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Grupo Parlamentar
PROJETO DE RESOLUÇÃO Nº 62/XIV/1.ª
RECOMENDA AO GOVERNO A PROMOÇÃO DA COESÃO TERRITORIAL
NOS DISTRITOS DE VISEU E VILA REAL ELIMINANDO AS PORTAGENS
NA A24
No dia 8 de dezembro de 2019 passam 8 anos sobre a introdução de portagens na A24
pelo governo do PSD/CDS, com o apoio do PS. Tratou-se de uma medida errada e muito
injusta e que só tem prejudicado as regiões do interior, como os Distritos de Viseu e Vila
Real. São os utentes, as populações e as empresas dessas zonas que viram as suas
dificuldades aumentar. A interioridade, as desigualdades, as assimetrias em vez de
diminuir, agravaram-se.
O regime de portagem conhecido como Sem Custos para o Utilizador (SCUT) e criado
pelo Decreto-Lei n.º 267/97, de 2 de outubro, tinha como finalidade «acelerar por novas
formas a execução do plano rodoviário nacional de modo a permitir, até ao ano 2000, a
conclusão da rede fundamental e de parte significativa da rede complementar». A não
cobrança de taxas de portagens nessas vias justificava-se pela necessidade de
compensar as regiões do interior do país com medidas de discriminação positiva face às
desigualdades e assimetrias regionais existentes.
As vias sem custos para o utilizador funcionavam como um instrumento de
solidariedade e de desenvolvimento sustentável em que o Estado assumia o
investimento nas acessibilidades em zonas carenciadas e de baixa densidade, através da
isenção do pagamento de portagens. Esse instrumento justificava-se inteiramente pelos
seus impactos sociais, económicos e territoriais, particularmente nas regiões em que não
há, ou são muito escassos os transportes públicos coletivos e individuais.
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A aplicação do princípio do “utilizador-pagador” em quase todo o país foi feito de forma
cega, por critérios economicistas, incluindo nas concessões SCUT e outras que nunca o
foram. Enquadram-se nesta situação os troços da A24 entre Viseu e Chaves e com
ligações à fronteira com a Espanha. O governo PSD/CDS desculpou-se com a troika, o
governo PS com a situação financeira do país, agora as desculpas não têm qualquer
fundamento, considerando a evolução positiva da economia do país. O que sucede é que
PS, PSD e CDS não têm tido coragem para afrontar os poderosos e obscuros interesses
financeiros e económicos outorgados às concessionárias privadas.
A introdução de portagens na A24 agravou de forma muito substancial as dificuldades
sociais e económicas das populações, já de si fortemente penalizadas pelos custos da
interioridade. Por outro lado, não solucionou nenhuns problemas de índole financeira.
Nesta conformidade, as populações dessas regiões têm sido fortemente discriminadas
pela aplicação e manutenção de portagens da responsabilidade dos anteriores governos
PSD/CDS e PS.
A A24 é uma autoestrada que serve principalmente o interior do país, ligando a Beira
Alta a Trás-os-Montes, onde o poder de compra dos cidadãos é mais baixo e onde as
alternativas de transportes públicos são praticamente inexistentes. Com a
implementação de portagens na A24 verificou-se um grave retrocesso de muitos anos
nas regiões do Interior Norte.
Na vertente económica, a introdução de portagens na A24 também se revelou muito
injusto e penalizador para populações e empresas dos Distritos atingidos. São zonas que
sofreram muito com o desemprego, precariedade e exclusão social e as portagens
agravaram as dificuldades económicas e sociais. Enquanto a concessionária continua a
obter avultados lucros à custa dos contribuintes, os custos humanos e financeiros para
utentes, famílias e empresas dispararam exponencialmente para quem utiliza a A24,
com destaque para o aumento da sinistralidade rodoviária nas vias secundárias.
Mesmo considerando a cobrança de portagens, o Estado paga à concessionária vários
milhões de euros anuais. Entre receitas e gastos públicos, a PPP rodoviária da A24
deverá continuar a apresentar um saldo bastante negativo. Só os encargos com as
Parcerias Público-Privadas rodoviárias representam 70% do total dos encargos com
todas as PPP’s - rodoviárias, ferroviárias, saúde e segurança. Nestas quatro áreas, neste
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ano de 2019, as PPP’s irão representar encargos líquidos de 1.682 milhões de euros
(0,8% do PIB). As PPP’s rodoviárias serão responsáveis por pagamentos às
concessionárias no montante de 1.518 milhões, em que os encargos líquidos atingirão
1.180 milhões de euros.
Também é preciso recordar que o primeiro-ministro António Costa, antes das eleições
legislativas de 2015, prometeu eliminar as portagens nas ex-SCUT do interior do país e
no Algarve, mas até aos dias de hoje, lamentavelmente, ainda não cumpriu o que
prometeu e palavra dada deverá ser palavra honrada. As reduções das taxas para 2019
que o governo anunciou, além de insignificantes são discriminatórias, deixando a
maioria dos utentes de fora.
