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PROJECTO DE RESOLUÇÃO N.º 2229/XIII/4.ª
Recomenda ao Governo que promova medidas específicas para a defesa do montado
de sobro e azinho
É reconhecido por todos o papel estratégico do sector florestal para o desenvolvimento do
país. Representa no seu conjunto 10% das exportações de bens, 2% do VAB e gera
100.000 empregos. A propriedade florestal nacional é maioritariamente (97%) privada ou
comunitária.
É consensual que a floresta presta um conjunto de benefícios de carácter social que não
são mensuráveis, mas que têm imprescindível utilidade – as chamadas externalidades
positivas. Por tudo isto, é também aceite por todos que se justifica em toda a floresta uma
especial intervenção do Estado.
A floresta portuguesa é bastante diversa e, por isso, temos de distinguir os seus vários tipos
consoante os usos e funções – a floresta de produção e a floresta de conservação.
Se na floresta de conservação o papel do Estado deverá ser o de garantir que os vários
usos não anulam essa função primordial, já na floresta de produção, a que contribui para a
criação de riqueza, as opções são várias. Trata-se de uma floresta onde existe bastante
diversidade, nomeadamente aquela onde predomina a produção lenhosa, típica do norte e
centro do país, e a multifuncional, mais característica do sul.
Os graves incêndios que assolaram o país nos últimos anos, em particular os de 2017,
levaram a que o foco das políticas públicas tenha estado mais direcionado para a floresta de
produção lenhosa, tendo deixado a floresta multifuncional do sul sem particular atenção.
Todavia, esta floresta do sul de Portugal – Alentejo, parte do Ribatejo e Algarve –,
maioritariamente montado, ocupa um terço do território nacional e alberga 72% dos
sobreiros e 92% das azinheiras do país.
A floresta de montado, multifuncional, representa um verdadeiro tampão natural ao avanço
da desertificação dos solos mas é, neste momento, um ecossistema em risco. Não estando
imune às alterações climáticas, os anos sucessivos de seca têm-se traduzido num enorme
enfraquecimento das árvores, tornando-as mais suscetíveis a pragas e doenças.
Já nos anos 50 do século XX, Joaquim Vieira da Natividade, o primeiro estudioso do
sobreiro (Quercus suber), identificava nas “pragas, doenças e má técnica, a trilogia fatal dos
montados”. E acrescentava um fator que naquele tempo teria uma importância relativa:
“omitimos o clima, porquanto este atua em geral apenas como uma causa remota”. Ora,
infelizmente, na atualidade, o clima é já uma causa real e não remota.
O montado de sobro e de azinho presta um incalculável serviço ao ambiente através da
fixação de carbono, sendo que o fator económico e social não é despiciendo. A cortiça, só
por si, contribui anualmente com 600 milhões de euros para o saldo da Balança de
pagamentos de Portugal, faltando mensurar o impacto nas nossas exportações de uma
série de outras atividades que dependem do montado como, a título de exemplo, a produção
de porco alentejano (exportado em 90% para Espanha).
Em 2015, durante a apresentação da Agenda Portuguesa de Investigação no Sobreiro e na
Cortiça (Agenda 3i9), o presidente da União da Floresta Mediterrânica (UNAC) afirmou que
cerca de um quinto da área de montado de sobro está em declínio e que, à data, estavam
737.000 hectares em produção, dos quais 20% eram montados com muita idade e que
estão a perder a sua capacidade produtiva, sendo este envelhecimento mais acentuado nas
zonas de serra, como no Algarve e Portel (Alentejo).
Por tudo o que foi dito, a ameaça climática no Alentejo é real e urgem por isso medidas de
mitigação e adaptação a esta nova realidade, travando o mais possível a desertificação do
país. Sendo que estamos a falar de cerca de um terço do território de Portugal continental,
esta matéria deve ser tida como prioritária e estratégica para o futuro.
Urge assim atuar antecipadamente para evitar alguns dos problemas, resolver os existentes
e promover, com urgência, a existência de floresta diversa, cuidada e adequada aos tempos
de hoje. Urge promover uma verdadeira política pública para a floresta multifuncional que
trave o declínio do montado e garanta o seu restauro, promova a biodiversidade, o
pagamento dos serviços de ecossistemas, o efeito sumidouro de carbono, contribuindo
assim para travar a desertificação do sul do país e potenciar o desenvolvimento económico
destas áreas tão importantes para o país.
