentivos à inovação social e à exploração de tecnologias que coloquem o
cidadão no centro da decisão;
• Estimular dinâmicas de medição dos impactos sociais das iniciativas da economia
social, de modo a valorizar os resultados da sua intervenção;
• Proceder a uma revisão global e integrada da legislação aplicável às fundações e às
entidades com estatuto de utilidade pública, de modo a valorizar a iniciativa filantrópica ou
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de âmbito comunitário, reconhecer o papel essencial que estas instituições desempenham
no nosso tecido social, combater o estigma que se gerou contra elas e reforçar os
instrumentos de fiscalização da sua atividade, para garantir que não se desviam dos fins
para os quais foram instituídas nem prosseguem intuitos fraudulentos.
7.3. Educação
O direito à Educação e a uma Educação capaz de responder aos desígnios dos cidadãos e
da sociedade, é um dos pilares fundamentais do desenvolvimento das comunidades e um
aspeto fundacional da democracia portuguesa. A Educação não é apenas o meio
privilegiado para o desenvolvimento dos indivíduos, é também o determinante necessário
para alcançar uma sociedade justa e esclarecida.
O Governo assume a educação enquanto alavanca fundamental da igualdade de
oportunidades, da coesão social e do crescimento económico. Esta orientação determina
um trabalho continuado para garantir que todas as crianças e jovens, assim como um
número crescente de adultos, tem acesso às aprendizagens e qualificações fundamentais
para ter sucesso na sociedade e na economia do século XXI e na garantia da
sustentabilidade e racionalidade do sistema educativo para o médio e longo prazo.
Assim, para o período de 2019-2023, prevê-se consolidar a alargar um conjunto de políticas
e medidas já iniciadas, contribuindo para a estabilidade e o desenvolvimento progressivo do
sistema, nomeadamente em campos como a inclusão, a inovação e a qualidade das
aprendizagens, reforçando-se simultaneamente o trabalho ao nível da rede de escolas, dos
equipamentos e da valorização dos seus profissionais.
Promover a inclusão e o sucesso escolar
Apesar de uma redução de cerca de um terço entre 2015 e 2018, Portugal continua a ter
níveis de insucesso e retenção demasiado altos – em 2018, foram cerca de 50 mil no ensino
básico e outros 50 mil no ensino secundário – que contrastam com o observado na maioria
dos países europeus, mantendo-se a sua forte correlação com as condições
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socioeconómicas de origem dos alunos.
Por conseguinte, uma política de combate às desigualdades obriga à consolidação e
alargamento de estratégias lançadas nos anos anteriores e que se têm demonstrado bem-
sucedidas, como é o caso do Programa Nacional de Promoção do Sucesso Escolar, do
Apoio Tutorial Específico ou da qualificação dos serviços de psicologia, orientação e apoio
social escolar. É fundamental continuar os esforços de monitorização e aferição dos
resultados destes programas e compreender como se podem potenciar articulações,
aperfeiçoamentos e sinergias, de forma a encontrar-se a solução mais adequada a cada
contexto e a cada aluno, de forma a prevenir e mitigar o insucesso, criando, assim mesmo,
um Plano de não retenção no ensino básico, trabalhando de forma intensiva e diferenciada
com os alunos que revelam mais dificuldades.
Algumas estratégias adicionais estão previstas para diversificar esta linha de trabalho, até
2023, em diálogo com as escolas e as comunidades educativas, focando aspetos já
identificados como críticos para a inclusão e o sucesso de todos os alunos:
• Definir uma estratégia integrada de ação sobre a aprendizagem da matemática,
consonante com o Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória e com o currículo
dos ensinos básico e secundário e os princípios orientadores da avaliação das
aprendizagens;
• Garantir maior inovação, formação e estabilidade às escolas em territórios
socialmente mais desfavorecidos e marginalizados, reforçando o combate à segregação e a
sua vinculação às dinâmicas de desenvolvimento comunitário;
• Melhorar a eficácia dos sistemas de aferição do sistema ensino/ aprendizagem para
alunos e professores;
• Reforçar as políticas de ação social escolar e implementar um programa de apoio a
famílias vulneráveis, que articulem e tornem eficaz a ação da escola, da família e dos
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serviços da segurança social no terreno;
• Dinamizar programas específicos de combate ao abandono escolar por alunos com
deficiência, apostando na transição entre a escolaridade obrigatória e a vida ativa, através da
implementação efetiva de Planos Individuais de Transição;
• Apostar em programas de mentorado entre alunos.
Valorizar o desenvolvimento dos profissionais das escolas
A qualidade da educação passa, necessariamente, pela valorização e desenvolvimento dos
seus profissionais. A reposição de direitos foi um processo progressivo e que continuará na
atual legislatura, criando condições para uma maior estabilidade do seu trabalho.
Tendo em conta o perfil demográfico do pessoal docente, torna-se fundamental estudar o
modelo de recrutamento e colocação de professores, elaborando um diagnóstico de
necessidades docentes de curto e médio prazo (5 a 10 anos), a partir do qual seja possível
aperfeiçoar este sistema. Afigura-se igualmente importante dar a possibilidade aos
professores em final de carreira, em particulares aqueles que se encontram em regime de
monodocência, de desempenhar outras atividades que garantam o pleno aproveitamento
das suas capacidades profissionais.
Simultaneamente, prevê-se rever e consolidar o modelo de formação inicial e contínua dos
professores, para garantir a sua permanente atualização, adequação à diversidade dos
nossos alunos e aprofundamento científico-pedagógico em contextos disciplinares e
interdisciplinares, numa perspetiva integrada que permita o desenvolvimento profissional,
ao longo da vida.
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Alargar os horizontes do trabalho educativo
Tal como definido no Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade, a preparação das nossas
crianças e jovens para a sociedade presente e futura implica um trabalho de espetro
alargado e que o Governo prosseguirá, nos próximos anos, nomeadamente em áreas
consideradas chave.
As questões do combate à segregação e à violência, bem como da promoção da literacia
democrática e da ação climática, implicam prosseguir e aprofundar a Estratégia Nacional de
Educação para a Cidadania. É fundamental para o nosso futuro que as novas gerações
aprendam com a diversidade, desenvolvam competências socioemocionais e de cidadania
democrática, assim como reforcem a consciência dos problemas ambientais e a busca por
modos de vida e de organização social mais sustentáveis.
No âmbito da iniciativa INCoDE.2030, está igualmente planeado o lançamento de um
conjunto de medidas que permitam fomentar o ensino da computação e aprofundar a
digitalização das escolas, entre 2019 e 2023. Isto não significa apenas atualizar e alargar os
recursos à disposição dos docentes e dos alunos, mas sobretudo apoiá-los na sua utilização
pedagógica, de forma a garantir efetivas mais-valias nos processos de ensino-aprendizagem
de todos os alunos.
Aprofundar a aposta no ensino profissional constitui outro objetivo importante, com vista
à expansão e reconhecimento desta modalidade educativa e das qualificações que
proporciona. Para isso, prevê-se o alargamento progressivo do sistema de garantia da
qualidade alinhado com os padrões europeus (EQAVET) a toda a rede de escolas com
ensino profissional, uma maior articulação com os serviços de psicologia e orientação
escolar, bem como o desenvolvimento e atualização do Catálogo Nacional de Qualificações
(CNQ) e do Sistema de Antecipação das Necessidades de Qualificação (SANQ), como de
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um envolvimento mais alargado das empresas e das entidades intermunicipais na
identificação de necessidades de qualificação, no desenho dos cursos e na organização da
formação em contexto de trabalho.
A estratégia de redução do défice educativo das populações adultas determina um
alargamento do Programa Qualifica, nomeadamente através de aumento das ofertas de
educação e formação de adultos, campanhas públicas, acompanhamento da rede dos
Centros Qualifica e formação dos seus profissionais, bem como da atualização dos
referenciais de competências e articulação com o SANQ, com o envolvimento das
empresas, dos serviços públicos e das entidades intermunicipais.
Centenas de milhares de cidadãos portugueses que não sabem ler ou escrever, sendo esse
um fator que potencia fenómenos de exclusão. O trabalho já em curso de desenho de um
Plano Nacional de Literacia de Adultos, envolvendo diversas instituições públicas e da
sociedade civil, deverá avançar para a fase de implementação.
Reforçar a governança das escolas e a participação das comunidades educativas
A melhoria da rede escolar e dos equipamentos educativos constitui um desígnio central
para que o sistema educativo cumpra a sua função, devendo nos próximos anos prosseguir
o esforço de, por um lado, alargar e ajustar a rede aos fluxos demográficos e, por outro
lado, de melhorar a qualidade e atualidade dos recursos materiais e tecnológicos das escolas.
Nesta linha, uma das prioridades será ajustar anualmente a rede de educação pré-escolar, no
sentido de garantir a todas as famílias o acesso a este nível educativo.
Com a autonomia e flexibilidade das escolas, aprofundada recentemente com os planos de
inovação, as comunidades educativas ganharam, ao longo dos últimos anos, novos
instrumentos para conceber e diversificar os seus projetos educativos e organizacionais,
procurando continuamente soluções mais adequadas aos seus diferentes contextos, de
forma a prosseguir os objetivos centrais de inclusão e sucesso educativo de todos os
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alunos. Também a administração central e local tem vindo a criar enquadramentos mais
robustos para acompanhar e apoiar este trabalho.
Tratando-se de uma mudança de fundo no sistema, é fundamental que este trabalho seja
aprofundado e consolidado ao longo dos próximos anos, projetando-se as seguintes áreas
de desenvolvimento:
• Estabelecer mecanismos transversais de governação integrada, em que a educação
se articule com outras áreas da administração pública, por forma a assegurar um
funcionamento ágil e eficiente das respostas de proximidade;
• Avaliar o modelo de administração e gestão das escolas, adequando-o à legislação
produzida em matéria de autonomia curricular e de descentralização de competências;
• Promover a representatividade dos estudantes e dos encarregados de educação em
todas as escolas e agrupamentos;
• Dotar as escolas de meios técnicos que contribuam para uma maior eficiência da
sua gestão interna;
• Flexibilizar o modelo de definição da dimensão das turmas, concedendo maior
flexibilidade às escolas;
• Valorizar o trabalho colaborativo dentro das escolas, entre escolas e entre estas e a
comunidade.
Investir no futuro coletivo, reforçando o investimento no ensino superior
Nos últimos quatro anos foram dados importantes passos para consolidar a
democratização do acesso à escola pública. O caminho percorrido no ensino básico e
secundário no que respeita ao acesso e apoio à frequência precisa agora de ser estendido ao
ensino superior. Parte da sociedade portuguesa ainda projeta o ensino superior como um
sistema inacessível e essa perceção, contrária às necessidades do país, deve ser combatida
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com medidas políticas efetivas. Aumentar o número de diplomados no ensino superior e
reduzir as condições que motivam o seu abandono e ter 60% da população com 20 anos a
estudar no ensino superior, constitui-se como um desígnio nacional para o qual se
continuará a trabalhar de modo a recuperar o atraso de muitos anos.
Neste âmbito, o Governo irá:
• Aumentar os apoios sociais aos estudantes do ensino superior, em especial no
âmbito das bolsas, das residências e do programa Erasmus;
• Incentivar o acesso ao ensino superior dos estudantes do ensino secundário
profissional;
• Aumentar o investimento do ensino superior nos adultos, diversificando e
adequando ofertas;
• Criar um número de vagas de mestrado acessíveis por mérito a preços controlados,
a fim de promover uma Universidade ao alcance de todos;
• Garantir o acesso automático às bolsas de ação social do ensino superior quando o
aluno tenha beneficiado de uma bolsa de ação social no ensino secundário, sem ter de
aguardar pelo processamento administrativo por parte da respetiva instituição de ensino
superior;
• Lançar, todos os anos, novas fases do plano de intervenção para a requalificação e a
construção de residências de estudantes, com o objetivo de reforçar o alojamento
disponível para estudantes do ensino superior, a custos acessíveis, em 12.000 camas até ao
final da legislatura, atingindo um total de 27.000 camas;
• Fomentar a requalificação de profissionais a quatro níveis:1) Licenciados em áreas
de menor empregabilidade, ativos ou inativos, com cursos curtos (1 ano) seguidos de
estágios profissionais; 2) Não licenciados no ativo, mediante uma colaboração intensa entre
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empresas, associações empresariais e instituições de ensino superior; 3) Mestrados
profissionalizantes; 4) Cursos curtos, não conducentes a grau, equivalentes, nas áreas
tecnológicas, aos MBA Executivos;
• Lançar um programa de combate ao insucesso e ao abandono escolar num
contexto universitário, assente na figura do tutor e do mentor;
• Promover a entrada e frequência de trabalhadores estudantes, com especial
incidência nos horários pós-laborais, promovendo o regresso às universidades e aos
politécnicos;
• Estimular a diversificação do acesso ao ensino superior, tendo em conta os
diferentes perfis dos candidatos, e aprofundando em particular, num quadro de autonomia
das diferentes instituições, o acesso dos estudantes oriundos de trajetórias profissionais de
nível secundário, de ofertas profissionais de pós-secundário, incluindo os cursos técnicos
superiores profissionais (TESP) e os cursos de especialização tecnológica (CET), e de
adultos, de modo a reforçar a equidade e a justiça social no acesso e a aposta na
recuperação de gerações em que as oportunidades de acesso eram menores;
• Premiar as instituições de ensino superior que promovam a diversidade;
• Incentivar o alargamento do número de vagas em horário pós-laboral nas
universidades e politécnicos, diferenciando positivamente as instituições do ensino superior
que apostem nesta estratégia;
• Promover, em articulação com as instituições do ensino superior, o aumento de
alunos com deficiência a frequentar este nível de ensino, mediante a melhoria das respetivas
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condições de acolhimento e o devido apetrechamento físico e tecnológico, designadamente
através da criação de estruturas de apoio a estes estudantes;
• Promover a expansão do ensino superior público, democratizando o acesso a esse
nível de ensino tanto no plano da oferta de vagas, como no da partilha de custos entre as
famílias e o Estado;
• Adotar políticas de incentivo à frequência de IES do Interior, através de apoios
para a instalação de estudantes – bolsas de mobilidade, redução de custos de transporte e
alojamento – e implementar uma gestão de vagas que promova a coesão territorial;
• Intensificar e explorar sinergias entre as IES, os centros de investigação e o tecido
empresarial, estimulando o investimento na transferência de tecnologia.
Promover o acesso à formação e qualificação ao longo da vida
Reforçar, na sociedade portuguesa, a rede e o trabalho em parceria em torno do desígnio da
qualificação dos adultos, em particular, daqueles que não completaram a escolaridade
mínima – o 12.º ano. Este é o meio mais poderoso para continuar a elevar a base de
qualificações da nossa população e a democratizar o acesso à aprendizagem ao longo da
vida.
O Programa Qualifica assumiu-se, nos últimos anos, como o rosto da retoma da aposta na
qualificação da população adulta. Além de promover o investimento na aproximação de
centenas de milhares de pessoas à qualificação, é também um instrumento de promoção do
reconhecimento de competências e aprendizagens e, ao mesmo tempo, da adequação dos
percursos formativos aos perfis e necessidades individuais. Neste sentido, o Governo vai:
• Consagrar um período sabático garantido para os adultos se poderem requalificar,
criando um programa de licenças para formação que facilite períodos de elevação de
qualificações e de requalificação das pessoas ao longo da vida, em articulação com a
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possibilidade de substituição dos trabalhadores em formação;
• Lançar o Plano Nacional de Literacia de Adultos, com base no diagnóstico já
realizado com especialistas, organizações públicas e a sociedade civil, com o apoio da
Comissão Europeia, no sentido de promover a alfabetização, a inclusão social e a
qualificação;
• Lançar, no quadro do Qualifica, um programa nacional de incentivo às pessoas que
deixaram percursos incompletos para que, utilizando diferentes vias, possam concluir os
seus percursos e ver concluída a sua formação;
• Alargar os pontos de contacto da rede de centros Qualifica com o público, através
do reforço da lógica de parcerias e da criação de balcões Qualifica em todos os concelhos
do país, numa lógica de reforço do acesso ao programa e de diferenciação positiva dos
territórios de baixa densidade;
• Apostar na criação e desenvolvimento de redes locais do Qualifica, reforçando a
coordenação e concertação local entre municípios, empresas, agentes locais, Centros
Qualifica e diferentes tipos de respostas, para aumentar a eficácia do programa;
• Aprofundar o Qualifica na Administração Pública, de modo a assegurar o pleno
envolvimento do Estado, enquanto empregador, no esforço de qualificação dos
portugueses;
• Desenvolver programas setoriais de aprofundamento do Qualifica, como por
exemplo no setor social ou junto dos empresários, focado em competências chave para
estes públicos;
• Aprofundar as respostas de reconhecimento e validação de competências no
âmbito do Programa Qualifica;
• Tornar a inscrição no Qualifica a regra da entrada no sistema de formação
profissional, e critério de valorização transversal nas práticas formativas, de modo a
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melhorar a monitorização integrada dos impactos da formação profissional e reforçar o
papel dos centros e do programa no acompanhamento de adultos encaminhados para
ofertas.
Garantir os direitos dos jovens e potenciar o desporto
Garantir os direitos dos jovens
A consolidação da abordagem intersectorial das políticas para a juventude constituiu um
avanço fundamental resultante do trabalho governativo nos últimos anos e que será
prosseguido, através da coordenação e da concretização do Plano Nacional para a
Juventude 2018-2021, bem como o lançamento de uma edição que o prolongue para o
período seguinte.
Neste âmbito, o Governo apostará em políticas ativas para um mercado de emprego mais
inclusivo, trabalhando intersetorialmente, no sentido de criar um programa direcionado
para jovens à procura do primeiro emprego, incluindo um sistema de mentoria direcionado
a estes jovens, em contextos socialmente desfavorecidos. A nova geração de políticas de
habitação irá aprofundar a articulação entre áreas de Governo responsáveis pelas respostas
específicas para as várias camadas etárias, considerando os projetos de emancipação dos
jovens.
O Governo irá igualmente renovar o Roteiro do Associativismo Estudantil, assim como
reforçar a participação dos jovens nas políticas locais, através dos Conselhos Municipais de
Juventude e de um programa de jovens autarcas. Lançar um programa de incentivo à
modernização administrativa no Associativismo Jovem e incrementar programas de
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voluntariado jovem, nomeadamente que promovam o desenvolvimento de competências e
de conhecimento sobre a biodiversidade e a proteção dos recursos naturais, no quadro da
Agenda 2030. Potenciando o legado da realização da Conferência Mundial de Ministros da
Juventude e do Fórum da Juventude Lisboa+21, será desenvolvido um Plano de
Sustentabilidade da Declaração Lisboa+21.
Potenciar o desporto como alavanca do crescimento e da coesão
Reconhecendo a importância da atividade física para a saúde e qualidade de vida dos
cidadãos, bem como na promoção da igualdade e da não discriminação, o Governo
investirá na melhoria da qualidade do serviço prestado aos cidadãos, na área do exercício
físico, valorizando a formação e a regulação do setor. O Plano de Ação Nacional para a
Generalização da Prática Desportiva e o Programa Nacional de Desporto para Todos
constituem duas alavancas centrais desta linha de ação, valorizando a inclusão, a igualdade,
os territórios de baixa densidade e a canalização dos apoios para as entidades mais
desfavorecidas.
O Governo vai continuar a elevar os níveis de atividade física e desportiva da população
em geral, promovendo os índices de bem-estar e saúde de todos os estratos etários, com o
objetivo de, na próxima década, colocar o país no grupo dos quinze estados europeus com
cidadãos fisicamente mais ativos.
O Programa de Reabilitação de Instalações Desportivas (PRID), com três anos de
execução, bem como a Carta Desportiva Nacional, permitirão robustecer o conjunto de
instrumentos disponíveis, ao serviço das comunidades. Também a valorização da Educação
Física nos vários níveis educativos e o reforço do Desporto Escolar constituem elementos
centrais desta estratégia, fortalecendo-se a articulação entre o sistema educativo e o
movimento desportivo.
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Por seu lado, o Governo pretende continuar a afirmar Portugal no contexto desportivo
internacional, através do aperfeiçoamento dos Programas de Preparação Olímpica e
Paralímpica, do reforço dos Centros de Alto Rendimento e do incentivo a programas de
seleção desportiva que identifiquem e garantam a retenção de talentos, assim como o
incremento das ferramentas de ensino à distância.
O Governo pretende ainda investir na cooperação entre autoridades, agentes desportivos e
cidadãos, com vista a erradicar comportamentos e atitudes violentas, de racismo, de
xenofobia e de intolerância em todos os contextos de prática desportiva, bem como a
reforçar o combate à dopagem, à manipulação de resultados ou qualquer outra forma de
perverter a verdade desportiva.
O Governo lançará ainda uma estratégia integrada de atração de organizações desportivas
internacionais para a realização, em Portugal, de eventos de pequena e média dimensão
(estágios, torneios, conferências, etc.) e de promoção de Portugal enquanto destino de
Turismo Desportivo, capitalizando as condições privilegiadas do país.
Neste sentido, o Governo vai:
• Promover a articulação entre o sistema educativo e o movimento desportivo;
• Promover a conciliação do sucesso académico e desportivo, ajustando ao ensino
superior o bem-sucedido projeto criado em 2016 no ensino básico e secundário
denominado Unidades de Apoio ao Alto Rendimento na Escola (UAARE), consagrando
apoio estrutural à carreira dupla, através de tutorias e ambientes virtuais de aprendizagem
para percursos de educação de estudantes atletas no ensino superior, ajustados e flexíveis à
sua carreira;
• Promover a cooperação entre autoridades, agentes desportivos e cidadãos, com
vista a erradicar comportamentos e atitudes violentas, de racismo, xenofobia e intolerância
em todos os contextos de prática desportiva, do desporto de base ao desporto de alto
rendimento;
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• Continuar a reabilitação do parque desportivo, promovendo a sustentabilidade
ambiental, através do programa PRID criado em 2017, privilegiando reabilitações e
construções que promovam a redução de emissões e a eficiência energética;
• Promover a coesão social e a inclusão, incentivando a generalização de
oportunidades de prática desportiva em condições de igualdade, garantindo a acessibilidade
a espaços desportivos para pessoas com oportunidades reduzidas, pessoas com deficiência
ou incapacidade e grupos de risco social;
• Promover uma estratégia integrada de atração de organizações desportivas
internacionais para a realização em Portugal de eventos de pequena e média dimensão
(estágios, torneios, conferências, etc.) e de promoção de Portugal enquanto destino de
Turismo Desportivo, otimizando os recursos existentes e capitalizando as condições
privilegiadas do país;
• Continuar o combate à dopagem, à manipulação de resultados ou qualquer outra
forma de perverter a verdade desportiva.