As estradas constituem um bem público coletivo, insuscetível de ser privatizado, que,
enquanto instrumentos de uma política de acessibilidade, asseguram a livre circulação
de pessoas e bens. O Bloco de Esquerda opôs-se, desde o primeiro momento, à aplicação
do princípio do utilizador-pagador nas autoestradas, sempre que houvesse prejuízos
para a mobilidade das populações, como é o caso da A24, que não tem qualquer
alternativa viável e que consiga assegurar a segurança dos utilizadores. Assim sendo, o
Bloco de Esquerda já apresentou na Assembleia da República diversas propostas contra
as portagens, durante os governos PSD/CDS e PS, as quais foram chumbadas por uma
maioria negativa de deputadas e deputados destas três forças políticas.
A alternativa defendida pelo Bloco de Esquerda assenta nos princípios da solidariedade
e da defesa da coesão social, da promoção da melhoria das acessibilidades territoriais,
como instrumento essencial de uma estratégia de desenvolvimento sustentável e na
consagração do direito à mobilidade como estruturante de uma democracia moderna.
O que se impõe, é abolir quanto antes as portagens na A24, pois a sua continuação
significa persistir num erro muito negativo para os Distritos de Viseu e Vila Real.
Ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar
do Bloco de Esquerda propõe que a Assembleia da República adote a seguinte Resolução:
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A Assembleia da República recomenda ao Governo que promova a coesão territorial nos
Distritos de Viseu e Vila Real, eliminando as portagens na A24.
Assembleia da República, 18 de novembro de 2019.
As Deputadas e os Deputados do Bloco de Esquerda,
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Publicação — DAR II série A — 5-7 — 18/11/2019
18 DE NOVEMBRO DE 2019
prometeu eliminar as portagens nas ex-SCUT do interior do país e no Algarve, mas até aos dias de hoje,
lamentavelmente, ainda não cumpriu o que prometeu e palavra dada deverá ser palavra honrada. As reduções
das taxas para 2019 que o governo anunciou, além de insignificantes são discriminatórias, deixando a maioria
dos utentes de fora.
As estradas constituem um bem público coletivo, insuscetível de ser privatizado, que, enquanto
instrumentos de uma política de acessibilidade, asseguram a livre circulação de pessoas e bens. O Bloco de
Esquerda opôs-se, desde o primeiro momento, à aplicação do princípio do utilizador-pagador nas
autoestradas, sempre que houvesse prejuízos para a mobilidade das populações, como é o caso da A23, que
não tem qualquer alternativa viável e que consiga assegurar a segurança dos utilizadores. Assim sendo, o
Bloco de Esquerda já apresentou na Assembleia da República diversas propostas contra as portagens,
durante os Governos PSD/CDS e PS, as quais foram chumbadas por uma maioria negativa de Deputadas e
Deputados destas três forças políticas.
A alternativa defendida pelo Bloco de Esquerda assenta nos princípios da solidariedade e da defesa da
coesão social, da promoção da melhoria das acessibilidades territoriais, como instrumento essencial de uma
estratégia de desenvolvimento sustentável e na consagração do direito à mobilidade como estruturante de
uma democracia moderna.
O que se impõe, é abolir quanto antes as portagens na A23, pois a sua continuação significa persistir num
erro muito negativo para os distritos de Santarém, Portalegre, Castelo Branco e Guarda.
Ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar do Bloco de
Esquerda propõe que a Assembleia da República adote a seguinte resolução:
A Assembleia da República recomenda ao Governo que promova a coesão territorial nos distritos de
Santarém, Portalegre, Castelo Branco e Guarda, eliminando as portagens na A23.
Assembleia da República, 18 de novembro de 2019.
As Deputadas e os Deputados do BE: João Vasconcelos — Pedro Filipe Soares — Jorge Costa — Mariana
Mortágua — Isabel Pires — José Moura Soeiro — Sandra Cunha — Beatriz Gomes Dias — Maria Manuel
Rola — Joana Mortágua — José Manuel Pureza — Luís Monteiro — Moisés Ferreira — Alexandra Vieira —
Fabíola Cardoso — Nelson Peralta — Ricardo Vicente — José Maria Cardoso — Catarina Martins.
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PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 62/XIV/1.ª
RECOMENDA AO GOVERNO A PROMOÇÃO DA COESÃO TERRITORIAL NOS DISTRITOS DE VISEU
E VILA REAL ELIMINANDO AS PORTAGENS NA A24
No dia 8 de dezembro de 2019 passam 8 anos sobre a introdução de portagens na A24 pelo Governo do
PSD/CDS, com o apoio do PS. Tratou-se de uma medida errada e muito injusta e que só tem prejudicado as
regiões do interior, como os distritos de Viseu e Vila Real. São os utentes, as populações e as empresas
dessas zonas que viram as suas dificuldades aumentar. A interioridade, as desigualdades, as assimetrias em
vez de diminuir, agravaram-se.
O regime de portagem conhecido como sem custos para o utilizador (SCUT) e criado pelo Decreto-Lei n.º
267/97, de 2 de outubro, tinha como finalidade «acelerar por novas formas a execução do plano rodoviário
nacional de modo a permitir, até ao ano 2000, a conclusão da rede fundamental e de parte significativa da
rede complementar». A não cobrança de taxas de portagens nessas vias justificava-se pela necessidade de
compensar as regiões do interior do País com medidas de discriminação positiva face às desigualdades e
assimetrias regionais existentes.
As vias sem custos para o utilizador funcionavam como um instrumento de solidariedade e de