PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 1855/XIII/4ª
Integração do serviço ferroviário Lisboa/Setúbal na CP, após o fim da
concessão desse serviço à Fertagus em 2019
A política de transportes de sucessivos Governos tem sido caracterizada pela
liquidação de oferta do transporte coletivo público às populações, fator que tem
determinado o recolher obrigatório, mesmo em áreas densamente povoadas, e
tem promovido o isolamento de muitas localidades no interior do país. É o direito
à mobilidade das populações que está em causa, bem como o desígnio nacional
de alteração de um paradigma de mobilidade individual para uma mobilidade
coletiva.
O setor dos transportes representa um importante setor de desenvolvimento do
País e como tal, implica necessariamente uma visão ambiental, pois a promoção
de condições e o incentivo à utilização do transporte coletivo é um pressuposto
ambiental para a sustentabilidade, bem como para a promoção de cidades mais
sustentáveis e no combate às alterações climáticas. É por isso necessário, entre
muitas outras medidas, que seja gerada uma oferta que sirva as necessidades
das populações em quantidade, qualidade, intermodalidade e com preços
acessíveis, para o que se torna importante alargar o número de operadores e a
base territorial abrangidos pelo passe social.
Os Verdes desde sempre defenderam que o nosso País necessita de um novo
paradigma de transportes, tanto ao nível de passageiros como de mercadorias.
Entendemos que dos diferentes modos de transporte, a componente ferroviária
assume aqui um papel fundamental, pois um investimento na ferrovia que
responda às necessidades de mobilidade das populações e do transporte de
mercadorias, que fomente a coesão territorial e um desenvolvimento harmonioso
do país, fornece uma resposta mais eficiente aos desafios ambientais globais com
que Portugal e o Planeta se confrontam.
Nas Áreas Metropolitanas a mobilidade é muito diversificada e complexa,
caracterizando-se pela crescente utilização do transporte individual, pelo aumento
dos tempos e dos custos das deslocações e pelo agravamento das condições
ambientais, situação que urge inverter para garantir uma mobilidade sustentável e
eficaz e o sucesso do funcionamento das cidades e das próprias áreas
metropolitanas.
Além do forte desinvestimento e degradação do serviço prestado, muitos dos
problemas com que se debate a Área Metropolitana de Lisboa, e a Península de
Setúbal em particular, no que respeita ao sistema de transportes, ficam a dever-
se também e em grande parte à privatização da Rodoviária Nacional, à
concessão à Fertagus do transporte ferroviário entre Lisboa e Setúbal, do Metro
Ligeiro de Superfície à Metro Transportes do Sul, ambas empresas do grupo
Barraqueiro, a que acresce o agravamento dos preços dos títulos de transporte, e
o não alargamento do passe social intermodal a toda a região e abrangendo todos
os operadores.
No que respeita à parceria público-privada entre o Estado e a Fertagus, cujo
contrato de concessão termina em 2019, importa ter presente o quanto esta
opção foi e é extremamente lesiva para o Estado, a começar pelo facto desta
parceria, à semelhança de muitas outras, estar suportada em infraestruturas
públicas, neste caso, linhas ferroviárias, estações e material circulante públicos.
Importa igualmente lembrar que na altura do lançamento do concurso para
atribuição da concessão do serviço ferroviário Lisboa/Setúbal, a CP foi impedida
pelo Governo da altura de concorrer, apesar desta garantir a integração do
serviço no sistema de transportes da Área Metropolitana e no passe social
intermodal.
Segundo o Relatório de Auditoria do Tribunal de Contas referente ao ano de
2012, os encargos suportados pelo Estado entre 1999 e 2010 com a concessão
da Fertagus, representaram cerca de 45.177.527.00€ a título de compensações
por desequilíbrios financeiros e de 57.644.109,00€ de compensações pela
prestação do serviço público, perfazendo um total de 102.821.636,00€, donde
facilmente se concluí – e tendo em conta o fim do contrato em 2019 – que é
urgente integrar este serviço na CP sob pena de se continuar a desperdiçar
recursos públicos.
Também em 2016 a Fertagus assinou um contrato com a EMEF – Empresa de
Manutenção de Equipamento Ferroviário, no valor de 1,2 milhões de euros, que
visava a revisão de um total de 880 componentes do material circulante, ao longo
de dois anos. Apesar do contrato ser estabelecido com a Fertagus é mais uma
vez o Estado quem paga, pois além dos comboios da Fertagus pertencem à
Sagesecur, uma empresa que é detida pela holding estatal Parpública, tratava-se
da revisão de meia vida dos comboios e não da manutenção corrente, esta sim, a
cargo do concessionário.
