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Grupo Parlamentar
PROJETO DE RESOLUÇÃO Nº 1371/XIII/3ª
RECOMENDA AO GOVERNO A CONSTRUÇÃO DE UMA ESTAÇÃO DE
TRATAMENTO DE EFLUENTES SUINÍCOLAS (ETES) DE GESTÃO
PÚBLICA EM LEIRIA
A bacia hidrográfica do Lis localiza-se na região centro de Portugal, nos concelhos de
Leiria, Pombal, Ourém, Batalha, Marinha Grande e Porto de Mós, tendo uma área total de
1.125km2. Com a exceção do concelho de Ourém, que pertence ao distrito de Santarém,
todos os restantes pertencem ao distrito de Leiria.
O Rio Lis nasce junto à povoação de Fontes, a sul da freguesia de Cortes, no concelho de
Leiria. O seu percurso, com uma dimensão aproximada de 40km, é feito essencialmente
no sentido Sul-Norte, terminando na Praia da Vieira, na Marinha Grande. A rede
hidrográfica do Lis tem vários afluentes, tendo como principais: Rio de Fora, Ribeira dos
Milagres, Ribeira da Caranguejeira ou do Sirol, Ribeira da Carreira, Rio Lena e Rio
Alcaide. Quanto ao uso do solo, mais de 80% da sua área é de uso agrícola e florestal,
com destaque para o pinheiro bravo, a vinha e o olival.
A atividade pecuária está fortemente presente, exercendo elevada pressão devido a uma
enorme carga poluente com os efluentes produzidos e sistematicamente ilegalmente
descarregados para as linhas de água. Trata-se de fezes, urina, restos de alimentação
animal, resíduos resultantes de lavagem e limpeza de infraestruturas e, por vezes, até
animais mortos.
Nos concelhos abrangidos pela bacia hidrográfica do Lis, em 2007, somavam-se 8.858
suiniculturas, com um efetivo animal de 256.228 cabeças (fonte: ENEAPEI, 2007).
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Salienta-se que 63% da produção de suínos localizava-se no concelho de Leiria, com
destaque para as freguesias de Milagres, Marrazes, Boavista, Bidoeira de Cima e
Colmeias. Sabe-se que a produção de suínos e respetivos efluentes aumentou nestes
concelhos. Ao nível da Região Centro, segundo o INE, entre 2007 e 2015, o número de
efetivos aumentou de 921 mil para 930 mil.
Estima-se que nos concelhos da Batalha, Porto de Mós e Leiria sejam produzidos 2.500
metros cúbicos diários de efluentes suinícolas, no entanto não existem na região
estações de tratamento capazes de receber tal quantidade de resíduos. A ETAR Norte,
localizada em Leiria, foi adaptada para tratar efluentes suinícolas, num projeto que
previa o tratamento de 700 m3, mas revelou ter um máximo de tratamento diário de
270 m3 e atualmente trata diariamente pouco mais de 50 m3.
Há várias décadas que o concelho de Leiria é fustigado pelas descargas ilegais deste
sector económico, apesar das várias ações de denúncia e queixas apresentadas por
diversas organizações e cidadãos, não se tendo notado qualquer efeito resultante das
entidades fiscalizadoras até ao momento, mantendo-se a impunidade dos infratores.
A atual contaminação de recursos hídricos representa um problema ambiental grave,
mas também do ponto de vista da saúde pública e do bem-estar das populações. Há um
conjunto de atividades territoriais e económicas, como o turismo, a pesca e os desportos
aquáticos, que saem também prejudicadas com esta situação. O Rio Lis poderia ter
praias fluviais disponíveis para usufruto da população dos concelhos ribeirinhos e não
tem porque não são possíveis; podia permitir a realização de atividades de pesca,
incluindo desportiva, como acontecia no passado, e não tem porque o peixe
desapareceu; podia ser um espelho de água disponível para a prática desportiva e não é
porque ninguém aguenta os cheiros nauseabundos que percorrem o Rio Lis e mergulhar
nas suas águas é um risco para a saúde pública.
Já se perderam várias oportunidades para a construção de Estações de Tratamento de
Efluentes Suinícolas na região, como foi exemplo os recentes 9,1 milhões de euros de
fundos públicos que estavam adjudicados a uma obra que não se concretizou por
incompetência da entidade concessionária (a Recilis / Valor Agudo) e por um processo
nebuloso, arrastado ao longo de anos e muito pouco transparente de financiamentos
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públicos, sobre os quais nunca foi apurado o seu uso efetivo nem onde é que foram parar
esses dinheiros.
O processo de construção está nas mãos da RECILIS há dois anos e não avança porque,
ao que parece, os suinicultores, além de quererem fazer negócio com a gestão privada da
ETES (nomeadamente, com o biogás que será produzido), não querem pagar para que a
estação faça o tratamento dos resíduos que eles próprios produzem.
Informações recolhidas por este Grupo Parlamentar junto da Autoridade de Gestão do
PDR2020 confirmam a notícia segundo a qual o montante de 9,1 M€ de Fundos
Comunitários, destinado à construção da ETES de Leiria, foi cancelado e o “ contrato de
construção/gestão da ETES com as várias entidades que estavam comprometidas com o
projeto foi rescindido, desde o passado dia 30 de novembro”.
Nestes termos, afigura-se indispensável que o Estado e as câmaras municipais
clarifiquem no imediato a situação pelo que o Governo deve comunicar formalmente a
rescisão do contrato de concessão/construção da ETES junto da Recilis/Valor Agudo.