7.4. Saúde
Num período em que o SNS se encontra a atravessar uma fase de maior pressão e num
contexto de profundas mudanças na prestação de cuidados de saúde, as propostas políticas
terão de dar resposta a um conjunto de desafios que promovam a inovação e a disrupção
em algumas das abordagens mais tradicionais e que garantam, simultaneamente, um SNS
mais justo e inclusivo.
Reafirma-se o princípio da responsabilidade do Estado no garante e na promoção da
proteção da saúde através do SNS, assumindo-se que a contratação de entidades terceiras é
condicionada à avaliação da necessidade. Igualmente, assume-se o compromisso de não se
fazer nenhuma nova Parceria Público-Privada (PPP) na gestão clínica num estabelecimento
em que ela não exista.
Garantir cuidados de saúde primários com mais respostas
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Os cuidados de saúde primários são a base do sistema de saúde português e o melhor
caminho para atingir a meta da cobertura universal em saúde. Por isso, é preciso reforçar os
cuidados de saúde primários e, com esse propósito, o Governo irá:
• Rever e universalizar o modelo das Unidades de Saúde Familiar (USF) a todo o
país, adequando-o à realidade de cada região;
• Criar, junto das unidades de cuidados primários de territórios de baixa densidade,
unidades móveis que possam prestar, em proximidade, cuidados de saúde primários;
• Continuar a diferenciar os cuidados de saúde primários, melhorando a sua
resolutividade, não apenas generalizando os cuidados de saúde oral e visual, de psicologia e
de nutrição e os meios de diagnóstico, mas oferecendo outras especialidades, como a
ginecologia ou pediatria;
• Garantir uma equipa de saúde familiar a todos os portugueses;
• Criar equipas de saúde mental comunitárias junto das Administrações Regionais de
Saúde;
• Robustecer os Núcleos de Apoio a Crianças e Jovens em Risco (NACJR) e as
Equipas de Prevenção da Violência em Adultos (EPVA), no âmbito do Programa Nacional
de Prevenção da Violência no Ciclo de Vida;
• Desenvolver os critérios de referenciação clínica entre os cuidados de saúde
primários e os hospitalares, privilegiando os cuidados de saúde de proximidade.
Reduzir os custos que os cidadãos suportam na saúde
As famílias portuguesas permanecem, de entre as europeias, das que suportam pagamentos
diretos mais elevados, uma tendência que se acentuou nos anos da assistência económica e
financeira e cuja inversão se revela difícil. Reconhecendo que os elevados pagamentos
diretos das famílias constituem um risco para a cobertura universal em saúde, o Governo
irá:
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• Alargar a cobertura de medicina dentária no SNS, nomeadamente através dos
centros de saúde e em colaboração com os municípios;
• Eliminar, faseadamente, o pagamento de taxas moderadoras nos cuidados de saúde
primários e em todas as prestações de cuidados, cuja origem seja uma referenciação do
SNS;
• Criar, a exemplo do cheque dentista, um vale de pagamento de óculos a todas as
crianças e jovens até aos 18 anos, bem como às pessoas com mais de 65 anos beneficiárias
do rendimento social de inserção, prescrito em consulta no SNS;
• Continuar a promover a prescrição de genéricos e medicamentos biossimilares;
• Garantir a monitorização da despesa gerada no SNS, introduzindo mecanismos de
correção, sempre que estes se manifestem necessários.
Assegurar tempos adequados de resposta
Fruto de uma procura crescente de cuidados de saúde, os tempos de espera constituem
uma das maiores pressões sobre o SNS. O incumprimento dos tempos máximos de
resposta garantidos diminuí a confiança dos cidadãos nos serviços e é uma das causas de
necessidades em saúde não satisfeitas. Para melhorar a capacidade de resposta do SNS,
diminuindo os tempos de espera, o Governo irá:
• Aumentar a capacidade de realização de consultas externas, tendo em vista a
melhoria do acesso e a satisfação dos utentes adotando medidas como, por exemplo, o
alargamento da realização da atividade programada aos sábados;
• Generalizar a todas as instituições e serviços públicos de saúde, o agendamento da
atividade programada a hora marcada;
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• Integrar a informação entre os cuidados primários e os cuidados hospitalares de
forma a simplificar as marcações, agendamentos e reagendamentos, de modo a diminuir as
consultas que não se realizam por falta;
• Aumentar a eficiência e produtividade na atividade assistencial, de modo a melhorar
ou recuperar os níveis de acesso que não sejam ainda satisfatórios;
• Continuar a política de reforço dos recursos humanos, melhorando a eficiência da
combinação de competências dos profissionais de saúde e incentivando a adoção de novos
modelos de organização do trabalho, baseados na celebração de pactos de permanência no
SNS após a conclusão da futura formação especializada, na opção pelo trabalho em
dedicação plena, na responsabilidade da equipa e no pagamento de incentivos pelos
resultados;
• Maximizar o aproveitamento das capacidades formativas, sobretudo nas
especialidades em que o SNS é carenciado, reforçando o acesso à formação especializada;
• Reforçar o papel dos níveis de gestão intermédia nos hospitais públicos,
conferindo-lhes mais responsabilidade e mais autonomia, remunerando-os
diferenciadamente e exigindo-lhes a dedicação plena;
• Proceder à avaliação e ajustamento da distribuição geográfica da capacidade
instalada, assegurando níveis de acessibilidade adequados para todas as especialidades em
todo o território, garantindo um planeamento integrado de instalações, equipamentos
médicos e recursos humanos que oriente todas as decisões de investimento.
Apostar nos cuidados com a saúde desde os primeiros anos de vida
A prevenção nos primeiros anos de vida das futuras gerações é uma prioridade, uma vez
que crianças e adolescentes saudáveis tendem a tornar-se adultos saudáveis, mais
autónomos e independentes, até ao envelhecimento. Para tal, o Governo irá:
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• Responsabilizar os agrupamentos de centros de saúde pela articulação com as
escolas na promoção da alimentação saudável e da atividade física, na prevenção do
consumo de substâncias e de comportamentos de risco, na educação para a saúde e o bem-
estar mental, capacitando as crianças e jovens para fazerem escolhas informadas e gerirem a
sua saúde, com qualidade;
• Alargar a cobertura do cheque dentista a todas as crianças entre os 2 e os 6 anos de
idade, de modo a permitir a observação e deteção precoce de problemas de saúde oral;
• Generalizar uma consulta de saúde do adolescente que preveja o seu
acompanhamento biopsicossocial, nos cuidados de saúde primários, e também o apoio aos
pais e cuidadores, abordando fatores de risco e problemas específicos deste grupo etário;
• Reforço do apoio à maternidade e à paternidade envolvidas e cuidadoras.
Melhorar as condições de trabalho no SNS
O SNS conta com mais de 130.000 profissionais de saúde, entre prestadores diretos de
cuidados e prestadores de serviços de suporte. A saúde é um setor onde a mão de obra é
intensiva, onde se trabalha sete dias por semana, 24 horas por dia. Por isso, é essencial o
investimento numa política de recursos humanos da saúde que reflita a atenção a
organizações saudáveis e seguras, que promova a igualdade de género, o equilíbrio entre
vida familiar e pessoal e vida profissional, e que confira espaço ao diálogo social e à
motivação dos seus profissionais. Para tal, o Governo irá:
• Reforçar os serviços de saúde ocupacional das unidades do SNS;
• Fomentar o equilíbrio entre as expectativas dos profissionais de saúde e as
necessidades de saúde dos cidadãos, investindo numa cultura de organização dos serviços
públicos que privilegie as preferências dos utentes e dê a conhecer à população as funções e
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a forma de trabalho dos profissionais de saúde;
• Estimular a oferta de serviços de creche para os filhos dos profissionais de saúde;
• Prosseguir a harmonização dos dois regimes de trabalho existentes no setor,
aprofundando a convergência.
Garantir a participação dos cidadãos no SNS
A participação dos cidadãos no sistema de saúde é a melhor forma de garantir que este
responde às expectativas daqueles que justificam a sua existência, evitando a captura das
decisões sobre a sua organização por interesses que não são centrais. Para tal, o Governo
irá:
• Rever a Lei das associações de defesa dos utentes de saúde, no sentido de assegurar
a oficialização destas associações;
• Promover uma cultura de humanização dos serviços de saúde, com especial
cuidado com a qualidade do atendimento, a privacidade e o respeito;
• Reforçar mecanismos de participação dos cidadãos na gestão do sistema de saúde e
de organização da prestação de cuidados já previstos no Conselho Nacional de Saúde e a
nível dos hospitais e dos cuidados de saúde primários.
Promover a modernização do SNS
A saúde enfrenta hoje tremendos desafios decorrentes da constante atualização das formas
de prestação de cuidados cada vez mais especializados, com maiores exigências de
qualidade e com melhores resultados para os utentes, e com recurso a meios
tecnologicamente mais avançados e mais seguros, pelo que é essencial promover a
modernização das infraestruturas e dos equipamentos do SNS. Para tal o governo irá:
• Promover a modernização dos equipamentos de prestação de cuidados do SNS
concretizando os projetos em curso, nomeadamente os novos hospitais (Hospital Lisboa
Oriental, Hospital Central do Alentejo, Hospitais de Proximidade de Sintra e Seixal,
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Hospital do Funchal, Hospital do Algarve), e avaliando futuras necessidades;
• Promover a reabilitação e a modernização das infraestruturas e equipamentos
médicos existentes.
7.5. Proteção dos consumidores
Todos os consumidores têm os seus interesses protegidos por direitos consagrados na Lei.
De acordo com a Constituição da República Portuguesa, estes direitos dizem respeito à boa
qualidade dos bens e serviços consumidos e ao preço competitivo e equilibrado, à proteção
da saúde e da segurança, à eliminação do prejuízo, à formação, educação e informação para
o consumo. Tratam-se de direitos dos cidadãos enquanto consumidores, que obrigam a
prestações do Estado e se impõem aos próprios operadores económicos fornecedores de
bens, desde a produção até à distribuição final.
Proteger os direitos dos consumidores
Apesar dos progressos feitos nos últimos anos, a situação dos consumidores perante os
prestadores de serviços e de bens, numa sociedade de consumo cada vez mais massificada e
acelerada, continua a carecer de atenção. A transição para uma economia circular irá trazer
novos desafios e novas responsabilidades a todos os intervenientes, sendo necessário
cuidar, de forma adequada, dos consumidores, que tem um papel decisivo nesta mudança.
O objetivo deve ser duplo: o de prevenir o conflito, impondo regras justas e que equilibrem
as condições contratuais de consumidores e prestadores; verificado um litígio, deve ser
encontrada uma forma de o resolver de forma célere e eficaz, oferecendo soluções
economicamente satisfatórias para o consumidor. Para isso, o Governo irá:
• Promover iniciativas de informação, sensibilização e capacitação, dirigidas
sobretudo aos consumidores mais vulneráveis e com especial enfoque em domínios que
carecem de maior divulgação, como os direitos dos passageiros e o comércio eletrónico;
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
• Elevar a idade mínima para espetáculos tauromáquicos;
• Limitar efetivamente o contacto de teor comercial com consumidores à sua
expressa declaração de disponibilidade nesse sentido, independentemente da relação pré-
existente com o fornecedor de bens ou serviços em causa;
• Prevenir e punir as técnicas agressivas e inapropriadas de vendas e publicidade,
potencialmente encorajadoras do sobre-endividamento dos consumidores, sobretudo no
que respeita aos consumidores mais vulneráveis;
• Garantir que a venda e revenda telemática de bilhetes para espetáculos, títulos de
transporte e outros bens ou serviços acontece de forma não lesiva para o interesse dos
consumidores e no estrito cumprimento da lei, respeitando obrigações de transparência em
relação ao montante final a ser pago pelo consumidor;
• Avaliar o quadro regulatório das comissões bancárias, assegurando os princípios da
transparência ao consumidor e da proporcionalidade face aos serviços efetivamente
prestados;
• Garantir a inexistência de comissões associadas ao levantamento de dinheiro e
outros serviços disponibilizados nas «Caixas Multibanco»;
• Transmitir aos consumidores o maior conjunto de informação possível sobre a
composição dos produtos agroalimentares, a sua origem, bem como o impacto ambiental
da sua produção, estimulando a adoção de hábitos de vida saudáveis;
• Adotar instrumentos que permitam ao consumidor obter informação e compará-la,
no que à vida útil dos produtos diz respeito, assim como promover a atualização e a
reparação de produtos, numa lógica promotora da sustentabilidade ambiental e limitadora
da obsolescência programada;
• Assegurar maior proteção nas compras online, através do fortalecimento da
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cooperação nos âmbitos europeu e internacional, para reforço dos direitos dos
consumidores;
• Efetivar o Livro de Reclamações como instrumento crucial da política pública de
defesa do consumidor, assegurando que o mesmo constitui uma base para a indemnização
e não apenas para aplicação de eventual coima;
• Lançar uma plataforma eletrónica que permita a resolução de contratos de
telecomunicações, dispensando os consumidores da interação física com os operadores do
setor;
• Fomentar o alargamento da rede de centros de arbitragem de consumo, bem como
o seu funcionamento online, de modo a cobrir de modo mais eficaz as necessidades dos
consumidores, e promovendo a sua interação em rede com «Centros de Informação
Autárquicos ao Consumidor» e os demais instrumentos do sistema de defesa do
consumidor, designadamente o Livro de Reclamações;
• Dar visibilidade adicional aos prestadores de bens e serviços que incluem cláusulas
contratuais declaradas judicialmente como abusivas nos seus contratos de adesão;
• Permitir que as entidades reguladoras determinem, mediante injunção, a restauração
da situação anterior à prática da infração;
• Potenciar o Comércio com História, quer através do apoio a projetos de
investimento promovidos por empresas em estabelecimentos reconhecidos como de
interesse histórico, cultural ou social, quer através de outras medidas promocionais,
designadamente através da plataforma “Comércio com História”;
• Reforçar a articulação entre a produção nacional e o comércio de proximidade,
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através da dinamização das redes logísticas e de abastecimento;
• Lançar a plataforma “Comércio no Mundo”, que reúna, localize e confira projeção
e notoriedade a marcas, estabelecimentos comerciais ou de serviços portugueses localizados
noutros países, e onde seja possível aceder a produtos nacionais;
• Fomentar iniciativas de dinamização e valorização da oferta nacional, aproximando
os consumidores das marcas e dos produtos portugueses;
• Lançar iniciativas destinadas a melhorar o conhecimento e a informação disponível
sobre os setores do comércio e dos serviços.
7.6. Coesão Territorial
As especificidades dos diferentes territórios do interior devem começar a ser consideradas
como oportunidades efetivas de promover programas de desenvolvimento equilibrado com
as restantes zonas do país. Promover a coesão territorial, em todas as suas declinações, é
por isso uma prioridade não só em termos de justiça social e de aproximação entre todos
os portugueses, mas também de resposta a outros desafios como a valorização dos nossos
recursos, a sustentabilidade demográfica ou um desenvolvimento económico sustentado,
mitigando as assimetrias e reforçando o sentimento de pertença a um desígnio comum.
Assim, para além da descentralização de competências referida no terceiro capítulo,
importa tomar medidas que contribuam para o equilíbrio territorial, promovendo o
desenvolvimento harmonioso de todo o país, com especial atenção para os territórios de
baixa densidade, de modo a tornar todo o território mais coeso, mais inclusivo e mais
competitivo.
Corrigir as assimetrias territoriais
A aplicação de medidas coadunadas com a exacerbação das valências únicas das regiões de
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interior deverá ser suportada por políticas públicas especialmente dirigidas à resolução das
assimetrias regionais e, para o efeito, devem ser conjugadas estratégias de promoção da
coesão social e de reforço da competitividade tendo em conta a especificidade de cada um
dos diferentes territórios. Assim, o Governo irá incorporar o desígnio de coesão territorial,
de forma transversal, nas diversas políticas públicas setoriais pertinentes, com uma
intensidade suficientemente discriminadora para compensar as externalidades negativas que
têm afetado o desenvolvimento dos territórios de baixa densidade, adotando-se como
prioridades o incentivo e a promoção da:
• Competitividade e internacionalização da economia dos diferentes territórios, com
atenção especial para o interior, sem deixar de apostar no desenvolvimento das cidades
médias, através da diversificação e qualificação do tecido produtivo e da incorporação de
conhecimento e inovação;
• Cidade média com capacidade instalada como espaço polarizador de dinâmicas de
inovação, potenciando parcerias urbano/ rural que estabeleçam complementaridades e
sinergias entre os territórios, sem deixar de beneficiar o desenvolvimento dos territórios
mais vulneráveis, que devem beneficiar de um estatuto especial;
• Sustentabilidade e valorização dos recursos endógenos de cada território como
fatores de diferenciação social e económica, quer no âmbito dos Programas de Valorização
Económica dos Recursos Endógenos (PROVERE) quer através da promoção do micro
empreendedorismo, assim como dos 3I’s: Investigação, Inovação e Internacionalização;
• Regeneração e revitalização urbana, permitindo a construção de novas centralidades
nas cidades, oferecendo soluções de mobilidade suave nos centros urbanos e entre as
cidades e as zonas rurais, valorizando centros históricos e ribeirinhos e convertendo antigas
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zonas industriais abandonadas em polos atrativos, tendo também em atenção a melhoria do
desempenho energético;
• Mobilidade das pessoas dentro de territórios de interior (e.g. novas redes de
transporte a pedido) e na sua ligação ao resto do país, como instrumento fundamental de
coesão social;
• Conectividade digital nestes territórios, garantindo uma cobertura de banda larga
fixa e móvel em todo o país, de forma a garantir não só a acessibilidade das populações,
mas também uma vantagem competitiva para a atração de investimento empresarial em
atividades relacionadas com serviços e desenvolvimento digitais.
Atrair investimento para os territórios do interior/ baixa densidade
A atração de investimento que crie emprego e permita fixar populações, assegurando saldos
migratórios positivos, apresenta-se como uma condição indispensável para estas áreas do
território nacional. Para isso, é necessário criar um ambiente favorável ao investimento e
colmatar falhas de mercado, associadas à menor provisão de bens e serviços, a custos de
contexto acrescidos e a outras desvantagens estruturais. Importa, pois, mobilizar apoios e
incentivos suficientemente atrativos, quer ao investimento, quer à criação e atração de
emprego, assentes nos fatores competitivos das regiões, nomeadamente nas suas
características e ativos existentes. Com este propósito, o Governo irá:
• Apostar no potencial competitivo destes territórios, para acolher investimento
empresarial inovador e competitivo, reposicionando o interior de Portugal como espaço de
uma nova atratividade;
• Reforçar o diferencial de incentivos para investimentos direcionados para as regiões
de baixa densidade, aprofundando os mecanismos de majoração de apoios nas políticas de
estímulo ao investimento e nas políticas ativas de emprego;
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• Eliminar ou simplificar processos burocráticos que atualmente constituem um
entrave à fixação da atividade económica, reduzindo os custos de contexto e de transação
que as empresas têm por estarem ou se instalarem no interior;
• Impulsionar o Programa de Captação de Investimento para o Interior, com ações
de divulgação do potencial de acolhimento de investimento destes territórios e dos apoios
majorados disponíveis, designadamente através de roadshows e de um acompanhamento
muito próximo das intenções de investimento e sua posterior realização;
• Lançar um programa de mobilização da diáspora, incentivando os nossos
emigrantes e lusodescendentes a investir no interior;
• Agregar competências e mecanismos de orientação dirigidos às empresas, através de
centros de apoio e estruturas partilhadas que, em backoffice, facilitem o desenvolvimento
das atividades económicas;
• Promover o espírito e a cultura empreendedora, fomentando dinâmicas orientadas
para o apoio à geração de novas iniciativas empresariais otimizando os parques
tecnológicos e centros de inovação instalados no Interior do país para incentivar negócios
com forte componente na transição digital.
Diversificar e qualificar o tecido produtivo nos territórios de baixa densidade/ interior
No contexto dos territórios de baixa densidade, a falta de competitividade e produtividade
dos produtos e serviços dificulta o desenvolvimento e crescimento económico. Neste
âmbito, é crucial promover a qualificação do tecido produtivo, a diversificação das
atividades económicas (contrariando a dependência excessiva de determinadas fileiras), a
atração de ativos qualificados, em especial jovens, e a incorporação de conhecimento e
inovação, tirando partido das novas tecnologias e de métodos mais sustentáveis e eficientes,
a fim de desenvolver novas capacidades aos produtos e serviços, aumentando-lhes a cadeia
de valor. Para atingir estes objetivos, o Governo irá:
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• Promover a obtenção de escala e a abertura de novos mercados para os produtos e
serviços, em especial aqueles com maior dimensão económica, garantindo assim maiores
rentabilidades;
• Promover a contratação de trabalhadores qualificados, em especial jovens, no
interior;
• Apoiar o aumento da capacidade de incorporação de inovação e conhecimento por
parte das empresas, estimulando o investimento na transferência de tecnologia, na inovação
social, na ecoinovação ou em aplicações de interesse público, através de especialização
inteligente;
• Estreitar as relações entre empresas e entidades do sistema científico e tecnológico
nacional, explorando as sinergias entre o tecido empresarial, as instituições de ensino
superior e os centros de investigação e desenvolvimento;
• Apoiar o desenvolvimento dos Laboratórios Colaborativos no interior, potenciando
a sua integração na rede de suporte ao desenvolvimento tecnológico, inovação e
digitalização do território em que se integram;
• Valorizar o papel dos institutos politécnicos, designadamente na oferta de
formações curtas e intensivas, orientadas para a qualificação das atividades produtivas da
região;
• Estabelecer mecanismos de apoio ao empreendedorismo sénior.
Aproveitar o potencial endógeno dos territórios de baixa densidade/interior
O reconhecimento das zonas de baixa densidade como espaços de oportunidades, constitui
um imperativo na definição de estratégias de desenvolvimento sustentável, aproveitando o
“capital territorial” e os recursos distintivos de cada região. Esta visão pela positiva, em que
os recursos endógenos – naturais e culturais – se constituem como fatores de diferenciação,
concorre diretamente para a afirmação dos territórios rurais, permitindo valorizar as
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produções locais de excelência através de projetos inovadores, mas inspirados nas tradições
e no legado histórico e paisagístico. Para o efeito, o Governo irá:
• Qualificar e promover os produtos locais e/ou artesanais de excelência, com
elevado potencial de inserção em mercados de diferente escala;
• Incentivar o surgimento de novos produtos e serviços associados aos recursos
endógenos, e ajudar a consolidar outros já existentes que permitam acrescentar valor ao
território;
• Promover projetos de inovação, quer na conceção de novos produtos, quer na
valorização e dinamização das cadeias de valor (e.g. design ou marketing inovador);
• Incentivar o empreendedorismo e os clusters de inovação ligados ao território e à
capacidade instalada;
• Promover a qualificação e a valorização dos recursos endógenos, nomeadamente
através da aposta na I&D e na internacionalização;
• Instituir mecanismos de pagamento pelos serviços dos ecossistemas, como forma
de compensar o mundo rural pelas utilidades que presta ao todo nacional;
• Valorizar o património natural das áreas protegidas, ativos estratégicos de
inquestionável interesse nacional face ao seu valor endógeno intrínseco, tendo em conta a
procura crescente de visitação destes territórios e com vista à promoção dos valores
naturais presentes e da segurança, do conforto e da qualidade da visita;
• Difundir o turismo de natureza.
