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Projeto de Resolução n.º 2164/XIII/3.ª
Recomenda ao Governo que institua um regime de moratória para a instalação de
novas culturas de amendoal e olivais intensivos
Nas últimas décadas tem se vindo a verificar uma crescente reconversão de culturas
agrícolas em modo tradicional em plantações intensivas, é o caso do olival e do
amendoal.
De acordo com dados da administração central, a área de olival intensivo e
superintensivo em produção tem vindo a aumentar, principalmente na zona de
regadio do Alentejo.
São culturas intensivas todas as que são sujeitas a regime de regadio e que possuem
mais de 200 árvores por hectare, sendo consideradas superintensivos, as culturas
onde o número de plantas seja superior a 1000 árvores por hectare.
De acordo com o INE, em 2016 a área total de olival era 347 093 ha tendo crescido
mais do dobro desde 2009 (159 915 ha) sendo que a maioria se reporta a olivais
intensivos. Só na área do regadio do Alqueva ocupam 44 mil hectares, segundo o
Presidente da EDIA.
Ainda, relativamente ao amendoal intensivo, refere que a área de cultivo se encontra
em franco crescimento, tendo aumentando de mil hectares para 7 mil hectares desde
2015.
Sendo que a maioria das plantações de olival e amendoal cultivado de modo intensivo
estão localizados maioritariamente a sul de Portugal, onde existe tendencialmente
maior escassez de água, parece imprudente a permissão da sua expansão sem que
haja uma correcta avaliação do impacto no ambiente e na saúde pública.
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Segundo os únicos estudos efectuados pelo Ministério da Agricultura em 2009 1, em
77% dos olivais intensivos não existe controlo do teor da água do solo e 58% não
regista o volume de água utilizado, o que revela que a utilização da água não é feita
de modo consciente e racional.
Este facto é reforçado pelas declarações da responsável pelo Departamento de
Recursos Hídricos da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) 2, que afirma que já
licenciaram “desde o inicio do ano hidrológico, que começou em Outubro, mais de
quatro mil furos de captação de água, resultado da seca, mas também da crescente
intensificação de alguma agricultura”.
Já no relatório do Grupo de Trabalho do Olival de 2010 3 se encontrava o alerta para
que os recursos hídricos fossem utilizados de forma sustentável, uma vez que a “rega
pode promover impactos ambientais significativos, nomeadamente ao nível do
esgotamento dos aquíferos, do risco de erosão dos solos e da salinização ou
contaminação das águas.”
A utilização pouco controlada dos recursos hídricos, fitofarmacêuticos e fertilizantes
podem causar alterações ambientais graves, nomeadamente contaminação dos solos
e aquíferos, alteração da salinidade e fertilidade, erosão dos solos e redução abrupta
da disponibilidade de água.
A salinidade dos solos é causada pela deficiente drenagem do solo aliada à aplicação
excessiva de fertilizantes, acabando por ser prejudicial para a sua produção, uma vez
que quando os sais do solo estão em excesso, as plantas não conseguem absorver a
água do solo devido à elevada pressão osmótica da solução do solo.
1 Análise dos impactos no solo resultantes da introdução de novos olivais regados no Alentejo, 1º Relatório do
GTO, Ministério da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas, 2009
2 https://www.tsf.pt/portugal/sociedade/interior/ha-pesticidas-proibidos-em-aguas-subterraneas-portuguesas-
10877980.html?fbclid=IwAR31-Wfr_59gXkxm1uL3tCQpEUbTVWX15uVpu1r_ouLRjBV0qJkz_udDPxc
3 Análise dos impactos no solo resultantes da introdução de novos olivais regados no Alentejo, 2º Relatório do
GTO, Ministério da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas, 2010
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Através do recente estudo da APA à qualidade das águas subterrâneas, foi detectada
a presença de pesticidas proibidos por lei em zonas onde a actividade agrícola é mais
intensa, sendo que de acordo com a APA “se estas substâncias já estão a chegar às
nossas águas subterrâneas é porque estão a ser usadas em concentrações bastante
elevadas”.
Visto que o estudo de 2009 do Grupo de Trabalho do Olival referia que os olivais
intensivos utilizam em média, mais do dobro de fertilizantes e fitofarmacêuticos que
os tradicionais, e que na maioria dos casos não existem registos sistemáticos das
quantidades dos fitofármacos e fertilizantes utilizados, parece que se encontra
estabelecida uma possível correlação entre a contaminação dos aquíferos e a
desmedida expansão de culturas intensivas e superintensivas.
Para além da contaminação dos solos e recursos hídricos, a população que habita em
zonas adjacentes a culturas intensivas e superintensivas de amendoal e olival têm
vindo frequentemente a manifestar-se relativamente ao facto de a pulverização dos
fitofarmacêuticos não estar devidamente regulada, e de se encontrarem diariamente
expostos, por via aérea, aos mesmos, colocando em causa a sua saúde.
Para além dos impactos directos de contaminação do meio ambiente, é de reforçar
que plantações intensivas de única espécie, mesmo autóctones, implicam uma
diminuição de biodiversidade, diminuição da resiliência das culturas a infestações, e
menor capacidade de adaptação às alterações climáticas por serem dependentes do
regadio e dos pesticidas aplicados.