Esta concessão além de prejudicar o Estado, prejudica também os utentes, pois
comparando os serviços prestados entre a CP e a Fertagus, o valor que os
passageiros poupariam em assinatura mensal situar-se-ia entre os 41% para o
percurso Pragal/Lisboa e os 136% para o percurso Setúbal/Lisboa, o que reflete
bem a diferença de valor que os utentes suportam para se deslocar para os seus
locais de trabalho. Os próprios trabalhadores da empresa também têm sido
prejudicados quer nos seus salários, quer nos seus direitos e condições de
trabalho.
No decorrer das suas jornadas parlamentares em março passado, Os Verdes
reiteraram a necessidade da integração da Fertagus e da Metro Sul do Tejo no
passe social intermodal, fator que iria aumentar o crescimento da mobilidade e
obrigaria a um aumento da oferta, contribuindo significativamente para um
incremento no uso dos transportes públicos, neste caso, da ferrovia e no
essencial contributo no combate às alterações climáticas.
Perante todos estes factos, e considerando que está a terminar o contrato de
concessão à Fertagus da ligação ferroviária entre Lisboa e Setúbal, está aberta
uma oportunidade de instar o Governo a não ceder ás pressões que o grupo
Barraqueiro já vem fazendo para a renovação da parceria, - que demonstra o
quanto esta concessão é rentável para o privado – e a não renovar o contrato de
concessão com a Fertagus.
Os Verdes consideram que integrar o serviço da Fertagus na CP contribui para
uma melhoria na qualidade de vida dos utentes, preços dos títulos de transportes
mais justos, através do passe social intermodal, para o incremento de mais e
melhor mobilidade, melhores condições laborais para os trabalhadores e para
uma poupança significativa de dinheiros públicos.
Assim, nos termos constitucionais e regimentais aplicáveis, os deputados do
Partido Ecologista Os Verdes, apresentam o seguinte Projeto de Resolução:
A Assembleia da República nos termos constitucionais e regimentais aplicáveis,
resolve, recomendar ao Governo que:
1 – Desenvolva os mecanismos necessários para que, terminado o contrato de
concessão à Fertagus em 2019, estejam reunidas as condições para a integração
desse serviço na CP.
2 – Na sequência da integração do serviço ferroviário Lisboa/Setúbal na CP:
a) Garanta o acesso ao serviço ferroviário a todos os utentes, integrado no
passe social intermodal.
b) Proceda à integração dos trabalhadores atualmente afetos à Fertagus, na
CP e na EMEF, salvaguardando todos os seus direitos, nomeadamente a
aplicação da contratação coletiva em vigor nestas empresas.
Assembleia da República, Palácio de S. Bento, 12 de outubro de 2018.
Os Deputados,
José Luís Ferreira Heloísa Apolónia
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Publicação — DAR II série A — 10-12 — 12/10/2018
II SÉRIE-A — NÚMERO 12
corânica, a um complexo de construções formado por várias mesquitas e um conjunto de estruturas
habitacionais; desde a mesquita com anexos localizada na parte Sul, até à mesquita com muro de orações e
minarete de planta circular localizada, simbolicamente, na ponta do promontório.
Mas a singularidade e interesse patrimonial do monumento parecem ganhar relevância à medida que novos
estudos se desenvolvem a respeito do ribat e do seu significado no contexto histórico mais alargado do Gharb
Al-Andalus.
De facto, estudos mais recentemente desenvolvidos – com recurso a exaustivas leituras de fontes árabes –,
colocam reservas a esta relação estabelecida entre o Ribat da Arrifana e o mestre sufi Ibn Qasi, ao mesmo
tempo que sugerem uma fundação muito anterior e um período mais alargado de efectiva ocupação (cf.,
nomeadamente, Ahmed Tahiri, «Aljezur e o Ribât Al-Rayhâna», ed. ADPHAA, 2018), o que, só por si, demonstra
o interesse e a exigência de se criarem condições para a continuação dos trabalhos arqueológicos, de
investigação e estudo científico do ribat.
Acontece que o monumento se encontra atualmente numa situação de completo abandono e acelerada
degradação, com as estruturas arqueológicas a descoberto e sujeitas a uma agressiva pressão antrópica. As
próprias vedações de proteção ainda existentes em alguns dos núcleos encontram-se parcialmente destruídas.
As necessidades de intervenção no sítio arqueológico no sentido da sua defesa e valorização – como a
Associação de Defesa do Património Histórico e Arqueológico de Aljezur, nomeadamente, tem vindo a alertar –
, são evidentes. Face à dimensão do problema e nomeadamente à desproteção do monumento, algumas ações
assumem, mesmo, um carácter de emergência, como sejam a realização de trabalhos de limpeza e a criação e
renovação de estruturas de proteção.
Tendo em atenção o exposto, e ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo
Parlamentar do Partido Social Democrata propõe que a Assembleia da República recomende ao Governo que,
sob orientação dos Serviços tutelados pelo Ministério da Cultura:
1 – Proceda com carácter de urgência à realização de trabalhos de limpeza, desmatação, consolidação e
restauro do Ribat da Arrifana, bem como à criação e renovação de estruturas de proteção, assegurando a
integridade das construções pertencentes ao complexo edificado do ribat da época islâmica, bem como das
construções pertencentes à reocupação do local nos séculos XIV e XV, nomeadamente associadas ao processo
de transformação do minarete da mesquita em torre atalaia.