Promover a fixação de pessoas nos territórios do interior/ baixa densidade
O país conheceu nas últimas décadas um desenvolvimento sem precedentes,
nomeadamente através da utilização de fundos da União Europeia direcionados para a
revitalização da economia e modernização do tecido empresarial, para a qualificação e a
coesão social e para a dotação de infraestruturas e acessibilidades. Contudo, visto que
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algumas regiões continuam a apresentar vulnerabilidades que carecem de medidas
específicas para assegurar a sua sustentabilidade, o Governo irá:
• Reforçar, em diálogo com os parceiros sociais, os incentivos à mobilidade
geográfica no mercado de trabalho;
• Adotar políticas ativas de repovoamento do interior, com vista à fixação e à
integração de novos residentes, nomeadamente através da atração de imigrantes;
• Criar um programa de mobilidade de estudantes entre instituições de ensino do
litoral e do interior;
• Lançar um programa de Regresso ao Interior, estimulando o regresso de quem saiu
do interior para as cidades e aí vive atualmente com menor qualidade de vida;
• Facilitar a mobilidade habitacional e territorial dos agregados familiares, em especial
jovens, avançando com novas soluções além do já existente programa Chave na Mão;
• Implementar o programa Reabilitar para Povoar, com o objetivo de alargar a oferta
de habitação nos territórios do interior a preços acessíveis e apoiar os agregados familiares
em matéria de acesso à habitação;
• Promover a habitação jovem no interior, através de bolsas de casas para
arrendamento por jovens quadros nas cidades médias e incentivos à recuperação de casas
em territórios despovoados;
• Apoiar a reabilitação do edificado abandonado das vilas e aldeias, colocando-o no
mercado para novos residentes ou para novas funções económicas, turísticas, sociais ou
culturais;
• Promover a reabilitação das construções tradicionais e de interesse patrimonial e
paisagístico.
Afirmar os territórios transfronteiriços
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A fronteira luso-espanhola é a mais antiga da Europa, apresentando 1.234 km de extensão.
As zonas de fronteira entre os dois países representam 27% do território ibérico, mas são
ocupadas por apenas 8% da população, correspondendo a pouco mais de 4 milhões de
habitantes. Assim, ao contrário da generalidade da Europa, onde historicamente as zonas
mais populosas e prósperas são as de fronteira, as regiões transfronteiriças entre Portugal e
Espanha consistem em territórios predominantemente rurais caracterizados por um
acentuado despovoamento e pelo envelhecimento. Estas dinâmicas estruturais apelam a
uma ação conjunta, que assegure a sustentabilidade futura dos territórios de fronteira,
tornando-os mais atrativos para viver, trabalhar e investir. Como tal, o Governo irá:
• Desenvolver com Espanha uma Estratégia de Desenvolvimento Integrado das
Regiões de Fronteira, no âmbito do próximo Quadro Financeiro Plurianual;
• Apostar na redução de custos de contexto, criando um Simplex Transfronteiriço/
Ibérico;
• Criar incentivos ao investimento nas áreas territoriais fronteiriças;
• Garantir infraestruturas rodoviárias de proximidade;
• Promover a mobilidade transfronteiriça, mediante serviços de transporte flexível
entre regiões de fronteira, nomeadamente disponibilizando, em territórios com menor
densidade demográfica, serviços de transporte a pedido, em especial para pessoas com
necessidades de mobilidade específicas;
• Assegurar um planeamento integrado e uma articulação efetiva da rede de oferta de
serviços de saúde (assim como em outros domínios considerados prioritários pelos
municípios) em ambos os lados da fronteira, evitando assim redundâncias e desperdícios;
• Promover a mobilidade entre trabalhadores de ambas as administrações, sob a
forma de estágios, trabalho colaborativo em projetos partilhados, intercâmbios,
destacamentos, entre outros;
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• Criar programas de mobilidade transfronteiriça para estudantes;
• Promover redes de investigação transfronteiriça;
• Lançar um programa comum de recuperação do património transfronteiriço,
nomeadamente das fortificações abaluartadas;
• Harmonizar a sinalética turística, que permita a criação de rotas transfronteiriças;
• Melhorar e reforçar a coordenação bilateral em domínios críticos da ação
fronteiriça, relativos à gestão de recursos hídricos, de espaços florestais e de áreas
protegidas;
• Dinamizar a cooperação ao nível das Reservas das Biosferas Transfronteiriças.
Assegurar serviços de proximidade em todos os territórios
A escassez da procura e de escala não favorece o desenvolvimento de respostas adequadas
ao perfil dos territórios de baixa densidade, conduzindo muitas vezes ao encerramento de
espaços comerciais e de serviços privados. Isto, implica deslocações a aglomerados
populacionais de hierarquia superior para aquisição de bens e serviços públicos, muitos
deles de primeira necessidade. Neste contexto, o Governo irá:
• Garantir serviços e estruturas adequados aos contextos socioterritoriais de baixa
densidade, com características de flexibilidade na sua gestão e utilização, e de proximidade,
seja pela criação de centralidades locais (microcentralidades), seja através de serviços
móveis ou a pedido, nos domínios da saúde, de apoio social e de bem-estar pessoal e
comunitário e outros serviços públicos;
• Reforçar os equipamentos e serviços de apoio às famílias nos territórios onde a
acessibilidade a esses serviços é mais deficitária, através de um maior equilíbrio entre a
intervenção do setor público e do setor social;
• Combater o isolamento social da população mais velha nos territórios de baixa
densidade, reforçando a cobertura e a adequação dos equipamentos e serviços direcionados
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para este público, numa cooperação reforçada entre a Segurança Social, o SNS, e o setor
social e solidário;
• Prestar cuidados de saúde e de bem-estar multidisciplinares de natureza preventiva,
de promoção, de tratamento, de reabilitação e de apoio social a pessoas em situação de
isolamento (social e/ou geográfico) ou com elevado grau de dependência, essencialmente
idosos e pessoas em idade ativa com patologia mental.
8. AGENDA ESTRATÉGICA: TRANSIÇÃO DIGITAL E UMA SOCIEDADE
DA INOVAÇÃO
O desempenho recente da economia portuguesa, que resultou num crescimento acima da
média da União Europeia nos últimos três anos, indicia, desde já, o caminho de
convergência com a União Europeia que se pretende consolidar ao longo da próxima
década. Esta evolução presente na dinâmica de crescimento do Produto Interno Bruto
(PIB) é acompanhada pela melhoria noutros indicadores, como o peso da despesa total de
I&D no PIB ou a progressão assinalável no índice de inovação da UE.
Neste contexto, importa destacar o papel das empresas enquanto catalisadoras de
investimento, nomeadamente de investimento inovador e orientado aos mercados
internacionais. Deve relevar-se quer o investimento em I&D, que cresceu 26% nos últimos
quatro anos, quer a aposta efetuada ao longo dos anos na qualificação dos portugueses,
através da retenção do talento nacional e da atualização constante das suas competências.
O investimento nestas duas componentes (I&D e talento) foi ainda decisivo para o
aumento do grau da abertura da nossa economia (em pouco mais de uma década o peso
das nossas exportações sobre o PIB passou de 26% para 44%) e para o reforço da captação
de investimento estrangeiro mais qualificado e em elos mais elevados da cadeia de valor.
Assim, importa igualmente sublinhar a atuação do Estado numa dupla missão – o reforço
das qualificações e competências dos portugueses, cuja estrutura atual ainda constitui um
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dos principais constrangimentos ao desenvolvimento da economia e sociedade portuguesa;
e a retoma do investimento na simplificação administrativa, através de iniciativas como o
Programa Simplex, que facilite a interação dos cidadãos e empresas com o Estado.
É com base nesta tripla qualificação – dos portugueses; do tecido empresarial; e do Estado
– que é possível desenhar o modelo de desenvolvimento do país no qual a reside a ação do
Governo: uma economia e uma sociedade sustentadas no conhecimento, em que o
crescimento da produtividade se baseia na inovação, na qualificação das pessoas e na
atuação no mercado global; uma sociedade inclusiva, que a todos oferece as competências
para que todos possam participar nas oportunidades criadas pelas novas tecnologias
digitais; uma economia aberta, em que o Estado apoia o processo de internacionalização
das empresas e a modernização da sua estrutura produtiva.
Serão estes os pilares para o fomento da produtividade, como meio de aumentar a
competitividade da economia portuguesa, orientada para a valorização dos nossos produtos
e trabalhadores, ao invés da competição salarial de outrora.
A implementação desse modelo de desenvolvimento permite assumir metas claras e
ambiciosas no horizonte de 2030: alcançar um volume de exportações equivalente a 50%
do PIB na primeira metade da próxima década e atingir um investimento global em I&D
de 3% do PIB em 2030. Estas metas assumem a generalização das práticas de investimento
e gestão que muitas empresas nos mais variados setores já estão a concretizar, bem como o
incremento da base exportadora nacional, do Investimento Direto Português no Exterior
(IDPE) e da diversificação de mercados.
Neste quadro, o Governo implementará um conjunto de medidas que incentivem a adoção,
por parte das empresas e da economia, de ferramentas e instrumentos mais modernos,
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promovendo e apoiando a criação de mais e melhor emprego.
Num contexto internacional que se antevê cada vez mais competitivo e onde o progressivo
retorno a políticas de pendor protecionista poderá provocar crescente instabilidade
económica e política, importará consolidar os resultados obtidos com o Programa
Internacionalizar aprovado na anterior legislatura.
Será criado um quadro favorável para que as empresas disponham dos recursos que
permitam assegurar os investimentos necessários à implementação de novos modelos de
produção que incorporem as novas tecnologias associadas à digitalização e à automação.
Adicionalmente, será promovida uma política fiscal que favoreça o investimento e a
capitalização das empresas; será reforçado o papel de instituições financeiras públicas que
compensem as falhas de mercado no financiamento; e será garantida a articulação entre
instituições públicas e o tecido empresarial, no sentido de facilitar a concretização dos
objetivos estratégicos em que assenta o modelo de desenvolvimento proposto.
Em simultâneo, importa prosseguir o investimento nas pessoas e nas suas qualificações,
quer no sistema educativo, quer ao longo da vida, com especial destaque para uma aposta
de investimento transversal em mais competências digitais. Tal é essencial para a
prossecução deste modelo de crescimento para o país, o qual depende de uma base de
recursos humanos cada vez mais qualificados. Esse esforço de qualificação e de reforço das
competências deve ocorrer a todos os níveis, com especial enfoque na aprendizagem ao
longo da vida.
Nesse sentido, toda a população deverá beneficiar de condições de acesso, facilitado e
gratuito, à internet. Importa promover a atualização de conhecimentos e competências de
modo a antecipar as consequências da progressiva digitalização e automação de diversas
profissões. Esse esforço de qualificação e renovação das competências, aliado à proteção
dos direitos laborais longamente estabelecidos, é essencial para garantir que ninguém fique
para trás, protegendo aqueles que estão menos capacitados para enfrentar os desafios da
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transição digital. Só assim é possível garantir uma transição digital que seja uma transição
justa, socialmente equilibrada e com direitos.
Importa não descurar o apoio à qualificação dos gestores, visto que a sua melhoria é
essencial para o crescimento da produtividade e é potenciadora da criação de melhor
emprego e de relações de trabalho mais justas. O Governo continuará a promover a criação
de relações de trabalho mais justas e uma maior participação do trabalho no rendimento
nacional.
Importará ainda promover uma estratégia de captação de investimento direto estrangeiro
assente numa ótica de reforço das cadeias de valor nacionais, e, simultaneamente, de
atração e de retenção de talento, através do incremento da diplomacia económica.
Adicionalmente, vão ser continuados os esforços no sentido de reforçar a simplificação
administrativa, através da melhoria e diversificação dos serviços prestados digitalmente pelo
Estado; da promoção do seu acesso e usabilidade; da intensificação da desmaterialização de
ainda mais procedimentos administrativos e a apostar na modernização administrativa
como uma forma de melhor servir o cidadão.
8.1. Economia 4.0 e empreendedorismo
A trajetória de apoio à inovação nos últimos anos prosseguiu vários objetivos em
simultâneo. Em primeiro lugar, o apoio ao investimento em inovação permite explorar a
capacidade científica e tecnológica gerada nos últimos anos em Portugal e valorizar os
recursos humanos altamente qualificados que fazem desta a geração mais capaz de sempre.
Em segundo lugar, o investimento empresarial em inovação permite maior produção de
valor pelas empresas, explorando mais vantagens comparativas e assegurando melhores
salários. Nos últimos anos, apoiámos as atividades de inovação, cientes de que, por essa via,
as empresas criam mais riqueza, ganham vantagens competitivas nos mercados, tiram
partido das qualificações e das competências dos trabalhadores e asseguram melhores
salários. Para tal, foi reforçada a aproximação estratégica entre o setor empresarial e a
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Ciência, através de parcerias entre as empresas, as associações empresariais e as entidades
do Sistema Científico e Tecnológico Nacional, nomeadamente através do desenvolvimento
de Centros de Interface, para a transferência e valorização do conhecimento.
Neste sentido, o Governo propõe-se a:
• Otimizar os recursos nacionais para o financiamento da inovação empresarial,
direcionando recursos e promovendo a coerência da oferta das linhas de apoio existentes
(linhas de crédito com recurso a garantias mútuas, capital de risco);
• Divulgar a oferta de instrumentos financeiros promovidos pelas instituições
financeiras de apoio à economia;
• Racionalizar a atuação das instituições financeiras de apoio à economia e afirmar
um National Promotional Bank (NPB), que prosseguirá o esforço de potenciação de
recursos financeiros nacionais com apoio de fundos europeus e parcerias com entidades
multilaterais, nomeadamente o Banco Europeu de Investimento;
• Continuar a apostar na diversificação das fontes de financiamento das empresas e
na redução da sua dependência do financiamento do sistema bancário, com estruturas de
capital mais equilibradas, nomeadamente facilitando o acesso das PME ao mercado de
capitais;
• No que se refere ao sistema fiscal português, que de acordo com o Tax survey da
UE, se posiciona como o segundo mais favorável ao investimento, continuar a trabalhar
nas seguintes dimensões:
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o Incentivar o investimento privado em I&D empresarial com a revisão do
instrumento de Incentivos Fiscais ao I&D empresarial (SIFIDE);
o Promover uma fiscalidade que incentive o investimento na modernização
produtiva e na I&D, prosseguindo a trajetória de melhoria do quadro de apoio ao
investimento e a capitalização das empresas, em detrimento da redução genérica do
IRC, cuja correlação com o crescimento do investimento não está demonstrada;
o Melhorar o regime do IRC para as empresas que reinvistam os seus lucros
através de um aumento em 20% do limite máximo de lucros que podem ser objeto
de reinvestimento (de 10M€ para 12M€), assim aumentando a dedução à coleta de
IRC para estas empresas;
o Criar um quadro fiscal incentivador da canalização de poupança para o
investimento produtivo e da abertura do capital das empresas;
o Criar um quadro fiscal favorável aos ganhos de escala das empresas e à
sucessão empresarial.
• No domínio do Programa Interface:
o Prosseguir o trabalho com os Centros Interface, tanto de reconhecimento
de mais entidades, como de reforço de verbas para financiamento base plurianual;
o Aprofundar a estratégia para Gabinetes de Transferência de Tecnologia
(TTO), com objetivo de robustecer a atividade das instituições de Ensino Superior
e incubadoras de base tecnológica com as empresas, complementando assim a ação
com a dos Centros Interface;
o Continuar o trabalho de interação e de aproximação aos setores
empresariais portugueses, concretizando o conjunto de medidas previstas nos
Pactos Setoriais para a Competitividade e Internacionalização firmados com os
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clusters e;
o Conjugar o trabalho com os setores empresariais com a promoção de
programas associados a áreas tecnológicas específicas;
o Melhorar o número de registos de propriedade industrial portuguesa, tanto
a nível nacional como internacional, criando instrumentos que apoiem as entidades
tanto na fase do registo como também na fase da valorização económica.
• Tirar partido das oportunidades dos instrumentos de apoio previstos no Quadro
Financeiro Plurianual 2021-27:
o Reforçar a previsibilidade no lançamento de apoios, a simplificação e a
combinação entre as prioridades regionais e nacionais;
o Delimitar e definir o objeto e âmbito dos Digital Innovation Hubs de
acordo com as diretrizes europeias e dentro das necessidades nacionais;
o Reforçar a participação nacional em programas de gestão centralizada como
o Horizonte Europa, o InvestEU e o CEF, melhorando o apoio na fase de
preparação de propostas, o apoio à presença de entidades nacionais nos fóruns
europeus de discussões temáticas e o apoio à implementação de resultados na
economia e na sociedade;
o Apostar no acesso ao novo programa Europa Digital para competências
digitais avançadas: AI, supercomputadores, cibersegurança e uso de tecnologias
digitais;
o Adotar regras mais favoráveis relativas aos auxílios estatais e às condições
de acesso aos fundos estruturais e aos programas horizontais da União para as
regiões mais desfavorecidas e vulneráveis, com vista à atração de investimento
estruturante que crie emprego e que permita fixar populações.
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• Melhorar os níveis de qualificação dos recursos humanos disponíveis e também dos
que já desempenhem funções associadas a I&D e Inovação nas empresas, com a melhoria
dos programas de formação existentes e o lançamento de novos programas, tendo em
conta a evolução das diferentes áreas tecnológicas e as necessidades dos setores
empresariais;
• Incrementar as medidas de sensibilização e a capacitação das micro e pequenas
empresas portuguesas, em particular as PME tradicionais, para a importância da presença
digital, da incorporação tecnológica nos respetivos processos internos e nos modelos de
negócio e da internacionalização da sua atividade;
• Criação de apoios à qualificação da gestão nas PME como fator crítico para o
crescimento da produtividade da economia portuguesa, apostando na qualificação e na
preparação das estruturas diretivas das empresas para os desafios e implementação de
estratégias de digitalização;
• Afirmar os produtos e serviços nos quais os territórios apresentam vantagens
competitivas em especializar-se por via da qualificação, diferenciação e inserção em novos
mercados;
• Promover a incorporação de conhecimento e inovação nos produtos e serviços de
excelência e diferenciados, através de especialização inteligente, tirando partido das novas
tecnologias e métodos mais sustentáveis e eficientes;
• Reforçar a trajetória de redução dos preços da eletricidade, mediante uma dupla
aposta: mais renováveis, que já são hoje a forma mais barata de produzir eletricidade; e um
conjunto de políticas e medidas que permitam que sejam os consumidores os maiores
beneficiários do processo de transição energética e descarbonização da economia
portuguesa, como leilões de capacidade renovável e a aposta no autoconsumo coletivo e
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nas comunidades de energia.
Acelerar a digitalização da economia
O progresso económico de Portugal e a melhoria das condições de vida são fatores
prioritários das políticas desenvolvidas. Melhor emprego e emprego de maior valor
acrescentado é uma condição essencial para vencer num contexto económico de
concorrência internacional, em que a competitividade da maior parte das empresas não se
esgota no seu território de origem. O facto de o setor empresarial português se encontrar
numa trajetória de crescimento não torna menos prioritário o desenvolvimento das
necessárias condições para que aquele se digitalize e continue um percurso de sucesso que
lhe permita competir, em pé de igualdade, com outros pares internacionais.
É assim urgente incentivar e promover ações que enquadrem estas empresas num novo
paradigma de desenvolvimento, facilitando a sua transição para o digital.
Preparar Portugal para ser protagonista na quarta revolução industrial
A transição para a economia digital das empresas portuguesas, assente na exploração das
sinergias entre inovação, conhecimento e tecnologia, começou a ser preparada nos últimos
anos através do programa Indústria 4.0 (i4.0). No horizonte da legislatura, o Governo
prosseguirá a execução do programa Indústria 4.0, tendo em vista os seguintes objetivos:
• Estimular a digitalização e a integração das cadeias de valor dos fornecedores e
parceiros das grandes empresas e das PME líderes nos temas i4.0;
• Divulgar e facilitar o acesso a instrumentos e mecanismos de investimento e
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financiamento orientados a projetos no âmbito da i4.0;
• Criar e adaptar os fundos e linhas de apoio à tipologia e à diversidade de projetos
no âmbito da i4.0, para incentivar o aumento de escala e a transformação digital;
• Implementar planos de formação setoriais que permitam dotar os quadros de
gestão e técnicos das PME com as competências necessárias para a i4.0;
• Disponibilizar mecanismos de formação orientados para as necessidades específicas
e em formatos compatíveis com a articulação do dia-a-dia das PME (Learning Factories);
• Promover o autodiagnóstico da maturidade digital e suportar a definição de roteiros
para a transformação i4.0;
• Suportar a integração do investimento tecnológico, capacitar as organizações e
facilitar a transformação organizacional (Coaching i4.0);
• Partilhar e disseminar o conhecimento gerado por experimentação e implementação
de tecnologias e práticas no âmbito da i4.0 (Experience i4.0);
• Desenvolver uma rede nacional equilibrada e colaborativa de Digital Innovation
Hubs;
• Desenvolver uma infraestrutura de suporte aos desafios da cibersegurança,
assegurando a adequada gestão de risco e inovação.
Simplificar o racional e o financiamento do digital
Em matéria de política pública nacional, o digital é um tema prioritário e politicamente
consensual na Estratégia Portugal 2030 conforme divulgado na “Posição preliminar de
Portugal sobre o próximo Quadro Financeiro Plurianual da União Europeia”. De destacar
também o alinhamento de prioridades digitais nacionais com as europeias. O racional de
política no digital é duplo: por um lado, preencher o gap entre os bons resultados de
investigação na área e o nível de exploração económica desses resultados mais reduzido
quando comparado com outras potências mundiais; por outro lado, capacitar a Europa em
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competências digitais avançadas. No Quadro 2021-27, o Governo propõe novas ambições
de participação nos seguintes programas relativos ao Digital, como as seguintes:
• Programa Europa Digital: programa temático novo, com dotação orçamental
estimada de 9,2 mil M€ para apoio em competências digitais avançadas (Inteligência
Artificial, supercomputadores, cibersegurança, competências digitais e uso generalizado de
tecnologias digitais);
• Programa Horizonte Europa: programa de Investigação & Inovação, que sucede ao
Horizonte 2020, e que contempla um reforço significativo de verbas com dotação
orçamental estimada de 97,6 mil M€;
• Connecting Europe Facility: programa que apoia o investimento em infraestruturas
e projetos transnacionais no digital, transportes e energia. Numa dotação total estimada de
42,3 mil M€, contempla apoio estimado de €3 mil milhões para redes de banda larga, redes
5G e Wifi;
• InvestEU: programa de atribuição de garantias, que sucede ao plano Juncker: numa
dotação total estimada de 47,5 mil M€, contempla uma área de “Investigação, inovação e
digitalização” com dotação de 11, 25 mil M€.