Em nome do defesa do interesse e da saúde públicas, e para pôr termo ao jogo de
sombras que a Câmara Municipal de Leiria e a Recilis têm andado a fazer ao longo de
várias décadas, o Bloco de Esquerda considera que este problema só encontrará
resolução satisfatória se for o Estado a assumir a responsabilidade pelo projeto de
construção e gestão públicas da futura ETES, garantindo a existência de estruturas de
tratamento eficazes e a entrega dos efluentes produzidos pelos suinicultores, através de
medidas de fiscalização e, se for caso disso, de penalização em caso de incumprimento
da legislação ambiental em vigor.
Desta forma, será expectável que, no médio prazo, os graves desequilíbrios ecológicos
que hoje em dia se verificam na bacia hidrográfica do Rio Lis possam começar a ser
revertidos e que um novo modelo de produção suinícola respeitador do ambiente e da
lei possa tornar-se a regra na região e não a exceção.
Por isso, independentemente de um eventual apuramento de responsabilidades em todo
esse processo nebuloso da construção falhada da ETES, que no entendimento deste
Grupo Parlamentar continua a ser indispensável, o Bloco de Esquerda submete à
apreciação da Assembleia da República o presente Projeto de Resolução para que seja o
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Estado, em conjunto com as autarquias da região, designadamente a Câmara de Leiria, a
assumir o projeto da construção e gestão pública da ETES de Leiria, com a capacidade
necessária para tratar os resíduos das várias centenas de suiniculturas existentes na
região, designadamente as localizadas no concelho de Leiria, onde a esmagadora maioria
não cumpre a legislação ambiental em vigor.
Ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar
do Bloco de Esquerda propõe que a Assembleia da República recomende ao Governo:
1. Que tome as medidas necessárias para que a construção e gestão de uma
Estação de Tratamento de Efluentes Suinícolas em Leiria venha a ser assegurada
por financiamentos públicos, incluindo Fundos Comunitários em conjunto com
dinheiros públicos nacionais, num regime de parceria pública-pública que inclua
a empresa pública Águas de Portugal e das autarquias, cujo projeto deve ficar
definido no segundo semestre de 2018;
2. Que esse projeto de ETES tenha uma dimensão adequada para tratar a
totalidade dos efluentes suinícolas que atualmente poluem e Rio Lis e a sua bacia
hidrográfica;
3. Que sejam desenvolvidos no terreno todos os esforços necessários para
garantir uma forte fiscalização da atividade suinícola da região, de forma a que os
resíduos produzidos sejam efetivamente tratados;
4. Que seja aprovado, no prazo de um ano, um plano de despoluição do rio e
bacia hidrográfica do Lis, de forma a maximizar os serviços de ecossistema que
este recurso pode prestar, nomeadamente no que diz respeito à preservação de
biodiversidade, abastecimento hídrico de qualidade e suporte a atividades
lúdicas.
Assembleia da República, 2 de março de 2018.
As Deputadas e os Deputados do Bloco de Esquerda,
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Votação Deliberação — DAR I série — 07/04/2018
Sábado, 7 de abril de 2018 I Série — Número 69
XIII LEGISLATURA 3.ª SESSÃO LEGISLATIVA (2017-2018)
REUNIÃOPLENÁRIADE6DEABRILDE 2018
Presidente: Ex.mo Sr. Eduardo Luís Barreto Ferro Rodrigues
Secretários: Ex.mos Srs. Duarte Rogério Matos Ventura Pacheco Idália Maria Marques Salvador Serrão António Carlos Bivar Branco de Penha Monteiro Sandra Maria Pereira Pontedeira
S U M Á R I O
O Presidente declarou aberta a sessão às 10 horas e 7
minutos. Ao abrigo do artigo 72.º do Regimento, procedeu-se a um
debate de atualidade, requerido pelo CDS-PP, sobre problemas na área da cultura, tendo usado da palavra, além da Deputada Teresa Caeiro (CDS-PP), que abriu o debate, e do Ministro da Cultura (Luís Filipe de Castro Mendes), os Deputados Ana Mesquita (PCP), Margarida Mano (PSD), Jorge Campos (BE), Pedro Delgado Alves (PS), Heloísa Apolónia (Os Verdes), José Carlos Barros (PSD), Mariana Mortágua (BE) e, a encerrar o debate, Vânia Dias da Silva (CDS-PP).
Procedeu-se à discussão, na generalidade, da proposta de lei n.º 111/XIII (3.ª) — Autoriza o Governo a aprovar um regime fiscal e contributivo mais favorável para a atividade de
transporte marítimo e um regime especial de determinação de matéria coletável com base na tonelagem de navios, que, a requerimento apresentado pelo PS, baixou à Comissão de Agricultura e Mar, sem votação, por um período de 30 dias. Proferiram intervenções, além da Ministra do Mar (Ana Paula Vitorino), os Deputados Bruno Dias (PCP), Hélder Amaral (CDS-PP), Paulino Ascenção (BE), João Azevedo Castro (PS) e Cristóvão Norte (PSD).
Foi apreciada, na generalidade, a proposta de lei n.º 112/XIII (3.ª) — Define a missão e as atribuições da Comissão Nacional de Apoio às Vítimas de Crimes, que, a requerimento apresentado pelo PS, baixou à Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, sem votação, por um período de 60 dias. Intervieram, além da Secretária de Estado Adjunta e da Justiça (Helena Mesquita
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