Projecto de Resolução n.º 1191/XIII/3.ª
Recomenda ao Governo que adopte medidas de vigilância e de acção ambiental para
mitigar os efeitos nefastos das fontes de poluição presentes no Rio Tejo
Temos assistido à difusão de várias notícias que dão conta da gigantesca dimensão da
poluição que afecta o rio Tejo e respectivos efluentes, a qual degenera na morte de
inúmeros seres não humanos, na destruição de ecossistemas e na diminuição de
qualidade de vida de muitas comunidades.
A água provinda do território espanhol chega a Portugal com inaceitáveis níveis de
contaminação provocados por diversos factores, designadamente, utilização massiva
de fertilizantes na agricultura intensiva; pela eutrofização potenciada com a
estagnação verificável nas barragens da Estremadura (espanhola); através de
descargas de águas residuais sem tratamento das vilas e cidades espanholas e, por fim,
devido à contaminação radiológica decorrente dos trabalhos na Central Nuclear de
Almaraz.
Ora, as fontes de poluição acima identificadas conjugadas com o facto de os caudais
que afluem de Espanha serem cada vez mais reduzidos são agravadas por
comportamentos igualmente recrimináveis praticados em território nacional, tais
como, agricultura intensiva e inadequada; indústria da celulose; indústria alimentar;
agropecuárias intensivas, nomeadamente suiniculturas; águas residuais urbanas e
demais descargas de efluentes não tratados.
Tudo isto se passa num quadro de profundo desrespeito e incumprimento absoluto
das premissas legais concernentes a estas matérias. Acresce, a nível nacional, uma
inércia no campo da fiscalização e consequente sanção dos prevaricadores, que a seu
bel-prazer, continuam a contaminar o ambiente.
Tamanha indulgência perante a gravidade da situação acima descrita degenera na
destruição dos ecossistemas, condicionando a qualidade da água essencial em vários
vectores como são o lazer; turismo fluvial; a pesca e a rega dos campos agrícolas, com
as graves e nefastas consequências supra enunciadas.
Existem várias lacunas que devem ser supridas com o escopo de mitigar os meandros
do cenário calamitoso actual.
Primeiramente, refira-se que o site oficial Sistema Nacional de Informação de Recursos
Hídricos (SNIRH), um dos sistemas de informação disponibilizados pela Agência
Portuguesa do Ambiente, encontra-se desactualizado e incompleto – a título de
exemplo, os últimos dados relativos às águas superficiais datam de 2013 e os relatórios
enviados para a Comissão Europeia atinentes às Águas Balneares datam de 2009.
(verificável em http://snirh.apambiente.pt/index.php?idMain=1&idItem=1.5 )
Em segundo lugar, enfatiza-se a importância da vigilância radiológica ambiental, crucial
para a monitorização dos níveis de radiação ambiental tornando possível a detecção
atempada todas as alterações significativas na radioactividade, assegurando a
protecção de todos os seres vivos dos eventuais perigos de exposição à mesma.
Destarte, afigura-se como essencial fomentar a existência e desenvolvimento de
programas de vigilância radiológica que apresentem competências e prontidão na
resposta a situações de emergência radiológica.
Cumpre referir que urge atribuir uma cautela especial ao rio Tejo, atenta a existência
de centrais nucleares no troço espanhol do rio, das quais se destaca nesta sede a
Central Nuclear de Almaraz localizada a uma singela centena de quilómetros da
fronteira portuguesa.
Atendendo aos dados vertidos, é fundamental o fomento e expansão da Rede de
Monitorização de Emergência (RADNET) com a instalação de mais estações de
monitorização radiológicas nomeadamente a montante de barragens de rios
internacionais, tendo em especial consideração o Rio Tejo.
O terceiro ponto a abordar na presente legislativa, intrinsecamente interligado com os
demais, reporta-se ao facto de os dados referentes às estações de monitorização de
controlo radiológico do ambiente, patentes no site oficial do Sistema Nacional de
Informação de Ambiente (SNIAmb), se encontrarem desactualizados (mormente o
caso da estação de Fratel que não apresenta qualquer dado), sendo aconselhável a
actualização destes para uma consulta cabal e transparente de uma matéria com
sobeja significância.
(Passível de observação em https://rea.apambiente.pt/content/controlo-
radiol%C3%B3gico-do-ambiente )
Em seguida, trazemos à colação o já aprovado Projecto de Resolução 726/XIII,
apresentado pelo PAN, o qual recomenda ao governo português que elabore um plano
de emergência radiológico para acidentes nucleares transfronteiriços. No que tange a
esta temática, consideramos que é fundamental que o mesmo seja concluído no
próximo ano de 2018, devendo o Governo envidar todos os esforços para que tal
desiderato seja possível.
