Grupo Parlamentar
Assembleia da República - Palácio de S. Bento - 1249-068 Lisboa - Telefone: 21 391 7592 - Fax: 21 391 7459
Email: bloco.esquerda@be.parlamento.pt - http://www.beparlamento.net/
PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 1969/XIII/4.ª
PLANO DE EMERGÊNCIA PARA O ALOJAMENTO ESTUDANTIL
As residências universitárias são um mecanismo essencial do sistema de Ação Social no
Ensino Superior. A par das bolsas de estudo e das cantinas, o alojamento estudantil
completa um conjunto de serviços básicos que garantem mais inclusão social e combate
às desigualdades existentes entre o universo dos estudantes do ensino superior.
Porém, a especulação imobiliária e a insuficiência estrutural da Ação Social tornaram-se
um entrave para quem quer estudar e, para isso, tem de se mudar para outra cidade. A
nível nacional, as residências universitárias cobrem apenas 13% do total de estudantes
deslocados. Em Lisboa, 30% dos e das estudantes são deslocados e o número de camas
em residências não cobre a maioria. Analisando por Instituições de Ensino Superior, na
capital do país, este é o atual rácio entre o número de estudantes descocados e a oferta
de camas: Universidade Nova de Lisboa – 9,9%; Universidade de Lisboa – 8%; ISCTE –
IUL – 3,4%. Outro dos problemas é que parte das novas ofertas de camas, criadas pelas
Instituições de Ensino Superior, não cumprem a lógica solidária de preços acessíveis, tal
como emana da lógica da existência de um Serviço de Ação Socia (SAS). A título de
exemplo, o alojamento do novo campus da NOVA SBE - Faculdade de Economia da
Universidade Nova de Lisboa (122 quartos) - custa, no mínimo, 545€ mensais, cuja
gestão foi entregue a uma empresa privada. E, no cômputo geral, na área metropolitana
de Lisboa, a oferta não ultrapassa os 9,2%.
Na cidade do Porto, o arrendamento de um quarto na cidade custa, em média, 275€ e a
oferta de camas nas residências estudantis não chega a cobrir 15% do número de
estudantes deslocados.
Assembleia da República - Palácio de S. Bento - 1249-068 Lisboa - Telefone: 21 391 7592 - Fax: 21 391 7459
Email: bloco.esquerda@be.parlamento.pt - http://www.beparlamento.net/ 2
A situação atual do alojamento para estudantes nestas duas cidades é apenas um
exemplo do panorama nacional. Mesmo nas cidades de menor densidade populacional,
há falta de oferta de residências universitárias e o mercado de arrendamento não
oferece nem a quantidade nem a qualidade que era necessária.
O Governo, alertado para a problemática, lançou um diagnóstico da situação nacional do
alojamento de estudantes, num primeiro momento. Esse diagnóstico compõe-se das
seguintes atividades já realizadas:
• Levantamento, identificação e caracterização das residências de estudantes junto das
instituições de ensino superior públicas;
• Colaboração com o movimento associativo estudantil, nomeadamente suscitando a
elaboração
de um diagnóstico e caracterização das condições das residências.
• Levantamento e caracterização dos estudantes deslocados inscritos no ensino superior
público;
• Identificação de instrumentos nos domínios do acesso à habitação e da reabilitação,
com a Secretaria de Estado da Habitação e em articulação com o Conselho de Reitores
das
Universidades Portuguesas e o Conselho Coordenador dos Institutos Superiores
Politécnicos.
Os dados resultantes dos levantamentos realizados espelham a reduzida oferta de camas
para os cerca de 42% de estudantes deslocados no ensino superior público. As 13.971
camas disponíveis nas residências para estudantes do ensino superior só garantem
alojamento para 12% dos 113.813 alunos que se encontram a estudar fora das suas
áreas de residência. O programa do Governo: “Plano Nacional de Alojamento para o
Ensino Superior (PNAES)” - prevê que, até 2022, haja um aumento de oferta na ordem
das 2000 camas.
O anúncio das 2000 camas até 2022 é um dado positivo, comparativamente aos últimos
doze anos, período no qual não existiu praticamente construção de novas residências
universitárias. Porém, os números são tímidos e mantêm a preocupação já com o
Assembleia da República - Palácio de S. Bento - 1249-068 Lisboa - Telefone: 21 391 7592 - Fax: 21 391 7459
Email: bloco.esquerda@be.parlamento.pt - http://www.beparlamento.net/ 3
próximo ano letivo. É necessário preparar um plano de emergência que consagre um
conjunto de soluções a curto prazo, de forma a mitigar os efeitos negativos da
especulação imobiliária e, subsequentemente, do aumento do valor do arrendamento.
Ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo
Parlamentar do Bloco de Esquerda propõe que a Assembleia da República recomende ao
Governo que:
1 - O Governo, nomeadamente o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e a
Secretaria de Estado da Juventude e do Desporto, façam um levantamento
pormenorizado sobre todas as Pousadas da Juventude, com o intuito de:
a) Saber que Pousadas da Juventude têm capacidade para receber estudantes do ensino
superior a partir do início do próximo ano letivo;
b) Preparar intervenções rápidas ao nível da gestão e reabilitação de espaços que ainda
não estejam preparados para o efeito.
2 – O Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior reequacione o fundo financeiro
que disponibiliza para os Empréstimos bancários para estudantes do ensino superior,
com o objetivo de:
a) Utilizar esses fundos na construção de mais residências universitárias;
b) Utilizar esses fundos para implementar um mecanismo financeiro de emergência para
todos os estudantes deslocados que não encontrem oferta de cama nas residências
universitárias.
Assembleia da República, 4 de fevereiro de 2019.
As Deputadas e os Deputados do Bloco de Esquerda,
---
Publicação — DAR II série A — 11-12 — 04/02/2019
4 DE FEVEREIRO DE 2019
1 – Determine o dia 31 de dezembro como data limite para que os Serviços de Ação Social transfiram o
primeiro montante referente à bolsa de estudo para estudantes do ensino superior para estudantes a quem foi
diferido o seu pedido;
2 – Garanta o quadro de pessoal e as ferramentas tecnológicas necessárias para que o prazo seja cumprido
escrupulosamente e a celeridade em todo o processo de análise e decisão seja efetiva.
Assembleia da República, 4 de fevereiro de 2019.
As Deputadas e os Deputados do BE: Luís Monteiro — Pedro Filipe Soares — Jorge Costa — Mariana
Mortágua — Pedro Soares — Isabel Pires — José Moura Soeiro — Heitor de Sousa — Sandra Cunha — João
Vasconcelos — Maria Manuel Rola — Fernando Manuel Barbosa — Jorge Falcato Simões — Carlos Matias —
Joana Mortágua — José Manuel Pureza — Moisés Ferreira — Ernesto Ferraz — Catarina Martins.
———
PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 1969/XIII/4.ª
PLANO DE EMERGÊNCIA PARA O ALOJAMENTO ESTUDANTIL
As residências universitárias são um mecanismo essencial do sistema de Ação Social no Ensino Superior. A
par das bolsas de estudo e das cantinas, o alojamento estudantil completa um conjunto de serviços básicos que
garantem mais inclusão social e combate às desigualdades existentes entre o universo dos estudantes do ensino
superior.
Porém, a especulação imobiliária e a insuficiência estrutural da Ação Social tornaram-se um entrave para
quem quer estudar e, para isso, tem de se mudar para outra cidade. A nível nacional, as residências
universitárias cobrem apenas 13% do total de estudantes deslocados. Em Lisboa, 30% dos e das estudantes
são deslocados e o número de camas em residências não cobre a maioria. Analisando por instituições de ensino
superior, na capital do País, este é o atual rácio entre o número de estudantes descocados e a oferta de camas:
Universidade Nova de Lisboa – 9,9%; Universidade de Lisboa – 8%; ISCTE – IUL – 3,4%. Outro dos problemas
é que parte das novas ofertas de camas, criadas pelas Instituições de ensino superior, não cumprem a lógica
solidária de preços acessíveis, tal como emana da lógica da existência de um Serviço de Ação Socia (SAS). A
título de exemplo, o alojamento do novo campus da NOVA SBE – Faculdade de Economia da Universidade
Nova de Lisboa (122 quartos) – custa, no mínimo, 545€ mensais, cuja gestão foi entregue a uma empresa
privada. E, no cômputo geral, na Área Metropolitana de Lisboa, a oferta não ultrapassa os 9,2%.
Na cidade do Porto, o arrendamento de um quarto na cidade custa, em média, 275€ e a oferta de camas nas
residências estudantis não chega a cobrir 15% do número de estudantes deslocados.
A situação atual do alojamento para estudantes nestas duas cidades é apenas um exemplo do panorama
nacional. Mesmo nas cidades de menor densidade populacional, há falta de oferta de residências universitárias
e o mercado de arrendamento não oferece nem a quantidade nem a qualidade que era necessária.