2 – Proceda à colocação de sinalética e informação sobre o local arqueológico.
3 – Dê cumprimento à obrigação legal de desenvolvimento de um plano de manutenção anual e de um plano
de inspeção.
4 – Desenvolva e aprove um plano geral de intervenção no Ribat da Arrifana no sentido da sua defesa,
valorização, estudo científico e investigação.
Palácio de São Bento, 11 de outubro de 2018.
Os Deputados do PSD: Fernando Negrão — José Carlos Barros — Cristóvão Norte — Margarida Mano —
Susana Lamas — José Silvano — António Costa Silva — Emídio Guerreiro — Firmino Pereira — Helga Correia
— Joel Sá — Margarida Balseiro Lopes — Pedro do Ó Ramos — Pedro Pimpão.
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PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 1855/XIII/4.ª
INTEGRAÇÃO DO SERVIÇO FERROVIÁRIO LISBOA/SETÚBAL NA CP, APÓS O FIM DA CONCESSÃO
DESSE SERVIÇO À FERTAGUS EM 2019
A política de transportes de sucessivos Governos tem sido caracterizada pela liquidação de oferta do
transporte coletivo público às populações, fator que tem determinado o recolher obrigatório, mesmo em áreas
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Votação na generalidade — DAR I série — 40-40 — 08/06/2019
I SÉRIE — NÚMERO 94
De seguida, vamos votar, na generalidade, a Proposta de Lei n.º 191/XIII/4.ª (GOV) — Determina a cessação
de vigência de decretos-leis publicados entre os anos de 1981 e 1985.
Submetida à votação, foi aprovada, com votos a favor do PSD, do PS, do BE, do PCP, de Os Verdes, do
PAN e do Deputado não inscrito Paulo Trigo Pereira e a abstenção do CDS-PP.
O diploma baixa à 1.ª Comissão.
Vamos votar o Projeto de Resolução n.º 2185/XIII/4.ª (PAR) — Consagra o dia 17 de junho como Dia Nacional
em Memória das Vítimas dos Incêndios Florestais.
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.
A Sr.ª Ana Sofia Bettencourt (PSD): — Sr. Presidente, peço a palavra.
O Sr. Presidente: — Faça favor, Sr.ª Deputada.
A Sr.ª Ana Sofia Bettencourt (PSD): — Sr. Presidente, gostaria de informar a Câmara que, em meu nome
pessoal e em nome das Sr.as Deputadas Fátima Ramos, Ana Oliveira e Conceição Bessa Ruão, apresentaremos
uma declaração de voto sobre este voto.
O Sr. Presidente: — Fica registado, Sr.ª Deputada.
Sr.ª Deputada Teresa Morais, tem a palavra.
A Sr.ª Teresa Morais (PSD): — Sr. Presidente, queria informar que, em meu nome, apresentarei uma
declaração de voto.
O Sr. Presidente: — Fica registado, Sr.ª Deputada.
Vamos continuar e votar, agora, na generalidade, o Projeto de Resolução n.º 1844/XIII/4.ª (BE) —
Recomenda o fim da concessão à Fertagus da exploração do serviço ferroviário no Eixo Norte-Sul e a sua
integração no serviço de transportes suburbanos da CP.
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PSD, do PS, do CDS-PP e do Deputado não inscrito
Paulo Trigo Pereira, votos a favor do BE, do PCP e de Os Verdes e a abstenção do PAN.
Passamos à votação, na generalidade, do Projeto de Resolução n.º 1855/XIII/4.ª (Os Verdes) — Integração
do serviço ferroviário Lisboa-Setúbal na CP, após o fim da concessão desse serviço à Fertagus em 2019.
Submetido à votação, foi rejeitado, com votos contra do PSD, do PS, do CDS-PP e do Deputado não inscrito
Paulo Trigo Pereira, votos a favor do BE, do PCP e de Os Verdes e a abstenção do PAN.
Vamos votar, de seguida, o Projeto de Resolução n.º 2048/XIII/4.ª (PSD) — Proteção das atividades
desenvolvidas pelas federações desportivas.
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.
Peço aos Srs. Deputados que estão de pé que se sentem, pois estamos em votações.
Passamos ao Projeto de Resolução n.º 1631/XIII/3.ª (PSD) — Recomenda a implementação e a
concretização urgente de uma renovação tecnológica no Centro Regional da RTP-Madeira.
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PSD, do PS, do BE, do CDS-PP, do PCP, de Os
Verdes e do PAN e a abstenção do Deputado não inscrito Paulo Trigo Pereira.
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