Neste enquadramento, ao abrigo das disposições legais e regimentais aplicáveis, os
Deputados abaixo-assinados do Grupo Parlamentar do CDS-PP propõem que a
Assembleia da República adote a seguinte Resolução:
A Assembleia da República resolve, nos termos do disposto do n.º 5 do artigo 166.º da
Constituição da República Portuguesa, recomendar ao Governo que:
1. Abra em 2019 um concurso específico do Programa de Desenvolvimento Rural
(PDR2020) para as medidas 8.1.3 - Proteção da floresta contra agentes bióticos
e abióticos e 8.1.5 - Melhoria da resiliência e do valor ambiental das florestas
direcionado às regiões do sul do país, tipicamente de montado;
2. Na definição do próximo quadro comunitário de apoio seja tida em conta a
especificidade dos montados de sobro e azinho, e os seus impactos positivos
na biodiversidade, determinando-se medidas que promovam a expansão da
área de montado e o restauro de manchas degradadas;
3. Incentive o investimento em investigação e inovação tecnológica associada ao
sistema agroflorestal do montado, nomeadamente na adaptação e mitigação
das alterações climáticas, tirando partido do existente Observatório do
Sobreiro e da Cortiça.
Palácio de São Bento, 25 de junho de 2019
Os Deputados do CDS-PP
PATRÍCIA FONSECA
ILDA ARAÚJO NOVO
NUNO MAGALHÃES
TELMO CORREIA
CECÍLIA MEIRELES
HÉLDER AMARAL
ÁLVARO CASTELLO-BRANCO
ANA RITA BESSA
ANTÓNIO CARLOS MONTEIRO
ASSUNÇÃO CRISTAS
FILIPE ANACORETA CORREIA
ISABEL GALRIÇA NETO
JOÃO GONÇALVES PEREIRA
JOÃO PINHO DE ALMEIDA
JOÃO REBELO
PEDRO MOTA SOARES
TERESA CAEIRO
VÂNIA DIAS DA SILVA
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Publicação — DAR II série A — 22-23 — 25/06/2019
II SÉRIE-A — NÚMERO 116
na qualidade da água, os impactos cumulativos dos vários projetos no meio ambiente incluindo todos os
municípios que possam ser afetados com os projetos.
3. Assegurar a celeridade do processo de modo a garantir a atempada atribuição dos fundos comunitários
para a realização da obra.
Assembleia da República, 24 de junho de 2019.
O Deputado do PAN, André Silva.
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PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 2229/XIII/4.ª
RECOMENDA AO GOVERNO QUE PROMOVA MEDIDAS ESPECÍFICAS PARA A DEFESA DO
MONTADO DE SOBRO E AZINHO
É reconhecido por todos o papel estratégico do sector florestal para o desenvolvimento do País.
Representa no seu conjunto 10% das exportações de bens, 2% do VAB e gera 100 000 empregos. A
propriedade florestal nacional é maioritariamente (97%) privada ou comunitária.
É consensual que a floresta presta um conjunto de benefícios de carácter social que não são mensuráveis,
mas que têm imprescindível utilidade – as chamadas externalidades positivas. Por tudo isto, é também aceite
por todos que se justifica em toda a floresta uma especial intervenção do Estado.
A floresta portuguesa é bastante diversa e, por isso, temos de distinguir os seus vários tipos consoante os
usos e funções – a floresta de produção e a floresta de conservação.
Se na floresta de conservação o papel do Estado deverá ser o de garantir que os vários usos não anulam
essa função primordial, já na floresta de produção, a que contribui para a criação de riqueza, as opções são
várias. Trata-se de uma floresta onde existe bastante diversidade, nomeadamente aquela onde predomina a
produção lenhosa, típica do norte e centro do país, e a multifuncional, mais característica do sul.
Os graves incêndios que assolaram o País nos últimos anos, em particular os de 2017, levaram a que o
foco das políticas públicas tenha estado mais direcionado para a floresta de produção lenhosa, tendo deixado
a floresta multifuncional do sul sem particular atenção.
Todavia, esta floresta do sul de Portugal – Alentejo, parte do Ribatejo e Algarve –, maioritariamente
montado, ocupa um terço do território nacional e alberga 72% dos sobreiros e 92% das azinheiras do País.
A floresta de montado, multifuncional, representa um verdadeiro tampão natural ao avanço da
desertificação dos solos mas é, neste momento, um ecossistema em risco. Não estando imune às alterações
climáticas, os anos sucessivos de seca têm-se traduzido num enorme enfraquecimento das árvores, tornando-
as mais suscetíveis a pragas e doenças.
Já nos anos 50 do século XX, Joaquim Vieira da Natividade, o primeiro estudioso do sobreiro (Quercus
suber), identificava nas «pragas, doenças e má técnica, a trilogia fatal dos montados». E acrescentava um
fator que naquele tempo teria uma importância relativa: «omitimos o clima, porquanto este atua em geral
apenas como uma causa remota». Ora, infelizmente, na atualidade, o clima é já uma causa real e não remota.
