PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS
Grupo Parlamentar
Projeto de Resolução n.º 1454/XIII/3ª
Recomenda ao Governo que tome diligências para assegurar a suspensão imediata da
ameaça de despejos nas torres da Fidelidade Segurosem Santo António dos
Cavaleiros (Loures) e em todos os concelhos com processos idênticos, garantindo o
direito à habitação
Mais de 150 famílias, cerca de 400 pessoas, estão sob ameaça de despejo das suas
habitações em Santo António dos Cavaleiros, concelho de Loures. Esta situação é da
maior gravidade e exige intervenção imediata do Governo para travar estes
despejos e garantir o direito à habitação a estes moradores.
Aproveitando a Lei de Despejos da ex-Ministra Assunção Cristas, a Fidelidade
Seguros, proprietária de três torres de apartamentos e outras habitações, notificou
já alguns moradores de que o seu contrato não irá ser renovado, e que em 120 dias
serão obrigados a entregar as chaves do imóvel.
Destas mais de 150 famílias, muitas residem há mais de 30 anos naquelas
habitações; num dos prédios mais de 70% das pessoas terão mais de 70 anos,
muitos idosos acamados e com problemas de saúde.
Em 2014, concretizou-se a privatização da empresa Fidelidade Seguros e a
consequente aquisição por parte do Grupo Fosun de aproximadamente 84,99% do
capital da Fidelidade, mantendo-se o Grupo Caixa Geral de Depósitos como
acionista de referência com 15%. No final do ano passado a Fidelidade Seguros
anunciou o objetivo de "reforçar a solidez" da empresa com a venda de 277 imóveis,
localizados em várias partes do país. Parece agora bem claro que, esse dito reforço é
na verdade o despejo de mais de 150 famílias, e que a responsabilidade social que
destacam na sua página eletrónica não tem qualquer relação com a realidade.
Estas famílias estão muito apreensivas e preocupadas quanto ao futuro e querem
manter-se nas suas habitações. Os preços no mercado de arrendamento, fruto da
combinação explosiva da Lei dos Despejos e da especulação imobiliária,
aumentaram de forma muito significativa o que torna impraticável encontrar uma
casa a preços suportáveis pelos seus rendimentos.
Esta situação é demonstrativa do profundo desprezo social com que a Fidelidade
Seguros lida com a situação destas famílias, pelo que se exige uma intervenção
imediata do Governo. A situação destas famílias não pode ser reduzida a um mero
conflito entre senhorio e inquilino, e o Governo tem a obrigação de intervir desde já,
para garantir que os moradores se mantêm nas suas habitações e não são
despejados.
O resultado da alteração ao novo regime do arrendamento urbano da autoria da ex-
Ministra Cristas, aprovado por PSD e CDS, foi o despejo em média mais de cinco
famílias por dia, porque os seus rendimentos não permitem pagar os elevados
valores de renda.
Na prática nunca foi uma lei para a promoção do arrendamento urbano (não há
registo de os contratos de arrendamento terem aumentado), mas sim uma
verdadeira Lei de Despejos, da qual resulta a negação do direito à habitação, o
despejo sumário de milhares de famílias das suas habitações, o despejo de centenas
de coletividades e o encerramento de inúmeras micro, pequenas e médias
empresas, estabelecimentos dos mais diversos sectores, do comércio e serviços à
restauração, da indústria à hotelaria.
A par disto, o desenvolvimento desordenado e não planeado da atividade turística
tem efeitos negativos na disponibilização de oferta de imóveis para habitação
própria e permanente e os que existem têm preços proibitivos (altamente
especulativos) para a esmagadora maioria das famílias.
A Lei de Despejos apenas teve como objetivo servir os interesses dos senhorios e a
atividade especulativa do capital financeiro no mercado imobiliário, criando
profunda instabilidade social e agudização de carências e dificuldades de centenas
de milhares de famílias no nosso país.
Em 2016, por proposta do PCP foram aprovadas um conjunto de alterações
cirúrgicas à lei, que permitiram evitar os despejos dos moradores abrangidos pelo
regime transitório por mais algum tempo, mas não evitam os despejos dos
agregados familiares e das micro, pequenas e médias empresas que já estão
abrangidas pelo novo regime de arrendamento urbano.
Por isso mesmo, o PCP propôs recentemente a revogação do regime de
arrendamento urbano imposto por PSD e CDS, para que o Estado assuma as suas
responsabilidades na condução das políticas de arrendamento urbano, cumprindo o
que está consagrado na Constituição da República Portuguesa: “ todos têm direito,
para si e para a sua família, a uma habitação de dimensão adequada, em condições
de higiene e conforto e que preserve a intimidade pessoal e a privacidade familiar”.
