Projeto de Resolução n.º 1285/XIII/3.ª
Pela preservação e classificação das Zonas Húmidas do Algarve
As denominadas zonas húmidas são “áreas de sapal, paul, turfeira ou água”, existente em zonas
costeiras e ribeirinhas, com plantas aquáticas e solos encharcados. Ao receberem as águas das
chuvas, de reservatórios subterrâneos e de rios e ribeiras controlam inundações e a erosão através
da vegetação, purificando a água que, em muitos casos, alimentam reservatórios naturais
subterrâneos de água doce que o Homem utiliza.
Com estas caraterísticas assumem-se como locais de abrigo e alimento para aves migratórias e
outras espécies, em período de reprodução, constituindo-se como locais fundamentais para o
equilíbrio dos ecossistemas.
Durante décadas, por incúria e desconhecimento, apesar da sua importância ecológica, estética e
cultural, as zonas húmidas foram encaradas como territórios marginais que deveriam ser
transformados em terra seca.
O Algarve possui um conjunto de zonas húmidas costeiras de diversas origens e fisionomias, com
relevante riqueza e importância ecológica. Também aqui estes territórios foram assumidos como
espaços insalubres que deveriam ser transformadas para finalidades agrícolas e urbanas. A pressão
urbanística e económica tem prevalecido em detrimento do equilíbrio ambiental e dos ecossistemas,
esquecendo-se muitas vezes, o valor turístico que estas zonas consubstanciam para os amantes da
natureza e para a afirmação turística de um território que não pode, nem deve, depender
exclusivamente da oferta balnear. Aliás, são os destinos que possuem uma oferta diversificada em
termos de produtos turísticos (sol e mar, turismo natureza, turismo de eventos, turismo cultural)
que asseguram o seu período de vida nos competitivos mercados turísticos e que permitem um
combate à sazonalidade.
No sotavento algarvio o sistema estuarino-lagunar da Ria Formosa marca uma paisagem de valor
incalculável através das suas lagunas, ilhas barreira, dunas, sapais até à foz do Rio Guadiana
enquanto a barlavento a paisagem é marcada pela Ria de Alvor e o estuário do Rio Arade que
formam uma vasta área de vida e de diversidade em termos de avifauna e flora.
Porém, é na diversidade, entre diversos habitats que se gera uma riqueza biológica relevante para a
fauna que acede a estes ecossistemas aquáticos. Nesse sentido e sobre este território, as zonas
húmidas do Paul de Lagos (concelho de Lagos), da Lagoa dos Salgados (concelho de Silves e de
Albufeira), e do Trafal e da Foz do Almargem, em Quarteira (concelho de Loulé) constituem-se como
espaços de transição entre o meio terrestre e marinho, onde as águas doces e salgadas se
combinam, assumindo-se como ambientes de relevante importância biológica e ecológica,
desempenhando, simultaneamente, um papel basilar no equilíbrio dos ecossistemas contíguos.
Importa recordar que no âmbito da Convenção de Ramsar, enquanto tratado entre países de todo o
mundo para a proteção das zonas húmidas, Portugal já identificou 31 locais que se encontravam em
risco face à atividade humana.
O conhecimento adquirido sobre estes ambientes, a legislação existente, o esforço crescente de
sensibilização por parte da comunidade científica e o desejo de preservação manifestado por
autarcas mais informados e motivados para a preservação destas áreas, assim como o papel cada
vez mais ativo dos cidadãos e dos movimentos não governamentais para a proteção do ambiente
tem contribuído para a sobrevivência das mesmas e para um cada vez maior consciencialização da
importância destes zonas húmidas para a sustentabilidade das próprias comunidades.
Conscientes do reforço das competências das autarquias locais, bem como das suas estruturas
associativas e das entidades intermunicipais, numa lógica de descentralização e subsidiariedade,
acreditamos que caberá cada vez mais às autarquias a construção de respostas para os desafios em
torno da gestão das áreas protegidas face à proximidade, ao conhecimento e à eficiência que estas
preconizam nos respetivos territórios, envolvendo desejavelmente a comunidade cientifica e as
associações e os movimentos de expressão cívica em torno das matérias da proteção e valorização
do meio-ambiente.
