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PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 1334/XIII/3.ª
Recomenda ao Governo a criação de uma plataforma de valorização do agroalimentar
português
Portugal é um país com uma grande riqueza gastronómica, constituída por vários produtos
endógenos que são, em muitos casos, verdadeiros ex-libris das regiões de origem,
contribuindo para o seu desenvolvimento económico, social e cultural.
As gastronomias locais traduzem um conjunto de legados históricos que permitem, por si só,
a distinção e identificação dos territórios, e despertam interesse e entusiasmo nos
consumidores e nos agentes de desenvolvimento, com muitos e bons exemplos de
municípios que fazem um excelente trabalho na valorização e divulgação dos produtos
locais.
Vários especialistas defendem que não existe gastronomia sem produção agrícola e sem
ligação ao território. Efetivamente, se é verdade que no caso da agricultura o sabor começa
no solo, então os agricultores deverão considerar a gastronomia não só como um fator de
valorização da sua produção, mas também como o veículo de promoção das especificidades
locais e regionais de origem.
A Dieta Mediterrânica, inscrita na Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da
Humanidade desde 2013, é disto exemplo, através do seu conjunto de saber-fazer,
conhecimentos, rituais, símbolos e tradições sobre técnicas agrícolas, pesca, criação de gado,
conservação, processamento, preparação e, especialmente, partilha e consumo de
alimentos. A Dieta Mediterrânica enfatiza valores da hospitalidade, vizinhança, diálogo
intercultural e criatividade, desempenhando um papel vital em espaços culturais, festivais e
celebrações, reunindo pessoas de todas as idades, condições e classes sociais.
Mas a vasta possibilidade de reinventar as práticas alimentares, mesmo as mais tradicionais,
como a Dieta Mediterrânica, pode significar um motor de valorização e diversificação das
produções agrícolas, contribuindo para a melhoria da sua qualidade e, simultaneamente,
para a fixação das populações e o não abandono dos campos.
É, por isso, na ligação ao território que se esconde o segredo da diferenciação de sabores,
texturas e cheiros que determinam uma gastronomia de excelência. E é também ali que
encontra fundamento a redescoberta de complementaridades entre produtores,
alimentação e cultura, e a materialização da oferta ao consumidor final de produtos
genuínos dos sistemas agrícolas.
Embora haja casos em que as ligações com os produtores surgiram com naturalidade, outros
há em que essa ligação é mais difícil, como é o exemplo de pequenos produtores, mas que
produzem verdadeiras «pérolas», de grande qualidade.
Esta questão tem sido abordada em várias vertentes, e por vários agentes e instituições. A
Comissão Europeia apresentou mesmo algumas propostas, entre as quais a criação de uma
plataforma comum para estes produtores, que lhes dê a possibilidade de disponibilizar mais
facilmente os seus produtos, assim como a implementação de uma logística de distribuição
que não esmague as suas margens, ou ainda a promoção de visitas mútuas entre
produtores, investigadores e chefs, para estabelecerem pontes e conhecerem melhor as
respetivas realidades, de modo a conciliar e ultrapassar disparidades entre oferta e procura.
E, nesta lógica, é também fundamental continuar a promover a educação com vista à
tomada de consciência da problemática alimentar, naturalmente enquadrada nos problemas
ambientais, globais e locais. Educação essa que crie, cada vez mais, uma responsabilização
individual face ao consumo alimentar, e conduza a uma mudança de atitudes.
As alterações climáticas, cada vez mais presentes e frequentes, são uma realidade com que
todos nos defrontamos e afastam aquele que, até há poucos anos, podia ser considerado um
padrão “normal” das quatro estações, dificultando a escolha de culturas e variedades, e
criando dificuldades acrescidas na análise, prevenção e mitigação de eventuais riscos
associados aos fenómenos climáticos.
A agricultura é um dos sectores que contribui para as alterações climáticas, mas que,
simultaneamente é também mais afetado, quer pelo aumento de pragas e doenças, quer
pela falta de água para regadio, que podem provocar perdas elevadas de produção e do
rendimento dos agricultores.
Por este motivo, a investigação agrária é de extrema importância, sendo de salientar, nesta
área, o trabalho que tem sido desenvolvido pelo Instituto Nacional de Investigação Agrária e
Veterinária no melhoramento e desenvolvimento de variedades mais adaptadas às
especificidades territoriais, mais produtivas e mais eficientes na utilização da água.