Independentemente da discussão e aprovação do Projeto de Lei que “Revoga a
revisão do regime jurídico do arrendamento urbano”, na qual o PCP está
determinantemente empenhado, apresentamos este Projeto de Resolução para que
o Governo intervenha com todos os mecanismos ao seu alcance para travar os
despejos nas torres da Fidelidade Seguros em Santo António dos Cavaleiros,
garantindo o direito à habitação a estas mais de 150 famílias.
Pelo exposto, nos termos da alínea b) do artigo 156.º da Constituição e da alínea b)
do n.º 1 do artigo 4.º do Regimento, os Deputados do Grupo Parlamentar do PCP
propõem que a Assembleia da República adote a seguinte resolução:
Resolução
A Assembleia da República recomenda ao Governo que:
1- Desenvolva todas as diligências para assegurar a suspensão imediata da
ameaça de despejos nas torres da Fidelidade Seguros em Santo António dos
Cavaleiros (Loures) e em todos os concelhos com processos idênticos, e
garanta o direito à habitação a estas famílias;
2- Crie uma comissão de acompanhamento deste processo, com
representantes do Governo, das Autarquias e da Comissão de Moradores.
Assembleia da República, 27 de março de 2018
Os Deputados,
RITA RATO; MIGUEL TIAGO; ANA MESQUITA; PAULA SANTOS; JOÃO OLIVEIRA;
ANTÓNIO FILIPE, FRANCISCO LOPES; DIANA FERREIRA; JORGE MACHADO; JOÃO DIAS;
BRUNO DIAS; CARLA CRUZ; PAULO SÁ
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Publicação — DAR II série A — 27-28 — 28/03/2018
28 DE MARÇO DE 2018
Para além dos perigos para o ambiente e para a saúde humana e animal, colocam-se problemas comerciais
que poderão vir a ser suscitados caso venha a ser detetado cádmio em alguns produtos agrícolas portugueses,
acima de valores considerados aceitáveis e seguros.
Ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar do Bloco de
Esquerda propõe que a Assembleia da República recomende ao Governo:
1- Que no âmbito do processo legislativo europeu COM(2016) 157, que estabelece regras relativas à
disponibilização no mercado de produtos fertilizantes, defenda a redução significativa dos limites máximos de
cádmio presente nos fertilizantes agrícolas orgânicos-minerais e inorgânicos e o início de um processo faseado
para a sua abolição na UE;
2- Que tome medidas a nível nacional para a urgente redução significativa da presença de cádmio nos
fertilizantes agrícolas e, desse modo, reduzir os riscos de contaminação dos solos, massas de água e produtos
alimentares por efeito daquele metal pesado;
3- Que promova em grande escala a substituição dos fosfatos importados pela produção de adubos a partir
de matérias-primas orgânicas ou secundárias nacionais, transformando resíduos em nutrientes para a
agricultura.
Assembleia da República, 27 de março de 2018.
As Deputadas e os Deputados do Bloco de Esquerda: Pedro Soares — Pedro Filipe Soares — Jorge Costa
— Mariana Mortágua — Isabel Pires — José Moura Soeiro — Heitor de Sousa — Sandra Cunha — João
Vasconcelos — Maria Manuel Rola — Jorge Campos — Jorge Falcato Simões — Carlos Matias — Joana
Mortágua — José Manuel Pureza — Luís Monteiro — Moisés Ferreira — Paulino Ascenção — Catarina Martins.
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PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 1454/XIII (3.ª)
RECOMENDA AO GOVERNO QUE TOME DILIGÊNCIAS PARA ASSEGURAR A SUSPENSÃO
IMEDIATA DOS DESPEJOS NAS TORRES DA FIDELIDADE SEGUROS EM SANTO ANTÓNIO DOS
CAVALEIROS (LOURES) E A GARANTIA DO DIREITO À HABITAÇÃO
Mais de 150 famílias, cerca de 400 pessoas, estão sob ameaça de despejo das suas habitações em Santo
António dos Cavaleiros, concelho de Loures. Esta situação é da maior gravidade e exige intervenção imediata
do Governo para travar estes despejos e garantir o direito à habitação a estes moradores.
Aproveitando a Lei de Despejos da ex-Ministra Assunção Cristas, a Fidelidade Seguros, proprietária de três
torres de apartamentos e outras habitações, notificou já alguns moradores de que o seu contrato não irá ser
renovado, e que em 120 dias serão obrigados a entregar as chaves do imóvel.