Em nome do interesse público, em estreita articulação com a Agência Portuguesa do Ambiente e do
Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, mas concedendo respostas ágeis e adequadas,
os municípios do Algarve que possuem zonas húmidas estão em condições de proceder à
identificação, classificação e proteção destes ecossistemas, com o desenvolvimento de parcerias e
ações concertadas.
Ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar do Partido
Socialista propõe que a Assembleia da República recomende ao Governo que:
1. Articule com a Associação de Municípios do Algarve, AMAL, e particularmente com os municípios
de Lagos, Silves, Albufeira e Loulé um plano de ação concertado que vise a identificação,
classificação e desenvolvimento de um projeto de gestão das zonas húmidas do Paul de Lagos
(Lagos), da Lagoa dos Salgados (Silves e Albufeira), e do Trafal e Foz do Almargem (Loulé), que
permita a sua respetiva classificação legal e a sua proteção ecológica adequada.
2. Disponibilize meios e apoie as associações cívicas e as organizações não governamentais na área
do ambiente para o seu envolvimento e contributo cientifico na caraterização da avifauna aquática e
do estudo da flora destas zonas húmidas.
Palácio de São Bento, 25 de janeiro de 2018.
As Deputadas e os Deputados do Partido Socialista,
Luís Graça
António Eusébio
Fernando Anastácio
Ana Passos
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Publicação — DAR II série A — 65-66 — 26/01/2018
26 DE JANEIRO DE 2018
PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 1285/XIII (3.ª)
PELA PRESERVAÇÃO E CLASSIFICAÇÃO DAS ZONAS HÚMIDAS DO ALGARVE
As denominadas zonas húmidas são “áreas de sapal, paul, turfeira ou água”, existente em zonas costeiras e
ribeirinhas, com plantas aquáticas e solos encharcados. Ao receberem as águas das chuvas, de reservatórios
subterrâneos e de rios e ribeiras controlam inundações e a erosão através da vegetação, purificando a água
que, em muitos casos, alimentam reservatórios naturais subterrâneos de água doce que o Homem utiliza.
Com estas caraterísticas assumem-se como locais de abrigo e alimento para aves migratórias e outras
espécies, em período de reprodução, constituindo-se como locais fundamentais para o equilíbrio dos
ecossistemas.
Durante décadas, por incúria e desconhecimento, apesar da sua importância ecológica, estética e cultural,
as zonas húmidas foram encaradas como territórios marginais que deveriam ser transformados em terra seca.
O Algarve possui um conjunto de zonas húmidas costeiras de diversas origens e fisionomias, com relevante
riqueza e importância ecológica. Também aqui estes territórios foram assumidos como espaços insalubres que
deveriam ser transformadas para finalidades agrícolas e urbanas. A pressão urbanística e económica tem
prevalecido em detrimento do equilíbrio ambiental e dos ecossistemas, esquecendo-se muitas vezes, o valor
turístico que estas zonas consubstanciam para os amantes da natureza e para a afirmação turística de um
território que não pode, nem deve, depender exclusivamente da oferta balnear. Aliás, são os destinos que
possuem uma oferta diversificada em termos de produtos turísticos (sol e mar, turismo natureza, turismo de
eventos, turismo cultural) que asseguram o seu período de vida nos competitivos mercados turísticos e que
permitem um combate à sazonalidade.
No sotavento algarvio o sistema estuarino-lagunar da Ria Formosa marca uma paisagem de valor incalculável
através das suas lagunas, ilhas barreira, dunas, sapais até à foz do Rio Guadiana enquanto a barlavento a
paisagem é marcada pela Ria de Alvor e o estuário do Rio Arade que formam uma vasta área de vida e de
diversidade em termos de avifauna e flora.
Porém, é na diversidade, entre diversos habitats que se gera uma riqueza biológica relevante para a fauna
que acede a estes ecossistemas aquáticos. Nesse sentido e sobre este território, as zonas húmidas do Paul de
Lagos (concelho de Lagos), da Lagoa dos Salgados (concelho de Silves e de Albufeira), e do Trafal e da Foz do
Almargem, em Quarteira (concelho de Loulé) constituem-se como espaços de transição entre o meio terrestre
e marinho, onde as águas doces e salgadas se combinam, assumindo-se como ambientes de relevante
importância biológica e ecológica, desempenhando, simultaneamente, um papel basilar no equilíbrio dos
ecossistemas contíguos.