Mas apesar de todo o trabalho já realizado, há ainda uma lacuna ao nível da disponibilização
da informação, que é muita, muito dispersa e, por isso, de difícil acesso.
Uma melhor articulação e disponibilização acessível da informação e dos resultados de
investigação no agroalimentar ajudaria, desde logo, a que agricultores e produtores
pudessem fazer opções que fossem de encontro aquilo que quer a indústria quer os
consumidores finais preferem, melhorando e desenvolvendo produtos endógenos,
conciliando oferta e procura, e potenciando assim a atividade agrícola, tão importante para
o interior do país.
Cabendo-nos preservar todos estes valores e transmiti-los às gerações vindouras como uma
visão de conjunto – a ideia de que aquilo que comemos começa muito antes de chegar à
cozinha –, torna-se necessária uma maior coordenação e união de esforços, esbatendo as
fronteiras entre agricultor e consumidor.
Enquanto políticos, temos um papel a desempenhar na mobilização de todos os setores da
sociedade nesse sentido.
Neste contexto, o Grupo Parlamentar do CDS-PP, ao abrigo das disposições constitucionais
e regimentais aplicáveis, recomenda ao Governo:
- que crie uma plataforma de coordenação da cadeia alimentar, da investigação ao
agricultor, passando pela indústria e chegando ao consumidor, para que o acesso à
informação relevante de todo o processo contribua para uma melhor tomada de
decisão;
- que crie uma plataforma comum para produtores, grandes, médios e pequenos, por
forma a que todos possam ter possibilidade de disponibilizar os seus produtos, bem
como estabelecer pontes e conhecer melhor as respetivas realidades, conciliando e
ultrapassando disparidades entre oferta e procura;
- que continue a promover a educação com vista à tomada de consciência da
problemática alimentar.
Palácio de São Bento, 16 de fevereiro de 2018
Os Deputados,
PATRÍCIA FONSECA
NUNO MAGALHÃES
TELMO CORREIA
HÉLDER AMARAL
CECÍLIA MEIRELES
ÁLVARO CASTELLO-BRANCO
ANA RITA BESSA
ANTÓNIO CARLOS MONTEIRO
ASSUNÇÃO CRISTAS
FILIPE ANACORETA CORREIA
FILIPE LOBO D’ÁVILA
ILDA ARAÚJO NOVO
ISABEL GALRIÇA NETO
JOÃO PINHO DE ALMEIDA
JOÃO REBELO
PEDRO MOTA SOARES
TERESA CAEIRO
VÂNIA DIAS DA SILVA
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Publicação — DAR II série A — 37-38 — 16/02/2018
16 DE FEVEREIRO DE 2018
Assim, a Assembleia da República, nos termos do n.º 5 do artigo 166.º da Constituição, por intermédio
do presente projeto de resolução, recomenda ao Governo que: Recomenda ao Governo que proceda à
célere elaboração e implementação de um novo Plano Nacional de Prevenção e Combate ao Tráfico de Seres
Humanos.
Palácio de São Bento, 15 de fevereiro de 2018.
O Deputado do PAN, André Silva.
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PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 1334/XIII (3.ª)
RECOMENDA AO GOVERNO A CRIAÇÃO DE UMA PLATAFORMA DE VALORIZAÇÃO DO
AGROALIMENTAR PORTUGUÊS
Portugal é um país com uma grande riqueza gastronómica, constituída por vários produtos endógenos que
são, em muitos casos, verdadeiros ex-libris das regiões de origem, contribuindo para o seu desenvolvimento
económico, social e cultural.
As gastronomias locais traduzem um conjunto de legados históricos que permitem, por si só, a distinção e
identificação dos territórios, e despertam interesse e entusiasmo nos consumidores e nos agentes de
desenvolvimento, com muitos e bons exemplos de municípios que fazem um excelente trabalho na valorização
e divulgação dos produtos locais.
Vários especialistas defendem que não existe gastronomia sem produção agrícola e sem ligação ao território.
Efetivamente, se é verdade que no caso da agricultura o sabor começa no solo, então os agricultores deverão
considerar a gastronomia não só como um fator de valorização da sua produção, mas também como o veículo
de promoção das especificidades locais e regionais de origem.