Internacionalizar a economia portuguesa e aumentar as exportações usando recursos
digitais
A digitalização da economia representa um fenómeno em crescendo, que tenderá a
desenvolver-se em torno de processos de aglomeração que, beneficiando de uma cobertura
praticamente global, vão permitir agregar mercados e consumidores. Acresce que a larga
fatia do valor acrescentado nas exportações encontra-se nas denominadas cadeias de valor
globais operadas entre empresas, sendo aqui que Portugal pode encontrar maiores
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vantagens competitivas. Para tal, o Governo irá:
• Estimular a internacionalização das empresas portuguesas mediante a criação de
programas de investimento e de linhas de apoio à internacionalização e dinamização dos
instrumentos existentes;
• Aproximar as grandes empresas com larga experiência no processo de
internacionalização, incentivando o uso de tecnologia e de produtos desenvolvidos por
pequenas empresas portuguesas especializadas no seu processo de abordagem a mercados
internacionais;
• Fomentar a utilização do comércio eletrónico no tecido empresarial português,
através de programas e incentivos à formação e apoio ao uso destas ferramentas;
• Apoiar a criação de plataformas que permitam, de forma digital, acelerar a
capacidade exportadora das empresas portuguesas, através de um investimento firme em
infraestrutura inteligente, capaz de análise preditiva e do estabelecimento de
interconectividade entre diferentes agentes económicos nacionais;
• Disponibilizar, através das agências e organismos do Estado, mais informação
relativa a mercados externos, pesquisas e consultas, com intervenção de mecanismos de
"profiling" e "targetting" baseados em inteligência artificial ou em ferramentas que possam
suportar uma melhor indexação da produção nacional;
• Apoiar a criação de um ecossistema digital onde todas as áreas de digitalização
sejam combinadas e, em especial, apoiar a trajetória de crescimento das startup digitais para
PME digitais;
• Combater a infoexclusão, incentivando e dinamizando programas de
informatização e presença online para o tecido empresarial português;
• Direcionar incentivos à aquisição de meios digitais que permitam o aumento da
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atividade exportadora;
• Promover a divulgação de boas práticas e casos exemplares de internacionalização,
assegurando a disseminação dessa informação;
• Reduzir as barreiras legislativas e burocráticas ao livre fluxo de dados não pessoais
em Portugal e respetiva integração num mercado europeu de dados;
• Apoiar o tecido empresarial para a entrada em pleno funcionamento do mercado
único digital Europeu;
• Massificar a titulação eletrónica dos negócios jurídicos, permitindo a sua realização,
disponibilização, arquivo e consulta online em formato eletrónico;
• Incrementar a cooperação internacional no âmbito da circulação e validação de
documentos e na realização de negócios jurídicos transnacionais, designadamente através
de plataformas eletrónicas seguras.
Continuar a apostar no Turismo para o aumento das exportações
Nos últimos anos, o turismo assumiu um papel relevante para a recuperação económica,
sendo o setor líder no crescimento de exportações - com o crescimento de 45% das
receitas turísticas nos últimos 4 anos, constituindo um poderoso instrumento quer de
promoção internacional do país, quer de coesão económica, social e territorial.
O Turismo está a afirmar-se como uma atividade cada vez mais sustentável: i) ao longo do
ano, com 2018 a atingir o menor índice de sazonalidade de sempre: 36%; ii) ao longo do
país, com fortes investimentos públicos e privados que têm criado infraestruturas e
diversificado a oferta turística e atraído novos públicos; iii) na capacidade de criação de
postos de trabalho e de manutenção do nível de emprego ao longo de todo o ano,
ultrapassando pela primeira vez 400.000 trabalhadores declarados à Segurança Social; e iv)
no contributo para a dinamização de outros setores e na afirmação internacional de
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Portugal como país de referência e inovador.
Esta aposta e este esforço têm de ser continuados, seja por entidades públicas, seja por
entidades privadas, para garantir que Portugal continua a liderar como o destino turístico
mais sustentável, autêntico e inovador para viver, investir, trabalhar, estudar e filmar – além
do melhor destino para visitar. Assim, o Governo irá:
• Adotar uma Estratégia Turismo 2030;
• Promover a inovação no setor, por via da antecipação, experimentação e
disseminação de tendências e de soluções e de capacitação de competências digitais, em
toda a cadeia de valor;
• Capacitar Portugal como destino turístico sustentável e inteligente, para a
valorização da autenticidade e do território, gestão de fluxos de procura, mobilidade e
desconcentração da procura ao longo do país e ao longo do ano, posicionando-o como
destino de referência no turismo de natureza e desenvolver um programa de turismo
ferroviário;
• Promover a digitalização da atividade do setor, seja pela digitalização da oferta
turística portuguesa, nas suas diferentes dimensões: empresas, serviços, experiências e
recursos, seja pela criação de uma plataforma nacional para a partilha de conteúdos e de
roteiros, dando visibilidade à diversidade da oferta em todo o território, bem como
disponibilizar indicadores turísticos online no travelbi, em tempo real, e informação
preditiva sobre evolução da procura e mercados;
• Posicionar Portugal como país de caminhos cénicos, trilhos e percursos clicáveis,
implementando um modelo de gestão de rotas para dar visibilidade aos destinos;
• Reforçar as competências das estruturas regionais de turismo e garantir a respetiva
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articulação para otimização de recursos e maior eficácia da promoção nacional e
internacional;
• Alargar o Programa Valorizar, com vista ao desenvolvimento de produtos turísticos
nos territórios de baixa densidade e também à sua promoção internacional, e rever os
programas ‘Revive Património’ e ‘Revive Natura’ para acolher imóveis públicos devolutos;
• Implementar o “Passe Portugal”, com sistema de mobilidade e seamless experience
para turistas, incluindo bilhética e compra;
• Desenvolver um programa nacional de promoção do turismo interno, incluindo
para os segmentos seniores e juniores;
• Criar um programa nacional de promoção de Portugal como destino LGBTI;
• Incluir o alemão, o francês e o mandarim nos curricula das escolas de turismo;
• Reforçar condições de competitividade de Portugal como destino de filmagens
internacionais;
• Implementar one stop shops dedicada às startups e empresas de turismo para
assegurar uma resposta rápida por parte da Administração Pública a novas realidades;
• Disponibilizar instrumentos de financiamento específicos para o turismo, que
respondam ao tempo de amortização dos investimentos e à necessidade de requalificação e
adaptação da oferta aos desafios de sustentabilidade ambiental e das tendências da procura.
Incentivar o empreendedorismo, apoiar as startup e atrair talento
Portugal é hoje um hub de empreendedorismo, alicerçado no conjunto de políticas públicas
de apoio ao empreendedorismo, na capacidade e qualidade das startup portuguesas e na
visibilidade conseguida através de eventos como a Web Summit. Assim, o Governo
pretende reafirmar o seu empenho em continuar a desenvolver e executar a Estratégia
Nacional de Empreendedorismo, tendo em vista promover, amadurecer e elevar o
ecossistema de empreendedorismo português, nomeadamente através de instrumentos que
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potenciem o apoio aos seus processos de internacionalização, acesso a financiamento e
estabilidade. Para atingir este objetivo, o Governo irá:
• Prosseguir a execução da Estratégia Nacional de Empreendedorismo;
• Simplificar os serviços digitais da Administração Pública para empreendedores
internacionais, disponibilizando todos os sites em língua inglesa;
• Desenvolver um programa de “e-residency” – Programa de residência digital;
• Apoiar a criação ou o desenvolvimento de aceleradoras de empresas com
capacidade de investimento para seed capital;
• Apostar na marca Portugal na área das tecnologias de informação e comunicação;
• Apoiar a divulgação no exterior da tecnologia e do conhecimento produzidos em
Portugal, bem como das empresas nacionais, designadamente através da nossa rede de
serviços e representações internacionais;
• Simplificar os processos de acolhimento de imigrantes, para aquisição e retenção de
talentos estrangeiros;
• Estender o programa KEEP, que tem como objetivo reter o talento e os
trabalhadores altamente qualificados das startup que, muitas vezes, não conseguem fazer
face à concorrência das grandes multinacionais e acabam por perder estes trabalhadores;
• Promover o programa StartUP Visa e Tech Visa além-fronteiras;
• Desenvolver programas de intercâmbio e/ou estágios por parte de recursos
humanos dos Centros de Interface e CoLabs com congéneres de referência internacionais,
capitalizando experiência e know-how internacional;
• Promover Plataformas de Inovação Aberta para estimular o encontro entre oferta e
procura de tecnologias e a valorização do conhecimento no mercado, em articulação com a
rede de Gabinetes de Transferência de Tecnologia, Clusters, Centros de Interface e
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CoLabs;
• Reforçar e alargar o Programa Semente, que visa apoiar investidores individuais que
estejam interessados em entrar no capital social de startup inovadoras, intensificando a sua
ação também fora dos grandes centros populacionais;
• Difundir, junto dos alunos universitários das áreas científicas e de negócio, o
empreendedorismo de base tecnológica e industrial;
• Prosseguir com o Programa de Captação de Investimento para o Interior, através
do desenvolvimento de ações internas e externas de divulgação e promoção dirigidas a
determinadas regiões ou setores, do acompanhamento de Projetos de Investimento para o
Interior e da canalização de apoios dirigidos;
• Criar condições para que Portugal lidere a regulação das tecnologias emergentes
(carros sem condutor e inteligência artificial), permitindo acolher projetos nacionais e
internacionais de desenvolvimento de produtos relacionados com as tecnologias
emergentes;
• Fomentar a criação de uma plataforma de ligação entre PME, organizações não
governamentais, startup, com o objetivo de produzir novos produtos e serviços;
• Continuar a aposta no Portugal Inovação Social e nos instrumentos de
financiamento destas iniciativas.
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Estimular o trabalho à distância
As tecnologias de informação e comunicação facilitam o trabalho à distância. Esta forma de
trabalho é uma realidade cada vez mais presente em muitos setores de atividade,
permitindo também fixar postos de trabalho em regiões menos populosas, designadamente
no interior do país. Para além dos benefícios associados ao conforto do trabalhador,
existem outros, como a maior proximidade a uma comunidade de preferência, a não
deslocação e a consequente eliminação de custos e de emissões poluentes. O Governo vê
aqui também uma oportunidade de promover a desconcentração e descentralização gradual
da Administração Pública. Em qualquer caso, a adesão a esta forma de trabalho pelo
trabalhador deve ter uma base voluntária. A este propósito, o Governo irá:
• Potenciar o recurso ao teletrabalho, não apenas como tipo de contrato autónomo,
mas como meio de flexibilidade da prestação de trabalho e como possibilidade de
maximizar o uso das tecnologias no âmbito de outras formas contratuais, por exemplo para
a conciliação entre trabalho e vida familiar ou para melhor gestão do tempo por parte dos
trabalhadores;
• Estimular o aparecimento de funções em regime misto de trabalho presencial e
teletrabalho;
• Tornar mais atrativo o recurso ao teletrabalho, garantindo vantagens para esta
forma de contratação para funções que possam ser prestadas fora dos grandes centros
populacionais;
• Estabelecer incentivos para a deslocalização de postos de trabalho para zonas do
interior ou fora dos grandes centros urbanos;
• Criar condições, junto das estruturas locais existentes, autarquias ou outras
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instituições do Estado, para que possam ser criados centros de apoio, ou de teletrabalho,
no interior do país, designadamente através da disponibilização de espaços de trabalho
partilhados (co-work);
• Dotar os organismos e serviços públicos de capacidade para acolhimento e
implementação desta opção de trabalho;
• Experimentar o trabalho remoto a tempo parcial em serviços-piloto da
Administração Pública;
• Fixar objetivos quantificados para a contratação em regime de teletrabalho na
Administração Pública.
Dar o salto tecnológico, apoiando o uso de tecnologias emergentes
O Governo defende a experimentação, a aplicação e a disseminação de tecnologias
emergentes (como, por exemplo, a Inteligência Artificial, o Blockchain e a Internet das
Coisas) como uma forma de potenciar a inovação e de promover a transição para uma
verdadeira sociedade digital. Além disto, é preciso preparar a sociedade e as instituições
para estas realidades, garantindo os direitos fundamentais dos cidadãos. A este propósito, o
Governo irá:
• Apoiar projetos-piloto que, recorrendo ao uso destas tecnologias, demonstrem real
valor para a economia e para os serviços que o Estado presta às empresas e aos cidadãos,
nomeadamente através do aprofundamento da utilização destas tecnologias no âmbito das
políticas de modernização administrativa;
• Promover a criação de programas e de laboratórios de experimentação destas
tecnologias, na Agência Nacional de Inovação, abertos ao Estado e às empresas;
• Agilizar a disponibilização de fundos e programas de financiamento para a
instalação de provas de conceito e projetos-piloto nestas áreas;
• Fomentar a participação e celebração de protocolos de cooperação europeia, entre
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todos os Estados-Membros, para a criação, avaliação, estandardização e regulamentação de
serviços e tecnologias baseados em blockchain;
• Garantir que Portugal se encontra na linha da frente da execução do Programa
Europa Digital, com ele potenciando as áreas de: Advanced Program – competências
digitais avançadas, Cibersegurança, Inteligência Artificial, HPC – computação de alta
performance e Interoperabilidade – governo e empresas;
• Dinamizar e apoiar a criação de mecanismos de compensação inteligente de
créditos entre empresas, que permitam melhorar a sua solidez económica;
Promover a sensorização, conectividade e orquestração da indústria e dos territórios
Apostar na proliferação de tecnologias de vanguarda como, a internet das coisas, a
Inteligência Artificial e a melhoria das capacidades de comunicação e sensorização, assume
papel relevante na transição para uma economia mais moderna, ancorada numa sociedade
mais dinâmica e exigente e em territórios mais próximos, conectados e inteligentes. Só
assim será possível desenvolver um tecido económico mais vibrante e que, da indústria aos
serviços, explora o potencial destas novas tecnologias para aumentar o valor acrescentado e
a internacionalização da produção económica e a criação de emprego mais qualificado.
Esta transição digital da economia é simultânea a uma outra alteração do paradigma
económico, em que se assiste à transformação de uma economia linear e fóssil numa
economia circular e de baixo carbono, sendo que os dois processos se reforçam
mutuamente.
Neste contexto, importa promover a investigação e a inovação nacional, com base numa
abordagem sistémica, multidisciplinar, colaborativa e de co-design de soluções como
alavanca para a mudança. Com esta finalidade, o Governo propõe:
• Promover, em conjunto com os sistemas de financiamento públicos e privados, o
aumento de escala de projetos de base industrial e tecnológica;
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• Assegurar a cobertura de redes de conectividade digital, incluindo as de nova
geração, em todo o país, e em particular nos territórios de baixa densidade;
• Apostar na formação de territórios inteligentes e na criação de uma rede de cidades
inteligentes, incentivando intervenções integradas de desenvolvimento urbano sustentável
que visem a melhoria da qualidade dos serviços prestados às populações;
• Estimular o uso e proliferação de tecnologias relacionadas com a Internet das
Coisas, que visem dotar as cidades e os territórios de mais meios de sensorização, aquisição
e aferição de dados, contribuindo para uma tomada de decisão mais avisada e inteligente;
• Incentivar a gestão inteligente das redes de iluminação pública, implementando
tecnologias que salvaguardem uma maior eficiência energética (LED, por exemplo);
• Promover o uso da tecnologia para a proteção e salvaguarda de ativos florestais e
espaços verdes de importância nacional;
• Apoiar a certificação de tecnologias e produtos nacionais no sistema Environmental
Technology Verification (EVT) da Comissão Europeia.
Impulsionar a digitalização do oceano
Tendo em conta a importância do mar enquanto ativo estratégico que importa aproveita de
forma sustentável e responsável, o Governo assume a necessidade de garantir que os
benefícios da digitalização do processo económico são incorporados na forma como são
utilizados os diversos recursos e processos económicos que utilizam o Mar.
Neste sentido, o Governo irá:
• Alargar o funcionamento da Janela Única Logística a todos os portos nacionais e a
todos os corredores logísticos, portos secos nacionais e plataformas logísticas
transfronteiriças que lhes estejam associados;
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• Desenvolver os Portos e Redes Logísticas do futuro, assentes num novo conjunto
de mecanismos de colaboração e digitalização das comunidades portuárias e logísticas,
através de:
o Criação de componentes aplicacionais de gestão de last mile nos corredores
logísticos de base marítima;
o Introdução de novos mecanismos de publicitação e contratação de serviços
logísticos numa lógica B2B;
o Criação de mecanismos de big data e exploração de conceitos de machine-
learning e de inteligência artificial que extraiam o máximo de valor dos dados,
através de dashboards operacionais e mecanismos digitais de otimização das redes
logísticas, desenvolvendo ainda meios de suporte à sincromodalidade que permitam
otimizar custos, performance e redução da pegada ambiental;
o Implementação de uma plataforma transversal de sensores Internet das
Coisas nos portos, estradas e ferrovia para o hinterland, e equipamentos de
operação autónomos, automaticamente interligados com a Janela Única Logística e
todos os sistemas dos atores envolvidos nas redes logísticas, gerida por sistemas
cognitivos avançados, com capacidade para a tomada de decisão nas operações e
tracking automático de mercadorias e equipamentos de transporte.
• Aprofundar a digitalização a bordo das embarcações de pesca e da marinha
mercante;
• Maximizar os Port Tech Clusters, potenciando os portos como ecossistemas de
inovação para a economia azul, congregando no mesmo espaço startups, empresas maduras
e centros de I&D;
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• Desenvolver uma nova versão do Bluetech Accelerator, com o objetivo de criar
programas de aceleração da inovação na economia azul.
8.2. Modernização administrativa
A estratégia do Governo para prosseguir a modernização da Administração Pública
combina tecnologia, pessoas e gestão.
É necessário aprofundar o processo de transformação digital do Estado, porque o Estado
ocupa um papel central no desenvolvimento socioeconómico do país, alavancando as
oportunidades da sociedade digital para melhor servir as pessoas e as empresas. Nesta
medida, o setor público deve ser precursor e incentivador do uso de canais digitais mais
práticos e acessíveis a todos os cidadãos, suportados por uma cultura de simplificação, o
que permite aumentar a eficiência e a qualidade dos serviços prestados.
É igualmente necessário reforçar as competências dos trabalhadores públicos, preparando-
os para o futuro do trabalho num mundo cada vez mais digital, e alavancar a sua motivação
para participar no processo de transformação contínua da administração pública. As
equipas de trabalhadores e dirigentes constituem a peça chave da capacidade adaptativa da
administração pública, que garante resposta pronta e desenvolvimento proativo de soluções
para os desafios que se perspetivam.
Por fim, é fundamental desenvolver modelos de gestão focados na criação de valor efetivo
para a sociedade, com lideranças mobilizadoras e promotoras da mudança. Modelos de
gestão que concretizem estratégias claras em desenvolvimento do programa de governo,
que estejam orientados para resultados obtidos com eficiência e envolvimento de todas as
partes interessadas, nomeadamente os cidadãos e os trabalhadores. Modelos que apostem
na inovação como capacidade intrínseca da organização.
Articulando o investimento estratégico na tecnologia, a aposta clara na capacitação de
trabalhadores e das suas lideranças e em modelos de gestão inovadores, reforçaremos a
capacidade de transformação da administração pública para corresponder aos desafios
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complexos do presente e do futuro.
Simplificar ainda mais a atividade administrativa
O Governo continuará a promover a simplificação administrativa, assumindo a
continuidade da renovação do programa SIMPLEX, o qual, nas sucessivas edições anuais,
promoverá o surgimento de medidas sempre mais ambiciosas, inovadoras e disruptivas.
Neste âmbito, o Governo irá:
• Continuar a eliminar a necessidade de licenças, autorizações e atos administrativos
desnecessários, numa lógica de licenciamento zero;
• Simplificar os procedimentos administrativos de contratação pública e assegurar
que os concorrentes podem conhecer os anúncios, submeter as suas propostas e
acompanhar os procedimentos pré-contratuais através de um website público de acesso
gratuito, sem prejuízo da possibilidade de utilização de plataformas eletrónicas
disponibilizadas por empresas privadas para beneficiarem de serviços adicionais que
pretendam contratar, mas que não condicionem o acesso à contratação pública;
• Criar um programa nacional de eliminação de procedimentos e intervenções
administrativas inúteis que não dependam de intervenção legislativa;
• Lançar o programa “Uniformiza”, garantindo a homogeneização de práticas e a
divulgação dos entendimentos nos vários serviços da Administração Pública, de forma a
assegurar que estes dispõem dos mesmos procedimentos, independentemente do local do
país em que se encontrem e sem prejuízo das autonomias regionais e locais;
• Assegurar que aos cidadãos e empresas não é solicitada ou sugerida a entrega de
certidões e documentos que a Administração Pública já possui;
• Adotar um programa de aumento do prazo de validade de documentos e
certificados (como, por exemplo, o passaporte e as certidões permanentes), garantindo que
os cidadãos não precisam de os renovar tantas vezes;
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• Criar o gestor de cidadão, enquanto projeto-piloto de disponibilização aos cidadãos
de um agente dedicado a auxiliá-lo no seu relacionamento com o Estado;
• Redinamizar os balcões únicos e serviços que são imagem de marca do SIMPLEX,
como os balcões “Empresa na Hora”, “Casa Pronta”, “Nascer Cidadão”, disponibilizando
mais e melhores serviços;
• Criar novos serviços em balcão único, evitando a deslocação a vários serviços
administrativos em áreas como, por exemplo, a agricultura e a imigração;
• Rever e ajustar o catálogo de serviços garantidos pelos Espaços Cidadão,
reforçando o seu papel enquanto agentes de prestação de serviços públicos de proximidade
e reforçando a oferta em função da procura de cada território;
• Identificar de forma clara as exigências burocráticas e administrativas que, por força
da intervenção da União Europeia, criaram novos custos e procedimentos burocráticos
para os cidadãos e as empresas (como o certificado energético obrigatório e os calendários
de renovação das cartas de condução) e agir junto da União Europeia para eliminá-los;
• Simplificar e desburocratizar os procedimentos administrativos referentes a meios e
candidaturas aos apoios de diferente índole, incluindo os fundos europeus;
• Uniformizar diversas ferramentas eletrónicas de candidatura ou licenciamento, com
a disponibilização de informação obedecendo a um corpo comum, evitando a reintrodução
de elementos existentes ou presentes noutros corpos da Administração Pública;
• Criar o sistema de informação cadastral simplificada, com vista à adoção de
medidas para identificação da estrutura fundiária e da titularidade dos prédios rústicos e
mistos;
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• Alargar e consolidar o Balcão Único do Prédio que visa agregar a informação
registal, matricial e georreferenciada relacionada com o prédio (pressupondo a criação do
Número Único do Prédio onde agrega informação do registo predial, do cadastro e da
matriz) bem como definir a plataforma de articulação do cidadão com a Administração
Pública no âmbito dos seus Prédios;
• Implementar um Sistema Integrado do Atendimento nos Registos, promovendo a
melhoria do acesso, qualidade e eficiência do atendimento, no contexto presencial,
telefónico e online;
• Prosseguir a renovação dos diversos sistemas de informação de suporte aos
Registos, articulando-os com novos desafios, nomeadamente, o relativo ao Registo Predial
com o novo regime simplificado de propriedade rústica (BUPi - Balcão Único do Prédio),
garantindo a sua atualização, maiores níveis de segurança e qualidade de dados;
• Promover o redesenho da oferta dos serviços online dos Registos, tornando-os
mais acessíveis, compreensíveis e fáceis de utilizar, integrados e potenciados pela
Plataforma de Serviços Digitais da Justiça;
• Concretizar a declaração mensal de remunerações única, reduzindo para um único
ato os atos mensais de comunicação/ declaração/ pagamento de remunerações realizados
pelas empresas para a Segurança Social e a Autoridade Tributária;
• Alargar e intensificar os programas atualmente desenvolvidos no âmbito do projeto
LabX, visando melhorar os serviços públicos e o dia-a-dia dos cidadãos e das empresas;
• Disponibilizar aos utilizadores de determinados serviços públicos uma comunicação
simplificada do custo real do serviço prestado, apenas para informação do utente;
• Garantir que todas as informações, comunicações ou notificações feitas pela
Administração Pública e dirigidas aos cidadãos se encontram redigidas em linguagem clara
e percetível;
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
• Desenvolver a criação de indicadores públicos, disponíveis online, para a medição
do sucesso da implementação das políticas públicas, mediante indicadores de resultado
aptos a medir a consecução de cada medida;
• Disponibilizar um catálogo de serviços públicos digitais destinado a cidadãos
residentes no estrangeiro, equivalente ao oferecido aos cidadãos residentes em território
nacional.