Outra questão premente a tratar prende-se com a necessidade de dotar de meios
adequados o Laboratório de Protecção e Segurança Radiológica para que este possa
lograr a concretização dos objectivos definidos no que concerne aos Programas de
Monitorização Radiológica Ambiental.
Por fim, cumpre salientar que os dados concernentes Inventário Nacional de Sistemas
de Abastecimento de Água e de Águas Residuais (INSAAR) datam de 2008. Visto que os
mesmos apresentam quase uma década, é da mais elementar importância proceder-se
à actualização destes dados.
(Passível de verificação em http://insaar.apambiente.pt/index.php?id=33 )
Face ao exposto, o PAN considera que as medidas propostas na presente iniciativa
legislativa representam pilares essenciais no capítulo da vigilância e acção ambiental
de forma a mitigar os efeitos catastróficos espoletados pelas fontes de poluição
presentes no Rio Tejo, dotando-se complementarmente a sociedade civil de mais e
melhor informação para analisar a poluição terrestre e aquática.
Assim, a Assembleia da República, nos termos do n.º 5 do artigo 166.º da
Constituição, por intermédio do presente Projecto de Resolução, recomenda ao
Governo que:
1- Actualize o sítio oficial do Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos
(SNIRH);
2- Diligencie pelo fomento e expansão da Rede de Monitorização de Emergência
(RADNET) com a instalação de mais estações de monitorização radiológicas
nomeadamente a montante de barragens de rios internacionais, tendo em
especial consideração o Rio Tejo;
3- Actualize os dados de todas as estações de monitorização, mormente da
estação de monitorização do Fratel, no sítio oficial do Sistema Nacional de
Informação de Ambiente (SNIAmb);
4- O plano de emergência radiológico para acidentes nucleares transfronteiriços
seja concluído em 2018;
5- Dote de meios adequados o Laboratório de Protecção e Segurança Radiológica
para que este possa lograr a concretização dos objectivos definidos no que
concerne aos Programas de Monitorização Radiológica Ambiental;
6- Actualize com os mais recentes dados, o Inventário Nacional de Sistemas de
Abastecimento de Água e de Águas Residuais (INSAAR).
Palácio de São Bento, 15 de Dezembro de 2017.
O Deputado,
André Silva
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Publicação — DAR II série A — 46-47 — 16/12/2017
II SÉRIE-A — NÚMERO 42
peticionários apresenta o presente projeto de resolução assumindo as suas propostas.
Ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar do Bloco de
Esquerda propõe que a Assembleia da República recomende ao Governo:
1. A adoção de medidas para o cumprimento da Diretiva Quadro da Água, ou seja, a garantia de um bom
estado ecológico das águas do Tejo;
2. O estabelecimento e quantificação de um regime de caudais ecológicos, diários, semanais e mensais,
refletidos nos Planos da Bacia Hidrográfica do Tejo, nos dois países, e na Convenção de Albufeira;
3. A ação rigorosa e consequente da fiscalização ambiental contra a poluição, crescente e contínua, que
cada vez mais devasta o rio Tejo e os seus afluentes;
4. A intervenção junto do governo do estado espanhol com vista ao encerramento da Central Nuclear de
Almaraz, eliminando a contaminação radiológica do rio Tejo e o risco de acidente nuclear;
5. A realização de ações para restaurar o sistema fluvial natural e o seu ambiente, nomeadamente a
reposição de conectividade fluvial.
Assembleia da República, 15 de dezembro de 2017.
As Deputadas e os Deputados do Bloco de Esquerda: Carlos Matias — Mariana Mortágua — Jorge Costa —
Pedro Soares — Isabel Pires — José Moura Soeiro — Heitor de Sousa — Sandra Cunha — João Vasconcelos
— Maria Manuel Rola — Jorge Campos — Jorge Falcato Simões — Joana Mortágua — José Manuel Pureza —
Luís Monteiro — Moisés Ferreira — Paulino Ascenção — Maria Luísa Cabral — Catarina Martins.