O montado de sobro e de azinho presta um incalculável serviço ao ambiente através da fixação de
carbono, sendo que o fator económico e social não é despiciendo. A cortiça, só por si, contribui anualmente
com 600 milhões de euros para o saldo da Balança de pagamentos de Portugal, faltando mensurar o impacto
nas nossas exportações de uma série de outras atividades que dependem do montado como, a título de
exemplo, a produção de porco alentejano (exportado em 90% para Espanha).
Em 2015, durante a apresentação da Agenda Portuguesa de Investigação no Sobreiro e na Cortiça
(Agenda 3i9), o presidente da União da Floresta Mediterrânica (UNAC) afirmou que cerca de um quinto da
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Votação Deliberação — DAR I série — 60-60 — 20/07/2019
I SÉRIE — NÚMERO 108
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PSD e do CDS-PP, votos contra do PS, do PAN e
doDeputado não inscrito Paulo Trigo Pereira e abstenções do BE, do PCP e de Os Verdes.
Passamos a votar, em votação final global, o texto final, apresentado pela Comissão de Assuntos Europeus,
relativo aos Projetos de Resolução n.os 1887/XIII/4.ª (PSD) — Recomenda ao Governo a implementação de um
plano de ação de contingência no sentido de serem adotadas medidas urgentes para atenuar os impactos
globais da saída do Reino Unido da União Europeia e 1928/XIII/4.ª (CDS-PP) — Recomenda ao Governo a
adoção de um plano de ação de contingência para minimizar os efeitos e consequências de uma saída
desordenada do Reino Unido da União Europeia.
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PSD, do CDS-PP e do PAN, votos contra do PS e
abstenções do BE, do PCP, de Os Verdes e doDeputado não inscrito Paulo Trigo Pereira.
Vamos proceder à votação final global do texto final, apresentado pela Comissão de Cultura, Comunicação,
Juventude e Desporto, relativo aos Projetos de Resolução n.os 2134/XIII/4.ª (BE) — Criação da Rede Nacional
dos Museus da Resistência e instalação do Museu da Resistência e Liberdade no Porto e 2137/XIII/4.ª (PCP)
— Recomenda ao Governo a deslocalização do Museu Militar do Porto para, no Edifício do Heroísmo,
implementar o «Do Heroísmo à Firmeza – Museu da Resistência Antifascista do Porto».
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PS, do BE, do PCP, de Os Verdes, do PAN edo
Deputado não inscrito Paulo Trigo Pereira, votos contra do CDS-PP e a abstenção do PSD.
Passamos à votação final global do texto final, apresentado pela Comissão de Educação e Ciência, relativo
ao Projeto de Lei n.º 1121/XIII/4.ª (PAN) — Altera a Lei n.º 37/2003, de 22 de agosto, estabelecendo mecanismos
de regularização de dívida por não pagamento de propinas em instituições de ensino superior públicas.
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PSD, do PS, do BE, do PCP, de Os Verdes, do
PAN e do Deputado não inscrito Paulo Trigo Pereira e a abstenção do CDS-PP.
Vamos proceder, igualmente, à votação final global do texto final, apresentado pela Comissão de Educação
e Ciência, relativo ao Projeto de Lei n.º 1173/XIII/4.ª (PSD) — Primeira alteração ao Regime Jurídico da
Avaliação do Ensino Superior.
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PSD, do CDS-PP e do PAN, votos contra do PS e
abstenções do BE, do PCP, de Os Verdes e do Deputado não inscrito Paulo Trigo Pereira.
Também em votação final global, vamos votar o texto de substituição, apresentado pela Comissão de
Agricultura e Mar, relativo aos Projetos de Resolução n.os 2172/XIII/4.ª (PSD) — Recomenda ao Governo a
criação de um plano de combate à desertificação territorial, 2219/XIII/4.ª (BE) — Recomenda ao Governo a
adoção de medidas para defender e promover o montado como sistema de grande valor ecológico e económico
e 2229/XIII/4.ª (CDS-PP) — Recomenda ao Governo que promova medidas específicas para a defesa do
montado de sobro e azinho.
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PSD, do PS, do BE, do CDS-PP, de Os Verdes, do
PAN e do Deputado não inscrito Paulo Trigo Pereira e a abstenção do PCP.
O Sr. João Dias (PCP): — Sr. Presidente, peço a palavra.
O Sr. Presidente (Jorge Lacão): — Para que efeito, Sr. Deputado?
O Sr. João Dias (PCP): — Sr. Presidente, é para anunciar à Mesa que o PCP apresentará uma declaração
de voto por escrito sobre esta votação.
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