Apostar na transformação digital dos serviços da Administração Pública
Assumido o compromisso de promover um maior uso das tecnologias de informação em
todos os organismos públicos e nos diversos serviços que estes disponibilizam, é preciso
assegurar a reconversão de processos para o universo digital, bem como apostar na
formação e valorização dos trabalhadores da Administração Pública. Mais do que uma
racionalização de custos, pretende-se construir uma forma de servir melhor, simplificando
e agilizando as interações com os cidadãos. Para este efeito, o Governo irá:
• Materializar a execução de, pelo menos, um projeto estruturante de transformação
digital focado na missão base de cada um dos dezanove ministérios;
• Assegurar que os 25 serviços administrativos mais utilizados pelos cidadãos e pelas
empresas são desmaterializados, simplificados e acessíveis online;
• Concretizar, em todas as áreas de atuação administrativa, o princípio ‘digital por
omissão’;
• Intensificar os acessos e serviços prestados pelo Estado, privilegiando, sempre que
possível, os canais digitais;
• Implementar um novo Sistema Integrado para a Nacionalidade, permitindo a
tramitação e resposta desmaterializada de todos os pedidos de nacionalidade Portuguesa, de
forma a garantir acesso, qualidade e eficiência aos desafios societais;
• Aplicar o mecanismo de “direito ao desafio”, permitindo a organizações (escolas,
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hospitais, autarquias locais e outras entidades públicas) ficarem isentas do cumprimento de
determinados regimes, durante determinado período, a fim de experimentarem um novo
procedimento que, após a devida avaliação, possa ser estendido às restantes entidades nas
mesmas condições;
• Promover uma melhor divulgação e facilitar o acesso aos serviços públicos digitais
já existentes, como o Portal de Serviços Públicos (ePortugal.gov.pt), o Portal do Serviço
Nacional de Saúde (sns.gov.pt) e a Plataforma Digital da Justiça (justiça.gov.pt/),
compilando e disponibilizando indicadores de uso e de impacto;
• Melhorar a qualidade e a celeridade do serviço prestado, quer em ambiente digital
quer em ambiente presencial, nomeadamente na área dos registos públicos e da
propriedade industrial, através da modernização dos sistemas de informação e
equipamentos tecnológicos de suporte à respetiva atividade;
• Adotar um modelo comum (framework) de standards e boas práticas internacionais
no desenho e desenvolvimento de serviços para cidadãos e empresas, que inclua linhas de
orientação sobre a estrutura - modelo de entrada (onboarding), os princípios de acesso ao
serviço (através dos meios digitais de autenticação - Chave Móvel Digital) e níveis de
serviço e de suporte de qualidade;
• Incentivar o uso de autenticação de acesso universal através da Chave Móvel
Digital, promovendo a sua adoção generalizada associada ao processo de emissão ou
renovação do cartão de cidadão;
• Simplificar a introdução de dados para os utilizadores e dispensar aprovações ou
revisões por parte dos serviços caso a informação seja igual à constante do sistema em
questão, fomentando a utilização de tecnologias de preenchimento automático de
informação com base nos dados já existentes;
• Disponibilizar formas mais simples mas igualmente fiáveis de os contribuintes se
relacionarem com a Administração Fiscal, que deverá continuar a sua progressiva
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
adaptação ao digital, nomeadamente na oferta de serviços online, na simplificação e
melhoria do apoio ao contribuinte, na utilização das novas tecnologias como instrumento
de combate à fraude e evasão, na adaptação e simplificação da linguagem fiscal nas
comunicações com os contribuintes, bem como na desmaterialização de procedimentos
burocráticos;
• Apoiar a criação de pelo menos um serviço público que recorra ao uso de
blockchain, como forma de estimular e testar o uso desta tecnologia;
• Dinamizar o recrutamento centralizado de trabalhadores em funções públicas,
através de uma plataforma digital para agilizar e simplificar os processos de recrutamento
na Administração Pública (adaptando, para o efeito, todas as fases do processo),
assegurando os padrões de qualidade, transparência, isenção e igualdade de oportunidades;
• Aumentar o número de. horas de formação em ferramentas digitais, abrangendo
todos os funcionários públicos, e criar meios de autoformação com base em recursos
multimédia que facilitem a aprendizagem;
• Testar novas tecnologias na Administração Pública, criando plataformas de
inovação temáticas com vista a recolher respostas para problemas concretos que esta
enfrenta, bem como sugestões de melhoria;
• Implementar e prototipar novos serviços, nomeadamente através do Hub Justiça
em articulação com outras entidades e serviços, promovendo a aprendizagem e a
capacitação em novas metodologias que promovam a inovação e modernização na justiça;
• Prosseguir a renovação dos equipamentos tecnológicos de suporte à atividade
registal nas conservatórias, nomeadamente no que se reporta ao cartão de cidadão e
passaporte;
• Promover projetos e iniciativas de inovação associados, nomeadamente, ao cartão
de cidadão e a mecanismos seguros de identidade eletrónica;
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
• Aprofundar e articular a cooperação com as instituições de ensino superior e as
redes de parques tecnológicos para uma introdução mais rápida de tecnologia no Estado,
assumindo o compromisso de lançar desafios, de avaliar conjuntamente o seu potencial e,
para os projetos selecionados, assegurar a concretização de projetos-piloto, a elaboração de
casos de uso e, caso se justifique, a sua implementação efetiva.
Expandir a informação pública de fonte aberta
O grande volume de dados produzidos por diversos agentes e instituições públicas e
privadas tem um potencial transformador, com potencial para garantir uma maior
transparência, aumentando significativamente as fontes de informação disponíveis, com
vista a uma tomada de decisão mais informada e esclarecida. Importa, pois, garantir uma
maior disseminação e acesso a dados de interesse público, estimulando a partilha desses
dados, para melhor informar os cidadãos, desenhar políticas públicas mais eficazes, prestar
serviços de qualidade que respondam às necessidades das pessoas e incentivar o
aparecimento de novas fontes e modelos de negócio. Porque, num mundo global e
colaborativo, o livre acesso à informação é essencial para o desenvolvimento e a tomada de
decisão, o Governo pretende:
• Garantir a publicação de código de fonte aberta para aplicações e certos serviços de
relevo disponibilizados pelo Estado;
• Ampliar a novos organismos do Estado a publicação de informação estatística
sobre a sua atividade;
• Garantir que as comunidades científica e empresarial têm acesso a mais conjuntos
de dados e a séries estatísticas, ainda que, em certos casos, de forma anonimizada;
• Reforçar o modelo “Governo como Plataforma – Government as a Platform”, ou
seja, mais do que simplesmente disponibilizar modelos de dados abertos, assegurar a
criação de um modelo em que governo funciona como facilitador da disponibilização de
serviços públicos também por entidades não governamentais;
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• Fomentar a apresentação e a agregação de dados e a sua consequente publicação
em portais, por forma a garantir o aparecimento de novos serviços;
• Ampliar o catálogo central de dados abertos em Portugal e estimular o seu uso e
consumo.
Explorar as potencialidades do sistema de informação da organização do Estado
O Sistema de Informação da Organização do Estado (SIOE+), instrumento que permite
conhecer, com precisão, a realidade das entidades e serviços do Estado, bem como os seus
recursos humanos, é um sistema fundamental, uma vez que recolhe, trata e disponibiliza
dados agregados que são vitais para caracterizar a nossa Administração Pública. Contudo,
assume-se manifestamente insuficiente para as necessidades de planeamento das políticas
de recursos humanos. Para superar este desafio, o Governo irá:
• Concentrar progressivamente, num único sistema de informação, todos os dados
relativos à caracterização das entidades públicas e do emprego no setor público,
abrangendo todos os órgãos, serviços e outras entidades que integrem o universo do setor
público em contas nacionais;
• Simplificar, melhorar e agilizar a recolha de dados sobre os empregadores e o
emprego público, não onerando nem as entidades administrativas nem os trabalhadores do
setor público com múltiplas obrigações de reporte de informação;
• Gerar automaticamente relatórios, designadamente para efeitos de cumprimento de
diversos deveres legais de informação do setor público no âmbito das estatísticas do
mercado de trabalho;
• Dispor de dados que permitam análises e estudos aprofundados, com base em
indicadores estatísticos e de gestão que impliquem o cruzamento de diversas variáveis de
caracterização do emprego público, garantindo sempre o respeito pela proteção de dados
pessoais;
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• Conhecer, com rigor, as capacidades e competências instaladas na Administração
Pública, de forma a potenciar o seu pleno aproveitamento.
Uma Administração Pública capacitada e com novos modelos de gestão
Assume também grande relevância, neste domínio, a Administração Pública dispor de um
quadro de gestão e responsabilização de nova geração, para incrementar a eficiência na
utilização de recursos e com ênfase na qualidade dos resultados obtidos. Para cumprir este
objetivo:
• Será incentivada a utilização de instrumentos de gestão coerentes entre si e
adaptados à Administração Pública, alinhados num ciclo de gestão orçamental orientado
por prioridades de atuação claras desde o início da legislatura;
• A orçamentação por programas incentivará um ciclo de definição estratégica que
alinhará projetos e ações ao longo dos próximos quatro anos, programando-os e
projetando-os num quadro de racionalidade plurianual, alimentando-se a concretização dos
resultados-chave projetados, com tradução anual nos planos e relatórios de gestão;
• Serão definitivamente alinhados os instrumentos financeiros e não financeiros, que
devem ser utilizados por dirigentes e gestores competentes, responsáveis, orientados e
comprometidos com resultados;
• Será assegurado o recrutamento para perfis qualificados, que irão dotar todas as
áreas governativas de núcleos de apoio à gestão nas áreas financeira e de recursos humanos,
promovendo-se o trabalho em rede;
• Será reforçada a capacitação de trabalhadores e dirigentes para abordar os desafios
do presente e preparar o futuro do trabalho, reforçando os seus perfis de competências
através de uma oferta de vários instrumentos e mecanismos de aprendizagem permanente e
colaborativa;
• Por fim, investiremos na elevação dos níveis de motivação dos trabalhadores,
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nomeadamente através de novos incentivos à eficiência e à inovação, da avaliação dos
serviços com distinção de mérito associada aos melhores níveis de desempenho e
mecanismos para refletir essa distinção em benefícios para os respetivos trabalhadores,
garantindo assim o alinhamento das dimensões individual e organizacional.
Desenvolver novas formas de prestar serviços e cuidados de saúde
Tendo em conta que o setor da saúde é um dos setores que apresenta um elevado potencial
de renovação digital, é necessário continuar a aposta na melhoria do portal do SNS, com
novos serviços e garantindo um melhor e mais rápido atendimento. Hoje, através da
Internet, já é possível cada utente conhecer o seu histórico de medicação, alergias, vacinas,
consultar dados sobre as comparticipações a que teve acesso, registo hospitalar ou exames
realizados, aceder a contactos de emergência ou decisões de doação de órgãos, além de ser
possível marcar consultas e obter informação sobre serviços prestados ou profissionais de
saúde. Para desenvolver ainda mais este projeto, o Governo irá:
• Aumentar a divulgação e utilização dos serviços digitais de saúde existentes através
da disponibilizando a informação em plataforma multicanal;
• Desenvolver o SNS24 - Centro de Contacto do Serviço Nacional de Saúde,
reforçando os serviços com mais meios de atendimento e apostando em novos serviços
automáticos, na área da telessaúde, como as teleconsultas, a teletriagem, a
telemonitorização, o telediagnóstico ou o telerrastreio;
• Capacitar o SNS para a utilização das ferramentas digitais;
• Investir em serviços mais qualificados para os utentes, oferecendo aos profissionais
de saúde os instrumentos que lhes permitam aceder a informação do utente, de forma
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simples e eficiente, quando e onde ela é necessária, de modo adequado e seguro, como por
exemplo implementar nos Sistemas de Informação as normas de orientação clínica e outra
fonte de informação relevante (ex.: efeitos adversos os medicamentos, alergias, etc.);
• Promover o uso e implementação de meios de diagnóstico e terapêutica
tecnologicamente avançados, desenvolvendo formas pioneiras de tratar as diferentes
tipologias de doença e aumentando a cobertura para patologias em que esta é diminuta,
nomeadamente através da implementação de Sistemas de Informação e de mecanismos
apoio à redução de riscos de segurança para o doente;
• Estimular o uso de big data no SNS para prevenir problemas de saúde e estabelecer
diagnósticos mais precisos, personalizando o plano de tratamentos;
• Desenvolver modelos preditivos com base em Inteligência Artificial, que possam
ser usados como meios de prevenção e de diagnóstico;
• Incrementar o uso de tecnologias de informação em serviços domiciliários;
• Estimular o aparecimento e a utilização de novos meios para efetuar um
acompanhamento de proximidade, em mobilidade e de forma mais eficaz, através do uso
de meios digitais, disponibilizando serviços que permitam a monitorização remota de
pacientes isolados ou grupos de risco numa base voluntária;
• Continuar a investir na qualificação da gestão dos serviços de saúde, promovendo o
desenvolvimento de sistemas de apoio à gestão e de consolidação de dados, promovendo a
necessária e desejável sustentabilidade dos sistemas e o fortalecimento do SNS;
• Garantir que o esforço para usar melhor as tecnologias e sistemas de informação,
proporcionando melhores serviços de saúde, tenha também como reflexo o
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desenvolvimento da economia e a dinamização do setor das TIC em Saúde, de forte valor
acrescentado e no qual Portugal tem condições para ser fortemente competitivo;
• Assegurar a interoperabilidade e comunicação entre sistemas de informação
utilizados nos diferentes contextos da prática de cuidados, de modo a melhorar o
atendimento ao cidadão, com segurança, qualidade e celeridade.
8.3. I&D e competências para novos desafios
De modo a garantir que o país tem condições para prosseguir o objetivo de aumentar a
investigação, desenvolvimento & inovação (I&D&I), bem como o estreitar de relações
entre as empresas e os centros de saber, é necessário garantir uma maior capacidade para
enfrentar os desafios de uma economia cada vez mais assente no conhecimento, na ciência,
no desenvolvimento tecnológico e na inovação. Deste modo, o Governo atuará nas
dimensões do financiamento, da valorização dos recursos humanos e do conhecimento por
estes produzido, da simplificação administrativa.
No que se refere à melhoria das condições de financiamento, o Governo pretende reforçar
a previsibilidade e a regularidade do financiamento em ciência, através do:
• Aumento progressivo do investimento em ciência até atingir 3% do PIB em 2030;
• Restituição do IVA pago pelos centros de investigação científica sem fins lucrativos
com a aquisição de bens ou serviços no âmbito da sua atividade de I&D, desde que os
montantes do IVA não sejam dedutíveis;
• Aprovação de uma Lei da Programação do Investimento em Ciência que, à
semelhança da Lei de Programação Militar, conterá a programação do investimento público
em ciência num quadro plurianual a pelo menos 12 anos;
• Abertura anual, regular e na mesma altura do ano, seguida de resolução e divulgação
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dos resultados, de concursos para: (i) projetos de I&D&I em todos os domínios científicos,
com enfoque nos projetos de investigação aplicada que criem propriedade intelectual; e (ii)
atribuição de bolsas de doutoramento;
• Abertura de concursos de apoio a infraestruturas de investigação e equipamentos
científicos no mínimo a cada 3 anos e no máximo a cada 5 anos, devendo os mesmos ser
devidamente coordenados com o Roteiro Nacional de Infraestruturas de Investigação,
possibilitando assim a utilização das referidas infraestruturas e equipamentos em rede;
• Calendarização, com pelo menos 1 ano de antecedência, das datas relevantes de
todos procedimentos concursais, desde a data de abertura dos concursos à publicação dos
resultados, com indicação do orçamento disponível;
• Previsão de prazos máximos de até 9 meses para publicação dos resultados
definitivos de cada concurso;
• Melhoria da transmissão de informação para a comunidade científica portuguesa
quanto a oportunidades internacionais de financiamento e respetivos processos de
candidatura.
No que se refere à valorização dos recursos humanos dedicados à I&D e dos resultados do
seu trabalho, o Governo pretende:
• Continuar a valorização do emprego científico, prosseguindo com o reforço do
regime do contrato de trabalho como regra para investigadores doutorados;
• Garantir o reforço das carreiras de investigação para níveis adequados à dimensão
de cada instituição, bem como rejuvenescer as carreiras docentes do ensino universitário e
politécnico, designadamente com recurso a investigadores que tenham tido contratos de
emprego científico;
• Criar incentivos à intensificação do registo de modelos de utilidade e de patentes
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nacionais e internacionais, quando associadas a empresas portuguesas e entidades do
sistema nacional, científico e tecnológico.
No que se refere ao reforço da simplificação dos processos e procedimentos associados à
atividade dos centros de investigação, e sem prejuízo das medidas que venham a ser
propostas pelo Grupo de Trabalho constituído para o efeito, o Governo promoverá
promover a desburocratização e a simplificação de procedimentos na relação com os
centros de investigação:
• Simplificação dos formulários de candidaturas com recurso a um único documento
para descrever a componente técnica, à semelhança do que acontece em concursos
europeus;
• Redução da documentação a submeter com a candidatura científica, devendo a
mesma passar para a fase da celebração do contrato;
• Diminuição dos casos de não-elegibilidade por questões puramente formais, através
de mecanismos de simplificação e aviso, dando ao investigador a possibilidade de
reformulação;
• Todas as alterações a aspetos essenciais de regulamentos de concursos anteriores,
designadamente em matéria de recursos humanos, deverão ser publicitadas com
antecedência e de forma clara e explícita;
• Abolição da necessidade de aprovação prévia da Fundação para a Ciência e a
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Tecnologia em anúncios de bolsas de investigação a conceder pelas unidades de I&D no
âmbito dos respetivos projetos;
• Regularização dos fluxos de pagamentos, designadamente através da análise de
pedidos de pagamento no prazo máximo de um mês da sua receção por parte da Fundação
para a Ciência e a Tecnologia e do reembolso no próprio mês em que o mesmo seja
aprovado, para evitar situações de dificuldades de tesouraria das unidades de I&D;
• Flexibilização das regras relativas a transição de verbas entre rubricas;
• Simplificação dos formulários de pedidos de pagamento e do processo de
verificação de despesas dos projetos, com redução da evidência documental e outras
burocracias, especialmente para aquisições de valor reduzido;
• A avaliação final dos projetos deve ter por base os seus resultados contratualizados
com a entidade concedente do apoio.
Alargar o ensino superior a novos públicos
Face à necessidade de garantir que a estrutura de qualificações e competências da
população portuguesa evolua para patamares mais elevados do que os observados
atualmente, e apesar de se reconhecer o enorme progresso verificado ao longo dos últimos
vinte anos, importa alargar a base de recrutamento do ensino superior, promovendo as
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condições necessárias para que mais pessoas possam ingressar e concluir este nível de
ensino. Tal será fundamental para enfrentar os desafios associados à transição para uma
economia cada vez mais digital, sendo que melhores níveis de qualificação permitem
encarar com confiança um mercado de trabalho em constante evolução. Esta política
promove a defesa do trabalhador, conferindo-lhe um maior empoderamento e mais
ferramentas para fazer face a um mundo do trabalho mais exigente e competitivo,
beneficiando simultaneamente as entidades empregadoras, disponibilizando um maior
volume de recursos qualificados no mercado de trabalho. Neste sentido, importa promover
a democratização do acesso ao ensino superior, visto que o número de portugueses com
um grau de escolaridade superior encontra-se ainda abaixo da média europeia. Para tal, o
Governo propõe reforçar a importância dos Cursos Técnicos Superiores Profissionais
(TeSP) e, para não defraudar expectativas, garantir condições para que aqueles que, no fim
do TeSP, queiram entrar na licenciatura (e tenham condições para isso) o possam fazer.
Adicionalmente, a sociedade do conhecimento baseia-se numa cultura de partilha e
trabalho em rede, em que a colaboração entre diferentes instituições de ensino superior
assume um papel decisivo. Neste sentido, o desenvolvimento de ofertas diversificadas,
funcionando de modo articulado, permite criar respostas mais eficientes e robustas no
contexto do ensino superior público. É fundamental que se aprofunde o sistema e
mecanismos de avaliação das parcerias, nacionais e internacionais, nomeadamente dos seus
impactos e resultados. Para esse efeito, o Governo irá:
• Estimular as ofertas internacionais e a entrada de estudantes não nacionais, com a
possibilidade de trabalhar legalmente em Portugal;
• Incentivar a frequência do ensino superior em Portugal, principalmente nas áreas de
maior procura, essencialmente para alunos oriundos dos países de língua oficial portuguesa;
• Reforçar o número de vagas dos cursos relacionados com tecnologias de
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informação, matemática e ciência;
• Introduzir disciplinas ou conteúdos digitais, em todos os cursos de ensino superior,
que se adequem às necessidades do mercado de trabalho;
• Fomentar o trabalho colaborativo em rede entre instituições do ensino superior;
• Avaliar e aperfeiçoar o modelo de avaliação das instituições de ensino superior,
tendo em conta a sua diversidade, garantindo a estabilidade dos recursos humanos nesse
modelo;
• Estimular o crescimento e diversificação das fontes de financiamento público e
privado do ensino superior e promover a contratualização do financiamento das
instituições por objetivos;
• Reforçar e incentivar sinergias entre o domínio científico e o domínio do ensino,
protegendo a diferenciação das duas dimensões e promovendo a circulação entre carreiras.