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PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 1191/XIII (3.ª)
RECOMENDA AO GOVERNO QUE ADOTE MEDIDAS DE VIGILÂNCIA E DE AÇÃO AMBIENTAL PARA
MITIGAR OS EFEITOS NEFASTOS DAS FONTES DE POLUIÇÃO PRESENTES NO RIO TEJO
Temos assistido à difusão de várias notícias que dão conta da gigantesca dimensão da poluição que afeta o
rio Tejo e respetivos efluentes, a qual degenera na morte de inúmeros seres não humanos, na destruição de
ecossistemas e na diminuição de qualidade de vida de muitas comunidades.
A água provinda do território espanhol chega a Portugal com inaceitáveis níveis de contaminação provocados
por diversos fatores, designadamente, utilização massiva de fertilizantes na agricultura intensiva; pela
eutrofização potenciada com a estagnação verificável nas barragens da Estremadura (espanhola); através de
descargas de águas residuais sem tratamento das vilas e cidades espanholas e, por fim, devido à contaminação
radiológica decorrente dos trabalhos na Central Nuclear de Almaraz.
Ora, as fontes de poluição acima identificadas conjugadas com o facto de os caudais que afluem de Espanha
serem cada vez mais reduzidos são agravadas por comportamentos igualmente recrimináveis praticados em
território nacional, tais como, agricultura intensiva e inadequada; indústria da celulose; indústria alimentar;
agropecuárias intensivas, nomeadamente suiniculturas; águas residuais urbanas e demais descargas de
efluentes não tratados.
Tudo isto se passa num quadro de profundo desrespeito e incumprimento absoluto das premissas legais
concernentes a estas matérias. Acresce, a nível nacional, uma inércia no campo da fiscalização e consequente
sanção dos prevaricadores, que a seu bel-prazer, continuam a contaminar o ambiente.
Tamanha indulgência perante a gravidade da situação acima descrita degenera na destruição dos
ecossistemas, condicionando a qualidade da água essencial em vários vetores como são o lazer; turismo fluvial;
a pesca e a rega dos campos agrícolas, com as graves e nefastas consequências supra enunciadas.
Existem várias lacunas que devem ser supridas com o escopo de mitigar os meandros do cenário calamitoso
atual.
Primeiramente, refira-se que o site oficial Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos (SNIRH),
um dos sistemas de informação disponibilizados pela Agência Portuguesa do Ambiente, encontra-se
desatualizado e incompleto – a título de exemplo, os últimos dados relativos às águas superficiais datam de
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Apreciação — DAR I série — 49-55 — 05/01/2018
5 DE JANEIRO DE 2018
tiveram programas de ajustamento, conseguindo conter esse efeito que, muitas vezes, o ajustamento não
consegue.
Protestos do PCP.
Sr.ª Deputada Joana Mortágua, não temos uma narrativa da vinda do Diabo, mas, ao contrário do Bloco de
Esquerda, sabemos o que custa governar nessas circunstâncias, sabemos que é difícil pedir sacrifícios aos
portugueses e como os portugueses os sentiram na pele.
Protestos do BE e do PCP.
Por isso é que nos preocupa muito que o caminho que está a ser seguido não garanta que isso não volte a
acontecer. Gostaríamos muito que garantisse que tal não volta a acontecer.
Posso garantir-lhe, Sr.ª Deputada, que não é nada agradável ser membro de um Governo a aplicar um
programa de ajustamento. Não é!
Embora os senhores utilizem muito o argumento, ao qual falha, não me levem a mal, inteligência, de que
gostamos de fazer mal às pessoas ou que tínhamos algum preconceito ideológico contra os portugueses, devo
dizer que isso é um disparate rematado.
Protestos do BE e do PCP.
Aquilo que digo, Sr.ª Deputada, é que não temos nenhum tipo de ódio aos sindicatos, o que queremos é que
ambas as partes sejam respeitadas: a parte dos trabalhadores e a parte das empresas.
A Sr.ª Joana Mortágua (BE): — Quantos milhões?!
A Sr.ª Maria Luís Albuquerque (PSD): — Não compreendemos como é que numa empresa que tem quase
30 anos de existência, que sempre conseguiu resolver os seus problemas sem greves — e os senhores sabem
bem porque a comissão de trabalhadores era liderada por uma pessoa do Bloco de Esquerda —, …
O Sr. Presidente (José de Matos Correia): — Tem de terminar, Sr.ª Deputada.
A Sr.ª Maria Luís Albuquerque (PSD): — …durante esse tempo, nunca houve esses conflitos e agora há.
Será coincidência? Não acreditamos que seja, Sr.ª Deputada, e preocupa-nos, sim, o que possa acontecer e o
que esse efeito possa trazer de arrastamento até para outras empresas que já cá estão ou que queiram vir a
estar.