Importa recordar que no âmbito da Convenção de Ramsar, enquanto tratado entre países de todo o mundo
para a proteção das zonas húmidas, Portugal já identificou 31 locais que se encontravam em risco face à
atividade humana.
O conhecimento adquirido sobre estes ambientes, a legislação existente, o esforço crescente de
sensibilização por parte da comunidade científica e o desejo de preservação manifestado por autarcas mais
informados e motivados para a preservação destas áreas, assim como o papel cada vez mais ativo dos cidadãos
e dos movimentos não governamentais para a proteção do ambiente tem contribuído para a sobrevivência das
mesmas e para um cada vez maior consciencialização da importância destes zonas húmidas para a
sustentabilidade das próprias comunidades.
Conscientes do reforço das competências das autarquias locais, bem como das suas estruturas associativas
e das entidades intermunicipais, numa lógica de descentralização e subsidiariedade, acreditamos que caberá
cada vez mais às autarquias a construção de respostas para os desafios em torno da gestão das áreas
protegidas face à proximidade, ao conhecimento e à eficiência que estas preconizam nos respetivos territórios,
envolvendo desejavelmente a comunidade cientifica e as associações e os movimentos de expressão cívica em
torno das matérias da proteção e valorização do meio-ambiente.
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Votação Deliberação — DAR I série — 43-43 — 16/02/2018
16 DE FEVEREIRO DE 2018
O Sr. Presidente (Jorge Lacão): — Fica registado, Sr. Deputado.
Segue-se a votação do projeto de resolução n.º 1224/XIII (3.ª) — Recomenda medidas de apoio a concelhos
significativamente atingidos pelos incêndios do verão (BE).
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PSD, do BE, do CDS-PP, do PCP, de Os Verdes e
do PAN e a abstenção do PS.
O Sr. João Azevedo Castro (PS): — Sr. Presidente, peço a palavra.
O Sr. Presidente (Jorge Lacão): — Para que efeito, Sr. Deputado?
O Sr. João Azevedo Castro (PS): — Sr. Presidente, para informar a Mesa de que o Grupo Parlamentar do
PS apresentará uma declaração de voto em relação a esta votação.
O Sr. Presidente (Jorge Lacão): — Fica registado, Sr. Deputado.
Vamos proceder à votação do projeto de resolução n.º 1264/XIII (3.ª) — Recomenda a suspensão das ações
de despejo nas casas de função da Guarda Nacional Republicana em Alcântara, Lisboa (BE).
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.
Prosseguimos com a votação do projeto de resolução n.º 1213/XIII (3.ª) — Recomenda ao Governo que
salvaguarde a zona húmida sazonal de água doce de Alagoas Brancas (BE).
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do BE, do PCP, de Os Verdes e do PAN e abstenções
do PSD, do PS e do CDS-PP.
Passamos à votação do projeto de resolução n.º 1250/XIII (3.ª) — Recomenda ao Governo o
desenvolvimento de ações tendentes à defesa e valorização da zona húmida de Alagoas Brancas (PSD).
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PSD, do CDS-PP, do PCP, de Os Verdes e do PAN
e abstenções do PS e do BE.
Segue-se a votação do projeto de resolução n.º 1285/XIII (3.ª) — Pela preservação e classificação das zonas
húmidas do Algarve (PS).
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PS, do BE, do PCP, de Os Verdes e do PAN e
abstenções do PSD e do CDS-PP.
Srs. Deputados, não havendo mais iniciativas a votar, resta-me anunciar a agenda da próxima sessão
plenária, que ocorrerá na quarta-feira, dia 21 de fevereiro, às 15 horas, com um primeiro ponto dedicado a
declarações políticas e um segundo ponto dedicado à apreciação da petição n.º 273/XIII (2.ª) — Solicitam a
desvinculação de Portugal do Tratado e Protocolos Modificativos ao Acordo Ortográfico de 1990 e a revogação
da Resolução do Conselho de Ministros n.º 8/2011 (António Duarte Arnaut e outros).
Sr.as e Srs. Deputados, antes de encerrar formalmente a sessão, cumpre-me, em meu nome e em nome da
Mesa, desejar bons trabalhos para o Congresso do PSD que vai decorrer este fim de semana.
Muito boa tarde a todos.
Está encerrada a sessão.
Eram 17 horas e 54 minutos.
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