Fortalecer a ligação da academia com o exterior
Num mundo crescentemente globalizado e conectado, a internacionalização do ensino
superior, nomeadamente garantindo a sua presença em redes globais, é decisiva para a sua
qualificação, capacitação e para o seu desenvolvimento. Neste sentido, o Governo irá:
• Fomentar a internacionalização das instituições de ensino superior, apoiando a sua
integração em redes de cooperação internacional e respetivos circuitos de financiamento;
• Promover a abertura das instituições de ensino superior à sociedade civil e aos
agentes do mercado de trabalho;
• Estimular a contratação de doutorados pelas empresas;
• Estimular a ligação das instituições de ensino superior aos laboratórios do Estado,
laboratórios associados e laboratórios colaborativos, e destes com as empresas e o sector
público;
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• Fortalecer a cooperação entre as universidades e politécnicos e o sistema de
formação profissional, seja na articulação à entrada em cursos técnicos superiores
profissionais (TeSP), cursos de especialização tecnológica (CET) e outras vias pós-
secundárias, seja na colaboração para a reconversão de profissionais em setores estratégicos
de competências, nomeadamente as digitais.
Liderar nas competências digitais em todos os níveis de ensino
No âmbito deste processo de transição para uma economia cada vez mais digitalizada, é
necessário assegurar que a população portuguesa terá, cada vez mais, as competências e
qualificações necessárias e adequadas para superar, com êxito, este desafio. Neste sentido, o
Governo pretende reforçar a Iniciativa Nacional Competências Digitais e.2030
(INCoDe.2030), com o objetivo de qualificar os recursos humanos de forma transversal, ao
longo da vida, e numa perspetiva dilatada no tempo.
Neste âmbito, a aposta no ensino da computação assume particular relevância, visto que,
mais do que programação, contribui para o desenvolvimento do denominado pensamento
computacional, o qual envolve técnicas e métodos para resolver problemas, criando
capacidade de projetar sistemas e compreender o poder e os limites da inteligência humana
e artificial. Neste contexto, o Governo irá:
• Desenvolver um programa estruturado, a nível nacional, para a definição,
promoção e avaliação de competências computacionais, nos diferentes níveis de ensino;
• Assegurar o ensino da computação, desde o ensino básico, visando a literacia e a
ética digital, assente no domínio das ciências da computação e sustentada na prática pela
programação e análise de dados;
• Promover a preparação, classificação e disponibilização de conteúdos pedagógicos
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de qualidade e digitais, que cubram aprendizagens essenciais estabelecidas;
• Criação de uma rede de entidades intervenientes no ensino da computação,
devidamente suportada por uma moderna plataforma digital de colaboração e partilha de
conteúdos;
• Apoiar a criação de um programa nacional de (re)qualificação e formação contínua
de docentes na área das competências computacionais.
Promover a digitalização das escolas
Esta aposta no reforço das competências digitais passa não só pelo reforço da oferta
formativa, com especial enfoque na computação, mas também pela existência de
infraestruturas e recursos que permitam que essa aposta seja consequente. Assim, o
Governo promoverá as ações necessárias para acelerar o processo de digitalização das
nossas escolas, através do:
• Lançamento de um amplo programa de digitalização para as escolas;
• Promoção da generalização das competências digitais de alunos e professores;
• Aposta na digitalização dos manuais escolares e outros instrumentos pedagógicos;
• Promoção de modelos de aprendizagem ativos (project based learning, research
based learning, blended learning, design thinking e critical thinking), potenciando a
articulação com o universo social e empresarial, numa perspetiva transformadora, que
promovam a mobilidade, a flexibilização dos momentos e formas de estudo e a motivação
dos estudantes;
• Enraizamento do ensino na investigação e na descoberta, fomentando o espírito de
observação, experimentação, inovação e construção de conceções alternativas;
• Prioridade ao ensino da língua portuguesa a cidadãos nacionais e estrangeiros,
através de conteúdos digitais centrados no ensino do Português e da cultura portuguesa, os
quais devem ser ministrados através de conteúdos multimédia e agregados em ferramentas
de divulgação e ensino à distância;
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
• Estímulo à adesão a plataformas mundiais de educação online (como a EdX, a
Coursera ou outras) e incentivar a criação de uma rede de produção de conteúdos
lusófonos digitais;
• Promoção das certificações de MOOC (Massive Online Open Courses) e do ensino
à distância.
Fazer da aprendizagem ao longo da vida um desígnio estratégico para a próxima década
Apesar de muitos progressos nas gerações mais jovens, a desvantagem acumulada ao longo
de décadas no plano das qualificações, hoje visível de modo muito vincado sobretudo na
população adulta, condiciona o potencial de desenvolvimento do país e limita a
produtividade e a competitividade das empresas. Nos últimos anos, a descontinuidade na
aposta na qualificação de adultos, e a perda de meios de financiamento e fragmentação do
modelo de governação e financiamento da formação profissional vieram limitar fortemente
as políticas públicas nesta área. A retoma da aprendizagem ao longo da vida e das
qualificações dos jovens e dos adultos enquanto um desígnio nacional implica repor um
quadro integrado de governação e financiamento da política de formação profissional, de
modo a criar boas condições para robustecer e modernizar esta área.
Reforçar a integração, flexibilidade e eficácia da política de formação
A aprendizagem ao longo da vida e a qualificação e requalificação das pessoas, em estreita
ligação com as necessidades e evolução do mercado de trabalho, são traves mestras de um
modelo de desenvolvimento capaz de combinar de modo sustentável competitividade
económica e coesão social. É essencial que haja um quadro de ação estratégica comum,
tanto do ponto de vista normativo como dos instrumentos de financiamento e execução
das políticas públicas de formação. Com este objetivo, o Governo irá:
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• Promover, no quadro da Comissão Permanente de Concertação Social, um acordo
estratégico sobre formação profissional e aprendizagem ao longo da vida como fator
estruturante da modernização económica e da coesão social;
• Revisitar, com os parceiros sociais, o direito individual à formação e o estímulo à
formação profissional no quadro da negociação coletiva;
• Agilizar o Catálogo Nacional de Qualificações, promovendo o seu dinamismo e
atualização e reforçando os poderes e margem de atuação dos conselhos setoriais e dos
agentes neles representados, definindo prazos para a renovação dos perfis formativos nele
incluídos e acelerando a transição para um Catálogo Nacional de Qualificações baseado em
resultados de aprendizagem;
• Aprofundar a flexibilidade dos percursos formativos, nomeadamente flexibilizando
as unidades de curta duração e a sua utilização combinada nos diferentes níveis de
qualificação, e dos instrumentos à disposição dos operadores, nomeadamente na
constituição de grupos de formação e em territórios de baixa densidade;
• Combater a fragmentação dos instrumentos de financiamento e gestão da formação
profissional;
;
• Apostar no e-learning e b-learning no quadro da política pública de formação
profissional, nomeadamente regulamentando e incentivando a sua utilização e expansão;
• Lançar, com recurso a fundos europeus, um programa de investimento integrado na
requalificação dos centros de formação, que praticamente não foram alvo de qualquer
modernização nas últimas duas décadas;
Robustecer a ligação da formação profissional ao mercado de trabalho
A formação profissional tem diferentes modalidades e cada uma delas tem um equilíbrio
diferente entre a orientação para o mercado de trabalho e a lógica de dupla certificação que
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assegura a conciliação entre qualificações profissionais e escolares. O reforço das
modalidades e percursos formativos com maior proximidade ao mercado de trabalho será
um passo em direção a uma estratégia bem-sucedida de promoção da formação e da
aprendizagem ao longo da vida. Para tal, é necessário um modelo de governação mais
adequado, que passe nomeadamente por uma ligação mais estrita às entidades que melhor
conhecem o mercado de trabalho (empresas, associações empresariais, organizações
sindicais, Comunidades Intermunicipais, Áreas Metropolitanas e Municípios), bem como
pelo reforço da rede de centros protocolares em diferentes setores de atividade.
Assim, o Governo propõe:
• Integrar a formação contínua dos trabalhadores nas empresas, nas suas diversas
modalidades, na política pública de formação profissional;
• Reforçar a aposta na formação dual do sistema de aprendizagem, uma modalidade
formativa de nível secundário em que parte da formação é dada nas empresas,
nomeadamente alargando a sua abrangência etária para os jovens adultos;
• Inovar na articulação de respostas formativas e na integração no mercado de
trabalho, reforçando essa ligação e potenciando assim boas transições;
• Apostar no fortalecimento das instituições e estratégias de formação de cariz
setorial, dando resposta às profundas transformações em curso na economia, na tecnologia,
nos mercados e no mercado de trabalho, nomeadamente através do robustecimento,
consolidação e alargamento da rede de formação setorial dos centros de gestão protocolar
do IEFP;
• Apostar na generalização de novas áreas estratégicas, como as competências
transversais ou as competências digitais em todos os níveis de formação, alargando a base
de qualificações nestes domínios.
Promover a cidadania digital
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A presença da tecnologia no dia-a-dia é cada vez maior e expressa-se de diferentes formas,
as quais devem ser melhor compreendidas, de modo a que possam ser encontradas
estratégias efetivas para que todos possam tirar proveito desta transformação digital. Deste
modo, o acesso da população a serviços de internet deve ser generalizado, configurando
um direito universal e economicamente acessível, o que permite eliminar situações de
discriminação no acesso e na utilização de serviços públicos disponíveis em linha. Neste
sentido, o Governo irá:
• Criar uma tarifa social de acesso a serviços de Internet, a qual permita a utilização
mais generalizada deste recurso;
• Apoiar a disseminação e a criação de mais pontos de acesso gratuitos a serviços de
Internet em espaços públicos, através da criação de mais zonas de redes sem-fios abertas,
no quadro do programa de financiamento europeu WiFi4EU;
• Garantir, nos espaços de prestação de serviços públicos ou instalações locais e
centrais, redes abertas sem-fios para acesso a serviços;
• Fomentar o acesso à Internet livre em espaços de grande circulação pública;
• Apoiar o lançamento de ações de formação e informação destinadas ao aumento da
literacia digital.
Consagrar direitos e garantias digitais
No mundo digital, há direitos fundamentais longamente consagrados que são postos à
prova e confrontados com novas ameaças e novos desafios. É imperioso proteger os
cidadãos e renovar a afirmação de direitos, consagrando novos espaços de autonomia e
realização pessoal num contexto de rápido desenvolvimento tecnológico. Para além disso,
com o crescimento exponencial do comércio eletrónico, é vital criar condições de
informação ao consumidor para que, de forma explícita, lhe sejam comunicados direitos e
garantias e facultadas ferramentas e indicações sobre como agir. Assim, o Governo defende
a criação de uma “Carta de Cidadania Digital", que consagre os direitos digitais dos
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cidadãos, e propõe as seguintes medidas:
• Assegurar que uma entidade pública tem efetivos poderes e meios para assegurar
direitos, liberdades e garantias que sejam colocados em causa devido ao uso de meios
digitais, nomeadamente para garantir a privacidade e o bom nome dos cidadãos e das
empresas;
• Garantir uma efetiva fiscalização política e democrática sobre a utilização da
Inteligência Artificial pelos poderes do Estado, com vista à proteção dos direitos
fundamentais dos cidadãos e evitar discriminações;
• Criar um portal com toda a informação referente a direitos digitais;
• Criar a figura da residência digital, permitindo aos requerentes que lhes sejam
reconhecidos direitos independentemente da sua localização física;
• Apostar na capacitação dos cidadãos para o uso de ferramentas eletrónicas,
garantindo a todos um domínio mínimo e seguro de interação tecnológica, em especial aos
mais velhos, através de ações de formação e de informação a decorrer em regime de
proximidade;
• Promover políticas e melhores práticas de cibersegurança e privacidade;
• Criar condições para que os utilizadores apenas tenham nos seus dispositivos
aplicações pretendidas, criando a possibilidade de apagarem software pré-instalado;
• Reforçar os meios de fiscalização, para que a sua atuação seja mais eficaz em
questões relacionadas com o comércio eletrónico;
• Promover a literacia mediática, a nível nacional e europeu, como uma das
prioridades de atuação no combate à desinformação em linha, sem esquecer o
envolvimento crescente de jornalistas e "verificadores de notícias", sendo o jornalismo e a
informação de qualidade aliados indispensáveis neste combate contra as notícias falsas no
ambiente digital.
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8.4. Cultura e promoção da criatividade
A natureza multifacetada da cultura implica que a abordagem utilizada para fazer face aos
diversos desafios enfrentados nesta área seja adequada e ajustada. Neste sentido, a
necessidade de garantir uma cultura que seja inclusiva e envolvente, leva à necessidade de
promover políticas de acessibilidade e participação alargada de públicos e a sua ligação às
instituições, às obras e aos criadores.
Simultaneamente, enquanto elemento vivo e dinâmico, a cultura é tributária de uma política
de promoção da fruição ativa do património cultural através do desenvolvimento alargado
do princípio da experiência, potenciando uma maior ligação das pessoas com a herança
cultural de Portugal.
Tendo em conta o potencial transformador da cultura, quer para a sociedade, quer para os
territórios, importa desenvolver políticas que promovam económico, garantindo,
simultaneamente, o cumprimento de objetivos de sustentabilidade, inovação e coesão social
e territorial. Adicionalmente, a cultura assume-se como espaço de diálogo entre Portugal e
o resto do mundo, pelo que é necessário favorecer a participação das instituições e dos
criadores nos circuitos internacionais assegurando a difusão, internacionalização e
promoção dos agentes e dos bens culturais portugueses.
A ligação da cultura à língua, enquanto um dos seus fundamentos e um dos seus veículos,
assume particular relevância. No caso da língua portuguesa, que é património comum a
vários países, o Governo vai intensificar o contacto entre as diversas culturas que se
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expressam em português, através de projetos que testemunhem esta herança partilhada.
Por último, porque a cultura é futuro, deve beneficiar e participar nas mudanças
tecnológicas, sociais, económicas e ambientais. Por isso, serão implementadas estratégias
transversais, programadas e adequadas às transformações do país e do mundo.
Valorizar os museus, os monumentos e o património cultural: uma causa de todos
O património cultural é uma responsabilidade coletiva, pelo que é necessário ter uma visão
integrada e participada para as políticas sobre o património cultural e os museus, centrada
na preservação da diversidade cultural, na construção da memória social e no acesso
alargado à sua fruição. Estas dimensões devem igualmente ter em consideração as
transformações sociais e económicas e as novas tecnologias de informação e comunicação,
alavancando o potencial do património cultural e dos museus. Neste sentido, o Governo
propõe:
• Executar um programa de transformação e modernização dos museus,
monumentos e palácios nacionais e regionais, incluindo as seguintes diferentes dimensões:
o Novo modelo de gestão dos museus;
o Reforço do trabalho em rede e das parcerias;
o Diversificação e inovação da oferta cultural;
o Modernização da política de gestão das coleções e da circulação de acervos;
o Incremento da comunicação e da visibilidade de programação em todo o
país;
o Adaptação às transformações digitais;
o Captação de investimento nacional e estrangeiro.
• Criar o Museu Nacional da Fotografia, a partir dos equipamentos já existentes, com
um novo modelo de gestão partilhada entre a Administração Central e a Administração
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Local e a instalação de dois núcleos;
• Criar o Museu Nacional de Arte Contemporânea, a partir do existente Museu do
Chiado;
• Expandir e dinamizar a política de reservas visitáveis, dando a conhecer espólios
artísticos e literários que, à data, estão em locais fechados e não acessíveis ao público, tendo
como objetivo, não apenas permitir a sua fruição pública, mas também desenvolver
melhores condições de conservação, restauro e estudo das coleções, em estreita articulação
com os centros de investigação das Universidades;
• Criar programas de cooperação entre empresas e outras organizações privadas e
públicas com museus e monumentos para partilha de competências e conhecimentos em
áreas estratégicas para os equipamentos culturais, desde a área de restauro de património
até projetos de transformação digital;
• Potenciar o cruzamento de públicos através de programação diversificada (artes
performativas, música, artes visuais) nos museus, monumentos e palácios, no âmbito de
uma política assente na importância da experiência como alavanca de captação de públicos
e também da economia cultural;
• Reforçar abordagens interativas, inovadoras e inclusivas ao património cultural e
aos acervos, nomeadamente disponibilizando meios que permitam o acesso por pessoas
com deficiência e permitam uma experiência sensorial inclusiva das coleções;
• Diversificar e intensificar as experiências dos públicos nos equipamentos culturais,
através de programas já praticados com excelentes resultados, como estágios de verão nos
museus e monumentos, noites em museus, aprender nos museus, entre outras iniciativas
que tragam mais e novos públicos ao nosso património cultural;
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
• Criar novas rotas e itinerários culturais para percorrer o património cultural e
equipamentos de cultura pelo país, tendo em vista desenvolver o potencial e a
competitividade dos territórios;
• Privilegiar uma visão de conjunto para a valorização de monumentos e paisagens
envolventes, nomeadamente através do alargamento de modelos existentes para a gestão
conjunta e integrada de património cultural e natural;
• Ampliar iniciativas que contextualizem o património histórico edificado no âmbito
das características específicas do local, convidando o público a viagens culturais ao passado;
• Lançar um programa plurianual de meios e investimentos para a reabilitação,
preservação e dinamização do património cultural classificado, em articulação com as áreas
do turismo e da valorização do interior, acompanhado de um mecanismo de financiamento
assente na diversificação de fontes de receita;
• Lançar medidas para promover o envolvimento de todos na missão nacional de
reabilitação do património cultural, nomeadamente criar a “Lotaria do Património” e uma
campanha “Um Cidadão, Um Euro” para o património cultural;
• Repensar os incentivos ao mecenato cultural e promover a respetiva divulgação,
sensibilizando os cidadãos e as empresas para a sua existência e participação;
• Disponibilizar o acesso e acompanhamento dos procedimentos de classificação e de
inventariação de património cultural através de balcão único, simplificando os respetivos
trâmites processuais;
• A promoção internacional da cultura, sempre que possível e adequado, envolvendo
outros setores da economia, numa ótica de cross-selling e reforço da marca país.
Apoiar as artes como agentes de mudança social e territorial
A expressão artística constitui um veículo primordial para a valorização individual, a
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
transformação social e a coesão territorial. Importa, pois, prosseguir uma política cultural
sustentada e de proximidade, promovendo uma estratégia assente na desconcentração e na
descentralização territorial, de modo a promover o mais amplo acesso às artes. Para tal, o
Governo adotará as seguintes iniciativas:
• Concretizar o potencial transformador das artes através da implementação das
medidas do Plano Nacional das Artes 2024;
• Estimular o trabalho em rede, envolvendo entidades públicas e privadas, através do
desenvolvimento de redes de programação e de equipamentos culturais (museus,
bibliotecas, teatros e cineteatros), garantindo uma aproximação transversal e global à
política cultural;
• Consolidar o papel decisivo dos Teatros Nacionais Dona Maria II e São João e dos
corpos artísticos do OPART (Companhia Nacional de Bailado, Coro do Teatro Nacional
São Carlos, Orquestra Sinfónica Portuguesa) no quadro de uma política integrada de
programação e em rede com equipamentos culturais no apoio reforçado às artes, em
particular através de mais projetos sustentáveis de descentralização, de atividades e serviços
educativos inovadores e direcionados à formação e diversificação de públicos, em
colaboração com o Plano Nacional das Artes;
• Abrir os Estúdios Victor Córdon a formas organizadas de experimentação de
música e dança no âmbito do OPART, EPE;
• Programar música, teatro e artes nos hospitais e nos estabelecimentos prisionais;
• Criar uma bienal cultural infantil para promover a inclusão pela arte;
• Desenvolver projetos culturais para as zonas social e economicamente mais
desfavorecidas, em diálogo e parceria com organizações da sociedade civil, empresas,
startups e empreendedores sociais;
• Desenvolver uma estratégia integrada para a Cinemateca, incluindo a modernização
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
do respetivo modelo de gestão, de modo a reforçar a sua missão central de preservação do
cinema português e divulgação descentralizada, em rede e em cooperação com parceiros
nacionais e internacionais, bem como do laboratório, adequando-o às melhores práticas de
arquivo, preservação e digitalização do património, reforçando o posicionamento do
Arquivo Nacional da Imagem em Movimento (ANIM) nos planos internacional, de
cooperação institucional e facilitação dos filmes para exibição pública;
• Criar uma rede de exibição de cinema independente em equipamentos dotados de
condições técnicas para a projeção, nomeadamente museus e monumentos nacionais, em
articulação com os festivais de cinema nacionais;
• Modernizar e simplificar os procedimentos para filmar em Portugal, através da
articulação entre diferentes entidades públicas da Administração Central e Local, no âmbito
da Film Commission Portugal;
• Promover as artes visuais contemporâneas, em especial dos artistas portugueses,
nomeadamente através de:
o Um programa de bolsas e residências artísticas para as artes plásticas;
o Um novo museu nacional de arte contemporânea;
o Medidas de incentivo à aquisição e colocação de obras de artistas portugueses em
serviços públicos e equipamentos do Estado.
• Implementar uma nova política integrada de aquisição, gestão e exposição de obras
de arte do Estado, fomentando a cooperação com entidades privadas e articulando a
coleção que pertence ao Estado com coleções privadas numa programação nacional
conjunta que preveja exposições itinerantes por diversos locais do território nacional;
• Promover uma maior interligação entre territórios e artistas, através de um
mapeamento conjunto com os municípios de edifícios, terrenos, oficinas, fábricas, ateliers e
outros espaços sem ocupação, identificando projetos artísticos, artistas e criadores
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
interessados em instalar-se e criar nesses locais;
• Promover a igualdade de género no setor da cultura e indústrias criativas e conferir
às mulheres artistas a visibilidade e reconhecimento devido pelo seu papel na cultura e
história das artes em Portugal, designadamente estabelecendo incentivos à paridade no
âmbito dos apoios públicos da cultura e realizando atividades de programação dedicadas às
criadoras e artistas portuguesas ao longo da história e da contemporaneidade;
• Fomentar projetos culturais e pedagógicos que promovam e divulguem a tradição
oral, performativa e popular do património literário e cultural português, com base em
incentivos à criação e produção;
• Desenvolver medidas de promoção do livro e da leitura, através de incentivos
diretos à aquisição de livros e licenciamento de conteúdos digitais, de acordo com critérios
que considerem o potencial da leitura para os segmentos mais vulneráveis socialmente e
para jovens;
• Implementar um programa para a distribuição dos excedentes de livros em
armazém das editoras portuguesas pelas bibliotecas públicas e a rede de bibliotecas
escolares;
• Facilitar um acesso mais justo e proporcional ao International Standard Book
Number (ISBN), designadamente por parte das pequenas editoras e editores
independentes.