A Dieta Mediterrânica, inscrita na Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade desde
2013, é disto exemplo, através do seu conjunto de saber-fazer, conhecimentos, rituais, símbolos e tradições
sobre técnicas agrícolas, pesca, criação de gado, conservação, processamento, preparação e, especialmente,
partilha e consumo de alimentos. A Dieta Mediterrânica enfatiza valores da hospitalidade, vizinhança, diálogo
intercultural e criatividade, desempenhando um papel vital em espaços culturais, festivais e celebrações,
reunindo pessoas de todas as idades, condições e classes sociais.
Mas a vasta possibilidade de reinventar as práticas alimentares, mesmo as mais tradicionais, como a Dieta
Mediterrânica, pode significar um motor de valorização e diversificação das produções agrícolas, contribuindo
para a melhoria da sua qualidade e, simultaneamente, para a fixação das populações e o não abandono dos
campos.
É, por isso, na ligação ao território que se esconde o segredo da diferenciação de sabores, texturas e cheiros
que determinam uma gastronomia de excelência. E é também ali que encontra fundamento a redescoberta de
complementaridades entre produtores, alimentação e cultura, e a materialização da oferta ao consumidor final
de produtos genuínos dos sistemas agrícolas.
Embora haja casos em que as ligações com os produtores surgiram com naturalidade, outros há em que
essa ligação é mais difícil, como é o exemplo de pequenos produtores, mas que produzem verdadeiras
«pérolas», de grande qualidade.
Esta questão tem sido abordada em várias vertentes, e por vários agentes e instituições. A Comissão
Europeia apresentou mesmo algumas propostas, entre as quais a criação de uma plataforma comum para estes
produtores, que lhes dê a possibilidade de disponibilizar mais facilmente os seus produtos, assim como a
implementação de uma logística de distribuição que não esmague as suas margens, ou ainda a promoção de
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Apreciação — DAR I série — 22-28 — 23/02/2018
I SÉRIE — NÚMERO 51
desvantagem competitiva para os intermediários financeiros portugueses e protegendo ao mesmo tempo os
clientes.
Foi esse o equilíbrio que tentámos atingir, é esse o equilíbrio que trazemos e é para esse equilíbrio que
estamos dispostos a discutir e a prestar toda a informação aos Srs. Deputados e a esta Casa.
Aplausos do PS.
A Sr.ª Presidente (Teresa Caeiro): — Concluída a discussão da proposta de lei n.º 109/XIII (3.ª), despedimo-
nos do Sr. Secretário de Estado Adjunto e das Finanças.
Prosseguimos, pois, para o terceiro ponto da nossa ordem do dia, que consta da discussão dos projetos de
resolução n.os 1212/XIII (3.ª) — Recomenda ao Governo que promova um comité científico agroalimentar (PSD),
1334/XIII (3.ª) — Recomenda ao Governo a criação de uma plataforma de valorização do agroalimentar
português (CDS-PP), 1337/XIII (3.ª) — Recomenda ao Governo que tome medidas de reforço da investigação,
experimentação, apoio, acompanhamento e aconselhamento agrícola (PCP) e 1341/XIII (3.ª) — Recomenda ao
Governo que crie um comité científico eco-agroalimentar (PAN).
Para apresentar o projeto de resolução do PSD, tem a palavra o Sr. Deputado António Ventura.
O Sr. António Ventura (PSD): — Sr.ª Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: Consideramos útil e desejado que
se crie em Portugal um comité científico de suporte à alimentação humana para valorização e reconhecimento
dos produtos agroalimentares, um comité que suporte e que valide a informação de forma muito credível,
retirando muitas dúvidas e especulações sobre muitos agroalimentos.
Atualmente, existe muita difamação pública, alguma de forma propositada, sobre determinados alimentos,
entre os quais se destaca o leite.
Torna-se, assim, fundamental estabelecer um consenso a nível académico — dos médicos, dos
nutricionistas, entre outros —, de modo a confirmar o leite e outros agroalimentos como bens alimentares
indispensáveis à saúde humana.
Entendemos ser necessário recuperar a confiança de muitos consumidores, desfazendo mitos e mentiras.
Protestos do PS.