O Governo, alertado para a problemática, lançou um diagnóstico da situação nacional do alojamento de
estudantes, num primeiro momento. Esse diagnóstico compõe-se das seguintes atividades já realizadas:
• Levantamento, identificação e caracterização das residências de estudantes junto das instituições de ensino
superior públicas;
• Colaboração com o movimento associativo estudantil, nomeadamente suscitando a elaboração de um
diagnóstico e caracterização das condições das residências.
• Levantamento e caracterização dos estudantes deslocados inscritos no ensino superior público;
---
Apreciação — DAR I série — 4-34 — 16/02/2019
I SÉRIE — NÚMERO 53
Manuel Heitor, afinal já era contra as propinas e queria acabar com elas, ao fim de três anos de Legislatura a
afirmar que era impossível mexer 1 € que fosse no seu valor. Foram vários os responsáveis do Governo que
contradisseram o seu colega de Executivo, e refiro, apenas a título de exemplo, Pedro Nuno Santos, Alexandra
Leitão e Miguel Cabrita. Todos eles na Convenção Nacional do Ensino Superior disseram ser contra as propinas
e disseram ser a favor do seu fim.
Cito, até, o Secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares: «Defender o Estado social passa por acabar
com as propinas no ensino superior» e, ao combate contra as propinas, é bem-vindo quem vier por bem.
Sr.as e Srs. Deputados, até Marcelo Rebelo de Sousa, agora Presidente da República, se pronunciou,
acompanhando a necessidade de terminar com esta absurda taxa. Bem sabemos que o Presidente Marcelo não
concorda com o cidadão Marcelo, porém, estamos conscientes de que precisamos de uma verdadeira revolução
cidadã para pôr fim às propinas e, aí, contamos com todos os cidadãos e todas as cidadãs.
O que nos sugeriu, então, o Sr. Presidente da República? Um pacto de regime. Bem, pelo historial dos últimos
anos, a invocação desta mensagem política trouxe tremendos problemas ao País: em nome de um qualquer
pacto de regime, desde a famosa reforma do Estado de Paulo Portas ou da urgência de resgatar a banca privada
com dinheiro dos contribuintes, a memória é um pesadelo sobre esses tempos.
Está talvez na hora de o Parlamento, num consenso que antes de ser já o era, garantir que existe uma
maioria alargada para fazer cumprir a Constituição: o verdadeiro pacto de regime que nos obriga ao sentido de
responsabilidade nesta Câmara.
Atentemos, então, ao que o Tribunal Constitucional deliberou, através de um acórdão, em 1994, sobre esta
mesma matéria: «Presentemente, e com a questão do aumento das propinas em 1992, verifica-se que a medida,
em Portugal, é profundamente inequitativa, na medida em que introduz uma discriminação negativa nas
despesas das famílias portuguesas com a educação, resultando um maior benefício para as famílias de mais
altos rendimentos, e contraria, por essa forma, a justiça distributiva visada pelo sistema fiscal».
Bem, Sr.as e Srs. Deputados, em particular Sr.as e Srs. Deputados das bancadas da direita, o que o Tribunal
diz é exatamente o contrário daquilo que as bancadas da direita têm dito: não é a redução das propinas que é
inequitativa, é a sua própria existência.
Não nos esquecemos dos milhares e milhares de estudantes que, nos anos 90, saíram à rua contra as
propinas, derrubaram ministros, enfrentaram o paradigma neoliberal no ensino superior e o ataque que Cavaco
Silva, então Primeiro-Ministro, tecia ao ensino superior. A determinação destes estudantes é a mesma que hoje,
aqui, nos fortalece nas propostas que trazemos. É sempre demasiado tarde para recuperar aqueles que, por
causa das propinas, não estudaram, mas não é demasiado tarde para acabar com elas.
E, em paralelo com um plano para o fim das propinas, apresentamos, também, um conjunto de propostas no
âmbito da ação social e do alojamento estudantil, que vêm, também, consagrar o direito ao ensino superior
público de qualidade, gratuito e universal.
É por isso que entregamos uma proposta para que a entrega da bolsa de estudo seja feita até 31 de
dezembro, ou seja, garantir que nenhum estudante e nenhuma estudante, até ao final do primeiro semestre,
continue sem resposta e sem receber a primeira tranche da sua bolsa de estudo.