Internacionalizar as artes e a língua portuguesa
A capacidade inovadora e a originalidade dos criadores portugueses, em conjugação com o
espaço comum de mais de 250 milhões de falantes de português, constituem eixos
fundamentais para a internacionalização da nossa cultura e para o processo de construção
de uma marca internacional de Portugal, ao mesmo tempo capaz de afirmar o património
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histórico-cultural português, a criatividade dos nossos artistas e a competitividade da
economia do país. Neste sentido, o Governo irá adotar as seguintes medidas:
• Promover a internacionalização, a difusão e a exportação da cultura portuguesa,
com apoios à presença dos agentes e bens culturais em eventos tidos por estratégicos no
estrangeiro e no quadro das relações bilaterais e multilaterais na área da Cultura,
designadamente através das Feiras Internacionais do Livro, em maior coordenação com
iniciativas de natureza empresarial e em linha com o Programa Internacionalizar 2030;
• Incentivar e apoiar os agentes culturais, públicos e privados, na angariação de
parcerias internacionais e mecenato cultural, através de medidas como a atribuição de
apoios complementares pontuais;
• Promover o cinema português e o setor do audiovisual como áreas estratégias da
cultura e da economia nacional, envolvendo todas as entidades e agentes, nacionais e
internacionais, com metas e objetivos calendarizados;
• Consolidar os programas de apoio à tradução e edição das áreas governativas da
Cultura e dos Negócios Estrangeiros, para a prossecução de objetivos estratégicos comuns;
• Desenvolver o catálogo de promoção do património bibliográfico em língua
portuguesa, facilitando a sua promoção e incentivando a participação de todos os atores
envolvidos no setor do livro;
• Estimular a criatividade entre adolescentes e jovens através da criação de prémios
nacionais, nas áreas da música, do teatro, da narrativa e da poesia, para jovens autores com
reconhecimento institucional, garantindo a visibilidade internacional das obras premiadas;
• Reforçar a presença e a articulação dos organismos públicos da Cultura no âmbito
da CPLP, da OEI e da UNESCO, com o objetivo de divulgar as boas práticas nacionais e
facilitar o desenvolvimento e a concretização de projetos de cooperação internacional na
área da Cultura;
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
• Divulgar oportunidades de financiamento disponíveis para a internacionalização e
promoção da Cultura, nomeadamente através da criação de um balcão de informação de
apoio aos agentes culturais.
Fomentar a transformação digital, a inovação e as indústrias criativas
Para o reforço e a diversificação da oferta cultural, cumpre implementar uma cultura digital
comum que potencie mais e diferentes criadores e públicos, promovendo a visibilidade, a
capacitação e o acesso às artes e ao património através de experiências inovadoras e
envolventes. Neste domínio, o Governo desenvolverá as seguintes iniciativas:
• Promover e apoiar o crescimento e a internacionalização do setor das artes digitais,
nomeadamente em áreas como, por exemplo, o 3D, animação, ilustração digital;
• Dinamizar a instalação de incubadoras de artes e indústrias criativas, com ligação às
Universidades e aos centros tecnológicos, facilitando a incorporação de tecnologia nos
processos de criação artística;
• Lançar uma agenda para a transformação digital dos museus e património cultural,
em domínios como a bilhética, mediação, comunicação, projetos educativos, acesso aos
acervos através da digitalização, etc.;
• Criar uma infraestrutura tecnológica para a instalação do Arquivo Sonoro Nacional,
desenvolvendo condições para a salvaguarda, conhecimento e promoção do património
sonoro, musical e radiofónico português;
• Criar, desenvolver e manter um sistema nacional de coordenação entre bibliotecas
públicas, apoiado em plataformas digitais, que promova a visibilidade e troca de
experiências inovadoras e sirva como espaço virtual de formação e treino no âmbito da
Rede Nacional de Bibliotecas Públicas;
• Implementar o programa “Saber Fazer Português”, vocacionado para as tecnologias
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das artes e ofícios tradicionais, com vista à salvaguarda, continuidade, inovação e
desenvolvimento sustentável das artes e ofícios nacionais.
Criar novos futuros
É fundamental preparar, de modo abrangente e participado, uma estratégia de antecipação
e de adaptação das diferentes áreas culturais às transformações futuras, nomeadamente
através da análise de tendências, que permita a definição de políticas públicas de cultura
sustentáveis. Assim, o Governo irá:
• Mapear as transformações e tendências presentes e futuras com impacto nas
diferentes áreas culturais e indústrias criativas, tendo como objetivo antecipar medidas de
política pública para a proteção e promoção das atividades culturais e criativas, com vista a
aumentar o seu peso no PIB e a desenvolver modelos sustentáveis de crescimento;
• Implementar a Conta Satélite da Cultura;
• Aumentar, de forma progressiva, a despesa do Estado em Cultura, com o objetivo
de, no horizonte da legislatura, atingir 2% da despesa discricionária prevista no Orçamento
do Estado.
Garantir o acesso dos cidadãos à comunicação social
A proliferação de novas formas de consumo de conteúdos comunicacionais torna ainda
mais relevante o papel dos órgãos de comunicação social na proteção de valores
socialmente partilhados e na prestação de informação rigorosa. Importa por isso garantir,
antes de mais, o acesso dos cidadãos aos meios de comunicação eletrónica e a uma ampla
oferta de serviços de comunicação social. Sendo que o novo quadro tecnológico, social,
cultural e económico no qual se posiciona o setor da comunicação social implica um
esforço de atualização e inovação, tendo em vista a promoção da qualidade dos conteúdos
disponibilizados e do rigor da informação. Neste âmbito, o Governo irá:
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• Proteger os direitos das empresas de comunicação social junto dos distribuidores de
conteúdos audiovisuais, impedindo que estes multipliquem a utilização indevida de
conteúdos sem autorização e sem assegurar as necessárias contrapartidas financeiras,
desrespeitando direitos de autor e direitos conexos;
• Ajustar os apoios às rádios locais e à imprensa local e regional, valorizando as
dimensões de apoio à digitalização da produção e à distribuição em banda larga, bem como
a formação jornalística, reconhecendo o seu contributo para a democracia no contexto
local;
• Celebrar um novo contrato de prestação de serviço noticioso e informativo de
interesse público com a agência de notícias LUSA, que assegure um fluxo financeiro regular
necessário à prossecução dos seus objetivos e reforce o seu papel como órgão de
comunicação social de referência, promovendo a ligação com as comunidades portuguesas.
8.5. Proteção Social na mudança
Fruto do crescimento, à escala global, da robotização e automação dos processos
produtivos, da disrupção causada pelas plataformas digitais, da precariedade laboral, do
tratamento massificado de dados pessoais e do uso de algoritmos para efeitos de seleção de
candidatos a emprego, avaliação do desempenho e outros fins, a natureza do trabalho está a
modificar-se, trazendo novas realidades e preocupações acrescidas quanto ao futuro das
relações laborais.
Neste sentido, Portugal deve estar na linha da frente das profundas transformações
tecnológicas em curso, aproveitando as oportunidades abertas pela economia digital. No
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entanto, para além de encontrar soluções para enfrentar e tirar o maior proveito do
processo de digitalização que atravessa a economia e o mundo do trabalho à escala global,
o Estado deve, igualmente, promover a sua devida regulação, com vista a salvaguardar o
direito a um emprego digno e de qualidade para todas as pessoas.
Num futuro cujos contornos concretos são ainda incertos, a necessidade de responder a
realidades como o trabalho em plataformas digitais ou a economia colaborativa obriga a
revisitar os princípios do nosso modelo de regulação laboral e de bem-estar social,
garantindo o equilíbrio das responsabilidades e riscos, a efetividade da proteção social, a
proteção contra despedimento arbitrário, o acesso pleno a formação profissional contínua e
a condições adequadas de segurança e saúde no trabalho para todos os trabalhadores. É
preciso, ainda, tomar medidas para garantir que o nosso sistema de educação e formação
responde eficazmente às alterações no padrão de qualificações exigido pelo mercado de
trabalho, de modo a não gerar novas formas de exclusão social.
No imediato, há que começar a preparar a mudança, assegurando uma transição justa,
inclusiva e sustentável, de modo a que futuro do trabalho proporcione bem-estar e coesão
social reforçada, em especial para os jovens e para os “millenials”.
Promover uma adequada regulação das novas formas de trabalho
Apesar do trajeto de melhoria generalizada do mercado de trabalho que foi possível
percorrer nos últimos anos, Portugal tem ainda níveis elevados de precariedade e
segmentação laboral, muito acima da média da União Europeia. A emergência de novas
modalidades atípicas de emprego, por exemplo nas plataformas digitais, impõe celeridade
na preparação da mudança, num momento em que persiste, quer em Portugal, quer a nível
global, a escassez de políticas públicas que permitam enquadrar e proteger devidamente os
trabalhadores da nova economia digital. Com efeito, o regime de acesso destes
trabalhadores às estruturas de representação coletiva, ao salário mínimo nacional e à
proteção consagrada pela legislação laboral estão ainda indefinidos, estando igualmente
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incertos os termos em que podem contribuir para a segurança social e assim garantir níveis
de proteção social adequados. Por isso, o Governo irá:
• Regular a Gig Economy, fiscalizando e promovendo a aplicação de práticas de
trabalho justo, de modo a garantir que os direitos dos trabalhadores são salvaguardados e
que são respeitadas as condições inerentes ao trabalho digno;
• Promover a elaboração de um Livro Verde do Futuro do Trabalho e, a partir desse
trabalho e do debate público nele baseado, incluindo na concertação social, avançar com
propostas concretas de regulação da prestação de trabalho no quadro da economia digital;
• Avançar, em particular, com soluções para regular as novas formas de trabalho
associadas à expansão das plataformas digitais e da economia colaborativa, e definir em
instrumento próprio as condições de trabalho que devem ser exigíveis nesse âmbito;
• Assegurar equidade de condições no acesso a proteção social e a condições de
trabalho seguras e saudáveis para os trabalhadores das plataformas digitais, da economia
colaborativa, dos trabalhadores à distância e de outras tipologias da economia digital,
garantindo a aplicação das metas de trabalho digno afirmadas a nível da Organização das
Nações Unidas;
• Garantir o acesso dos trabalhadores da economia digital às estruturas de
representação coletiva do trabalho e estimular a negociação e a regulação coletiva nos
setores emergentes, também de forma a evitar o isolamento e a individualização das
relações de trabalho nestes campos;
• Defender a harmonização do quadro normativo que regula as relações laborais nas
plataformas digitais em diferentes jurisdições, dentro e fora da Europa;
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
• Introduzir mecanismos regulatórios no sentido de garantir a segurança e a
privacidade dos trabalhadores na interação com as máquinas e com os mecanismos de
Inteligência Artificial;
• Assegurar a proteção e a segurança no uso dos dados pessoais por entidades
empregadoras, garantindo a plena aplicação do Regulamento Geral de Dados Pessoais e
estimulando a sua concretização em sede de negociação coletiva;
• Estimular um equilíbrio adequado entre a autonomia no trabalho e o direito ao
desligamento, promovendo uma gestão equilibrada do tempo de trabalho e a conciliação
entre vida profissional, familiar e pessoal no quadro do respeito pela soberania das pessoas
na gestão do tempo.
Lista de Siglas e Acrónimos
ACNUR - Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados
AICEP – Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal
ANAFRE - Associação Nacional de Freguesias
ANEPC - Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil
ANMP - Associação Nacional de Municípios Portugueses
BUPi - Balcão Único do Prédio
CCDR - Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional
CELE - Comércio Europeu de Licenças de Emissão
CET - Curso de Especialização Tecnológica
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
CNQ - Catálogo Nacional de Qualificações
CP – Comboios de Portugal
CPLP - Comunidade dos Países de Língua Portuguesa CReSAP - Comissa ̃o de
Recrutamento e Seleção para a Administração Pública
EEA Grants – Mecanismo Financeiro do Espaço Económico Europeu
EMAS - Sistema Comunitário de Ecogestão e Auditoria
ENAR - Rever a Estratégia Nacional para o Ar
ENRA - Estratégia Nacional para o Ruído Ambiente
EQAVET - Quadro de Referência Europeu de Garantia da Qualidade para o Ensino e a
Formação. Profissionais
ETAR – Estação de Tratamento de Águas Residuais
FA - Fundo Ambiental
FITEC - Fundo para a Inovação, Tecnologia e Economia Circular
GEE - Gases de com Efeito de Estufa
GNR – Guarda Nacional Republicana
GOP - Grandes Opções do Plano
GRECO - Grupo de Estados contra a Corrupção
I&D – Investigação e Desenvolvimento
I&D&I – Investigação e Desenvolvimento e Inovação
IDPE - Investimento Direto Português no Exterior
IEFP – Instituto do Emprego e Formação Profissional
IES - Instituições do Ensino Superior
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
IRC – Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Coletivas
IVA – Imposto sobre o Valor Acrescentado
LGBTI - Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgéneros
LPM - Lei de Programação Militar
MBA – Master of Business Administration
NATO/OTAN – Organização do Tratado do Atlântico Norte
NEET –Not in Education, Employment, or Training
NGPH - Nova Geração de Políticas de Habitação
OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico
OEI - Organização dos Estados Ibero-americanos para Educação, Ciência e Cultura
OIM - Organização Internacional para as Migrações
ONU – Organização das Nações Unidas
PAC - Política Agrícola Comum
PALOP - Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa
PART - Programa de Apoio à Redução do Tarifários dos Transporte Públicos
PEIF - Planos Específicos de Intervenção Florestal
PENSAAR - Plano Estratégico de Abastecimento de Água e Saneamento de Águas
Residuais
PERSU - Plano Estratégico de Resíduos Urbanos
PIB – Produto Interno Bruto
PME – Pequena e Média Empresa
PNPOT - Programa Nacional para a Política do Ordenamento do Território
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
POC - Programa da Orla Costeira
PPP - Parceria Público-Privada
PRID - Programa de Reabilitação de Instalações Desportivas
PROT - Planos Regionais do Ordenamento do Território
PSP – Polícia de Segurança Pública
RCBE - Regime Central do Beneficiário Efetivo
REPER - Representação Permanente de Portugal junto da União Europeia
RERisco - Referencial de Educação para o Risco
SANQ - Sistema de Antecipação das Necessidades de Qualificação
SEF – Serviço de Estrangeiros e Fronteiras
SIFIDE – Sistema de Incentivos Fiscais ao I&D empresarial
SNS - Sistema Nacional de Saúde
TEIP - Territórios Educativos de Intervenção Prioritária
TeSP - Cursos Técnicos Superiores Profissionais
TIC – Tecnologias de Informação e Comunicação
TTO - Gabinetes de Transferência de Tecnologia
UAARE - Unidade de Apoio ao Alto Rendimento na Escola
UE – União Europeia
UEM - União Económica e Monetária
UNESCO - Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
USF - Unidades de Saúde Familiar
ZIF - Zonas de Intervenção Florestal
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Publicação — DAR II série A — 2-125 — 16/12/2019
II SÉRIE-A — NÚMERO 30
PROPOSTA DE LEI N.º 4/XIV/1.ª
APROVA AS GRANDES OPÇÕES DO PLANO PARA 2020
Exposição de motivos
As Grandes Opções do Plano 2020-2023 do XXII Governo Constitucional apresentam, para o horizonte da
legislatura, uma política económica e social sustentada no crescimento e do na melhoria dos rendimentos e
das condições sociais dos portugueses.
A recuperação da confiança, a sustentabilidade das finanças públicas, a dinamização da atividade
económica e a manutenção de um elevado nível de emprego continuam a constituir a base da estratégia de
sustentabilidade de longo prazo. Baseada na promoção do investimento, das exportações e assegurando a
estabilidade do sistema financeiro e o reforço da coesão económica e social no território nacional, a estratégia
de desenvolvimento será organizada em torno de um conjunto coerente de agendas e domínios transversais
de intervenção.
As Grandes Opções do Plano estão organizadas em torno de quatro grandes agendas estratégicas: o
combate às alterações climáticas, a sustentabilidade demográfica e o emprego, as desigualdades e a coesão
territorial, e a transição digital e a inovação. Em paralelo, a atividade governativa melhorará as condições de
contexto, intervindo: na valorização das funções de soberania, no aperfeiçoamento da qualidade da
democracia, numa política orçamental estável e credível e na melhoria da qualidade dos serviços públicos e
das infraestruturas.
As Grandes Opções do Plano para 2020-2023 foram objeto de parecer do Conselho Económico e Social.
Assim:
Nos termos da alínea d) do n.º 1 do artigo 197.º da Constituição, o Governo apresenta à Assembleia da
República a seguinte proposta de lei:
Artigo 1.º
Objeto
São aprovadas as Grandes Opções do Plano para 2020-2023 que integram as medidas de política e os
investimentos que as permitem concretizar.
Artigo 2.º
Enquadramento estratégico
As Grandes Opções do Plano para 2020-2023 enquadram-se na estratégia de desenvolvimento económico
e social e de consolidação das contas públicas consagradas no Programa do XXII Governo Constitucional.
Artigo 3.º
Grandes Opções do Plano
1 – As Grandes Opções do Plano para 2020-2023 integram o seguinte conjunto de compromissos e de
políticas em torno de quatro agendas estratégicas:
a) Alterações climáticas e valorização dos recursos;
b) Sustentabilidade demográfica e melhor emprego;
c) Menos Desigualdades e um território mais coeso;
d) Transição digital e uma sociedade da inovação.
2 – As Grandes Opções do Plano para 2020-2023 integram ainda compromissos e políticas nos seguintes
domínios transversais de intervenção:
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Publicação — DAR II série A — 125-146 — 16/12/2019
Parecer sobre
Grandes Opções do Plano para 2020-2023
(Aprovado na reunião do Plenário de 09/12/19)
Relator: Conselheiro Adriano Pimpão
Lisboa 2019
16 DE DEZEMBRO DE 2019________________________________________________________________________________________________________
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Baixa comissão distribuição inicial generalidade — DAR II série A — 101-111 — 09/01/2020
9 DE JANEIRO DE 2020
Estado, em consonância com a importância que decorre do enunciado nesta agenda estratégica das GOP».
PARTE II – OPINIÃO DO DEPUTADO AUTOR DO PARECER
Nos termos do n.º 3 do artigo 137.º do Regimento, exime-se o signatário do presente parecer de, nesta
sede, manifestar a sua opinião sobre a iniciativa em apreço, reservando o seu grupo parlamentar a sua
posição para o debate em Plenário.
PARTE III – CONCLUSÕES
A Comissão de Educação, Ciência, Juventude e Desporto aprova o seguinte parecer:
O Governo apresentou à Assembleia da República a Proposta de Lei n.º 4/XIV/1.ª referente às Grandes
Opções do Plano (GOP) para 2020.
A proposta de lei e as Grandes Opções do Plano foram objeto de apreciação pela Comissão de
Educação, Ciência, Juventude e Desporto, nos termos de presente parecer.
A Comissão de Educação, Ciência, Juventude e Desporto, sem prejuízo das matérias conexas e
referências noutros capítulos, tem as suas áreas enquadradas em diferentes áreas estratégicas,
nomeadamente na agenda «menos desigualdades e um território mais coeso» e na agenda na «Transição
digital e uma sociedade da informação».
No que concerne às matérias abrangidas pela Comissão de Educação, Ciência, Juventude e Desporto
consideramos estar o documento em condições de ser submetido a apreciação e votação.
O presente parecer deve ser submetido à Comissão de Orçamento e Finanças, competente para a
elaboração do relatório final, em conformidade com o n.º 3 do artigo 205.º do RAR.
Palácio de S. Bento, 3 de janeiro de 2020.
A Deputada autora do parecer, Carla Sousa — O Presidente da Comissão, Firmino Marques.
Nota: O parecer foi aprovado, por unanimidade, na reunião da Comissão de 3 de janeiro de 2020.
PARTE IV – ANEXOS
Anexa-se o Parecer do Conselho Económico e Social.
——
COMISSÃO DE SAÚDE
Parecer
Índice
Parte I – Considerandos
Parte II – Opinião da Deputada Autora do Parecer
Parte III – Conclusões
Parte IV – Anexos
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Discussão generalidade — DAR I série — 5-91 — 10/01/2020
10 DE JANEIRO DE 2020
Votos brancos — 73
Votos nulos — 11
Nos termos legais aplicáveis e face ao resultado obtido, declara-se não eleito Presidente do Conselho
Económico e Social António Fernando Correia de Campos.»
Passo a ler a quarta ata:
«Aos vinte dias do mês de dezembro de dois mil e dezanove, procedeu-se à eleição de vogais para o
Conselho Superior da Magistratura.
O resultado obtido foi o seguinte:
Votantes — 209
Votos ‘sim’ — 139
Votos brancos — 66
Votos nulos — 4
Nos termos legais aplicáveis e face ao resultado obtido, declaram-se não eleitos para o Conselho Superior
da Magistratura os seguintes candidatos:
Lista A (PS/PSD)
Efetivos:
Vítor Manuel Pereira de Faria
Fernando Licínio Lopes Martins
José António de Melo Pinto Ribeiro
António Alberto Vieira Cura
António José Barradas Leitão
Inês Vieira da Silva Ferreira Leite
André Filipe Oliveira de Miranda
Suplentes:
Paulo Rui da Costa Valério
Luís Paulo Elias Pereira
Telma Solange Silva Carvalho.»
Terminei, Sr. Presidente.
O Sr. Presidente: — Muito obrigado, Sr.ª Secretária Maria da Luz Rosinha, pela capacidade de expressão,
embora o ruído na Sala fosse permanente.
Evidentemente, quero começar esta sessão, neste novo ano, saudando todos os Deputados, o Sr. Primeiro-
Ministro e demais membros do Governo, os funcionários e os jornalistas, desejando a todos um excelente ano
de 2020, com muito trabalho e prestígio para a Assembleia da República, a Assembleia democrática, a Casa da
democracia.
Vamos, pois, entrar na ordem do dia, que consta da apreciação conjunta, na generalidade, das Propostas de
Lei n.os 4/XIV/1.ª (GOV) — Aprova as Grandes Opções do Plano para 2020, 5/XIV/1.ª (GOV) — Aprova o
Orçamento do Estado para 2020 e 6/XIV/1.ª (GOV) — Aprova o Quadro Plurianual de Programação Orçamental
para os anos 2020-2023.