Quando a Sr.ª Deputada fala de quantos milhões o Governo português já investiu naquela fábrica, Sr.ª
Deputada, daqui a pouco estamos a ouvi-la defender que é preciso nacionalizar a Autoeuropa. É preciso ter
cuidado com esse tipo de afirmações.
Aplausos do PSD.
O Sr. Presidente (José de Matos Correia): — Srs. Deputados, terminamos assim as declarações políticas,
passando ao ponto três da nossa agenda, que consiste na apreciação conjunta da petição n.º 264/XIII (2.ª) —
Solicitam a adoção de medidas com vista à defesa do rio Tejo, nomeadamente o encerramento da Central
Nuclear de Almaraz (Paulo Fernando da Graça Constantino e outros) e dos projetos de resolução n.os 738/XIII
(2.ª) — Recomenda ao Governo que permita a utilização de resultados analíticos obtidos com amostras pontuais
na fiscalização de descargas poluentes (CDS-PP), 1190/XIII (3.ª) — Recomenda medidas para a despoluição
do rio Tejo e o encerramento da Central Nuclear de Almaraz (BE), 1191/XIII (3.ª) — Recomenda ao Governo
que adote medidas de vigilância e de ação ambiental para mitigar os efeitos nefastos das fontes de poluição
presentes no rio Tejo (PAN), 1204/XIII (3.ª) — Pela defesa e proteção integrada da bacia hidrográfica do Tejo
(Os Verdes), 1207/XIII (3.ª) — Recomenda ao Governo a adoção de medidas para a defesa da bacia hidrográfica
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Votação Deliberação — DAR I série — 26-26 — 06/01/2018
I SÉRIE — NÚMERO 32
Esta primeira votação do Parlamento do Estado de Israel, tomada por escassa margem, desafia os mais
básicos princípios do direito internacional e dos direitos humanos, elementos basilares da Constituição
Portuguesa.
Portugal comemorou, em 2017, os 150 anos da abolição da pena de morte. Nesta ocasião, não deve a
Assembleia da República deixar de condenar frontalmente uma decisão como esta.
Assim, a Assembleia da República, reunida em sessão plenária, condena a votação do Parlamento israelita
de facilitar o recurso à pena de morte em Israel e apela à sua não aprovação em votação final.»
O Sr. Presidente: — Srs. Deputados, vamos votar o referido voto.
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PSD, do PS, do BE, do CDS-PP, do PCP, de Os
Verdes e do PAN e votos contra do Deputado do PS João Soares e do Deputado do CDS-PP João Rebelo.
O Sr. João Rebelo (CDS-PP): — Sr. Presidente, peço a palavra.
O Sr. Presidente: — Faça favor, Sr. Deputado.
O Sr. João Rebelo (CDS-PP): — Sr. Presidente, é só para informar que entregarei uma declaração de voto
sobre a votação que acabámos de realizar.
O Sr. Presidente: — Fica registado, Sr. Deputado.
Tem a palavra o Sr. Deputado Pedro Roque.
O Sr. Pedro Roque (PSD): — Sr. Presidente, é também para anunciar que irei apresentar uma declaração
de voto sobre esta votação.
O Sr. Presidente: — Fica registado, Sr. Deputado.
Tem a palavra o Sr. Deputado João Soares.
O Sr. João Soares (PS): — Sr. Presidente, do mesmo modo, é também para anunciar que apresentarei uma
declaração de voto sobre esta votação.
O Sr. Presidente: — Fica registado, Sr. Deputado.
Passamos à votação do projeto de resolução n.º 738/XIII (2.ª) — Recomenda ao Governo que permita a
utilização de resultados analíticos obtidos com amostras pontuais na fiscalização de descargas poluentes (CDS-
PP).
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.
Segue-se a votação do projeto de resolução n.º 1190/XIII (3.ª) — Recomenda medidas para a despoluição
do rio Tejo e o encerramento da Central Nuclear de Almaraz (BE).
Submetido à votação, foi aprovado por unanimidade.
Vamos, agora, votar o projeto de resolução n.º 1191/XIII (3.ª) — Recomenda ao Governo que adote medidas
de vigilância e de ação ambiental para mitigar os efeitos nefastos das fontes de poluição presentes no rio Tejo
(PAN).
Submetido à votação, foi aprovado, com votos a favor do PS, do BE, do CDS-PP, do PCP, de Os Verdes e
do PAN e a abstenção do PSD.
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