Por isso, apesar de serem constituídas por espécies autóctones, as plantações
intensivas de oliveiras e amendoais comprometem a biodiversidade, estando referido
no 2º Relatório do GTO (2010) que “é no olival superintensivo que se manifesta a
acentuada quebra de diversidade” apresentando “tendência para a dominância de
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um pequeno grupo de espécies” provocando um desequilíbrio da flora e
consequentemente da fauna.
Para além deste factor, existe ainda o facto de a colheita ser efectuada por
maquinaria pesada, que para além de provocar a morte massiva de aves invernantes,
provocam a compactação dos solos contribuindo assim para a sua degradação.
A falta de estudo prévio de impacto ambiental, regulação, licenciamento e
monitorização nesta actividade, levam à deterioração do ambiente contribuindo para
a degradação dos solos, perda da biodiversidade, contaminações dos solos e
consequentemente dos recursos hídricos subterrâneos, que terá impacto não só nos
ecossistemas como na saúde das populações das áreas circundantes.
Assim, recomenda-se que até que se seja determinado o real impacto do crescimento
desordenado de culturas intensivas de olivais e amendoais na saúde pública e no
ambiente, que se suspenda a sua instalação.
Assim, a Assembleia da República, nos termos do n. º5 do artigo 166.º da Constituição,
por intermédio do presente Projeto de Resolução, recomenda ao Governo que:
- Institua um regime de moratória para a instalação de novas culturas de amendoal e
olivais intensivos, até que se determine os reais impactos no ambiente e saúde
pública e que seja criada regulação para a actividade.
Assembleia da República, Palácio de S. Bento, 13 de Maio de 2019
O Deputado
André Silva
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Publicação — DAR II série A — 68-70 — 13/05/2019
II SÉRIE-A — NÚMERO 99
do ensino básico, pessoal docente e não docente dos estabelecimentos de ensino público, mas é preciso que
esta medida saia efetivamente do papel e seja aplicada de forma estruturada e em todo o território nacional.
Em Portugal, ao contrário do que acontece noutros países e apesar de alguns avanços, ainda não existe
uma verdadeira cultura de emergência médica enraizada na sociedade. Mas falamos da vida das pessoas e,
portanto, há ainda muito a fazer no que diz respeito à formação e à capacitação da sociedade, e é
precisamente nesse sentido que o Grupo Parlamentar do Partido Ecologista «Os Verdes» apresenta o
presente projeto de resolução, com o objetivo de promover a melhoria da sobrevida das vítimas de morte
súbita cardíaca, garantindo o reforço da cadeia de sobrevivência.
Assim, ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar de Os
Verdes apresenta o seguinte projeto de resolução:
A Assembleia da República delibera recomendar ao Governo que:
1. Promova campanhas de sensibilização e de informação com vista à capacitação da sociedade para a
identificação e procedimento no caso de paragem cardiorrespiratória, assim como para a prevenção e
combate à morte súbita cardíaca.
2. Promova o ensino de Suporte Básico de Vida e de Desfibrilhação Automática Externa (SBV-DAE) nas
escolas, particularmente no 3º ciclo do ensino básico e no ensino secundário.
3. Promova a formação específica em Suporte Básico de Vida e de Desfibrilhação Automática Externa para
determinadas profissões, nomeadamente profissionais de saúde, bombeiros, polícias, treinadores e
professores, entre outras em que se justifique tal formação.
4. Alargue o Programa Nacional de Desfibrilhação Automática Externa, com vista ao alargamento de
espaços onde seja obrigatório existir desfibrilhadores automáticos externos, para que possa haver uma
resposta mais pronta e eficiente em situação de paragem cardiorrespiratória.
Palácio de S. Bento, 13 de maio de 2019.
Os Deputados do Partido Ecologista «Os Verdes»: José Luís Ferreira — Heloísa Apolónia.
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PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 2164/XIII/4.ª
RECOMENDA AO GOVERNO QUE INSTITUA UM REGIME DE MORATÓRIA PARA A INSTALAÇÃO DE
NOVAS CULTURAS DE AMENDOAL E OLIVAIS INTENSIVOS
Nas últimas décadas tem-se vindo a verificar uma crescente reconversão de culturas agrícolas em modo
tradicional em plantações intensivas, é o caso do olival e do amendoal.
De acordo com dados da administração central, a área de olival intensivo e superintensivo em produção
tem vindo a aumentar, principalmente na zona de regadio do Alentejo.
São culturas intensivas todas as que são sujeitas a regime de regadio e que possuem mais de 200 árvores
por hectare, sendo consideradas superintensivos, as culturas onde o número de plantas seja superior a 1000
árvores por hectare.
De acordo com o INE, em 2016 a área total de olival era 347 093 ha tendo crescido mais do dobro desde
2009 (159 915 ha) sendo que a maioria se reporta a olivais intensivos. Só na área do regadio do Alqueva
ocupam 44 mil hectares, segundo o Presidente da EDIA.
Ainda, relativamente ao amendoal intensivo, refere que a área de cultivo se encontra em franco
crescimento, tendo aumentando de mil hectares para 7 mil hectares desde 2015.