Para abrir o debate, tem a palavra o Sr. Primeiro-Ministro, António Costa.
O Sr. Primeiro-Ministro (António Costa): — Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: Naturalmente, gostaria
de me associar ao Sr. Presidente nos votos de bom ano para todas as Sr.as Deputadas e todos os Srs.
Deputados, sublinhando que dificilmente poderíamos começar melhor o novo ano do que com o importante
debate parlamentar sobre o Orçamento do Estado para 2020.
Este é um Orçamento de continuidade e de progresso. É um Orçamento de continuidade da mudança que
iniciámos em 2016, assegurando mais crescimento, melhor emprego, maior igualdade e contas certas. É um
Orçamento de progresso na resposta aos quatro grandes desafios estratégicos da nova Legislatura: as
alterações climáticas, a demografia, a transição digital e o combate às desigualdades.
Com este Orçamento não há retrocessos, não ficamos a marcar passo nem mudamos de rumo. Com este
Orçamento continuamos a avançar na melhoria de rendimentos e direitos, na qualidade dos serviços públicos,
no reforço do investimento, na consolidação das finanças públicas.
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Discussão generalidade — DAR I série — 2-82 — 11/01/2020
I SÉRIE — NÚMERO 22
João Vasconcelos (BE), Rui Cristina e André Coelho Lima (PSD), Ana Mesquita (PCP) e José Manuel Pureza (BE).
No final do debate, o Deputado Adão Silva (PSD), em interpelação à Mesa, contestou o facto de a intervenção da Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social ter sido proferida quando o seu partido já não dispunha de tempo para fazer perguntas.
Também em interpelação à Mesa, o Secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares (Duarte Cordeiro) e o Deputado Rui Rio (PSD) solicitaram a distribuição de documentos relativos à gestão da Câmara Municipal do Porto, assunto mencionado durante o debate.
Deu-se conta da entrada na Mesa do Projeto de Lei n.º 180/XIV/1.ª.
No encerramento do debate, intervieram os Deputados Joacine Katar Moreira (L), João Cotrim de Figueiredo (IL), André Ventura (CH), José Luís Ferreira (PEV), Inês de Sousa Real (PAN), Assunção Cristas (CDS-PP) — a quem o Presidente desejou felicidades, dado ter sido a última intervenção que proferiu no Parlamento —, Jerónimo de Sousa (PCP), Pedro Filipe Soares (BE), Rui Rio (PSD), Ana Catarina Mendonça Mendes (PS) e o Ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital (Pedro Siza Vieira), após o que as propostas de lei n.os 4, 5 e 6/XIV/1.ª (GOV) foram aprovadas na generalidade.
Foram aprovados os seguintes votos: N.º 136/XIV/1.ª (apresentado pelo CH) — De pesar pelo
jovem mortalmente esfaqueado no Campo Grande; N.º 156/XIV/1.ª (apresentado pelo L) — De pesar pela
morte de Pedro Fonseca; N.º 151/XIV/1.ª (apresentado pelo BE) — De condenação
e pesar pelo homicídio de Pedro Fonseca; N.º 140/XIV/1.ª (apresentado pelo L) — De pesar pela
morte de Luís Giovani dos Santos Rodrigues; N.º 149/XIV/1.ª (apresentado pelo BE) — De condenação
e pesar pelo assassinato de Luís Giovani dos Santos Rodrigues;
N.º 146/XIV/1.ª (apresentado pelo CDS-PP) — De pesar, condenação e preocupação pelos recentes atos de violência criminosa que culminaram na morte de um jovem em Lisboa e de outro em Bragança;
N.º 148/XIV/1.ª (apresentado pelo PAN) — De pesar pelas mortes violentas dos jovens Pedro Fonseca e Giovani dos Santos Rodrigues;
N.º 141/XIV/1.ª (apresentado pelo PS e subscrito por 1 Deputado do PCP) — De pesar pelo falecimento de Norberto Barroca;
N.º 154/XIV/1.ª (apresentado pelo PAR e subscrito por Deputados do PS) — De pesar pelo falecimento de Júlio Castro Caldas, que foi lido;
N.º 147/XIV/1.ª (apresentado pelo PS) – De pesar pelas vítimas de violência doméstica;
N.º 137/XIV/1.ª (apresentado pelo CH) — De condenação e pesar pelas 35 vítimas, até ao momento, do flagelo da violência doméstica em 2019;
N.º 144/XIV/1.ª (apresentado pelo CDS-PP) — De condenação e pesar pelos mais de 1000 cristãos assassinados em 2019 na Nigéria pelo Boko Haram e por radicais fulani;
N.º 145/XIV/1.ª (apresentado pelo CDS-PP) — De solidariedade e pesar pelos gravíssimos incêndios na Austrália.
A seguir à aprovação daqueles votos, a Câmara guardou 1 minuto de silêncio.
Foram ainda votados os seguintes votos: N.º 135/XIV/1.ª (apresentado pelo CH) — De condenação
e preocupação pelo atraso de dois meses na receção de boletins de voto das eleições legislativas por parte dos emigrantes portugueses, que foi rejeitado;
N.º 138/XIV/1.ª (apresentado pelo CH) — De repúdio pela agressão a uma médica, durante o cumprimento das suas funções no hospital de Setúbal, que foi rejeitado;
N.º 139/XIV/1.ª (apresentado pelo CH) — De condenação e preocupação pelo contínuo aumento do número de profissionais de saúde agredidos no desempenho das suas funções, que foi rejeitado;
N.º 142/XIV/1.ª (apresentado pelo PSD e pelo PS) — De apelo a uma solução diplomática no diferendo entre os EUA e o Irão, que foi aprovado;
N.º 150/XIV/1.ª (apresentado pelo BE) — De condenação e preocupação pelo aumento da escalada bélica entre os Estados Unidos e o Irão, que foi rejeitado;
N.º 153/XIV/1.ª (apresentado pelo CDS-PP) — De condenação e preocupação pela escalada de tensão verificada no Médio Oriente após ataques de mísseis contra bases americanas no Iraque, que foi aprovado;
N.º 143/XIV/1.ª (apresentado pelo PSD) — De preocupação pela instabilidade vivida no Parlamento venezuelano, que foi aprovado;
N.º 152/XIV/1.ª (apresentado pelo BE) – De condenação pelo atentado à produtora do programa humorístico Porta dos Fundos, que foi aprovado.
Foi aprovado o Projeto de Resolução n.º 190/XIV/1.ª (PAR) – Deslocação do Presidente da República a Jerusalém.
Foi aprovado o Projeto de Deliberação n.º 6/XIV/1.ª (PAR) – Suspensão dos trabalhos das comissões parlamentares durante o processo orçamental.
Foi aprovado um parecer da Comissão de Transparência e Estatuto dos Deputados autorizando uma Deputada do PS a intervir em tribunal.
O Presidente encerrou a sessão eram 17 horas e 37 minutos.
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Votação na generalidade — DAR I série — 11/01/2020
Sábado, 11 de janeiro de 2020 I Série — Número 22
XIV LEGISLATURA 1.ª SESSÃO LEGISLATIVA (2019-2020)
REUNIÃOPLENÁRIADE10DEJANEIRODE 2020
Presidente: Ex.mo Sr. Eduardo Luís Barreto Ferro Rodrigues
Secretários: Ex.mos Srs. Maria da Luz Gameiro Beja Ferreira Rosinha Duarte Rogério Matos Ventura Pacheco Nelson Ricardo Esteves Peralta Ana Cristina Cardoso Dias Mesquita
S U M Á R I O
O Presidente declarou aberta a sessão às 10 horas e 6 minutos.
Deu-se conta da entrada na Mesa dos Projetos de Resolução n.os 187 e 188/XIV/1.ª e do Projeto de Deliberação n.º 6/XIV/1.ª.
Concluiu-se o debate conjunto, na generalidade, dasPropostas de Lei n.os 4/XIV/1.ª (GOV) — Aprova as Grandes Opções do Plano para 2020, 5/XIV/1.ª (GOV) — Aprova o Orçamento do Estado para 2020 e 6/XIV/1.ª (GOV) — Aprova o Quadro Plurianual de Programação Orçamental para osanos de 2020-2023, tendo usado da palavra, a diverso título,além do Ministro de Estado e das Finanças (Mário Centeno)— que suscitou uma interpelação à Mesa do Deputado Adão
Silva (PSD) a pedir a distribuição de documentos — e das Ministras da Saúde (Marta Temido) e do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social (Ana Mendes Godinho), os Deputados Maria Begonha (PS), Sofia Matos (PSD), Duarte Alves (PCP), Porfírio Silva (PS), Mariana Mortágua (BE), André Silva (PAN), Álvaro Almeida (PSD), João Cotrim de Figueiredo (IL), Filipe Neto Brandão (PS), Joacine Katar Moreira (L), José Luís Ferreira (PEV), Cecília Meireles (CDS-PP), André Ventura (CH), Eduardo Teixeira (PSD), Miguel Matos (PS), João Dias (PCP), João Paulo Correia e Sónia Fertuzinhos (PS), Diana Ferreira (PCP), Moisés Ferreira (BE), Ana Rita Bessa (CDS-PP), Bebiana Cunha (PAN), Paula Santos (PCP), Mariana Silva (PEV), Alberto Machado (PSD),
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Discussão especialidade — DAR I série — 4-41 — 04/02/2020
I SÉRIE — NÚMERO 23
Comissão, 199/XIV/1.ª (PEV) — Construção de um lar de idosos em Sacavém, no concelho de Loures e
200/XIV/1.ª (PAR) — Deslocação do Presidente da República à Índia, que baixa à 2.ª Comissão.
Dou agora conta de um relatório e parecer da Comissão de Transparência e Estatuto dos Deputados,
referente à renúncia ao mandato da Deputada Assunção Cristas (círculo eleitoral de Lisboa) e à respetiva
substituição por João Gonçalves Pereira, a partir do dia 27 de janeiro de 2020. A Comissão entendeu proferir
parecer no sentido de a renúncia e a respetiva substituição cumprirem os requisitos legais.
O Sr. Presidente: — Srs. Deputados, vamos votar o parecer.
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade, registando-se a ausência do CH.
Dou as boas-vindas ao novo Deputado do CDS-PP, que, aliás, conhece bem esta Casa.
Antes de entrarmos propriamente na ordem do dia, queria dizer-vos que, hoje de manhã, tive uma rápida
reunião com a direção do partido Livre e também com a Sr.ª Deputada Joacine Katar Moreira.
A Sr.ª Deputada acabou de enviar uma comunicação dando conta de que, a partir de hoje, 3 de fevereiro,
passará a exercer o seu mandato como Deputada não inscrita, o que significa que teremos de tomar, para o
Plenário de amanhã, algumas medidas em relação aos tempos constantes do quadro eletrónico e também ao
lugar onde a Sr.ª Deputada se senta no Hemiciclo. Porém, nada disso é urgente, podendo perfeitamente esperar
por amanhã. Assim, no meio destas dificuldades todas, agradeço que haja bom senso, permitindo que possamos
avançar sem mais problemas.
Sr.as e Srs. Deputados, vamos, pois, entrar na ordem do dia, de que consta o debate, na especialidade, das
Propostas de Lei n.os 4/XIV/1.ª (GOV) — Aprova as Grandes Opções do Plano para 2020, 5/XIV/1.ª (GOV) —
Aprova o Orçamento do Estado para 2020 e 6/XIV/1.ª (GOV) — Aprova o Quadro Plurianual de Programação
Orçamental para os anos 2020-2023.
No âmbito da Proposta de Lei n.º 5/XIV/1.ª (GOV) — Aprova o Orçamento do Estado para 2020, a Mesa
regista as inscrições de vários Srs. Deputados para intervirem sobre o artigo 2.º — Valor reforçado.
Tem a palavra, para uma intervenção, o Sr. Deputado Afonso Oliveira, do Grupo Parlamentar do PSD.
O Sr. Afonso Oliveira (PSD): — Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados, Srs. Secretários de Estado: O Sr.
Primeiro-Ministro afirmou até à exaustão que este é o seu melhor Orçamento. A pergunta que se coloca, logo
no início deste debate na especialidade, é a de saber como é que o Governo e o Partido Socialista explicam que
este seja o seu melhor Orçamento e o que tem menos apoio parlamentar. É estranho!
Foram apresentadas mais de 1200 propostas de alteração. É um facto que não foi o PSD o responsável por
grande parte dessas propostas, mas este excesso de volume traduz uma falta de capacidade de obter
consensos.
Este Orçamento bate um outro recorde: o dos comentários negativos dos parceiros sociais. Dizem uns: «É
um documento de continuidade, pouco ambicioso e poucochinho para as empresas.» Dizem outros: «Esta
proposta é tímida, insuficiente e sem impacto para as empresas.» Dizem outros ainda: «Este Orçamento é
completamente desequilibrado e contraditório»; «É um Orçamento miserabilista e pouco ambicioso»; «Não é
justo e coloca os trabalhadores numa continuidade da austeridade». Dizem ainda outros parceiros sociais: «É
uma mão cheia de nada»; «É um desapontamento»; «O aumento de dinheiro para a saúde não passa de
propaganda».
Só podemos concluir que, até esta fase do debate, temos uma clara demonstração da incapacidade do
Governo de ler a realidade e de obter consensos.
O que faz o Governo perante esta realidade? Temos o Governo e o Partido Socialista muito satisfeitos com
o seu Orçamento, como se fossem os seus destinatários, temos os parceiros sociais muito insatisfeitos e temos
os portugueses, que são os verdadeiros destinatários, a suportar os custos deste Orçamento. Vale a pena refletir
sobre esta frase.
Este é um Orçamento que atingirá também um recorde histórico da carga fiscal. Não responde às
necessidades de investimento público e não responde às necessidades de melhores serviços públicos. Como
diz o povo, é «muita parra e pouca uva». Este é um mau Orçamento para Portugal e para os portugueses!
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Discussão especialidade — DAR I série — 4-78 — 06/02/2020
I SÉRIE — NÚMERO 25
Comissão, 210/XIV/1.ª (PAN) — Garante o acesso das pessoas surdas ao Serviço Nacional de Saúde, que
baixa à 9.ª Comissão e 211/XIV/1.ª (BE) — Investir na coesão territorial e combater a desertificação do interior
do País, que baixa à 13.ª Comissão,
O Sr. Presidente: — Peço à Sr.ª Secretária Helga Correia o favor de continuar a dar conta dos diplomas
entrados na Mesa.
A Sr.ª Secretária (Helga Correia): — Sr. Presidente, Srs. Deputados: Deram ainda entrada na Mesa, e foram
admitidos, os Projetos de Resolução n.os 212/XIV/1.ª (BE) — Recomenda a criação da carreira especial de
agente único de transportes coletivos, que baixa à 13.ª Comissão, 213/XIV/1.ª (BE) — Recomenda ao Governo
que desenvolva os procedimentos necessários para a construção do novo Hospital de Lagos, 214/XIV/1.ª (BE)
— Recomenda ao Governo que proceda à contratação de intérpretes de língua gestual portuguesa para o
Serviço Nacional de Saúde, que baixa à 9.ª Comissão, 215/XIV/1.ª (BE) — Construção de uma nova unidade
de saúde no Alto Seixalinho, no concelho do Barreiro, e a atribuição de médico de família a todos os utentes,
216/XIV/1.ª (BE) — Redução do recurso do Serviço Nacional de Saúde a prestações de serviços e a
convencionados, substituindo-os, respetivamente, pela contratação de profissionais e pelo reforço da resposta
em meios complementares de diagnóstico, que baixa à 9.ª Comissão, 217/XIV/1.ª (BE) — Valorizar os
profissionais do Serviço Nacional de Saúde, que baixa à 9.ª Comissão, 218/XIV/1.ª (BE) — Plataforma Digital
em Sistema de Informação Geográfica (SIG), que baixa à 11.ª Comissão, 219/XIV/1.ª (BE) — Fundo de
compensação salarial para os pescadores profissionais de Esposende, 220/XIV/1.ª (BE) — Prepara os
procedimentos para a criação das regiões administrativas, que baixa à 13.ª Comissão, em conexão com a 1.ª
Comissão, 221/XIV/1.ª (BE) — Pelo cancelamento dos contratos de prospeção e produção de hidrocarbonetos,
que baixa à 11.ª Comissão, 222/XIV/1.ª (BE) — Recomenda ao Governo a suspensão do projeto de expansão
do Aeroporto Humberto Delgado e da construção do aeroporto complementar do Montijo e a realização de uma
avaliação ambiental estratégica sobre as respostas necessárias à capacidade aeroportuária do País, que baixa
à 6.ª Comissão, em conexão com a 11.ª Comissão, 223/XIV/1.ª (BE) — Recomenda ao Governo programação
de medidas de mobilidade e redução do uso do automóvel através de um plano de transportes intermodais,
nomeadamente no que concerne a CP e Metro do Porto, que baixa à 6.ª Comissão, 224/XIV/1.ª (BE) —
Monitorização e avaliação do programa de apoio à esterilização de animais errantes e de companhia e da
implementação da rede de centros de recolha oficiais, que baixa à 7.ª Comissão, 225/XIV/1.ª (BE) — Recomenda
ao Governo que desenvolva respostas habitacionais e sociais integradas para os trabalhadores agrícolas no
Perímetro de Rega do Mira, que baixa à 10.ª Comissão, em conexão com as 7.ª e 11.ª Comissões, 226/XIV/1.ª
(BE) — Recomenda ao Governo a implementação de uma moratória à caça da rola-comum que leve ao
restabelecimento populacional da espécie, que baixa à 7.ª Comissão, 227/XIV/1.ª (BE) — Recomenda ao
Governo que impreterivelmente regulamente a legislação relativa a animais nos circos, que baixa à 12.ª
Comissão, 228/XIV/1.ª (PCP) — Recomenda ao Governo o desenvolvimento de um plano de intervenção em
barras e portos, que baixa à 7.ª Comissão, 229/XIV/1.ª (PCP) — Em defesa do Serviço Público Postal, pela
recuperação do controlo público dos CTT - Correios de Portugal, SA, que baixa à 6.ª Comissão, 230/XIV/1.ª
(PCP) — Mobilização do património público habitacional, que baixa à 6.ª Comissão, 231/XIV/1.ª (PCP) — Pela
célere construção do novo Hospital de Lagos, 232/XIV/1.ª (PCP) — Pela melhoria do transporte ferroviário no
distrito de Braga e a concretização da ligação direta Braga/Guimarães, que baixa à 6.ª Comissão, 233/XIV/1.ª
(PCP) — Pela salvaguarda do património e reabilitação da Casa da Pesca, em Oeiras (Lisboa), 234/XIV/1.ª
(PCP) — Pela urgente conclusão das obras de requalificação da Estrada Nacional 125, que baixa à 6.ª
Comissão, 235/XIV/1.ª (PCP) — Plano de monitorização das populações de lobo-ibérico e das suas presas
selvagens, que baixa à 11.ª Comissão, 236/XIV/1.ª (PCP) — Recomenda ao Governo a requalificação urgente
da Estrada Nacional 225, que baixa à 6.ª Comissão, 237/XIV/1.ª (PCP) — Recomenda ao Governo a realização
de um plano de desenvolvimento do território nacional com medidas de valorização do interior e de combate ao
abandono do mundo rural, que baixa à 13.ª Comissão, 238/XIV/1.ª (PSD) — Recomenda ao Governo a
implementação e cumprimento de medidas de combate à obesidade, que baixa à 9.ª Comissão, e 239/XIV/1.ª
(PEV) — Reforço de medidas com vista à proteção do lobo ibérico em Portugal, que baixa à 11.ª Comissão.
O Sr. Presidente: — Muito obrigado, Sr.as Secretárias.
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Votação final global — DAR I série — 62-62 — 07/02/2020
I SÉRIE — NÚMERO 26
O Sr. Ministro de Estado e das Finanças: — E há quem não saiba cativar e acabe, afinal, a desperdiçar as
gorduras que depois quer queimar.
Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: Governamos em nome da estabilidade e da inclusão social, sem
oposição entre jovens e menos jovens, sem oposição entre trabalhadores do setor público e trabalhadores do
setor privado. Governamos em nome da sustentabilidade, seja orçamental, financeira ou climática.
Termino como começou o poeta, há mais de 45 anos,…
Vozes do PSD: — Ah!
O Sr. Ministro de Estado e das Finanças: — … e como ainda hoje se canta, no mais português dos
cantares: «Vivo a vida como dantes / Não tenho menos nem mais / E os dias passam iguais / Aos dias que vão
distantes». Este Orçamento do Estado é um tributo aos dias que vão distantes, porque, como dissemos quando
saímos do procedimento por défice excessivo: «Não vamos voltar atrás!»
Aplausos do PS.
Devemos isso aos portugueses.
Este Orçamento do Estado aposta no desafio demográfico, na transição digital e climática, no combate às
desigualdades. Fá-lo com responsabilidade, porque é este Orçamento que agora devolvemos aos portugueses,
aos que constroem este País de forma séria, que não vivem acima das possibilidades, que promovem a
segurança e o crescimento do País onde escolheram fazer as suas vidas. Este Orçamento é o melhor dos
últimos anos, porque, hoje, Portugal também é o melhor dos últimos anos.
Aplausos do PS, de pé.
O Sr. Presidente: — Sr.as e Srs. Deputados, concluímos, assim, o debate, na especialidade, das Propostas
de Lei n.os 4, 5 e 6/XIV/1.ª.
Segue-se o período de votações, pelo que peço aos serviços que preparem o registo eletrónico para efeitos
de quórum.
Pausa.
Segundo a informação de que a Mesa dispõe, só 2 Deputados, o Sr. Deputado Cristóvão Norte, do PSD, e
o Sr. Deputado João Dias, do PCP, não se conseguiram registar, embora ambos estejam presentes. Estando
registada a presença de 230 Deputados, temos quórum para proceder às votações.
Começamos pela votação final global do texto final, apresentado pela Comissão de Orçamento e Finanças,
relativo à Proposta de Lei n.º 4/XIV/1.ª (GOV) — Aprova as Grandes Opções do Plano para 2020.
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PS, votos contra do PSD, do CDS-PP, do CH e do
IL e abstenções do BE, do PCP, do PAN, do PEV e da Deputada não inscrita Joacine Katar Moreira.
Passamos à votação final global da Proposta de Lei n.º 5/XIV/1.ª (GOV) — Aprova o Orçamento do Estado
para 2020.
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PS, votos contra do PSD, do CDS-PP, do CH e do
IL e abstenções do BE, do PCP, do PAN, do PEV e da Deputada não inscrita Joacine Katar Moreira.
Aplausos do PS, de pé.
Segue-se a votação final global do texto final, apresentado pela Comissão de Orçamento e Finanças, relativo
à Proposta de Lei n.º 6/XIV/1.ª (GOV) — Aprova o Quadro Plurianual de Programação Orçamental para os anos
2020-2023.
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