Em segundo lugar, propomos a criação de uma tabela nacional de taxas e emolumentos. E, sobre esta
matéria, Srs. Deputados e Sr.as Deputadas, convém relembrar que, há três Orçamentos do Estado, foi aprovada
aqui, nesta Câmara, a criação de uma tabela nacional de taxas e emolumentos.
Bem sabemos que a proposta era do Partido Socialista, mas o Ministro do Partido Socialista não quis cumprir.
Na discussão do Orçamento do Estado para 2019, apresentámos exatamente a mesma proposta e o Partido
Socialista — pasme-se! — chumbou aquilo que tinha apresentado dois anos antes.
Esperemos que um momento de confissões sobre o fim das propinas seja também um momento de
confissões para o Partido Socialista repensar, novamente, o seu voto sobre a tabela nacional de taxas e
emolumentos e aprove o projeto de resolução do Bloco de Esquerda.
Apresentamos, também, um programa de regularização de dívidas de propinas. E o que é que significa este
programa? Resgatar todos aqueles e aquelas que desistiram do ensino superior público por razões económicas
e por não terem dinheiro para pagar propinas e que, justamente por terem essas mesmas dívidas de propinas,
neste momento, não se conseguem reinscrever no seu curso.
Portanto, criamos um programa para que, em cinco anos, esses estudantes consigam saldar as suas dívidas
e, entretanto, terminem os seus cursos de ensino superior.
---
Votação Deliberação — DAR I série — 39-39 — 16/02/2019
16 DE FEVEREIRO DE 2019
Votemos agora, na generalidade, o Projeto de Lei n.º 1106/XIII/4.ª (BE) — Estabelece o fim das propinas nas
licenciaturas e nos mestrados integrados do ensino superior público.
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PSD, do PS, do CDS-PP e do Deputado não inscrito
Paulo Trigo Pereira, votos a favor do BE, do PCP, de Os Verdes e de 3 Deputados do PS (Diogo Leão, Hugo
Carvalho e Ivan Gonçalves) e a abstenção do PAN.
Procedamos à votação, na generalidade, do Projeto de Lei n.º 1107/XIII/4.ª (BE) — Mecanismo extraordinário
de regularização de dívidas por não pagamento de propinas nas instituições de ensino superior públicas.
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PSD, do PS e do CDS-PP, votos a favor do BE, do
PCP, de Os Verdes, do PAN e de 3 Deputados do PS (Diogo Leão, Hugo Carvalho e Ivan Gonçalves) e a
abstenção do Deputado não inscrito Paulo Trigo Pereira.
Vamos agora votar, na generalidade, o Projeto de Lei n.º 1108/XIII/4.ª (BE) — Cria um teto máximo para o
valor das propinas dos 2.º e 3.º ciclos de estudos no ensino superior público.
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PSD, do PS, do CDS-PP e do Deputado não inscrito
Paulo Trigo Pereira, votos a favor do BE, do PCP, de Os Verdes e de 3 Deputados do PS (Diogo Leão, Hugo
Carvalho e Ivan Gonçalves) e a abstenção do PAN.
Passamos à votação do Projeto de Resolução n.º 1968/XIII/4.ª (BE) — Contempla uma data limite para a
transferência do primeiro montante referente a bolsas de estudo para estudantes do ensino superior. Por
solicitação do PSD, vamos votar separadamente os pontos n.os 1 e 2 do projeto de resolução.
Vamos votar o ponto n.º 1.
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.
Vamos agora votar o ponto n.º 2.
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PS, do BE, do PCP, de Os Verdes, do PAN e do
Deputado não inscrito Paulo Trigo Pereira e abstenções do PSD e do CDS-PP.
Passamos à votação do Projeto de Resolução n.º 1969/XIII/4.ª (BE) — Plano de emergência para o
alojamento estudantil.
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PS, do BE, do PCP, de Os Verdes, do PAN e do
Deputado não inscrito Paulo Trigo Pereira, votos contra do CDS-PP e a abstenção do PSD.
Vamos votar o Projeto de Resolução n.º 1970/XIII/4.ª (BE) — Pela criação de uma tabela nacional de taxas
e emolumentos no ensino superior público.
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do BE, do PCP, de Os Verdes, do PAN, de 3 Deputados
do PS (Diogo Leão, Hugo Carvalho e Ivan Gonçalves) e do Deputado não inscrito Paulo Trigo Pereira e
abstenções do PSD, do PS e do CDS-PP.
Vamos votar, na generalidade, o Projeto de Lei n.º 1115/XIII/4.ª (PCP) — Aumento do valor das bolsas de
estudo no ensino superior público.
Abrir texto oficial