Destas mais de 150 famílias, muitas residem há mais de 30 anos naquelas habitações; num dos prédios mais
de 70% das pessoas terão mais de 70 anos, muitos idosos acamados e com problemas de saúde.
Em 2014, concretizou-se a privatização da empresa Fidelidade Seguros e a consequente aquisição por parte
do Grupo Fosun de aproximadamente 84,99% do capital da Fidelidade, mantendo-se o Grupo Caixa Geral de
Depósitos como acionista de referência com 15%. No final do ano passado a Fidelidade Seguros anunciouo
objetivo de "reforçar a solidez" da empresa com a venda de 277 imóveis, localizados em várias partes do país.
Parece agora bem claro que, esse dito reforço é na verdade o despejo de mais de 150 famílias, e que a
responsabilidade social que destacam na sua página eletrónica não tem qualquer relação com a realidade.
Estas famílias estão muito apreensivas e preocupadas quanto ao futuro e querem manter-se nas suas
habitações. Os preços no mercado de arrendamento, fruto da combinação explosiva da lei dos despejos e da
especulação imobiliária, aumentaram de forma muito significativa o que torna impraticável encontrar uma casa
a preços suportáveis pelos seus rendimentos.
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Votação Deliberação — DAR I série — 37-37 — 14/04/2018
14 DE ABRIL DE 2018
da Escola Básica de Vallis Longus, em Valongo (PCP), e 1470/XIII (3.ª) — Pela urgente requalificação da Escola
Básica de Vallis Longus, em Valongo (PSD).
Pausa.
Não havendo objeções, vamos votá-los.
Submetidos à votação, foram aprovados, com votos a favor do PSD, do BE, do CDS-PP, do PCP, de Os
Verdes e do PAN e a abstenção do PS.
A Sr.ª Susana Amador (PS): — Sr. Presidente, permite-me o uso da palavra?
O Sr. Presidente: — Tem a palavra, Sr.ª Deputada.
A Sr.ª Susana Amador (PS): — Sr. Presidente, quero anunciar que o Grupo Parlamentar do Partido
Socialista também apresentará uma declaração de voto sobre a votação destes últimos projetos de resolução.
O Sr. Presidente: — Fica registado, Sr.ª Deputada.
Vamos, agora, votar o projeto de resolução n.º 1015/XIII (2.ª) — Reposição da praia fluvial em Sejães
(Oliveira de Frades), destruída pelo aproveitamento hidroelétrico Ribeiradio-Ermida (Os Verdes).
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PS, do BE, do CDS-PP, do PCP, de Os Verdes e
do PAN e votos contra do PSD.
Segue-se a votação do projeto de resolução n.º 1454/XIII (3.ª) — Recomenda ao Governo que tome
diligências para assegurar a suspensão imediata dos despejos nas torres da Fidelidade Seguros, em Santo
António dos Cavaleiros (Loures), e a garantia do direito à habitação (PCP) (o texto inicial foi substituído a pedido
do autor).
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PS, do BE, do PCP, de Os Verdes e do PAN e
votos contra do PSD e do CDS-PP.
Vamos, agora, votar o projeto de resolução n.º 1183/XIII (3.ª) — Disponibilização pelo Centro Nacional de
Pensões de recibo discriminado da pensão com indicação dos valores que a compõem, em data anterior à do
recebimento (BE), cujo texto inicial foi substituído a pedido do autor.
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.
Segue-se a votação do projeto de resolução n.º 1404/XIII (3.ª) — Recomenda ao Governo que seja prestada
informação detalhada aos reformados e pensionistas sobre os valores das suas pensões e reformas (PCP).
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.
Srs. Deputados, vamos, agora, votar, na generalidade, o texto de substituição, apresentado pela Comissão
de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, relativo à proposta de lei n.º 75/XIII (2.ª) —
Estabelece o direito à autodeterminação da identidade de género e expressão de género e o direito à proteção
das características sexuais de cada pessoa e aos projetos de lei n.os 242/XIII (1.ª) — Reconhece o direito à
autodeterminação de género (BE) e 317/XIII (2.ª) — Assegura o direito à autodeterminação de género (PAN),
tendo os autores retirado as suas iniciativas a favor do referido texto.
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PS, do BE, do PCP, de Os Verdes, do PAN e da
Deputada do PSD Teresa Leal Coelho e votos contra do PSD e do CDS-PP.
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