Interessa, sobretudo, valorizar os agroalimentos como padrão alimentar nutritivo na comprovada segurança
alimentar, na sustentabilidade dos recursos endógenos, no respeito pelos padrões ambientais e de relevância
para a economia portuguesa.
Importa, com este comité, vincar também uma atitude de diferenciação sobre os produtos tradicionais, alguns
deles com uma identificação comunitária, seja DOP (Denominação de Origem Protegida), IGP (Indicação
Geográfica Protegida) ou ETG (Especialidade Tradicional Garantida).
Esta é uma iniciativa que permite marcar a produção agrícola como uma das prioridades da decisão política
em Portugal, contribuindo para combater o drama do despovoamento e do envelhecimento, que afeta muitos
territórios.
De entre os vários benefícios, o comité científico irá cooperar para uma vantagem competitiva nas
exportações dos agroalimentos.
É, pois, por tudo isto que propomos que seja criado um comité científico no âmbito dos agroalimentos, a bem
de Portugal.
Aplausos do PSD.
A Sr.ª Presidente (Teresa Caeiro): — Para apresentar o projeto de resolução do CDS-PP, tem a palavra a
Sr.ª Deputada Patrícia Fonseca.
A Sr.ª Patrícia Fonseca (CDS-PP): — Sr.ª Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: O CDS apresenta hoje um
projeto que recomenda ao Governo a criação de uma plataforma de valorização do setor agroalimentar
português.
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Votação Deliberação — DAR I série — 57-57 — 23/02/2018
23 DE FEVEREIRO DE 2018
O Sr. José Carlos Barros (PSD): — Sr. Presidente, é para anunciar que apresentarei, a título individual,
uma declaração de voto.
O Sr. Presidente: — Fica registado, Sr. Deputado.
O Sr. Tiago Barbosa Ribeiro (PS): — Sr. Presidente, peço a palavra para anunciar que apresentarei uma
declaração de voto individual.
O Sr. Pedro Delgado Alves (PS): — Peço a palavra, Sr. Presidente.
O Sr. Presidente: — Faça favor, Sr. Deputado.
O Sr. Pedro Delgado Alves (PS): — Sr. Presidente, é para o mesmo efeito. O Grupo Parlamentar do Partido
Socialista apresentará uma declaração de voto.
O Sr. Presidente: — Fica registado, Srs. Deputados Tiago Barbosa Ribeiro e Pedro Delgado Alves.
Vamos prosseguir com a votação da proposta de lei n.º 109/XIII (3.ª) — Procede à alteração das regras de
comercialização de produtos financeiros e de organização dos intermediários financeiros e transpõe as Diretivas
2014/65/UE e (UE) 2016/1034, do Parlamento Europeu e do Conselho, e Diretiva Delegada (UE) 2017/593, da
Comissão.
Submetida à votação, foi aprovada, com votos a favor do PSD e do PS, votos contra do PCP e de Os Verdes
e abstenções do BE, do CDS-PP e do PAN.
A proposta de lei baixa à 5.ª Comissão.
O Sr. Ascenso Simões (PS): — Sr. Presidente, peço a palavra.
O Sr. Presidente: — Faça favor, Sr. Deputado.
O Sr. Ascenso Simões (PS): — Sr. Presidente, é para indicar que apresentarei uma declaração de voto
sobre esta matéria.
O Sr. Presidente: — Fica registado, Sr. Deputado.
Vamos passar à votação do projeto de resolução n.º 1212/XIII (3.ª) — Recomenda ao Governo que promova
um comité científico agroalimentar (PSD).
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PSD e do CDS-PP, votos contra do PS, do PCP,
de Os Verdes e do PAN e a abstenção do BE.
Vamos votar o projeto de resolução n.º 1334/XIII (3.ª) — Recomenda ao Governo a criação de uma
plataforma de valorização do agroalimentar português (CDS-PP).
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PSD, do CDS-PP e do PAN, votos contra do PS,
do PCP e de Os Verdes e a abstenção do BE.
Passamos, de seguida, à votação do projeto de resolução n.º 1337/XIII (3.ª) — Recomenda ao Governo que
tome medidas de reforço da investigação, experimentação, apoio, acompanhamento e aconselhamento agrícola
(PCP).
O CDS-PP pediu para que fosse votado de forma desagregada.
Assim, vamos votar, em primeiro lugar, o ponto 3.
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